245: DDE, o contaminante presente em alimentos ricos em gordura que pode causar diabetes e obesidade

 

Investigadores do Porto comprovaram que um dos contaminantes presentes em alimentos ricos em gordura pode levar os indivíduos a desenvolverem obesidade, inflamação, diabetes e hipertensão, mesmo quando utilizado em quantidades consideradas seguras pelas entidades europeias de segurança alimentar.

O contaminante em causa, designado DDE, deriva do pesticida DDT, utilizado para matar o mosquito da malária, cujo uso foi proibido na Europa e nos Estados Unidos entre os anos 70 e os anos 80, segundo um comunicado do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) do Porto, instituição responsável pelo estudo.

Apesar de já não serem utilizados, esses poluentes – conhecidos por poluentes orgânicos persistentes (POPs) -, persistem no solo e na água, contaminando os alimentos que são hoje produzidos e consumidos e afetando, sobretudo, os alimentos ricos em gordura, como as carnes vermelhas, os laticínios e os peixes gordos”.

Depois de ingeridos, têm uma ação similar a algumas das hormonas que o corpo humano produz naturalmente, alterando o equilíbrio hormonal e criando um maior risco de desenvolvimento de obesidade e de outros problemas de saúde, como diabetes, hipertensão, entre outros”, lê-se no comunicado.

Esta investigação, realizada com animais, é o segundo estudo de um projeto que tem vindo a ser desenvolvido pelo CINTESIS desde 2010, em colaboração outros parceiros da área da ciência, com o objetivo de avaliar o risco para a saúde humana associado à exposição a contaminantes que persistem no ambiente.

Para saber quais os contaminantes que estão presentes nos humanos, a equipa realizou um primeiro estudo, entre 2010 e 2011, com amostras de tecido adiposo e sangue de indivíduos obesos que foram sujeitos a cirurgia bariátrica no Hospital de São João, do Porto.

Nessa amostra humana, foi possível “confirmar a presença dos contaminantes, mesmo daqueles cujo uso foi já há algumas décadas proibido em Portugal, como é o caso do insecticida DDT”, bem como “diversos problemas metabólicos”, explicou à Lusa o investigador do CINTESIS Diogo Pestana.

Esses dados, segundo indicou, levaram a concluir que existe uma associação entre a desregulação metabólica e a presença de poluentes no tecido adiposo (gordura), no entanto, só foi possível comprovar a relação no estudo com modelo animal, no qual participou a Universidade de Cambridge, do Reino Unido.

Os resultados do segundo estudo revelaram que os ratos submetidos à ingestão de contaminantes apresentaram maiores índices de hipertensão, diabetes, inflamação e dislipidemia, quando comparados com os ratos não sujeitos à ingestão de DDE.

Apesar de ser um resultado mais evidente nos ratos sujeitos a uma dieta obesogénica (que induz à obesidade), este padrão de agravamento observou-se também nos ratos que fizeram uma alimentação normal.

A líder da equipa de investigação em nutrição do CINTESIS, Conceição Calhau, defende que é necessário haver maior regulação política e literacia sobre nutrição, visto que, atualmente, não é possível definir recomendações precisas sobre padrões de consumo ideais, tendo em conta níveis de contaminação, devido à escassez de dados.

Os poluentes orgânicos persistentes “não são significativamente eliminados do nosso organismo, acumulando-se ao longo dos anos”, referiu, acrescentando que estes “provêm de uma grande diversidade de fontes, o que faz com que estejamos constantemente expostos à sua ação, por via oral, inalada e transdérmica [através da pele]”.

Sapo24
04/08/2017

 

236: Deco desaconselha compra de hambúrgueres já picados

 

A associação de defesa dos consumidores encontrou carne com “milhões de bactérias por grama”, demasiada gordura e sulfitos usados ilegalmente como conservantes.

Foto: Orlando Almeida/Global Imagens

A Deco Proteste apelou aos consumidores para que não comprem hambúrgueres já picados nos talhos, onde encontrou bactérias nocivas e aditivos alergénicos usados para fingir que a carne é fresca.

Num estudo publicado esta segunda-feira, a associação de defesa dos consumidores diz que identificou carne guardada a temperaturas demasiado altas, “milhões de bactérias por grama”, entre as quais a ‘salmonella’ e outras de origem fecal, demasiada gordura e sulfitos usados ilegalmente como conservantes.

“Desaconselhamos de todo a compra de carne previamente picada e de hambúrgueres frescos já preparados nos talhos”, disse à Agência Lusa o técnico Nuno Lima Dias, que defende que o Governo deve proibir a venda deste formato.

Para o estudo, a Deco foi a 25 talhos de Lisboa e Porto e pediu hambúrgueres de carne de vaca que não contivesse cereais ou vegetais, para que estivesse livre de sulfitos, mas mesmo assim encontrou este tipo de conservantes de forma “escondida e ilegal” em 80% das amostras, por vezes em “quantidades enormes”.

Os sulfitos podem provocar alergias, náuseas, dores de cabeça, problemas de pele, digestivos e respiratórios, alertou, acrescentando que a reacção alérgica pode, embora em casos muito raros, ser potencialmente mortal.

Os talhos estão fora da lei também por armazenarem a carne a temperaturas “muito superiores ao que a lei permite”, apontou, referindo que se recomenda que não excedam os dois graus centígrados, mas a média ronda os oito graus, chegando em alguns casos aos 14.

Nuno Lima Dias afirmou que “os consumidores estão desprotegidos” quando compram os hambúrgueres já picados, uma vez que não há maneira de detetar, olhando para a carne, se esta é de qualidade inferior, sobretudo quando se usam sulfitos, que evitam o escurecimento da carne.

Foram encontradas ainda bactérias como a ‘salmonella’ e E Coli, de origem fecal, que podem provocar infecções alimentares.

A Deco defende que se deve escolher a peça de carne no talho e pedir para a picar na hora, ou comprar e picar em casa.

Na preparação da carne, deve cozinhar-se bem o alimento e evitar que entre em contacto com outros que são consumidos crus.

“Nada passou do razoável, a grande maioria dos estabelecimentos chumbou”, disse Nuno Lima Dias.

TSF
Lusa
23 de JANEIRO de 2017 – 08:16

208: Medicamento usado para combater o colesterol aumenta risco de diabetes

 

As estatinas, que são as drogas mais utilizadas contra o colesterol, impedindo a ocorrência de doenças cardiovasculares, como a angina, enfartes ou AVC, trazem um risco: provocar diabetes.

dd12032015A conclusão é de um estudo que acompanhou 8.749 participantes ao longo de seis anos, todos homens finlandeses com idades entre os 45 e 73 anos e inicialmente não diabéticos. Foi publicado na revista científica Diabetologia, da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes.

Um pouco mais de 2.000 participantes começaram a usar estatinas, como a sinvastatina (como o Zocor), a atorvastatina (Lipitor), ou a rosuvastatina (restor).

Enquanto 11% dos pacientes que tomavam estatinas adquiriram diabetes, 5,8% dos que não tomavam (6.607) foram diagnosticados com a doença. Ou seja, as probabilidades de desenvolver diabetes é quase o dobro em quem usa Estatinas em comparação com aqueles que não as usam. Outros factores também contribuem para a diabetes, como a obesidade, histórico familiar da doença, tabaco e uso de diuréticos e betabloqueadores (que combatem a taquicardia).

Mesmo quando descontados os efeitos destas variáveis, o risco de desenvolver diabetes era 46% maior entre os que usavam Estatinas. Os investigadores ainda desconhecem por que ou como isso acontece.

In Jornal Diário Digital online
12/03/2015 | 14:21

205: Equipa descobre antibiótico contra bactéria responsável por infecções hospitalares

 

Uma equipa internacional de investigadores descobriu um antibiótico eficaz contra a bactéria responsável por grande parte das infecções que se contraem nos hospitais (a Estafilococos Aureus), um micro-organismo resistente a quase todos os antibióticos.

dd21022015A divulgação da descoberta foi feita hoje pela agência de notícias espanhola EFE que revela que o novo antibiótico foi desenhado por uma equipa dirigida pela Universidade de Notre Dame (situada no estado norte-americano de Indiana) na qual participou também o Instituto de Química-Física Rocasolano, em Madrid.

A resistência das bactérias aos antibióticos é um problema de saúde mundial muito preocupante: «Há cada vez menos antibióticos novos e mais patogénicos super-resistentes», explicou Juan A. Hermoso, o investigador do Departamento de Cristalografia do instituto madrileno e um dos autores do estudo.

Diário Digital
Diário Digital / Lusa
21/02/2015 | 13:00

204: Guia para enfrentar a gripe

 

Quando meio País está a fungar e o pico da epidemia prestes a ser atingido, saiba o que fazer para passar pela doença sem traumas. A VISÃO dá-lhe as respostas para as perguntas mais frequentes

visao30012015COMO SABER SE TENHO GRIPE?

No adulto, a gripe manifesta-se por início súbito de mal-estar, febre alta, dores musculares e articulares, dores de cabeça e tosse seca. Pode também ocorrer inflamação dos olhos. Nos bebés, a febre e prostração são as manifestações mais comuns. Os sintomas gastrintestinais (náuseas, vómitos, diarreia) e respiratórios (laringite, bronquiolite) são frequentes. A otite média pode ser uma complicação frequente no grupo etário até aos 3 anos. Na criança maior os sintomas são semelhantes aos do adulto.

A GRIPE É MAIS SEVERA ESTE ANO?

Até agora, o vírus que predomina, nas amostras analisadas pelo Instituto Nacional de Saúde, tem sido do tipo B, que causa infecções mais suaves. No entanto, em 32% dos casos a infecção foi causada pelo subtipo A (H3), um vírus associado a taxas de internamento mais elevadas e a maior mortalidade em idosos e crianças com patologias crónicas. Além disso, a maior parte das estirpes A em circulação não estão contempladas na vacina da gripe. O Influenza sofreu mutações e ‘fintou’ as previsões dos especialistas, feitas no final do inverno passado. De qualquer modo, uma pessoa vacinada tem sempre alguma protecção.

QUANDO SERÁ ATINGIDO O PICO?

A epidemia de gripe foi declarada, em Portugal, há três semanas. O pico deverá ser atingido no início de Fevereiro. No último boletim, divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde, a incidência era de 122,4 casos por cem mil habitantes e havia 29 pessoas internadas nos cuidados intensivos por infecção pelo Influenza.

COMO EVITÁ-LA?

De Novembro a Março, no hemisfério norte, é sempre época de gripe. A melhor forma de escapar é: vacinar-se, evitar o contacto com pessoas contaminadas e lavar as mãos com frequência.

QUAL O PERÍODO DE CONTÁGIO?

Um dia antes de surgirem os sintomas e até sete dias depois de terem começado, há risco de contágio. Os vírus espalham-se pela tosse, espirros e material usado pelos engripados, como os lenços de papel, ou superfícies com que tenham estado em contacto.

A VACINA DA GRIPE PROVOCA SINTOMAS DA DOENÇA?

Não. A vacina contém vírus inactivados, que não podem causar a doença. Algumas pessoas manifestam, no entanto, dores musculares e febre ligeira.

POR QUE RAZÃO A VACINA DEVE SER TOMADA TODOS OS ANOS?

No final de Fevereiro, a Organização Mundial de Saúde, em colaboração com especialistas de todo o mundo, estima quais as estirpes que serão dominantes na época de gripe seguinte. A vacina inclui normalmente dois vírus de tipo A e um de tipo B. Todos os anos, as estirpes circulantes mudam. Além disso, a imunidade conferida pela vacina não dura a vida toda, ao contrário da imunidade natural, adquirida quando se tem a doença. Devem ser vacinadas as pessoas com mais de 65 anos e os doentes crónicos, com asma ou diabetes.

DEPOIS DE TER TIDO GRIPE, JÁ NÃO VOLTO A TER ESTE ANO?

Pode voltar a ter. Todos os anos, há várias dezenas de estirpes do vírus em circulação. Só fica protegido contra aquela que lhe causou a doença. Ou seja, pode ser infectado por uma estirpe diferente.

VALE A PENA TOMAR VITAMINA C?

Um estudo feito em 2010 veio clarificar a crença antiga de que a vitamina C ajuda a tratar gripes e constipações. O antioxidante não evita as constipações, no entanto, diminui num dia ou dois a duração das mesmas. De qualquer modo, isto só acontece preventivamente. Começar a tomar vitamina C depois dos primeiros sintomas não faz diferença nenhuma. Só quem pratica desporto muito intenso, como os maratonistas, é que apresenta um benefício claro na toma.

TER FEBRE É MAU?

A subida da temperatura corporal é sinal de que o sistema imunitário está a trabalhar para eliminar a infecção. Havia a ideia de que a febre impede os micróbios de se desenvolverem. Um estudo recente, feito no Instituto americano Roswell Park Cancer, veio clarificar o assunto: A temperatura elevada ajuda o nosso sistema imunitário a trabalhar mais e melhor, aumentando a produção e actividade de um tipo de linfócitos, capaz de destruir células infectadas por vírus e até células tumorais. De qualquer modo, a recomendação continua a ser tomar antipiréticos caso haja um grande desconforto.

A GRIPE TRATA-SE COM ANTIBIÓTICOS?

A gripe é uma infecção viral, causada pelo vírus Influeza, e cabe ao sistema imunitário combatê-lo. Em alguns casos, de pessoas com sistema imunitário mais frágil ou com patologias crónicas, pode ser necessário tratar a gripe com um dos dois anti-virais disponíveis no mercado. Os antibióticos servem exclusivamente para tratar infecções causadas por bactérias. O que acontece, por vezes, é a gripe baixar as defesas do organismo, abrindo a porta à entrada de bactérias que causam otites ou pneumonias – que exigem, de facto, antibiótico.

COMO A DISTINGUIR DE UMA CONSTIPAÇÃO?

Os vírus que causam uma a outra são diferentes. As constipações vão-se instalando aos poucos, com nariz entupido, espirros, olhos húmidos, irritação da garganta e dor de cabeça. Raramente ocorre febre alta ou dores no corpo. A gripe surge de forma repentina e normalmente obriga a ‘ir à cama’ durante dois a três dias. As complicações da gripe podem levar ao internamento hospitalar. O diagnóstico é feito a partir dos sintomas. No entanto, em alguns casos, por questões de saúde pública, para se conhecer as estirpes circulantes, ou em pacientes com complicações, pode ser colhido material biológico, na orofaringe, por exemplo, que permite identificar o vírus mediante testes de laboratório.

COMO ENFRENTAR GRIPES E CONSTIPAÇÕES?

A regra básica é reduzir o desconforto. Fique em repouso, em casa, para limitar o contágio e ajudar o corpo a combater a infecção. Mantenha-se hidratado, bebendo muita água e sumos de fruta. Isto ajuda o sistema imunitário a combater a infecção e a repor os fluidos perdidos pelo nariz e tosse. Evite café, bebidas gaseificadas ou energéticas. O álcool também deve ser evitado já que causa desidratação. Use soluções salinas, como soro fisiológico, não fume e evite locais com fumo. Tome paracetamol e ibuprofeno para reduzir o mal estar, a febre e as dores do corpo. Lave as mãos com frequência e reduza os contactos sociais. Em caso de dúvida, ligue para a Saúde 24 (808 24 24 24). Se os sintomas não melhorarem ao fim de cinco a sete dias, consulte o médico.

QUANTO É QUE SE GASTA EM PORTUGAL PARA TRATAR ESTAS INFECÇÕES?

De acordo com os dados da consultora IMS Health, os portugueses gastaram quase três milhões de euros só no mês de Dezembro em paracetamol -o medicamento mais vendido no segmento designado como produtos para constipações. Logo a seguir vêm os anti-histamínicos, com dois milhões de euros.

QUAL TEM SIDO O IMPACTO DA GRIPE NA LINHA DE SAÚDE 24?

A linha de saúde pública foi reforçada, tendo sido criado um centro de atendimento para síndrome gripal, em Coimbra, a 26 de Janeiro. Em 2015, as queixas mais comuns têm sido: cefaleia, diarreia, dor abdominal, dor torácica, problema nasal, problema no ouvido, problemas da orofaringe, problemas urinários, tosse e vómito. A média diária de chamadas atendidas, em 2014, foi de 1 800. Agora está nos 2 200, e com tendência a subir.

O INFLUENZA PODE MATAR?

Nas primeiras semanas do ano, ocorreram mil mortes acima do esperado, o que a Direcção Geral da Saúde atribui ao frio e à epidemia de gripe. Estes factores levam a que os doentes crónicos, cardíacos ou diabéticos, bem como os idosos, entrem em descompensação. Todos os anos, morrem à volta de 1 500 pessoas por causa da gripe.

Jornal Visão online
14:36 Quinta feira, 29 de Janeiro de 2015
Sara Sá (artigo publicado na VISÃO 1143 de 29 de Janeiro)

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