1146: “Pacemaker” cerebral curou a depressão profunda numa paciente

SAÚDE MENTAL/DEPRESSÃO/TECNOLOGIA

A ideia de ter um pequeno dispositivo implantado no nosso cérebro pode parecer assustadora, mas a verdade é que a estimulação cerebral profunda tem um passado de sucesso relacionado com algumas doenças cerebrais. A depressão está prestes a juntar-se à lista.

A depressão pode ser uma doença assustadora e, segundo o Science Alert, até um terço das pessoas que sofrem desta condição não respondem ou tornam-se resistentes ao tratamento. Mas há uma esperança.

Um novo implante cerebral é capaz de tratar a depressão estimulando electricamente certas regiões cerebrais. O dispositivo monitoriza a actividade cerebral para padrões de depressão e responde com pequenas explosões de estimulação eléctrica, concebidas para interromper os ciclos de actividade cerebral depressiva. Tudo isto em tempo real.

“Este estudo aponta o caminho para um novo paradigma que é desesperadamente necessário na psiquiatria. Desenvolvemos uma abordagem de medicina de precisão que geriu com sucesso a depressão resistente ao tratamento da nossa paciente, identificando e modulando o circuito no cérebro que está associado de forma única aos sintomas”, explicou Andrew Krystal, co-autor do estudo, citado pelo New Atlas.

Sarah, uma mulher de 36 anos com depressão grave e resistente ao tratamento na infância, tinha tentado todos os tratamentos para tratar este problema, desde vários antidepressivos até à terapia electro-convulsiva. Encontrou neste novo implante experimental a sua salvação.

A mulher participou num estudo de caso com uma equipa de investigação em neuro-ciência da Universidade da Califórnia, em São Francisco (UCSF).

O primeiro passo foi seguir a actividade eléctrica cerebral de Sarah durante um período de 10 dias, para identificar padrões específicos que se correlacionam com sintomas depressivos. Os cientistas encontraram uma área na amígdala que se manifestou constantemente com a actividade que sinalizava o aparecimento de sintomas depressivos agudos.

A equipa colocou um eléctrodo de chumbo na área do cérebro onde o bio-marcador – neste caso, um padrão específico de ondas cerebrais – foi encontrado, e um segundo onde estava o “circuito de depressão” de Sarah.

O melhor local para o alívio dos sintomas levou algum tempo a descobrir. O primeiro eléctrodo detectava o bio-marcador, enquanto o segundo produzia uma pequena quantidade de electricidade durante seis segundos nas profundezas da região cerebral.

Depois disso, a equipa descobriu que pequenas explosões de estimulação eléctrica no estriado ventral poderiam contrariar esta actividade na amígdala. Nos primeiros meses, a diminuição da depressão foi tão abrupta que eu não tinha a certeza se iria durar. Mas durou”, reagiu a paciente.

Antes do implante, Sarah conseguiu 36 de 45 na Escala de Depressão Montgomery-Åsberg (MADRS). Apenas 12 dias após o implante, a pontuação caiu para 14, e vários meses depois caiu ainda mais, acabando por estagnar no 10, uma pontuação formal que significa remissão clínica.

Jonathan Roiser, um neuro-cientista da University College London, classifica este novo estudo como “excitante”, mas sublinha que se trata apenas de um único paciente. Ainda não está claro o quão personalizado um sistema como este terá de ser para funcionar noutras pessoas.

Katherine Scangos, autora principal do estudo, concorda que há muito trabalho a fazer antes de este tipo de terapia se aproximar do uso clínico no mundo real.

“Precisamos de ver como é que estes circuitos variam entre pacientes e repetir este trabalho várias vezes”, disse. “Precisamos também de averiguar se o bio-marcador ou circuito cerebral de um indivíduo muda ao longo do tempo, à medida que o tratamento continua”, rematou a investigadora.

Apesar da cautela, estas descobertas são revolucionárias. Demonstrar que um implante cerebral pode sentir uma actividade específica em tempo real, responder com estimulação eléctrica direccionada que subsequentemente influencia o estado de espírito de uma pessoa é, inegavelmente, um marco na Ciência.

O artigo científico foi publicado a 4 de Outubro na Nature Medicine.

Por Liliana Malainho
7 Outubro, 2021

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1132: No dia da depressão psicólogos lançam documento esclarecedor sobre a doença

SAÚDE MENTAL/DEPRESSÃO

A depressão é o problema de saúde mais frequente em todo o mundo e a principal causa de incapacidade, segundo a OMS. Estima-se que só em Portugal afecte cerca de 10% da população.

© Gonçalo Villaverde/Global Imagens

No Dia Europeu da Depressão que se assinala esta segunda-feira (4 de Outubro), a Ordem dos Psicólogos Portugueses lança o documento “Vamos falar sobre depressão”, para esclarecer a população sobre esta doença prevalecente e incapacitante, que continua a ser incompreendida e subestimada.

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) alerta que a Organização Mundial da Saúde descreve a depressão como o problema de saúde mais frequente em todo o mundo e a principal causa de incapacidade”, sendo que só em Portugal se estima que afecte cerca de 10% da população.

“Consideramos, por isso, que é importante falar sobre o tema e dar o máximo de literacia à população sobre este problema de saúde”, esclarece a OPP.

Num documento de 13 páginas, a Ordem dos Psicólogos começa por explicar o que é a depressão, os seus sintomas, a forma como afecta crianças, adolescentes ou adultos, que impacto tem na vida dos doentes, e quais as suas causas, para depois deixar algumas linhas orientadoras sobre como lidar com a depressão e como ajudar alguém que está deprimido.

A depressão “não é algo ‘da nossa cabeça’

Segundo a OPP, “a depressão é uma experiência de sofrimento intenso e persistente na qual a pessoa sente-se muito infeliz e triste a maior parte do tempo, chora e/ou irrita-se facilmente, está abatida e desinteressada pelas suas actividades habituais”.

A depressão “não é algo ‘da nossa cabeça’, um sinal de ‘fraqueza’, algo que dura para sempre, preguiça ou falta de vontade, algo que só acontece aos outros, algo que ‘faz parte da vida’, ‘coisa de mulheres’ ou de ‘gente rica'”, salientam os psicólogos, numa alusão aos preconceitos existentes em relação a esta doença.

A ordem dedica um capítulo também ao tema do suicídio, um desfecho associado normalmente a estados de depressão profundos, disponibilizando números de telefone para situações de crise.

“Nos mais pequenos os sinais podem ser tristeza, choro, irritabilidade, comportamentos de dependência, dores sem explicação, recusa em ir para a escola ou perda de peso”

O documento aponta também uma lista de sentimentos, comportamentos e pensamentos associados à depressão, bem como de que forma esta se manifesta nas crianças e adolescentes, ou nos adultos mais velhos.

“As Crianças também podem ter depressão. Nos mais pequenos os sinais podem ser tristeza, choro, irritabilidade, comportamentos de dependência, dores sem explicação, recusa em ir para a escola ou perda de peso”, esclarece.

A OPP explica também quais são as causas e o impacto da depressão na vida dos doentes e no seu dia a dia, lembrando que se trata de uma doença altamente incapacitante, na medida em que se reflete directamente nas tarefas diárias, no trabalho, nas actividades sociais e na relação que o doente tem consigo próprio.

“A ciência reconhece e sublinha que as causas da depressão são complexas e se relacionam com acontecimentos e circunstâncias de vida (presentes e passadas), bem como com o significado que as pessoas lhes atribuem e a forma como lhes respondem. Mas também pode parecer que ‘apareceu do nada’ e sentirmos que não temos uma explicação”, afirmam os psicólogos.

As recomendações dos psicólogos

Por isso, os psicólogos querem disseminar as práticas a adoptar para “lidar com a depressão: reconhecer que precisamos de ajuda e procurá-la; psicoterapia (e medicação); praticar o auto cuidado e a resiliência; reforçar a relação com família e amigos”.

Quanto a conselhos dirigidos a pessoas que possam conhecer alguém deprimido, a OPP sugere que se informem mais sobre depressão, encorajem a procura de ajuda, ofereçam apoio sendo bons ouvintes, encorajem hábitos de auto cuidado, mantenham o contacto, promovam o equilíbrio, sejam pacientes e perseverantes.

Os psicólogos alertam, contudo, que os próprios cuidadores (normalmente, familiares e amigos) de uma pessoa com depressão podem sentir o seu bem estar afectado e, por isso, devem ter atenção com a sua própria saúde psicológica e procurar ajuda, nomeadamente junto de psicólogos, e lembram que “não podemos ‘salvar’ ninguém da depressão”.

Diário de Notícias
Lusa
04 Outubro 2021 — 08:02

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“Temos que interiorizar que vamos continuar a viver em pandemia”

– Depois de ler o texto abaixo, quero deixar aqui a minha opinião sobre o mesmo, ou seja, quem precisa de CUIDADOS DE PSICOLOGIA, PSIQUIATRIA OU NEUROLOGIA, são todos os gajos e gajas, labregos acéfalos irresponsáveis, sem qualquer noção de CIDADANIA e de CIVISMO e muito menos por RESPEITO para com a comunidade. As pessoas confinadas obrigatória ou voluntariamente, NÃO PRECISAM de psicólogos porque sabem que ESTAMOS NUMA PANDEMIA MORTAL, que já se encontra na QUARTA VAGA e os números de INFECTADOS não para de crescer, embora e felizmente, os mortos tenham diminuído significativamente. O que este país necessita é de procurar os INFRACTORES que continuam na boa vidinha social, NÃO RESPEITANDO AS REGRAS DE DISTANCIAMENTO FÍSICO E USO DE MÁSCARAS, embora o neguem com toda a falsidade que lhes vai nas trombas! Enquanto não ACABAREM DE VEZ com a MERDA das passeatas, caminhadas, casamentos, aniversários, baptizados e afins e deixarem tudo isso para quando realmente estiver tudo ou quase tudo vacinado e o R(t) baixar para níveis de segurança, então que se divirtam, que passeiem, que dêm festas, que se embebedem…!

SAÚDE/COVID-19/PANDEMIA/SAÚDE MENTAL

“Quanto mais depressa interiorizarmos a ideia de que vamos ter que conviver com isto, melhor”, adverte David Neto, professor do ISPA, numa altura em que a quarta vaga se faz sentir também a nível psicológico. Em Portugal, o SNS tem apenas 500 psicólogos, quando o rácio aponta que deveria ter um por cada cinco mil habitantes.

Professor no ISPA, David Neto, defende a necessidade de “interiorizarmos que vamos viver com esta situação mais algum tempo”.
© Igor Martins / Global Imagens

A chegada de uma nova vaga de covid-19 está a deixar em alerta os especialistas em Saúde Mental. Numa altura em que o aumento de casos traz com ele um crescente estado de medo e stress, os psicólogos são confrontados com a necessidade de implementar estratégias de apoio por parte do Serviço Nacional de Saúde, das empresas e instituições, para prevenir o auto-cuidado psicológico em benefícios do bem estar-emocional. No ISPA – Instituto Universitário, estão em curso diversos estudos que apontam nesse sentido. David Neto, professor auxiliar e coordenador do mestrado em psicologia clínica, afirma ao DN a necessidade “de interiorizarmos e normalizarmos a ideia de que vamos ter que viver com esta situação pandémica durante mais algum tempo. A questão das novas variantes mostra que vamos ter que conviver com isto, com maior ou menor protecção. Quanto mais rápido aceitarmos essa ideia melhor”.

O professor considera fundamental que o SNS aposte nesta área da prevenção e tratamento da saúde mental, numa altura em que o crescimento do número de casos põe em causa o desconfinamento. “O problema do confina e desconfina, nesta espécie de iô-iô, é que criamos expectativas que depois se revelam negativas”, explica David Neto, que alerta para a angústia sobre o futuro e o isolamento, “que podem ser um vírus invisível, tanto ou mais preocupante que o próprio Covid-19”.

No último relatório pré-covid para a área da saúde mental, intitulado “Sem Mais Tempo a Perder” (Conselho Nacional de Saúde, 2019), ficou claro que – já então – não estavam a ser postas em prática em Portugal as recomendações e as necessidades identificadas há décadas na área da saúde mental. Em tempo de pré-pandemia, já era assumido que um em cada cinco portugueses sofre de perturbações psicológicas.

“A situação em Portugal já era bastante precária antes da pandemia. Portugal tem só 500 psicólogos no SNS, por isso temos uma falta muito grande ao nível dos cuidados de saúde primários, no acompanhamento psicológico“, revela David Neto, enfatizando que a pandemia veio trazer “uma maior incidência de situações de saúde mental”: pessoas que já tinham alguns quadros de depressão e ansiedade viram as suas situações agravada. Outras que não tinham desenvolvido quadros psico-patológicos revelaram-no.

“O rácio ideal é um psicólogo para 5 mil habitantes”, acrescenta o professor do ISPA, sendo que estamos muito longe desses valores.

Uma luz ao fundo do túnel na linha SNS24

David Neto considera que, para já, “é importante o simples reforço. Mas não é só psicólogos. Mesmo a nível da psiquiatria e da saúde mental, existe uma falha grande principalmente no domínio dos cuidados de saúde primários”. O psicólogo vale-se dos exemplos de outros países para sublinhar a necessidade de Portugal lhes seguir o rasto.

Ainda assim, destaca como positiva a criação – na linha SNS 24 – de uma componente de apoio psicológico. “Não foi tudo mau. Embora, sendo importante, mas não chega. Era importante também que os casos pudessem ser identificados e tivessem encaminhamento mais directo”, conclui.
Desde o início da pandemia, muitas foram as câmaras municipais que, por todo o país, criaram linhas de apoio psicológico para prestar esse apoio. E isso vem reforçar “o aspecto positivo do poder local começar a estar atento a estas necessidades”, considera David Neto.

O quadro geral do país mostra um aumento da ansiedade e depressão entre todas as faixas etárias, em consequência da pandemia e – sobretudo – dos confinamentos. “Há muitas pessoas que já tinham vulnerabilidades prévias, quadros depressivos e ansiosos – para essas é importante procurar a ajuda profissional que existe. Mas há também uma dimensão de impacto económico desta situação pandémica, que afecta a sociedade de uma maneira geral. E a forma de gerir este stress associado a tudo isto tem de ser encontrada, dentro do que são as regras da DGS”, afirma David Neto, que elenca uma série de pequenas dicas para manter o equilíbrio e saúde mental. Por exemplo, encontrar o espaço para manter relações com outras pessoas, “porque o apoio social é um dos factores de mais relevância ao nível da protecção e da promoção da saúde mental, seja através das novas tecnologias, seja presencialmente respeitando o distanciamento, procurar estar com as pessoas que são mais significativas é fundamental. Manter as relações é bastante importante”.

Entre o rol de conselhos úteis de “higiene psicológica”, o especialista destaca “dormir bem, alimentar-se bem, fazer exercício físico – que tem um impacto a nível do humor”.

Nos últimos anos várias organizações têm dedicado estudos diversos a esta temática da saúde mental. Em 2018, já a depressão e ansiedade eram os distúrbios que mais afectavam os portugueses, num leque de doenças de saúde mental que incluem ainda a bipolaridade, ou problemas com álcool e drogas.

Antes ainda, um estudo da OCDE que analisou a Europa à lupa descobriu que, só em 2015, os distúrbios do foro psicológico custaram aos cofres do Estado português quase 4% do Produto Interno Bruto (PIB).

De acordo com esse relatório, Portugal era considerado o quinto país da União Europeia com maior prevalência de doenças de saúde mental, com 18,4% da população a registar incidências, acima da média europeia – de 17,3%. Só na União Europeia os problemas de saúde mental afectam 84 milhões de pessoas.

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Paula Sofia Luz
05 Julho 2021 — 07:00

 

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604: Cientistas encontraram diferenças nas células cerebrais de pessoas com depressão

 

SAÚDE/DEPRESSÃO/PSIQUIATRIA

fabiozenoardo / Flickr

Uma comparação de tecidos cerebrais de pessoas que se suicidaram relacionou, pela primeira vez, a depressão crónica com uma queda drástica do número de tipos específicos de células de suporte do tecido nervoso.

De acordo com o site Science Alert, investigadores do Instituto da Universidade de Saúde Mental de Douglas e da Universidade McGill, no Canadá, analisaram o tecido cerebral de dez homens, diagnosticados com depressão, que se suicidaram. Este foi comparado com dez amostras de tecido retiradas de diferentes regiões do cérebro de homens que morreram repentinamente, sem um diagnóstico de saúde mental.

Uma das coisas que chamou a atenção da equipa foi o número de astrócitos, células de suporte do tecido nervoso.

“Analisámos os astrócitos no cérebro através de proteínas específicas encontradas na sua estrutura: a vimentina e a proteína fibrilar ácida da glia (GFAP, na sigla em inglês)”, disse o neurocientista Liam O’Leary, um dos autores do estudo publicado, a 4 de fevereiro, na revista científica Frontiers in Psychiatry.

Tal como as GFAP, os astrócitos que expressavam a vimentina foram significativamente menos entre as amostras de tecido cerebral retiradas de indivíduos com depressão. E as diferenças entre os dois no córtex pré-frontal foram duas vezes maiores para as células de vimentina, implicando um forte papel deste tipo particular de células.

Segundo o mesmo site, estas conclusões são apenas uma pequena peça do puzzle que é a depressão crónica, e estamos ainda muito longe de ter um modelo abrangente que ligue vários tipos de células com declínios de humor e de prazer.

No entanto, é também um sinal de esperança para as pessoas que sofrem com esta doença, não só na expectativa de virem a ter um diagnóstico melhor, como também tratamentos mais eficazes.

“A notícia promissora é que, ao contrário dos neurónios, o cérebro humano adulto produz continuamente muitos novos astrócitos. Encontrar formas de fortalecer essas funções cerebrais naturais pode melhorar os sintomas de pessoas com depressão”, afirmou Naguib Mechawar, psiquiatra da Universidade McGill e autor sénior do estudo.

ZAP ZAP //

Por ZAP
10 Fevereiro, 2021

 

 

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374: Curados de covid-19 mais expostos a depressão, insónia e ansiedade, revela estudo

SAÚDE/COVID-19

GovBogotá / Fotos Publicas

As pessoas que recuperaram da covid-19 estão a revelar crescentes desordens psiquiátricas, como ansiedade, depressão, sintomas compulsivos e stress pós-traumático, segundo um novo estudo italiano.

Segundo o estudo, realizado no hospital San Raffaele, em Milão, mais de metade dos 402 pacientes monitorizados depois do tratamento à covid-19 evidenciaram pelo menos uma dessas desordens, avançou na segunda-feira o Guardian. Os participantes – 265 homens e 137 mulheres – foram observados durante mês depois de terem alta.

“Ficou imediatamente claro que a inflamação causada pela doença podia também ter repercussões a nível psiquiátrico”, disse Francesco Benedetti, responsável de investigação da unidade de psiquiatria e psicobiologia clínica do hospital de San Raffaele, um dos autores do estudo, publicado no Brain, Behaviour and Immunity.

A equipa identificou stress traumático em 28% dos pacientes, depressão em 42%, insónia em 40% e sintomas obsessivo-compulsivos em 20%. As mulheres ficaram mais expostas a ansiedade e depressão. “A hipótese que colocamos é que isto se pode dever às diferentes formas de funcionamento do sistema imunitário”, referiu Francesco Benedetti.

Pacientes com sintomas ligeiros de infecção podem ter desordens cerebrais graves e, segundo os investigadores, com repercussões psíquicas mais sérias do que os doentes que foram hospitalizados.

Esses efeitos podem ser originados pela resposta do sistema imunitário ao vírus, pelo stress psicológico associado ao estigma, pelo isolamento social e pela preocupação em infectar outras pessoas, revelou ainda o estudo.

ZAP //

Por ZAP
4 Agosto, 2020

 

 

363: Não é só um coração partido. O cérebro também sofre com o fim de uma relação

CIÊNCIA/SAÚDE/DEPRESSÃO/NEUROCIÊNCIA

(CC0/PD) 1388843 / Pexels

Ter um “coração partido” depois do término de uma relação é normal. No entanto, uma nova investigação sugere que o cérebro sofre mais do que pensávamos.

Um estudo recentemente publicado na revista NeuroImage: Clinical concluiu que não é apenas o coração que sofre com o fim de uma relação. Ter o “coração partido” dificulta o pensamento, porque o cérebro perde o controlo devido a padrões anormais de comunicação neural e organização funcional reduzida.

Estes indícios cerebrais são sintomas de pacientes com depressão clínica. “Os estudos de neuro-imagem em repouso identificaram a comunicação anormal de todo o cérebro em pacientes com depressão”, referem os autores do estudo. “No entanto, ainda não está claro se os sintomas depressivos em indivíduos sem diagnóstico clínico têm uma base neural confiável.”

Para descobrir se havia também uma base neural no caso de pacientes que passaram por um recente término de relação, os cientistas decidiram analisar o cérebro de 69 indivíduos sem um diagnóstico clínico depressivo que tinham terminado recentemente um relacionamento.

“Investigamos até que ponto a gravidade dos sintomas depressivos numa amostra não clínica foi associada a desequilíbrios na dinâmica cerebral complexa durante o repouso”, explicaram os investigadores, citados pelo Hipertextual.

Os participantes apresentaram diferentes graus de sintomas depressivos, mas nenhum teve um diagnóstico clínico. No entanto, os cientistas concluíram que a gravidade dos sintomas estava directamente relacionada com os défices na capacidade do cérebro de processar informações.

“Os indivíduos mais tristes mostraram reduções acentuadas na integração global, que se refere à capacidade do cérebro de combinar e processar todas as informações. Esta integração permite-nos entender o mundo e desenvolver respostas cognitivas e comportamentais apropriadas às situações em que nos encontramos”, justificaram.

A equipa de cientistas observou ainda que quanto mais graves os sintomas de depressão, menor a diversidade espacial no cérebro. Se a diversidade cerebral diminui, “a natureza hierárquica da conectividade decompõe-se, resultando num estado mais caótico que reduz a eficiência cognitiva.”

Os cientistas advertiram que a amostra desta investigação é muito pequena. Ainda assim, concluíram que “experiências negativas podem ter um efeito prejudicial na competência operacional do cérebro”. “Podem desencadear uma diminuição na saúde mental, mesmo em pessoas sem diagnóstico clínico.”

ZAP //

Por ZAP
29 Junho, 2020


 

352: Novo tratamento mostra eficácia quase total no alívio da depressão

SAÚDE

fmgbain / Flickr

Um novo tratamento revelou uma eficácia de 90% no alívio dos sintomas da depressão. Os investigadores alegam que esta técnica apresenta melhores resultados em comparação com os tratamentos convencionais.

Estima-se que uma em cada quatro mulheres e um em cada dez homens possam ter crises de depressão em alguma fase da sua vida e as crianças também podem ser afectadas. Alguns dos tratamentos mais comuns são algo limitados, passando por terapia ou antidepressivos. Uma alternativa pode ser a estimulação magnética transcraniana (EMT).

Uma nova investigação mostra que esta técnica não-invasiva, que usa campos electromagnéticos para estimular células nervosas no cérebro, pode ser altamente eficaz no tratamento da depressão. Os cientistas alegam ter uma forma de EMT mais rápida e direccionada para tratar a depressão.

A equipa de investigadores baptizou-a de Stanford Accelerated Intelligent Neuromodulation Therapy (SAINT). Esta nova técnica mostrou ter uma eficácia de 90% no tratamento de 21 pacientes com depressão profunda. O estudo foi publicado esta terça-feira na revista científica American Journal of Psychiatry.

“Esta é realmente uma maneira de activar uma região do cérebro que foi desactivada pela depressão de uma maneira personalizada”, disse à Inverse a co-autora Nolan Williams, neuro-psiquiatra da Universidade de Stanford.

“Parte do meu trabalho como médico especializado em depressão é dar esperança às pessoas. Acho que é isso que mantém as pessoas vivas que sofrem de depressão crónica resistente ao tratamento. Certamente, isto deve dar a todos a esperança de que isso, ou algo parecido, esteja a chegar”, acrescentou.

Normalmente, a EMT requer seis semanas de sessões diárias. No entanto, com a SAINT, ao longo de cinco dias, os participantes foram submetidos a dez sessões de dez minutos por dia, com intervalos de 50 minutos.

Em média, três dias de tratamento eram suficientes para os participantes se sentirem aliviados da depressão. Cansaço e dores de cabeça foram efeitos colaterais sentidos pelos participantes, mas que acabavam por não durar por muito tempo.

É muito mais dramático do que qualquer coisa que vimos com antidepressivos orais ou tratamentos de depressão convencionais”, atira o autor principal, Nolan Williams.

ZAP //
Por ZAP
11 Abril, 2020

 

293: As pessoas podem morrer por “desistir da vida”

deanaia / Flickr

De acordo com um novo estudo, uma pessoa pode morrer simplesmente por desistir da vida. Uma vez que entre num estado no qual ache que a derrota é inescapável, a morte pode mesmo tornar-se real.

Segundo John Leach, investigador da Universidade de Portsmouth, nos EUA, o novo estudo, publicado na Medical Hypotheses, é o primeiro a descrever os marcadores clínicos da “desistência da vida”, condição conhecida cientificamente como morte psicogénica.

De acordo com o estudo, a força de vontade por si só pode não ser suficiente para vencer uma situação difícil, mas faz muita diferença.

Morte psicogénica

A condição segue-se habitualmente a um trauma do qual uma pessoa pensa que não há escapatória, fazendo com que a morte pareça o único resultado racional. Essa morte ocorre geralmente três semanas após o aparecimento do primeiro estágio do processo.

Não é suicídio e não está ligado à depressão. O acto de desistir da vida é uma condição muito real, muitas vezes ligada a traumas graves”, esclarece Leach.

O investigador descreveu os cinco estágios que levam ao declínio psicológico progressivo e sugere que a desistência da vida pode ter origem numa alteração num circuito frontal-subcortical do cérebro, que governa o nosso comportamento por objectivos.

O candidato provável é o cortex cingulado anterior, responsável pela motivação, que parece estar associada a certas memórias que permitem à mente humana reconhecer as situações em que é necessário alterar o comportamento habitual.

“O trauma grave pode desencadear o mau funcionamento do cortex cingulado em algumas pessoas. A motivação é essencial para lidar com a vida e, se isso falhar, a apatia é quase inevitável”, explica.

A morte não é inevitável, e pode ser revertida por factores diferentes em cada estágio. As intervenções mais comuns são a actividade física e/ou a pessoa ser capaz de ver que uma situação está, pelo menos parcialmente, sob o seu controlo. Ambos os factores desencadeiam a libertação de dopamina, substância química conhecida como o neurotransmissor do prazer, no organismo.

“Reverter o declínio da morte psicogénica tende a acontecer quando um sobrevivente encontra ou recupera o sentido de escolha, de ter algum controlo, e tende a ser acompanhado por uma cura das feridas psicológicas e renovação do interesse pela vida”, concluiu Leach.

Os cinco estágios

Segundo o investigador, o processo de morte psicogénica ocorre em cinco estágios que levam ao declínio psicológico progressivo.

1. Retirada social

O primeiro estágio, de retirada social, ocorre geralmente após um trauma psicológico. As pessoas nesta fase podem mostrar falta de emoção e indiferença, ficando “absorvidas” no seu próprio mundo.

Os prisioneiros de guerra têm sido frequentemente descritos neste estado inicial. “Retiram” da vida social, vegetando ou tornando-se passivos.

De acordo com Leach, a retirada social pode ser uma forma de lidar com uma situação má, ou seja, afastar-se de qualquer envolvimento emocional externo para permitir um realinhamento interno da estabilidade emocional. Mas, se não for controlada, pode evoluir para apatia.

2. Apatia

Uma “morte emocional” simbólica, a profunda apatia é comum em prisioneiros de guerra e sobreviventes de naufrágios e acidentes aéreos. É uma melancolia desmoralizadora, diferente da raiva, da tristeza ou da frustração.

Também já foi descrita como a ausência do esforço para se conservar. As pessoas nesta fase ficam muitas vezes “desgrenhadas”, sem instinto de higiene. Funciona como um grave desânimo, onde até mesmo a menor tarefa parece exigir o maior esforço possível.

3. Abulia

Este estágio corresponde a uma grave falta de motivação associada a uma resposta emocional abafada, falta de iniciativa e incapacidade de tomar decisões. É improvável que as pessoas nesta fase conversem. Frequentemente, desistem de se lavar ou comer.

Geralmente, a pessoa perde a sua motivação intrínseca – a capacidade ou o desejo de começar a agir para se ajudar -, mas ainda pode ser motivada por outras pessoas, através de educação persuasiva, raciocínio, antagonismo e até agressão física.

“Uma coisa interessante sobre a abulia é que parece haver uma mente vazia ou uma consciência desprovida de conteúdo. As pessoas que se recuperaram deste estágio descrevem-no como ter a mente papa, ou não ter nenhum pensamento”, diz Leach.

4. Acinesia psíquica

Nesse estágio, a pessoa está consciente, mas em estado de profunda apatia e insensível a dores extremas. Muitas vezes são incontinentes, e deitam-se em cima das suas próprias excreções.

A falta de resposta à dor foi descrita no estudo de um caso em que uma jovem, diagnosticada posteriormente com acinesia psíquica, sofreu queimaduras de segundo grau ao visitar a praia, porque não saiu do sol.

5. Morte psicogénica

O estágio final é a desintegração de uma pessoa. “É quando alguém desiste. Ela pode estar deitada nos seus próprios excrementos e nada – nenhum aviso, espancamento ou súplica – pode fazê-la querer viver”, diz John Leach.

A passagem do estágio quatro, a acinesia psíquica, para o estágio cinco, a morte psicogénica, geralmente leva de três a quatro dias. Pouco antes da morte, há frequentemente um falso “despertar”, um lampejo de vida, como quando alguém de repente decide desfrutar de um cigarro.

“Parece por algum tempo que o estágio de mente vazia passou e foi substituído pelo que poderia ser descrito como um comportamento direccionado a um objectivo. Mas o paradoxo é que o objectivo em si parece ser perder a vida”, conclui Leach.

ZAP // HypeScience / Medical Xpress

Por HS
29 Outubro, 2018

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271: A depressão pode ser combatida com privação de sono

patrickgensel / Flickr

Não dormir pode causar muitos problemas de saúde. A privação de sono causa problemas motores e cognitivos e pode até mesmo afetar o coração e outros órgãos a longo prazo. E o pior: se você dormir todas as noites, mas poucas horas ou mal, o seu cérebro é tão afetado quanto o de alguém que não dorme nada por algumas noites seguidas.

Por isso é que é tão surpreendente que a privação de sono seja um dos tratamentos mais eficazes para casos severos de depressão. Investigadores estudam essa possibilidade desde a década de 50, e agora novas abordagens que utilizam a privação do sono como um dos “ingredientes” estão a ajudar a melhorar a vida de alguns pacientes.

Isso acontece porque, aparentemente, a privação do sono causa efeitos diferentes em pessoas saudáveis e naquelas com depressão. Mas é importante salientar: os especialistas dizem que ninguém deve tentar fazer isso sozinho, sem acompanhamento médico.

A técnica envolve não só a privação do sono, mas também o elemento químico lítio. Francesco Benedetti, líder da unidade de psiquiatria e psicobiologia clínica do Hospital San Raffaele, em Milão, Itália, tem investigado a chamada terapia de vigília, em combinação com exposição a luz brilhante e lítio, como meio de tratamento da depressão.

“A privação do sono realmente tem efeitos opostos em pessoas saudáveis ​​e com depressão”, diz Benedetti. Se estiver saudável e não dormir, pode perceber imediatamente como isso afeta o seu humor. Mas se está deprimido, não dormir pode provocar uma melhoria imediata do humor e das habilidades cognitivas. O problema é que, quando dorme para recuperar as horas de sono, há 95% de probabilidade de uma recaída.

O efeito antidepressivo da privação do sono foi publicado pela primeira vez em um relatório na Alemanha em 1959. Após isso, o investigador alemão Burkhard Pflug deu sequência às análises ao investigar o efeito na sua tese de doutoramento e em estudos subsequentes na década de 1970.

Ainda não sabemos exatamente como o simples facto de permanecer acordados age sobre a depressão, muito em função do facto de que ambos os mecanismos – tanto a depressão quanto o sono – não são completamente compreendidos pela ciência, já que abrangem várias partes do cérebro.

A atividade cerebral de pessoas com depressão é diferente durante o sono e a vigília do que a de pessoas saudáveis. Durante o dia, os sinais que promovem o despertar do sistema circadiano – o relógio biológico interno de 24 horas – existem ​​para nos ajudar a resistir ao sono.

À noite, esses sinais são substituídos por outros que nos estimulam a dormir. As nossas células cerebrais também funcionam assim: ficam cada vez mais excitadas ​​em resposta a estímulos durante a vigília e essa excitabilidade dissipa-se quando dormimos. Mas em pessoas com depressão e transtorno bipolar, essas flutuações aparecem amortecidas ou ausentes.

A depressão também está associada a ritmos diários alterados de secreção hormonal e à temperatura corporal. Quanto mais grave a doença, maior o grau de ruptura com a normalidade.

Como os sinais de sono, esses ritmos também são conduzidos pelo sistema circadiano do corpo, que por sua vez é conduzido por um conjunto de proteínas que interagem, codificadas por genes que são expressos num padrão rítmico ao longo do dia.

As proteínas controlam centenas de processos celulares diferentes, que as permitem permanecer sincronizadas e ligar e desligar. Um relógio circadiano está em todas as células do nosso corpo, e estes mini-reloginhos são coordenados por uma área do cérebro chamada núcleo supraquiasmático, que responde à luz.

“Quando as pessoas estão seriamente deprimidas, os ritmos circadianos tendem a ser muito contínuos. Não recebem a resposta usual de melatonina aumentando a noite e os níveis de cortisol estão consistentemente altos em vez de cair à noite”, explica Steinn Steingrimsson, psiquiatra do Hospital Universitário Sahlgrenska em Gotemburgo, na Suécia, que actualmente executa um teste de terapia de vigília.

A recuperação da depressão está associada a uma normalização desses ciclos. “Acho que a depressão pode ser uma das consequências desse achatamento básico de ritmos circadianos e homeostase no cérebro”, diz Benedetti. “Quando privamos pessoas deprimidas de dormir, restauramos esse processo cíclico”, acredita.

Além disso, a privação do sono faz outras coisas ao cérebro deprimido, como provocar mudanças no equilíbrio de neurotransmissores em áreas que ajudam a regular o humor e restaurar a atividade normal em áreas de processamento emocional do cérebro, fortalecendo as ligações entre eles.

ZAP // HypeScience

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220: Estudo revela que a cafeína é eficaz no combate à depressão

Equipa de especialistas de quatro países foi coordenada por Rodrigo Cunha, investigador português do Centro de Neurociências e Biologia Celular. A depressão é a doença com “maiores custos socioeconómicos do mundo ocidental”.

Foto: DR

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Uma equipa de 14 investigadores de Portugal, da Alemanha, do Brasil e dos Estados Unidos concluiu que o consumo de cafeína é eficaz no combate à depressão, anunciou a Universidade de Coimbra (UC).

“O consumo de cafeína é eficaz tanto na prevenção como no tratamento da depressão”, revela um estudo internacional acabado de publicar na revista da Academia Americana de Ciências “Proceedings of the National Academy of Sciences”, afirma a UC numa nota divulgada, esta terça-feira.

A equipa de especialistas dos quatro países, que foi coordenada por Rodrigo Cunha, investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e docente da Faculdade de Medicina da UC, chegou a esta conclusão depois de, durante seis anos, ter efectuado “estudos e experiências em modelos animais (ratinhos) para avaliar em que medida a cafeína interfere na depressão”.

A depressão é a doença com “maiores custos socioeconómicos do mundo ocidental”.

Os animais que consumiram cafeína, em doses equivalentes a quatro/cinco chávenas de café por dia em humanos, “apesar de todas as situações negativas a que foram sujeitos”, apresentaram “menos sintomas” de depressão do que aqueles aos quais não foi ministrada cafeína, que registaram “as cinco alterações comportamentais típicas da depressão”, sublinha Rodrigo Cunha.

Sujeitos a situações de Stress Crónico Imprevisível, isto é, a “sucessivas situações negativas e, por vezes, extremas (privação de água, exposição a baixas temperaturas, etc.), durante três semanas”, os animais aos quais foi administrada cafeína diariamente resistiram melhor.

Os animais que não consumiram cafeína revelaram “imobilidade (os ratinhos deixaram de reagir), ansiedade, anedonia (perda de prazer), menos interacções sociais e deterioração da memória”, acrescenta o coordenador do estudo.

Fármaco seguro usado na doença de Parkinson

Considerando um estudo anterior realizado nos EUA, no qual Rodrigo Cunha participou como consultor científico, em que “doentes de Parkinson tratados com istradefilina – um novo fármaco da família da cafeína antagonista dos receptores A2A (fármaco que inibe a actuação dos A2A) – mostraram melhorias significativas, a equipa decidiu aplicar este medicamento nos ratinhos deprimidos”, adianta a UC.

Em apenas três semanas de tratamento, “o fármaco foi capaz de inverter os efeitos provocados pela exposição inicial a Stress Crónico Imprevisível e os animais recuperam para níveis semelhantes aos do grupo de controlo (constituído por ratinhos saudáveis)”, sublinha Rodrigo Cunha.

Embora seja necessário efectuar um ensaio clínico, a transposição deste fármaco para a “prática clínica pode ser bastante rápida, assim haja vontade da indústria farmacêutica, porque estamos perante um fármaco seguro, já utilizado nos EUA e no Japão para o tratamento da doença de Parkinson”, sustenta o investigador.

O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Departamento de Defesa dos EUA e The Brain & Behavior Research Foundation (NARSAD).

Rádio Renascença
09-06-2015 11:51

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