1160: E depois da máscara, o que se segue? Mais infecções respiratórias e alergias

SAÚDE PÚBLICA/MÁSCARAS/ALERGIAS/INFECÇÕES

A máscara foi uma arma protectora durante a pandemia, mas o que se segue “é o que era normal”. Vamos ter mais infecções e mais alergias. Só é preciso que a população tome cuidados.

Deixar de usar máscara pode trazer de novo irritabilidade na garganta, espirros, congestionamento nasal.
© André Rolo Global Imagens

A pandemia da covid-19 trouxe a Portugal o uso obrigatório de máscara como forma de protecção contra o SARS CoV-2, quer se estivesse no espaço exterior ou interior, no trabalho, nas escolas, em áreas comerciais ou em instituições pública. A medida foi mesmo imposta pelo Decreto-lei n.º 10-A/2020, de 13 de Março.

Um ano e sete meses depois, mais precisamente desde o dia 1 de Outubro, em Portugal, o uso de máscara deixou de ser obrigatório ao ar livre, e sempre que seja possível manter a distância, mas ainda se mantém em espaço fechados e com áreas superior a 400 metros quadrados, nas escolas, salas de espectáculos, cinemas, recintos de eventos, transportes, estabelecimentos e serviços de saúde.

Ao longo da pandemia, a máscara revelou ser uma das medidas mais protectoras contra o novo coronavírus, mas à medida que a vacinação avança, e Portugal atingiu este fim de semana 85% de população vacinada, o primeiro país do mundo a fazê-lo, é normal que a população, aos poucos, comece a retirá-la. E a partir daqui o que pode acontecer? A médica Elisa Pedro, presidente cessante da Sociedade Portuguesa de Imunoalergologia, diz que é muito simples: “Vamos voltar ao normal, com mais infecções respiratórias para a população em população em geral e mais sintomatologia para os doentes alérgicos”.

Este era o quadro que existia antes da pandemia e é o que virá a seguir. Antes já se estimava que um terço da população sofria de doenças alérgicas e este número também não vai mudar. O que se verificou é que “a máscara funcionou como uma barreira protectora em relação ao vírus pandémico, mas também em relação à transmissão de infecções respiratórias, como a gripe e outras, para a população em geral. No inverno passado, tivemos muito menos gripe.

Na primavera, os próprios doentes alérgicos tiveram menos sintomatologia do que costumavam ter habitualmente. Tivemos muito menos queixas de rinite, por exemplo”,argumenta a médica e directora do Serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte. Embora, sublinha, “tenham mantido as queixas de conjuntivite, uma forma de alergia, e porque a máscara não lhes protegia os olhos, o que foi uma constatação interessante”.

A máscara protegeu os portugueses em relação aos vírus e aos agentes alergénios. Agora, com a retirada da máscara, é normal que estas situações voltem a reaparecer. Vai ser normal que as pessoas desenvolvam situações de infecções respiratórias em que os sintomas sejam de comichão na garganta, tosse, congestionamento das vias superiores, etc.

No entanto, “o retirar-se a máscara não significa que vamos ter mais doentes alérgicos. Não é assim, porque a doença alérgica tem uma componente genética. O que vai acontecer é que a população em geral possa desenvolver mais situações de infecção respiratória, do que se tivesse a usar a máscara, e que os doentes alérgicos podem vir a registar mais sintomatologia em relação às suas alergias”.

O único conselho é que voltem a ter mais cuidados com a exposição a certos ambientes, como às diferenças de temperatura, quente e frio, à poluição, aos ácaros, etc. “Se for num transporte público e alguém com uma infecção respiratória, gripe, laringite ou faringite, por exemplo, começar a espirrar é normal, se não estiver a usar máscara, que a transmissão aconteça”, explica: “Por isso, é que a Direcção-Geral da Saúde tem insistido tanto na vacinação contra a gripe”, sublinha a médica.

Mas não só. “É importante que as pessoas percebam que têm de ter, sobretudo nesta época, mais cuidado com a exposição às situações de quente e frio, a situações de ácaros, poluição, etc. Há também, mas isso só é possível por indicação médica, a vacinação contra bactérias, que também reforçam o sistema imunitário. É uma vacina que os nossos doentes asmáticos fazem muito nesta altura. Depois, é ter hábitos de alimentação saudáveis, fazer um reforço de vitamina C, comer vegetais e fruta, evitar situações de resfriados, mudança de temperatura, molhas, manter cuidados de protecção individuais”.

De uma forma ou de outra, o voltar ao normal passará pela retirada do uso de máscara como forma de nos proteger contra o SARS COV-2, mas não quer dizer que esta deixe deva ser posta de lado totalmente, porque em muitas situações, e sobretudo para quem já tem um sistema imunitário vulnerável, esta continua a ser uma barreira de protecção. Basta olhar para muitos países da Ásia em que a máscara faz parte dos hábitos diários como forma de protecção em relação a doenças e a ambientes poluidores.

Retrato das alergias em Portugal

Um terço da população portuguesa sofre de alergias, mas muitos destes ainda não têm diagnóstico médico e outros não são tratados adequadamente. A alergia é uma doença que tem uma componente genética e as doenças mais frequentes são a rinite e a asma.

Rinite Alérgica

Corresponde a uma inflamação crónica da mucosa nasal desencadeada pelo contacto com poeiras comuns no meio ambiente (aeroalergénios – ácaros do pó, pólenes, fungos, faneras de animais), em indivíduos a elas sensibilizados. Os sintomas mais característicos são a obstrução nasal, o “pingo”, os espirros e a “comichão” no nariz. A Rinite Alérgica pode associar-se a várias outras doenças (comorbilidades) existindo, por exemplo, uma forte associação com a asma (dada a via aérea única) em todas as idades.

Entre 10 a 40% dos doentes com rinite sofrem também de asma e mais de 80% dos asmáticos têm rinite. Estudos epidemiológicos sobre a doença alérgica em Portugal, dinamizados pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, revelaram uma prevalência estimada de rinite em indivíduos acima dos 16 anos de idade de 26.1%.

Asma

A asma afecta cerca de 700 mil portugueses (6,8% da população) – (300 milhões em todo o mundo), dos quais cerca de 175 mil crianças e adolescentes (8,4% das crianças). Cerca de metade dos doentes asmáticos portugueses não têm a sua asma controlada (51% crianças e 43% população geral). Isto deve-se à fraca adesão ao tratamento preventivo, regular e contínuo e à incorrecta utilização dos dispositivos inalatórios.

Contudo 9 em cada 10 doentes com asma não controlada, tem uma percepção errada do estado de controlo da sua doença, o que dificulta a procura de melhor tratamento. Isto deve-se ao facto de os doentes se habituarem a viver com as suas limitações, e isto não deve acontecer. Os doentes asmáticos podem ter uma vida normal como qualquer outra pessoa. A asma não deve limitar a sua qualidade de vida. As consequências do mau controlo da asma são as agudizações da asma, com necessidade de internamento, consultas de urgência e absentismo escolar e laboral. (1/3 das crianças asmáticas portuguesas é internada por asma pelo menos uma vez na vida – em média cada criança com asma vai 1 a 2 vezes ao ano aos serviços de urgência e falta 6 dias ao ano à escola).

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
11 Outubro 2021 — 00:22

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603: Época das alergias cada vez mais prolongada e intensa devido às alterações climáticas

 

SAÚDE/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/ALERGIAS

(CC0) Capri23auto / Pixabay

As alergias sazonais são cada vez mais prolongadas e intensas devido às alterações climáticas, revela um estudo da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, divulgado esta segunda-feira.

Os investigadores concluíram que a época de maior concentração de pólen dura actualmente mais 20 dias e tem 21% mais pólen do que em relação a 1990.

Liderados por William Anderegg, da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Utah, os investigadores descobriram que as alterações climáticas causadas pela actividade humana desempenharam um papel significativo no prolongamento da ‘estação do pólen’ e que também têm um efeito no aumento da quantidade de pólen.

“A forte ligação entre o tempo mais quente e as estações do pólen fornece um exemplo cristalino de como as alterações climáticas já estão a afectar a saúde das pessoas em todos os Estados Unidos”, disse William Anderegg a propósito da investigação, publicada esta segunda-feira na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, a publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

A equipa compilou dados medidos entre 1990 e 2018, a partir de 60 estações de medição do pólen nos Estados Unidos e no Canadá. E através desses números concluiu que houve um aumento da quantidade de pólen e que este começa a ser produzido 20 dias mais cedo do que em 1990, o que indica que o aquecimento global está a alterar o calendário interno das plantas (fenologia).

E ao dividir os anos do estudo em dois períodos, 1990-2003 e 2003-2018, os investigadores descobriram ainda que a contribuição das alterações climáticas para o aumento da quantidade de pólen esta a acelerar.

As alergias ao pólen transportado pelo ar podem provocar desde um simples incómodo a infecções nas vias respiratórias.

ZAP ZAP // Lusa

Por ZAP
10 Fevereiro, 2021

 

 

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