1113: Incidência continua a descer e R(t) sobe. Portugal na zona verde da matriz de risco. 230 infectados e uma morte

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Há mais cinco pessoas internadas com covid-19. São, no total, 420, indica o boletim diário da DGS. Registaram-se mais 230 novos casos e uma morte associada à infecção por SARS-CoV-2.

Campanha de vacinação em Viana do Castelo
© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Foram confirmados, nas últimas 24 horas, 230 novos casos de covid-19 em Portugal, de acordo com o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Há ainda o registo de mais uma morte (na região Norte) associada à infecção por SARS-CoV-2, indica o relatório desta segunda-feira (27 de Setembro).

No que se refere à situação nos hospitais, há agora 420 doentes internados (mais cinco face ao reportado no domingo), 79 dos quais estão em unidades de cuidados intensivos (menos quatro).

Em dia de actualização dos valores da matriz de risco, verifica-se que a taxa de incidência a 14 dias continua a descer. Passou de 127,3 para 111,6 casos por 100 mil habitantes em todo o território nacional. Já no continente, a incidência está agora em 113,5 infecções por 100 mil habitantes (antes era de 129,7).

Em sentido inverso, o índice de transmissibilidade, R(t), passa de 0,83 para 0,85, a nível nacional, e de 0,82 para 0,84, no continente.

Com a actualização destes dois indicadores, Portugal passa a estar na zona verde da matriz de risco.

© DGS

Boletim da DGS indica que foram registados mais 479 casos de pessoas que recuperaram da doença – são, no total, 1.017.935. Desta forma, o número de casos activos de covid-19 recua para 31.285 (menos 250).

Na distribuição geográfica de novas infecções, a área de Lisboa e Vale do Tejo reportou 78 casos e a região Norte 54.

Confirmaram-se mais 38 casos no Alentejo, 35 no Algarve, 17 no Centro, cinco nos Açores e três na Madeira.

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Dados actualizados sobre a evolução da pandemia numa altura em que o país tem mais de 83% da população totalmente vacinada. Até às 19:00 de domingo, cerca de 8,27 milhões de pessoas em Portugal continental tinham a vacinação completa contra a covid-19, segundo disse à Lusa fonte oficial da task force que coordena o processo de vacinação.

Estes números significam que 83,89% da população de Portugal continental tem o esquema vacinal completo, sendo que cerca de 8,53 milhões de pessoas já receberam pelo menos uma dose da vacina contra a covid-19.

Desde o início do processo de vacinação, em Dezembro de 2020, foram administradas cerca de 15,21 milhões de inoculações em território continental.

Vacinação contra a gripe começa mais cedo devido à pandemia

E devido à pandemia de covid-19, a vacinação contra a gripe começou esta segunda-feira, mais cedo do que é habitual, havendo 2,24 milhões de vacinas para serem distribuídas gratuitamente a grupos de risco pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A primeira fase da vacinação gratuita, que arranca hoje, destinada a residentes, utentes e profissionais de estabelecimentos de respostas sociais, doentes e profissionais da rede de cuidados continuados integrados e profissionais do SNS e também as grávidas, segundo a DGS.

“Em 2021, em contexto de pandemia covid-19, mantêm-se medidas excepcionais e específicas no âmbito da vacinação gratuita contra a gripe, nomeadamente o início mais precoce, a vacinação faseada e a gratuitidade para os profissionais que trabalham em contextos com maior risco de ocorrência de surtos e/ou de maior susceptibilidade e vulnerabilidade”, referiu a DGS em comunicado.

Mais de 231.740.830 casos de infecção em todo o mundo

Ainda no que se refere à evolução da pandemia, mas a nível global, a covid-19 matou pelo menos 4.744.890 pessoas no mundo desde o final de Dezembro de 2019, segundo um balanço feito esta segunda-feira pela AFP a partir de fontes oficiais.

Mais de 231.740.830 casos de infecção foram oficialmente diagnosticados desde então, quando o gabinete da Organização Mundial da Saúde (OMS) na China declarou a doença.

A grande maioria dos doentes recuperou, mas uma parte ainda mal avaliada conserva sintomas durante semanas, por vezes meses.

No domingo, registaram-se no mundo 4.602 mortes e 32.362 novos casos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, que provoca a doença da covid-19.

Diário de Notícias
DN
27 Setembro 2021 — 14:27

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1110: Em 2018, cientistas de Wuhan terão planeado infectar morcegos com coronavírus

SAÚDE PÚBLICA/CHINA/CORONAVÍRUS/PANDEMIA

Arend Kuester / Flickr

Em 2018, um grupo de cientistas da cidade chinesa de Wuhan, onde foi registado o primeiro caso de covid-19, estaria a planear infectar, com coronavírus modificados, morcegos que vivem em cavernas.

Os cientistas terão pedido 14 milhões de dólares para realizar um projecto cerca de 18 meses antes do anúncio oficial do surto da covid-19, noticia o jornal The Telegraph, que cita vários documentos.

De acordo com o jornal, os cientistas de Wuhan estariam a planear implementar os coronavírus modificados transmitidos pelo ar em habitats de morcegos na China, para que estes criassem imunidade e fosse possível protegê-los de doenças que podem ser transmitidas aos humanos.

Os investigadores queriam, indicam os documentos, introduzir através da pele dos animais “nano partículas que contêm novas proteínas S quiméricas” de coronavírus em cavernas da província chinesa de Yunnan. Além disso, os cientistas queriam criar vírus quiméricos geneticamente modificados para infectar mais facilmente os humanos.

Embora os especialistas quisessem realizar eventos educativos para informar a população do seu trabalho, foi-lhes recusado o financiamento solicitado com o argumento de que a experiência “poderia pôr em perigo os residentes locais”, refere o site.

Anteriormente, a China negou várias vezes a teoria do surgimento da covid-19 no laboratório de Wuhan.

Em Março, a Organização Mundial da Saúde publicou a versão completa do relatório elaborado pela equipa internacional, que refere que a versão de vazamento do vírus do laboratório chinês é “pouco provável”.

A OMS sugere que o vírus SARS-CoV-2 que o vírus provavelmente foi transmitido de morcegos para humanos através de outro animal.

ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2021

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1109: Mais duas mortes e 599 casos de covid-19 nas últimas 24 horas

Estatística desta semana até hoje, Domingo:

– 0.599 infectados – 26.09.2021 – 2 mortes
– 0.713 infectados – 25.09.2021 – 5 mortes
– 0.757 infectados – 24.09.2021 – 9 mortes
– 0.885 infectados – 23.09.2021 – 5 mortes
– 0.891 infectados – 22.09.2021 – 8 mortes
– 0.780 infectados – 21.09.2021 – 11 mortes
– 0.306 infectados – 20.09.2021 – 7 mortes

Total da semana – 4.931 infectados e 47 mortes

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Estão internadas 415 doentes com covid-19, dos quais 83 em unidades de cuidados intensivos, indica o boletim diário da DGS.

A partir de 1 de Outubro entra em vigor a terceira fase do plano de desconfinamento
© Diana Quintela / Global Imagens

Portugal confirmou, nas últimas 24 horas, 599 novos casos de covid-19, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Relatório deste domingo (26 de Setembro) refere também que morreram mais duas pessoas devido à infecção por SARS-CoV-2. Os dois óbitos ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo e na região Centro.

Nos hospitais portugueses estão agora 415 doentes internados (mais sete face ao dia anterior), dos quais 83 estão em unidades de cuidados intensivos.

Registam-se mais 543 casos de pessoas que recuperaram da doença, elevando para 1.017.456 o número total de recuperados, sendo que Portugal tem agora 31.535 casos activos da infecção (mais 54).

Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a região com mais novos casos (219), com o Norte a surgir logo a seguir (208).

Verificam-se mais 79 infecções por SARS-CoV-2 no Centro, 61 no Algarve, cinco no Alentejo, 18 na Madeira e nove nos Açores.

© DGS

Dados actualizados da pandemia em Portugal numa altura em que o país deverá atingir na próxima semana os 85% da população com a vacinação completa, de acordo com as estimativas da task force.

Entretanto, a estrutura que coordena o processo de inoculação, criou um núcleo que vai ajudar a assegurar a transição da vacinação contra a covid-19 para a vacinação contra a gripe, informou este fim de semana o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo.

“Na minha ‘task force’, já preparámos um núcleo de transição que ajudará a fazer esse processo de transição para o internalizar no Ministério da Saúde, como deve ser, e passar a operações correntes e a não ser uma operação extraordinária como o foi até agora”, disse o coordenador da task force.

Henrique Gouveia e Melo recordou que a infra-estrutura usada contra a covid-19 vai manter-se disponível, “com pequenas adaptações”, para vacinar a gripe e também para vacinar quem necessitar de uma terceira dose contra a covid-19.

Pandemia responsável por mais de 4,7 milhões de mortes no mundo

Ainda no que se refere à evolução da pandemia, a infecção por SARS-CoV-2 fez pelo menos 4.740.525 mortes no mundo desde que o gabinete da OMS na China declarou a doença, no final de Dezembro de 2019, segundo um balanço feito este domingo pela AFP a partir de fontes oficiais.

Mais de 231.483.340 casos de infecção foram oficialmente diagnosticados desde o início da pandemia.

Os Estados Unidos são o país mais afectado, tanto em número de mortes como de casos, com 687.751 mortes para 42.940.458 casos registados, segundo a contagem da universidade Johns Hopkins.

Diário de Notícias
DN
26 Setembro 2021 — 16:23

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1108: As crianças têm dez vezes mais micro-plásticos nas fezes do que os adultos

SAÚDE PÚBLICA/CRIANÇAS/MICRO-PLÁSTICOS

Flickr

Uma equipa de cientistas da Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, usou espectrometria de massa para medir os níveis de micro-plásticos compostos de policarbonato (PC) e de polietileno tereftalato (PET) presentes nas fezes crianças e adultos.

Os cientistas, escreve o Wired, identificaram pelo menos um tipo de micro-plástico em todas as amostras. Porém, as concentrações de micro-plásticos de PET eram dez vezes superiores nas fezes de crianças do que nas de adultos. Em relação à quantidade de resíduos de PC, nenhuma diferença significativa foi notada entre os dois grupos.

Os investigadores acreditam que estes resultados se devam ao facto das crianças serem expostas a maiores quantidades de micro-plásticos pois colocam nas suas bocas biberões, brinquedos e chupetas. “Sabe-se que crianças de um ano de idade costumam mastigar produtos e roupas de plástico”, escreveram os especialistas no estudo, que foi publicado no jornal ACS Publiations.

O novo estudo cita ainda pesquisas anteriores que indicam que as fórmulas infantis feitas  para alimentar os bebés em tenra idade podem libertar milhões de micro-plásticos. “Muitos alimentos processados ​​são embalados em recipientes de plástico, que constituem outra fonte de exposição a crianças”, referem os cientistas.

Ainda não se sabe ao certo qual é o impacto dos micro-plásticos na saúde humana, embora várias pesquisas apontem que as menores partes desses resíduos podem atravessar as membranas celulares e entrar na circulação sanguínea.

ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2021

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1104: Mais 713 novos casos e cinco mortes nas últimas 24 horas

– Estatísticas desta semana até hoje, Sábado:

– 0.713 infectados – 25.09.2021 – 5 mortes
– 0.757 infectados – 24.09.2021 – 9 mortes
– 0.885 infectados – 23.09.2021 – 5 mortes
– 0.891 infectados – 22.09.2021 – 8 mortes
– 0.780 infectados – 21.09.2021 – 11 mortes
– 0.306 infectados – 20.09.2021 – 7 mortes

Total da semana: 4.332 infectados e 45 mortes

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

O boletim diário da Direcção-Geral da Saúde dá conta que neste sábado estão também internados 408 doentes, dos quais 83 estão em unidades de cuidados intensivos.

No dia 1 de Outubro, Portugal vai aliviar mais restrições. É a abertura total da sociedade.
© Gonçalo Delgado Global Imagens

Portugal registou neste sábado, 25 de Setembro, mais 713 novos casos de infecção por SARS CoV-2 e mais cinco óbitos. Há ainda a registar menos dois internamentos do que ontem, 408, mas mais sete doentes nos cuidados intensivos, havendo agora 83.

O país mantém-se assim pelo quarto dia consecutivo abaixo dos mil casos de infecção. A tendência continua a ser decrescente com a incidência a diminuir também. Neste sábado, o boletim da DGS indica 127,3 por 100 mil habitantes a nível nacional e 129,7 por 100 mil habitantes no continente. O R(t) – índice de transmissibilidade, está em 0,83 a nível nacional e 0,82 no continente.

Dos cinco óbitos registados, dois ocorreram na região Norte, dois na região Centro e  na região de Lisboa e Vale do Tejo. Alentejo, Algarve e as ilhas, Madeira e Açores não registaram mortes nas últimas 24 horas. Portugal soma agora um total de 17 952 mortes, desde o início da pandemia, Março de 2020, e 1 066 346 casos de infecção de covid-19.

Neste sábado, há ainda menos 278 casos activos, sendo agora o total de 31 481, e menos contactos em vigilância, 317, num total de 28 604.

A região de Lisboa e Vale do Tejo foi a que registou mais casos, 266, seguida da região Norte, 204, e da do Centro, 85 casos. As regiões do Algarve e do Alentejo tiveram 70 e 63 novos casos, respectivamente. A Madeira teve 14 e os Açores 11.

Neste dia foram dados como livres da doença mais 986 doentes, havendo um total de 1 016 913 de recuperados desde o início da pandemia.

EMA deverá autorizar terceira dose

Números divulgados num dia em que o DN anuncia, segundo fontes ligadas à vacinação, que a Agência Europeia do Medicamento (EMA. na sigla inglesa) deverá autorizar já na próxima o reforço vacinal, com a terceira dose, para maiores de 65 anos, estando Portugal à espera desta luz verde para avançar com o plano de vacinação para esta fase, o qual já está traçado, segundo o primeiro-ministro, estimando-se que fique concluído até ao Natal.

“À luz da evidência científica tudo aponta que a decisão da EMA vá nesse sentido”, sublinharam as mesmas fontes. Portanto, esta é a interpretação que deverá ser aceite pelos peritos do Comité de Medicamentos de Uso Humano (CHMP na sigla inglesa) da EMA, mas também dos peritos da Comissão Técnica de Vacinação da DGS.

Segundo explicaram ao DN, “a evidência científica disponibilizada até agora vai no sentido de que o esquema vacinal é eficaz, mas começa a ficar claro que esta protecção, apesar de ser significativa, não é tão elevada ao fim de uns meses, como logo após a vacinação nas faixas etárias acima dos 65 anos. Neste sentido, tendo em conta os resultados de dois grandes estudos científicos e a experiência de alguns países, que iniciaram a terceira dose, tudo indica que a administração desta tem risco reduzido e um impacto positivo nestas pessoas.”

Recorde-se que Portugal já conseguiu atingir 83% de população vacinada, estando a seis pontos percentuais do total de população que pode ser inoculada (89%) -11% são menores de 12 anos. Mas Portugal é também dos países que, desde o início de Setembro, pode vacinar com a terceira dose todas as pessoas maiores de 16 anos com imunossupressão.

A recomendação foi feita pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) a 1 de Setembro, após parecer da CTV, e de o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) ter considerado que esta deveria ser recomendada “para pessoas com sistema imunológico gravemente enfraquecido, como parte da sua vacinação primária”.

Reforço com Pfizer a quem tomou Coronavac aumenta anticorpos

Mas neste sábado foi também anunciado um novo estudo que revela: uma dose da vacina Pfizer-BioNTech após duas da chinesa Coronavac multiplica por 20 o nível de anticorpos contra a covid-19. O estudo foi feito no Uruguai, onde 24% da população teve acesso a este esquema vacinal.

Segundo noticia a Agência Lusa, desde o início de Março que os investigadores do Instituto Pasteur de Montevideu e da Universidade da República (Udelar) estão a trabalhar num projecto de investigação para estudar a evolução dos níveis de anticorpos contra a SARS CoV-2 em função das vacinas e doses administradas.

O estudo, que envolve mais de 200 voluntários, deve durar dois anos e prevê que sejam feitos regularmente testes serológicos.

Um subgrupo de 57 pessoas que receberam duas doses de Coronavac e depois uma dose de Pfizer-BioNTech fizeram quatro análises ao sangue: uma antes da vacinação, outra 18 dias depois, outra 80 dias após a segunda dose de Coronavac, e uma última 18 dias após a terceira dose de Pfizer-BioNTech.

Após a primeira análise ao sangue, nenhum dos participantes tinha anticorpos específicos contra o vírus. Após a segunda, 100% dos voluntários tinham anticorpos, mas a níveis variáveis.

Depois da terceira análise houve uma diminuição geral dos anticorpos em comparação com o teste anterior.

Finalmente, após o quarto exame, todos os participantes mostraram um aumento dos níveis de anticorpos em média 20 vezes superior aos resultados do teste de sangue anterior.

Sergio Bianchi, investigador do Instituto Pasteur, sublinhou numa conferência de imprensa que se trata de “resultados preliminares” e que os estudos continuarão para avaliar durante quanto tempo os anticorpos persistem.

O ministro da Saúde uruguaio, Daniel Salinas, congratulou-se com os resultados do estudo, sublinhando a importância de avaliar a mistura de vacinas com ferramentas científicas.

No Uruguai, com 3,5 milhões de pessoas, 72% da população está vacinada de acordo com o protocolo completo de Coronavac, Pfizer ou Astrazeneca, e 24% já recebeu uma terceira dose de reforço.

Diário de Notícias
25 Setembro 2021 — 14:50

1102: Vacinação de crianças? Só se for comprovada a eficácia

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VACINAÇÃO/CRIANÇAS

As crianças maiores de cinco anos devem ser vacinadas contra a covid-19, desde que a segurança e a eficácia da vacina estejam comprovadas cientificamente nestas idades, defende o médico especialista em saúde pública e ex-director-geral da Saúde, Francisco George.

Francisco George elogia do trabalho da sua sucessora e diz que, em tempos de pandemia, teve um pensamento egoísta: “Ainda bem que não estou lá”.
© Filipa Bernardo Global Imagens

A vacinação das crianças está a ser a discutida e analisada, tendo a Pfizer já anunciado que a sua vacina contra a covid-19 é eficaz em crianças dos 5 aos 11 anos e que vai requerer autorização nos Estados Unidos para este grupo em breve. Em entrevista à Lusa, o ex-director-geral da Saúde Francisco George não vê entraves na vacinação deste grupo etário, desde que as vacinas “tenham uma base de comprovação científica, da sua segurança e do resultado positivo”.

“Se as coortes [N.W.-Grupo de pessoas, usado em estudos ou em investigação, que possuem características em comum, como a idade, a classe social, a condição médica, etc..] estudadas por epidemiologistas perceberem que as crianças são fontes de transmissão do vírus, da infecção, e que precisam de ser protegidas, e se tivermos a certeza da segurança da vacina, não vejo porque não”, diz em entrevista à agência Lusa na sede da Cruz Vermelha Portuguesa, instituição a que preside, no Palácio da Rocha do Conde D’Óbidos, em Lisboa.

Em Portugal, as crianças são vacinadas desde a nascença até à entrada no ensino secundário, observa o médico que durante 12 anos foi director-geral da Saúde, cargo que deixou em 20 de Outubro de 2017, na véspera de completar 70 anos, pondo fim a uma carreira de 44 anos ao serviço da Função Pública.

Então, questiona: “Se há reforço para as outras vacinas, e se há vacinação de crianças com menos de 5 anos para outras doenças, porque é que não há de haver também para estas?”.

Quanto à terceira dose da vacina, defende que a sua necessidade é ditada pelo nível de anticorpos produzidos pelas vacinas anteriores e que a decisão terá de ser tomada com base científica.

“Não são as opiniões, sobretudo de comentadores, que devem ser ouvidas em termos dos comentários que formulam, que são livres, que são justos, que são legítimos, mas não tem base científica”, declara.

Portanto, sustenta, “não há aqui nenhuma opinião a não ser aquela que é baseada na demonstração de que o número de doses anteriores [da vacina] tenha protegido o cidadão, a sua família, a comunidade, através da medição em laboratório dos anticorpos que circulam no soro”.

Entre 1980 e 1991, Francisco George esteve na Organização Mundial da Saúde e em 1990 desempenhou as funções de epidemiologista do Programa Mundial de Luta Contra a Sida como coordenador para a África Austral.

Desde então lidou com outras crises epidémicas, como a SARS – Síndrome Respiratória Aguda Severa, em 2003, a infecção respiratória do Médio Oriente, dez anos depois, e agora com o coronavírus SARS-CoV-2, uma “doença nova” que surgiu na China no final de 2019.

Francisco George fala com entusiasmo da actual pandemia pelas medidas tomadas para a combater, mas sobretudo da vacina: “É extraordinária. Ao contrário de outras, é uma vacina inteligente” e “é absolutamente seguro ser vacinado”.

“É espantoso como a evolução científica, com base nos conhecimentos recentes da biologia molecular, foi agora adaptada ao fabrico com sucesso destas vacinas”, em que é inoculada uma proteína mensageira do vírus, em vez do vírus morto ou atenuado, diz com eloquência.

Considera também “absolutamente único” a desinfecção com um álcool-gel que “não é abrasivo e protege as mãos”.

“Nunca mais vamos deixar de ter a higiene das mãos em conta”, diz, destacando os benefícios desta medida, a par com o uso da máscara, na diminuição da frequência de “muitas outras doenças” como a gripe.

À pergunta se a população deve usar máscara na rua no outono/inverno, responde rapidamente que “só traz benefícios”.

E se esta medida deve voltar a ser obrigatória nos períodos de maior actividade gripal, a resposta vem em jeito de pergunta: “Mas porque não? qual é o problema?”.

“É socialmente aceite se for caso disso, não vejo nenhuma preocupação”, refere, e pode ser até usada de forma espontânea pela população.

Voltando à vacina contra a covid-19 e se esta devia ser obrigatória, Francisco George afirma que não, mas reitera o apelo deixado na sua última intervenção enquanto director-geral de Saúde, para que se altere a Constituição de 1976, que apenas prevê o internamento compulsivo de portadores de anomalia psíquica.

“Eu não estou a defender a obrigatoriedade da vacina, estou a defender que, por exemplo, um doente que tenha ébola não possa sair do hospital e entrar no metropolitano. Isso é que eu defendo”, justifica.

O objectivo é que “não haja diferença entre anomalia psíquica e doença contagiosa” e, para isso, “a Constituição pode e deve ser mudada para ir ao encontro dos interesses da saúde pública, defende, frisando que este “é um tema urgente que não pode ser ignorado”.

“É necessário criar princípios inteligentes, mais flexíveis, que não tornem difícil a prevenção e o controle dos problemas em saúde pública”, evitando-se assim estar a decretar-se “sucessivamente estados de emergência” como aconteceu com a covid-19.

Doença pode vir ser erradicada

Na entrevista à Agência Lusa, o médico e antigo director-geral da Saúde considera ainda ser cedo para se perceber o que se vai passar com o novo coronavírus mas admite: “Há ferramentas e meios que a ciência hoje disponibiliza que podem vir a controlar e eliminar o vírus”.

“É possível que isso venha a acontecer. Ninguém pode dizer que nunca nos libertaremos deste vírus. Mas também ninguém pode dizer que nos vamos libertar o vírus dentro de pouco tempo”, afirma.

A luta contra o Sars-Cov-2, que provoca a doença covid-19, é um assunto que está, diz, em análise permanente, a nível mundial.

E acrescenta: “Nós, aqui em Portugal, também deveríamos ter mais pensamento sobre estas questões, e equipas que devem seguir estes problemas, para antever na medida do possível aquilo que possa acontecer”.

Porque, garante, é preciso antecipar a reemergência ou a emergência de novos problemas.

Na entrevista, Francisco George não se cansa de enfatizar a importância do estudo, da análise científica, do trabalho de prevenção. Porque a natureza de um vírus como o actual assim o exige.

Cauteloso, o especialista não quer avançar se no inverno vai haver, como no ano passado, um aumento exponencial de casos de covid-19. E lembra, sem ser crítico, mas compreendendo, declarações de Graça Freitas, actual directora-geral da Saúde, no início da pandemia, a minimizar a importância do novo coronavirus.

“Aquilo que se diz hoje pode perder actualidade, é verdade naquele dia, mas pode não ser verdade uma semana depois. Este vírus apresenta uma capacidade de mutação que nós já conhecemos pela formação das variantes que estão a circular. Isso é verdade, mas ainda é cedo para antever o final da pandemia. Nós ainda não podermos dizer acabou”, diz.

As variantes, explica, resultam de um conjunto de mutações do vírus durante a fase de replicação nas células, e estão relacionadas com a magnitude da propagação epidémica, pelo que é mais passível de acontecerem em países grandes, como a China ou a Índia,

Um conjunto de pequenas alterações formam uma variante e essa variante adquire características que podem ser melhores ou piores do que a estirpe inicial, diz, para explicar o quanto é difícil ter certezas nesta matéria. Mas certo é que a história recente da medicina mostrou que os vírus podem ser eliminados e controlados. Aconteceu, lembra, com a varíola, considerada erradicada, deve acontecer com a poliomielite. E há as vacinas, sobre as quais Francisco George fala diversas vezes. E entretanto surgirão os medicamentos, admite.

Segundo Francisco George, os Estados, sobretudo no ocidente, não fazem investigação científica no sentido de produção de vacinas, o que compete às empresas farmacêuticas. O que agora aconteceu, refere, foi que se percebeu que, tendo o vírus sido sequenciado, era mais rápido procurar uma vacina do que um antiviral. “E foi isso que aconteceu em todos os centros da indústria farmacêutica, de diferentes continentes, que produziram uma vacina quase simultâneo, se bem que com características distintas”, diz.

E acrescenta: “No que respeita aos medicamentos a linha de trabalho foi estudar os antivirais que tinham sido ensaiados na epidemia de ébola de 2014”.

Nessa linha de investigação foram seleccionados alguns medicamentos que agora estão em fase avançada de estudo e que podem “estar acessíveis em breve”.

E conclui Francisco George: é natural que venhamos a ter em breve mais medicamentos.

Comunicação não foi a melhor

O ex-director-geral da Saúde refere ainda nesta entrevista que a comunicação sobre a covid-19 terá de ser analisada no futuro, mas deixa uma certeza: “A comunicação não foi a melhor”. E não o foi “quer por parte de autoridades do Governo quer por outros”, diz.

“Eu mesmo tive dificuldade em compreender a versatilidade das medidas semanais em função deste ou daquele indicador, se eram quatro pessoas à mesa se eram seis, se era dentro se era fora, se como máscaras sem máscara”, diz.

No auge da pandemia de covid-19 diz Francisco George que se criou confusão porque foram sendo anunciadas e comunicadas questões sucessivamente, anulando outras anteriores.

“Penso que não terá sido a melhor” comunicação, reafirma, considerando no entanto que, mesmo assim, sobretudo os comerciantes e a restauração terão percebido, de maneira geral, essas medidas. “Nem tudo foi mau, mas a esse nível poderíamos ter feito mais e melhor”, diz Francisco George.

O ex-director-geral afirma que também não queria ser ele a estar nesse papel. Francisco George esteve no cargo entre 2005 e 2017, sendo substituído pela actual responsável, Graça Freitas. O novo coronavirus surgiu dois anos após ter deixado o lugar.

Na entrevista o antigo responsável pela pasta (Graça Freitas era directora adjunta) não critica, antes elogia, o trabalho nesta matéria da sua sucessora e da ministra da Saúde, Marta Temido.

Francisco George ri-se quando confrontado com a pergunta se em algum momento pensou que era bom estar ele ainda no lugar e na “linha da frente” da luta contra a pandemia: “O meu pensamento foi sempre mais egoísta, foi no sentido de ´ainda bem que não estou lá´”.

“Sou muito amigo e reconheço grande competência à ministra da Saúde, reconheço competência muito elevada à minha sucessora, com quem eu sempre trabalhei. Tenho imensa confiança na Direcção-Geral da Saúde, nos governantes, sobretudo neste caso concreto o Ministério da Saúde. Estou absolutamente tranquilo. E penso que o meu egoísmo é compreensível, ninguém com bom senso gostaria de estar no inferno que vivemos”, declarou.

Diário de Notícias
Lusa
25 Setembro 2021 — 09:41

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