1108: As crianças têm dez vezes mais micro-plásticos nas fezes do que os adultos

SAÚDE PÚBLICA/CRIANÇAS/MICRO-PLÁSTICOS

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Uma equipa de cientistas da Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, usou espectrometria de massa para medir os níveis de micro-plásticos compostos de policarbonato (PC) e de polietileno tereftalato (PET) presentes nas fezes crianças e adultos.

Os cientistas, escreve o Wired, identificaram pelo menos um tipo de micro-plástico em todas as amostras. Porém, as concentrações de micro-plásticos de PET eram dez vezes superiores nas fezes de crianças do que nas de adultos. Em relação à quantidade de resíduos de PC, nenhuma diferença significativa foi notada entre os dois grupos.

Os investigadores acreditam que estes resultados se devam ao facto das crianças serem expostas a maiores quantidades de micro-plásticos pois colocam nas suas bocas biberões, brinquedos e chupetas. “Sabe-se que crianças de um ano de idade costumam mastigar produtos e roupas de plástico”, escreveram os especialistas no estudo, que foi publicado no jornal ACS Publiations.

O novo estudo cita ainda pesquisas anteriores que indicam que as fórmulas infantis feitas  para alimentar os bebés em tenra idade podem libertar milhões de micro-plásticos. “Muitos alimentos processados ​​são embalados em recipientes de plástico, que constituem outra fonte de exposição a crianças”, referem os cientistas.

Ainda não se sabe ao certo qual é o impacto dos micro-plásticos na saúde humana, embora várias pesquisas apontem que as menores partes desses resíduos podem atravessar as membranas celulares e entrar na circulação sanguínea.

ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2021

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1102: Vacinação de crianças? Só se for comprovada a eficácia

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VACINAÇÃO/CRIANÇAS

As crianças maiores de cinco anos devem ser vacinadas contra a covid-19, desde que a segurança e a eficácia da vacina estejam comprovadas cientificamente nestas idades, defende o médico especialista em saúde pública e ex-director-geral da Saúde, Francisco George.

Francisco George elogia do trabalho da sua sucessora e diz que, em tempos de pandemia, teve um pensamento egoísta: “Ainda bem que não estou lá”.
© Filipa Bernardo Global Imagens

A vacinação das crianças está a ser a discutida e analisada, tendo a Pfizer já anunciado que a sua vacina contra a covid-19 é eficaz em crianças dos 5 aos 11 anos e que vai requerer autorização nos Estados Unidos para este grupo em breve. Em entrevista à Lusa, o ex-director-geral da Saúde Francisco George não vê entraves na vacinação deste grupo etário, desde que as vacinas “tenham uma base de comprovação científica, da sua segurança e do resultado positivo”.

“Se as coortes [N.W.-Grupo de pessoas, usado em estudos ou em investigação, que possuem características em comum, como a idade, a classe social, a condição médica, etc..] estudadas por epidemiologistas perceberem que as crianças são fontes de transmissão do vírus, da infecção, e que precisam de ser protegidas, e se tivermos a certeza da segurança da vacina, não vejo porque não”, diz em entrevista à agência Lusa na sede da Cruz Vermelha Portuguesa, instituição a que preside, no Palácio da Rocha do Conde D’Óbidos, em Lisboa.

Em Portugal, as crianças são vacinadas desde a nascença até à entrada no ensino secundário, observa o médico que durante 12 anos foi director-geral da Saúde, cargo que deixou em 20 de Outubro de 2017, na véspera de completar 70 anos, pondo fim a uma carreira de 44 anos ao serviço da Função Pública.

Então, questiona: “Se há reforço para as outras vacinas, e se há vacinação de crianças com menos de 5 anos para outras doenças, porque é que não há de haver também para estas?”.

Quanto à terceira dose da vacina, defende que a sua necessidade é ditada pelo nível de anticorpos produzidos pelas vacinas anteriores e que a decisão terá de ser tomada com base científica.

“Não são as opiniões, sobretudo de comentadores, que devem ser ouvidas em termos dos comentários que formulam, que são livres, que são justos, que são legítimos, mas não tem base científica”, declara.

Portanto, sustenta, “não há aqui nenhuma opinião a não ser aquela que é baseada na demonstração de que o número de doses anteriores [da vacina] tenha protegido o cidadão, a sua família, a comunidade, através da medição em laboratório dos anticorpos que circulam no soro”.

Entre 1980 e 1991, Francisco George esteve na Organização Mundial da Saúde e em 1990 desempenhou as funções de epidemiologista do Programa Mundial de Luta Contra a Sida como coordenador para a África Austral.

Desde então lidou com outras crises epidémicas, como a SARS – Síndrome Respiratória Aguda Severa, em 2003, a infecção respiratória do Médio Oriente, dez anos depois, e agora com o coronavírus SARS-CoV-2, uma “doença nova” que surgiu na China no final de 2019.

Francisco George fala com entusiasmo da actual pandemia pelas medidas tomadas para a combater, mas sobretudo da vacina: “É extraordinária. Ao contrário de outras, é uma vacina inteligente” e “é absolutamente seguro ser vacinado”.

“É espantoso como a evolução científica, com base nos conhecimentos recentes da biologia molecular, foi agora adaptada ao fabrico com sucesso destas vacinas”, em que é inoculada uma proteína mensageira do vírus, em vez do vírus morto ou atenuado, diz com eloquência.

Considera também “absolutamente único” a desinfecção com um álcool-gel que “não é abrasivo e protege as mãos”.

“Nunca mais vamos deixar de ter a higiene das mãos em conta”, diz, destacando os benefícios desta medida, a par com o uso da máscara, na diminuição da frequência de “muitas outras doenças” como a gripe.

À pergunta se a população deve usar máscara na rua no outono/inverno, responde rapidamente que “só traz benefícios”.

E se esta medida deve voltar a ser obrigatória nos períodos de maior actividade gripal, a resposta vem em jeito de pergunta: “Mas porque não? qual é o problema?”.

“É socialmente aceite se for caso disso, não vejo nenhuma preocupação”, refere, e pode ser até usada de forma espontânea pela população.

Voltando à vacina contra a covid-19 e se esta devia ser obrigatória, Francisco George afirma que não, mas reitera o apelo deixado na sua última intervenção enquanto director-geral de Saúde, para que se altere a Constituição de 1976, que apenas prevê o internamento compulsivo de portadores de anomalia psíquica.

“Eu não estou a defender a obrigatoriedade da vacina, estou a defender que, por exemplo, um doente que tenha ébola não possa sair do hospital e entrar no metropolitano. Isso é que eu defendo”, justifica.

O objectivo é que “não haja diferença entre anomalia psíquica e doença contagiosa” e, para isso, “a Constituição pode e deve ser mudada para ir ao encontro dos interesses da saúde pública, defende, frisando que este “é um tema urgente que não pode ser ignorado”.

“É necessário criar princípios inteligentes, mais flexíveis, que não tornem difícil a prevenção e o controle dos problemas em saúde pública”, evitando-se assim estar a decretar-se “sucessivamente estados de emergência” como aconteceu com a covid-19.

Doença pode vir ser erradicada

Na entrevista à Agência Lusa, o médico e antigo director-geral da Saúde considera ainda ser cedo para se perceber o que se vai passar com o novo coronavírus mas admite: “Há ferramentas e meios que a ciência hoje disponibiliza que podem vir a controlar e eliminar o vírus”.

“É possível que isso venha a acontecer. Ninguém pode dizer que nunca nos libertaremos deste vírus. Mas também ninguém pode dizer que nos vamos libertar o vírus dentro de pouco tempo”, afirma.

A luta contra o Sars-Cov-2, que provoca a doença covid-19, é um assunto que está, diz, em análise permanente, a nível mundial.

E acrescenta: “Nós, aqui em Portugal, também deveríamos ter mais pensamento sobre estas questões, e equipas que devem seguir estes problemas, para antever na medida do possível aquilo que possa acontecer”.

Porque, garante, é preciso antecipar a reemergência ou a emergência de novos problemas.

Na entrevista, Francisco George não se cansa de enfatizar a importância do estudo, da análise científica, do trabalho de prevenção. Porque a natureza de um vírus como o actual assim o exige.

Cauteloso, o especialista não quer avançar se no inverno vai haver, como no ano passado, um aumento exponencial de casos de covid-19. E lembra, sem ser crítico, mas compreendendo, declarações de Graça Freitas, actual directora-geral da Saúde, no início da pandemia, a minimizar a importância do novo coronavirus.

“Aquilo que se diz hoje pode perder actualidade, é verdade naquele dia, mas pode não ser verdade uma semana depois. Este vírus apresenta uma capacidade de mutação que nós já conhecemos pela formação das variantes que estão a circular. Isso é verdade, mas ainda é cedo para antever o final da pandemia. Nós ainda não podermos dizer acabou”, diz.

As variantes, explica, resultam de um conjunto de mutações do vírus durante a fase de replicação nas células, e estão relacionadas com a magnitude da propagação epidémica, pelo que é mais passível de acontecerem em países grandes, como a China ou a Índia,

Um conjunto de pequenas alterações formam uma variante e essa variante adquire características que podem ser melhores ou piores do que a estirpe inicial, diz, para explicar o quanto é difícil ter certezas nesta matéria. Mas certo é que a história recente da medicina mostrou que os vírus podem ser eliminados e controlados. Aconteceu, lembra, com a varíola, considerada erradicada, deve acontecer com a poliomielite. E há as vacinas, sobre as quais Francisco George fala diversas vezes. E entretanto surgirão os medicamentos, admite.

Segundo Francisco George, os Estados, sobretudo no ocidente, não fazem investigação científica no sentido de produção de vacinas, o que compete às empresas farmacêuticas. O que agora aconteceu, refere, foi que se percebeu que, tendo o vírus sido sequenciado, era mais rápido procurar uma vacina do que um antiviral. “E foi isso que aconteceu em todos os centros da indústria farmacêutica, de diferentes continentes, que produziram uma vacina quase simultâneo, se bem que com características distintas”, diz.

E acrescenta: “No que respeita aos medicamentos a linha de trabalho foi estudar os antivirais que tinham sido ensaiados na epidemia de ébola de 2014”.

Nessa linha de investigação foram seleccionados alguns medicamentos que agora estão em fase avançada de estudo e que podem “estar acessíveis em breve”.

E conclui Francisco George: é natural que venhamos a ter em breve mais medicamentos.

Comunicação não foi a melhor

O ex-director-geral da Saúde refere ainda nesta entrevista que a comunicação sobre a covid-19 terá de ser analisada no futuro, mas deixa uma certeza: “A comunicação não foi a melhor”. E não o foi “quer por parte de autoridades do Governo quer por outros”, diz.

“Eu mesmo tive dificuldade em compreender a versatilidade das medidas semanais em função deste ou daquele indicador, se eram quatro pessoas à mesa se eram seis, se era dentro se era fora, se como máscaras sem máscara”, diz.

No auge da pandemia de covid-19 diz Francisco George que se criou confusão porque foram sendo anunciadas e comunicadas questões sucessivamente, anulando outras anteriores.

“Penso que não terá sido a melhor” comunicação, reafirma, considerando no entanto que, mesmo assim, sobretudo os comerciantes e a restauração terão percebido, de maneira geral, essas medidas. “Nem tudo foi mau, mas a esse nível poderíamos ter feito mais e melhor”, diz Francisco George.

O ex-director-geral afirma que também não queria ser ele a estar nesse papel. Francisco George esteve no cargo entre 2005 e 2017, sendo substituído pela actual responsável, Graça Freitas. O novo coronavirus surgiu dois anos após ter deixado o lugar.

Na entrevista o antigo responsável pela pasta (Graça Freitas era directora adjunta) não critica, antes elogia, o trabalho nesta matéria da sua sucessora e da ministra da Saúde, Marta Temido.

Francisco George ri-se quando confrontado com a pergunta se em algum momento pensou que era bom estar ele ainda no lugar e na “linha da frente” da luta contra a pandemia: “O meu pensamento foi sempre mais egoísta, foi no sentido de ´ainda bem que não estou lá´”.

“Sou muito amigo e reconheço grande competência à ministra da Saúde, reconheço competência muito elevada à minha sucessora, com quem eu sempre trabalhei. Tenho imensa confiança na Direcção-Geral da Saúde, nos governantes, sobretudo neste caso concreto o Ministério da Saúde. Estou absolutamente tranquilo. E penso que o meu egoísmo é compreensível, ninguém com bom senso gostaria de estar no inferno que vivemos”, declarou.

Diário de Notícias
Lusa
25 Setembro 2021 — 09:41

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1036: Variante Delta não provoca casos mais graves nas crianças

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/CRIANÇAS/VARIANTE DELTA

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A variante Delta não causa casos mais graves de covid-19 em crianças e adolescentes em comparação com outras variantes, indicam os primeiros dados divulgados sexta-feira pelas autoridades de saúde norte-americanas, noticiou a AFP.

A agência noticia refere que as preocupações com as consequências da variante Delta nos mais jovens têm aumentado nas últimas semanas nos Estados Unidos, face ao número crescente de crianças hospitalizadas infectadas com aquela variante.

Os Centros de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC), a principal agência federal de saúde pública dos Estados Unidos, analisou dados de pacientes hospitalizados com covid-19 em 99 condados de 14 Estados, cobrindo cerca de 10% da população norte-americana.

Em particular, aquela agência federal comparou o período do início de Março a meados de Junho com o período de meados de Junho até final de Julho, quando a variante Delta tornou-se dominante nos EUA.

Entre esses dois períodos, a taxa de hospitalização de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, na realidade, aumentou cinco vezes.

Mas “a proporção de crianças e adolescentes hospitalizados por doença grave”, por exemplo com admissão em cuidados intensivos, “era semelhante antes e durante o período em que Delta era dominante”, conclui o estudo.

Em detalhe, das 3.116 crianças e adolescentes hospitalizados nos três meses e meio antes da variante Delta, cerca de 26% foram internados em terapia intensiva, 6% foram colocados num ventilador e menos de 1% morreu. Depois com a variante Delta, de 164 hospitalizações registadas num mês e meio, cerca de 23% foram internados em cuidados intensivos, 10% colocados num ventilador e menos de 2% morreram.

“As diferenças entre os dois períodos não são, portanto, estatisticamente significativas”, o entender dos especialistas da CDC.

O CDC nota, no entanto, que o número de crianças com casos graves da doença foi reduzido entre meados de Junho e o final de Julho, limitando assim a relevância das comparações feitas.

Os analistas sublinham que os dados precisam de continuar a ser avaliados de perto, no futuro próximo.

O trabalho realizado também demonstra ainda que as vacinas protegem bem os adolescentes contra a variante Delta, pois as taxas de hospitalização foram cerca de 10 vezes maiores para adolescentes não vacinados do que para aqueles vacinados durante o período de predominância do Delta.

Nos EUA, os adolescentes podem receber injecções da vacina Pfizer a partir dos 12 anos.

Além disso, um segundo estudo publicado hoje mostra que a vacinação de adultos tende a proteger as crianças da contaminação.

Em análise estiveram as visitas às urgências, bem como o número de hospitalizações em todo o país, durante o mês de Agosto.

Nos Estados com a menor cobertura de vacinação/imunização para a população em geral, o número de atendimentos de urgência por crianças e adolescentes foi três vezes maior do que nos Estados altamente imunizados, e o número de internamentos foi quase 4 vezes maior.

“Mais crianças são infectadas com covid-19 porque a doença está a circular mais”, justificou a directora do CDC, Rochelle Walensky, referindo-se aos dois estudos agora divulgados.

Segundo Walensky, os estudos demonstram que “a vacinação funciona” e, por outro, que “não houve aumento da gravidade da doença em crianças”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
4 Setembro, 2021

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Crianças prioritárias para vacinação: com diabetes, obesidade… saiba a lista

SAÚDE/PANDEMIA/VACINAÇÃO/CRIANÇAS

DGS publicou a lista prometida na sexta-feira por Graça Freitas.

As crianças com idades entre os 12 e os 15 anos que tenham cancro activo, diabetes, obesidade, insuficiência renal crónica estão entre as que devem ser vacinadas prioritariamente contra a covid-19, segundo a Direcção-Geral da Saúde.

A norma da Campanha de Vacinação Contra a COVID-19 actualizada esta terça-feira pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) determina também como doenças prioritárias para vacinação a transplantação e a imuno-supressão.

Segundo a norma, estão ainda incluídas doenças neurológicas, que englobam a paralisia cerebral e distrofias musculares, as perturbações do desenvolvimento, como a Trissomia 21 e perturbações do desenvolvimento intelectual grave e profundo. A doença pulmonar crónica, doença respiratória crónica, como asma grave e fibrose quística também estão entre as prioritárias.

As vacinas podem ser administradas nos menores desde que esteja presente quem tem a guarda do menor ou a pessoa a quem o menor tenha sido confiado.

“No caso dos adultos com incapacidade para consentir deve obter-se autorização do representante legal”, acrescenta a norma.

A DGS recomendou na sexta-feira a vacinação prioritária contra a covid-19 de crianças entre os 12 e os 15 anos com comorbilidades associadas, que possam conduzir a uma doença grave ou à morte, esclarecendo mais tarde que os menores sem doenças precisam de prescrição médica para serem vacinados.

A vacinação universal continua, para já, a ser apenas recomendada a partir dos 16 anos, seguindo o plano de vacinação em curso.

A norma actualizada neste dia refere ainda que relativamente às grávidas com 16 ou mais anos, não é necessária declaração médica, e, apesar de a recomendação para se vacinarem ser a partir das 21 semanas de gestação, após a realização da ecografia morfológica, “não existe idade gestacional limite para o início da vacinação”.

A DGS sublinha ainda que, caso seja iniciado o esquema vacinal, sem conhecimento prévio da situação de gravidez, este deve ser completado no intervalo recomendado, independentemente da idade gestacional e da realização da ecografia morfológica.

A vacinação contra a covid-19 na grávida deve respeitar um intervalo mínimo de 14 dias em relação à administração de outras vacinas, como a da tosse convulsa e da gripe.

A DGS refere que as grávidas constituem um grupo com risco acrescido para formas graves de covid-19, quando comparadas com mulheres não grávidas da mesma idade, sendo o risco de doença grave maior no terceiro trimestre da gravidez.

“Por outro lado, a covid-19 tem sido também associada a desfechos obstétricos e neonatais adversos decorrentes sobretudo da maior taxa de parto pré-termo”, refere na norma.

Apesar de a evidência (informação) científica sobre a segurança e eficácia da vacinação contra o SARS-CoV-2 na gravidez ser ainda limitada, “todas as vacinas disponíveis contra a covid-19 utilizam tecnologias de vírus não-activados, pelo que não são expectáveis riscos adicionais durante a gravidez e a amamentação”, salienta.

Os dados recolhidos pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças não mostraram diferenças significativas nos resultados da gravidez em mulheres vacinadas, em mais de 100.000 registos analisados.

“Assim, os benefícios esperados ultrapassam os riscos (teóricos) para a grávida e para o feto, sendo o benefício maior na presença de exposição elevada a SARS-CoV-2 e de patologias de risco”, sublinha a DGS.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Agosto 2021 — 22:26


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948: DGS contraria Marcelo: Vacinação de menores de 12 a 15 anos saudáveis só com prescrição médica

SAÚDE/PANDEMIA/VACINAÇÃO MENORES

A DGS refere que, no caso dos adolescentes desta idade que tenham comorbilidades associadas, a vacinação contra a covid-19 é prioritária.

A directora-geral de Saúde, Graça Freitas
© MIGUEL A. LOPES/LUSA

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) esclareceu hoje que a vacinação de crianças com idades entre 12 e 15 anos sem doenças tem de ter prescrição médica, não bastando a vontade dos pais, como defendeu o Presidente.

Num esclarecimento hoje enviado à agência Lusa, a DGS considera, depois de ouvida a comissão técnica de vacinação contra a covid-19, que “deve ser dada a possibilidade de acesso à vacinação a qualquer adolescente com 12-15 anos por indicação médica”.

No sábado, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que as autoridades de saúde não proibiram a vacinação contra a covid-19 para crianças saudáveis, considerando que “esse espaço continua aberto à livre escolha dos pais”.

Pelo menos por enquanto, a vontade dos pais não é suficiente para que a população com idades entre 12 e 15 anos e sem doenças seja automaticamente imunizada, embora isso possa ser conseguido caso o médico avance com uma prescrição.

A DGS refere, no entanto, que, no caso dos adolescentes desta idade (12 a 15 anos) que tenham comorbilidades associadas, a vacinação contra a covid-19 é prioritária.

Referindo que “emitirá recomendações sobre vacinação universal de adolescentes com 12-15 anos logo que estejam disponíveis dados adicionais sobre a vacinação destas faixas etárias”, o organismo liderado por Graça Freitas lembrou que, mesmo com indicação médica, a vacinação deve respeitar as faixas etárias em vacinação em cada momento.

“Tratando-se de menores, a vacinação é discutida com os pais ou representantes/tutores legais”, acrescenta a DGS num esclarecimento que cita o parecer emitido na sexta-feira.

O esclarecimento da DGS surgiu na sequência de declarações feitas por Marcelo Rebelo de Sousa no sábado, no consulado de Portugal em São Paulo, no Brasil.

“As crianças vacinadas beneficiam de uma prevenção que lhes é positiva, isso não foi vedado, nem proibido pela DGS e está aberto aos pais em termos de escolha para os seus filhos”, sublinhou então o Presidente da República, acrescentando que haver crianças vacinadas “que possam certificar essa vacinação” pode “fazer a diferença”, nomeadamente para a frequência de escolas.

A DGS recomendou, na sexta-feira, a administração prioritária de vacinas contra a covid-19 para crianças entre os 12 e os 15 anos com comorbilidades.

A vacinação universal continua, para já, a ser apenas recomendada a partir dos 16 anos, seguindo o plano de vacinação em curso.

A DGS não descartou, no entanto, alterações futuras se houver “novas variantes de preocupação”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
01 Agosto 2021 — 21:22



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559: Nova variante do SARS-Cov-2 pode exigir novas medidas nas escolas

 

SAÚDE/COVID-19-ESCOLAS

Tiago Petinga / Lusa

Graça Freitas argumenta que só pela quantidade de infectados, esta nova variante “pode constituir um risco acrescido”. Novas medidas nas escolas podem ser necessárias.

A nova variante do SARS-CoV-2 foi identificada em Portugal Continental e confirmada pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), este domingo. Inicialmente identificada no Reino Unido, a nova variante será 70% mais contagiosa do que o normal e está a preocupar os especialistas de saúde.

Na habitual conferência de imprensa desta terça-feira, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitiu a possibilidade de o Governo ter de introduzir novas medidas de restrição nas escolas devido a esta nova variante.

Graças Freitas salientou que só pela quantidade de infectados, esta nova variante “pode constituir um risco acrescido”. Além disso, há indicações de que a nova variante pode ter uma maior capacidade de circular entre as crianças e os mais jovens, escreve o Observador. No entanto, Graças Freitas realça que essa hipótese “carece de confirmação”, acrescentando que “não há indícios de que seja mais grave ou mais violenta”.

Neil Ferguson, especialista em doenças infecciosas do Imperial College de Londres e membro do Grupo de Aconselhamento sobre Ameaças de Vírus Respiratórios Novos e Emergentes (NERVTAG), defende que embora não se tenha estabelecido uma relação de causalidade, é possível ver nos dados que o vírus “tem uma maior propensão para infectar as crianças”.

Por Daniel Costa
5 Janeiro, 2021

 

 

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