1457: A célula mais simples que existe veio do Espaço interestelar. É uma etanolamina

SAÚDE/CIÊNCIA/ASTROBIOLOGIA

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Camada de fosfolípidos numa membrana celular

Investigadores do Centro Espanhol de Astrobiologia, em Madrid, descobriram um componente da célula mais simples que existe, no espaço interestelar.

O astrónomo Víctor Rivilla e investigadores do Centro Espanhol de Astrobiologia em Madrid descobriram um componente vital do fosfolípido mais simples do espaço.

Os fosfolípidos são um dos principais componentes da membrana plasmática da célula e compõem as membranas de todas as células da Terra.

A equipa publicou um estudo inicial a 25 de maio, que ainda carece da revisão de pares, no qual explica a descoberta do componente fosfolípido, conhecido como etanolamina, e nota também que a investigação indica que todos os precedentes da vida podem ter tido origem no espaço.

De acordo com a Interesting Engineering, a ciência ainda não conseguiu revelar totalmente a origem da vida, mas sabe-se que começou na Terra, há cerca de 4,5 mil milhões de anos, e envolveu inúmeros componentes moleculares.

Uma teoria explica que estes componentes estavam disponíveis na Terra, porque o espaço deu ao planeta o gás e pó que contêm as moléculas orgânicas necessárias à vida, quase como “materiais de construção”.

Os astrónomos identificaram estes “blocos de construção” como sendo aminoácidos, os precursores de proteínas, e moléculas que podem armazenar informação sob a forma de ADN.

Mas, existe outro componente essencial para a vida, as moléculas que podem formar membranas, capazes de conter e proteger as moléculas da vida em compartimentos chamados proto-células. Os fosfolípidos nunca tinham sido observados no espaço, até à descoberta de Rivilla e da sua equipa.

A equipa de investigação analisou a luz de uma nuvem interestelar de gás e poeira chamada Sagitário B2, que se encontra a 390 anos luz do centro da Via Láctea.

A etanolamina tem a fórmula química NH2CH2CH2OH e a equipa simulou o espectro que a molécula produz com as baixas temperaturas que se pensava existirem na nuvem.

Encontraram provas claras deste espectro na luz, que passou através da nuvem. “Isto tem implicações importantes não só para as teorias sobre a origem da vida na Terra, mas também para outros planetas e satélites habitáveis em qualquer parte do Universo”, realçou a equipa.

Os astrónomos já tinham encontrado etanolamina antes em meteoritos, sem saber  como lá chegou. Alguns investigadores argumentam que foi se formou através de um conjunto desconhecido de reacções de um asteroide. Mas de acordo com a última descoberta, a etanolamina é muito mais disseminada.

Na Terra, a etanolamina faz parte da fomração a cabeça hidrofílica das moléculas de fosfolípidos, que se auto-montam em membranas celulares.

Os investigadores referiram, em entrevista com a Astronomy Magazine, que a sua descoberta em nuvens interestelares sugere que “a etanolamina pode ter sido transferida da nebulosa proto-Solar para planetesimais e corpos mais pequenos do Sistema Solar e, posteriormente, para o nosso planeta”.

De seguida, pode ter causado a formação de células na “sopa” prebiótica, da qual emergiram os nossos antepassados.

Outra teoria da equipa é que a etanolamina permite a formação de proto-células no próprio meio interestelar.

O meio interestelar é rico em outros componentes prebióticos, tais como água e aminoácidos. O resultado seriam vasos de fusão de goop prebiótico, prontos para semear a Terra, ou qualquer outro corpo que passasse.

Embora nenhuma destas teorias responda à questão de como a vida começou na Terra, o estudo é uma indicação de que já não existe qualquer mistério sobre como surgiram “os materiais” que a “construiram”.

“Estes resultados indicam que a etanolamina se forma eficientemente no espaço e, se chegou cedo à Terra, pode ter contribuído para a evolução precoce das membranas primitivas”, notou Rivilla e a equipa.

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3 Janeiro, 2022

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