743: Dietas à base de plantas e peixe reduzem gravidade da covid-19

 

SAÚDE/COVID-19/DIETAS

A investigação, feita em vários países, foi publicada na revista BMJ Nutrition Prevention & Health.

© Maria João Gala /Global Imagens

As dietas à base de plantas e peixes podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver infecções moderadas a graves por covid-19, segundo um estudo hoje divulgado.

A investigação, feita em vários países, foi publicada na revista BMJ Nutrition Prevention & Health.

Vários estudos sugeriram que a dieta pode desempenhar um papel na severidade dos sintomas e na duração da doença, mas eram escassas as evidências.

Os especialistas salientam que se tratou de um estudo observacional, pelo que nenhuma causa pode ser estabelecida, apenas uma correlação.

Os investigadores basearam a sua análise nas respostas a um inquérito feito a mais de 2.000 médicos e enfermeiros com uma ampla exposição ao novo coronavírus em França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos da América.

Os participantes faziam parte de uma rede global de profissionais de saúde registados na plataforma Survey Healthcare Globus, dedicada à pesquisa de mercado na área da saúde.

Os investigadores utilizaram esta rede para identificar os médicos com elevado risco de infecção devido ao seu trabalho.

O inquérito online, que decorreu de Julho a Setembro de 2020, foi feito para obter informações detalhadas sobre os padrões alimentares dos inquiridos, com base num questionário de frequência de vários alimentos ingeridos durante o ano anterior e na gravidade da infecção por covid-19 que estes tivessem tido.

O questionário também recolheu informação sobre a história pessoal, histórico médico, uso de medicamentos e estilo de vida dos participantes.

As várias dietas foram combinadas em dietas vegetais, de peixe e dietas de baixo teor de hidratos de carbono e alto teor de proteínas.

Variáveis potencialmente influentes, como a idade, a etnia, a especialidade médica e o estilo de vida, como fumar ou fazer exercício, foram tidas em conta na investigação.

Os inquiridos que responderam que consumiam dietas à base de plantas ou de peixe apresentavam, respectivamente, 73% e 59% menor probabilidade de infecção moderada a grave por covid-19, em comparação com os que não tinham estes padrões alimentares.

Aqueles que disseram fazer uma dieta pobre em hidratos de carbono e com alto teor de proteínas tinham quase quatro vezes maior probabilidade de contrair uma infecção moderada a grave provocada pelo novo coronavírus, segundo o mesmo estudo.

As dietas à base de plantas são ricas em nutrientes, vitaminas e minerais, todos importantes para um sistema imunitário saudável, enquanto o peixe é uma relevante fonte de vitamina D e ácidos gordos ómega-3, com propriedades anti-inflamatórias, enfatizam os investigadores.

A pandemia de provocou, pelo menos, 3.731.297 mortos no mundo, resultantes de mais de 173,2 milhões de casos de infecção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 17.036 pessoas dos 853.034 casos de infecção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direcção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Diário de Notícias

DN/Lusa

– Penso, se não estou errado, que em vez de “plantas” (plant based), devem querer referir-se a (frutas, legumes, verduras, cereais, oleaginosas, grãos), etc.. Não estou a ver esta gente a comer rosas, cravos, malmequeres, etc..

 

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605: Dieta vegana pode ser melhor para a perda de peso do que a mediterrânea

 

SAÚDE/ALIMENTAÇÃO

A dieta vegana é mais eficaz para a perda de peso e controlo do colesterol do que a dieta mediterrânea, sugere uma nova investigação conduzida pela Physicians Committee for Responsible Medicine, uma organização norte-americana sem fins lucrativos que promove a medicina preventiva.

A investigação, recentemente publicada na revista científica especializada Journal of the American College of Nutrition, descobriu que uma dieta alimentar vegana com baixo teor de gordura apresenta melhores resultados a nível de perda de peso, composição corporal, sensibilidade à insulina e níveis de colesterol, quando comparada à dieta mediterrânea.

Para chegar a esta conclusão, a equipa levou a cabo um estudo comparativo sobre os dois regimes alimentares, durante o qual vários participantes – acima do peso e sem histórico de diabetes – foram acompanhados durante 16 semanas enquanto seguiam um plano alimentar baseado na dieta vegana ou mediterrânea.

Os resultados mostram que na dieta sem produtos ou derivados de origem animal os participantes perderam em média seis quilogramas, enquanto que na dieta mediterrânea não foi registada qualquer mudança no peso dos voluntários.

A dieta vegana levou também a uma diminuição nos níveis de colesterol total e LDL dos participantes em 18,7 mg / dL e 15,3 mg / dL, respectivamente. Na dieta mediterrânea, não foram observadas mudanças neste parâmetro.

Ambas as dietas fizeram diminuir a pressão arterial, sendo a descida mais acentuada no regime mediterrâneo (6,0 mmHg comparativamente a 3,2 mmHg na dieta vegana).

“Estudos anteriores sugeriam que as dietas mediterrânea e vegana ajudavam a melhorar o peso corporal e os factores de risco cardio-metabólicos mas, até agora, a sua eficácia relativa não tinha sido comprovada num ensaio aleatório“, começou por explicar Hana Kahleova, autora principal do estudo, citada em comunicado.

“Decidimos testar as dietas frente-a-frente e descobrimos que a dieta vegana é mais eficaz para melhorar os marcadores de saúde e maximizar a perda de peso”.

Menos calorias, mais fibras

Os autores do novo estudo observaram ainda que a dieta vegana conduziu à perda de peso porque foi associada a uma redução na ingestão de calorias, aumento na ingestão de fibras e diminuição do consumo de gorduras, incluindo as saturadas.

“Enquanto muitas pessoas pensam na dieta mediterrânea como uma das melhores formas de perder peso, este regime, na verdade, foi ‘desfeito’ quando o colocamos à prova”, acrescentou Neal Barnard, co-autor do novo estudo.

“Num estudo aleatório e controlado, a dieta mediterrânea não causou qualquer perda de peso. O problema parece ser a inclusão de peixes gordurosos, lacticínios e óleos. Em sentido oposto, uma dieta vegana com baixo teor em gordura levou a uma perda de peso significativa e consistente”, sustentou.

Kahleova remata: “Se a sua meta é perder peso ou ficar saudável em 2021, escolher uma dieta baseada em vegetais é uma óptima forma de alcançar esse objectivo”.

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ZAP ZAP //

Por ZAP
11 Fevereiro, 2021

Não concordo, em absoluto. Classificada como Património Mundial e Imaterial da Humanidade pela UNESCO, a Dieta Mediterrânica é considerada um dos padrões alimentares mais saudáveis do Mundo e conta com um conjunto de conhecimentos, práticas e tradições partilhadas por muitos países do Mediterrâneo que seguem os princípios deste estilo de vida equilibrado e convivial à mesa.

– Frugalidade e cozinha simples que tem na sua base preparados que protegem os nutrientes, como as sopas, os cozidos, os ensopados e as caldeiradas
– Elevado consumo de produtos vegetais em detrimento de alimentos de origem animal, nomeadamente de hortícolas, fruta, pão de qualidade e cereais pouco refinados, leguminosas secas e frescas, frutos secos e oleaginosas
– Consumo de vegetais produzidos localmente, frescos e da época
– Azeite como principal fonte de gordura
– Utilização de ervas aromáticas para temperar em detrimento do sal
– Consumo moderado de lacticínios
– Consumo frequente de pescado e menor de carnes vermelhas
– Água como principal bebida ao longo do dia
– Consumo baixo a moderado de vinho e apenas nas refeições principais.

Um estudo deste tipo tem de levar em consideração que as pessoas NÃO TÊM o mesmo comportamento reaccional em ordem a qualquer mudança, seja ela alimentar ou outra. Enquanto umas resistem e adaptam-se bem a um tipo de alimentação considerada “a melhor” pelos “especialistas”, outras não se adaptam e têm de a abandonar. Por experiência própria, o meu organismo adaptou-se perfeitamente quando há anos atrás optei pela dieta Macrobiótica. Depois, por razões exclusivamente profissionais, tive de regressar à alimentação “normal”. Assim que tive liberdade de escolha, optei pela dieta mediterrânica que vou adaptando às minhas necessidades e hoje faço um mix de dietas mediterrânica e macrobiótica que resultam na perfeição. Deixei as carnes vermelhas há anos e o meu blogue de culinária demonstra bem o meu tipo de dietas que pratico no dia a dia.

353: O segredo para aumentar a sua esperança de vida pode estar escondido na cozinha

SAÚDE

danicuki / Flickr

O azeite na dieta mediterrânea pode ser a chave para melhorar a sua esperança de vida e mitigar doenças relacionadas com o envelhecimento.

Nos Estados Unidos, a dieta mediterrânea é um dos planos de alimentação saudável mais recomendados pelas Directrizes Dietéticas oficiais para promover saúde e prevenir doenças crónicas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) também reconhece esta dieta como um padrão alimentar saudável e sustentável.

Um recente estudo, levado a cabo por investigadores da Universidade de Minnesota e da Ionis Pharmaceuticals, nos Estados Unidos, sugere que a gordura do azeite extra-virgem aumenta a vida útil e previne doenças relacionadas com o envelhecimento.

A dieta mediterrânea é caracterizada por uma abundância de alimentos vegetais (frutas, vegetais, cereais e legumes) e o azeite é a principal fonte de gordura. Os lacticínios devem ser consumidos em quantidades baixas a moderadas, enquanto que a carne vermelha deve ser consumida apenas em pequenas quantidades.

Apesar de esta investigação concluir que o azeite aumenta a longevidade e previne doenças, Doug Mashek, principal autor do estudo publicado na Molecular Cell, alerta que consumir esta gordura “não é o suficiente para obter todos os benefícios” para a saúde.

De acordo com o Sci-News, o artigo científico sugere que os efeitos do consumo de azeite extra-virgem são potencializados quando combinados com menor ingestão calórica e exercício físico.

O próximo passo é testar estes benefícios em seres humanos, com o objectivo de desenvolver novos fármacos ou adaptar os regimes alimentares para melhorar a saúde, tanto a curto quanto a longo prazo.

“Queremos entender a biologia e depois traduzi-la para seres humanos, na esperança de mudar o paradigma da saúde, no qual alguém vai a oito médicos diferentes para tratar os oito diferentes distúrbios”, rematou Mashek.

ZAP //

Por ZAP
18 Abril, 2020

 

335: Ingrediente banido de muitas cozinhas pode ser a solução para uma alimentação saudável

CIÊNCIA/SAÚDE/ALIMENTAÇÃO

SXC

O glutamato monossódico tem uma má fama na cozinha, mas um estudo recente sugere que este ingrediente usado como tempero pode ser útil para nos ajudar a manter uma alimentação saudável.

Durante décadas, o glutamato monossódico tem sido demonizado no Ocidente, culpado por sintomas como dores de cabeça, formigueiros nas pernas e braços, crises de asma e até como desencadeador de doenças neuro-degenerativas.

Apesar de haver poucos casos de pessoas que relatam sensibilidade ao ingrediente, não há provas de que este ingrediente que realça o sabor não seja seguro para consumo. Agora, um estudo aponta justamente para o oposto, que este tempero pode ser uma ajuda valiosa para que uma pessoa mantenha uma dieta saudável.

O que é?

Este é um sal sódico do ácido glutâmico, um aminoácido não essencial bastante abundante na natureza. Está presente naturalmente em alimentos como tomates, algas marinhas, cogumelos e queijos, e tem um gosto que não é nem doce, nem salgado, nem azedo e nem amargo. Por não se enquadrar em nenhum gosto básico, foi criada uma categoria especial para ele, baptizado de umami pelo investigador japonês Kikunae Ikeda, no início do século XX.

Ikeda conseguiu isolar o ácido glutâmico como uma nova substância de gosto a partir da alga marinha Laminaria japonica, através de extracção aquosa e cristalização. Esta alga é conhecida como kombu, e é ingrediente do caldo japonês de katsoubushi.

O investigador registou patente da produção do glutamato monossódico, e em 1909 o empresário Saborosuke Suzuki iniciou a produção comercial do tempero como Aji-no-moto, que significa “a essência do sabor”, em japonês. Actualmente, é produzido a partir da fermentação bacteriana. Esta fermentação é semelhante à da produção do vinho, vinagre ou iogurte, e o sódio é adicionado através de uma etapa de neutralização.

Apesar do processo de produção desta substância, não há diferença química entre o ácido glutâmico obtido desta forma ou o encontrado no tomate ou cogumelo.

Perseguição injusta?

Até os historiadores entraram nessa polémica, defendendo que a fama de “venenoso” do tempero tem mais a ver com racismo do que com ciência. Isto porque a síntese do glutamato monossódico foi descoberta no Japão, portanto populações da Europa e América encontram a molécula com mais frequência nos restaurantes asiáticos ­– apesar dela estar presente em vários alimentos processados.

Em 1968, um médico publicou uma carta na revista New England Journal of Medicine reclamando que sentia formigueiros nos braços, fraqueza e arritmias cardíacas depois de comer em restaurantes chineses. Logo de seguida, outras pessoas relataram o mesmo, e logo apareceu o termo “Síndrome do Restaurante Chinês”.

É possível que algumas pessoas realmente tenham sensibilidade ao tempero, e isto seria verificado também quando tomate, cogumelo ou queijos são consumidos. Porém, uma experiência com voluntários que relataram sentirem estes problemas, mostrou que isso parece ser mais psicológico do que físico.

Num estudo publicado na revista Journal of Allergy and Clinical Immunology em 1997, os participantes foram divididos em dois grupos: um consumiu 5 gramas de glutamato monossódico e o outro consumiu 5 gramas de placebo (lembrando que 5 gramas é uma quantia grande, muito superior ao que normalmente é consumido numa refeição).

O resultado foi que 36,1% das pessoas do primeiro grupo relataram sintomas, enquanto 24% do grupo placebo também se queixou dessas sensações.

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Útil nas dietas

Um novo estudo publicado na Neuropsychopharmacology concluiu que o consumo de sopas com glutamato monossódico em pequenas porções ajuda as pessoas a manterem dietas mais saudáveis.

Na experiência, 30 voluntárias foram divididas num grupo que consumiu uma sopa com o ingrediente antes de se servir à vontade num bufete, enquanto outro grupo consumiu uma sopa idêntica antes de se servir no mesmo bufete.

O resultado foi que as participantes escolheram alimentos com menos gordura saturada e de forma geral mais saudáveis. Os melhores efeitos foram observados nas mulheres que relataram falta de autocontrolo na hora de comer.

As participantes que consumiram a sopa com glutamato monossódico ficaram mais focadas em alimentos que elas tinham escolhido anteriormente, sem se distrair com outras opções. O consumo do glutamato monossódico fez aumentar a actividade no córtex pré-frontal, a parte do cérebro associada ao autocontrolo quando relacionado à escolha de alimentos.

O ponto fraco deste estudo é que ele avaliou apenas uma refeição, portanto não se sabe se este efeito positivo no autocontrolo seria perdido com o consumo frequente da molécula ou não.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
7 Janeiro, 2020

 

321: Diabetes tipo 2 pode ser revertida através da perda de peso

rawpixel / unsplash

Resultados de um novo estudo sugerem que as pessoas que foram recentemente diagnosticadas com diabetes tipo 2 podem reverter a doença com uma perda de 10% do seu peso corporal.

Por todo o mundo, cerca de 400 milhões de pessoas têm diabetes tipo 2. As boas notícias, segundo o Science Alert, é que muitas vezes pode ser evitada através do controlo do peso, do exercício físico regular e de uma dieta equilibrada e, mesmo que esta doença nos seja diagnosticada, isso não significa que é necessariamente para sempre.

Nos últimos anos, pesquisas mostraram que é possível reverter a doença e, agora, um novo estudo demonstra que a recuperação pode ser muito mais fácil do que se pensava.

“Já sabemos há algum tempo que a remissão da diabetes é possível usando medidas bastante drásticas, como programas intensivos de perda de peso e restrição extrema de calorias”, diz o epidemiologista Hajira Dambha-Miller, da Universidade de Cambridge.

Num ensaio clínico de 2017, os pacientes tiveram que adoptar uma “substituição total da dieta”, consumindo batidos de baixas calorias durante até cinco meses, antes de serem lentamente reintroduzidos os alimentos.

Embora esta intervenção seja algo extrema e difícil, a verdade é que obtém resultados, assim como outras abordagens intensivas que envolvem combinações de medicamentos, insulina e ajustes no estilo de vida.

Mas, de acordo com Dambha-Miller, as pessoas com diabetes tipo 2 podem não precisar de ser tão extremistas para aumentar as suas hipóteses de reverter a doença. “Os nossos resultados sugerem que pode ser possível ver-se livre da diabetes, durante pelo menos cinco anos, com uma perda de peso mais modesta de 10%“, diz a cientista.

No novo estudo, publicado em Setembro na revista científica Diabetic Medicine, a equipa examinou um grupo de 867 pessoas, com idades entre os 40 e os 69 anos, que tinham sido recentemente diagnosticadas com diabetes tipo 2.

Todos os participantes eram do leste de Inglaterra e foram monitorizados durante cinco anos, durante o qual algumas pessoas receberam um tratamento de intervenção (com consultas e recursos médicos adicionais) ou um grupo de controlo que recebeu apenas atendimento médico de rotina.

No final dos cinco anos de acompanhamento, 257 dos participantes (cerca de 30% do grupo) estavam em remissão.

Em comparação com as pessoas que mantiveram o mesmo peso ao longo do estudo, as pessoas que perderam 10% do seu peso corporal, ou mais, duplicaram as suas hipóteses de alcançar a remissão e reverter o diagnóstico de diabetes tipo 2.

Os autores do estudo observam que experimentos clínicos anteriores que defendiam uma perda de peso de 15% ou mais podem desincentivar os pacientes que têm dificuldade em atingir física ou emocionalmente esses ambiciosos objectivos.

“Isto pode dar algumas razões para motivar as pessoas com diabetes tipo 2 recém-diagnosticadas a perder peso, em vez de se concentrarem em metas específicas e potencialmente inatingíveis”, explicam os cientistas.

ZAP //

Por ZAP
7 Outubro, 2019

 

304: Perda de peso pode reverter diabetes tipo 2

v1ctor Casale / Flickr

Segundo um estudo recente, um terço das pessoas que seguiram uma dieta baixa em calorias para perder quantidades substanciais de peso reverteram a diabetes tipo 2.

À medida que a epidemia da obesidade assola todo o mundo, o número de pessoas com diabetes tipo 2 cresce substancialmente. Mas há esperança: um estudo recente mostra que esta condição não é uma sentença de prisão perpétua, segundo o The Guardian.

O estudo, publicado na The Lancet: Diabetes & Endocrinology, aponta que seguir uma dieta baixa em calorias pode reverter quadros de diabetes tipo 2. A mudança alimentar conseguiu reverter a doença em 46% dos participantes do estudo no primeiro ano após o início da investigação. Além disso, 64% dos indivíduos que perderam mais de 10 quilos mantiveram os resultados de reversão dois anos depois do fim da pesquisa.

“Agora entendemos a natureza biológica desta condição reversível. No entanto, os doentes em remissão precisam de saber que a diabetes tipo 2 pode retornar se recuperarem o peso perdido”, adiantou Roy Taylor, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido.

O estudo envolveu 300 pessoas, com idades compreendidas entre os 20 e os 65 anos, diagnosticadas com diabetes tipo 2 e índice de massa corporal (IMC) entre os 27 e os 45 quilos por metro quadrado (kg/m2).

Segundo o The Guardian, os participantes foram divididos em dois grupos: o primeiro recebeu o tratamento padrão e o segundo participou num programa de controlo de preso, no qual tinham de seguir uma dieta líquida com uma duração de 12 a 20 semanas.

Este tipo de dieta consiste em ingerir refeições de baixo teor calórico, geralmente líquidas. A ingestão diária não deveria ultrapassar as 850 calorias diárias, distribuídas em quatro refeições ao longo do dia.

Mesmo depois do fim da dieta líquida, os investigadores continuaram a acompanhar os participantes nos dois anos que se seguiram, e notaram o reflexo da perda de peso no que diz respeito à diabetes tipo 2: um ano depois, 46% dos participantes reverteram o quadro diabético.

Como esperado, entre o primeiro e o segundo ano, os participantes recuperaram algum peso. No entanto, 64% dos indivíduos que perderam mais de 10 quilos mantiveram os resultados de reversão dois anos depois do fim da pesquisa.

Mike Lean, da Universidade de Glasgow,afirmou que a principal prioridade da comunidade científica (e dos próprios doentes) era esclarecer se a diabetes tipo 2 podia ser revertida ou curada.

“Com base neste estudo, podemos agora dizer que sim. Devemos preocupar-nos em ajudar os pacientes a manter a perda de peso e, assim, permanecer em remissão toda a vida”, rematou o investigador.

ZAP //

Por ZAP
13 Março, 2019

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