Novos remédios para a enxaqueca garantem “óptimo controlo da dor logo desde o início”

SAÚDE PÚBLICA/ENXAQUECAS/REMÉDIOS

Avançadas terapias no combate às cefaleias devolvem qualidade de vida a quem sofre desta doença. Tal é possível porque a ciência descobriu o que leva às crises, o que será, para a presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia, mais um passo na direcção da cura.

© Ilustração Vítor Higgs / DN

Doença que, estima-se, atinge cerca de 1,5 milhões de pessoas em Portugal, a enxaqueca pode ser profundamente debilitante. Mas hoje, utilizando os mais recentes avanços na investigação neurológica e genética, existem novos tratamentos. O mais recente permitiu descobrir o agente responsável pelo desencadear ou intensificar de uma crise de enxaqueca e avanços na medicina ajudam a combatê-lo. Este é o ponto de partida para esta entrevista, feita por e-mail, a Isabel Luzeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia.

Há pessoas que dizem parecer que estão a enlouquecer quando têm dores de cabeça fortes ou enxaquecas. O que é que está efectivamente a acontecer no seu cérebro?
O que acontece frequentemente é que a dor por vezes é tão, tão intensa, que é muito mal tolerada. E está associada a uma dilatação dos vasos sanguíneos. O envolvimento de outras áreas do cérebro provoca também hipersensibilidade à luz e ao barulho, náusea ou até vómito, e por vezes vertigem. Alguns doentes têm ainda o nariz a “pingar” (rinorreia), uma urgência de urinar ou abrir a boca… outros têm alterações visuais. Mesmo nos doentes que toleram a dor, a frequência dos episódios e o tempo de duração (duas a quatro horas) exaspera-os. Ora, se a dor já é difícil de tolerar, toda esta constelação é o caos. Interfere com o dia a dia, diminuindo muito a qualidade de vida.

A investigação mais recente dá conta de que o CGRP será responsável pelo desencadear de uma crise de enxaqueca. O que é o CGRP?
CGRP é a sigla de um neuropéptido [ler abaixo] relacionado com o gene da calcitonina (calcitonine gene-related peptide). Os níveis de CGRP no sangue estão aumentados durante as crises de enxaqueca e mesmo no intervalo das crises, principalmente se a enxaqueca for frequente ou crónica.

O CGRP é sintetizado em vários locais do corpo, como o cérebro (alfa-CGRP) e o intestino (beta-CGRP), a partir do gene da calcitonina, localizado no cromossoma 11, e tem uma função reguladora a nível do cérebro, sistema intestinal e no controlo da dor.

Neuropéptidos são “mensageiros” químicos produzidos pelos neurónios (as células nervosas do cérebro, por exemplo) que permitem a comunicação entre estas, modulando a actividade cerebral. Têm também um papel importante em outros órgãos, como o coração ou os intestinos. Existe mais de uma centena de tipos conhecidos.

Há alguma preponderância do CGRP nas mulheres vs. homens? É um dado conhecido que as crises de enxaqueca são mais prevalecentes nas mulheres…
De facto, atinge duas a três vezes mais as mulheres. Mas há outros factores: há outros neuropéptidos e neurotransmissores envolvidos e temos de considerar o factor genético, a hereditariedade.

Se a mãe tem enxaqueca, a probabilidade de a transmitir é de 66%, se ambos os pais tiverem enxaqueca esse risco é de 77%. Isto quer dizer que há um predomínio de transmissão pelo sexo feminino. Temos ainda factores hormonais, como os associados à menstruação, e os psicológicos, como a ansiedade e depressão, que também são mais frequentes na mulher.

Que medicamentos já existem no mercado para parar a CGRP?
A toxina botulínica tipo A, o botox, que actua também no CGRP. Trimestralmente administra-se o fármaco em 31 pontos da cabeça, via subcutânea. E agora os mAbs [ler abaixo] estão também disponíveis

mAbs ou anticorpos monoclonais são produzidos pela clonagem de um único glóbulo branco, com um só propósito – uma única função genética -, pelo que todos têm o mesmo alvo específico. Esta técnica aplicada em bioquímica permite criar fármacos extremamente precisos, que atacam a doença na origem sem efeitos secundários.

O que são e como funcionam os mAbs, os anticorpos monoclonais?
Os anticorpos monoclonais utilizados na enxaqueca são fármacos que bloqueiam o CGRP directamente (anti-CGRP) ou bloqueiam os receptores onde o CGRP se iria ligar. São usados na enxaqueca frequente (mais de quatro crises por mês) ou crónica. Em Portugal dispomos de três fármacos: dois que se ligam directamente ao CGRP e um que se liga ao receptor impedindo a acção do CGRP, com administração injetável e de periodicidade mensal ou trimestral. Têm um perfil de segurança e de efeitos adversos muito favorável e um óptimo controlo da dor logo desde o início.

Que sintomas deve uma pessoa ter para se considerar “candidata” a um tratamento deste tipo?
Ter enxaqueca frequente ou crónica e ter já feito tratamento com três fármacos diferentes indicados para a prevenção ou ser alérgica ou mesmo não tolerar [estes últimos], devido a efeitos adversos ou outras doenças concomitantes.

Bastará ir ao seu médico de família ou terá de procurar um médico mais especializado?
Os mAbs são prescritos no hospital e cedidos pela farmácia hospitalar. Não existem disponíveis para prescrição em ambulatório. Cabe ao médico de família orientar o doente para uma consulta especializada em cefaleias.

Uma enxaqueca ou cefaleia pode ser tão violenta que provoque danos permanentes no cérebro?
Com a repetição das crises ficam pequenas mazelas no cérebro, quer anatómicas, quer funcionais.

Por outro lado, durante uma crise, embora raramente e mais nas mulheres que usam a pílula e têm enxaqueca com aura, pode ocorrer um evento vascular, um enfarte migranoso.

Há uma idade-tipo para a enxaqueca?
Sim, de facto é na terceira e quarta década que a enxaqueca é mais frequente. Nos rapazes surge habitualmente mais cedo. Com a menopausa, a enxaqueca desaparece em dois terços das mulheres.

Há uma dieta alimentar que possa minimizar ou aligeirar a ocorrência de cefaleias?
Cada doente reconhece os alimentos que lhe desencadeiam a enxaqueca. No entanto, o chocolate, o vinho, os morangos, o glutamato monossódico [ler abaixo]

Para além da alimentação, as alterações do sono, as mudanças do tempo, o cansaço, as alterações hormonais, etc., podem desencadear enxaqueca.

Glutamato monossódico é um aditivo que se associa aos alimentos para realçar sabor; é usado nos restaurantes chineses e nos cubos que se juntam aos alimentos na cozinha, comida com nitratos como os cachorros-quentes, alimentos que contêm tiramina, como queijos maturados, soja, favas, peixe fumado ou desidratado e alguns tipos de frutas secas.

Alguma vez teremos uma cura?
Sim, cada vez mais temos uma medicina de precisão dirigida à causa das patologias. Sabida toda a constelação etiológica, surgirá a cura, em minha opinião.

As dores de cabeça são com ela

Presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia há dois anos, a neurologista Isabel Luzeiro (pela Universidade de Coimbra) tem ainda especialização em Ciências da Dor. Além disso, graduou-se em eEG/neurofisiologia clínica e tem competências ao nível do estudo do sono. A experiência adquirida e a actividade permanente – actualmente dá consultas na CUF Coimbra – permitem-lhe ter uma perspectiva actualizada do conhecimento científico de uma área cuja evolução não para de progredir. Os actuais tratamentos não existiam há uma década.

ricardo.s.ferreira@dn.pt

Diário de Notícias
Ricardo Simões Ferreira
24 Outubro 2021 — 00:13

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1192: Mais 604 novos casos e 4 mortos por covid-19 em 24 horas

– Estatísticas até hoje, Domingo:

24.10.2021 – 604 infectados – 4 mortos
23.10.2021 – 883 infectados – 4 mortos
22.10.2021 – 930 infectados – 8 mortos
21.10.2021 – 865 infectados – 8 mortos
20.10.2021 – 927 infectados – 3 mortos
19.10.2021 – 832 infectados – 6 mortos
18.10.2021 – 291 infectados – 3 mortos

Total da semana: 5.332 infectados – 36 mortos

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Dados da DGS mostram que há agora 269 internados, dos quais 52 estão em unidades de cuidados intensivos.

A terceira dose de vacinação contra a covid-19 já está a decorrer
© Fernando Fontes / Global Imagens

Foram registados, em 24 horas, 604 novos casos de covid-19 em Portugal, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). O relatório​​​ deste domingo (24 de Outubro) indica também que morreram mais quatro pessoas devido à infecção por SARS-CoV-2.

Os dados mostram que há agora 269 internados (menos cinco face ao reportado no sábado), dos quais 52 (menos três) estão em unidades de cuidados intensivos. Volta assim a repetir-se a tendência de decréscimo de pessoas hospitalizadas pela doença.

Nestas 24 horas também se registaram mas 387 casos activos, 243 pessoas recuperadas da doença e menos 274 contactos em vigilância.

Na distribuição geográfica dos novos casos de infecção, a região de Lisboa e Vale do Tejo continua à frente com 226 novos casos e um morto, seguida da do norte, com 160, embora com dois óbitos. A região do centro tem mais 131 casos de pessoas infectadas, a do Alentejo 13 e a do Algarve 47.

Na região autónoma dos Açores há mais 13 casos de covid-19 e na da Madeira 14, sem que em qualquer delas tenha sido registado um óbito.

123 mil cidadãos já com terceira dose

A terceira dose da vacina contra a covid-19 foi administrada a 123 mil cidadãos portugueses, no âmbito da segunda fase da campanha de vacinação contra a gripe, iniciada na segunda-feira, anunciou este domingo a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Na segunda fase da campanha de vacinação contra a gripe, que arrancou na segunda-feira, 123 mil cidadãos receberam a terceira dose ou dose adicional da vacina contra a covid-19 e 279 mil a vacina da gripe, refere uma nota de imprensa da DGS.

Esta fase integra os cidadãos com idade igual ou superior a 65 anos e que não estão abrangidos nos grupos-alvo da 1.ª fase e começou com os utentes acima de 80 anos, estando a decorrer por ordem decrescente de idades.

“O ritmo de vacinação da gripe está dependente da entrega das vacinas no território nacional e sujeita a ajustes de acordo com a disponibilidade de vacinas”, advertiu a DGS, garantindo que “a partir do início de Novembro se prevê que o número de vacinas disponíveis seja suficiente para acelerar o ritmo da vacinação”.

À semelhança do que aconteceu na primeira fase, os cidadãos são convocados através de uma mensagem escrita para a toma simultânea das duas vacinas ou apenas para a vacina contra a gripe.

Volta a ser possível o agendamento automático no Portal Covid-19, estando disponível a partir de terça-feira para cidadãos com idade igual ou superior a 80 anos

“Poderá haver casos, porém, em que sejam chamados doentes abaixo da faixa que se encontra aberta por já cumprirem todos os critérios de elegibilidade e para não atrasar o processo”, informou a DGS.

A vacinação completa contra a covid-19 abrange 85,7% da população portuguesa.

Pandemia já matou pelo menos 4,94 milhões de pessoas

A pandemia provocada pelo novo coronavírus já fez pelo menos 4.941.032 mortos em todo o mundo desde que foi notificado o primeiro caso na China, segundo o balanço diário da agência France-Presse.

Mais de 243.270.300 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus em todo o mundo, segundo o balanço, feito às 10:00 TMG (11:00 em Lisboa) de hoje com base em fontes oficiais.

Desde sexta-feira até hoje, registaram-se 14.453 mortes e 876.990 novas infecções, segundo os números coligidos e divulgados pela agência.

No sábado, morreram 86.072 infectados e foram contabilizados 394.025 novos casos de covid-19.

Os países que registaram mais mortes nesse dia foram a Rússia (1.072), os Estados Unidos (590) e a Índia (561).

Os Estados Unidos continuam a ser o país mais afectado, tanto em número de mortes como de infecções, com um total de 735.801 mortes e 45.427.539 casos, segundo os dados da universidade Johns Hopkins.

Depois dos Estados Unidos, os países mais afectados são o Brasil, com 605.457 mortes e 21.723.559 casos, a Índia, com 454.269 mortes (34.175.468), o México, com 286.259 mortes (3.781.661 casos) e a Rússia, com 230.600 mortes (8.241.643 casos).

Entre os países mais atingidos, o Peru é o que regista o maior número de mortes em relação à sua população, com 607 mortes por cada 100.000 habitantes, seguido pela Bósnia (345), Macedónia do Norte (338), Bulgária (331), Montenegro (328), Hungria (316) e República Checa (315).

Em termos de regiões do mundo, a América Latina e Caraíbas totalizam 1.514.642 mortes para 45.718.783 casos, a Europa 1.373.413 mortes (72.449.471 casos), a Ásia 862.678 mortes (55.455.754 casos), os Estados Unidos e Canadá 764.541 mortes (47.124.343 casos), África 216.752 mortes (8.465.317 casos), o Médio Oriente 206.339 mortes (13.814.060823 casos) e a Oceânia 2.667 mortes (242.573 casos).

O balanço foi feito com base em dados obtidos pela AFP junto das autoridades nacionais e informações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Diário de Notícias
24 Outubro 2021 — 14:04

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1191: Portugal com mais 883 casos confirmados e 4 mortes

– Quando nesta sociedade existe uma choldra naturalmente anormal, naturalmente acéfala, naturalmente indigente, naturalmente Walking Dead, naturalmente irracional e naturalmente irresponsável, é lógico que a PANDEMIA não sairá de cá tão cedo e os casos infecciosos estão a agravar-se de dia para dia. Basta ler as estatísticas. Siga o baile!

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Christo Anestiev / Pixabay

Portugal regista hoje mais 883 casos confirmados de covid-19 e quatro óbitos pela doença, assim como 729 pessoas recuperadas e menos internamentos em enfermaria e unidades de cuidados intensivos, de acordo com o boletim diário.

Segundo os dados divulgados pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), estão internadas 274 pessoas, menos 10 do que as registadas na sexta-feira, 55 das quais em unidades de cuidados intensivos, menos cinco do que no dia anterior.

Dois dos óbitos ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo e os outros dois na região Norte.

Os 883 novos casos confirmados aumentam o total desde o início da pandemia para 1.084.534 pessoas infectadas, sendo que nas últimas 24 horas recuperaram da doença mais 729 pessoas, aumentando o total para 1.035.450 recuperados.

Há hoje mais 150 casos activos, num total de 30.955 casos, e mais 146 contactos em vigilância, num universo de 21.077.

Todas as regiões do país, incluindo as regiões autónomas, registam novos casos nas últimas 24 horas, mas a maioria concentra-se nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo (+329), Norte (+238) e Centro (+187).

Desde o início da pandemia, 501.583 homens e 582.210 mulheres foram infectados pelo novo coronavírus, havendo neste momento 741 infectados de género desconhecido, permanecendo em investigação, uma vez que estes dados não são comunicados de forma automática, explica a DGS no boletim epidemiológico diário.

Quanto aos óbitos, desde o início da pandemia morreram 9.509 homens e 8.620 mulheres.

Já morreram em Portugal 18.129 pessoas devido à covid-19, com a maioria dos óbitos a concentrar-se na faixa etária dos 80 ou mais anos.

A covid-19 provocou pelo menos 4.926.579 mortes em todo o mundo, entre mais de 242,39 milhões de infecções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse, divulgado na sexta-feira.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e actualmente com variantes identificadas em vários países.

 ZAP // Lusa

Por Lusa
23 Outubro, 2021

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1190: DGS lança plano de acção para inverno com três cenários: do melhor ao pior

– Quando nesta sociedade existe uma choldra naturalmente anormal, naturalmente acéfala, naturalmente indigente e naturalmente irresponsável, é lógico que a PANDEMIA não sairá de cá tão cedo e os casos infecciosos estão a agravar-se de dia para dia. Basta ler as estatísticas. Siga o baile!

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19

A Direcção-Geral da Saúde lançou hoje o Plano Referencial Outono-Inverno 2021-2022, que assenta em três cenários: um de estabilidade, a situação em que estamos agora, outro de maior propagação da doença e outro ainda, de maior gravidade, se for identificada uma variante resistente às vacinas. Este cenário é o mais perigoso, pouco plausível, mas possível. O objectivo do plano final é evitar a doença grave.

Há um ano Portugal começava a entrar na segunda vaga da doença.

Há um ano precisamente que os portugueses ouviram falar do Plano Outono-Inverno como mais um meio de combate à covid-19. Este plano, designado como Referencial para o Outono-Inverno 2021-2022, define os cenários e como se deve agir e como as autoridades de saúde, os cidadãos e a própria sociedade deve agir. Um ano e sete meses depois do início da pandemia, quase dois após a identificação do SARS CoV-2, na província de Wuhan, na China, é a própria director-geral, Graça Freitas, que admite ao DN que o vírus ainda nos pode surpreender este inverno. “É um vírus muito novo, muito recente, e não sabemos o que vai acontecer”.

Por isso mesmo, explica, o plano para o outono inverno foi traçado para três cenários: “O cenário que vivemos agora, perfeitamente estável, outro em que a efectividade da vacina começa a perder-se, podendo haver aumento de casos, foi o que aconteceu com os mais idosos, e, por isso, mesmo começámos já a fazer a dose de reforço. E o terceiro, que seria o pior, aquele em que apareceria uma nova variante, com capacidade de escapar ao nosso sistema imunitário e à protecção dada pelas vacinas”, acrescentando que este “não é um cenário plausível, mas que tem de estar sempre presente, enquanto o vírus continuar a fazer o seu percurso entre nós”.

Ou seja, o vírus ainda nos pode surpreender este inverno. Aliás, já o está a fazer. Basta olhar para países como o Reino Unido, Israel e Rússia que estão a registar um aumento considerável de número de casos. No Reino Unido, por exemplo, ainda não foram tomadas medidas de restrição, porque a letalidade não tem aumentado, mas, no caso da Rússia, em que esta semana o número de casos atingiu os 40 mil por dia e o de mortes 15 mil, a sociedade começou a fechar e milhões de pessoas foram enviadas, de novo, para casa.

Graça Freitas, em declarações ao DN admite que tudo ainda pode acontecer, e que, por isso, este “plano referencial para o Outono-Inverno está preparado para fazer face a qualquer um destes cenários, quer seja o da estabilidade, de maior transmissibilidade ou de variantes mais agressivas”. O foco é sempre: “Conter a doença grave, mais do que não ter infecção. Posso dizer que, neste momento, esta é a nossa preocupação principal”.

De acordo com esta avaliação, as medidas vão sendo tomadas e adaptadas. No fundo, e como diz, não se vai inventar, mas reforçar o que já se aprendeu. Daí que a vigilância epidemiológica seja o primeiro pilar deste plano. “As medidas serão tomadas conforme forem ocorrendo os cenários e poderão ser de maior ou menor intensidade. Por isso, é muito importante a vigilância epidemiológica – que em saúde pública significa ‘vigiar para agir’ -, baseada na informação que diariamente vai sendo recolhida pelas várias entidades de saúde.

“A informação recolhida diariamente até pode não ser perfeita, mas dá-nos uma fotografia da realidade no momento, que é muito importante. É com esta informação que sabemos se devemos ou não intensificar a vigilância e as respostas que têm de ser dadas”.

Testagem em massa e confinamentos podem voltar

As medidas, como refere, “são as que todos nós já conhecemos” e que, em primeiro lugar, devem ser assumidas pelo próprio cidadão”. Para a directora-geral, a vigilância é um pilar para o combate à pandemia porque começa precisamente pela responsabilidade de cada um de nós. “A responsabilidade de cada um em se proteger continua a ser essencial, mesmo numa situação como a que vivemos agora, que é de estabilidade e em que temos mais de 85% da população vacinada”.

Esta responsabilidade continua a ser tão importante quanto se sabe que a pandemia também evolui pelos nossos comportamentos, portanto Graça Freitas diz mesmo ao DN que se esta vigilância individual e de protecção não existir, “em última análise podemos chegar a uma situação em que se pode evoluir para um retrocesso, voltar ao passado e aos confinamentos”.

Segundo sublinhou ao DN, “a vigilância é um dos pilares deste plano e tem sido sempre reforçada desde o início da pandemia quer nos aspectos que são avaliados como na criação de plataformas tecnológicas sofisticadas com cada vez maior capacidade de análise. Em função dos resultados, adaptamos a acção”. É a partir da vigilância que serão tomadas as decisões, como se haverá ou não necessidade de vacinar com doses de reforços a população, em caso de perda de efectividade das vacinas, em que a imunidade começa a decair.

Daí que o segundo pilar de actuação para este inverno seja o da vacinação. Neste momento, “já estamos a fazer isso em relação aos imuno-deprimidos e aos idosos, que é dar as doses de reforço”, mas “se a ciência nos indicar que são precisos fazer reforços em outros grupos, também o faremos”.

O terceiro pilar para actuar, se nos depararmos com uma situação de uma nova variante mais agressiva, e uma vez que ainda não há um medicamento que trate a doença grave provocada pelo SARS-CoV-2, poderá ser a adopção de medidas de maior restrição, como até voltar aos confinamentos.

Uma realidade que a directora-geral espera que não aconteça, mas que é possível. Daí que este plano mantenha as estratégias de testagem rápida em massa para evitar a propagação da transmissibilidade. Daí também que, nas unidades de saúde, os planos de contingência tenham de estar a postos, com circuitos e escalas diferenciadas para se conseguir responder à doença. “O vírus ainda está entre nós e não se sabe o que pode acontecer”, volta a sublinhar “O objectivo é sempre o de não termos doença grave, mais pessoas internadas e mais letalidade”.

Ao contrário do que vivíamos há um ano, em que o país entrava na segunda vaga da pandemia, hoje Portugal vive uma situação endémica. Ou seja, uma situação estável e controlável em termos de número de casos e de letalidade. Outros países europeus, com taxas de vacinação mais baixas, estão piores. O plano para o este outono e próximo inverno assenta nos mesmos pilares do que o que foi lançado no ano passado. Este ano, com mais conhecimento, é necessário que este seja implementado por todos: cidadãos e autoridades de saúde, locais e centrais.

Como refere a nota lançada pela DGS, o documento, que esta noite foi publicado no site da DGS, e tal como aconteceu com o do ano passado “contempla um conjunto de estratégias que serão implementadas face aos possíveis cenários para o período de outono e inverno. O objectivo é fornecer uma resposta eficiente e coordenada, reduzindo o potencial impacto deste período na saúde da população em geral e, em especial, nos grupos de risco”.

Especificando até que este plano Outono Inverno para 2021-2022, foi elaborado para “orientar a operacionalização das respostas à população quer ao nível central, regional e local, assentando em três linhas estratégicas principais: vigilância e intervenção em Saúde Pública; vacinação e gestão de casos”, embora depois tais estratégias se estendam também às respostas inter-sectorial, literacia e comunicação”. Como refere a nota da DGS, o documento “é dirigido às entidades do Ministério da Saúde e não substitui os planos específicos de reforço da capacidade de resposta e recuperação do sistema de saúde e do Serviço Nacional de Saúde”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
22 Outubro 2021 — 20:49

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1189: Incidência sobe e R(t) mantém-se em dia com 930 casos de covid-19 e 8 mortes

“O balanço diário da agência AFP refere ainda que mais de 242.393.310 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus desde o início da pandemia.” “o país já confirmou, no total, 1.083.651 diagnósticos da infecção pelo novo coronavírus e 18.125 óbitos.” O estrago que faz uma “gripezinha”…

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Dados da DGS mostram que há agora 284 internados, dos quais 60 estão em unidades de cuidados intensivos.

Profissional de saúde realiza um teste de antigénio em Tomar
© Carlos Alberto / Global Imagens

Foram registados, em 24 horas, 930 novos casos de covid-19 em Portugal, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). O relatório​​​ desta sexta-feira (22 de Outubro) indica também que morreram mais oito pessoas devido à infecção por SARS-CoV-2.

Os dados mostram que há agora 284 internados (menos quatro face ao reportado na quinta-feira), dos quais 60 (mais dois) estão em unidades de cuidados intensivos.

No que se refere aos valores da matriz de risco, o índice de transmissibilidade, R(t), mantém-se nos 1,02, tanto a nível nacional como no continente.

Já a taxa de incidência a 14 dias regista uma subida. Passa de 84,4 para 86,1 casos de covid-19 por 100 mil habitantes em todo o território nacional. No continente, a incidência passa de 84,8 para 86,5 infecções por 100 mil habitantes.

© DGS

As oito mortes reportadas no boletim de hoje ocorreram nas regiões Norte (duas), Centro (duas), Alentejo (duas), Lisboa e Vale do Tejo (uma) e Algarve (uma).

Em relação à idade das vítimas, quatro tinham mais de 80 anos e outras quatro tinham entre os 70 e os 79 anos.

Na distribuição geográfica dos novos casos de infecção, Lisboa e Vale do Tejo apresenta-se como a região com o maior número diário de infecções (377), seguida do Norte (223).

Verificaram-se mais 186 diagnósticos da doença no Centro, 53 no Alentejo, 52 no Algarve, 22 na Madeira e 17 nos Açores.

© DGS

DGS indica que há mais 678 pessoas que recuperaram da doença, elevando para 1.034.721 o número total de recuperados. Desta forma, os casos activos de covid-19 em Portugal sobem para 30.805 (mais 244 face ao dia anterior).

Com estes dados, o país já confirmou, no total, 1.083.651 diagnósticos da infecção pelo novo coronavírus e 18.125 óbitos.

Há ainda a registar mais 354 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde, num total de 20.931.

Delta já originou 32 novas variantes. Portugal com uma dezena de casos da AY.4.2

A actualização da evolução da pandemia acontece numa altura em que há uma nova variante que está a preocupar as autoridades – a AY.4.2, que deriva da Delta.

A Organização Mundial da Saúde já classificou esta variante como sendo de “interesse”. E já há países a adoptar novas restrições e outros a avaliar se avançam com elas ou não, para conter a transmissibilidade.

Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) já analisou quase dez mil sequências da variante Delta, desde que esta entrou no nosso país no início do ano. E detectou que, até este momento, já se dividiu em 32 sub-variantes.

Até agora, nenhuma tinha sido classificada de “interesse”, mas, em Setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os países para uma nova sub-variante que já se estava a desenvolver com evidência epidemiológica no Reino Unido, na Rússia e em muitos outros países, pedindo que fosse feita a monitorização do seu desenvolvimento e que se actuasse em consonância.

O investigador em biologia molecular e responsável da Unidade de Investigação e Desenvolvimento do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA, João Paulo Gomes, referiu que até agora foram registados apenas uma dezena de casos da sub-variante AY.4.2 , na sua maioria associados ao Reino Unido, o que é explicável devido ao turismo e à mobilização profissional e até de migrantes de e para aquele território.

Pandemia responsável por 4,92 milhões de mortes em todo o mundo

Ainda no que se refere à evolução da pandemia, mas a nível global, a covid-19 já matou pelo menos 4,92 milhões de pessoas em todo o mundo desde que foi notificado o primeiro caso na China, em Dezembro de 2019.

O balanço diário da agência AFP refere ainda que mais de 242.393.310 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus desde o início da pandemia.

Os EUA continuam a ser o país mais afectado, tanto em número de mortes como de infecções, com um total de 733.218 mortes e 45.301.092 casos, segundo os dados da universidade Johns Hopkins.

Diário de Notícias
DN
22 Outubro 2021 — 14:44

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

1188: Delta já originou 32 novas variantes, mas há países com pouca vacinação e vão aparecer mais

– Sem problema, cambada! Os Walking Dead’s podem continuar a caminhar pelos campos, os estádios de futebol podem estar cheios, as discotecas idem, as festas de casamentos e baptizados ibidem, espectáculos e afins, tudo na boa! Brinquem com o fogo e depois não se queixem que se queimam…

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VARIANTES

Há uma nova variante que está a preocupar as autoridades – a AY.4.2, que deriva da Delta e foi identificada em Israel. A Organização Mundial da Saúde já a classificou como tendo ” interesse”. E já há países a adoptar novas restrições e outros a avaliar se avançam com elas ou não, para conter a transmissibilidade.

Número de casos dispara no Reino Unido devido à nova variante e os testes de rastreio voltaram às ruas.
© EPA/ANDY RAIN

Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) já analisou quase dez mil sequências da variante Delta, desde que esta entrou no nosso país no início do ano. E detectou que, até este momento, já se dividiu em 32 sub-variantes.

Até agora, nenhuma tinha sido classificada de “interesse”, mas, em Setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os países para uma nova sub-variante identificada em Israel e que já se estava a desenvolver com evidência epidemiológica no Reino Unido, na Rússia e em muitos outros países, pedindo que fosse feita a monitorização do seu desenvolvimento e que se actuasse em consonância.

Trata-se da sub-variante AY.4.2, a qual já fez as autoridades britânicas, um mês depois deste alerta, recomendar, nesta semana, ao governo de Boris Johnson que estude a possibilidade de introduzir na sociedade novas restrições. O objectivo é conter a transmissibilidade, já que os casos de covid-19 voltaram a disparar nas duas últimas semanas, apesar da taxa elevada de população vacinada (ontem o Reino Unido registou 52 009 novos casos, o número mais elevado desde 17 de Julho).

Até ao momento, nenhuma entidade científica veio confirmar que esta sub-variante da Delta, que continua a ser dominante no mundo, possa ser tanto ou mais contagiosa, tanto ou mais resistente às vacinas existentes do que as suas antecessoras, a Alpha e a Delta.

“É muito, muito cedo”, referiu ontem o investigador em biologia molecular e responsável da Unidade de Investigação e Desenvolvimento do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA, João Paulo Gomes, sublinhando que vai ser necessário “esperar várias semanas para se perceber se o impacto epidemiológico que parece estar a ter no Reino Unido terá reflexos ou não em outros países”.

Contudo, o investigador do INSA reforça que anteriormente também já foram dados outros “pequeninos alertas com outras pseudo-variantes” que apareceram, mas que depois não deram em nada. Por agora, refere, “podemos estar descontraídos, mas vamos estar naturalmente atentos ao evoluir da situação”.

Desde Abril de 2020 que o INSA faz estudos de diversidade genética do novo coronavírus SARS-CoV-2. Nas últimas duas semanas os resultados apontam ainda a Delta como sendo a predominante no nosso país, com uma frequência de 100%.

No entanto, e como explica o instituto em informação disponibilizada ao DN, os estudos vão continuar a ser feitos, embora agora mais assentes em amostragens semanais, mas de amplitude nacional, porque o objectiva continua a ser o de mostrar como o novo coronavírus está a evoluir, até dentro da própria variante Delta.

Em relação a esta nova sub-variante AY.4.2, João Paulo Gomes referiu que até agora foram registados apenas uma dezena de casos, na sua maioria associados ao Reino Unido, o que é explicável devido ao turismo e à mobilização profissional e até de migrantes de e para aquele território.

Embora o aparecimento de novas sub-variantes ou de sub-linhagens seja normal no mundo dos vírus, os especialistas sublinham que, e apesar de vacinados, os cuidados de protecção individual continuam a ser necessários, porque, na verdade, e embora pareça que a pandemia está a acalmar, “ainda ninguém pode afirmar com certezas qual o caminho que vai tomar”, explicaram ao DN.

Desequilíbrio na vacinação vai originar mais variantes

O responsável da Unidade de Investigação e Desenvolvimento do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA já tinha explicado, muito recentemente, durante a última reunião que juntou políticos e peritos no Infarmed, em Setembro, para avaliar a situação epidemiológica do país, que “enquanto houver grandes desequilíbrios” no mundo no processo de vacinação – com países com baixa taxa de imunização – “é mais do que normal que apareçam novas variantes”, sustentando que “nos países com baixas taxas de vacinação há mais vírus em circulação” e menos pessoas protegidas para os combater. “É normal que isto possa levar à emergência de novas variantes”, as quais poderão chegar aos outros países, mesmo os que têm uma vacinação elevada, como Portugal.

Aliás, o desequilíbrio entre países na vacinação já está a ter repercussões mesmo na Europa e dentro dos 27 Estados membros da União Europeia. Basta olhar para o que está a acontecer no leste Europeu, com a Rússia, onde nos últimos dias o número de mortes ultrapassa o milhar e o número de novos casos atinge quase os 40 mil (36 339), a fechar de novo a sociedade e a colocar milhões de pessoas em casa.

A Ucrânia, cujo número de casos rondou, nesta semana, os 15 mil por dia e mais de 500 mortes, está a fazer o mesmo. E a República Checa, a Sérvia e Croácia também. Dentro da UE, a Letónia e a Eslováquia, onde as taxas de vacinação da população são da ordem dos 16%, também já voltaram a impor restrições, para tentar conter a transmissão da covid-19.

Neste momento, quando muitos pensavam que a situação começava a acalmar, os alarmes voltam a soar, uma nova variante pode mudar o curso da pandemia.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
22 Outubro 2021 — 00:15

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