1063: Há vacinas mas a situação em Portugal é pior que há um ano

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VACINAS/SITUAÇÃO

Novos mortos por dia, novos infectados por dia, internamentos gerais e internamentos nos cuidados intensivos. Os números desmentem a tese de que hoje a situação pandémica é melhor do que há um ano. Falso: a situação é pior.

Pressão da pandemia sobre o SNS é hoje maior do que há um ano
© Artur Machado / Global Imagens

O avanço da vacinação – com os números a aproximarem dos 85 por cento, fasquia para o desconfinamento total – tem criado a percepção de que actualmente a situação pandémica é melhor do que a de há um ano. A verdade crua dos números mostra, porém, o contrário: nos quatro mais importantes indicadores (ver infografia em baixo), Portugal está hoje pior do que Setembro de 2020.

O DN comparou os números específicos relativos a 9 de Setembro: nesse dia, em 2020, morriam três pessoas; agora morreram dez. O número de novos infectados por dia era de 646; agora é mais do dobro (1408). O número de pessoas internadas era de 392 e agora 569; e as pessoas internadas em unidades de cuidados intensivos são mais do dobro; 52 contra 118.

Estes dados objectivamente desmentem a tese que o avanço da vacinação fez melhorar a situação pandémica: morre-se mais, há mais novos infectados por dia, maior pressão sobre o SNS. O que o avanço da vacinação então poderá eventualmente determinar é que, quando o inverno chegar, a pandemia não terá a progressão absolutamente alucinante que aconteceu no início deste ano, muito por culta do desconfinamento especial determinado pelo Governo no Natal. Os dias 28 e 31 de Janeiro foram os piores da pandemia em Portugal: 303 mortos em cada um desses dias. Este é um cenário que nenhum perito em Portugal prevê que se repita.

Comparação de dados Setembro 2020 com Setembro 2021
© Infografia DN

Ontem a DGS e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) divulgaram o chamado o relatório das “linhas vermelhas”. Portugal regista uma situação pandémica de covid-19 de “moderada intensidade”, mas com uma tendência decrescente em todo o país e na pressão sobre os serviços de saúde.

“A análise dos diferentes indicadores revela uma actividade epidémica de infecção por SARS-CoV-2 de moderada intensidade, com tendência decrescente a nível nacional, assim como na pressão sobre os serviços de saúde e na mortalidade por covid-19”, refere o documento.

Segundo o relatório, o número de novas infecções por cem mil habitantes, acumulado nos últimos 14 dias, foi de 231 casos, e apenas o Algarve regista uma incidência superior ao limiar de 480.

O grupo das pessoas entre os 20 a 29 anos apresenta o valor mais elevado neste indicador, com 479 casos, mas também a diminuir, e a faixa etária dos idosos com 80 ou mais anos registou uma incidência cumulativa a 14 dias de 116 casos por cem mil habitantes, o que “reflete um risco de infecção inferior ao risco da população em geral, com tendência decrescente”.

Relativamente aos serviços de saúde, o número de pessoas com covid-19 internadas em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) no continente está a decrescer, correspondendo a metade do valor crítico definido de 255 camas ocupadas, quando na semana anterior era de 55%.

Na quarta-feira, estavam em UCI 127 doentes, adianta o relatório, que avança ainda que a proporção de testes positivos foi de 3,1 por cento, encontrando-se abaixo do limiar definido de quatro por cento.

No que se refere à mortalidade atribuída à covid-19, apresenta também uma “tendência estável a decrescente”, com 14,1 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, o que corresponde a um decréscimo de 03% relativamente à semana anterior. Este valor é inferior ao limiar de vinte óbitos definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC).

“Observou-se uma diminuição do número de testes para detecção de SARS-CoV-2 realizados nos últimos sete dias”, com um total de 314.823 despistes da covid-19, contra os 346.320 realizados na semana anterior, indicam ainda os dados da DGS e do INSA.

O relatório refere ainda que mais de 29 mil pessoas com a vacinação completa contra a covid-19 foram infectadas com o vírus SARS-Cov-2, o que representa 0,4% do total de vacinados, e 309 morreram, mas estes dados são actualizados mensalmente, o que aconteceu pela última vez a 03 de Setembro.

A covid-19 provocou pelo menos 4, 6 milhões de mortos em todo o mundo, entre mais de 223 milhões de infecções, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse. Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 17.843 pessoas. O número total de infectados já é superior a um milhão (1.053.450 casos).

joao.p.henriques@dn.pt

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
11 Setembro 2021 — 01:13

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967: Linhas vermelhas: mortalidade deve aumentar nas próximas semanas entre os maiores de 80 anos

SAÚDE/PANDEMIA/INFECÇÕES/MORTES

© EDUARDO COSTA/LUSA

A mortalidade por Covid-19 em Portugal é “elevada” e deve até aumentar nas próximas semanas. Em causa está a subida de novas infecções nas faixas etárias mais velhas, acima dos 80 anos.

O alerta vem no mais recente relatório das linhas vermelhas da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge, que assinala a desaceleração da pandemia a nível nacional, mas realça esse dado relevante: o grupo etário acima dos 80 anos é o único que mantém uma tendência de crescimento de casos, apesar de ser aquele que tem maior percentagem de vacinados e a taxa de incidência de novas infecções mais baixa (168 novos casos por cada 100 mil habitantes).

Por isso, destaca o relatório, a “tendência” entre os maiores de 80 anos pode traduzir-se no aumento de internamentos e de mortes nas próximas semanas, sabendo-se que os idosos são uma população de maior risco.

Isto apesar de “a pressão sobre os cuidados de saúde dar indicação de estabilização ou início de diminuição”, nota.

Diário de Notícias
06 Ago 21:28


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930: O que aprender com outros países? Israel é exemplo de cautela. Reino Unido de correr riscos

SAÚDE/COVID-19/PANDEMIA/RISCOS

O que deve ser feito nesta fase da pandemia irá determinar os próximos tempos. Equipa que elaborou proposta para reduzir restrições propõe que se olhe para dois países com plano de vacinação avançado, um está a ser cauteloso, outro está a assumir mais riscos.

Reino Unido aboliu restrições mas assumiu que iria correr mais riscos, apostando na vacinação.

Portugal atingiu esta semana 52% de população com a vacinação completa (5,3 milhões de pessoas) e 67% de população que já tem uma dose da vacina (6,8 milhões de pessoas). Este pode ser o momento de viragem na evolução da pandemia. Pelo menos, há quem acredite que sim, mas tudo irá depender do que o país decidir e de como a própria população se irá comportar.

A equipa liderada pela pneumologista Raquel Duarte, que tem vindo a elaborar as propostas para as várias fases de desconfinamento a convite do Governo, deixa claro nesta última, divulgada na reunião de terça-feira no Infarmed, quais são os factores que aumentam o risco, os que o reduzem e para que países podemos olhar para aprender algo. E dá como exemplos Israel e Reino Unido, ambos com um processo de vacinação avançado, considerando que o primeiro está a actuar de forma mais cautelosa, e que o segundo está a arriscar mais.

Na proposta apresentada pela equipa de Raquel Duarte, da qual fazem ainda parte Óscar Felgueiras, Marta Pinto, Ana Aguiar, Filipe Alves, Hugo Monteiro, Cátia Bazete, Joana Chaves, Felisbela Lopes e Joana Couto, é mesmo referido: “Israel está a tomar uma posição mais cautelosa do que o Reino Unido”. Apesar de ter uma percentagem de população vacinada muito elevada, Israel está a ponderar a utilização do certificado digital para acesso a locais públicos e eventos sociais, bem como outras medidas para evitar a aglomeração de pessoas e fenómenos de super transmissão. Por outro lado, mantém a obrigatoriedade de uso de máscara em ambientes fechados, quarentena de 24 horas ou a realização de um teste para recém-chegados ao país. Os que viajam de países com alta incidência têm de fazer quarentena, mesmo que estejam vacinados. De acordo com dados oficiais, Israel registou ontem 1954 novos casos e uma morte.

Já o Reino Unido, que desde o dia 19 de Julho entrou em desconfinamento e ontem registou mais 27 734 novos casos e 91 mortes, tomou a decisão de suspender todas as medidas restritivas, inclusive o uso de máscara, assumindo que a infecção vai ocorrer, mas que a vacina será suficientemente eficaz na redução da letalidade. No entanto, e segundo refere a equipa de especialistas, com esta posição o Reino Unido assumiu vários riscos: o da letalidade, apesar de poder ser agora menor com a vacinação; o de ter mais infecção e ainda o risco das consequências a curto e longo prazo das sequelas da doença – o Longo Covid.

Com estas medidas o Reino Unido, assumiu a criação de reservatórios de infecção durante o período de férias, o que poderá acelerar a transmissão no início do ano lectivo e reinício da actividade laboral pós-férias. Mas há outro risco que foi assumido: o do aparecimento de novas variantes do vírus e da sobrecarga do sistema de saúde.

3.452 casos. Este é o número de infecções registadas ontem em Portugal, tendo havido 13 mortes. O país soma agora 960.457 casos de infecção e 1.720 óbitos.

Conforme referia ao DN Raquel Duarte, na edição de terça-feira, é preciso olhar à nossa e aprender com o que os outros estão a fazer, sublinhando que para Portugal, neste momento de viragem da pandemia, é fundamental que se mantenha o ritmo de vacinação.

Mas não só. A médica, também coordenadora da unidade de investigação da Administração regional do Norte e professora na Faculdade de Medicina, da Universidade do Porto, sublinhou como outro factor fundamental o comportamento da população, dizendo mesmo: “Podemos fazer tudo o que quisermos, mas cumprindo as regras de protecção individual.”

Tal como é referido na proposta de continuidade para o Plano de Redução das Medidas Restritivas de Controlo à Covid-19 é preciso ter presente os factores que reduzem o risco – vacinação completa; não frequentar espaços públicos com aglomeração de pessoas; frequentar sobretudo espaços abertos com poucas pessoas; ter um círculo social pequeno; manter regularmente as medidas de distância das outras pessoas; utilizar a máscara com regularidade, sobretudo em ambientes fechados, no contacto com pessoas fora do círculo familiar e social restrito ou em situações onde a distância não é uma medida fácil de cumprir; minimizar o contacto com pessoas com sintomas sugestivos de covid-19.

Em relação aos factores que aumentam o risco é preciso saber que são: vacinação incompleta; contacto regular com crianças e/ou pessoas não vacinadas; frequência de espaços com aglomeração de pessoas e ter factores de risco para formas graves de doença por covid-19.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
29 Julho 2021 — 07:00

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921: Especialistas dizem que alívio de medidas implica cumprimento de regras individuais

Digam isso aos “walking dead” labregos acéfalos que continuam nas suas vidinhas “sociais” de entretenimento e lazer, sem qualquer responsabilidade para com a comunidade. Eles querem lá saber dos riscos que correm (que nem me afligem minimamente), mas que colocam em perigo a vida de terceiros com quem contactam. Para essa choldra, não existem REGRAS!

Os “walking dead acéfalos labregos no cumprimento das suas vidinhas sociais”

SAÚDE/COVID-19/INFARMED

O país atingiu uma fase em que é possível admitir uma taxa de incidência elevada e aliviar medidas restritivas, mas “é fundamental que se cumpram regras de protecção individual”. Esta é a mensagem dos especialistas deixada ao DN. Peritos e políticos voltam a reunir-se hoje.

Se houver alívio nas medidas restritivas é preciso reforçar testagem e vigilância epidemiológica.
© André Rol,o Global Imagens

A situação na região de Lisboa e Vale do Tejo está a ficar controlada. No norte também e no Algarve igualmente, à excepção de um ou outro município. E embora a incidência no país ainda seja elevada – ontem era de 427,5 casos por 100 mil habitantes a nível nacional e de 439,3 no continente -, os especialistas admitem que chegou a altura em que se pode aliviar algumas medidas restritivas.

A situação epidemiológica do país volta a estar hoje em discussão em mais uma reunião entre peritos e políticos no Infarmed, depois de dois meses. Raquel Duarte, uma dos especialistas que estarão presentes no encontro, explica ao DN que, “neste momento, temos uma taxa de vacinação que está a permitir que a doença grave e a mortalidade por covid-19 tenham menor impacto, o que quer dizer que podemos começar a ter medidas proporcionais e ajustadas à realidade, mas é fundamental manter-se o processo de vacinação ao mesmo ritmo e as medidas de protecção individual”.

O professor Carlos Antunes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que faz a modelação da doença, afirma mesmo que os números actuais “levam-nos a acreditar que a situação está mais ao menos controlada no país. Estamos a assistir ao início da remissão da incidência de uma forma geral no país. Nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do norte já se está numa fase de pico planalto. Ou seja, atingiu-se o pico e agora está a estabilizar-se em termos de transmissão”, mas deixa um alerta: “Não podemos ter o melhor de dois mundos, se queremos mais liberdade e mobilidade, temos de aumentar a responsabilidade individual”, sob pena de chegarmos ao período de regresso às aulas e à actividade laboral pós-férias e voltarmos a ter mais casos.

Raquel Duarte, que foi convidada pelo governo para elaborar as propostas de desconfinamento juntamente com o matemático Óscar Felgueiras, reforça até que “só as medidas de protecção individual podem permitir que haja uma redução da transmissão, porque enquanto esta existir haverá sempre uma percentagem de pessoas que irão contrair a doença, outras que a irão desenvolver com gravidade, tendo de ser internadas em enfermarias e em cuidados intensivos. Portanto, para cortar as cadeias de transmissão é fundamental que se mantenham as medidas de protecção individual, nomeadamente o uso de máscara, em eventos fechados, e sempre que não seja possível manter a distância física”.

A médica, que é igualmente coordenadora da unidade de investigação da ARS Norte, argumenta que tais medidas têm de continuar a fazer parte da nossa rotina durante os próximos tempos para que “possamos ter cada vez mais uma vida que se aproxime da normalidade”.

Isto porque “sabemos que não há nenhuma vacina que seja eficaz a 100% e que nenhuma medida contra a covid-19 é eficaz isoladamente. O impacto da doença é menor agora, mas temos de continuar a proteger-nos a nós e aos outros”.

Se houver alívio de medidas podemos ter reverso da medalha

Esta é a mensagem que é preciso passar nesta fase, porque “se houver um alívio nas medidas podemos ter o reverso da medalha que é a população ficar com uma percepção menor do risco e acreditar que a pandemia passou. E isso não pode acontecer”, sublinha Carlos Antunes.

Do lado do governo, o secretário de Estado adjunto e da Saúde, Lacerda Sales, não descartou ontem o alívio das restrições, mas que tal só será decidido de acordo com os critérios técnicos e científicos.

No domingo, o comentador da SIC Marques Mendes afirmou que os especialistas estavam de acordo quanto ao alívio das restrições horárias no sector da restauração, do comércio e até da cultura, mas Carlos Antunes destaca que “se tal acontecer é preciso percebermos que há um risco adicional, vai haver maior mobilidade e as pessoas podem passar a ter uma percepção de risco inferior, descurando a sua exposição ao contágio permitindo maior número de contactos e menos cumprimento das regras de protecção. E isto vai fazer que, em vez de o número de casos baixar, possa aumentar”, destaca o professor da Faculdade de Ciências. “Não digo que seja um aumento significativo, mas é um risco que o país está a dizer que quer correr ao aliviar as medidas de restrição.”

De acordo com o epidemiologista, “o impacto dos valores da incidência é inferior ao impacto que já verificámos ao nível de hospitalizações e de letalidade, o que se deve à vacinação, sobretudo dos grupos de maior risco, e isso permite uma outra abordagem da situação com maior tolerância à taxa de incidência”, explicando: “O país pode assumir agora uma taxa de incidência superior para o mesmo nível de risco, mas tem de haver um reforço da responsabilidade individual no cumprimento das regras, um reforço na vigilância epidemiológica e na testagem para “não se perder o controlo da situação”.

As restrições em termos de horários de actividades económicas e de dever de recolhimento a partir das 23h00 poderão ser retiradas já na próxima quinta-feira na reunião de Conselho de Ministros, mas o que os especialistas vão reforçar na reunião de hoje é que a mensagem tem de ser só uma: manter a vacinação ao mesmo ritmo, cumprimento de regras individuais, em espaços fechados e eventos sociais e familiares.

“A mensagem que se deve passar é que conseguimos fazer tudo, mas vamos ter de cumprir as regras caso contrário corremos o risco de fazer asneira”.

Até porque, salienta Raquel Duarte, “estamos a viver a época de férias que traz algumas ameaças conhecidas, uma mobilidade grande da nossa população e da população migrante, que regressa ao país para estar com a família, o que acontece habitualmente num ambiente mais descontraído. E já vimos no passado que isto aumenta o risco de poder haver nova sementeira do vírus, o que poder ter eventualmente algum efeito quando chegarmos ao momento de retomarmos as actividades lectivas e laborais pós-férias”. Portanto, alerta, “se quisermos claramente caminhar para alguma normalidade, não podemos esquecer de todo a necessidade de nos protegermos com máscara e distanciamento”.

A médica diz mesmo: “A mensagem que se deve passar é que conseguimos fazer tudo, mas vamos ter de cumprir as regras caso contrário corremos o risco de fazer asneira. Temos de olhar com muita cautela e interesse para o que está acontecer nos outros países e perceber como podemos ajustar a nossa realidade nacional à medida em que se vai fazendo o levantamento de algumas medidas restritivas”.

Este tem sido o caminho desde o início da pandemia, não só em Portugal mas um pouco em todo o Mundo. Um caminho de avanços e recuos no tentar voltar à normalidade, mas o importante é que “temos vindo sempre a aprender”, salienta Raquel Duarte.

1.610 casos de covid-19. Este foi o número de infecções registado na segunda-feira. Há ainda a destacar nove mortes e 53.996 casos activos, menos 201 do que no dia anterior. Eram 919 os internamentos, 198 em cuidados intensivos.

Para o professor Carlos Antunes o alívio de medidas pode trazer de novo um aumento de casos e de internamentos, mas, mais uma vez, “temos de ser rápidos a agir”, defendendo que “todos os indicadores da matriz de risco têm de continuar a ser muito bem monitorizados para sabermos se a situação está controlada ou não”, sustentando que, nesta altura, “não podemos correr o risco de perder o controlo. A vigilância epidemiológica tem de ser mantida ou reforçada e a população também tem de acomodar o seu comportamento”.

As restrições horárias poderão ser levantadas em breve, mas as regras de protecção individual ainda estão longe disso. Como defenderam ao DN os dois especialistas “ainda têm de continuar a fazer parte da nossa rotina durante os próximos tempos”. O primeiro-ministro António Costa já afirmou que até ao final do verão poderá haver algum alívio nestas regras básicas, mas os especialistas esperam que a vacinação continue ao mesmo ritmo e até conseguir proteger mais de 70% da população portuguesa.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
27 Julho 2021 — 00:01

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893: Pandemia: medidas mais profundas só após nova reunião do Infarmed

SAÚDE/COVID-19/PANDEMIA/NOVAS MEDIDAS

O Conselho de Ministros reuniu hoje mas nada decidiu quando a novas medidas de confinamento /desconfinamento. Aguarda agora por nova reunião do Infarmed. Concelhos em situação de risco elevado ou muito elevado subiram de 60 para 90.

Matriz de risco indica agravamento da situação pandémica em Portugal
Foto Governo
Concelhos em situação de alerta (15 de Julho de 2021)
Foto Governo
Concelhos em situação de risco elevado (15 de Julho de 2021)
Foto Governo
Medidas para concelhos em situação de risco elevado (15 de Julho 2021)
Foto Governo
Concelhos em situação de risco muito elevado (15 de Julho 2021)
Foto Governo
Medidas para os concelhos em situação de risco muito elevado (15 de Julho 2021)
Foto Governo

Actualizar as listas dos concelhos em situação de alerta, de risco elevado ou de risco muito elevado. Foi isso que, basicamente, o Conselho de Ministros fez hoje, no que toca à gestão da pandemia covid-19. Mariana Vieira da Silva, ministra da Presidência, explicou que o Governo aguarda pela reunião do Infarmed com peritos marcada para dia 27 para tomar medidas mais profundas e, eventualmente, actualizar os calendários de desconfinamento.

A única medida actualizada prende-se com os auto-testes. O Conselho de Ministros aprovou a sua venda em supermercados de testes rápidos de antigénio para detecção do SARS-CoV-2.

De acordo com a governante, a medida permitirá reforçar a identificação de casos positivos de covid-19, numa altura em que Portugal se mantém na zona vermelha da matriz de risco e a situação epidemiológica continua a preocupar o executivo.

“Continuamos naquilo que nas últimas semanas aqui tenho chamado a atenção que é uma corrida contra o tempo entre o processo de vacinação que se vai diariamente alargando e a evolução da pandemia”, sublinhou a governante, afirmando que se impõe, por isso, “uma insistência no processo de testagem, de identificação de positivos e do seu isolamento”.

Com a actualização das listas passaram de 60 a 90 os concelhos em situação de risco elevado ou muito elevado – concelhos portanto onde haverá recolher obrigatório às 23h00 e onde, aos fins de semana, serão exigidos testes negativos, ou certificado digital de vacinação, para se aceder ao interior de restaurantes (ver listas e mapas no fim da notícia).

O Governo reconhece que a situação pandémica se agravou (o que a matriz de risco revela) mas ao mesmo tempo ressalva que a velocidade de progressão do vírus parece estar a diminuir.

Matriz de risco indica agravamento da situação pandémica em Portugal
© Governo

A pressão nos internamentos no SNS subiu 19% numa semana (e 18% nos cuidados intensivos) mas a situação permanece abaixo das linhas vermelhas definidas pelo Governo, salientou a ministra.

Mariana Vieira da Silva admitiu que após a reunião do Infarmed de dia 27 o Governo avaliará a questão do regresso dos espectadores aos recintos desportivos.

“A Direcção-Geral da Saúde (DGS) tem estado a trabalhar num parecer sobre as características e a forma de organizar essa presença. Esse parecer já existe, tem de ser trabalhado, e o Governo decidirá, em função da avaliação da situação epidémica na reunião do próximo dia 27”, explicou.

Na passada sexta-feira, após a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) ter anunciado que as competições profissionais da época 2021/22 vão começar com a possibilidade de 33% de lotação dos estádios, fonte oficial do Governo disse à Lusa que a decisão ainda não estava tomada.

“O Governo não faz da matriz de risco que apresentou a única possível e está sempre disponível para a melhorar. Agora, nós ganhamos com a previsibilidade e com a utilização no tempo do mesmo instrumento.”

“O trabalho técnico já decorreu, da parte da DGS, há trabalho de organização e, depois, há uma decisão, que será sempre posterior à reunião do Infarmed”, frisou Mariana Vieira da Silva.

A época futebolística profissional de 2021/22 arranca com a primeira fase da Taça da Liga, entre 23 de 26 de Julho, enquanto os campeonatos da I Liga e da II Liga têm início previsto para 08 de Agosto, uma semana depois da disputa da Supertaça Cândido Oliveira, em Aveiro, entre o campeão Sporting e o Sporting de Braga, vencedor da Taça de Portugal, no dia 31 de Julho.

A ministra afirmou também que o Governo está disponível para “melhorar” a matriz de risco da pandemia da covid-19.

“O Governo não faz da matriz de risco que apresentou a única possível e está sempre disponível para a melhorar. Agora, nós ganhamos com a previsibilidade e com a utilização no tempo do mesmo instrumento”, disse.

“Chegaremos ao Infarmed [a reunião que junta peritos e políticos] prontos para ouvir em que situação nos encontramos, que medidas podem vir a ser necessárias e que sistemas de acompanhamento podem acontecer a partir de agora, no momento em que temos uma percentagem muito significativa da população adulta já vacinada e todas as idades de maior risco já vacinadas”, acrescentou.

Em alerta

O número de concelhos em alerta – concelhos que na próxima semana poderão ver as suas medidas de confinamento agravadas se ali a pandemia continuar a progredir – diminuiu de 34 para 30. Eis o respectivo mapa.

Concelhos em situação de alerta (15 de Julho de 2021)
© Governo

Risco elevado

O número de concelhos em situação de risco elevado subiu de 27 para 43. Eis o respectivo mapa e as medidas a que estão sujeitos.

Concelhos em situação de risco elevado (15 de Julho de 2021)
© Governo
Medidas para concelhos em situação de risco elevado (15 de Julho 2021)
© Governo

Risco muito elevado

O número de concelhos em situação de risco muito elevado aumentou de 33 para 47. Eis o respectivo mapa e as medidas a que estão sujeitos.

Concelhos em situação de risco muito elevado (15 de Julho 2021)
© Governo
Medidas para os concelhos em situação de risco muito elevado (15 de Julho 2021)
© Governo

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
15 Julho 2021 — 15:42

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801: Marta Temido aponta para continuação das restrições em Lisboa

 

SAÚDE/COVID-19/RESTRIÇÕES/LISBOA

A ministra da Saúde admite que a situação em Lisboa ainda é complicada e comentou as críticas de Angela Merkel: “Se soubéssemos o que sabemos hoje poderíamos ter actuado de outra maneira? Provavelmente, sim.”

© EPA/JULIEN WARNAND

A ministra da Saúde disse esta quarta-feira que a situação epidemiológica da covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo deve traduzir-se na continuidade da aplicação das medidas de restrição em vigor.

“Os números neste momento levam a sugerir que a situação de Lisboa ainda não esteja ultrapassada”, o que leva a que “as medidas específicas tenham de se manter, como se mantiveram em outros pontos do país quando estavam em situação de risco especial” na evolução epidemiológica, disse Marta Temido em declarações à margem da apresentação do Relatório de Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS).

“Temos de estar conscientes de que estamos a lidar com um fenómeno cuja evolução ainda se reveste de muitas incertezas. Não é possível garantir que o futuro seja desta ou daquela maneira, o que podemos garantir é que tudo faremos para que isso não seja necessário, mas conhecemos a nossa realidade. Os números continuam a aumentar, ainda não estamos num momento em que estejamos a vê-los decrescer e, portanto, temos de estar atentos”, adiantou a ministra.

Sublinhando a importância da vacinação, da testagem e de “algumas medidas não farmacológicas”, a governante reagiu também à crítica da chanceler alemã Angela Merkel a propósito da abertura de Portugal para acolher a final da Liga dos Campeões e, consequentemente, milhares de adeptos ingleses.

“O controlo dos movimentos de circulação das populações é um dos desafios que enfrentamos. Estamos numa fase de combate à pandemia em que cada vez mais há uma apetência por retomar uma vida normal e isso é uma dificuldade. Se soubéssemos tudo o que sabemos hoje poderíamos ter actuado em determinados momentos de outra maneira? Provavelmente, sim, mas não é possível reescrever a história”, disse.

Marta Temido repetiu também a ideia de que o país procura “ganhar algum tempo através de medidas não farmacológicas”, como o uso de máscara e o distanciamento, para poder vacinar mais pessoas e apelou à população para realizar testes com regularidade, embora sem definir uma periodicidade fixa.

“Aquilo que pedimos é que, neste momento, beneficiando daquilo que é a gratuitidade de testes em muitos pontos ou da possibilidade de prescrição que existe através dos serviços de saúde, as pessoas que ainda não estão vacinadas possam realizar um teste antes de se submeterem e submeterem os outros a uma exposição que possa ser de risco”, concluiu.

Diário de Notícias
DN/Lusa
23 Junho 2021 — 14:57

 

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