1002: “Eu Sou a Lenda” usado em teorias da conspiração contra a vacinação. Argumentista já reagiu

– Ao que chega a alienação dos talibãs anti-vacina, anti-pandemia, anti-tudo que seja NEGAR a existência do bicho e continuarem as suas vidinhas “sociais”, sem se preocuparem com os danos colaterais que possam causar na comunidade! Até “agarram” um filme de ficção científica para exteriorizar teorias de conspiração! Porra, pá!

CINEMA/SAÚDE PÚBLICA/CORONAVÍRUS/VACINAÇÃO

fotogiraffee / Flickr
Will Smith e Alice Braga prontos para gravar uma cena do filme I Am Legend

O filme I Am Legend (“Eu Sou a Lenda”), de 2017, está a ser tema de conversa na Internet, mas não pelas melhores razões. Os anti-vacinas que indicam a obra como uma razão para evitar a vacinação contra a covid-19.

Em I Am Legend, Will Smith interpreta a personagem de Robert Neville, um cientista que é imune a um vírus criado pelo Homem. A versão geneticamente modificada do vírus causa uma pandemia que mata 90% dos infectados, transformando 9% em zombies.

Inspirado num livro de 1954 de Richard Matheson, a história não tem lugar em 2021, como indicam as teorias da conspiração, mas em 2012 (na versão original, na década de 1970).

Na Internet, há utilizadores a afirmar que o filme é um bom motivo para não tomar a vacina contra a covid-19. Segundo a Forbes, os anti-vacinas alegam que, na obra, a vacina deu início a um Apocalipse zombie que exterminou grande parte da humanidade.

Além de ser uma teoria da conspiração, a afirmação é mentira, uma vez que foi um vírus do sarampo geneticamente modificado, e não uma vacina, a desencadear todos os problemas da trama.

Além disso, I Am Legend é um filme de acção – o que significa que não aconteceu – e não um documentário, pelo que não pode ser encarado como uma aula de Ciências.

E se dúvidas existirem, saiba que não há evidências científicas que sugiram que a vacinação contra a covid-19 irá transformá-lo num zombie. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) já listou os possíveis efeitos secundários das vacinas e transformar-se num zombie não é um deles, embora possa ter alguns calafrios e dores de cabeça.

A teoria da conspiração foi conhecida após ter sido publicado um artigo, no The New York Times, que conta o difícil processo que uma empresa de Nova Iorque, a Metro Optics Eyewear, está a passar para conseguir que todos os seus funcionários sejam completamente vacinados.

Há quem justifique a sua hesitação com as teorias sobre microships e com a ausência de autorização formal da agência reguladora do medicamento dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA). Mas a teoria mais bizarra partiu de uma funcionária, que “disse que estava preocupada porque achava que uma vacina tinha feito com que as personagens do filme I Am Legend se transformassem em zombies”.

A polémica levou o argumentista Akiva Goldsman a pronunciar-se sobre o assunto. No Twitter, frisou que o filme se trata de ficção científica.

Meu Deus. É um filme. Eu inventei-o. Não é real“, escreveu.

Na mesma rede social, Vera Bergengruen, correspondente em Washington da revista Time, investigou o assunto nas redes sociais e chegou à conclusão que há meses que o filme tem um importante papel em teorias da conspiração contra a vacinação em fóruns pró-Trump e QAnon.

Por Liliana Malainho
16 Agosto, 2021

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