Mortalidade alta impede regresso total a uma “vida normal”

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/MORTALIDADE

Vinte. Este é o número mágico. Vinte mortes por milhão de habitantes a duas semanas. Só se atingindo este valor se poderá voltar à normalidade total. E para já o valor está em 63. O governo aliviou ontem restrições mas avisando que a pandemia não acabou.

A ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, apresentando ontem as conclusões do Conselho de Ministros
© Miguel A. Lopes/Lusa

Mais “um passo para o regresso a uma vida normal” mas “este não é o momento para se dizer que a pandemia acabou”.

Foi assim que, ontem, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, explicou as novas medidas governamentais de alívio das restrições pandémicas, após mais uma reunião do Conselho de Ministros.

Qualificando o momento como “muito importante”, precisamente pelo que representa de caminho de regresso à normalidade, a ministra não deixou, porém, de aconselhar prudência: “Continuamos perante o risco relativo ao aparecimento de novas variantes do vírus e há alguma incerteza sobre a longevidade da protecção de imunidade conferida pelas vacinas.”

Segundo Mariana Vieira da Silva, o alívio das medidas de controlo da covid-19 só é agora possível pelo “cumprimento dos portugueses das normas restritivas aplicadas, mas também pela evolução da ciência com as vacinas que existem ao dispor”. “Verificou-se um sentido cívico dos portugueses, que se vacinaram em largo número ao longo destes meses”, disse.

“Temos hoje 63 mortes por um milhão de habitantes a cada 14 dias e a meta definida pelos peritos e que o governo seguirá é de poder apenas passar para o nível sem restrições quando atingirmos as 20 mortes a 14 dias, indicador do qual ainda estamos algo distantes.”

E isto antes de deixar elogios aos profissionais de saúde, falando em “todos aqueles que, ao longo de dois anos, em condições tão difíceis, garantiram o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde”. “Este é um momento muito significativo de regresso a uma vida mais normal, com menos restrições. Desde o primeiro dia, este governo sempre disse que só tomaria as medidas que fossem estritamente necessárias, nunca indo além das necessárias”, acrescentou. Face ao actual quadro epidemiológico do país, com uma redução clara do indicador de transmissão da doença, assim como da sua incidência na população, a ministra de Estado e da Presidência concluiu que “há condições para se dar um passo significativo no regresso à normalidade”.

As novas medidas irão entrar em vigor o mais rapidamente possível, assim que o Presidente da República as promulgar (e o governo prometia enviá-las ontem mesmo). Na hierarquia dos estados de excepção previstos na Lei de Bases da Protecção Civil, Portugal passa agora à situação mais “leve”, baixando de situação de calamidade para situação de alerta.

O que levou o governo a determinar o levantamento de várias restrições foi a melhoria de vários indicadores da pandemia.

Segundo os dados apresentados pelo executivo, o índice de transmissibilidade [R(t)[ – que estima o número de casos secundários de infecção resultantes de cada pessoa portadora do vírus – está agora nos 0,76 e a incidência acumulada a sete dias baixou para os 1.302,7 casos de infecção por 100 mil habitantes. Em queda está também o número de internamentos em enfermaria e em unidades de cuidados intensivos, que, de acordo com o boletim de hoje da Direcção-Geral da Saúde, baixou para os 2.022 internados, dos quais 132 em unidades de medicina intensiva.

Há, porém, um indicador que, por ora, trava o levantamento total das restrições. Esse indicador é o número de mortes diárias. Será preciso que Portugal atinja os 20 óbitos a 14 dias por um milhão de habitantes, o limiar definido pelo Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC).

“Temos hoje 63 mortes por um milhão de habitantes a cada 14 dias e a meta definida pelos peritos e que o governo seguirá é de poder apenas passar para o nível sem restrições quando atingirmos as 20 mortes a 14 dias, indicador do qual ainda estamos algo distantes”, afirmou a ministra da Presidência. Dito de outra forma: o número de óbitos provocados pela covid-19 “é ainda muito elevado”, tendo-se registado 46 mortes na quarta-feira, e 42 ontem (ver números ao lado) sendo este o “indicador que ainda se encontra mais distante dos objectivos definidos” pela ECDC.

Máscaras nas escolas?

As novas medidas governamentais suscitaram poucas reacções partidárias. A Iniciativa Liberal (IL) criticou o executivo por, apesar do alívio das medidas devido à covid-19, ter mantido obrigatório o uso das máscaras em espaços fechados, nomeadamente nas escolas, considerando que esta é “uma falha grave” do executivo.

Em comunicado, a IL começou por saudar que “finalmente se tenham eliminado” algumas das restrições e “avançado no sentido da reposição de uma normalidade social e de respeito pelos direitos individuais dos portugueses”. Mas, ao mesmo tempo, condenou “veementemente” o governo por não ter “alterado a obrigação de uso de máscara em espaços fechados, nomeadamente nas escolas”.

“As crianças e os jovens continuarão a ver o seu desenvolvimento muito prejudicado na aquisição de linguagem, na comunicação, na expressão e na socialização. É urgente proceder à recuperação da aprendizagem e dos prejuízos que a pandemia causou no desenvolvimento das crianças e jovens, pelo que esta é uma falha grave do governo”, lê-se no comunicado.

Já o Chega disse esperar que agora o governo aprove um um “pacote de apoio económico” a sectores como a restauração, hotelaria ou diversão nocturna.

joao.p.henriques@dn.pt

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
18 Fevereiro 2022 — 00:05

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1630: Fim da exigência de certificado e do isolamento de contactos de risco

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/MEDIDAS RESTRITIVAS

O Governo decidiu a retirada a exigência de certificado digital (só nas fronteiras) e a recomendação do teletrabalho. A exigência de teste negativo só é válida para acesso a grandes eventos. Recintos desportivos, bares e discotecas deixa de ser exigido.

© MIGUEL A. LOPES/LUSA

O Conselho de Ministros decidiu esta quinta-feira, após reunião no Palácio da Ajuda, em Lisboa, um conjunto de alterações de medidas restritivas para controlar a pandemia.

“Estamos perante mais um passo para o regresso a uma vida normal”, afirmou Mariana Vieira da Silva, ministra do Estado e Presidência, na conferência de imprensa de apresentação das novas decisões, na qual deixou um alerta: “Este não é o momento para se dizer que a pandemia acabou. Continuamos perante o risco relativo ao aparecimento de novas variantes do vírus e há alguma incerteza sobre a longevidade da protecção conferida pelas vacinas” contra a covid-19.

Medidas que terminam:

– Confinamento de contactos de risco
Os contactos de alto risco vão deixar de ficar em confinamento, passando apenas a estar em isolamento as pessoas que testem positivo ao vírus SARS-CoV-2. “A partir da entrada em vigor desta resolução os confinamentos são apenas para as pessoas que testem positivo, tendo ou não sintomas”, disse a ministra.

– Recomendação de teletrabalho
O teletrabalho deixa de ser recomendado, passando a vigorar a “normalidade” no que diz respeito ao trabalho. “Deixa de existir recomendação de teletrabalho a partir de agora voltando em pleno à normalidade no que diz respeito ao teletrabalho”, referiu Mariana Vieira da Silva. Refira-se que o teletrabalho tinha deixado de ser obrigatório passando a ser recomendado desde 14 de Janeiro.

– Limites de lotação em estabelecimentos comerciais
Vão “ser retirados os limites de lotação em estabelecimentos comerciais que ainda hoje vigoram”, anunciou Mariana Vieira da Silva. Ou seja, termina a limitação de um cliente por cada cinco metros quadrados.

– Exigência de certificado digital, salvo no controlo de fronteiras
A partir de agora foi declarado pela ministra “o fim da exigência de certificado digital”, excepto no controlo de fronteiras para entrar em Portugal.

– Exigência de teste negativo para acesso a grandes eventos, recintos desportivos e bares e discotecas.
Mariana Vieira da Silva referiu que deixa de vigorar a “exigência de teste negativo para acesso a grandes eventos, recintos desportivos e bares e discotecas”. Os bares e discotecas reabriram a 14 de Janeiro, após encerramento de três semanas no âmbito das medidas de contenção da pandemia, com os clientes sem dose de reforço da vacina a terem de apresentar teste negativo para entrar. Para entrar nos bares e discotecas os clientes tinham até agora de apresentar um teste negativo à covid-19, com excepção de quem demonstrasse ter sido vacinado há pelo menos 14 dias com uma dose de reforço contra a doença ou de quem tivesse um certificado de recuperação.

Restrições que continuam:

– Exigência teste negativo, salvo certificado de 3ª dose ou recuperação, para: visitas a lares e visitas a pacientes internados em estabelecimentos de saúde.
“Nesta primeira fase, mantém-se a exigência de teste negativo, salvo certificado de 3.ª dose ou de recuperação, para visitas a lares e para visitas a pacientes internados em estabelecimentos de saúde”, explicou a ministra, referindo que se trata de pessoas “em especial vulnerabilidade”.

-Uso da máscara nos espaços interiores onde é exigida actualmente
Além da generalidade dos espaços interiores, Mariana Vieira da Silva frisou ainda que as máscaras continuam a ser obrigatórias nos “eventos de muito grande dimensão, de que são exemplo os estádios de futebol que, apesar de serem ao ar livre”.

“Número de mortes ainda é muito elevado”

A ministra da Presidência lembrou que o número de mortes por covid-19 “ainda é muito elevado” em Portugal, o que não permite ao Governo levantar a totalidade das medidas de controlo da pandemia.

“Temos hoje 63 mortes por 100 mil habitantes a cada 14 dias e a meta definida pelos peritos e que o Governo seguirá é de poder apenas passar para o nível sem restrições quando atingirmos as 20 mortes a 14 dias por milhão de habitantes, indicador do qual ainda estamos algo distantes”, afirmou Mariana Vieira da Silva, no final do Conselho de Ministros.

Mariana Vieira da Silva adiantou ainda que o índice de transmissibilidade (Rt) está agora nos 0,76, “já claramente abaixo de 1 e em rota descendente”. “Temos uma incidência acumulada a sete dias ainda elevada, mas em queda muito significativa de 1.302,7 [casos de infecção] por 100 mil habitantes a sete dias”, avançou a ministra.

Segundo disse, o número de internamentos também está “em queda”, face ao máximo registado na recente onda pandémica do início deste ano (2560), mas também em relação ao recorde atingido no início de 2021 de 6869 doentes internados.

“Relativamente à evolução do número de internamentos em unidades de cuidados intensivos, que eram de 142 doentes na quarta-feira, a ministra da Presidência adiantou que na onda pandémica recente não foi atingida a “linha vermelha” de 255 camas ocupadas.

Diário de Notícias
DN
17 Fevereiro 2022 — 13:02

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1628: Do teletrabalho ao uso de máscaras. O que recomendam os peritos

– Eu, quando for grande, gostava de ser “perito” e/ou “especialista” em medicina! Actualmente, sou perito e especialista noutras áreas científicas e não científicas, mas esses tipos de especialidades não me conferem falar do que não sei. Contudo, um qualquer analfabeto, que infelizmente ainda existem, sabe traduzir as estatísticas dos INFECTADOS e dos MORTOS diários e daí tirar conclusões que não irão de encontro aos pareceres dos peritos e especialistas em medicina, as cabecinhas pensadoras do nosso país… salvo os acéfalos indigentes que nunca cumpriram os vários estados de calamidade pública (ALERTA, CALAMIDADE, CONTINGÊNCIA e EMERGÊNCIA), as regras básicas de segurança sanitária, o distanciamento físico e andaram alegremente e sempre na boa-vai-ela desde o início da pandemia em Março de 2020… e os ainda cientes que estas medidas de alívio não trarão nada de bom…

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/PERITOS/ESPECIALISTAS

Os especialistas estiveram reunidos para para avaliar a evolução da situação epidemiológica e sugerem um alívio nas medidas.

© ANT�NIO COTRIM/LUSA

As medidas em vigor para controlar a pandemia de covid-19 deverão revistas na quinta-feira pelo Governo, depois dos peritos terem sugerido um alívio nas restrições, como o fim das limitações de acesso a lojas, bares e discotecas.

Apesar de ainda existirem incertezas, como afirmou esta quarta-feira a ministra da Saúde, Portugal está numa nova fase da pandemia devido à alta taxa de vacinação e da menor gravidade associada à variante Ómicron.

Os especialistas, reunidos esta quarta-feira no Infarmed, em Lisboa, para avaliar a evolução da situação epidemiológica, sugerem um alívio nas medidas contra a covid-19, que deverão ser decididas em Conselho de Ministros de quinta-feira.

Medidas sugeridas pelos peritos:

Acesso a lojas, bares e discotecas

O acesso a lojas, bares e discotecas deve passar a ser feito sem limitações e restrições.

Uso do Certificado digital covid-19

O certificado, hoje obrigatório para acesso a restaurantes, estabelecimentos turísticos, alojamento local e espectáculos culturais, passe a ser usado apenas “em contexto de saúde ocupacional (ex: novos trabalhadores).

Uso de máscara

O uso de máscara deve ser apenas obrigatório em espaços interiores públicos, serviços de saúde e transportes. No exterior, a máscara deve ser apenas usada em áreas com grande densidade populacional.

Teletrabalho

O teletrabalho deve deixar de ser recomendado, passando o trabalho presencial a fazer-se sem limitações.

Testagem

A testagem à covid-19 passa a ser recomendada em populações de maior vulnerabilidade (admissão nos lares e antes de internamento hospitalar), funcionários do pré-escolar, em locais de maior risco de transmissão e quando existem sintomas, em contexto de diagnóstico.

Sistema integrado de vigilância de infecções respiratórias

Os peritos ouvidos na reunião do Infarmed sobre a evolução da pandemia propõem um sistema de vigilância de infecções respiratórias que integre o vírus SARS-Cov-2, o da gripe e o vírus sincicial respiratório (que afecta crianças).

DN/Lusa
16 Fevereiro 2022 — 17:46

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Ministra admite alivio de medidas “tão rápido quanto possível e tão devagar quanto necessário”

– Este “alívio” de medidas é como meter um lobo a guardar a capoeira… Desejo veementemente estar profundamente enganado.

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/ALÍVIO DE MEDIDAS

Marta Temido abre a porta à testagem focada, à avaliação dos contextos em que o uso obrigatório de máscara possa vir a cair e à alteração das situações em que é exigida a apresentação do certificado digital. Ministra da Saúde fala em “situação controlada”, mas que se deve manter a vigilância, e peritos defendem fim das limitações no acesso a lojas, bares e discotecas.

A ministra da Saúde, Marta Temido, na reunião com os especialistas no Infarmed, em Lisboa
© ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A ministra da Saúde considerou esta quarta-feira que Portugal se encontra numa nova fase da pandemia da covid-19 e admitiu o alívio de medidas de mitigação, com nova política de testagem e a revisão da obrigatoriedade de máscara.

“Tão rápido quanto possível e tão devagar quanto necessário”, disse Marta Temido sobre o eventual alívio de restrições, em declarações aos jornalistas à saída da reunião do Infarmed, que juntou peritos e responsáveis políticos para avaliar a evolução da situação epidemiológica.

A frase já tinha sido dita no decorrer do encontro pelo investigador Henrique Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, e foi repetida à saída da reunião pela ministra da Saúde.

Resumindo as conclusões do encontro, a ministra da Saúde referiu que é possível considerar que o país se encontra já numa nova fase da pandemia da covid-19, apesar de admitir que há ainda muitas incertezas, abrindo a porta à revisão das medidas actualmente em vigor.

Concretamente, Marta Temido referiu uma nova política de testagem, que deverá passar a ser focada, a avaliação dos contextos em que o uso obrigatório de máscara possa vir a cair e a alteração das situações em que é exigida a apresentação do certificado digital.

“Estamos a falar de questões relacionadas com a eventual alteração da política de testagem, tornando-a mais focada, com a apresentação de certificados digitais em determinados espaços, temas como a utilização ou não de máscara onde podemos estar mais protegidos”, explicou, acrescentando também a possibilidade de rever as regras quanto à lotação de determinados espaços.

Sem confirmar prazos para a implementação destas medidas, a ministra remeteu eventuais decisões para a próxima reunião do Conselho de Ministros, ainda esta semana, e disse esperar que possa ser “tão rápido quanto possível”, ressalvando que, por outro lado, será também “tão devagar quanto necessário”.

“É essencial que continuemos a vigiar”, sublinha Marta Temido

Além do alívio de restrições, a estratégia para a nova fase da pandemia deverá assentar igualmente noutros três eixos.

“É essencial que continuemos a vigiar. Outro eixo é o da vacinação, é essencial que façamos as doses de reforço que ainda não foram feitas e que vacinemos as pessoas que entram em condições de ser vacinadas”, apontou, acrescentando o eixo da testagem.

A governante falou numa alteração do paradigma de testagem “para uma testagem mais focada, como já tivemos no passado”, assim como a aquisição de novos fármacos e novas medidas legislativas. Temas que estarão em cima da mesa na reunião do Conselho de Ministros desta semana.

A ministra da Saúde adiantou que Portugal está a procurar negociar a compra de novos fármacos para o tratamento da doença grave e abriu também a porta a novas medidas de saúde pública, que não dependem do executivo, disse Marta Temido, referindo-se a “questões como o número de dias que uma pessoa que está positiva tem de ficar em isolamento, se esse número de dias varia consoante a sintomatologia ligeira, grave ou de outro tipo, e até medidas relacionadas com aquilo que é a organização dos circuitos em termos de atendimento de doentes”. Questões cuja decisão remeteu para a Direcção-Geral da Saúde (DGS)

“Há novos fármacos a surgir e que têm um efeito muito promissor e seguro no debelar da doença grave e há medidas legislativas, de política, as máscaras, os certificados, as lotações”, detalhou.

Após ouvir os especialistas, Marta Temido concluiu que a “pandemia entrou numa outra fase”. “Com um risco efectivo de transmissão abaixo de 1. Estamos, porém, com um número de novos casos ainda num patamar elevado”, referiu. Estamos numa “situação controlada, que nos permite olhar com expectativa para o que aí vem”, disse.

“Devemos manter a vigilância, um acompanhamento atento, até por força do eventual aparecimento de uma nova variante e por questões da efectividade vacinal. Dentro deste contexto podemos considerar que é uma nova fase”, acrescentou.

Sugerido o fim das limitações de acesso a lojas, bares e discotecas. Máscara obrigatória só em espaços interiores públicos

Na reunião de avaliação da situação epidemiológica, os especialistas sugeriram um alívio nas medidas contra a covid-19, acabando com as limitações de acesso a lojas, bares e discotecas e com a máscara a ser apenas obrigatória em espaços interiores públicos, serviços de saúde e transportes.

Recomendaram também que o certificado, hoje obrigatório para acesso a restaurantes, estabelecimentos turísticos, alojamento local e espectáculos culturais, passe a ser usado apenas “em contexto de saúde ocupacional (ex: novos trabalhadores)” e recomendam que, em locais exteriores, o uso da máscara de protecção se limite às áreas com grande densidade populacional.

Defendem ainda que deixe de haver qualquer recomendação para teletrabalho, passando o trabalho presencial a fazer-se sem limitações, e quanto à testagem recomendam-na em populações de maior vulnerabilidade (admissão nos lares e antes de internamento hospitalar), funcionários do pré-escolar, em locais de maior risco de transmissão e quando existem sintomas, em contexto de diagnóstico.

“Há ameaças que não devem ser esquecidas”, como a desigualdade de acesso às vacinas a nível mundial

Considerando que estão reunidas condições para reduzir as medidas, Raquel Duarte, da ARS Norte, Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, lembrou, contudo, que “é preciso manter a vigilância” e que “há ameaças que não devem ser esquecidas”, como a desigualdade de acesso às vacinas a nível mundial, que pode potenciar o aparecimento de novas variantes.

Lembrou que, no contexto europeu, Portugal é um dos países com menos medidas restritivas e chamou a atenção para a necessidade de manter a vigilância dos mais vulneráveis, como os idosos que vivem em instituições ou estão internados e quem trabalha nos serviços de saúde.

A especialista considerou que este é “o momento ideal” para passar às chamadas medidas de nível 1 – com avaliação quinzenal — e disse que os próximos passos exigem um foco na monitorização, vacinação, ventilação e uso da máscara em ambientes de risco (lares e unidades de saúde).​​​​​​

No nível 1, Raquel Duarte propõe”que não haja mais limitações em termos de acesso a estabelecimentos comerciais, bares e discotecas”, e que “o certificado digital seja utilizado em contexto de saúde ocupacional”.

Neste nível 1, a máscara continuaria a ser obrigatória em ambientes como transportes públicos, locais interiores públicos, serviços de saúde e em locais de grande densidade populacional. Mas no nível 0, a máscara não será obrigatória, mas apenas recomendada para quem tem sintomas, acrescentou.

Raquel Duarte diz que “estamos no momento ideal para passar ao nível 1, mas deve-se fazer avaliações quinzenais para saber se podemos progredir para o nível 0.

Na monitorização apontou o sistema de vigilância das infecções respiratórias, abordado na reunião por Ana Paula Rodrigues, especialista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, e na vacinação apontou a necessidade de “jogar com a sazonalidade” e definir qual a população elegível para as vacinas.

“Está na altura de aliviar as medidas, mantendo a monitorização e o alerta”

Raquel Duarte sublinhou também a necessidade de uma boa ventilação dos espaços e de preparar a população para uma mudança de comportamentos, com uso de medidas de protecção sempre que se tem sintomas.

“É preciso ritualizar comportamentos, não é aceitável descuidar a higienização das mãos, ou que não se mantenha distância ou não se use máscara se tivermos sintomas”, afirmou.

As medidas sugeridas como de nível 1, a avaliar a cada 15 dias, são passíveis de entrar em vigor com uma mortalidade inferior a 20 casos/milhão de habitantes a 14 dias e uma hospitalização em unidades de cuidados intensivos inferior a 170 (limite definido como de risco reduzido pelas linhas vermelhas).

Raquel Duarte defendeu a necessidade de preparar a população para a mudança de comportamentos, melhorando a literacia, alterando os comportamentos perante sintomas e insistindo na “utilização rotineira de medidas não farmacológicas perante risco de transmissão” e na evicção do local de trabalho/escolar se houver sintomas de doença.

“Assistimos a uma mudança de paradigma, resultante da alta taxa de vacinação e da menor gravidade das manifestações clínicas associadas à variante Ómicron. Está na altura de aliviar as medidas, mantendo a monitorização e o alerta”, afirmou a responsável, acrescentando que “é necessário capitalizar o que se aprendeu com a covid-19 e promover alteração de comportamentos associados às medidas não farmacológicas”.

Lembrou ainda que “haverá novas variantes, novos surtos” e que é preciso “manter a vigilância” e “ajustar as medidas ao risco”.

Proposto sistema integrado de vigilância de infecções respiratórias

Os peritos propõem ainda um sistema de vigilância de infecções respiratórias que integre o vírus SARS-Cov-2, o da gripe e o vírus sincicial respiratório.

“Vamos necessitar de manter a vigilância (…) e conseguir identificar tendências de evolução”, afirmou Ana Paula Rodrigues, especialista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, sublinhando que o que se propõe é “olhar com maior detalhe para as infecções respiratórias, para conseguir uniformizar o que se vai observando”.

“À medida que as medidas de saúde pública forem sendo aliviadas, não vai ser necessário identificar todos os casos de infecção, como fazemos, as estratégias de testagem irão mudar e, gradualmente, o foco de interesse vai mudar para os casos de doença com impacto na morbilidade, na mortalidade e na resposta dos serviços saúde”, afirmou.

Ana Paula Rodrigues disse ainda que o sistema agora proposto permitirá uma maior optimização de recursos e sublinhou a importância deste modelo de vigilância, uma vez que há “outros agentes respiratórias de igual potencial epidémico e sazonal”, como o vírus da gripe e o vírus sincicial respiratório.

Este sistema de vigilância de infecções respiratórias agudas permitirá uma recolha integrada e uniforme dos dados clínicos e laboratoriais, permitindo pré-seleccionar unidades de saúde para “ter uma amostra representativa” da população.

“Assim, teremos potencial capacidade para monitorizar a incidência da doença, ao mesmo tempo que monitorizamos a gripe e outros agentes de infecção respiratória”, explicou a responsável, na sua intervenção sobre “Vigilância na fase de recuperação da pandemia”.

A especialista do INSA sublinhou ainda a alteração do padrão epidemiológico da covid-19, lembrando que “embora mantenha uma muito elevada transmissibilidade”, traduz-se numa menor gravidade da doença e num menor impacto na exigência de resposta dos serviços de saúde e na mortalidade, “fruto da evolução do vírus, mas sobretudo devido à cobertura vacinal”.

Frisou ainda que as assimetrias vacinais a nível mundial potenciam o aparecimento de novas variantes e, por isso, insistiu na necessidade de manter a vigilância.

Disse ainda que tudo terá de ser complementado com amostragens dirigidas a surtos e a casos importados, onde a probabilidade de aparecimento de novas variantes é maior, monitorizando igualmente a efectividade das vacinas, das existentes e de novas que possam aparecer, assim como de novos medicamentos.

Além de permitir também comparar dados nacionais e internacionais, o novo sistema terá ainda de ter “capacidade de adaptação a situações não esperadas e permitir disponibilização de informação de forma rápida, disse.

Embora o sistema proposto deva ficar “na alçada do Ministério da Saúde”, Ana Paula Rodrigues admite que seja necessária a colaboração e parcerias com outros ministérios, dando como exemplo a inclusão da Direcção Geral de Veterinária, para uma visão mais ampla da saúde.

“Embora o foco da vigilância se proponha centrado nas formas mais graves da doença, serão a ponta do icebergue que vamos ver”, afirmou a responsável, acrescentando: “É importante vigiar todo o espectro de infecções para ter perspectiva global da realidade, desde as formas assintomáticas da doença até à mortalidade”.

Sugere ainda a manutenção de inquéritos serológicos periódicos como medida aproximada para aferir a imunidade populacional, assim como insiste na necessidade da vigilância das águas residuais e na “vigilância activa” na população, em que quem tem sintomas os reporta.

Contudo, afirmou, “há populações mais vulneráveis, ou de maior risco, que precisam de vigilância mais de perto, como por exemplo as pessoas que estão institucionalizadas, internadas ou os trabalhadores das unidades de saúde”.

Pico da quinta vaga da pandemia foi atingido no dia 28 de Janeiro

Pedro Pinto Leite​​​​​​, da DGS, que abriu a reunião dos peritos, afirmou que “Portugal passou por cinco grandes ondas epidémicas”. “Encontramo-nos na quinta maior onda desde o início da pandemia”, disse o especialista em Saúde Pública.

Segundo dados apresentados por Pedro Pinto Leite, actualmente a incidência cumulativa a sete dias por 100 mil habitantes, entre 7 e 13 de Fevereiro, é de 1.562 casos, o que representa menos 45% relativamente ao período homólogo e indica que Portugal de encontra “numa tendência decrescente” da pandemia.

“O pico da incidência terá ocorrido no dia 28 de Janeiro com 2.789 casos a sete dias por 100 mil habitantes”, salientou o especialista da DGS.

Diário de Notícias
DN/Lusa
16 Fevereiro 2022 — 13:05

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