1022: Descoberta portuguesa pode ajudar a reduzir covid-19 a uma constipação (e é um segredo bem guardado)

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/DESCOBERTA PORTUGUESA

dragana991 / Canva

Uma equipa de investigadores portugueses descobriu três compostos que podem ajudar a reduzir o impacto da covid-19 a uma mera “constipação”. A pesquisa foi toda “made in Portugal” e, para já, está no segredo dos Deuses.

Cada um destes compostos descobertos pode, “em acção individual”, reduzir “60 a 70% a actividade do vírus SARS-CoV-2”, explica à agência Lusa a investigadora coordenadora da pesquisa, Cecília Arraiano, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa (ITQB NOVA), em Oeiras.

Este projecto aponta numa direcção distinta das vacinas e está em fase de registo de patentes, com perspectivas de poder chegar rapidamente ao mercado. Até porque dois dos compostos estão aprovados para uso em outras doenças pelo regulador americano, a FDA (Food and Drugs Administration).

“A vacina é uma abordagem diferente, porque põe o hospedeiro a lutar contra o vírus e nós lutamos directamente com o vírus, porque atacamos a ‘maquinaria’ interior”, nota a geneticista.

“A vantagem é que [a nossa] é mais independente da resposta imunitária do hospedeiro”, acrescenta Cecília Arraiano, frisando que “a covid-19, que está tão grave, passa a ser como uma constipação“.

“Se uma pessoa não tiver outras complicações, não vai para o hospital com uma constipação”, constata ainda.

Descoberta com “garantia de futuro”

O trabalho desta equipa, que contou com a colaboração do Laboratório Nacional de Referência de Saúde Animal do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), assenta na especialização dos investigadores em RNA e ribonucleases, isto é, as moléculas que controlam os níveis de RNA na célula.

Na base da investigação está a existência de duas ribonucleases no SARS-CoV-2, que desempenham um papel essencial na replicação do vírus.

“O nosso objectivo era pôr o nosso conhecimento de forma a poder ajudar a controlar a multiplicação do vírus e tornar esta doença – que tem sido tão perigosa – mais ligeira”, frisa Cecília Arraiano, destacando a “garantia de futuro” destas descobertas.

“Quando entra nas células, o vírus normalmente pode ter mutações e esta ‘maquinaria’ funcional é sempre conservada, o que dava uma garantia de ser uma forma de atacar com futuro”, nota.

Com a ajuda da colega investigadora Margarida Saramago, Cecília Arraiano conta que o projecto arrancou ainda durante o primeiro confinamento, em Abril/Maio de 2020, com os três fármacos a serem ‘encontrados’ nas bases de dados internacionais, que contêm muitos milhares de compostos químicos.

Tudo em segredo (e “made in Portugal”)

Todo este processo “foi uma grande aventura” para a instituição e os profissionais.

“As minhas colaboradoras fizeram um ‘screen’ e começaram a ver, tendo em conta as características destas ribonucleases, quais seriam aqueles que poderiam – como uma chave numa fechadura – encaixar nos sítios vulneráveis e fazer com que se ligasse e não funcionasse bem”, refere.

A ambição, agora, é que seja rapidamente utilizado pelas pessoas para se poder “voltar à normalidade que havia antes desta pandemia”.

Com a investigação laboratorial terminada nesta fase, o futuro passa pelo registo de patentes e pelo diálogo com as farmacêuticas.

A investigadora coordenadora do ITQB Nova adianta que já foi obtida uma “patente provisória” na semana passada e que dentro de alguns dias devem avançar pedidos similares para os outros dois compostos.

“Até estar tudo seguro e conversado com as farmacêuticas, não podemos divulgar porque, senão, qualquer país do mundo agarra e faz. Como foi tudo ‘made in Portugal’ temos muito orgulho e queremos manter ‘made in Portugal’”, indica a geneticista.

Esta patente provisória já permite encetar conversações com as farmacêuticas, embora seja um processo sobre o qual pendem algumas obrigações, além de estar ainda ‘presa’ por alguns detalhes.

Apesar disso, Cecília Arraiano confirma que serão feitas “três patentes diferentes”, uma por cada composto descoberto. A investigadora acredita também que este tema não passa de uma questão burocrática.

“O que gostávamos era que as farmacêuticas testassem isto (que nós já sabemos que se faz em células de macaco com o vírus) em testes clínicos com pessoas com covid”, frisa ainda.

“Tendo em conta a rapidez com que foram desenvolvidas estas novas vacinas de RNA, em um ano, tenho a grande esperança de que seja também tudo muito rápido”, indica.

“Esperamos mesmo é ver isto no mercado o mais rápido possível“, conclui.

ZAP // Lusa

Por Susana Valente
25 Agosto, 2021

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754: Substância presente no chá verde pode ajudar no combate à covid-19

 

SAÚDE/COVID-19/COMBATE

JillWellington / Pixabay

Uma equipa de cientistas analisou de que forma o chá verde poderia originar um medicamento capaz de combater a covid-19.

Suresh Mohankumar, da Universidade Swansea, no Reino Unido, desenvolveu um estudo em parceria com cientistas da Escola de Farmácia da JSS da Academia de Educação Superior e Pesquisa em Ooty, na Índia, para investigar potencialidades do chá verde.

“A farmácia mais antiga da natureza sempre foi um tesouro de potenciais novos medicamentos e questionamos se algum desses compostos poderia ajudar-nos a combater a pandemia de covid-19”, começou por explicar o investigador, citado pelo EurekAlert.

Partindo deste pressuposto, os cientistas seleccionaram e classificaram “uma biblioteca de compostos naturais já conhecidos por serem activos contra outros coronavírus usando um programa de computador auxiliado por Inteligência Artificial”.

As descobertas da equipa sugeriram que um dos compostos do chá verde poderia combater de forma eficaz a covid-19.

“O composto que o nosso modelo prevê ser mais activo é a galocatequina“, adiantou Mohankumar, salvaguardando, no entanto, que são necessárias mais investigações em torno deste composto para se provar que é clinicamente eficaz e seguro para prevenir ou tratar a covid-19.

“Esta é ainda uma etapa preliminar, mas pode ser uma pista para combater a devastadora pandemia de covid-19”, sublinhou. O trabalho foi recentemente destacado pela revista online RSC Advances.

Alimentos como uvas, chocolate negro ou chá verde podem bloquear a principal enzima do SARS-CoV-2

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Liliana Malainho, ZAP //

Por Liliana Malainho
11 Junho, 2021

 

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475: Cientistas revertem a doença de Parkinson em ratos

 

CIÊNCIA/SAÚDE/PARKISON

GerryShaw / Wikimedia

Uma equipa de cientistas conseguiu reverter totalmente a doença de Parkinson em ratos. Os animais deixaram de apresentar sintomas e recuperaram neurónios.

A doença de Parkinson resulta da redução dos níveis de uma substância que funciona como um mensageiro químico cerebral nos centros que comandam os movimentos. Essa substância é a dopamina. Quando os seus níveis se reduzem, dá-se a morte das células cerebrais que a produzem.

Os actuais tratamentos contra a doença apenas aliviam temporariamente os sintomas, uma vez que não conseguem evitar a perda de neurónios. Um estudo publicado na revista científica Nature demonstra que é possível reverter a perda de neurónios ao converter astrócitos em neurónios.

Os astrócitos são um dos tipos de células mais numerosos do cérebro e são importantíssimos na comunicação entre várias regiões do cérebro que são relevantes para a cognição.

Os investigadores chegaram a esta conclusão após injectarem em ratos um vírus que suprime a produção de uma proteína chamada PTB, que bloqueia a produção de proteínas neuronais pelos astrócitos. De acordo com o site Massive Science, com níveis mais baixos de PTB, os astrócitos podiam produzir proteínas neuronais e tornar-se cada vez mais semelhantes aos neurónios.

Não só os investigadores verificaram uma restauração dos níveis de dopamina como também uma correcção total dos sintomas em ratos.

Estima-se que cerca de 20 mil portugueses sofram desta doença. À escala mundial, estima-se que existam 7 a 10 milhões de indivíduos com Parkinson. A sua prevalência aumenta com a idade, sendo rara antes dos 50 anos, e é mais comum nos homens do que nas mulheres. Contudo, em 5% dos casos, surge antes dos 40 anos.

Esta descoberta pode ser um passo importante para curar totalmente a doença de Parkinson em humanos, embora os cientistas ainda estejam um pouco longe disso.

ZAP //

Por ZAP
22 Outubro, 2020

 

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468: Cientistas descobrem (acidentalmente) um novo órgão dentro da cabeça humana

 

SAÚDE/ANATOMIA/MEDICINA

The Netherlands Cancer Institute

Uma equipa de investigadores fez uma descoberta anatómica surpreendente, encontrando o que parece ser um misterioso conjunto de glândulas salivares escondidas dentro da cabeça humana.

Esta “entidade desconhecida” foi identificada acidentalmente por médicos na Holanda, que examinavam pacientes com cancro da próstata com um tipo avançado de scan chamado PSMA PET / CT. Quando combinada com injecções de glicose radioactiva, esta ferramenta de diagnóstico destaca tumores no corpo. Neste caso, porém, mostrou algo totalmente diferente, aninhado na parte posterior da naso-faringe.

“As pessoas têm três conjuntos de glândulas salivares grandes, mas não ali”, explicou Wouter Vogel, oncologista do Netherlands Cancer Institute, em comunicado. “Até onde sabemos, as únicas glândulas salivares ou mucosas na nasofaringe são microscopicamente pequenas e até 1.000 estão uniformemente espalhadas por toda a mucosa”.

As glândulas salivares produzem a saliva essencial para o funcionamento do nosso sistema digestivo, com a maior parte do líquido produzida pelas três glândulas salivares principais, conhecidas como glândulas parótida, sub-mandibular e sublingual.

Existem também aproximadamente 1.000 glândulas salivares mais pequenas, situadas em toda a cavidade oral e no trato aero-digestivo, mas geralmente são muito pequenas para serem vistas sem um microscópio.

A nova descoberta mostra um par de glândulas anteriormente esquecido, localizado atrás do nariz e acima do palato, perto do centro da cabeça humana.

“As duas novas áreas que se iluminaram também tinham outras características das glândulas salivares”, disse Matthijs Valstar, cirurgião oral da Universidade de Amsterdão. “Chamámo-las de glândulas tubárias, referindo-se à sua localização anatómica [acima do tórus tubário].”

As glândulas tubárias foram vistas nos scans de PSMA PET / CT de todos os 100 pacientes examinados no estudo. As investigações físicas de dois cadáveres – um homem e uma mulher – também mostraram a misteriosa estrutura bilateral, revelando aberturas de duto de drenagem macroscopicamente visíveis em direcção à parede nasofaríngea.

“Até onde sabemos, esta estrutura não se encaixava nas descrições anatómicas anteriores”, explicaram os investigadores. “Foi levantada a hipótese de que poderia conter um grande número de ácinos sero-mucosos, com um papel fisiológico para a lubrificação e deglutição da nasofaringe/orofaringe”.

Mas como é estas glândulas nunca foram identificadas antes? Os investigadores sugerem que as estruturas são encontradas num local anatómico pouco acessível sob a base do crânio, tornando-as difíceis de distinguir endoscopicamente.

Além disso, apenas as técnicas de imagem PSMA-PET / CT mais recentes seriam capazes de detectar a estrutura como uma glândula salivar, indo além dos recursos de visualização de tecnologias como ultra-som, tomografia computorizada e ressonância magnética.

Este estudo foi publicado em Setembro na revista científica Radiotherapy and Oncology.

ZAP //

Por ZAP
21 Outubro, 2020

 

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357: Descoberto anticorpo capaz de bloquear o novo coronavírus no corpo humano

SAÚDE/CORONAVÍRUS

Cientistas descobriram que previne que a SARS infecte células humanas e que pode fazer o mesmo com a Covid-19.

O estudo foi publicado na “Nature”.

Uma equipa de cientistas da Universidade de Utrecht, do Erasmus Medical Centre e da empresa Harbor BioMed (HBM), na Holanda, descobriu um anticorpo que previne a infecção do novo coronavírus nas células humanas, noticia a “Sky News”. O novo dado pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos para a Covid-19 — e até mesmo ter um papel na sua prevenção.

A investigação teve como ponto de partida os anticorpos utilizados na prevenção da síndrome respiratória aguda grave (SARS), que bloqueiam a infecção nas células humanas. Um dos anticorpos provou poder fazer exactamente o mesmo face ao novo coronavírus (SARS-CoV-2), de acordo com o estudo publicado esta segunda-feira, 4 de maio, na revista científica de renome “Nature”.

Estes resultados podem significar um primeiro passo no desenvolvimento de um anticorpo “totalmente humano” para tratar ou prevenir a Covid-19, que já infectou mais de 3,5 milhões de pessoas em todo o mundo.

“O anticorpo estudado neste trabalho é ‘totalmente humano’, permitindo que o processo seja mais rápido e diminuindo os possíveis efeitos secundários [de um tratamento convencional]”, explicou Berend-Jan Bosch, um dos médicos responsáveis pelo estudo, à mesma publicação.

Este tipo de anticorpos difere dos convencionais usados em terapias, que são normalmente desenvolvidos noutras espécies, antes de serem ‘humanizados’ e possíveis de transferir para humanos. O anticorpo em questão foi desenvolvido utilizando tecnologia transgénica num rato que foi geneticamente modificado para conter genes humanos com o objectivo de desenvolver anticorpos humanos sem ser necessário testar em pessoas.

O anticorpo neutralizante “tem potencial para alterar o curso da infecção no infectado, ajudar a eliminar o vírus, ou a proteger um indivíduo não infectado que esteja exposto ao vírus”, acrescentou Bosch.

NiT New in Town
04/05/2020 às 16:45
texto
Sofia Robert

 

329: Os seus genes não são o único factor que determina o risco de Alzheimer

SAÚDE/DOENÇAS

Elisa Paolini / Flickr

O desenvolvimento da doença de Alzheimer não está exclusivamente ligado à genética, sugere um artigo científico publicado recentemente.

No primeiro estudo publicado sobre a doença de Alzheimer em trigémeos idênticos, os cientistas descobriram que, apesar de partilharem o mesmo ADN, só dois dos irmãos desenvolveram Alzheimer.

“Estas descobertas mostram que o seu código genético não determina se tem o desenvolvimento da doença de Alzheimer”, explicou Morris Freedman, autor do artigo científico publicado recentemente na revista Brain.

Há esperança para as pessoas que têm um forte histórico familiar de demência, uma vez que existem outros factores – ambiente ou estilo de vida – que podem proteger ou acelerar a demência”, acrescentou, citado pelo EurekAlert.

Os três irmãos, de 85 anos, tinham hipertensão, mas só os que sofriam de Alzheimer tinham um comportamento obsessivo-compulsivo de longa data.

A equipa de cientistas analisou a sequência genética e a idade biológica das células a partir de amostras de sangue de cada um dos trigémeos, assim como de cada um dos filhos dos irmãos com Alzheimer. Um das filhos desenvolveu Alzheimer de início precoce, aos 50 anos, enquanto que o outro não relatou qualquer sinal de demência.

Os cientistas sugerem que o início tardio da doença entre os trigémeos está, provavelmente, relacionado com um gene específico ligado a um risco maior de doença de Alzheimer – a apolipoproteína E4 (também conhecida como APOE4). Ainda assim a equipa não conseguiu explicar o início precoce da doença de Alzheimer no filho de um dos trigémeos.

A equipa também descobriu que, apesar de os trigémeos serem octogenários na altura do estudo, a idade biológica das células era seis a dez anos mais nova do que a idade cronológica. Por outro lado, um dos filhos do trigémeo, que desenvolveu Alzheimer de início precoce, tinha uma idade biológica nove anos mais velha que a idade cronológica. O outro filho do mesmo trigémeo, que não tinha demência, apresentou uma idade biológica muito próxima à idade real.

“O ADN com o qual morremos não é necessariamente o que temos quando somos bebés, o que pode estar relacionado ao motivo pelo qual dois dos trigémeos desenvolveram a doença e o outro não”, esclareceu Ekaterina Rogaeva, outra autora do artigo. “À medida que envelhecemos, o nosso ADN envelhece connosco e, como consequência, algumas células podem sofrer mutações.”

Além disso, existem outros factores químicos ou ambientais que, apesar de não alterarem os genes, afectam a maneira como são expressos.

ZAP //

Por ZAP
16 Dezembro, 2019