1665: Pandemia dá sinais de agravamento em Portugal, em linha com os restantes países europeus

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/AGRAVAMENTO

SJ Objio / Unsplash

Actualmente, os Cuidados Intensivos têm 27% de ocupação tida como valor crítico.

Portugal está actualmente numa fase de agravamento da pandemia da covid-19, uma tendência semelhante ao que se regista no resto do continente europeu. De acordo com o último relatório de linhas vermelhas, elaborado pela Direcção Geral de Saúde e pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge,a actividade epidémica é de “intensidade muito elevada, com inversão da tendência decrescente que vinha a observar-se nas últimos semanas”. Como tal, pode “esperar-se um aumento da incidência à semelhança do observado em alguns países europeus”.

Nos dados relativos à última semana, a taxa de incidência foi de 1.449 casos por 100 mil habitantes a 14 dias (tendência estável), ao passo que o R(t) tem um valor inferior a 1 a nível nacional (0,99), apesar de ser superior a 1 em todas as regiões, menos no Norte. Uma tendência contrária verifica-se nos internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos, actualmente nos 27% do valor tido como crítico, 255 camas ocupadas. Na semana anterior, o valor era de 35%.

Para já, ainda não é possível apontar ou calcular o impacto da subida dos números nos cuidados de saúde, já que tudo dependerá da imunidade resultante da campanha de vacinação, sobretudo no que respeita ao reforço. Para a DGS e o INSA, o sistema de saúde português “apresenta capacidade de acomodar o aumento de procura” por doentes Covid. Os dois organismos recomendam ainda que as medidas de protecção individual se mantenham.

No que respeita às faixas etárias, a tendência é crescente nos grupos entre os 10 e os 29 anos, sendo decrescente entre os menores de 10 anos e uma tendência estável nos restantes grupos etários, aponta o Observador.

Para Eric Topol, os números recentes não enganam: a Europa está perante uma nova vaga. O investigador do Instituto Scripps baseia o seu diagnóstico em dois gráficos, com uma série de curvas ascendentes relativos a vários países europeus e relacionado com o número de infecções e as hospitalizações. As subidas de casos registam-se no Reino Unido, Irlanda, Países Baixos, Suíça, Itália ou Portugal, enquanto as hospitalizações também têm vindo a aumentar no Reino Unido, Irlanda, Países Baixos ou Suíça.

O investigador alertou, no seu Twitter, para o perigo de se achar que a pandemia acabou e de se levantar todas as medidas de prevenção. “Mas não esperava que a nova vaga se manifestasse tão cedo“, considerou. De facto, a subida de casos aconteceu cerca de um mês após vários países terem levantado todas as suas medidas restritivas, lembra o Público.

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14 Março, 2022

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1063: Há vacinas mas a situação em Portugal é pior que há um ano

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VACINAS/SITUAÇÃO

Novos mortos por dia, novos infectados por dia, internamentos gerais e internamentos nos cuidados intensivos. Os números desmentem a tese de que hoje a situação pandémica é melhor do que há um ano. Falso: a situação é pior.

Pressão da pandemia sobre o SNS é hoje maior do que há um ano
© Artur Machado / Global Imagens

O avanço da vacinação – com os números a aproximarem dos 85 por cento, fasquia para o desconfinamento total – tem criado a percepção de que actualmente a situação pandémica é melhor do que a de há um ano. A verdade crua dos números mostra, porém, o contrário: nos quatro mais importantes indicadores (ver infografia em baixo), Portugal está hoje pior do que Setembro de 2020.

O DN comparou os números específicos relativos a 9 de Setembro: nesse dia, em 2020, morriam três pessoas; agora morreram dez. O número de novos infectados por dia era de 646; agora é mais do dobro (1408). O número de pessoas internadas era de 392 e agora 569; e as pessoas internadas em unidades de cuidados intensivos são mais do dobro; 52 contra 118.

Estes dados objectivamente desmentem a tese que o avanço da vacinação fez melhorar a situação pandémica: morre-se mais, há mais novos infectados por dia, maior pressão sobre o SNS. O que o avanço da vacinação então poderá eventualmente determinar é que, quando o inverno chegar, a pandemia não terá a progressão absolutamente alucinante que aconteceu no início deste ano, muito por culta do desconfinamento especial determinado pelo Governo no Natal. Os dias 28 e 31 de Janeiro foram os piores da pandemia em Portugal: 303 mortos em cada um desses dias. Este é um cenário que nenhum perito em Portugal prevê que se repita.

Comparação de dados Setembro 2020 com Setembro 2021
© Infografia DN

Ontem a DGS e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) divulgaram o chamado o relatório das “linhas vermelhas”. Portugal regista uma situação pandémica de covid-19 de “moderada intensidade”, mas com uma tendência decrescente em todo o país e na pressão sobre os serviços de saúde.

“A análise dos diferentes indicadores revela uma actividade epidémica de infecção por SARS-CoV-2 de moderada intensidade, com tendência decrescente a nível nacional, assim como na pressão sobre os serviços de saúde e na mortalidade por covid-19”, refere o documento.

Segundo o relatório, o número de novas infecções por cem mil habitantes, acumulado nos últimos 14 dias, foi de 231 casos, e apenas o Algarve regista uma incidência superior ao limiar de 480.

O grupo das pessoas entre os 20 a 29 anos apresenta o valor mais elevado neste indicador, com 479 casos, mas também a diminuir, e a faixa etária dos idosos com 80 ou mais anos registou uma incidência cumulativa a 14 dias de 116 casos por cem mil habitantes, o que “reflete um risco de infecção inferior ao risco da população em geral, com tendência decrescente”.

Relativamente aos serviços de saúde, o número de pessoas com covid-19 internadas em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) no continente está a decrescer, correspondendo a metade do valor crítico definido de 255 camas ocupadas, quando na semana anterior era de 55%.

Na quarta-feira, estavam em UCI 127 doentes, adianta o relatório, que avança ainda que a proporção de testes positivos foi de 3,1 por cento, encontrando-se abaixo do limiar definido de quatro por cento.

No que se refere à mortalidade atribuída à covid-19, apresenta também uma “tendência estável a decrescente”, com 14,1 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, o que corresponde a um decréscimo de 03% relativamente à semana anterior. Este valor é inferior ao limiar de vinte óbitos definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC).

“Observou-se uma diminuição do número de testes para detecção de SARS-CoV-2 realizados nos últimos sete dias”, com um total de 314.823 despistes da covid-19, contra os 346.320 realizados na semana anterior, indicam ainda os dados da DGS e do INSA.

O relatório refere ainda que mais de 29 mil pessoas com a vacinação completa contra a covid-19 foram infectadas com o vírus SARS-Cov-2, o que representa 0,4% do total de vacinados, e 309 morreram, mas estes dados são actualizados mensalmente, o que aconteceu pela última vez a 03 de Setembro.

A covid-19 provocou pelo menos 4, 6 milhões de mortos em todo o mundo, entre mais de 223 milhões de infecções, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse. Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 17.843 pessoas. O número total de infectados já é superior a um milhão (1.053.450 casos).

joao.p.henriques@dn.pt

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
11 Setembro 2021 — 01:13

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967: Linhas vermelhas: mortalidade deve aumentar nas próximas semanas entre os maiores de 80 anos

SAÚDE/PANDEMIA/INFECÇÕES/MORTES

© EDUARDO COSTA/LUSA

A mortalidade por Covid-19 em Portugal é “elevada” e deve até aumentar nas próximas semanas. Em causa está a subida de novas infecções nas faixas etárias mais velhas, acima dos 80 anos.

O alerta vem no mais recente relatório das linhas vermelhas da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge, que assinala a desaceleração da pandemia a nível nacional, mas realça esse dado relevante: o grupo etário acima dos 80 anos é o único que mantém uma tendência de crescimento de casos, apesar de ser aquele que tem maior percentagem de vacinados e a taxa de incidência de novas infecções mais baixa (168 novos casos por cada 100 mil habitantes).

Por isso, destaca o relatório, a “tendência” entre os maiores de 80 anos pode traduzir-se no aumento de internamentos e de mortes nas próximas semanas, sabendo-se que os idosos são uma população de maior risco.

Isto apesar de “a pressão sobre os cuidados de saúde dar indicação de estabilização ou início de diminuição”, nota.

Diário de Notícias
06 Ago 21:28


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930: O que aprender com outros países? Israel é exemplo de cautela. Reino Unido de correr riscos

SAÚDE/COVID-19/PANDEMIA/RISCOS

O que deve ser feito nesta fase da pandemia irá determinar os próximos tempos. Equipa que elaborou proposta para reduzir restrições propõe que se olhe para dois países com plano de vacinação avançado, um está a ser cauteloso, outro está a assumir mais riscos.

Reino Unido aboliu restrições mas assumiu que iria correr mais riscos, apostando na vacinação.

Portugal atingiu esta semana 52% de população com a vacinação completa (5,3 milhões de pessoas) e 67% de população que já tem uma dose da vacina (6,8 milhões de pessoas). Este pode ser o momento de viragem na evolução da pandemia. Pelo menos, há quem acredite que sim, mas tudo irá depender do que o país decidir e de como a própria população se irá comportar.

A equipa liderada pela pneumologista Raquel Duarte, que tem vindo a elaborar as propostas para as várias fases de desconfinamento a convite do Governo, deixa claro nesta última, divulgada na reunião de terça-feira no Infarmed, quais são os factores que aumentam o risco, os que o reduzem e para que países podemos olhar para aprender algo. E dá como exemplos Israel e Reino Unido, ambos com um processo de vacinação avançado, considerando que o primeiro está a actuar de forma mais cautelosa, e que o segundo está a arriscar mais.

Na proposta apresentada pela equipa de Raquel Duarte, da qual fazem ainda parte Óscar Felgueiras, Marta Pinto, Ana Aguiar, Filipe Alves, Hugo Monteiro, Cátia Bazete, Joana Chaves, Felisbela Lopes e Joana Couto, é mesmo referido: “Israel está a tomar uma posição mais cautelosa do que o Reino Unido”. Apesar de ter uma percentagem de população vacinada muito elevada, Israel está a ponderar a utilização do certificado digital para acesso a locais públicos e eventos sociais, bem como outras medidas para evitar a aglomeração de pessoas e fenómenos de super transmissão. Por outro lado, mantém a obrigatoriedade de uso de máscara em ambientes fechados, quarentena de 24 horas ou a realização de um teste para recém-chegados ao país. Os que viajam de países com alta incidência têm de fazer quarentena, mesmo que estejam vacinados. De acordo com dados oficiais, Israel registou ontem 1954 novos casos e uma morte.

Já o Reino Unido, que desde o dia 19 de Julho entrou em desconfinamento e ontem registou mais 27 734 novos casos e 91 mortes, tomou a decisão de suspender todas as medidas restritivas, inclusive o uso de máscara, assumindo que a infecção vai ocorrer, mas que a vacina será suficientemente eficaz na redução da letalidade. No entanto, e segundo refere a equipa de especialistas, com esta posição o Reino Unido assumiu vários riscos: o da letalidade, apesar de poder ser agora menor com a vacinação; o de ter mais infecção e ainda o risco das consequências a curto e longo prazo das sequelas da doença – o Longo Covid.

Com estas medidas o Reino Unido, assumiu a criação de reservatórios de infecção durante o período de férias, o que poderá acelerar a transmissão no início do ano lectivo e reinício da actividade laboral pós-férias. Mas há outro risco que foi assumido: o do aparecimento de novas variantes do vírus e da sobrecarga do sistema de saúde.

3.452 casos. Este é o número de infecções registadas ontem em Portugal, tendo havido 13 mortes. O país soma agora 960.457 casos de infecção e 1.720 óbitos.

Conforme referia ao DN Raquel Duarte, na edição de terça-feira, é preciso olhar à nossa e aprender com o que os outros estão a fazer, sublinhando que para Portugal, neste momento de viragem da pandemia, é fundamental que se mantenha o ritmo de vacinação.

Mas não só. A médica, também coordenadora da unidade de investigação da Administração regional do Norte e professora na Faculdade de Medicina, da Universidade do Porto, sublinhou como outro factor fundamental o comportamento da população, dizendo mesmo: “Podemos fazer tudo o que quisermos, mas cumprindo as regras de protecção individual.”

Tal como é referido na proposta de continuidade para o Plano de Redução das Medidas Restritivas de Controlo à Covid-19 é preciso ter presente os factores que reduzem o risco – vacinação completa; não frequentar espaços públicos com aglomeração de pessoas; frequentar sobretudo espaços abertos com poucas pessoas; ter um círculo social pequeno; manter regularmente as medidas de distância das outras pessoas; utilizar a máscara com regularidade, sobretudo em ambientes fechados, no contacto com pessoas fora do círculo familiar e social restrito ou em situações onde a distância não é uma medida fácil de cumprir; minimizar o contacto com pessoas com sintomas sugestivos de covid-19.

Em relação aos factores que aumentam o risco é preciso saber que são: vacinação incompleta; contacto regular com crianças e/ou pessoas não vacinadas; frequência de espaços com aglomeração de pessoas e ter factores de risco para formas graves de doença por covid-19.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
29 Julho 2021 — 07:00

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921: Especialistas dizem que alívio de medidas implica cumprimento de regras individuais

Digam isso aos “walking dead” labregos acéfalos que continuam nas suas vidinhas “sociais” de entretenimento e lazer, sem qualquer responsabilidade para com a comunidade. Eles querem lá saber dos riscos que correm (que nem me afligem minimamente), mas que colocam em perigo a vida de terceiros com quem contactam. Para essa choldra, não existem REGRAS!

Os “walking dead acéfalos labregos no cumprimento das suas vidinhas sociais”

SAÚDE/COVID-19/INFARMED

O país atingiu uma fase em que é possível admitir uma taxa de incidência elevada e aliviar medidas restritivas, mas “é fundamental que se cumpram regras de protecção individual”. Esta é a mensagem dos especialistas deixada ao DN. Peritos e políticos voltam a reunir-se hoje.

Se houver alívio nas medidas restritivas é preciso reforçar testagem e vigilância epidemiológica.
© André Rol,o Global Imagens

A situação na região de Lisboa e Vale do Tejo está a ficar controlada. No norte também e no Algarve igualmente, à excepção de um ou outro município. E embora a incidência no país ainda seja elevada – ontem era de 427,5 casos por 100 mil habitantes a nível nacional e de 439,3 no continente -, os especialistas admitem que chegou a altura em que se pode aliviar algumas medidas restritivas.

A situação epidemiológica do país volta a estar hoje em discussão em mais uma reunião entre peritos e políticos no Infarmed, depois de dois meses. Raquel Duarte, uma dos especialistas que estarão presentes no encontro, explica ao DN que, “neste momento, temos uma taxa de vacinação que está a permitir que a doença grave e a mortalidade por covid-19 tenham menor impacto, o que quer dizer que podemos começar a ter medidas proporcionais e ajustadas à realidade, mas é fundamental manter-se o processo de vacinação ao mesmo ritmo e as medidas de protecção individual”.

O professor Carlos Antunes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que faz a modelação da doença, afirma mesmo que os números actuais “levam-nos a acreditar que a situação está mais ao menos controlada no país. Estamos a assistir ao início da remissão da incidência de uma forma geral no país. Nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do norte já se está numa fase de pico planalto. Ou seja, atingiu-se o pico e agora está a estabilizar-se em termos de transmissão”, mas deixa um alerta: “Não podemos ter o melhor de dois mundos, se queremos mais liberdade e mobilidade, temos de aumentar a responsabilidade individual”, sob pena de chegarmos ao período de regresso às aulas e à actividade laboral pós-férias e voltarmos a ter mais casos.

Raquel Duarte, que foi convidada pelo governo para elaborar as propostas de desconfinamento juntamente com o matemático Óscar Felgueiras, reforça até que “só as medidas de protecção individual podem permitir que haja uma redução da transmissão, porque enquanto esta existir haverá sempre uma percentagem de pessoas que irão contrair a doença, outras que a irão desenvolver com gravidade, tendo de ser internadas em enfermarias e em cuidados intensivos. Portanto, para cortar as cadeias de transmissão é fundamental que se mantenham as medidas de protecção individual, nomeadamente o uso de máscara, em eventos fechados, e sempre que não seja possível manter a distância física”.

A médica, que é igualmente coordenadora da unidade de investigação da ARS Norte, argumenta que tais medidas têm de continuar a fazer parte da nossa rotina durante os próximos tempos para que “possamos ter cada vez mais uma vida que se aproxime da normalidade”.

Isto porque “sabemos que não há nenhuma vacina que seja eficaz a 100% e que nenhuma medida contra a covid-19 é eficaz isoladamente. O impacto da doença é menor agora, mas temos de continuar a proteger-nos a nós e aos outros”.

Se houver alívio de medidas podemos ter reverso da medalha

Esta é a mensagem que é preciso passar nesta fase, porque “se houver um alívio nas medidas podemos ter o reverso da medalha que é a população ficar com uma percepção menor do risco e acreditar que a pandemia passou. E isso não pode acontecer”, sublinha Carlos Antunes.

Do lado do governo, o secretário de Estado adjunto e da Saúde, Lacerda Sales, não descartou ontem o alívio das restrições, mas que tal só será decidido de acordo com os critérios técnicos e científicos.

No domingo, o comentador da SIC Marques Mendes afirmou que os especialistas estavam de acordo quanto ao alívio das restrições horárias no sector da restauração, do comércio e até da cultura, mas Carlos Antunes destaca que “se tal acontecer é preciso percebermos que há um risco adicional, vai haver maior mobilidade e as pessoas podem passar a ter uma percepção de risco inferior, descurando a sua exposição ao contágio permitindo maior número de contactos e menos cumprimento das regras de protecção. E isto vai fazer que, em vez de o número de casos baixar, possa aumentar”, destaca o professor da Faculdade de Ciências. “Não digo que seja um aumento significativo, mas é um risco que o país está a dizer que quer correr ao aliviar as medidas de restrição.”

De acordo com o epidemiologista, “o impacto dos valores da incidência é inferior ao impacto que já verificámos ao nível de hospitalizações e de letalidade, o que se deve à vacinação, sobretudo dos grupos de maior risco, e isso permite uma outra abordagem da situação com maior tolerância à taxa de incidência”, explicando: “O país pode assumir agora uma taxa de incidência superior para o mesmo nível de risco, mas tem de haver um reforço da responsabilidade individual no cumprimento das regras, um reforço na vigilância epidemiológica e na testagem para “não se perder o controlo da situação”.

As restrições em termos de horários de actividades económicas e de dever de recolhimento a partir das 23h00 poderão ser retiradas já na próxima quinta-feira na reunião de Conselho de Ministros, mas o que os especialistas vão reforçar na reunião de hoje é que a mensagem tem de ser só uma: manter a vacinação ao mesmo ritmo, cumprimento de regras individuais, em espaços fechados e eventos sociais e familiares.

“A mensagem que se deve passar é que conseguimos fazer tudo, mas vamos ter de cumprir as regras caso contrário corremos o risco de fazer asneira”.

Até porque, salienta Raquel Duarte, “estamos a viver a época de férias que traz algumas ameaças conhecidas, uma mobilidade grande da nossa população e da população migrante, que regressa ao país para estar com a família, o que acontece habitualmente num ambiente mais descontraído. E já vimos no passado que isto aumenta o risco de poder haver nova sementeira do vírus, o que poder ter eventualmente algum efeito quando chegarmos ao momento de retomarmos as actividades lectivas e laborais pós-férias”. Portanto, alerta, “se quisermos claramente caminhar para alguma normalidade, não podemos esquecer de todo a necessidade de nos protegermos com máscara e distanciamento”.

A médica diz mesmo: “A mensagem que se deve passar é que conseguimos fazer tudo, mas vamos ter de cumprir as regras caso contrário corremos o risco de fazer asneira. Temos de olhar com muita cautela e interesse para o que está acontecer nos outros países e perceber como podemos ajustar a nossa realidade nacional à medida em que se vai fazendo o levantamento de algumas medidas restritivas”.

Este tem sido o caminho desde o início da pandemia, não só em Portugal mas um pouco em todo o Mundo. Um caminho de avanços e recuos no tentar voltar à normalidade, mas o importante é que “temos vindo sempre a aprender”, salienta Raquel Duarte.

1.610 casos de covid-19. Este foi o número de infecções registado na segunda-feira. Há ainda a destacar nove mortes e 53.996 casos activos, menos 201 do que no dia anterior. Eram 919 os internamentos, 198 em cuidados intensivos.

Para o professor Carlos Antunes o alívio de medidas pode trazer de novo um aumento de casos e de internamentos, mas, mais uma vez, “temos de ser rápidos a agir”, defendendo que “todos os indicadores da matriz de risco têm de continuar a ser muito bem monitorizados para sabermos se a situação está controlada ou não”, sustentando que, nesta altura, “não podemos correr o risco de perder o controlo. A vigilância epidemiológica tem de ser mantida ou reforçada e a população também tem de acomodar o seu comportamento”.

As restrições horárias poderão ser levantadas em breve, mas as regras de protecção individual ainda estão longe disso. Como defenderam ao DN os dois especialistas “ainda têm de continuar a fazer parte da nossa rotina durante os próximos tempos”. O primeiro-ministro António Costa já afirmou que até ao final do verão poderá haver algum alívio nestas regras básicas, mas os especialistas esperam que a vacinação continue ao mesmo ritmo e até conseguir proteger mais de 70% da população portuguesa.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
27 Julho 2021 — 00:01

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893: Pandemia: medidas mais profundas só após nova reunião do Infarmed

SAÚDE/COVID-19/PANDEMIA/NOVAS MEDIDAS

O Conselho de Ministros reuniu hoje mas nada decidiu quando a novas medidas de confinamento /desconfinamento. Aguarda agora por nova reunião do Infarmed. Concelhos em situação de risco elevado ou muito elevado subiram de 60 para 90.

Matriz de risco indica agravamento da situação pandémica em Portugal
Foto Governo

Concelhos em situação de alerta (15 de Julho de 2021)
Foto Governo

Concelhos em situação de risco elevado (15 de Julho de 2021)
Foto Governo

Medidas para concelhos em situação de risco elevado (15 de Julho 2021)
Foto Governo

Concelhos em situação de risco muito elevado (15 de Julho 2021)
Foto Governo

Medidas para os concelhos em situação de risco muito elevado (15 de Julho 2021)
Foto Governo

Actualizar as listas dos concelhos em situação de alerta, de risco elevado ou de risco muito elevado. Foi isso que, basicamente, o Conselho de Ministros fez hoje, no que toca à gestão da pandemia covid-19. Mariana Vieira da Silva, ministra da Presidência, explicou que o Governo aguarda pela reunião do Infarmed com peritos marcada para dia 27 para tomar medidas mais profundas e, eventualmente, actualizar os calendários de desconfinamento.

A única medida actualizada prende-se com os auto-testes. O Conselho de Ministros aprovou a sua venda em supermercados de testes rápidos de antigénio para detecção do SARS-CoV-2.

De acordo com a governante, a medida permitirá reforçar a identificação de casos positivos de covid-19, numa altura em que Portugal se mantém na zona vermelha da matriz de risco e a situação epidemiológica continua a preocupar o executivo.

“Continuamos naquilo que nas últimas semanas aqui tenho chamado a atenção que é uma corrida contra o tempo entre o processo de vacinação que se vai diariamente alargando e a evolução da pandemia”, sublinhou a governante, afirmando que se impõe, por isso, “uma insistência no processo de testagem, de identificação de positivos e do seu isolamento”.

Com a actualização das listas passaram de 60 a 90 os concelhos em situação de risco elevado ou muito elevado – concelhos portanto onde haverá recolher obrigatório às 23h00 e onde, aos fins de semana, serão exigidos testes negativos, ou certificado digital de vacinação, para se aceder ao interior de restaurantes (ver listas e mapas no fim da notícia).

O Governo reconhece que a situação pandémica se agravou (o que a matriz de risco revela) mas ao mesmo tempo ressalva que a velocidade de progressão do vírus parece estar a diminuir.

Matriz de risco indica agravamento da situação pandémica em Portugal
© Governo

A pressão nos internamentos no SNS subiu 19% numa semana (e 18% nos cuidados intensivos) mas a situação permanece abaixo das linhas vermelhas definidas pelo Governo, salientou a ministra.

Mariana Vieira da Silva admitiu que após a reunião do Infarmed de dia 27 o Governo avaliará a questão do regresso dos espectadores aos recintos desportivos.

“A Direcção-Geral da Saúde (DGS) tem estado a trabalhar num parecer sobre as características e a forma de organizar essa presença. Esse parecer já existe, tem de ser trabalhado, e o Governo decidirá, em função da avaliação da situação epidémica na reunião do próximo dia 27”, explicou.

Na passada sexta-feira, após a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) ter anunciado que as competições profissionais da época 2021/22 vão começar com a possibilidade de 33% de lotação dos estádios, fonte oficial do Governo disse à Lusa que a decisão ainda não estava tomada.

“O Governo não faz da matriz de risco que apresentou a única possível e está sempre disponível para a melhorar. Agora, nós ganhamos com a previsibilidade e com a utilização no tempo do mesmo instrumento.”

“O trabalho técnico já decorreu, da parte da DGS, há trabalho de organização e, depois, há uma decisão, que será sempre posterior à reunião do Infarmed”, frisou Mariana Vieira da Silva.

A época futebolística profissional de 2021/22 arranca com a primeira fase da Taça da Liga, entre 23 de 26 de Julho, enquanto os campeonatos da I Liga e da II Liga têm início previsto para 08 de Agosto, uma semana depois da disputa da Supertaça Cândido Oliveira, em Aveiro, entre o campeão Sporting e o Sporting de Braga, vencedor da Taça de Portugal, no dia 31 de Julho.

A ministra afirmou também que o Governo está disponível para “melhorar” a matriz de risco da pandemia da covid-19.

“O Governo não faz da matriz de risco que apresentou a única possível e está sempre disponível para a melhorar. Agora, nós ganhamos com a previsibilidade e com a utilização no tempo do mesmo instrumento”, disse.

“Chegaremos ao Infarmed [a reunião que junta peritos e políticos] prontos para ouvir em que situação nos encontramos, que medidas podem vir a ser necessárias e que sistemas de acompanhamento podem acontecer a partir de agora, no momento em que temos uma percentagem muito significativa da população adulta já vacinada e todas as idades de maior risco já vacinadas”, acrescentou.

Em alerta

O número de concelhos em alerta – concelhos que na próxima semana poderão ver as suas medidas de confinamento agravadas se ali a pandemia continuar a progredir – diminuiu de 34 para 30. Eis o respectivo mapa.

Concelhos em situação de alerta (15 de Julho de 2021)
© Governo

Risco elevado

O número de concelhos em situação de risco elevado subiu de 27 para 43. Eis o respectivo mapa e as medidas a que estão sujeitos.

Concelhos em situação de risco elevado (15 de Julho de 2021)
© Governo

Medidas para concelhos em situação de risco elevado (15 de Julho 2021)
© Governo

Risco muito elevado

O número de concelhos em situação de risco muito elevado aumentou de 33 para 47. Eis o respectivo mapa e as medidas a que estão sujeitos.

Concelhos em situação de risco muito elevado (15 de Julho 2021)
© Governo

Medidas para os concelhos em situação de risco muito elevado (15 de Julho 2021)
© Governo

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
15 Julho 2021 — 15:42

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801: Marta Temido aponta para continuação das restrições em Lisboa

 

SAÚDE/COVID-19/RESTRIÇÕES/LISBOA

A ministra da Saúde admite que a situação em Lisboa ainda é complicada e comentou as críticas de Angela Merkel: “Se soubéssemos o que sabemos hoje poderíamos ter actuado de outra maneira? Provavelmente, sim.”

© EPA/JULIEN WARNAND

A ministra da Saúde disse esta quarta-feira que a situação epidemiológica da covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo deve traduzir-se na continuidade da aplicação das medidas de restrição em vigor.

“Os números neste momento levam a sugerir que a situação de Lisboa ainda não esteja ultrapassada”, o que leva a que “as medidas específicas tenham de se manter, como se mantiveram em outros pontos do país quando estavam em situação de risco especial” na evolução epidemiológica, disse Marta Temido em declarações à margem da apresentação do Relatório de Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS).

“Temos de estar conscientes de que estamos a lidar com um fenómeno cuja evolução ainda se reveste de muitas incertezas. Não é possível garantir que o futuro seja desta ou daquela maneira, o que podemos garantir é que tudo faremos para que isso não seja necessário, mas conhecemos a nossa realidade. Os números continuam a aumentar, ainda não estamos num momento em que estejamos a vê-los decrescer e, portanto, temos de estar atentos”, adiantou a ministra.

Sublinhando a importância da vacinação, da testagem e de “algumas medidas não farmacológicas”, a governante reagiu também à crítica da chanceler alemã Angela Merkel a propósito da abertura de Portugal para acolher a final da Liga dos Campeões e, consequentemente, milhares de adeptos ingleses.

“O controlo dos movimentos de circulação das populações é um dos desafios que enfrentamos. Estamos numa fase de combate à pandemia em que cada vez mais há uma apetência por retomar uma vida normal e isso é uma dificuldade. Se soubéssemos tudo o que sabemos hoje poderíamos ter actuado em determinados momentos de outra maneira? Provavelmente, sim, mas não é possível reescrever a história”, disse.

Marta Temido repetiu também a ideia de que o país procura “ganhar algum tempo através de medidas não farmacológicas”, como o uso de máscara e o distanciamento, para poder vacinar mais pessoas e apelou à população para realizar testes com regularidade, embora sem definir uma periodicidade fixa.

“Aquilo que pedimos é que, neste momento, beneficiando daquilo que é a gratuitidade de testes em muitos pontos ou da possibilidade de prescrição que existe através dos serviços de saúde, as pessoas que ainda não estão vacinadas possam realizar um teste antes de se submeterem e submeterem os outros a uma exposição que possa ser de risco”, concluiu.

Diário de Notícias
DN/Lusa
23 Junho 2021 — 14:57

 

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Lisboa não deve avançar para nova fase. “É difícil baixar incidência”

 

SAÚDE/COVID-19/AGRAVAMENTO

A capital passou a linha vermelha da incidência. O relatório de monitorização do INSA, a ser publicado hoje, irá esclarecer a situação. A hipótese de avançar parece remota. O mais provável é que se mantenha na 4.ª fase de desconfinamento ou que recue à 3.ª fase.

Se incidência chegar aos 240 casos por 100 mil habitantes, Lisboa pode recuar um passo no desconfinamento.
© Pedro Reis Martins Global Imagens

Na sexta-feira da semana passada, o relatório do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) indicava que, a manter-se a taxa de crescimento registada, a região de Lisboa e vale do Tejo atingiria a taxa de incidência acumulada a 14 dias de 120 casos por 100 mil habitantes em 15 a 30 dias.

Mas Lisboa, enquanto concelho, já está à frente deste valor. Segundo a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que faz a modelação da evolução da doença desde o início da pandemia, a capital está com uma incidência de 177 casos por 100 mil habitantes, podendo atingir os 240 casos a 13 ou 14 de Junho.

Para alguns especialistas a situação é preocupante e Lisboa tem dez dias para tentar reduzir o R(t) – índice de transmissibilidade – e a incidência, embora, seja quase certo, que “muito dificilmente a capital conseguirá passar ao próximo nível de desconfinamento”, a vigorar a 14 de Junho.

Mais. A capital, com esta incidência, arrisca mesmo recuar no passo que já deu a 1 de Maio. Ou seja, regressar à terceira fase de desconfinamento e a mais restrições. De acordo com as medidas apresentadas pelo governo nesta quarta-feira, uma incidência de 120 casos por 100 mil habitantes suspende o avanço de um concelho à fase seguinte, e se a incidência atingir os 240 casos o concelho recua.

Lisboa é um dos seis concelhos em alerta. E, mais uma vez, vários especialistas contactados pelo DN apelam à responsabilidade individual no cumprimento de regras, porque “a pandemia ainda não acabou”, volta a reforçar a pneumologista Raquel Duarte, que tem sido convidada pelo governo para elaborar as propostas para cada uma das fases do desconfinamento.

“As pessoas têm de ter a noção de que têm de cumprir o que já sabem. Devem manter as regras de protecção individual, devem manter o conceito de bolha familiar, social e laboral. Não devem andar em festas e todos os eventos em que seja possível a aglomeração de pessoas não podem acontecer. Este é o tipo de situação que não pode mesmo acontecer”, reforça.

Regras e comportamentos que comprovaram ser eficazes na redução de risco de transmissibilidade. Por isso, sublinha a médica, “o controlo da situação não pode depender só da lei, mas também da responsabilidade de cada um”. Aliás, e como refere, nunca é de mais recordar que, “do ato de cada um vai depender não só a sua protecção, mas a da sua família e de toda uma comunidade”. Acrescentando: “Se não queremos medidas restritivas, se queremos continuar a caminhar para uma vida normal, vamos ter de confiar cada vez mais na responsabilidade individual.

Lisboa: semana que aí vem é de risco elevado para o contágio

A semana que aí vem não ajuda Lisboa, podendo mesmo aumentar ainda mais o risco de contágio. Para o epidemiologista Tiago Correia, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), é uma fase em que a capital “corre um grande risco. É a semana dos Santos e, com ou sem festejos, vai haver excessos, surpreende-me que se possa pensar que as pessoas não vão sair ou que não se juntem em casa. É notório que os mais novos já desligaram completamente dos comportamentos de protecção”, sustentando: “Parece-me difícil que em dez dias o R(t) baixe o suficiente para que a incidência fique abaixo dos 120 casos.”

O especialista acredita mesmo que o que vai acontecer é que “Lisboa não avançará para a nova fase do desconfinamento”, mas para a situação não agravar ainda mais defende que “é preciso definir já um plano de actuação para os dias seguintes. Não podemos esperar cinco a seis dias para avançar com a testagem em massa, porque aí, se calhar, vamos assustar-nos com o número de casos, pois o risco teórico de chegar aos 240 casos por 100 mil habitantes pode acontecer”.

769. Casos Este é o número de novas infecções registado ontem. O boletim diário da DGS dá conta de três óbitos e de um aumento nos casos activos, 23.343, mais 378 do que no dia anterior.

Ricardo Mexia, epidemiologista e presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Saúde Pública, argumenta ao DN que “a evolução da situação em Lisboa depende muito da aposta nas medidas individuais” e que tal “é um desafio comunicacional, que não tem funcionado desde o início da pandemia. Quando as pessoas veem acontecer determinadas situações, como os adeptos ingleses no Porto ou os festejos do Sporting, depois torna-se muito difícil que cumpram as regras definidas”

A situação de Lisboa é uma preocupação, sobretudo quando os modelos matemáticos indicam uma incidência de 177 por 100 mil habitantes, podendo chegar-se aos 240 casos numa semana, o que faz Ricardo Mexia mencionar: “Provavelmente, o modelo matemático está a estimar por baixo, porque sabemos que, na semana que vai entrar, de festividades populares, haverá encontros entre as pessoas.” Portanto, o que assusta “é que seja o que for que os modelos matemáticos estejam a projectar, é provável que a realidade seja um pouco mais negativa”.

Questionado sobre se é possível inverter a tendência em Lisboa, Ricardo Mexia, diz: “Possível é, mas ou mudávamos hoje uma série de coisas no que diz respeito à comunicação e à testagem ou então é difícil alcançar isso neste horizonte temporal”, reforçando: “Ou somos mais assertivos já agora e claros para que as pessoas percebam que, apesar desta aparente normalidade, a pandemia ainda não acabou, que não estamos nessa fase, ou então podemos ter um aumento nos internamentos e na mortalidade, como de resto está acontecer em algumas zonas do Reino Unido.

O médico alerta também para a necessidade da mensagem passada: “É preciso fazer com que as pessoas percebam que podem realizar um conjunto de actividades, que estão permitidas, desde que cumpram as regras. E há que promover ainda mais a testagem massiva nos contextos em que há maior incidência, como é o caso de Lisboa, para se identificar quais são as cadeias de transmissão e quebrá-las.”

É preciso controlar situação senão haverá mais internamentos, inevitavelmente

Em relação a Lisboa, Raquel Duarte diz ser preciso perceber se o aumento que tem sido observado é o resultado do reforço do rastreio e do trabalho da saúde pública – ou seja, se estes casos estão a surgir porque se está a conseguir identificá-los precocemente com testagem em grupos vulneráveis ou em áreas geográficas e laborais de maior risco e com maior incidência – ou se está a resultar de pessoas já com sintomas e de cadeias de transmissão que não são conhecidas. De qualquer forma, é “preciso controlar a situação”, refere.

385. Este é o número de infecções registadas ontem na região de Lisboa e Vale Tejo. São mais do que os registados nas restantes regiões continentais: norte (242), centro (54), Algarve (36) e Alentejo (12).

“A saúde pública está a fazer trabalho no terreno e quanto mais rápido e precoce for, melhor.” Por isso, explica, “é que defendo que se deve manter o limite dos 120 casos por 100 mil habitantes, porque, a partir do momento que começa a haver muitos casos, torna-se cada vez mais difícil de fazer de forma rápida os inquéritos epidemiológicos, para depois se implementar medidas. Senão for assim, corremos o risco de voltarmos a ter o que aconteceu no ano passado, inquéritos epidemiológicos em atraso, e isso significa que podemos ter contactos positivos na comunidade que não sabem que estão infectados”.

Raquel Duarte, que também é coordenadora da Unidade de Investigação da ARS Norte, defende ao DN que, neste momento, a nível nacional “estamos bem, mas estamos numa fase em que precisamos ter muito controlo na situação. E este tem de ser local e concelhio, não podemos deixar que o número de casos aumente acima dos 120 por 100 mil habitantes, porque uma coisa é ter uma incidência de 120 por 100 mil num concelho que tem 4 ou 5 mil habitantes, outra é ter 120 num concelho que tem milhares de habitantes”, como é Lisboa ou até o Porto. “O denominador é muito grande, são muitos casos a poder estar a transmitir na comunidade, o que pode escalar rapidamente para valores muito elevados. E se a incidência aumentar muito, inevitavelmente voltaremos a ter internamentos, embora com outros grupos etários.”

Um ano depois, já tratamos a pandemia por tu, já nos habituámos a ela, a vacinação está a ter eficácia, isso prova a redução nos internamentos e na mortalidade, mas, agora, há outra “ameaça terrível, a do excesso de confiança”, argumenta Raquel Duarte.

Uma ameaça que tem sido comprovada em várias situações, mas a mensagem que deixam os especialistas é a de que é preciso testar mais, vacinar mais, porque, como diz Tiago Correia, com o nível de vacinação que temos, “não é possível mudar a matriz de risco”, confessando, no entanto, que nesta quarta-feira, ao ouvir o primeiro-ministro, sentiu que ficou sem respostas, porque “é preciso explicar às pessoas porque não mudou e isso não foi feito”. E alerta: “Em relação a Lisboa, agora, não houve reacções, porque continua tudo como está, mas a partir de 14 de Junho, se houver mais restrições, as pessoas vão reagir e acho que não houve reflexão sobre isso”.

As fases de desconfinamento que o país já passou

1.ª Fase 15 de Março

Começou com o regresso à escola das crianças no pré-escolar, creches e primeiro ciclo. Com a abertura de cabeleireiros e barbearias e do comércio ao postigo, mas também de livrarias, bibliotecas e arquivos. E retomou-se a actividade do comércio automóvel e da mediação imobiliária.

2.ª Fase 5 de Abril

Esta fase marcou o regresso às aulas presenciais para os segundo e terceiro ciclos. Assinalou também o regresso da actividade na restauração. Abriram as esplanadas para grupos até quatro pessoas e as lojas até 200 metros quadrados com porta para a rua. Mas há mais. Os equipamentos sociais na área da deficiência começaram a funcionar. As feiras e mercados não alimentares também e o mesmo aconteceu com as modalidades desportivas de baixo risco. Ginásios reabriram, sem aulas de grupo, e voltou exercício em grupo até quatro pessoas ao ar livre.

3. ª Fase 19 de Abril

Restaurantes, cafés e pastelarias abriram e foi permitida a presença de grupos de quatro pessoas no interior e seis na esplanada até às 22h30 durante a semana e 13h00 ao fim de semana e feriados. Há o regresso ao ensino presencial para alunos do secundário e ensino superior. Abriu todo o comércio, incluindo centros comerciais, mas com encerramento às 21h00 durante os dias úteis e às 13h00 aos sábados, domingos e feriados. Abrem também cinemas, teatros, auditórios e salas de espectáculo, até às 22h30 durante os dias de semana e às 13h00 aos sábados, domingos e feriados. Atendimento presencial nas lojas do cidadão, desde que com marcação prévia. Voltam as modalidades desportivas de médio risco, actividade física ao ar livre para grupos até seis pessoas, eventos exteriores com diminuição de lotação (cinco pessoas por 100 metros quadrados), festas de casamento e baptizado, com limite de ocupação dos espaços de 25%.

4.ª Fase 1 de Maio (actual e até 14 de Junho)

Restaurantes, cafés e pastelarias funcionam mas ainda com limitação condicionada a um máximo de seis pessoas por mesa no interior e dez pessoas por mesa nas esplanadas. É permitida a prática de todas as modalidades desportivas e toda a actividade física ao ar livre. Os ginásios podem funcionar com aulas de grupo e a lotação para casamentos e baptizados passa a estar limitada a 50% do espaço. E passam a funcionar todas as instalações desportivas onde ocorrem prestação de serviços até às 22h30, volta a actividade dos equipamentos itinerantes de diversão, os parques de diversão infantil, parques aquáticos. Os restaurantes e espectáculos funcionam até às 22h30 e o comércio em geral até às 21h00 nos dias de semana e até às 19h00 nos fins de semana e feriados. Os restaurantes em centros comerciais funcionam também até às 22h30 nos dias de semana e até às 19h00 nos fins de semana e feriados.

As medidas que vêm a seguir e que Lisboa arrisca a não adoptar

1.ª Fase 14 de Junho

Teletrabalho recomendado nas actividades que o permitam; restaurantes, cafés e pastelarias (máximo de seis pessoas no interior ou dez pessoas em esplanadas) até à meia-noite para admissão e 01h00 para encerramento; comércio com horário do respectivo licenciamento; transportes públicos com lotação de dois terços ou com a totalidade da lotação nos transportes que funcionem exclusivamente com lugares sentados; espectáculos culturais até à meia-noite; salas de espectáculos com lotação a 50%. Fora das salas de espectáculo, com lugares marcados e com regras a definir pela DGS. Escalões de formação e modalidades amadoras com lugares marcados e regras de acesso definidas pela DGS. Recintos desportivos com 33% da lotação.

2.ª Fase 28 de Junho

Desporto: regressam os escalões profissionais ou equiparados com 33% da lotação (regras de acesso a definir pela DGS). Lojas de Cidadão: funcionam sem marcação prévia; Transportes públicos: sem restrição de lotação.

Concelhos em alerta

Braga

Cantanhede

Castelo de Paiva

Lisboa

Salvaterra de Magos

Vale de Cambra

Concelhos que se mantêm na 3.ª Fase

Odemira

Golegã

Concelhos que avançam

Arganil

Montalegre

Diário de Notícias

 

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726: Casos sobem para máximo do último mês. Mais de metade são em Lisboa

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

Em novo dia sem mortes, segundo o boletim da DGS, há mais 604 casos novos de covid-19 nas últimas 24 horas e mais de metade dizem respeito à região de Lisboa e Vale do Tejo. Mas há menos dois internados nos hospitais por covid-19 e também menos três doentes em cuidados intensivos.

O governo assinalou a administração de cinco milhões de doses de vacinas em Portugal
© MIGUEL A. LOPES/LUSA

Portugal registou esta quinta-feira 604 novos casos de infecção, mas não foi registada nenhuma morte, de acordo com o balanço da Direcção Geral da Saúde relativo aos efeitos da pandemia de covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas.

Reforça-se assim a tendência de subida de casos dos últimos dias, atingindo-se um máximo de novos infectados em mais de um mês – desde 22 de Abril que Portugal não ultrapassava os 600 casos.

Mas também continua a verificar-se uma menor letalidade e gravidade hospitalar da situação pandémica: nos últimos sete dias, a média de mortes ficou pela primeira vez abaixo de um e quanto aos internados há menos dois, num universo de 244, e menos três em cuidados intensivos, onde há agora 49 doentes, um número que não se registava há bastante tempo – desde Setembro de 2020.

O boletim da DGS reporta ainda que há mais 99 casos activos em Portugal, totalizando agora 22.633 tendo sido registados mais 510 recuperados da doença, atingindo agora 808.557. Há ainda a registar mais 582 contactos em vigilância para um total de 23.469.

Dos 604 novos casos, mais de metade são registados na região de Lisboa e Vale do Tejo, com 327. Segue-se a região do norte, com 164, a do centro com 52 e a do Algarve com 19 e o Alentejo com 12.

Nas regiões autónomas os números também continuam baixo, com 21 novas infecções nos Açores e 14 na Madeira.

Vacinados com AstraZeneca

Estes dados são revelados no dia em que se soube que as pessoas com menos de 60 anos que foram vacinadas com uma dose da vacina da Astrazeneca podem receber a segunda dose de uma vacina da Pfizer ou da Moderna, segundo uma norma da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

A norma da DGS, divulgada na sexta-feira, actualizada a Norma 003/2020, relativa à vacina Vaxzevria, designada anteriormente por AstraZeneca.

“Esta norma determina que as pessoas com menos de 60 anos que já foram vacinadas com uma dose de vacina Vaxzevria possam ser vacinadas com uma vacina de mRNA [como a Pfizer ou a Moderna], respeitando o intervalo previsto de 12 semanas após a primeira dose”, refere a DGS no documento publicado no seu ‘site’.

“As pessoas que adiaram a segunda dose do esquema da AstraZeneca, aguardando por nova recomendação da DGS, devem completar a vacinação, logo que possível, com uma dose de vacina de mRNA”, sublinha a norma.

Vietname descobre variante híbrida

O Vietname descobriu entretanto uma nova variante de covid-19 que se espalha rapidamente pelo ar e é uma combinação das variantes indiana e britânica.

“Descobrimos uma nova variante híbrida das da Índia e do Reino Unido”, disse o ministro da Saúde, Nguyen Thanh Long, num encontro nacional sobre a pandemia no sábado. “A característica dessa variante é que ela se espalha rapidamente no ar. A concentração do vírus no fluído da garganta aumenta rapidamente e espalha-se com muita força para o ambiente ao redor”, acrescentou.

O ministro não especificou o número de casos registados com esta nova variante, mas admitiu que o Vietname em breve anunciará a descoberta no mapa mundial de variações genéticas do vírus.

O Vietname está a lutar com novos surtos em mais de metade do território, incluindo em zonas industriais e grandes cidades como Hanói e Ho Chi Minh City. E mais de 6.700 casos, incluindo 47 mortes, foram registada no país.

O país, gerido por um governo comunista, recebeu aplausos generalizados pela sua resposta agressiva contra a pandemia, com quarentenas em massa e rastreamento de contactos, ajudando a manter as taxas de infecção relativamente baixas.

Diário de Notícias
DN
29 Maio 2021 — 14:05

 

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