1008: Há medicamentos para a diabetes que podem atrasar a progressão do Alzheimer

SAÚDE/MEDICAMENTOS/ALZHEIMER/DIABETES

geralt / Pixabay

Um novo estudo encontrou uma associação entre uma classe particular de medicamentos usados para tratar diabetes tipo 2 e redução de bio-marcadores da doença de Alzheimer.

A razão pela qual este medicamento está a surtir este efeito neuro-protector é desconhecida, mas cientistas pedem agora ensaios clínicos em grande escala para explorar esses tratamentos potenciais em grupos não diabéticos, escreve o New Atlas.

Investigadores observaram taxas mais altas de demência em pacientes com diabetes tipo 2. Um estudo realizado no início do ano sugeriu que tensão alta pode explicar a relação entre diabetes e demência, mas ainda não é claro o que liga as duas condições.

Por outro lado, tem havido cada vez mais observações de taxas anormalmente baixas de doenças neuro-degenerativas em grupos de pacientes diabéticos que tomam alguns medicamentos anti-diabéticos.

Um outro estudo mostrou que pacientes idosos que tomavam metformina registaram um declínio cognitivo mais lento em comparação com pessoas sem diabetes que não tomavam esta medicação.

Agora, este novo estudo científico analisou uma classe particular de medicamentos para diabetes chamados inibidores da dipeptidil peptidase 4 (DPP-4i), também conhecidos como gliptinas.

Os investigadores compararam dados de TACs ao cérebro e resultados de testes cognitivos de 70 pacientes diabéticos que tomavam DPP-4i, 71 pacientes diabéticos que não tomavam DPP-4i e 141 pacientes não-diabéticos.

Todos os participantes mostraram os primeiros sinais da doença de Alzheimer e tinham uma idade média de 76 anos.

Acompanhados ao longo de cerca de seis anos, os pacientes diabéticos que se medicavam com DPP-4i apresentaram taxas significativamente mais lentas de declínio cognitivo em comparação com os outros grupos.

Olhando para aquele que é o bio-marcador primário da doença de Alzheimer, a acumulação de proteína amilóide no cérebro, o estudo descobriu que os pacientes que tomavam DPP-4i tinham níveis médios mais baixos do que outros pacientes diabéticos e não diabéticos.

“Pessoas com diabetes demonstraram ter um risco maior de doença de Alzheimer, possivelmente devido aos altos níveis de açúcar no sangue, que foram associados à acumulação de beta amilóide no cérebro”, disse o co-autor Phil Hyu Lee, citado pela Academia Americana de Neurologia.

Os resultados do estudo foram recentemente publicados na revista científica Neurology.

Por Daniel Costa
19 Agosto, 2021

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

910: Parkinson, Cancro e Diabetes Tipo 2 têm uma causa em comum

SAÚDE/CANCRO/DIABETES/PARKINSON

Torsten Wittmann / Universidade da California
As mitocôndrias geram energia nas células

O papel da proteína Parkin no processo da mitofagia pode ser a chave no tratamento do Parkinson, cancro e diabetes tipo 2.

Há um elemento em comum que causa cancro, Parkinson e diabetes tipo 2: uma enzima. Quando as células estão sob stress, aciona-se uma proteína chamada Parkin que protege a mitocôndria, a parte da célula que gera energia.

Um estudo publicado este ano na Science Advances descobriu uma ligação entre o sensor do stress das células e a Parkin que está também associada à diabetes tipo 2 e ao cancro, o que pode abrir um caminho para tratar estas doenças.

O papel da Parkin é facilitar o processo da mitofagia, ou seja, desobstruir as mitocôndrias que tenham sido danificadas pelo stress celular para que novas as possam substituir. Quando se sofre de Parkinson, a proteína não é capaz de concluir a mitofagia.

Apesar de já se saber há algum tempo que a Parkin detecta o stress das mitocôndrias, ninguém sabia exactamente como este processo começava. A Parkin dirigia-se para as mitocôndrias depois dos danos, mas não se sabia qual era o sinal que a proteína recebia depois de chegar lá.

“As nossas descobertas representam de longe o passo mais inicial na resposta da Parkin que alguém já conseguiu encontrar até agora. Todos os outros eventos bioquímicos acontecem numa hora, nós encontramos algo que acontece em cinco minutos“, explica Reuben Shaw, professor e director do Centro de Cancro do Instituto de Salk e autor do estudo, à Sci Tech Daily.

“Descodificar este passo importante na forma como as células descartam mitocôndrias danificadas tem implicações em várias doenças”, acrescenta o investigador.

O laboratório de Reuben Shaw, conhecido pelos trabalhos sobre metabolismo e cancro, descobriu há 10 anos uma enzima, AMPK, que é altamente sensível a vários tipos de stress celular e que controla a autofagia ao activar uma outra enzima chamada ULK1.

Depois dessa descoberta, Shaw juntou-se à estudante Portia Lombardo para procurar proteínas relacionadas com a autofagia e directamente activadas pela ULK1 e ficaram surpreendidos quando a Parkin surgiu no topo da lista. Os processos bioquímicos envolvem normalmente muitos participantes, no entanto, a mitofagia é iniciada apenas com três, a AMPK, a ULK1 e a Parkin.

O novo estudo começa agora a explicar este primeiro passo importante na activação da proteína, que começa com um sinal da AMPK até à ULK1 e que depois ordena a Parkin para ir verificar a mitocôndria depois dos primeiros danos e removê-la completamente.

A AMPK é activada por uma proteína LKB1 que está associada a vários tipos de cancro e também por um medicamento para a diabetes tipo 2 chamado metformina. Doentes diabéticos que tomam metformina também têm menos risco de desenvolver cancro e este medicamento está também a ser estudado como uma opção para tratar o envelhecimento neuro-degenerativo.

“A grande conclusão para mim é que o metabolismo e as mudanças na saúde das mitocôndrias são fundamentais no cancro, na diabetes e nas doenças neuro-degenerativas. Isto porque os mecanismos gerais que sustentam a saúde das nossas células estão muito mais integrados do que alguém poderia ter imaginado“, conclui Reuben Shaw.

AP, ZAP //

Por ZAP
23 Julho, 2021

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

842: Diabéticos não medicados sofrem casos mais graves de covid-19, conclui novo estudo

SAÚDE/DIABETES/COVID-19

Manny Hernandez / Flickr

Um novo estudo refere que os diabéticos não medicados têm sintomas mais graves de covid-19. Além disso, mostra o impacto económico da pandemia na saúde destes indivíduos, sendo que muitos tiveram de escolher entre comprar comida ou medicamentos.

Doentes hospitalizados com diabetes que não tenham estado a controlar os níveis de açúcar com medicação sofrem casos mais severos de covid-19, de acordo com um novo estudo apresentado na reunião anual da Associação Americana de Diabetes.

“Os nossos resultados mostram a importância de monitorizar e controlar a glucose no sangue de doentes com covid-19 hospitalizados desde início”, afirmou Sudip Bajpeyi, um dos autores do artigo e professor de cinesiologia na Universidade do Texas em El Paso, citado pela WebMD.

Quase um em cada cinco americanos diabéticos afirmaram que a crise financeira causada pela pandemia os obrigou a escolher entre comprar comida ou comprar medicamentos e equipamentos para controlar a diabetes, segundo o estudo.

40% das vítimas mortais de covid-19 nos EUA sofria de diabetes e uma em cada dez pessoas com diabetes que foram hospitalizadas morreram no prazo de uma semana.

O estudo usou registos hospitalares de 369 pacientes com covid-19 que foram tratados no Centro Hospitalar Universitário de El Paso. Foram depois organizados com base nos níveis A1C, uma medida que controla a quantidade de açúcar no sangue, e separados entre pre-diabéticos e diabéticos.

O grupo diabético registou a medicação que fazia na altura do internamento, tendo-se concluído que os pacientes não medicados tinham um risco significativamente maior de ter um caso mais grave de covid-19, tendo em conta os dados sobre a falência de órgãos relacionada com a sepse e sobre a duração da hospitalização.

Já os doentes que tinham a medicação em dia, de acordo com o estudo, tiveram complicações menos graves e ficaram menos tempo internados no hospital.

A amostra estudada era 89% hispânica e concluiu-se que a comunidade latina tem uma probabilidade de morrer de covid-19 2.4 vezes superior à da população branca. Os latinos têm também uma probabilidade de ter diabetes 50% superior aos brancos.

AP, ZAP //

Por ZAP
1 Julho, 2021

 

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

739: Vacina contra diabetes apresenta resultados iniciais promissores

 

SAÚDE/DIABETES/VACINA

Daniel Castellano / SMCS

Uma vacina para a diabetes tipo 1 ajudou a preservar a produção natural de insulina do corpo, pelo menos num subconjunto de pacientes recém-diagnosticados.

Em pessoas que sofrem de diabetes tipo 1, o sistema imunológico do corpo ataca as células beta do pâncreas que produzem insulina, uma hormona necessária para que as células absorvam a glicose da corrente sanguínea. Para se manterem vivos, estes pacientes precisam de levar injecções de insulina durante toda a vida.

Neste estudo, os cientistas queriam testar se uma vacina poderia ser capaz de parar ou retardar a destruição das células beta produtoras de insulina.

Investigadores da Universidade de Linköping, na Suécia, desenvolveram uma vacina feita de ácido glutâmico descarboxilase (GAD), uma proteína ancorada na superfície das células beta contra a qual muitas pessoas com diabetes tipo 1 formam anticorpos.

De acordo com o Live Science, pessoas com genes de antígeno leucocitário humano (HLA) têm maior risco de desenvolver diabetes tipo 1. Vários tipos de HLA aumentam o risco de doença, mas uma variante genética, conhecida como “HLA-DR3-DQ2“, expõe uma forma da proteína GAD (GAD65) ao sistema imunológico na superfície das células beta.

Este fenómeno activa o sistema imunológico para produzir anticorpos contra a proteína e direccionar as células beta para destruição.

Para averiguar se uma vacina que expõe o corpo a mais GAD ajuda o sistema imunológico a tolerar melhor o GAD65 natural do corpo, os cientistas recrutaram 109 pacientes, com idades entre 12 e 24 anos, diagnosticados com diabetes tipo 1 nos últimos seis meses.

Cerca de metade dos pacientes eram portadores da variante do gene HLA-DR3-DQ2.

A equipa dividiu os voluntários em dois grupos: metade dos participantes, designados aleatoriamente, receberam três injecções da vacina com um mês de intervalo, e a outra metade recebeu um placebo.

A investigação permitiu concluir que o subconjunto de pacientes que tinham a variante HLA-DR3-DQ2 não perdeu a produção de insulina tão rapidamente quanto os outros pacientes.

O artigo científico foi publicado a 21 de Maio na Diabetes Care.

ZAP ZAP //

Por ZAP
6 Junho, 2021

 

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

[ratingwidget_toprated type=”posts” created_in=”all_time” direction=”ltr” max_items=”5″ min_votes=”1″ order=”DESC” order_by=”avgrate”]

 

596: Insulina pode ser armazenada em ambientes quentes

 

SAÚDE/DIABETES/INSULINA

Um frasco de insulina pode ser armazenado durante quatro semanas após a abertura, com temperaturas até aos 37 graus Celsius, sem perder eficácia, segundo um estudo divulgado esta terça-feira pela Universidade de Genebra (UNIGE), na Suíça.

A insulina aguenta ser armazenada em temperaturas altas
© Global Imagens

Este trabalho da equipa composta por especialistas da UNIGE e dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) contraria o protocolo farmacêutico em vigor, que exige que se respeite a cadeia de frio desde a produção até à injecção, e pode beneficiar, sobretudo, os doentes com diabetes que não tenham acesso a frigoríficos, como acontece com frequência na África subsariana.

“A diabetes requer uma forma diária de tratamento extremamente precisa, tendo os pacientes de se injectar com várias doses de insulina todos os dias, em conformidade com a sua dieta e actividade física”, sublinhou em comunicado a UNIGE, realçando que, quem tem diabetes e não tem frigorífico, necessita de se deslocar aos hospitais numa base diária.

Face a este problema, os peritos testaram o armazenamento de insulina em condições reais, com temperaturas entre os 25 e os 37 graus Celsius durante quatro semanas, o tempo que leva uma pessoa diabética a consumir um frasco de insulina.

As conclusões, publicadas no boletim científico Plos One, demonstram que a estabilidade da insulina armazenada nestas condições é igual à da insulina armazenada no frio, sem impacto na sua eficácia.

“Isto permite que as pessoas com diabetes tratem da sua doença sem ter que visitar um hospital várias vezes ao dia”, assinalou a UNIGE.

A diabetes tipo 1 é caracterizada por níveis elevados de açúcar no sangue, que podem ter consequências extremamente graves (coma, cegueira, amputação ou até morte), e, apesar de actualmente ser possível tratar desta doença, são necessárias injecções diárias de insulina, que ajuda o açúcar a entrar nas células do corpo.

“O protocolo farmacêutico actual exige que os frascos de insulina sejam armazenados entre 2 e 8 graus Celsius até que sejam abertos, após o que a maioria da insulina humana pode ser armazenada a 25 graus Celsius por 4 semanas”, especificou Philippa Boulle, consultora de doenças não transmissíveis dos MSF.

A especialista exemplificou que “este é obviamente um problema em campos de refugiados com temperaturas mais altas do que esta, onde as famílias não têm frigoríficos”, revelando que os MSF recorreram à equipa liderada pelo professor Leonardo Scapozza, da UNIGE, para uma análise detalhada das condições de temperatura sob as quais a insulina pode ser guardada sem uma redução da sua eficácia.

Depois de ser medido que, no campo de refugiados Dagahaley, no Quénia, a temperatura dentro de casa flutua entre os 25 graus Celsius à noite e os 37 graus Celsius durante o dia, os cientistas reproduziram estas condições em laboratório, testando os efeitos sobre a insulina, isto, enquanto as comparavam com frascos mantidos no frio.

“O risco é que a insulina, uma proteína, precipite sob a influência do calor. Noutras palavras, ela começaria a formar ‘flocos’. Como já não estaria em solução, não poderia ser injectada”, frisou Leonardo Scapozza, professor na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNIGE.

Porém, os resultados demonstraram que não há diferença entre os dois métodos de armazenamento, já que a insulina guardada sob temperaturas elevadas registou uma perda potencial de cerca de 1% face à armazenada no frio durante as mesmas quatro semanas.

“A regulação sobre medicamentos farmacêuticos permite uma perda de até 5%, por isso, estamos bem abaixo desse nível”, vincou o professor Scapozza.

Por seu turno, Philippa Boule (MSF), considerou que “estes resultados servem de base para mudar as práticas de gestão da diabetes em cenários de baixos recursos, uma vez que os pacientes já não vão precisar de ir todos os dias ao hospital receber as suas injecções de insulina”, aumentado a qualidade de vida de milhares de pessoas em diferentes regiões do mundo.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Fevereiro 2021 — 20:32

 

 

[ratingwidget_toprated type=”posts” created_in=”all_time” direction=”ltr” max_items=”5″ min_votes=”1″ order=”DESC” order_by=”avgrate”]

 

562: Pessoas com diabetes tipo 1 baixaram os níveis de glicose durante o confinamento

 

SAÚDE/DIABETES/CONFINAMENTO

v1ctor Casale / Flickr

De acordo com um novo estudo, de uma forma geral, os níveis de glicose no sangue melhoraram durante o confinamento, sobretudo em pessoas que vivem com diabetes tipo 1.

Louis Potier e a sua equipa conduziram uma pesquisa observacional a partir de um questionário auto-relatado sobre mudanças comportamentais e informações glicémicas da monitorização de glicose durante o confinamento. O estudo foi publicado no Diabetes Care em Novembro de 2020.

Segundo o Medical Xpress, a análise foi feita em 1378 indivíduos que vivem com diabetes tipo 1, e foi registada uma mudança no nível médio de glicose dois meses antes e um mês depois do confinamento, que se deveu à pandemia de de covid-19.

Os investigadores concluíram que os participantes apresentaram níveis de glicose mais baixos durante esse período.

A redução do consumo de álcool, o facto das pessoas praticarem algum exercício em casa, um aumento na frequência de exames e uma percepção mais fácil de controlo da diabetes foram factores associados a esta melhoria.

“O nosso estudo sugere que, embora o confinamento tenha sido um momento de grande ansiedade para muitas pessoas com diabetes tipo 1, também foi uma oportunidade de fazer mudanças comportamentais positivas“, escrevem os autores.

“A persistência das pessoas após o alívio do restrições também deve ser estudada”, sugere a equipa de pesquisa.

Por Ana Moura
6 Janeiro, 2021

 

 

[ratingwidget_toprated type=”posts” created_in=”all_time” direction=”ltr” max_items=”5″ min_votes=”1″ order=”DESC” order_by=”avgrate”]