167: Actos clínicos só com formação e supervisão médica

 

Ténicos do INEM

Os Técnicos de Emergência do INEM só podem praticar actos clínicos sob supervisão de um responsável médico e se tiverem formação específica e treino adequado, determina um despacho do Ministério da Saúde hoje publicado em Diário da República.

O despacho, que entra hoje em vigor, estabelece as competências destes profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que actuam no âmbito da emergência médica pré-hospitalar e “cuja acção pode ser determinante para a sobrevivência de pessoas com doença súbita ou em situação de emergência clínica, nomeadamente vítimas de situações traumáticas”.

“Volvidos quase dois anos da clarificação do âmbito das competências dos Técnicos de Emergência e da sua aplicação a uma nova gestão da emergência médica no que respeita à actuação dos profissionais, torna-se necessário adequar o âmbito do conteúdo funcional e das capacidades daqueles Técnicos de Emergência a esta nova realidade”, sublinha o despacho do secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa.

Segundo o despacho, os Técnicos de Emergência ficam “expressamente impedidos” da prática de actos clínicos sem adquirirem a formação adequada.

“Os actos clínicos de natureza médica no âmbito da emergência médica praticados por Técnicos de Emergência estão dependentes da conclusão, com aproveitamento, de um curso de formação específico e treino adequados”, de acordo com programas definidos pelo INEM, depois de ouvida a comissão técnico-científica do INEM e as ordens dos Médicos e dos Enfermeiros.

A administração de medicação e a manutenção da via aérea, ventilação e circulação só podem ser praticados por delegação e sob supervisão de um responsável médico e com formação específica e treino adequado, precisa a legislação.

No passado dia 11 de Julho, o tribunal administrativo de Lisboa decretou a suspensão parcial e provisória da eficácia do despacho do Ministério da Saúde, de 2012, que estabelecia as competências dos Técnicos de Emergência, depois de a Ordem dos Enfermeiros ter interposto uma providência cautelar para impedir que o Ministério da Saúde e o INEM pusessem em prática um modelo de emergência pré-hospitalar assente nos Técnicos de Ambulância e Emergência.

Por decisão do tribunal, os técnicos estavam temporariamente impedidos de administrar medicamentos por via endovenosa e/ou intra-óssea e também de aplicar técnicas invasivas, como a entubação supraglótica e o acesso venoso.

O despacho hoje divulgado vem revogar o despacho de 2012 que estabelecia as competências dos Técnicos de Ambulância de Emergência.

In Diário de Notícias online
01/08/2014
por Lusa

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146: Um café e um bolo contra o bicho papão do Alzheimer

 

Cerca de 1,7% da população portuguesa sofrerá de demências. Associadas ao envelhecimento, podem surgir aos 40, 50 anos, transformando adultos activos em dependentes para os quais há pouca ou nenhuma resposta estruturada.

Catarina Alvarez, Anabela Lima, Valdemar Lima e Maria Veiga  Fotografia © Jorge Carmona/Global Imagens

Catarina Alvarez, Anabela Lima, Valdemar Lima e Maria Veiga
Fotografia © Jorge Carmona/Global Imagens

A fazer agora um ano, o Café Memória é uma iniciativa que visa reunir doentes e cuidadores num misto de terapia de grupo, palestra e convívio informal. Uma ideia feliz, dizem os que o frequentam, que teve 25 sessões no primeiro ano.

0-cafememoriaIn Diário de Notícias online
18/04/2014
por Fernanda Câncio

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143: Sem cura nem vacina, vírus Ébola é morte quase certa

 

O vírus do Ébola, que até segunda-feira terá matado 95 das 151 pessoas suspeitas de estarem infectadas na Guiné Conacri, é uma doença contagiosa, sem cura nem vacina, que tem uma taxa de mortalidade de até 90%.

dn08042014O surto está a ser acompanhado “muito seriamente” pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que embora reconheça haver já casos confirmados na Libéria, sublinha que todos eles têm aparentemente origem no sudeste da Guiné Conacri, onde tudo começou, pelo que ainda não se pode considerar uma epidemia.

Já a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta que o surto “não tem precedentes” na forma como os casos estão espalhados por locais com quilómetros de distância entre eles.

A doença, de origem viral, tem como sintomas iniciais uma febre alta, de quase 40 graus, fraqueza intensa, fortes dores de cabeça, dores musculares e de garganta, segundo a OMS.

Numa fase subsequente surgem os vómitos, a diarreia e, em alguns casos, hemorragias interna e externa.

A febre hemorrágica de ébola, uma das doenças mais mortíferas para o homem, transmite-se os humanos através de contacto com animais infectados, incluindo chimpanzés, morcegos e antílopes, e espalha-se entre humanos através do contacto com sangue, saliva ou outros fluídos corporais infectados, bem como com ambientes contaminados.

Até o funeral de uma vítima de ébola pode ser um risco se houver contacto directo com o cadáver e mesmo as pessoas que sobrevivem podem continuar a disseminar a doença até sete semanas após recuperarem.

Uma das características mais perigosas da doença é que o período de incubação pode ser de dois a 20 dias e o diagnóstico é difícil.

Por isso, uma pessoa infectada pode andar quase três semanas a disseminar a doença sem o saber e até viajar, levando o vírus para outros destinos.

Este risco aumenta quando se sabe que o surto actual, inicialmente localizado em Nzerekore, uma zona remota no sul da Guiné Conacri, já foi detectado na capital do país, onde há um aeroporto com ligações aéreas para a Europa e a África ocidental.

Também já morreram quatro pessoas na Libéria e a Serra Leoa já registou cinco casos suspeitos, embora nenhum tenha ainda sido confirmado.

A localidade de Geuckedou parece ser até agora a mais afectada, com mais de metade dos casos de infecção e de mortes.

O vírus foi detectado pela primeira vez em 1976 em dois surtos simultâneos no Sudão e na República Democrática do Congo.

Desde 1976, o Ébola causou a morte de pelo menos 1.200 pessoas, dos 1.850 casos detectados. Os surtos mais fortes registaram-se na República Democrática do Congo, em 1976 (318 casos), 1995 (315 casos) e 2007 (264 casos), no Sudão, em 1976 (284), e no Uganda, em 2000 (425 casos).

Os surtos surgem normalmente em aldeias remotas da África central e ocidental, junto a florestas tropicais, pode ler-se no site da OMS.

Neste momento, o vírus do ébola, que tem cinco estirpes distintas, só existe no continente africano, mas já houve casos nas Filipinas e na China.

Para evitar o contágio humano, a OMS recomenda evitar o contacto com morcegos e macacos e o consumo da sua carne crua, assim como evitar o contacto físico com pacientes infectados, em particular com os seus fluidos corporais.

Os profissionais de saúde estão em risco acrescido, sobretudo porque os sintomas iniciais são pouco específicos e podem ser associados a outras doenças, como a malária.

Após uma eventual infecção, pouco se pode fazer, já que não há vacinas nem tratamentos, restando apenas a hidratação do doente com soluções com electrólitos ou a administração intravenosa de fluidos.

Segundo os MSF, este surto é provocado pela estirpe mais agressiva e mortífera do vírus, que mata mais de 90% dos doentes. Desconhece-se que factores permitem a alguns doentes sobreviver enquanto os outros sucumbem.

In Diário de Notícias online
08/04/2014
por Lusa, texto publicado por Paula Mourato

139: Investigação pioneira desenvolvida em Coimbra

 

Demência fronto-temporal

Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) estão a desenvolver um estudo pioneiro sobre os mecanismos da demência fronto-temporal “a segunda mais comum das demências”, anunciou hoje aquela instituição.

dn17032014“Pela primeira vez, em Portugal”, uma equipa de 14 investigadores da UC, através do Centro de Neurociências e Biologia Celular e da Faculdade de Medicina, está a “estudar os mecanismos envolvidos” na demência fronto-temporal, afirma a universidade, numa nota hoje distribuída.

A degenerescência lobar fronto-temporal, também conhecida por demência fronto-temporal, é uma “patologia com grandes implicações no comportamento” — que “afecta sobretudo o ‘centro de decisão’ do cérebro (os lobos fronto-temporal)” — e, apesar de ser a segunda demência mais comum, a seguir à doença de Alzheimer, “é ainda praticamente desconhecida”.

Os primeiros resultados do estudo, que envolve 70 doentes seguidos na consulta de demências, coordenada pela neurologista Isabel Santana, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, revelaram “profundas alterações ao nível do complexo 1 da cadeia respiratória mitocondrial”, em comparação com “um grupo controlo constituído por voluntários saudáveis”.

Em 69 dos 70 doentes acompanhados foram verificadas “deficiências genéticas e bioenergéticas”, enquanto em 40 doentes foi observada uma “diminuição nos níveis de ATP circulantes”, que se “correlaciona com o decréscimo da actividade do complexo 1” da cadeia respiratória, refere Manuela Grazina, coordenadora do estudo e responsável pelo Laboratório de Bioquímica Genética da UC.

De forma simples, pode dizer-se que os investigadores “identificaram a ‘falha de energia’ que pode ajudar a esclarecer os mecanismos envolvidos na doença, ou seja, permite perceber onde é que o código está errado para, a partir daí, desenvolver formas de compensar ou reparar esse erro”.

A investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), pretende “ajudar no desenvolvimento de escalas neuropsicológicas de diagnóstico e análise de biomarcadores bigenómicos e bioquímicos, que permitam a detecção precoce da doença, e contribuir para novas abordagens terapêuticas que previnam e/ou travem a progressão” da demência fronto-temporal, uma doença complexa e sobre a qual se desconhecem “os mecanismos exactos subjacentes à sua etiologia”, sublinha a investigadora.

Apesar de não haver estudos sobre a incidência da patologia em Portugal, estima-se que a demência fronto-temporal representa 7% do conjunto das demências degenerativas na população com idades compreendidas entre os 45 anos e os 64 anos.

Este primeiro grande estudo de avaliação da interacção bigenómica (genomas mitocondrial e nuclear) na demência fronto-temporal conta com a colaboração do Baylor College of Medicine (EUA) e do Institute of Ageing and Health (Inglaterra).

In Diário de Notícias online
17/03/2014
por Lusa, texto publicado por Paula Mourato

129: Cientistas mais perto da cura para a diabetes

 

Universidade da Califórnia

Cientistas norte-americanos conseguiram transformar células de pele normais em células pancreáticas produtoras de insulina, o que potencialmente abre a porta a uma cura para a diabetes.

Fotografia © REUTERS/Jo Yong-Hak

Fotografia © REUTERS/Jo Yong-Hak

Investigadores da Universidade da Califórnia reprogramaram células de pele, denominadas fibroblastos, retiradas de ratos e fizeram com que estas produzissem insulina, tal como as células do pâncreas, noticia a Press Association (PA).

Depois, as células foram injectadas em ratos cuja genética foi alterada para que imitassem os sintomas da diabetes. O resultado não poderia ser melhor. Uma semana depois, os níveis de açúcar no sangue dos animais voltaram ao normal. E dois meses depois de as células serem introduzidas nos ratos, estes conseguiram fabricar novas células produtoras de insulina.

Assim que as células lhes foram retiradas, um pico de açúcar no sangue comprovou a relação directa.

A investigação pode revolucionar o tratamento da diabetes de Tipo 1, onde o sistema imunológico do doente destrói as células produtoras de insulina, o que obrigada a injecções administradas diariamente.

Sheng Ding, professor do Instituto Gladstone e da Universidade da Califórnia, disse à PA que “o poder da medicina regenerativa é que pode potencialmente fornecer uma fonte ilimitada de células produtoras de insulina funcionais que podem então ser transplantadas para o paciente”.

In Diário de Notícias online
07/02/2014
por Diana Rebelo, editado por Ricardo Simões Ferreira

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117: Localização das praias favorece águas-vivas e caravelas

 

Açores

O biólogo da Universidade dos Açores João Pedro Barreiros diz que a localização da maioria das praias açorianas na costa sul das ilhas favorece a concentração de águas-vivas e caravelas-portuguesas em zonas balneares do arquipélago.

dn17072013

“A maior parte das zonas balneares dos Açores ficam na costa sul das ilhas, os últimos ventos fortes foram do quadrante sul e muitas águas-vivas e caravelas-portuguesas foram levadas para perto da costa nas zonas sul das ilhas e portanto ficaram em baías onde estão as zonas balneares. Como não tem havido temporais, como não tem havido ondulação que as remova, acabam por ficar e as pessoas contactam com elas”, explica o biólogo.

No entanto, João Pedro Barreiros faz questão de explicar que “este ‘boom'” de águas-vivas (alforrecas) e caravelas-portuguesas (colónias de animais com longos tentáculos que libertam toxinas e são muitas vezes confundidas com alforrecas) ocorre todos os anos e está associado ao aumento do fotoperíodo, o aumento de horas de luz a partir de Março.

“Isso faz com que aumente a fotossíntese no mar e isso acontece ao nível de pequenos organismos fotossintéticos que geram milhões de toneladas de biomassa que, por sua vez, vão criar condições favoráveis para o aparecimento de zooplâncton, ou seja, de micro animais e larvas de animal. Isso despoleta o aparecimento de predadores e as águas-vivas e caravelas são predadores de plâncton e aparecem em grande quantidade porque há muita comida disponível”, sublinhou.

In Diário de Notícias online
17/07/2013
por Lusa, texto publicado por Paula Mourato

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