1086: Aposta em unidades especializadas em Alzheimer vai atingir 3 mil camas

SAÚDE PÚBLICA/ALZHEIMER

Grupo ORPEA abriu este ano a primeira Unidade Protegida para a Alzheimer e outras Demências de Portugal. Efeitos da pandemia foram uma das razões para a aposta.

As salas Snoezelen são espaços que servem para estimular os sentidos dos doentes de Alzheimer.

Portugal é o quarto país com mais casos diagnosticados de demência, de acordo com o relatório “Health at a Glance 2017” da OCDE, sendo que mais de metade dos casos de demência no nosso país referem-se a pessoas com a doença de Alzheimer, cujo dia internacional se assinala hoje.

Este foi um dos motivos que levou o Grupo ORPEA a apostar nos cuidados a estes doentes, tendo aberto em maio deste ano primeira Unidade Protegida para Alzheimer e outras Demências (UPAD) do nosso país. O objectivo da empresa é chegar às 3386 camas no nosso país nos próximos três anos.

“Nós fomos os primeiros a desenvolver este tipo de modelo de cuidados individualizados em Portugal, criámos a primeira Unidade Protegida para Alzheimer e outras Demências na cidade de Viseu, que está em funcionamento no mês de maio, e que pretende ser uma segunda casa para pessoas com Alzheimer ou outro tipo de demência e respectivas famílias”, explicou ao DN Frederico Vidal, director operacional da ORPEA Portugal, não revelando, porém, o investimento feito neste projecto.

“Esta aposta surge para responder a uma necessidade precipitada pela pandemia, que criou uma situação de isolamento prolongado e que levou à quebra de rotinas e das principais fontes de estímulo. Esta situação agravou a evolução de demências como a doença de Alzheimer”, sublinhou o mesmo responsável.

Estas UPAD são unidades especializadas adaptadas à necessidade de cada doente contam com equipas multidisciplinares, especialistas em geriatria e doenças neuro-degenerativas, compostas por médicos, enfermeiras, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, entre outros. Uma das características diferenciadoras destes espaços é o uso de terapias não farmacológicas, como a reminiscência, a terapia animal com aves de rapina, musico-terapia ou videojogos.

A residência sénior do Grupo ORPEA na Povoa de Santa Iria também foi dotada já este ano com instalações a pensar nos doentes com demência, através da criação de uma sala Snoezelen. “Estas áreas são espaços interactivos para estimular os sentidos.

E, quando a doença está numa fase avançada, é difícil a pessoa entender o ambiente que a rodeia e conseguir expressar-se. É por isso que estímulos tão básicos como um aroma ou uma canção que evocam memórias, ou uma luz em movimento que desperta a curiosidade, representam um grande avanço”, sublinhou Frederico Vidal.

Actualmente, o Grupo ORPEA tem 11 unidades em operação em Portugal, entre os quais o Hospital Nossa Senhora da Arrábida, em Azeitão, mas o objectivo é chegar às 24 residências seniores no nosso país. “Este plano está em linha com as necessidades do país ligadas ao envelhecimento da população.

É uma expansão que aponta para 3386 camas nos próximos três anos, sendo que já estão 728 em operação”, adiantou ao DN o director operacional da ORPEA Portugal. “Neste momento, as residências para seniores tornaram-se fundamentais para combater a doença de Alzheimer, devido ao número de idosos que vivem nesse tipo de centros no país.

As residências ORPEA que vão ser construídas já irão incorporar técnicas inovadoras para amenizar os efeitos desta doença nos seus residentes, fruto da evolução na área da saúde que o sector tem vivido nos últimos anos”, acrescentou o mesmo responsável.

Uma nova esperança

Um projecto de medicamento contra a doença de Alzheimer, a partir de uma pista pouco explorada, está a gerar tímidas esperanças de tratamento.

“Estes resultados são particularmente promissores e representam uma novidade a partir de vários pontos de vista”, explicou à AFP Andrea Pfeifer, directora da AC Immune, que está a desenvolver, em parceria com a Roche, um tratamento contra a demência. Os dois grupos já anunciaram resultados preliminares favoráveis, mas continuam em testes para determinar a eficácia do medicamento. O tratamento já foi administrado durante cerca de um ano em pacientes em estado avançado da doença.

O que torna este anúncio interessante é o facto de que a molécula que está a ser usada, a semorinemab, ter sido até agora pouco explorada para tentar alcançar um tratamento para a doença de Alzheimer, apesar de ser um anticorpo monoclonal parece concentrar-se na destruição de placas formadas por algumas proteínas, conhecidas como beta-amiloides, no cérebro dos pacientes. Ao comprimir os neurónios, essas placas são um dos grandes factores da doença de Alzheimer.

Até agora, esta pista forneceu poucos resultados, com a excepção de um tratamento da Biogen autorizado este ano pelas autoridades de saúde dos Estados Unidos, embora o seu interesse terapêutico não gere consenso.

ana.meireles@dn.pt

Diário de Notícias
Ana Meireles
21 Setembro 2021 — 00:14

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1031: Demência deverá atingir 139 milhões de pessoas em 2050. É sétima causa de morte no mundo

“Em 2019, os cuidadores, na sua maioria membros da família, gastavam em média cinco horas por dia no apoio às pessoas de quem cuidavam com demência, sendo cerca de 70% desse acompanhamento realizado por mulheres.”. Durante mais de SEIS ANOS fui cuidador informal de minha esposa, sem qualquer apoio institucional ou particular, sem qualquer subsídio, sem qualquer experiência na prestação de cuidados, inventando a toda a hora, de acordo com as muitas reacções da doença, valendo já estar reformado e poder disponibilizar não cinco horas mas vinte e quatro horas por dia para cuidar dela.

SAÚDE PÚBLICA/DEMÊNCIA

A OMS indica que o número de pessoas com demência está a crescer em todo o mundo, estimando-se que actualmente sejam 55 milhões de pessoas com mais de 65 anos a sofrer desta síndrome.

© Arquivo Global Imagens

A demência, a sétima causa de morte no mundo em 2019, afecta 55 milhões de pessoas, um número que deve aumentar para os 139 milhões em 2050, alertou esta quinta-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Apenas um quarto dos países de todo o mundo tem uma política, uma estratégia ou um plano nacional para apoiar as pessoas com demência e as suas famílias”, salienta o relatório da OMS que analisa resposta global de saúde pública à demência hoje divulgado.

Segundo a organização com sede em Genebra, apesar de cerca de metade destes países se situar na Europa, muitos planos e estratégias nacionais para a demência necessitam de ser actualizados e renovados por parte dos respectivos governos europeus.

A demência é uma síndrome geralmente de natureza crónica ou progressiva, que leva à deterioração da função cognitiva – a capacidade de processar o pensamento – para além do esperado em circunstâncias normais de envelhecimento.

Resultante de lesões ou de doenças que afectam o cérebro, como a Alzheimer, esta condição afecta a memória, o pensamento, a orientação, a compreensão, a capacidade de aprendizagem e a linguagem, entre outras funções.

Segundo o relatório da OMS, o número de pessoas com demência está a crescer em todo o mundo, estimando-se que actualmente 55 milhões de pessoas com mais de 65 anos sofram desta síndrome, valor que deve aumentar para os 78 milhões em 2030 e para os 139 milhões em 2050.

Com mais de 14 milhões, Europa é a segunda região do mundo com maior número de pessoas com demência, atrás da região do Pacífico Ocidental (20,1 milhões).

“O crescimento populacional e a maior longevidade, combinados com o aumento de certos factores de risco de demência, levaram a um crescimento dramático no número de mortes causadas por demência nos últimos 20 anos. Em 2019, 1,6 milhão de mortes ocorreram em todo o mundo devido à demência, tornando-se a sétima causa de morte”, sublinha o documento.

O relatório alerta ainda que as pessoas com doenças neurológicas, incluindo demência, são mais vulneráveis à infecção pelo vírus SARS-CoV-2, correndo maior risco de internamentos prolongados e de sofrerem uma forma agravada de covid-19 e de morte.

De acordo com a OMS, é assim urgente reforçar o apoio a nível nacional, tanto às pessoas com demência, ao nível dos cuidados primários e especializados de saúde, de serviços sociais, de reabilitação e de cuidados a longo prazo e paliativos, mas também no apoio aos seus cuidadores formais e informais.

“Em países de rendimento médio e baixo, a maioria dos custos do tratamento da demência são atribuíveis aos cuidados informais (65%). Em países mais ricos, os custos informais e de assistência social chegam a aproximadamente 40% cada um”, refere o relatório.

Em 2019, os cuidadores, na sua maioria membros da família, gastavam em média cinco horas por dia no apoio às pessoas de quem cuidavam com demência, sendo cerca de 70% desse acompanhamento realizado por mulheres.

“Dada a pressão financeira, social e psicológica enfrentada pelos cuidadores, o acesso à informação, formação e serviços, bem como o apoio social e financeiro, é particularmente importante. Actualmente, 75% dos países relatam que oferecem algum nível de apoio aos cuidadores, embora, novamente, estes sejam principalmente países de alto rendimento”, indica.

De acordo com a OMS, uma série de ensaios clínicos mal sucedidos para o tratamento da demência e os elevados custos de pesquisa e desenvolvimento levaram ao “declínio do interesse em desenvolver novos esforços” científicos nesta matéria.

“No entanto, houve um aumento recente no financiamento de pesquisas sobre demência, principalmente em países de alto rendimento, como o Canadá, o Reino Unido e os Estados Unidos da América. Este último aumentou seu investimento anual na pesquisa da doença de Alzheimer de 631 milhões de dólares (cerca de 532 milhões de euros) em 2015 para uma estimativa de 2,8 mil milhões (cerca de 2,3 mil milhões de euros) em 2020”, adiantou a organização.

Este relatório sobre a situação global da doença faz um balanço do progresso feito para atingir as metas globais de 2025 estabelecidas no Plano de Acção Global para a Demência da OMS, publicado em 2017.

Diário de Notícias
Lusa
02 Setembro 2021 — 11:19

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1008: Há medicamentos para a diabetes que podem atrasar a progressão do Alzheimer

SAÚDE/MEDICAMENTOS/ALZHEIMER/DIABETES

geralt / Pixabay

Um novo estudo encontrou uma associação entre uma classe particular de medicamentos usados para tratar diabetes tipo 2 e redução de bio-marcadores da doença de Alzheimer.

A razão pela qual este medicamento está a surtir este efeito neuro-protector é desconhecida, mas cientistas pedem agora ensaios clínicos em grande escala para explorar esses tratamentos potenciais em grupos não diabéticos, escreve o New Atlas.

Investigadores observaram taxas mais altas de demência em pacientes com diabetes tipo 2. Um estudo realizado no início do ano sugeriu que tensão alta pode explicar a relação entre diabetes e demência, mas ainda não é claro o que liga as duas condições.

Por outro lado, tem havido cada vez mais observações de taxas anormalmente baixas de doenças neuro-degenerativas em grupos de pacientes diabéticos que tomam alguns medicamentos anti-diabéticos.

Um outro estudo mostrou que pacientes idosos que tomavam metformina registaram um declínio cognitivo mais lento em comparação com pessoas sem diabetes que não tomavam esta medicação.

Agora, este novo estudo científico analisou uma classe particular de medicamentos para diabetes chamados inibidores da dipeptidil peptidase 4 (DPP-4i), também conhecidos como gliptinas.

Os investigadores compararam dados de TACs ao cérebro e resultados de testes cognitivos de 70 pacientes diabéticos que tomavam DPP-4i, 71 pacientes diabéticos que não tomavam DPP-4i e 141 pacientes não-diabéticos.

Todos os participantes mostraram os primeiros sinais da doença de Alzheimer e tinham uma idade média de 76 anos.

Acompanhados ao longo de cerca de seis anos, os pacientes diabéticos que se medicavam com DPP-4i apresentaram taxas significativamente mais lentas de declínio cognitivo em comparação com os outros grupos.

Olhando para aquele que é o bio-marcador primário da doença de Alzheimer, a acumulação de proteína amilóide no cérebro, o estudo descobriu que os pacientes que tomavam DPP-4i tinham níveis médios mais baixos do que outros pacientes diabéticos e não diabéticos.

“Pessoas com diabetes demonstraram ter um risco maior de doença de Alzheimer, possivelmente devido aos altos níveis de açúcar no sangue, que foram associados à acumulação de beta amilóide no cérebro”, disse o co-autor Phil Hyu Lee, citado pela Academia Americana de Neurologia.

Os resultados do estudo foram recentemente publicados na revista científica Neurology.

Por Daniel Costa
19 Agosto, 2021

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949: Especialistas preocupados com a possibilidade de a covid-19 potenciar o Alzheimer

SAÚDE/COVID-19/ALZHEIMER

Rawpixel

Com muitos recuperados a queixarem-se de névoa cerebral, dificuldades de concentração e confusão após a covid-19, vários investigadores estão a tentar perceber se as infecções podem ter consequências a longo prazo para o cérebro. Os resultados não são tranquilizantes.

Os três novos estudos, apresentados na Conferência Internacional anual da Associação de Alzheimer, realizada em Denver, examinaram diferentes aspectos da ligação entre a covid-19 e as questões cerebrais.

Para já, nenhum dos estudos passou na revisão por pares – o padrão para pesquisas científicas – sendo que as descobertas são preliminares. Ainda assim, os resultados deixaram os peritos inquietos, sobretudo porque ainda há várias perguntas sem respostas.

Nas pesquisas divulgadas na quinta-feira, os cientistas descobriram mudanças na biologia do cérebro após a hospitalização de doentes com covid-19.

Por exemplo, uma das pesquisas, realizada por investigadores da Langone Health da Universidade de Nova Iorque, analisou 310 pacientes com covid-19 com mais de 60 anos e que foram hospitalizados. Percebeu-se que cerca de metade apresentava sintomas neurológicos, principalmente confusão.

Os pacientes com sintomas tinham níveis sanguíneos mais elevados de marcadores frequentemente associados a danos cerebrais e Alzheimer.

Os investigadores estão preocupados com a possibilidade dos sintomas cerebrais persistentes poderem levar à demência, anos ou décadas depois da infecção de covid-19. “Não sabemos ainda, mas precisamos de entender”, referiu Heather Snyder, vice-presidente de relações médicas e científicas da Associação de Alzheimer, citado pelo USA Today.

Ronald Petersen, diretor do Centro de Pesquisa da Doença de Alzheimer da Mayo Clinic em Rochester, no Minnesota, afirma que a duração dos sintomas da covid-19 permanece obscura.

Petersen, que não esteve envolvido nos estudos, referiu que ainda é cedo para entender o que está a acontecer no cérebro das pessoas com sintomas de longa duração, mas considera que este estado, provavelmente, se deve a uma inflamação persistente ou a efeitos colaterais da inflamação que ocorreram durante a infecção.

George Vavougios, o autor principal de um dos novos estudos, sublinha estar preocupado com a frequência dos problemas cerebrais, já que muitos dos participantes do seu estudo também estão a apresentar problemas cognitivos após a infecção, independentemente da idade.

O especialista não tem a certeza se a infecção pode influenciar o aparecimento da doença de Alzheimer no futuro, ou se as pessoas com graves sintomas também têm maior probabilidade genética de desenvolver Alzheimer.

Perante tantas dúvidas, a Associação de Alzheimer apoia pesquisas em todo o mundo, na esperança de acelerar a compreensão de qualquer ligação entre a covid-19 e problemas cerebrais.

 

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Ana Isabel Moura, ZAP //

Por Ana Isabel Moura
2 Agosto, 2021


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772: Luzes cintilantes mostram potencial como novo tratamento para o Alzheimer

CIÊNCIA/SAÚDE/ALZHEIMER

Annabel_P / Pixabay

Uma equipa de investigadores usou som e luzes cintilantes para tratar ratos com a doença de Alzheimer, obtendo alguns resultados positivos. Agora, os cientistas testaram o mesmo tratamento em humanos, conseguindo mais uma vez resultados encorajadores.

A autora principal do estudo, Annabelle Singer, salienta que os resultados foram excelentes, até mesmo melhores do que esperavam. O estudo foi publicado em Maio na revista científica Alzheimer’s & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions.

As luzes cintilantes estimulam as ondas gama, manipulando a actividade neural, recrutando o sistema imunitário do cérebro e eliminando os patógenos. Desta forma, o tratamento consegue travar com sucesso a luta contra o Alzheimer.

Esta foi a primeira vez que Singer e sua equipa conseguiram testar a estimulação sensorial gama por um longo período de tempo.

Os dez pacientes que participaram no estudo foram divididos em dois grupos. No primeiro, foram expostos à luz e som a 40 hertz, uma hora por dia durante oito semanas. No segundo grupo, o período foi de quatro semanas após um início atrasado.

Não só a luz e o som eram toleráveis, como provocaram uma resposta positiva do cérebro dos pacientes. Assim como os autores esperavam, a actividade cerebral — ondas gama — estava sincronizada com a estimulação externa.

As ondas gama estão associadas a funções cognitivas de alto nível, como percepção e memória, escreve o portal Big Think.

Alguns participantes relataram zumbido nos ouvidos, dores de cabeça e um leve desconforto que poderá ter sido tonturas relacionadas com as luzes. Mas, regra geral, Singer diz que o perfil de segurança do dispositivo era excelente.

“Estamos a conseguir envolvimento imunitário em humanos”, diz Singer. O tratamento desencadeou a actividade de citocinas, proteínas usadas na sinalização celular — um sinal de que a cintilação activou o sistema imunitário do cérebro.

Os investigadores questionaram-se se um teste mais longe em humanos faria diferença. Por exemplo, haveria actividade amilóide reduzida?

“Até agora, isso é muito preliminar e não estamos nem perto de tirar conclusões sobre o benefício clínico deste tratamento”, disse o co-autor James Lah. “Mas agora temos alguns argumentos muito bons para um estudo maior e mais longo com mais pessoas.”

O estudo surge numa altura em que a Food and Drug Administration (FDA), o regulador dos Estados Unidos para a alimentação e medicamentos, aprovou, pela primeira vez desde 2003, um novo medicamento para tratar o Alzheimer — que parece ser eficaz.

O fármaco, Aduhelm, que segundo a FDA é o “primeiro tratamento dirigido à fisiopatologia subjacente ao Alzheimer”, detecta placas beta-amiloides no cérebro, remove estas placas e desacelera o avanço da doença. Os efeitos benéficos ainda não são totalmente conhecidos, mas os resultados dos testes são promissores, diz o regulador.

Por Daniel Costa
17 Junho, 2021

 

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744: EUA aprovam primeiro novo fármaco para Alzheimer em 20 anos, mas terapia levanta dúvidas

 

SAÚDE/FÁRMACOS/ALZHEIMER

A autoridade do medicamento norte-americana (FDA) aprovou o primeiro novo fármaco para a doença de Alzheimer em quase 20 anos, apesar de consultores independentes avisarem que o tratamento não demonstrou ser eficaz em desacelerar a doença.

© DR

Em causa está um novo medicamento desenvolvido pela farmacêutica Biogen, em parceria com a japonesa Eisai Co., para pacientes com Alzheimer, e o único que o regulador considera provavelmente capaz de tratar a doença subjacente, em vez de controlar apenas sintomas como a ansiedade e insónia.

De acordo com a agência Associated Press (AP), a decisão, que poderá ter um impacto na vida de milhões de idosos e das suas famílias, deverá gerar divergências entre médicos, investigadores e grupos de pacientes, afectando também no longo prazo os padrões usados para avaliar terapias experimentais.

O novo medicamento, que é administrado por infusão a cada quatro semanas, não mostrou evidências de conseguir reverter o agravamento da saúde mental, atrasando-o em apenas um estudo.

Em Novembro, um grupo externo de especialistas neurológicos da FDA deu parecer negativo a uma série de questões sobre se os dados do estudo submetido pela Biogen mostraram que o fármaco era eficaz.

A FDA solicitou, entretanto, que a farmacêutica conduza um estudo de acompanhamento para confirmar os benefícios para os pacientes. Se o novo estudo também não demonstrar a eficácia do medicamento, a FDA poderá retirá-lo do mercado, embora raramente o faça.

A Biogen não divulgou o preço do novo fármaco, mas especialistas estimam que um ano de tratamento possa custar entre cerca de 24.500 euros e quase 41 mil euros. Uma outra análise preliminar concluiu que o medicamento teria de custar entre 2.050 euros e 6.800 euros por ano para ter um bom valor, com base nos “pequenos benefícios gerais para a saúde” sugeridos.

Um instituto sem fins lucrativos de Boston, o Institute for Clinical and Economic Review, acrescentou que “qualquer preço é muito alto” se o benefício do medicamento não for confirmado em estudos futuros para acompanhar os doentes.

É a primeira vez em 20 anos que a FDA aprova um novo medicamento para o Alzheimer, que nos Estados Unidos afecta quase seis milhões de pessoas.

O novo fármaco é produzido através de células vivas que deverão ser administradas por infusão num consultório médico ou hospital. O efeito secundário mais comum foi inflamação no cérebro, que na maioria dos casos não causou sintomas ou problemas duradouros.

Em 2019, a farmacêutica norte-americana interrompeu dois estudos do medicamento depois de resultados que sugeriam que o “aducanumabe” (o anticorpo utilizado) não cumpria o objectivo de desacelerar a degenerescência mental e funcional em pacientes com Alzheimer.

Mais tarde, a empresa anunciou que uma nova análise de um dos estudos levava a concluir que o medicamento era eficaz em doses mais elevadas.

Diário de Notícias
DN/Lusa
07 Junho 2021 — 19:00

 

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

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