997: Anticorpos em imuno-deprimidos crescem mais 43% após terceira dose

– Ou seja… a velhada (eu tenho 75 feitos) com mais de 65 anos, está completamente lixada! 🙂

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/ANTICORPOS

Um estudo realizado em Israel envolveu 240 pacientes que receberam a terceira dose da vacina contra a covid-19.

© RODRIGO ANTUNES/LUSA

As pessoas imuno-deprimidas menores de 65 anos que receberam a terceira dose da vacina Pfizer em Israel desenvolveram 43% mais anticorpos que depois da segunda injecção, revela um estudo do Centro Médico Sourasky de Telavive.

O estudo, divulgado este sábado em media israelitas, envolveu 240 pacientes imuno-deprimidos que receberam a terceira dose da vacina contra a covid-19 desde que o governo aprovou a medida no mês passado.

Segundo os investigadores, apenas 25% dos pacientes transplantados tiveram uma resposta de anticorpos à vacina após a primeira e a segunda doses, mas depois da terceira a resposta rondou os 50%, refere a agência noticiosa espanhola EFE.

Na semana passada, o Centro Médico Rabin-Beilinson Campus em Petah Tikva publicou um relatório semelhante, indicando que com a terceira vacina duplicava o número de transplantados que desenvolviam anticorpos contra o coronavírus.

O governo israelita aprovou na sexta-feira a vacinação dos maiores de 50 anos, operação que começa no Domingo e que já conta com mais de 50.000 pessoas inscritas.

Depois de ter começado a dar a terceira dose da vacina aos imuno-deprimidos em meados de Julho, Israel aprovou a administração de uma terceira dose a maiores de 60 anos no final do mesmo mês, injecção que já foi recebida por mais de 775.000 pessoas.

Israel é um dos países pioneiros na administração de uma terceira dose da vacina contra a covid-19, depois de uma rápida campanha de vacinação no início do ano que, meses depois, conseguiu reduzir quase a zero as infecções e permitiu a suspensão de praticamente todas as restrições

Existem, no entanto, 1,1 milhões de israelitas que recusam ser vacinados, o que aliado ao aparecimento da contagiosa variante Delta do vírus terá provocado a quarta vaga de infecções no país, que continuam a aumentar, com os novos casos diários a rondarem os 6.000 na última semana.

Diário de Notícias
DN/Lusa
14 Agosto 2021 — 14:16

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

577: Cientistas descobrem anticorpo que bloqueia o vírus da dengue

 

SAÚDE/DENGUE

Sanofi Pasteur / Flickr
Infecção viral com dengue: quando um mosquito morde uma pessoa à procura da sua refeição diária de sangue, liberta saliva que contém o vírus da dengue que entra então na corrente sanguínea do atingido.

Uma equipa de investigadores descobriu um anticorpo que bloqueia a propagação do vírus da dengue dentro do corpo. Pode ainda permitir novos tratamentos para outros flavivírus, como o Zika e o Nilo Ocidental.

A infecção é provocada por um flavivírus e transmite-se através da picada dos mosquitos Aedes Aegypti, infectados com o vírus, não ocorrendo transmissão de pessoa para pessoa.

Não existe um tratamento específico nem uma vacina para esta doença. Entre 50 e 100 milhões de pessoas são infectadas por ano, com os sintomas a variarem entre febre, vómitos e dores musculares. Nos piores casos, pode mesmo levar à morte.

Como há quatro estirpes do vírus, a construção de anticorpos contra uma das estirpes pode deixar as pessoas mais vulneráveis à infecção por outra estirpe.

O anticorpo descoberto pela equipa de investigadores, chamado 2B7, bloqueia fisicamente a proteína NS1 – usada pelo vírus da dengue para se agarrar às células protectoras à volta dos órgãos -, impedindo-a de se ligar às células e retardando a propagação do vírus.

Além disso, como ataca directamente a proteína, é eficaz contra todas as quatro estirpes do vírus, realçam os autores num comunicado citado pela EurekAlert.

O anticorpo mostrou ser eficaz em ratos, evitando a propagação da dengue. Os resultados do estudo foram publicados este mês na revista Science. O artigo sugere que esse mesmo anticorpo pode oferecer novos tratamentos para outros flavivírus, como por exemplo o Zika e o Nilo Ocidental.

Por Daniel Costa
19 Janeiro, 2021

 

 

[ratingwidget_toprated type=”posts” created_in=”all_time” direction=”ltr” max_items=”5″ min_votes=”1″ order=”DESC” order_by=”avgrate”]

 

570: COVID-19: Encontradas evidências de memória imunológica de longo prazo graças às células B

 

SAÚDE/COVID-19

Uma equipa de investigadores procurou preencher as lacunas na compreensão da memória imunológica após uma infecção por SARS-CoV-2. A sua acção levou-os a mergulhar profundamente na resposta com factor imune dos pacientes. Para tal, os cientistas mediram vários componentes do sistema imunológico, incluindo anticorpos circulantes, células B de memória e células T específicas para o novo coronavírus, em pacientes com vários níveis de doença, até oito meses após a infecção.

A boa notícia é que foram encontradas evidências de memória imunológica de longo prazo graças às células B.

Há imunidade para COVID-19 além dos anticorpos

A equipa colaborativa do La Jolla Institute for Immunology (LJI) e do departamento de microbiologia da Icahn School of Medicine em Mount Sinai estudou as respostas das células imunológicas e de anticorpos em mais de 180 homens e mulheres que se recuperaram da COVID-19.

Conforme foi relatado, a memória imunológica destes pacientes ao vírus – em todos os tipos de células imunológicas estudados – era mensurável até oito meses após o aparecimento dos sintomas.

Segundo os autores, os resultados indicam “que a imunidade durável contra a doença secundária COVID-19 é uma possibilidade na maioria dos indivíduos”.

Os nossos dados mostram que a memória imunológica em pelo menos três compartimentos imunológicos foi mensurável em ~ 95% dos indivíduos cinco a oito meses após o início dos sintomas.

Escreveram os autores do estudo.

Como o número de casos diários de COVID-19 em todo o mundo continua a aumentar, se uma infecção inicial com SARS-CoV-2 leva a imunidade protectora de longa duração contra COVID-19 permanece uma questão.

O estudo da natureza da resposta humoral ao vírus, que inclui uma resposta de anticorpos, e da resposta imunitária celular, que inclui células B e células T, ao longo de períodos de seis meses após o início dos sintomas poderia ajudar a informar a duração da imunidade protectora.

Para tal, Jennifer Dan, investigadora na LJI, e os seus colegas recrutaram mais de 180 homens e mulheres dos Estados Unidos que recuperaram da doença. A maioria tinha tido sintomas ligeiros que não exigiam hospitalização, embora 7% tivessem sido hospitalizados.

A memória das células

A maioria dos sujeitos forneceu uma amostra de sangue num único momento, entre seis dias e oito meses após a ocorrência dos sintomas, embora 43 amostras tenham sido fornecidas aos seis meses ou mais após o início dos sintomas.

Em 254 amostras totais de 188 casos COVID-19, a equipa localizou anticorpos, células B, e dois tipos de células T. O anticorpo (IgG) para a proteína Spike foi relativamente estável durante mais de 6 meses e exibiu apenas declínios modestos com seis a oito meses após o início dos sintomas.

As células B de memória específica da proteína Spike eram mais abundantes aos seis meses do que a um mês após o início dos sintomas. As células T, entretanto, apresentavam apenas uma ligeira decadência no corpo. Mais especificamente, as células T CD4+ específicas da SARS-CoV-2 e as células T CD8+ declinaram com uma meia-vida de 3 a 5 meses.

Embora os autores advirtam que “as conclusões directas sobre a imunidade protectora não podem ser feitas com base [nas suas conclusões] porque os mecanismos de imunidade protectora contra a SARS-CoV-2 ou COVID-19 não estão definidos nos humanos”, também dizem que várias “interpretações razoáveis” podem ser feitas a partir do seu estudo.

Estas incluem o apoio a compartimentos de memória imunitária em repouso, contribuindo potencialmente “de formas significativas para a imunidade protectora contra pneumonia ou COVID-19 secundária severa”, escreveram os investigadores.

O trabalho é publicado no portal Science no jornal “Immunological memory to SARS-CoV-2 assessed for up to eight months after infection“.

Pplware
Autor: Vítor M.
08 Jan 2021

 

 

[ratingwidget_toprated type=”posts” created_in=”all_time” direction=”ltr” max_items=”5″ min_votes=”1″ order=”DESC” order_by=”avgrate”]

 

481: Cientistas descobrem anticorpo poderoso que combate o vírus

SAÚDE/COVID-19/ANTICORPOS

Designado CV30, este anticorpo em forma de Y é 530 vezes mais potente no combate à covid-19 do que os até agora identificados. Cientistas já conseguiram mapear a sua estrutura molecular.

© Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

Cientistas do Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle, nos EUA, descobriram que um potente anticorpo, encontrado no sangue de um recuperado de covid-19, interfere numa característica importante na superfície dos espinhos do novo coronavírus induzindo partes críticas desses espinhos a quebrarem-se e impedindo a infecção.

O anticorpo – uma minúscula proteína em forma de Y que é uma das principais armas do corpo contra patógenos, incluindo vírus – foi isolado pela equipa do Fred Hutch a partir de uma amostra de sangue recebida de um doente do estado de Washington que ficou infectado logo nos primeiros dias da pandemia.

A equipa liderada por Leo Stamatatos, Andrew McGuire e Marie Pancera, reportou que, entre dezenas de diferentes anticorpos gerados naturalmente pelo doente, este – apelidado de CV30 – era 530 vezes mais potente do que qualquer um dos seus concorrentes.

Com recurso a ferramentas utilizadas na área da física de alta energia, os investigadores já conseguiram mapear a estrutura molecular do CV30. Os resultados da investigação foram publicados na terça-feira na revista Nature Communications.

Proteína encontrada usa dois mecanismos para neutralizar o vírus

Os resultados da investigação estão num conjunto de imagens 3D geradas por computador que mostram as formas precisas das proteínas que compreendem as estruturas superficiais críticas dos anticorpos, o pico do coronavírus e o local de ligação do pico nas células humanas. Os modelos mostram como essas estruturas podem encaixar-se como peças de um quebra-cabeça 3D.

“O nosso estudo mostra que esse anticorpo neutraliza o vírus através de dois mecanismos: sobrepõe-se ao alvo do vírus nas células humanas, e induz a libertação ou dissociação de parte do pico [do coronavírus]”, explicou uma das cientistas, Marie Pancera.

O trabalho da equipa do Fred Hutch com o CV30 baseia-se na de outros biólogos estruturais que estão a estudar uma família crescente de anticorpos neutralizantes potentes contra o novo coronavírus.

O objectivo da maioria das potenciais vacinas contra a covid-19 é estimular e treinar o sistema imunológico para produzir anticorpos neutralizantes semelhantes, que podem reconhecer o vírus como um invasor e interromper a infecção antes que esta se instale no organismo.

Diário de Notícias
DN
29 Outubro 2020 — 08:37

 

[ratingwidget_toprated type=”posts” created_in=”all_time” direction=”ltr” max_items=”5″ min_votes=”1″ order=”DESC” order_by=”avgrate”]

 

418: Alterações genéticas e boicote de anticorpos explicam casos graves de covid

 

CIÊNCIA/SAÚDE/COVID-19

Dois estudos publicados na revista Science apontam explicações para os casos graves em pessoas jovens. Há anticorpos que travam a defesa do organismo em 10% dos doentes e existem alterações genéticas em certas pessoas, que ficam mais vulneráveis ao vírus.

© Daniel Mihailescu/AFP

A existência de outros problemas de saúde anteriores tem sido apresentada como justificação para a maioria dos casos graves de covid-19. Mas a realidade mostra que situações muito complicadas ocorreram em jovens sem patologias prévias, com alguns deles a terem que recorrer a cuidados intensivos sem que houvesse uma explicação da comunidade científica e médica.

Agora, um consórcio internacional de investigadores (COVID Human Genetic Effort) aponta dados muito específicos para perceber estes casos graves – podem ser causados por anticorpos que algumas pessoas apresentam e que são capazes de bloquear a defesa do organismo contra o SARS-CoV-2.

Tudo indica que tal acontece com 10% das pessoas com pneumonia grave causada pela covid-19, segundo é revelado num novo artigo científico que acaba de ser publicado na revista Science.

De acordo com os especialistas, trata-se de uma espécie de boicote criado por certas imunoglobulinas com a missão de imobilizar uma molécula – interferon tipo 1 – cuja função é fundamental na defesa do nosso organismo contra a SARS-CoV-2.

Depois de estudar as amostras de sangue de quase 3.000 pessoas de diferentes países (987 hospitalizados por pneumonia grave devido a covid-19, 663 assintomáticos e 1127 saudáveis), os autores do trabalho – liderado pelo Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM) de França e pela Universidade Rockefeller – observaram que isso acontecia justamente com 10,2% dos pacientes hospitalizados, pelo que deduzem que esses anticorpos sejam os responsáveis por abortar a funcionalidade do sistema imunológico.

A revista Science publica também esta quinta-feira um estudo muito revelador do mesmo grupo internacional de investigadores. Conclui que “3,5% da população com sintomas graves, e sem motivos que os explicassem, apresenta mutações genéticas específicas que levam à incapacidade de gerar defesas”, explicou o investigador Pere Soler-Palacín ao jornal El Mundo.

Tanto os anticorpos de boicote como as alterações genéticas associadas podem justificar a existência de doentes que desenvolvem a infecção de forma grave sem outros motivos clínicos. Ambas as explicações têm em comum um defeito na actividade da mesma molécula, o que demonstra “a importância do papel dos interferons na luta contra a SARS-CoV-2”.

Outra conclusão tirada dos estudos publicados na última edição da Science é que entre 101 doentes com anticorpos que agem contra interferons 95 eram homens. “Este viés de género sugere a presença de algum factor genético que de alguma forma favorece o surgimento do fenómeno auto-imune mais nos homens do que nas mulheres” e também se observa que quase metade dos doentes com esses anticorpos tinha mais de 65 anos, disse Pere Soler-Palacín. É justamente a população que mais sofre com esta pandemia.

Diário de Notícias
DN
24 Setembro 2020 — 21:46

 

[ratingwidget_toprated type=”posts” created_in=”all_time” direction=”ltr” max_items=”5″ min_votes=”1″ order=”DESC” order_by=”avgrate”]

 

364: Número significativo da população com imunidade natural ao vírus?

Investigador de Oxford diz que células T podem ser as responsáveis por bloquear os vírus em pessoas assintomáticas, reforçando a teoria de que a imunidade de grupo pode já ser nesta altura maior do que se pensa

© NICOLAS ASFOURI /AFP

Um largo número de pessoas pode ter imunidade natural contra o novo coronavírus, mesmo que nunca tenha sido infectado, acreditam os cientistas que estão a desenvolver uma vacina.

Sir John Bell, professor de Medicina na Universidade de Oxford, Inglaterra, que lidera a equipa que está a trabalhar na vacina para a covid-19, diz que é provável que exista um “nível de protecção” imunitária para um “número significativo de pessoas”, avança o The Telegraph.

Estudos recentes sugerem que o sistema imunológico pode estar preparado por outros coronavírus, como a gripe comum – o que permite ao corpo humano ganhar alguma vantagem na luta contra a covid-19.

Segundo o jornal, há estudos que mostram que uma parte separada do sistema imunológico, as células T, responde a cadeias de aminoácidos produzidas por diferentes tipos de coronavírus e pode ser responsável por interromper o vírus em pessoas que nunca apresentam sintomas.

As células T morrem em pessoas mais velhas e essa pode ser a razão pela qual os idosos têm maior probabilidade de desenvolver a doença de uma forma mais grave.

“O que parece claro é que há uma reacção cruzada de células T activadas por coronavírus padrão endémicos. E estão presentes num número significativo de pessoas”, disse o professor.

A vacina que está a ser desenvolvida pela Universidade de Oxford visa não só estimular os anticorpos, mas também aumentar a resposta das células T. Se, como a investigação sugere, um largo número da população já estiver protegida, a imunidade de grupo será mais fácil de alcançar.

Sarah Gilbert, que integra o grupo de cientistas que está a desenvolver a vacina, é peremptória: “É possível que estejamos a subestimar a imunidade natural ou já adquirida ao vírus e temos de estar atentos.”

“Há evidências de que pessoas infectadas com covid-19 não desenvolveram anticorpos, mas desenvolveram uma resposta de células T, e isso provavelmente irá protegê-las contra outra infecção”, acrescentou.

Estudo sueco

A teoria defendida pelos investigadores de Oxford reforça a ideia da possibilidade de haver uma imunidade de grupo maior do que a demonstrada até aqui e vai de encontro a um estudo revelado pelo Hospital Universitário Karolinska, na Suécia.

Nos resultados do estudo sueco, “uma em cada três pessoas que testaram positivo para anticorpos, também tinham células T que identificam e destroem células infectadas”. Cerca de 30% dos suecos pode assim ter desenvolvido imunidade ao coronavírus, segundo a equipa responsável pelo estudo.

Os pacientes foram testados para saber se tinham anticorpos e células T, um tipo de glóbulos brancos especializado no reconhecimento de células infectadas por vírus e que são uma parte essencial do sistema imunológico.

Em Itália, o professor Alberto Mantovani, director científico do Instituto Humanitas, sublinha outro aspecto importante que ainda precisa ser esclarecido. ” Não temos certeza de que os anticorpos sejam protectores ou garantam imunidade, apesar do que foi dito, nem de que a terapia plasmática [transfusão de plasma de doentes recuperados] também funcione “.

O especialista explica que um vírus geralmente não é eliminado por anticorpos , mas precisamente pelas células T , que reconhecem diferentes partes do vírus relativamente aos anticorpos. “Algumas dessas células matam e interrompem o vírus, e é razoável pensar que são críticas para a defesa contra o coronavírus.”

actualizado às 08.56

Diário de Notícias
DN
03 Julho 2020 — 06:55