Tratamento do cancro da tiróide: o “hoje” é encorajador?

SAÚDE PÚBLICA/CANCRO DA TIRÓIDE

No Dia da Sensibilização para o Cancro da Tiróide, a 24 de Setembro, é importante lembrar que o diagnóstico de malignidade origina um turbilhão de emoções que precisam de ser bem digeridas e compreendidas. No caso do cancro da tiróide é essencial a ajuda no esclarecimento com a transmissão de informação clara e com rigor científico pelo Endocrinologista.

Os nódulos da tiróide são muito frequentes na população portuguesa. Estima-se que 4 a 7% da população tenha um nódulo palpável, mas se o diagnóstico for por ecografia, estes números atingem os 30 a 60%. No entanto, apenas cerca de 5% a 10% dos nódulos da tiróide são um cancro. De uma forma geral, podemos afirmar que o cancro da tiróide é pouco frequente, sendo diagnosticados em Portugal cerca de 500 novos casos por ano – e é 3 a 4 vezes mais habitual no sexo feminino.

Quero destacar que, apesar de a incidência do cancro da tiróide em Portugal e no mundo estar a aumentar, provavelmente associado ao desenvolvimento tecnológico que permite o diagnóstico em fases mais precoces, a mortalidade mantém-se felizmente baixa.

Apesar dos carcinomas da tiróide não serem todos iguais, a maioria tem cura ou um excelente prognóstico e não está associado a sofrimento físico. Esta é a mensagem tranquilizadora que procuro passar ao dar o diagnóstico e no decorrer do acompanhamento do doente.

O mais frequente é o carcinoma diferenciado da tiróide, que inclui o carcinoma papilar (representa 70 a 80% de todos os cancros da tiróide) e o carcinoma folicular (representa entre 10 a 15%). O prognóstico é muito bom, com taxas de mortalidade inferiores a 1%, ou seja, a maior parte dos doentes são curados após o primeiro tratamento.

É fundamental que o tratamento seja realizado num centro especializado, com uma equipa multidisciplinar, que discuta a situação clínica em particular e defina toda a estratégia a adoptar. A cirurgia é a primeira opção terapêutica, para a grande maioria dos carcinomas, sendo que a sua extensão irá depender da extensão da doença, da idade do doente, da presença de nódulos bilaterais e das doenças associadas. A experiência do cirurgião é essencial para o sucesso do tratamento.

Nos últimos anos, perante cancros milimétricos – e em situações pontuais – já se começa a optar por fazer apenas a vigilância do nódulo, por sabermos que a probabilidade de o cancro aumentar e agravar, é muito baixa. Mas atenção: esta opção só deverá ser realizada em centros especializados.

Após a cirurgia é necessário repor a hormona tiroideia, com medicação para o resto da vida, que mantém o bem-estar do doente. Esta medicação tem dois benefícios: por um lado, substituir a hormona que a tiróide produziria; por outro, suprimir qualquer estímulo para o crescimento das suas células. Daí que este tratamento se denomine terapêutica supressiva. O grau de supressão, avaliado com a realização de análises, dependerá das características do tumor, da idade do doente e das doenças associadas.

A cirurgia é curativa em grande parte dos carcinomas diferenciados da tiróide. No entanto, em determinados casos, é necessário efectuar tratamento com iodo radioactivo. Este é um tratamento realizado há várias décadas, seguro e eficaz, que consiste em ingerir uma pequena quantidade de iodo radioactivo, para destruir o tecido tiroideu (benigno ou maligno) que não tenha sido removido com a cirurgia. Relativamente à Quimioterapia e Radioterapia, geralmente não são utilizadas, com excepção dos doentes de casos mais graves, nos quais os pacientes já não são sensíveis ao iodo radioactivo.

Apesar da eficácia do tratamento, a doença pode reaparecer em alguns casos, sobretudo nos gânglios linfáticos cervicais ou na região cervical onde se encontrava a glândula, ou, mais raramente, pode surgir noutras partes do corpo. Por esse motivo, é fundamental o acompanhamento a longo prazo por uma equipa especializada. Realço que, mesmo nestas situações de recidiva, o cancro pode ser tratado!

Já está em investigação o mecanismo que permite às células malignas perderem a capacidade de captarem o iodo radioactivo e a forma como se poderá reverter este processo. O sucesso desta descoberta vai permitir melhorar o tratamento desta pequena percentagem de casos de pior prognóstico.

Por tudo isto, sim, os dias de hoje são encorajadores. Deixo um apelo: se notar o aparecimento de um nódulo cervical procure imediatamente um médico endocrinologista, já que o diagnóstico precoce é o maior aliado no sucesso do tratamento.

Coordenadora da Unidade de Endocrinologia do Hospital CUF Descobertas – CUF oncologia

Diário de Notícias
Inês Sapinho
24 Setembro 2021 — 00:01

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1098: Estudo traz uma nova esperança ao tratamento do cancro dos ovários

SAÚDE PÚBLICA/CANCRO/TRATAMENTO

AndreaObzerova / Canva

Novo estudo traz uma nova luz para a luta contra o cancro dos ovários. Combinação de medicamentos conseguiu reduzir o tamanho do tumor.

De acordo com o estudo, entre 25 pacientes que receberam uma combinação experimental de medicamentos para o cancro do ovário seroso, quase metade obteve uma redução significativa no tamanho do tumor.

Os resultados do estudo foram apresentados na European Society for Medical Oncology Progress, realizada na semana passada.

Embora o estudo tenha sido muito restrito, os resultados são animadores porque todos os pacientes que participaram já tinham tentado outro tipo de tratamentos sem sucesso.

Segundo o IFL Science, a quimioterapia e os tratamentos hormonais para o cancro dos ovários têm baixas taxas de sucesso em comparação com outros tipos de cancro — este cancro tira cerca de 160.000 vidas por ano.

Na primeira fase do estudo, os participantes receberam uma combinação dos medicamentos VS-6766 e defactinibe.

Foi observada uma redução significativa do tumor em quase metade dos pacientes — embora as estimativas de frequência de eficácia sejam aproximadas. Em média, os pacientes passaram 23 meses sem que os tumores evoluíssem.

Em breve será possível tirar novas conclusões, já que o estudo vai avançar para a segunda fase de testes que irá envolver 100 participantes.

O objectivo é analisar detalhadamente quão comuns são os benefícios, sendo que esta fase deverá começar em Dezembro deste ano e terminar em 2025. O estudo irá comparar a combinação dos dois medicamentos com VS-6766 sozinho.

“Se as descobertas forem confirmadas em estudos maiores, irão representar um avanço significativo no tratamento do cancro do ovário seroso”, referiu a líder da equipa Susana Banerjee, em comunicado.

A especialista destaca: “Temos muita esperança de que este se possa tornar o padrão de tratamento para mulheres com cancro do ovário seroso de baixo grau”.

De recordar que os ensaios de primeira fase testam principalmente a segurança do tratamento, e não a eficácia, portanto, observar esses benefícios substanciais também acabou por ser uma surpresa agradável.

O cancro do ovário seroso de baixo grau não é a forma mais comum de cancro dos ovários, mas tende a aparecer mais cedo do que os outros tipos e é particularmente difícil de tratar.

Apenas cerca de uma em cada oito pacientes com cancro do ovário seroso de baixo grau respondem à quimioterapia.

O estudo também frisa que o uso de medicamentos é mais útil se os médicos souberem de antemão quais são pacientes que têm maior probabilidade de responder a estes.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2021

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“Na quimioterapia só 5% a 10% do fármaco chega ao local. Na nanotecnologia não há dispersão, é mais eficaz e menos tóxico”

SAÚDE PÚBLICA/CANCRO/NANOTECNOLOGIA

João Conde, professor de Genética, investigador do Centro de Estudos de Ciências Médicas (ToxOmics), da Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, defende que as farmacêuticas devem apoiar a investigação e que a nano-medicina é uma aposta de futuro.

© André Luís Alves / Global Imagens

É um dos autores do estudo “Facts and Figures on Materials Science and Nanotechnology Progress and Investment”, sobre a eficácia dos nano-produtos. Como funcionam?
No caso dos tumores, conseguimos colocar nas células cancerígenas uma série de nano-materiais que nos ajudam a que os fármacos sejam mais eficazes, ao mesmo tempo que se poupa as células normais, o que não acontece na quimioterapia. Através da nanotecnologia, podemos colocar todo o tipo de bio-moléculas para que os fármacos não sejam descartados tão facilmente pelo nosso organismo ou transportados para outras células que não estejam doentes.

Significa que essas terapias são mais eficazes para as células cancerígenas sendo menos agressivas para as células normais?
É uma das grandes vantagens. Nos tumores cerebrais, com a quimioterapia, o fármaco é injectado e só uma pequena parte chega ao local, na ordem dos 5% a 10%. Vai acumular-se em outros órgãos, nos rins, fígado, etc. Nestas aplicações não há dispersão, produz menos toxicidade, menos efeitos secundários.

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Qual é a terapia que desenvolve na empresa da qual é co-fundador, a TargTex, criada há dois anos?
Estamos a desenvolver implantes para tratar tumores cerebrais. Estes são muito difíceis de tratar porque, muitas vezes, a quimioterapia e os fármacos injectados na circulação não chegam ao cérebro. Este tem uma espécie de membrana que não deixa entrar uma série de substâncias, ainda bem porque não passam bactérias e vírus mas, por outro lado, impede a entrada dos fármacos. Estamos a desenvolver um gel que é aplicado directamente no cérebro e que difunde qualquer molécula terapêutica, permite-nos ter uma concentração mais elevada do fármaco e é direccionado. É uma medicina de precisão.

É uma espécie de autoestrada da terapêutica, vai mais depressa e directamente ao destino.

É um pouco isso. Conseguimos pôr mais concentração do fármaco num espaço pequeno e, se fosse injectado, a maior parte seria descartada pelo organismo. Fazemos isto para evitar a cirurgia para retirar o tumor e assim não provocamos danos no tecido cerebral.

Esse medicamento já é utilizado?
Descobrimos um novo fármaco que nunca tinha sido utilizado em tumores cerebrais, os glioblastomas, que são mais agressivos (12 a 15 meses de vida), mas que tem uma eficácia superior ao fármaco que é utilizado na quimioterapia que é pouco eficiente, ronda os 20% a 30 %.

Os investigadores são todos portugueses?
A empresa é portuguesa, conseguimos um financiamento da Portugal Ventures de cerca de 2 milhões de euros. Mas a base do estudo envolve investigadores de muitos outros países, EUA, Alemanha, Suíça, Espanha. Levámos cinco anos até chegar aqui. Primeiro, tivemos de descobrir um novo fármaco para tumores cerebrais e compará-lo com os usados, o que se fez através de um algoritmo de inteligência artificial para ver as bases de moléculas terapêuticas que se podem ligar a novos alvos nas células

A Moderna e a Pfizer utilizam esse tipo de partículas, quais são as vantagens em relação à AstraZeneca e à Johnson & Johnson?
Usam nano-partículas, que são muito mais inertes do que os vírus. E, como são feitas com lípidos (e colesterol), dos mesmos materiais que as células, fundem-se com as nossas membranas muito mais facilmente e de uma forma muito mais natural do que os vírus, que são mais agressivos. Além de que essas duas vacinas usam o ARN mensageiro em vez do ADN, que é um subproduto do ADN, e que leva a célula a produzir proteínas virais.

Daí se ter chegado mais facilmente a uma vacina?
Exactamente, nós já utilizávamos estes tipos de nano-partículas e a tecnologia do ARN, que estava a ser desenvolvida para tumores, por nós e outros grupos, principalmente do MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts].

Também explica terem uma eficácia mais elevada, acima dos 90%?
A AstraZeneca e a Johnson & Johnson utilizam adenovírus, como as vacinas da gripe, com uma eficácia na ordem dos 60%. O vírus tem de ultrapassar o núcleo da célula e depositar o ADN, depois o ADN é transformado em ARN e este em proteínas virais. O ARN mensageiro já não precisa de ir ao núcleo, fica dentro da célula e faz logo a transformação para a proteína viral, é muito mais rápido.

Já foi vacinado?
Já, com a Pfizer.

Se pudesse escolher, o que faria?
Escolhia a Pfizer ou a Moderna porque confio mais na tecnologia, sei que é mais eficiente. Mas aceitava qualquer uma das quatro aprovadas pela Agência Europeia de Medicamentos. Têm dados publicados.

Concorda em que se avance para a terceira dose da vacina?
Não sou da área da virologia, mas o que sabemos é que estas quatro vacinas estão a ser eficientes, as mortes e as hospitalizações reduziram drasticamente em relação às outras vagas. O que não sabemos é por quanto tempo o nosso sistema imunitário vai ter esta memória para prevenir a infecção e os casos mais graves da doença. Vamos ser infectados, o ideal é que o vírus da doença não se consiga multiplicar, mas só vamos saber com o tempo. Em alguns casos, talvez seja preciso a terceira dose, mas antes há um grande problema para resolver.

A solidariedade para com os milhões que não levaram a vacina…
Não é só um problema de solidariedade, é sobretudo de saúde pública. Mais de metade do mundo não tem acesso à vacina, esses países serão verdadeiras incubadoras deste vírus e novas variantes poderão surgir. Estávamos em confinamento e a variante inglesa chegou, a variante indiana chegou.

Porque é que demoraram a descobrir esses tratamentos?
A nanotecnologia surgiu há vários anos mas só nos últimos 15 é que se tem investido muito e mais na saúde, está presente em outras áreas.

Fala em mais de 3 mil produtos.
A nanotecnologia está envolvida em electrónica, cosmética, construção, agricultura, indústria têxtil, saúde, em várias áreas, com o predomínio na electrónica e na saúde.

Já está a ser utilizada em algum tratamento do cancro?
Ainda não está a ser usada na parte clínica. Os produtos têm de passar os ensaios clínicos e é o que tencionamos fazer nos tumores cerebrais. O problema é que o ensaio de fase 2, por exemplo, pode custar 15 milhões de euros, e é preciso o apoio de grandes farmacêuticas.

Seriam os primeiros a aplicar essa tecnologia?
Para tumores cerebrais e com este gel, sim. O grupo do professor Robert Langer, um dos colaboradores no artigo sobre o investimento em nanotecnologia, usou uma espécie de pastilhas que seriam colocadas no cérebro. Só que, como eram um modelo muito rígido, tinha pouca eficiência, na ordem dos 40%. O nosso gel adapta-se ao tecido e tem uma eficácia de 90%. É bio-degradável e, à medida que se degrada, vai libertando o fármaco.

O que é que falta para avançar?
Temos de aplicar a técnica em modelos de animais mais complexos, porcos, coelhos, para entrar na fase 1, quando se avalia a toxicidade, os efeitos secundários. Segue-se a fase 2: testar a eficiência.

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Esse gel também está a ser investigado pelo seu grupo do CEDOC?
Sim, mais para o cancro da mama e do cólon.

Quando prevê que essa terapêutica chegue aos doentes?
Os ensaios pré-clínicos e clínicos podem demorar dois a quatro anos. Com as vacinas, vimos isto acontecer em tempo real porque se investiu muito dinheiro, muitos recursos humanos e em infra-estruturas.

E quando refere o que se passa em Portugal fala à escala global?
Colaboramos com grupos de todo o mundo, é uma rede de mais de 200 pessoas, não faz muito sentido falar só em Portugal. Os melhores projectos são os que envolvem muitos grupos, investigadores com diferentes valências e experiências.

O que significa que o facto de Portugal investir menos em nanotecnologia não é um problema.
Podemos ter sempre acesso a essas investigações desde que tenhamos essa visão de colaboração. Mas não estamos muito mal, estamos a meio da tabela, tem-se investido muito nos últimos dez a 15 anos. O grande problema do investimento na ciência em Portugal é o facto de não haver um financiamento certo, dependendo muito de bolsas e projectos e que, muitas vezes, são recusados.

Quem investe mais?
Os EUA e a China lideram. Os EUA lideram na investigação e na indústria, como a Inglaterra, a Alemanha, a Suíça e a França. Ao nível de trabalhos publicados, Portugal não está mal. Há cada vez mais grupos e que trouxeram financiamento, eu próprio ganhei há dois anos 1,5 milhões de euros para um projecto com gel para tumores da mama. E tem-se investido em institutos.

A ligação à indústria é o caminho?
É cada vez mais importante. A indústria farmacêutica investe pouco nos investigadores. Nos EUA, as farmacêuticas financiam a investigação para fazer os seus produtos, 80% do dinheiro vem da indústria. Em Portugal, as grandes farmacêuticas estão cá para vender os produtos e não para investir na investigação. É pena, primeiro porque somos considerados dos melhores investigadores do mundo; segundo, temos uma mão-de-obra que não é assim tão cara.

Criou uma empresa, já é uma tendência no país?
Temos sempre de ir atrás de todo o tipo de financiamento, É essencial que os investigadores procurem a indústria farmacêutica, até para perceberem quais são as suas necessidades. Muitas vezes, só querem fazer investigação mais básica e fundamental e esquecem-se das necessidades da indústria.

Essa mentalidade está a mudar?
Está a mudar com os novos investigadores, que também estiveram fora. No MIT ouvia: “Vamos falar com os médicos para saber o que precisam para tratar os doentes.” E voltávamos ao laboratório para desenvolver produtos para eles.

Qual o impacto da pandemia no futuro da nanotecnologia?
A pandemia veio desmistificar o uso de nano-materiais nos humanos. Temos centenas de milhões de pessoas vacinadas com o uso de nano-partículas que transportam o ARN viral e isto prova que, quando foi precisa, a nano-medicina respondeu mais rapidamente do que outras áreas da saúde. Vai levar a um boom na área da nanotecnologia.

Diário de Notícias
Céu Neves
26 Agosto 2021 — 00:13

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977: Do fundo do mar, uma luz de esperança contra o cancro

SAÚDE/CANCRO/QUIMIOLUMINESCÊNCIA

Quimioluminescência é o fenómeno que leva vários organismos vivos a emitir luz. Luís Pinto da Silva, bioquímico da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, está a investigar uma forma de transformar essa energia numa arma de combate a vários tipos de cancro

Investigador Luís Pinto da Silva
© Pedro Correia / Global Imagens

Pode o segredo da cura para o cancro (ou para alguns tipos de cancro, pelo menos) ser uma luz vinda do fundo do mar? Essa é uma hipótese que está a ser explorada pelo investigador Luís Pinto da Silva e pela sua equipa na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP). Este bioquímico está a aplicar os princípios da quimioluminescência associada a animais que costumam habitar as profundezas marítimas, como as anémonas, para produzir um composto capaz de matar as células tumorais sem danificar as células saudáveis em volta. Até agora, os resultados dos testes in vitro têm-se revelado promissores.

Comecemos pelo “palavrão”: quimioluminescência. Mais não é do que “uma reacção química que gera energia em forma de luz”, explica Luís Pinto da Silva. Uma capacidade que também está presente “em vários organismos vivos” e que associamos, por exemplo, de forma mais comum aos pirilampos, capazes de brilhar no escuro. Não são os únicos, contudo. “Há uma percentagem muito alta de espécies marinhas capazes dessa luminescência, bio ou quimio. Existe em muitas anémonas, tubarões, bactérias e também em muitos peixes que habitam o chamado deep sea (mar profundo)”, refere o investigador da FCUP e do Centro de Investigação Química da Universidade do Porto (CIQUP).

Ora, refira-se que a quimioluminescência é uma ferramenta “já muito utilizada em biologia molecular, para monitorizar a expressão de genes”. Como tem “uma sensibilidade muito apurada”, é bastante utilizada em bio-imagem. Ou seja, “mediante a emissão de luz pode ver-se a ocorrência ou não de alguns processos, como expressão de genes ou anticorpos” no organismo. Tem sido, por exemplo, aplicada recentemente em alguns dos testes feitos para a detecção de anticorpos contra o SARS-Cov-2.

Aqui, no projecto de investigação liderado por Luís Pinto da Silva, as propriedades quimioluminescentes são utilizadas para a formação de um composto (fármaco) que reage à presença de marcadores tumorais (ou seja, genes ou moléculas que são identificados como sinais de existência de um tumor) libertando energia não em forma de luz, mas em forma de espécies reactivas de oxigénio que vão atacar e destruir as células com cancro. No fundo, é como uma pequena alteração no código de programação dessa molécula, chamada coelenterazina.

“O que fizemos foi basearmo-nos numa molécula que está presente, por exemplo, nas anémonas, mas também em várias outras espécies marinhas, e modificá-la. Essas moléculas são activadas por um marcador tumoral, isto é, uma espécie que está mais expressa, ou sobre-produzida, nas células tumorais. E o que fizemos foi alterar a molécula de forma a que, quando for activada e gerar essa reacção quimioluminescente, ela liberte energia mas não sob forma de luz. A energia passa a ser usada para converter o oxigénio presente nas células em espécies reactivas de oxigénio, que são capazes de destruir os tumores”, explica o DN o investigador.

“Quimioluminescência mais não é do que uma reacção química que gera energia em forma de luz. Há uma percentagem muito alta de espécies marinhas capazes dessa luminescência.”

Os organismos expostos ao oxigénio, como são os humanos, produzem espécies reactivas de oxigénio no seu metabolismo normal. Estas são normalmente poderosos agentes oxidantes com capacidade para danificar vários tipos de estrutura celular. Essas espécies reactivas de oxigénio “têm um poder oxidante elevado” e dentro da célula podem começar a reagir com bio-moléculas e oxidam-nas. “No fundo, vão alterá-las e degradá-las de modo a que o metabolismo celular fique alterado e seja destruído. Ou seja, vão destruindo os componentes da célula, fazendo com que ela deixe de funcionar”, acrescenta.

Assim, o que a equipa liderada por Luís Pinto da Silva faz é modificar a forma dessa molécula se expressar. “Esta molécula tem várias formas de expressar a energia. A sua forma natural é a emissão de luz, mas nós, digamos, obrigamo-la a mudar de faixa, para outro caminho, e converter energia de outra forma. É uma alteração estrutural que leva a que ela reaja de uma maneira diferente”, reforça o cientista, que viu o seu projecto, designado de ChemiTumorTher, receber um financiamento de 250 mil euros da Fundação Para a Ciência e Tecnologia (FCT) para os próximos três anos.

Investigador Luís Pinto da Silva
© Pedro Correia / Global Imagens

A molécula bioluminescente mais presente na vida marinha

O factor-chave neste projecto é então a coelenterazina, “a molécula bioluminescente mais prevalecente na vida marinha” e presente em muitas espécies marinhas, como as anémonas. A coelenterazina é designada como uma luciferina e reage a enzimas luciferase. Estas causam a oxidação da molécula, o que por seu turno desencadeia o fenómeno de luminescência.
A molécula foi descoberta, em meados da década de 1970, por duas equipas diferentes de investigadores: Milton J. Cormier et al. na Universidade da Geórgia (Atenas) e Osamu Shimamura e Frank Johnson na Universidade de Princeton (NJ), através do estudo de duas espécies pertencentes à família filo cnidaria: a Renilla reniformis (amor-perfeito do mar) e a Aequorea victoria (gelatina de cristal). Shimamura acabou por ganhar um Prémio Nobel da Química em 2008.

Mas as propriedades desta molécula acabaram por revelar um espectro mais amplo, que levaram à sua escolha por parte de Luís Pinto da Silva e da sua equipa. A aposta do cientista famalicense, de 33 anos, na coelenterazina presente nas anémonas deve-se aqui à capacidade desta para reagir também à presença de um marcador tumoral específico, o que permite abrir novas vias na procura de uma terapia eficaz no combate a diferentes tipos de cancro.

“O que fizemos foi basear-nos numa molécula que está presente, por exemplo, nas anémonas e que é activada por marcadores tumorais.”

O interesse do investigador na quimioluminescência já é antigo, pelo menos desde o doutoramento, que dedicou a “tentar perceber como é que esses organismos emitem luz”. O bioquímico focou-se, na altura, no pirilampo e em perceber todos os mecanismos químicos que explicam a sua luminescência. Era uma “investigação mais fundamental, a estudar o funcionamento destes sistemas”, mas foi esse trabalho que lhe deu “as bases para perceber como poder manipular alguns mecanismos”, um estudo essencial para agora tentar colocar a coelenterazina no epicentro de uma terapia revolucionária contra o cancro. “Quando acabei o doutoramento, em 2016, a ideia foi aproveitar esse conhecimento de muitos anos e tentar aplicá-lo. Foi aí que surgiu esta ideia para o aplicar no tratamento do cancro”, recorda.

“Além de poderem manifestar luminescência em reacção a uma enzima que as catalisa, essas moléculas das anémonas conseguem emitir luminescência por outra via, quando entram em contacto com uma espécie oxidante que se chama anião super-óxido, o qual é um marcador tumoral”, diz o investigador.

Ou seja, “a coelenterazina tem a vantagem de não precisar de uma enzima nem de outro auxiliar qualquer para ser activada. Só precisa do marcador tumoral, o tal anião super-óxido. Como este anião está geralmente sobre-expresso em células tumorais, o que nós então formulámos foi: se esta molécula já tem potencial para ser activada selectivamente em tumores, na presença do anião super-óxido, vamos tentar modificá-la para que em vez de gerar luz, essa reacção química possa traduzir-se na produção de oxigénio singuleto, uma espécie reactiva de oxigénio mais forte do que o anião super-óxido e que vai destruir o tumor”, descreve o bioquímico, apontando outra importante vantagem da coelenterazina. “Estas moléculas parecem ter potencial para tratar vários tumores sem afectar tecidos saudáveis, o que é algo bastante importante para reduzir potenciais efeitos secundários no tratamento, que são sempre uma das principais preocupações”, sublinha Luís Pinto da Silva.

Vantagens sobre a terapia foto-dinâmica

A destruição de células tumorais por espécies reativas de oxigénio não é, em si, a novidade neste projecto. Já há um tratamento específico que faz isso, a terapia foto-dinâmica (PTD, na sigla inglesa), “que é basicamente um composto inactivo ao qual é adicionado luz para activar esse fármaco no paciente, num local específico”. “Esse fármaco, ao absorver a luz, produz essas espécies reactivas que vão destruir os tumores”, explica o cientista da FCUP.

De facto, desde a década de 1960 que vários estudos detalharam os processos de geração e consumo de oxigénio singuleto em organismos vivos, levando a uma aplicação cada vez mais crescente desta molécula em terapias de tratamento de cancro, como acontece na terapia foto-dinâmica. Mas a terapia foto-dinâmica tem limitações, pois tradicionalmente só é possível tratar pequenos tumores localizados e muito próximos da superfície da pele, já que a luz usada na PTD só pode penetrar até um centímetro de pele. Logo, não é utilizável em casos de cancros mais avançados e metastizados, lembra o cientista.

“Conseguimos alterar a molécula de forma que, quando for activada e gerar essa reacção quimioluminescente, ela liberte energia, mas não sob forma de luz.”

Com o composto que está a ser testado pela equipa de Luís Pinto da Silva, a terapia poderá ficar acessível a um maior número de pacientes e ser aplicada a diferentes tipos de cancro, já que a coelenterazina não vai precisar de luz para ser activada, mas apenas do tal anião super-óxido que não só assinala a presença de uma célula tumoral como vai desencadear a reacção química necessária para levar a molécula a produzir o oxigénio singuleto. “Dessa forma, será possível superar as limitações da terapia foto-dinâmica”, expõe o investigador.

Os investigadores modificaram a coelenterazina, natural e não tóxica, e produzem-na actualmente em laboratório. O objectivo é a produção de um composto que possa actuar localmente nas células afectadas. Em ensaios laboratoriais realizados na Faculdade de Farmácia e na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, o potencial fármaco tem revelado boa eficácia em diferentes células tumorais: do neuroblastoma aos cancros da mama, próstata e cólon. Numa primeira fase, num outro projecto também financiado pela FCT, os investigadores desenvolveram oito moléculas candidatas a partir da alteração da coelenterazina.

Depois de terem concluído com sucesso os primeiros passos – design e síntese das moléculas e avaliação in vitro -, seguem-se novos desafios. “Já demonstrámos a prova de conceito, neste momento estamos na fase de optimização da sua actividade tumoral, de testar em linhas celulares quais serão os melhores compostos perante os diferentes tipos de cancro, e depois passaremos para ensaios em animais”, projecta o cientista, apontando “provavelmente para o próximo ano” o avanço do projecto para testes em ratinhos (o modelo animal). “Neste momento estamos na fase de optimização dos compostos e selecção dos mais promissores através de ensaios em linhas celulares, para depois podermos passar então para os ensaios animais e comprovar os resultados com testes em ratinhos com vários tipos de cancro.”

Investigador Luís Pinto da Silva
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Um fármaco, uma patente e uma start-up

A ideia, reforça Luís Pinto da Silva, “é que a molécula seja internalizada dentro das células tumorais e dentro da célula ela reaja perante a presença em excesso do anião super-óxido”. Para já, ainda é cedo para determinar se a administração ao paciente poderá ser por via oral ou via intravenosa. “Ainda estamos em fase precoce. Geralmente um fármaco demora uns 10 anos a passar todas as fases e são precisos uns milhões de euros para os ensaios clínicos (em humanos).” A ambição depende de parcerias e “avultados investimentos”. Mas no horizonte está também a criação de uma start-up para o desenvolvimento de ensaios clínicos.

Além do financiamento da FCT, o projecto de Luís Pinto da Silva, que se designa Chemi-Tumor, contou já com o apoio dos programas HiTech One e HiTech Two, da HiSeedTech, uma associação que faz a interligação entre projectos de investigação e as necessidades do mercado e das empresas privadas, e tem também um pedido de patente em análise.

“A energia passa a ser usada para converter o oxigénio presente nas células em espécies reactivas de oxigénio, que são capazes de destruir os tumores.”

Este bioquímico de Famalicão, que adquiriu o gosto pela investigação durante a licenciatura na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, quando começou a querer perceber os mecanismos da quimioluminescência, está também envolvido em outras linhas de investigação noutras áreas, algumas em colaboração com a indústria de compósitos de madeira, por exemplo, onde faz parte de uma equipa cujos estudos permitiram a concepção de materiais mais sustentáveis e produtores de energia verde, contribuindo para maior eficiência energética.

Além da quimioluminescência, as suas áreas de interesse na investigação estendem-se a outros domínios, como o desenvolvimento de nano-materiais sustentáveis, o estudo do papel de aerossóis nas alterações climáticas ou a composição química e actividade antioxidante de fungos – como, por exemplo, os cogumelos silvestres comestíveis Armillaria mellea e Macrolepiota procera (presentes em Marrocos e Portugal), ou os Lactarius sanguifluus, cogumelos que fazem parte do diversificado património micológico da floresta Koudiat Taifour (um local de interesse biológico e ecológico na região norte de Marrocos) e cujo valor nutricional faz deles antioxidantes naturais e agentes anti-microbianos úteis na preservação de alimentos e da saúde humana.

Mas este projecto de aplicação da quimioluminescência em terapias contra o cancro é especialmente impactante pelo grande potencial de translação para a prática clínica, “abrindo portas a uma terapia que poderá ficar acessível a um grande número de pacientes com cancro.” Neste caso, a luz que se acende chama-se esperança.

rui.frias@dn.pt

Este texto faz parte de uma série de reportagens sobre ciência que o DN publica em Agosto.

Diário de Notícias
Rui Frias
08 Agosto 2021 — 00:03

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918: Retirados do mercado gelados e queijos de barrar com goma de alfarroba contaminada

SAÚDE/ALIMENTAÇÃO/CONTAMINAÇÃO

A directora de Serviços de Nutrição e Alimentação da DGAV explicou que os lotes de goma de alfarroba contaminada com um pesticida cancerígeno estão todos identificados

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As autoridades portuguesas já identificaram e retiraram do mercado nacional gelados e queijos para barrar produzidos com lotes de goma de alfarroba contaminada com um pesticida cancerígeno, revelou fonte da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Em declarações à Lusa, a directora de Serviços de Nutrição e Alimentação da DGAV, Ana Paula Bico, explicou que os lotes de goma de alfarroba contaminada estão todos identificados, que os operadores estão “a colaborar activamente” e que as autoridades competentes estão a verificar o cumprimento das medidas de retirada e recolha impostas.

“Alguns [dos produtos] nem sequer foram produzidos em Portugal. Estão distribuídos pelo Norte e pelo Sul, os lotes estão todos identificados, já foram retirados. A rastreabilidade está a funcionar” afirmou Ana Paula Bico, sublinhando: “nem toda a goma de alfarroba está contaminada”.

A responsável acrescentou que a goma de alfarroba é um aditivo autorizado em muitos alimentos como estabilizante ou espessante e aconselhou os consumidores a verificarem a lista de ingredientes dos produtos, onde os aditivos estão classificados pela sua função tecnológica (estabilizante ou espessante) e são indicados ou por escrito (goma de alfarroba) ou com o número (E410), e a contactar os locais de compra.

“As grandes cadeias de distribuição, nas campanhas de fidelização dos clientes, sabem exactamente o que o cliente comprou e não nos é estranho receber uma mensagem no telemóvel a dizer ‘comprou uma lasanha que tinha um alergénio não identificado, caso tenha algum problema venha ter connosco'”, acrescentou a responsável, frisando que “pelo menos há dois anos” que a grande distribuição faz esses contactos com os seus clientes.

Ana Paula Bico disse ainda que a DGAV está “a todo o momento a receber informações de toda a Europa sobre lotes que estão a ser identificados para serem retirados”, um processo que deverá ainda levar mais dois ou três dias.

Goma de alfarroba contaminada com pesticida cancerígeno. Produtos devem ser retiradosALERTA
Goma de alfarroba contaminada com pesticida cancerígeno. Produtos devem ser retirados

 

A DGAV tinha alertado hoje, em comunicado, para a possibilidade de existência no mercado nacional de alguns géneros alimentícios, como gelados, com goma de alfarroba contaminada com um pesticida cancerígeno que representa um grave risco para a saúde.

Nessa nota, explicava que tinham sido identificados, em Junho, e notificados através do sistema de Rapid Alert System for Food and Feed (RASFF), alguns géneros alimentícios produzidos com goma de alfarroba (aditivo alimentar E 410) contaminada com óxido de etileno.

Segundo a DGAV, o óxido de etileno é um pesticida não autorizado que “constitui um risco grave para a saúde humana”, uma vez que “está classificado como mutagénico da categoria 1B, cancerígeno da categoria 1B e tóxico para a reprodução da categoria 1B”.

Tendo em consideração os seus efeitos para a saúde, os estados-membros concluíram que, para os produtos que contêm o aditivo E 410 contaminado com o óxido de etileno, “não é possível definir um nível seguro de exposição para os consumidores”, o que significa que a exposição a qualquer teor representa um potencial risco, acrescentava.

Diário de Notícias
DN/Lusa
22 Julho 2021 — 14:19

Eu gostava de saber é se esta goma de alfarroba, que faz parte de gelados TEMPTATION, vendidos no Minipreço, pertencem à mesma classe cancerígena mencionada no artigo acima. É que a CARRAGENINA (E-407), DEVE SER EVITADA.[/aviso]

O que é a Carragenina (E-407) ?

A Carragenina ou Carragena é feita a partir de extractos de algas vermelhas. É usada como:

  •  estabilizante (especialmente em produtos com leite por reagir com as proteínas)
  • espessante e gelificante, produzindo uma amplas variedade de texturas de gel à temperatura ambiente, podendo ser encontrado em produtos com água ou em margarinas para dar efeito de viscosidade;
  • agente de suspensão e de retenção de água;
  • emulsificante (mantém líquidos unidos);
  • clarificante (em bebidas);
  • ou substituto vegetariano ou vegan de gelatinas de origem animal.

Porque evitar a Carragenina?

“Existem dois tipos de carragenina, a degradada (com baixo peso molecular) e a não degradada (com alto peso molecular). A versão não degradada é aprovada para uso em produtos alimentares, enquanto a degradada é um conhecido agente cancerígeno. O problema é que a carragena alimentar (não degradada) também traz uma série de problemas ao organismo, como mostram diversos estudos científicos. Ela pode ser degradada durante o processamento do alimento ou já vir contaminada pelas pequenas moléculas da carragena degradada.” Dra. Tamara Mazaracki in http://benvenutri.blogspot.pt/2016/06/carragena.html

A carragenina alimentar não é digerível, nem tem valor nutricional. As células intestinais absorvem-na facilmente, mas como não a conseguem metabolizar, esta vai-se aí acumulando, podendo levar à destruição da célula e ulceração.

Historial de Contras da Carragenina:

  • Co-factor na produção de lesões cancerosas.
  • Tem um efeito inflamatório no organismo, principalmente na mucosa intestinal, onde produz ulcerações que se assemelham à colite ulcerativa. Está associada a problemas gastro-intestinais, resistência insulínica, diabetes, lesões e até úlceras.
  • Potencia o desenvolvimento de inflamação crónica, a qual é a causa inicial de muitas moléstias graves, incluindo doenças cardíacas, Alzheimer, Parkinson e cancro.

Existem diversos estudos de laboratório que comprovaram que o uso de carragenina em animais acarretou cancro, micro perdas de sangue na urina, dificuldades de crescimento, intolerância à glicose e resistência à insulina.

Então se acontece nos animais, que têm órgãos como nós, será conveniente evitar o consumo de carragenina, uma vez que não é nutritiva e apenas serve para a indústria alimentícia conseguir produtos com maior durabilidade nas prateleiras dos supermercados de uma forma mais económica.

Todavia há alegações de que a Carragenina é inofensiva (ver aqui). Porém, dada a extensa informação contrária, mantenho as minhas reservas e prefiro não a consumir, escolhendo produtos cuja composição seja o mais natural e simples possível.

(Esta substância é muito comum nas natas/creme de leite, por tal convém ler sempre os ingredientes).

In: https://arquetipicocozinhainusitada.wordpress.com/2017/09/14/o-que-e-carragenina-porque-evita-la/

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910: Parkinson, Cancro e Diabetes Tipo 2 têm uma causa em comum

SAÚDE/CANCRO/DIABETES/PARKINSON

Torsten Wittmann / Universidade da California
As mitocôndrias geram energia nas células

O papel da proteína Parkin no processo da mitofagia pode ser a chave no tratamento do Parkinson, cancro e diabetes tipo 2.

Há um elemento em comum que causa cancro, Parkinson e diabetes tipo 2: uma enzima. Quando as células estão sob stress, aciona-se uma proteína chamada Parkin que protege a mitocôndria, a parte da célula que gera energia.

Um estudo publicado este ano na Science Advances descobriu uma ligação entre o sensor do stress das células e a Parkin que está também associada à diabetes tipo 2 e ao cancro, o que pode abrir um caminho para tratar estas doenças.

O papel da Parkin é facilitar o processo da mitofagia, ou seja, desobstruir as mitocôndrias que tenham sido danificadas pelo stress celular para que novas as possam substituir. Quando se sofre de Parkinson, a proteína não é capaz de concluir a mitofagia.

Apesar de já se saber há algum tempo que a Parkin detecta o stress das mitocôndrias, ninguém sabia exactamente como este processo começava. A Parkin dirigia-se para as mitocôndrias depois dos danos, mas não se sabia qual era o sinal que a proteína recebia depois de chegar lá.

“As nossas descobertas representam de longe o passo mais inicial na resposta da Parkin que alguém já conseguiu encontrar até agora. Todos os outros eventos bioquímicos acontecem numa hora, nós encontramos algo que acontece em cinco minutos“, explica Reuben Shaw, professor e director do Centro de Cancro do Instituto de Salk e autor do estudo, à Sci Tech Daily.

“Descodificar este passo importante na forma como as células descartam mitocôndrias danificadas tem implicações em várias doenças”, acrescenta o investigador.

O laboratório de Reuben Shaw, conhecido pelos trabalhos sobre metabolismo e cancro, descobriu há 10 anos uma enzima, AMPK, que é altamente sensível a vários tipos de stress celular e que controla a autofagia ao activar uma outra enzima chamada ULK1.

Depois dessa descoberta, Shaw juntou-se à estudante Portia Lombardo para procurar proteínas relacionadas com a autofagia e directamente activadas pela ULK1 e ficaram surpreendidos quando a Parkin surgiu no topo da lista. Os processos bioquímicos envolvem normalmente muitos participantes, no entanto, a mitofagia é iniciada apenas com três, a AMPK, a ULK1 e a Parkin.

O novo estudo começa agora a explicar este primeiro passo importante na activação da proteína, que começa com um sinal da AMPK até à ULK1 e que depois ordena a Parkin para ir verificar a mitocôndria depois dos primeiros danos e removê-la completamente.

A AMPK é activada por uma proteína LKB1 que está associada a vários tipos de cancro e também por um medicamento para a diabetes tipo 2 chamado metformina. Doentes diabéticos que tomam metformina também têm menos risco de desenvolver cancro e este medicamento está também a ser estudado como uma opção para tratar o envelhecimento neuro-degenerativo.

“A grande conclusão para mim é que o metabolismo e as mudanças na saúde das mitocôndrias são fundamentais no cancro, na diabetes e nas doenças neuro-degenerativas. Isto porque os mecanismos gerais que sustentam a saúde das nossas células estão muito mais integrados do que alguém poderia ter imaginado“, conclui Reuben Shaw.

AP, ZAP //

Por ZAP
23 Julho, 2021

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