1782: Detectados casos de infecção por vírus Monkeypox em Portugal

– Porra, pá! Já não basta o vírus putineiro, temos agora de levar com o vírus macaco?

SAÚDE PÚBLICA/VÍRUS MONKEYPOX

DGS apela aos “indivíduos que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço” para que procurem aconselhamento clínico.

Foram detectados mais de 20 casos suspeitos de infecção pelo vírus Monkeypox, todos na região de Lisboa e Vale do Tejo, cinco dos quais já confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, adianta a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Os casos, confirmados precisamente esta quarta-feira, foram identificados maioritariamente em jovens, e todos do sexo masculino. Os infectados “estão estáveis, apresentando lesões ulcerativas.”

Segundo comunicado enviado às redacções, a DGS “identificou o alerta e centraliza, nesta fase, todas as acções de detecção, avaliação, gestão e comunicação de risco relacionadas com estes casos, através do Centro de Emergências em Saúde Pública (CESP)”.

“O vírus Monkeypox é do género Ortopoxvírus e a doença é transmissível através de contacto com animais ou ainda contacto próximo com pessoas infectadas ou com materiais contaminados. A doença é rara e, habitualmente, não se dissemina facilmente entre os seres humanos”, indica a nota.

A DGS comunicou esta terça-feira o alerta aos profissionais de saúde, nomeadamente aos médicos e aos enfermeiros, “com o objectivo de identificarem eventuais casos suspeitos e de os notificarem”, e apela aos “indivíduos que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço” para que procurem aconselhamento clínico.

Perante o aparecimento destes sintomas, deverão ser evitados “contactos físicos directos”.

O Reino Unido reportou recentemente casos semelhantes de lesões ulcerativas, com a confirmação de infecção por vírus Monkeypox.

A DGS está a acompanhar a situação a nível nacional e em articulação com as instituições europeias.

Diário de Notícias
DN
18 Maio 2022 — 10:53

 

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1781: Covid-19: Linhagem BA.5 da variante Ómicron já é dominante em Portugal

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/LINHAGENS

Linhagem apresentava uma relativa estimada de 63,6% dos casos a 15 de Maio e poderá atingir os 80% no domingo.

A linhagem BA.5 da variante Ómicron tem apresentado uma frequência relativa “marcadamente crescente”, estimando-se que já seja dominante em Portugal, segundo dados divulgados na terça-feira pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

“Após a sua primeira detecção na semana 13 (28 de Março a 3 de Abril), a linhagem BA.5 tem apresentado uma frequência relativa marcadamente crescente, estimando-se que já seja dominante em Portugal (frequência relativa estimada de 63,6% ao dia 15 de Maio)”, salienta-se no relatório sobre a diversidade genética do coronavírus SARS-CoV-2 em Portugal.

No último relatório do INSA foi projectada a tendência de crescimento a 15 dias da linhagem BA.5 em Portugal, e os dados obtidos desde então têm tido uma grande sobreposição com a projecção, consolidando que a linhagem BA.5 poderá atingir uma frequência relativa de 80% a 22 de Maio.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já admitiu que essa linhagem, que apresenta várias características genéticas consideradas de interesse pelos especialistas, caso de mutações com impacto na entrada do coronavírus nas células, pode ser mais transmissível do que a BA.2, mas ressalvou que ainda não existem dados que comprovem que provoca covid-19 mais grave.

Segundo o INSA, a linhagem BA.2 apresenta uma tendência decrescente na sua frequência relativa, estimando-se que representasse 36,4% das amostras positivas a 15 de Maio.

“Recentemente, foi detectada e tem vindo a ser monitorizada uma sub-linhagem da BA.2 (BA.2.35) caracterizada pela mutação adicional L452R na proteína Spike, que desde a sua detecção a 1 de Março, tem apresentado em termos globais uma frequência relativa com tendência crescente, representando 3,4% das sequências analisadas na semana de 2 a 8 de Maio (dados em apuramento)”, adiantou.

A sub-linhagem BA.2.12.1 foi detectada consecutivamente nas últimas duas amostragens aleatórias por sequenciação entre os dias 25 de Abril e 08 de Maio, e em três das sete regiões, sugerindo um aumento da sua circulação em Portugal.

“Esta linhagem tem suscitado interesse internacional pois caracteriza-se pela mutação adicional L452Q na proteína Spike e tem apresentado um considerável aumento de circulação em alguns países, nomeadamente nos Estados Unidos da América”, indicou o INSA.

Segundo o INSA, a frequência relativa da linhagem BA.1 atingiu um máximo na semana de 10 a 16 de Janeiro (95,6%) altura em que iniciou uma tendência decrescente. Estima-se que a sua circulação seja residual actualmente, tendo sido detectada uma frequência inferior a 1% desde a semana de 18 a 24 de Abril).

Relativamente à linhagem BA.3, não foi detectado qualquer caso em Portugal desde a 20 de Março, enquanto que a linhagem BA.4 não foi detectada, até à data, no país.

No âmbito da monitorização contínua da diversidade genética do SARS-CoV-2 que o INSA está a desenvolver têm sido analisadas uma média de 523 sequências por semana desde o início de Junho de 2021, provenientes de amostras colhidas aleatoriamente em laboratórios distribuídos pelos 18 distritos de Portugal continental e pelas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, abrangendo uma média de 139 concelhos por semana.

Diário de Notícias
DN/Lusa
18 Maio 2022 — 07:52

 

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1780: Covid-19 altera função respiratória. Faltam meios para fazer exames de prevenção

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/FUNÇÃO RESPIRATÓRIA

Dois anos depois da pandemia, já é possível concluir que 30 a 50% dos doentes que estiveram internados ficaram com problemas respiratórios. Fundação Portuguesa do Pulmão defende exame para o qual praticamente não há recursos.

Há um número elevado de doentes que estiveram internados que apresentam problemas respiratórios.
© Artur Machado/Global Imagens

“Estima-se que 30 a 50% da população que esteve internada com covid-19 tem a função respiratória alterada”. Este alerta é do presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, que usa estes dados para defender que a maioria da população deveria fazer uma espirometria -um exame que avalia a função respiratória.

José Alves, pneumologista e professor universitário, diz ao DN que a “necessidade de todos fazerem uma espirometria é cada vez maior”, embora esteja consciente que aí “entramos noutro problema, porque neste momento é muito difícil disponibilizar esse exame”.

Durante anos ouviu os médicos de família queixarem-se da dificuldade em aceder a esse meio complementar de diagnóstico. “Por isso mesmo a Fundação criou a possibilidade de se fazer quase ao domicílio”, afirma. José Alves acredita mesmo que “toda a gente deveria fazê-lo, independentemente de ter tido ou não covid-19”.

A título de exemplo, o médico lembra que “as pessoas sabem qual é a sua tensão arterial, ou pelo menos sabem que existe, tal como sabem o que é o colesterol, ou a glicémia. Mas a função respiratória ninguém sabe. Depois acontece que há pessoas que têm pulmões fracos e outras não. E conforme têm ou não, vão ter mais doenças pulmonares”, explica.

O presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão lembra que “a mortalidade por doenças respiratórias continua a ser a maior em termos evitáveis”. E é por isso que insiste tanto na espirometria.

“Sempre que se pede, ela tem que ser feita em ambiente hospitalar, e com a assinatura de um técnico de cardiologia e de um pneumologista. É mais ou menos o equivalente a fazer um mapa da tensão arterial, aplicado à função respiratória. Para isso, é preciso que haja patologia prévia”.

José Alves lembra que “não é nada complicado de fazer, mas é burocrático: é preciso marcar, há poucas marcações possíveis, são precisas duas pessoas para assinar”. E foi a pensar nisso que a Fundação adquiriu recentemente 20 aparelhos que permitem fazer espirometria ao domicílio.

De resto, “vamos mesmo fazer uma série de rastreios em juntas de freguesia, para que se saiba que isso se pode fazer”, afirma o presidente ao DN, adiantando que “se houver pedidos que justifiquem a compra de mais aparelhos, arranjaremos maneira de adquirir mais”.

“Porque é preciso convencermo-nos disto: é tão importante fazer esse exame a uma pessoa que teve covid-19 como a uma pessoa que fuma, por exemplo. Sabe-se hoje que quem fuma dois maços de tabaco por dia tem grande probabilidade de ter DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica). E depois de perder a função respiratória já não há como a recuperar”.

A importância das vacinas

De acordo com os estudos mais recentes, a covid-19 deixou doentes desprotegidos relativamente a outras doenças respiratórias graves. “Estima-se que 30% a 50% dos adultos com diagnóstico de covid-19 grave possam ter anomalias pulmonares persistentes, após a doença aguda. À semelhança do que já acontece nos Países Baixos e na Andaluzia, onde a vacinação anti-pneumocócica é recomendada a doentes hospitalizados por covid-19 com evidência de disfunção pulmonar, a Fundação Portuguesa do Pulmão lembra a importância da prevenção”, refere um comunicado daquela entidade.

A Fundação reforça, também, a eficácia e a segurança das vacinas, sublinhando que a vacinação continua a ser a melhor forma de prevenção de doenças respiratórias graves como a pneumonia. “Terminado o inverno, não devemos baixar a guarda. Tal como no resto do mundo, as doenças respiratórias continuam a ser uma das principais causas de morbilidade e mortalidade em Portugal. Embora a grande maioria seja prevenível ou tratável com intervenções economicamente acessíveis, não temos assistido a uma redução global da sua prevalência”.

Segundo o Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, morrem, diariamente, 36 pessoas com doenças respiratórias no nosso país. 16 desses óbitos têm como causa a pneumonia.

Estudos recentes revelam que 30% a 50% dos adultos com diagnóstico de covid-19 grave podem desenvolver anomalias pulmonares persistentes, após a doença aguda. Nos Países Baixos e na Andaluzia, as autoridades de saúde apostam na imunização para tornar o organismo mais robusto contra as infecções respiratórias. Recomendam, por isso, a vacinação anti-pneumocócica a doentes hospitalizados por covid-19, com evidência de disfunção pulmonar.

“Os últimos dois anos mostraram-nos a importância da prevenção – evitar o que já nos é possível, sempre com atenção a quem está mais vulnerável”, explica José Alves.

“Quem esteve infectado com covid-19, por exemplo, corre maior risco de contrair novas infecções respiratórias. Algumas delas podem ser prevenidas através de imunização. É o caso da pneumonia. Para quê correr riscos?”, questiona, enquanto lembra que a pneumonia não é um exclusivo do tempo frio. “Não podemos baixar a guarda, mesmo com a subida das temperaturas. Devemos preveni-la sempre e podemos fazê-lo em qualquer altura do ano, com particular atenção aos grupos de risco”.

Quem teve covid-19 grave e adultos com doenças crónicas como diabetes, asma, DPOC e outras doenças respiratórias crónicas, doença cardíaca, doença hepática crónica, doentes oncológicos, portadores de VIH e doentes renais, deve ser protegido.

A vacina anti-pneumocócica é recomendada pela Direcção-Geral da Saúde e já está incluída no Plano Nacional de Vacinação para as crianças e para os grupos considerados de maior risco, mas a sua eficácia está comprovada em todas as faixas etárias. No caso dos adultos, basta uma dose.

dnot@dn.pt

Diário de Notícias
Paula Sofia Luz
17 Maio 2022 — 00:15

 

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“Se for preciso começar a vacinar maiores de 65, o sistema também está preparado para o fazer”

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/REFORÇO

A nova fase da vacinação começou ontem em lares do país. Da lista dos elegíveis, fazem parte os residentes de 3.700 lares, independentemente da idade, e os maiores de 80 anos. O coordenador do Núcleo de Apoio à Vacinação, coronel Carlos Penha Gonçalves, diz ao ​​​​​​​DN que esta nova etapa deverá terminar em Julho.

Residentes de 3700 lares vão ser vacinados durante três semanas

A Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19, da Direcção-Geral da Saúde, recomendou a toma da quarta dose, ou segunda de reforço, para os maiores de 80 anos e o aumento de casos já fez com que esta fosse antecipada com o “objectivo de melhorar a protecção da população mais vulnerável, face ao actual aumento da incidência de casos em Portugal”.

Recorde-se que, inicialmente, e segundo foi anunciado pela ministra da Saúde há duas semanas, este processo de vacinação só deveria começar em finais de Agosto, princípio de Setembro. Mas começou hoje com várias equipas de profissionais de centros de saúde e de unidades locais de saúde a irem a lares para vacinar os residentes. E o coordenador do Núcleo de Apoio à Vacinação Contra a Covid-19, o médico militar Carlos Penha Gonçalves, só espera que a população continue a aderir a esta fase como o fez em relação às outras.

A DGS actualizou a norma da vacinação na sexta-feira para incluir esta 5.ª fase e o processo teve início ontem. De acordo com o coronel Penha Gonçalves, há cerca de 750 mil pessoas para vacinar. “Trata-se da população residente em 3.700 lares, independentemente da sua idade, mas por uma questão epidemiológica, e os maiores de 80 anos que vivem na comunidade. E a estimativa é que esta fase fique concluída no fim de Julho”, destaca ao DN.

Em relação à população dos lares, o processo até pode ser concluído rapidamente, “daqui a três semanas, mas tudo irá depender também do número de pessoas que foram infectadas na última vaga da covid-19, em Janeiro e Fevereiro, e que têm de respeitar um intervalo de quatro a cinco meses para receber esta dose”, sustenta. O médico militar e investigador na área da Bioética do Instituto Ciência da Gulbenkian refere que este processo terá uma fase intensa até meio de Julho, que começará a atenuar a meio do mês para caminhar para a fase final.

O segundo processo de reforço da vacinação para os mais idosos começou muito antes do previsto, e numa altura em que já se debate também a administração da quarta dose aos maiores de 65 anos. Fonte da CTV confirmou ao DN não haver ainda qualquer decisão, mas que a evolução da doença está a ser acompanhada e que, como tem sido prática, a situação será tomada se se verificar que “esta faixa etária ficará mais protegida contra a doença grave provocada pela covid-19 no período do outono ou do inverno”.

Por agora, tal não se coloca, a menos que, admite, a situação epidemiológica também evolua de tal forma que justifique antecipar a decisão, tal como aconteceu em relação aos maiores de 80 anos devido a nova onda provocada pela variante Ómicron.

Se houver esta necessidade, de vacinar os maiores de 65 anos, será mais de um milhão de pessoas que terão de ser vacinadas. O coronel Penha Gonçalves diz ao DN que “o sistema está preparado para o fazer”, argumentando: “O sistema foi preparado com elasticidade suficiente para, no caso de haver nova solicitação, poder responder. Estou completamente convencido que há resposta se houver mais uma nova fase”.

Recorde-se que, neste momento, também está a decorrer a vacinação da terceira dose dos infectados em Janeiro e Fevereiro. São também cerca de um milhão de pessoas. Mas Carlos Penha Gonçalves está ciente da resposta que o sistema montado tem para dar e só espera mesmo que “a população continue a responder como o fez inicialmente”, colocando Portugal como um dos países do mundo com maior cobertura vacinal.

Os dados disponibilizados ao DN indicam que 92,1% do total da população já tem o esquema de vacinação completo (duas doses), que 62,4% já tem a terceira dose de reforço (84% da população elegível – também uma das percentagens mais elevadas da Europa) e que 56% da população pediátrica, dos 5 aos 11 anos, também já foi vacinada com as duas doses.

A fase do segundo reforço para os mais idosos e vulneráveis já começou nos lares, mas, durante esta semana, também “já haverá municípios que vão começar a vacinar os idosos na comunidade”´, refere Penha Gonçalves. “Há alguns que já começaram hoje a ser agendados, mas temos de dar dois a três dias para que possam responder, mas entre quinta e sexta-feira vão começar a ser vacinados”.

Por agora, e segundo referiu ao DN, ainda é o Núcleo de Apoio à Vacinação Contra a Covid-19, composto maioritariamente por militares, que vai estar à frente da quinta fase da vacinação, mas, “depois, logo se vê”, reforçando, de novo, que “o sistema está preparado” para continuar.

Neste momento, Portugal é dos países que já está a cumprir a recomendação feita há duas semanas pelo Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC, sigla inglesa), porque, justificava a DGS em comunicado, “a evidência científica tem vindo a sugerir que a vacinação com uma segunda dose de reforço apresenta benefício na prevenção de doença grave, hospitalização e morte, em grupos populacionais com 80 ou mais anos”.

De acordo com os dados sobre a evolução da doença, o aumento de casos tem vindo a ser registado em todas as faixas etárias, com maior incidência nas faixas mais novas, mas as mortes estão a ocorrer acima dos 70 anos e com maior incidência no grupo acima dos 80, cerca de 95%.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
17 Maio 2022 — 00:14

 

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1777: Idosos em lares começam hoje a receber segundo reforço da vacina

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/IDOSOS/REFORÇO

Pessoas com mais de 80 anos também vão começar a ser chamados por SMS ou chamada telefónica ainda esta semana.

© Miguel Pereira da Silva / GLOBAL IMAGENS

Os idosos residentes em lares começam hoje a receber a segunda dose de reforço da vacina contra a covid-19, que estava prevista para o início do outono, mas que foi antecipada devido ao aumento de infecções no país.

Segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS), também esta semana os idosos com 80 ou mais anos vão começar a tomar o segundo reforço da imunização contra o coronavírus SARS-CoV-2 nos centros de vacinação ou de saúde, depois de serem convocados por mensagem SMS ou chamada telefónica.

A Comissão Técnica de Vacinação Contra a Covid-19 (CTVC) da DGS recomendou esta nova toma da vacina com “objectivo de melhorar a protecção da população mais vulnerável, face ao actual aumento da incidência de casos em Portugal”.

A população elegível para esta vacinação é de cerca de 750 mil pessoas, que devem ser vacinadas com um intervalo mínimo de quatro meses após a última dose ou após um diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2, ou seja, este reforço abrange também as pessoas que recuperaram da infecção.

A DGS anunciou ainda que as crianças e jovens entre os 12 e 15 anos com condições de imuno-supressão, no âmbito da norma publicada sobre esta matéria, também passam a ser elegíveis para receber uma dose adicional de vacina, na sequência de um parecer favorável da CTVC.

Diário de Notícias
Lusa/DN
16 Maio 2022 — 07:06

 

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1776: Mais infecções em profissionais nos hospitais e em doentes oncológicos

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES

A sociedade está mais liberta das medidas de restrição e os casos aumentam entre profissionais da saúde e entre quem está mais susceptível, nomeadamente entre doentes oncológicos. Médicos do IPO de Lisboa relembram que regras de protecção têm de continuar a ser cumpridas pelos doentes e pelos que estão à sua volta. Hospitais começam a ter mais casos entre os profissionais.

Sociedade está mais liberta de regras e doentes oncológicos correm maior risco de infeção.

O número de casos disparou em poucos dias na comunidade e isso já se está a fazer sentir no aumento de casos entre os profissionais de saúde e entre alguns grupos de doentes, como os oncológicos. Esta semana, duas das principais unidades de saúde do país confirmaram ao DN que a tendência sentida na comunidade era a que se estava a registar entre os seus profissionais, estando a transmissão a ocorrer fora de portas, mais pelos contactos sociais.

No Centro Hospitalar Universitário São João, no Porto, a média de novos casos de infecção entre os profissionais nesta semana foi de 20 por dia, havendo agora 100 casos de infecção activos. No Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, que integra os hospitais São José, Curry Cabral, Santa Marta, Capuchos, D. Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa, a média diária de casos também foi de 20, embora o total de infecções activas seja menor, 70.

No Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, a média diária de casos nesta semana foi de 3, garantiu fonte da unidade. A situação preocupa as unidades, até porque se aproxima um período de férias, em Junho, mas ainda nenhuma teve necessidade de proceder à reorganização de equipas ou de escalas.

Do lado dos doentes, o aumento de casos já se começou a sentir nos que estão mais fragilizados e, por isso, também correm mais riscos de adquirir a doença. A directora do Serviço de Hematologia do IPO de Lisboa afirma ao DN: “Estamos a notar que o número de casos entre os doentes oncológicos imuno-deprimidos está claramente a aumentar e a acompanhando o que está a acontecer na comunidade”. Maria Gomes da Silva alerta para o facto de estes “doentes terem de continuar a cumprir as regras de protecção e os que estão à sua volta também”. Até porque, “a maioria dos doentes infectados têm doença em actividade ou estão a fazer terapêutica” e estes são os que “correm maior risco de desenvolver doença grave ou moderada em relação à população em geral”.

A médica explica que, “nas circunstâncias actuais os doentes oncológicos estão menos protegidos”. Em primeiro lugar, “porque são doentes que, embora vacinados, não conseguem dar uma resposta imunitária como a população em geral, correndo assim um risco considerável de desenvolver doença grave ou moderada”. Em segundo, porque nas circunstâncias actuais a sociedade ao estar mais liberta de regras também está menos protegida. “Numa circunstância em que a sociedade e todas as pessoas se protegem mais, estes doentes estão mais protegidos”. Se as circunstâncias actuais não são assim, reforça, “é preciso que os doentes e as pessoas à sua volta mantenham os mesmos cuidados”, como uso de máscara, distanciamento e poucos contactos sociais.

No caso dos doentes que trata, hematológicos e imuno-deprimidos, “o problema é que se algum se infecta, para além de poder desenvolver doença moderada a grave, pode dar-se o caso, dependendo também da sua situação, de podermos fazer pouco por eles”, embora especifique que “nem todas as pessoas que se infectam são iguais. O risco de desenvolverem doença grave não é igual para todas”, mas, sublinha, “para os doentes imuno-deprimidos o risco de infecção neste momento é maior, porque a sociedade está mais aberta”.

No entanto, Maria Gomes da Silva, deixa claro que, com “a letalidade não aumentou com esta nova variante”. Aliás, “percebemos cada vez melhor quem são os doentes mais susceptíveis”. Nas unidades oncológicas, as regras de protecção e os cuidados a ter são frequentemente relembradas aos doentes, até porque “quando um doente é diagnosticado com covid-19 há que tomar decisões, nomeadamente se se interrompe o tratamento que está a fazer. Quando a covid-19 surge quase em simultâneo com o diagnóstico da doença oncológica há que decidir se se aguarda algum tempo até se eliminar o vírus ou se se corre o risco de fazer a terapêutica com o vírus activo, mas esta é uma decisão que depende muito da gravidade dos casos e das opções de terapêutica”.

O número de casos entre doentes oncológicos imuno-deprimidos está claramente aumentar e, às vezes, “as formas iniciais da doença são relativamente ligeiras, como uma constipação, mas a sintomatologia mais séria pode vir a instalar-se mais tardiamente. O facto de o doente passar bem a primeira semana não significa que seja assim na segunda ou terceira semana. Tive doentes que foram internados um mês depois de estarem infectados”, alerta. As normas para os doentes oncológicos não mudaram, estes devem continuar a usar máscaras, a evitar contacto social e a cumprir isolamento de 20 dias caso sejam infectados.

O director do Serviço de Oncologia Médica do IPO de Lisboa, António Moreira, também diz ao DN que “a impressão que temos é que o aumento de casos em doentes com tumores sólidos corresponde ao que se passa na comunidade. Notamos isso no ambulatório em que os doentes, por rotina, têm de fazer vários testes à covid-19 e o número de positivos tem vindo a aumentar”.

No entanto, destaca, “há um aumento na incidência, mas não posso dizer que isso se esteja a traduzir num aumento da gravidade da doença. Mas, de qualquer forma, tem repercussões importantes do ponto de vista da capacidade de gestão dos cuidados a estes doentes”.

Ou seja, “para um doente em ambulatório ter poucos sintomas ou não os ter não causa grande perturbação, mas para os doentes que estão internados o risco de contaminação de outros doentes é maior e isso pressupõe a sua transferência para outras unidades hospitalares, o que é sempre um problema. Não porque haja descontinuidade de cuidados, mas porque a transferência para unidades que não são especializadas em oncologia é um desconforto.”

O médico defende que dentro das unidades oncológicas deveria ser feita “uma avaliação de risco individualizada de cada situação, porque não são todas iguais”. E dentro dos doentes oncológicos há uns mais susceptíveis do que outros, mas relembra também ser fundamental que “os doentes se continuem a proteger”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
14 Maio 2022 — 07:00

 

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1775: Para vencer esta fase, quarta dose deve ser dada a profissionais da saúde e a testagem ser gratuita

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/4ª. DOSE/TESTAGEM GRATUITA

Em quatro dias desta semana, Portugal registou quase 100 mil novas infecções e 110 mortes. O país já entrou numa nova onda. E já houve necessidade de antecipar a quarta dose aos maiores de 80 anos para a próxima semana. O pneumologista Filipe Froes defende ser preciso fazer mais para se controlar a pandemia nesta “fase de transição”.

Reforço da vacinação deve integrar profissionais mais expostos ao contacto social e da saúde para se tentar prevenir a transmissão.

No início do mês, o regresso à normalidade parecia estar a chegar. A sensação vinha do abandono da máscara em todos os espaços, menos nas áreas de saúde e nos transportes públicos, e com o anúncio da ministra Marta Temido de que não fazia sentido antecipar a quarta dose, a segunda de reforço, contra a covid-19, nesta altura, por não ser necessário. A pandemia parecia estar controlada, alguns analistas afirmavam que, mesmo que houvesse um ressurgimento de casos, como houve no Carnaval, a situação estava controlada.

O Governo decidiu aliviar outro mecanismo que até aqui teve impacto no controlo da infecção, a testagem gratuita. Assim, no início do mês, os testes de diagnóstico passaram a ser pagos, pelo menos a 25 euros nas farmácias, mas ao fim de três semanas a taxa de positividade já está nos 42%, quando, segundo os critérios internacionais deveria ser de 4%. Em cada dez pessoas que fazem teste, oito estão infectadas, uma taxa que o país nunca registou.

O fim destas medidas foi sustentado com a premissa que poderiam regressar, caso a situação assim o exigisse. O certo é que o país vive uma nova onda e só o início do processo de vacinação da quarta dose para idosos com mais de 80 anos e pessoas vulneráveis, como transplantados e doentes oncológicos, foi antecipado para a próxima semana, quando estava previsto para o final de Agosto e princípio de Setembro.

O pneumologista e ex-coordenador do Gabinete de Crise para a Covid-19 da Ordem dos Médicos, Filipe Froes, diz ser preciso mais para se ultrapassar “esta fase de transição, entre o fim da pandemia e o início de uma nova normalidade”.

Portugal volta a viver nova onda. O professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Carlos Antunes, confirmou ao DN esta semana, que “vivemos uma nova onda bem definida do ponto matemático e epidemiológico. O aumento do número de casos disparou em 50% da semana passada para esta, nos mesmos dias. A tendência é de crescimento em velocidade cruzeiro em todas as regiões e faixas etárias”.

País voltou a ultrapassar nesta semana os 20 mil casos

Ontem, a DGS divulgou que, no dia 12, foram registadas mais 26.314 novas infecções por covid-19 e 29 óbitos. Em apenas quatro dias, desta semana o país atingiu quase os 100 mil (96.246) casos e os 110 óbitos. A saber: 20.487 infecções, a segunda-feira e 29 óbitos, 24.572 na terça e 27 óbitos e 24.876 na quarta e 25 óbitos .

Desde o dia 22 de Abril que o R (t), índice de transmissão vinha a subir, e nesta semana disparou, talvez pela nova linhagem da Ómicron, BA.5, que se está a sobrepor à BA.2, mas também pelo abandono do uso de máscara. O pneumologista Filipe Froes confessa não ter estranhado o aumento de casos, diz mesmo que era expectável, e critica o facto de a testagem gratuita ter sido abolida e que o reforço da vacinação se destine só aos mais idosos e mais vulneráveis.

“A fase de transição que estamos a viver tem características e especificidades próprias, que deveriam ter sido percepcionadas, para se perceber o impacto que poderiam ter na comunidade e o que deveria ter sido feito para minimizar as suas consequências”, argumenta. O médico considera que para se avançar no regresso à normalidade há três vertentes fundamentais que têm de ser acauteladas, que impõem, por exemplo, algumas medidas diferentes das que foram tomadas pelo Governo.

Agora, “o objectivo é manter o controlo da pandemia, prevenir a gravidade da doença e promover a normalidade sócio-económica, e, para isso, há que continuar a actuar na diminuição da circulação do vírus e na sua transmissão”. O que só é possível, sublinha, “se se mantiver uma estratégia de diagnóstico precoce” e se “a acessibilidade à testagem for fácil e gratuita”.

Esta foi, precisamente, uma das medidas que o Governo deixou cair no início do mês. “A testagem gratuita é um dos mecanismos de combate à doença que tem impacto na circulação e na transmissão do vírus na comunidade”, porque “se os testes não forem gratuitos e a pessoa entender que não o faz, está-se a promover a manutenção da transmissão do vírus na comunidade. Não se está a poupar o que quer que seja”.

Pelo contrário, reforça, “a manutenção da testagem gratuita é um investimento no combate da pandemia e na normalização social e económica”. Esta semana, o Governo fez saber que os testes gratuitos teriam de ser referenciados pela Linha SNS 24, que terá capacidade para os prescrever automaticamente aos casos suspeitos.

A nível do controlo da transmissão, o médico é defende a promoção da vacinação de reforço para vários grupos da sociedade e não só para os mais idosos e vulneráveis, voltando a referir que deve ser equacionada a hipótese de teletrabalho, sempre que possível, e a aposta nas condições de ventilação e de arejamento.

O único critério para reforço na vacinação não pode ser a idade ou a fragilidade do doente

“São precisas medidas que não são farmacológicas, como o reforço da vacinação a dois grandes grupos populacionais importantes: os que estão em contacto directo com os mais vulneráveis, como os profissionais de saúde, e os que têm profissões mais expostas ao contacto social, como motoristas, empregados de balcão e de restaurantes. O único critério não pode ser só o da idade ou das pessoas com comorbilidades”, explica, dando como exemplo o que está a acontecer nos EUA: “A quarta dose está a ser dada a pessoas com mais de 50 anos, não para proteger mais contra a gravidade, mas sobretudo para prevenir a transmissão do vírus”.

Embora destaque que a prevenção da gravidade é a segunda vertente fundamental para se ultrapassar a fase que estamos a viver. E tal só será possível se os que correm mais riscos se protegerem e se todos os nós também. ” As pessoas que fizeram transplantes ou os doentes oncológicos, com doença activa e sujeitos a terapêuticas, têm de continuar a proteger-se, usando máscara, por exemplo, mas todos temos o dever de os proteger da forma mais adequada”.

A terceira fase fundamental desta fase de transição é “o regresso à normalidade e, para este, é importante que se mantenham as redes de vigilância e de monitorização epidemiológica e clínica”, bem como, e para haver uma melhor percepção dos riscos, “uma informação por parte da DGS que não seja manifestamente insuficiente”.

O médico não defende o regresso da máscara como uma obrigatoriedade, mas como recomendação às pessoas mais vulneráveis e aos infectados, quando não tiverem sintomas e puderem trabalhar. Por outro lado, não considera também que esta fase de transição vá ser muito prolongada, mantendo-se no final desta primavera e início de verão. Mas é preciso agir adequadamente.

Reforço da vacinação: As medidas da DGS

Quarta dose para idosos

As pessoas com 80 ou mais anos e as residentes em Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) vão ser vacinadas com a segunda dose de reforço já a partir de segunda-feira, dia 16 de maio. A meta traçada pela ministra, final de Agosto e princípio de Setembro, é assim antecipada. Todos os elegíveis começarão a ser convocados por agendamento local, através de SMS ou por chamada telefónica, como já aconteceu noutras fases da vacinação. A população elegível é de cerca de 750 mil pessoas, que devem ser vacinadas com um intervalo mínimo de 4 meses após a última dose ou após um diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2, ou seja, este reforço abrange também as pessoas que recuperaram da infecção.

Crianças imuno-deprimidas levam reforço

As crianças e jovens entre os 12 e 15 anos com condições de imuno-supressão, identificadas na norma 002/2021, também passam a ser elegíveis para receber uma dose adicional de vacina contra a covid-19, na sequência de parecer favorável da Comissão Técnica da Vacinação para a Covid-19. Os jovens com estas condições serão vacinados de acordo com orientação e prescrição médica.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
14 Maio 2022 — 00:13


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1774: Mais 23.746 casos e 15 mortes por covid-19 em relação à semana passada

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Número de casos, mortes e internamentos a subir, assim como incidência.

A pandemia de covid-19 está novamente em crescimento, tendo sido registados um total de 99.866 casos entre 3 e 9 de Maio, mais 23.746 do que na semana anterior, indica o relatório de situação semanal da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Este aumento também se reflecte na incidência, que é agora de 970 casos por 100 mil habitantes – uma variação de mais 31% face aos sete dias anteriores -, e no R(t), actualmente em 1,13.

O número de óbitos também está a aumentar, tendo sido contabilizados 142 entre 3 e 9 Maio, ou seja, mais 14 do que na semana anterior.

Paralelamente, no último dia do período em análise havia 1.207 pessoas internadas (mais 88 do que na semana anterior), 59 das quais em unidades de cuidados intensivos (menos uma).

No período analisado, a região em que houve mais casos foi o Norte (35.993), seguido de Lisboa e Vale do Tejo (29.047), Centro (20.986), Alentejo (5.759), Algarve (3.519), Açores (3.368) e Madeira (1.194).

O relatório indica ainda que 92% da população tem vacinação completa e que 62% já recebeu a dose de reforço.

Adicionalmente, a DGS divulgou o Relatório de Monitorização da Situação Epidemiológica da Covid-19, que fala numa “tendência crescente” de novos casos e de R(t) a nível nacional e em todas regiões, excepto a Região Autónoma da Madeira.

Já o número de pessoas com covid-19 internadas em UCI no Continente revelou uma “tendência estável”, assim como a razão entre pessoas internadas e infectadas (0,17) e a mortalidade específica por covid-19 (26,1 óbitos em 14 dias por 1.000.000 habitantes).

A linhagem dominante em Portugal é a BA.2 da variante Omicron, que a 8 de maio representava 62,9% dos casos em Portugal. Os restantes 37,1% dizem respeito à linhagem BA.5 da variante Omicron.

Diário de Notícias
DN
13 Maio 2022 — 20:19


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1773: Linhagem mais recente da variante Ómicron já deverá ser dominante em Portugal

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/VARIANTE

Segundo investigadores do INSA, a variante Ómicron “terá já ultrapassado os 50%” dos novos casos de infecção

© ANTóNIO COTRIM/LUSA

A mais recente linhagem da variante ​​​​​​​ómicron do coronavírus SARS-CoV-2, que aparenta ser mais contagiosa, mas não demonstra ser mais grave, deverá já ser dominante em Portugal, estima o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

O investigador do INSA João Paulo Gomes disse aos jornalistas na sede da instituição que a linhagem BA5 da variante Ómicron “terá já ultrapassado os 50%” dos novos casos de infecção, especulando que será “a variante dominante”.

“Trata-se de uma linhagem mais transmissível e com algumas mutações que são associadas a uma maior capacidade do vírus para infectar e fugir ao sistema imunitário”, conseguindo ultrapassar os anticorpos gerados quer pelas vacinas quer pela infecção natural e assim expandir-se mais.

A linhagem está a aumentar em Portugal a par do que se passa na África do Sul, onde foi pela primeira vez identificada a variante Ómicron, mas os primeiros estudos “nada indicam” quanto a uma eventual maior gravidade.

“Não parece estar associada a um fenótipo de doença mais severo. Pensamos que será quase inevitável que [a covid-19] se transforme quase numa gripe. Vamos ter que viver com este coronavírus e pensa-se que o processo de vacinação vá ter que continuar, nem que seja para os grupos mais vulneráveis”, considerou.

João Paulo Gomes, que é responsável pela monitorização da diversidade genética do SARS-CoV-2 e outras doenças infecciosas em Portugal, declarou que “é um vírus com uma capacidade de adaptação incrível, que muito rapidamente se vai adaptando à própria evolução do sistema imunitário”.

Por conseguir passar pela imunidade das vacinas e natural, “as vacinas actualmente distribuídas, ainda desenvolvidas com a estirpe original [do novo coronavírus], são muito pouco eficazes contra a infecção, mas continuam a mostrar uma eficácia muito elevada quanto ao processo de hospitalização”.

“Todos conhecemos amigos, colegas que tiveram a infecção há poucos meses e estão agora novamente infectados, isso está a acontecer com estas linhagens”, apontou.

O INSA faz a monitorização de amostras do SARS-CoV-2 recolhidas semanalmente em todo o país, identificando os códigos genéticos.

“Todo o mundo tem beneficiado dos primeiros dados gerados”, referiu, acrescentando que ao conhecer a realidade de um país, os outros podem ter uma visão do que os espera e preparar-se melhor.

Diário de Notícias
DN/Lusa
13 Maio 2022 — 15:25


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1772: DGS avisa que segunda dose de reforço pode prevenir hospitalização e morte

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/2ª. DOSE

A DGS já tinha anunciado na quinta-feira a vacinação dos maiores de 80 anos e dos residentes em lares, um processo que tem início na segunda-feira.

© Rita Chantre / Global Imagens

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) afirmou esta sexta-feira que a vacinação da população mais vulnerável com a segunda dose de reforço contra a covid-19 pode apresentar benefícios na prevenção de doença grave, hospitalização e morte.

Na norma da “Campanha de vacinação contra a covid-19”, esta sexta-feira actualizada e que recomenda a vacinação dos maiores de 80 anos e dos residentes em lares com a segunda dose de reforço, a DGS refere que o plano de vacinação “é dinâmico, evolutivo e adaptável à evolução do conhecimento científico, à situação epidemiológica, e à calendarização da chegada das vacinas” a Portugal”.

“Mais recentemente, a evidência científica tem vindo a sugerir que a vacinação com uma segunda dose de reforço pode apresentar benefício na prevenção de doença grave, hospitalização e morte, em determinados grupos populacionais mais vulneráveis como as pessoas com 80 ou mais anos de idade, sobretudo em situações de maior incidência de casos de infecção por SARS-CoV-2”, refere no documento.

A DGS já tinha anunciado na quinta-feira a vacinação dos maiores de 80 anos e dos residentes em lares, um processo que tem início na segunda-feira.

A população elegível é de cerca de 750 mil pessoas, que devem ser vacinadas com um intervalo mínimo de quatro meses após a última dose ou após um diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2, que provoca a covid-19.

Segundo a norma hoje publicada, “o segundo reforço deve ser, preferencialmente, da mesma marca do primeiro reforço” da vacina de mRNA (Pfizer ou Moderna).

Também são elegíveis para receber uma dose adicional da vacina contra a covid-19 os maiores de 12 anos com condições de imunossupressão, como transplantados, infecção por VIH (com contagem de linfócitos T-CD4+ <200/µL) e doentes oncológicos em tratamento.

A DGS refere na norma que a vacinação de pessoas com imunossupressão deve ser efectuada sob orientação e prescrição do médico da especialidade, indicando a data a partir da qual ou período em que deve ser administrada a dose adicional.

“Caso uma pessoa esteja elegível simultaneamente para vacinação com uma dose adicional e uma dose de reforço, deve ser vacinada com dose adicional”, aconselha a autoridade de saúde.

A Comissão Técnica de Vacinação Contra a Covid-19 (CTVC) da DGS recomendou esta toma da segunda dose de reforço, com o “objectivo de melhorar a protecção da população mais vulnerável, face ao actual aumento da incidência de casos em Portugal”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
13 Maio 2022 — 16:31


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