662: R(t) sobe para 1,06 e incidência para 72,4 infectados por 100 mil habitantes

 

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

Boletim epidemiológico da DGS indica que Portugal registou nas últimas 24 horas 684 novos casos de covid-19 e oito mortes, havendo agora 447 doentes internados, dos quais 116 em unidades de cuidados intensivos.

Campanha de vacinação contra a covid-19 em Viana do Castelo
© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

No dia em que o parlamento vota o 15º estado de emergência, em contexto de pandemia, Portugal registou, nas últimas 24 horas, 684 novos casos de covid-19. O boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (14 de Abril) refere também que morreram mais oito pessoas devido à infecção pelo novo coronavírus. Há agora 447 doentes internados, menos 12 do que no dia anterior, sendo este o número mais baixo desde meio de Setembro. Deste total, 116 ainda se encontram em unidades de cuidados intensivos menos dois que na terça-feira.

Nesta quarta-feira, o boletim da DGS destaca-se pela subida da incidência da doença a nível nacional, passando para 72,4 de infectados por 100 mil habitantes, e para 69,0 de infectados por 100 mil no Continente. Quanto ao R(t), e tal como foi referido ao DN na segunda-feira por Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, está a crescer em média uma centésima por dia, e nesta quarta-feira já está em 1,06 a nível nacional, antes estava a 1.04, e 1,05 no Continente, antes estava a 1,03.

Recorde-se, e como explicou Carlos Antunes ao DN, os valores de incidência e de R(t) indicados pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo (INSA) e divulgados no boletim diário da DGS, têm um atraso de alguns dias. Por exemplo, o do R(t), como referiu o especialista que tem acompanhado a modelação da devolução da doença em Portugal, o R(t) já deve estar acima dos 1,11, devendo estar no dia 19 já em 1,18.

De acordo com o boletim da DGS, Portugal soma agora 828.857 casos de infecção desde o início da pandemia e 16.931 óbitos.

Nas últimas 24 horas, há ainda a registar mais 16 casos activos, totalizando agora 25.457 casos. Em vigilância, há apenas mais oito casos, num total e 18.404. A nível dos recuperados, há uma subida significativa, mais 660 casos nas últimas 24 horas, havendo agora 786.469 de infectados curados.

A região do Norte continua a ser a que regista maior número de casos, uma tendência que se mantém desde a semana passada, mais 265 casos e três óbitos. Segue-se a região de Lisboa e Vale do Tejo com mais 188 casos e cinco óbitos, depois destaca-se a região do Algarve com mais 66 casos – na terça-feira tinha registado apenas 13 casos – mas sem qualquer óbito. A região do Centro registou também 66 novos casos e a do Alentejo mais 43, ambas sem óbitos.

Governo decide amanhã o que vai fazer

Amanhã, Portugal fica a saber se a próxima fase do plano de desconfinamento, que começa a 19 de Abril, vai manter-se, tendo em conta a actual situação epidemiológica. Isso mesmo disse a ministra da Saúde. Após a reunião de ontem no Infarmed, em Lisboa, Marta Temido remeteu a decisão de uma eventual alteração para a reunião do Conselho de Ministros desta quinta-feira.

Marta Temido deixou claro que o Governo “vai apreciar todos os números” da evolução da infecção em Portugal. “Estes dias que estamos a viver são decisivos para que se consolidem tendências num sentido ou noutro e para que possamos tomar decisões na quinta-feira para o período que vem a seguir ao dia 19, para o qual estava previsto um conjunto de decisões, mas a nossa estratégia gradual poderá ter paragens ou avanços”, observou.

“Seria prudente esperar antes de continuar a aliviar medidas”

Ao DN, a médica pneumologista Raquel Duarte, que integrou a equipa que elaborou a proposta de desconfinamento pedida pelo governo, diz que o momento é de alerta e que se deve dar “passos seguros”.

“Devemos dar passos mais pequenos, mas seguros, que não prejudiquem o que se conseguiu até agora”, defendeu, após ter ouvido os colegas especialistas na reunião de ontem no Infarmed. Raquel Duarte considera que é preciso “ser prudente e esperar algum tempo antes de continuar o aliviar das medidas restritivas e de se abrir mais sectores”

UE compra mais 50 milhões da vacina da Pfizer

Entretanto, esta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia anunciou a compra de mais 50 milhões de doses da vacina da Pfizer, elevando para 250 milhões o total para entrega neste segundo trimestre, após problemas com o fármaco da Janssen.

De referir que o regulador de medicamentos norte-americano recomendou uma pausa na administração da vacina da farmacêutica do grupo Johnson & Johnson, após a detecção de coágulos sanguíneos em seis mulheres vacinadas.

Ursula von der Leyen, presidente do executivo comunitário, anunciou que, “mais uma vez”, o Bruxelas “chegou a acordo com a BioNTech/Pfizer para acelerar a entrega de vacinas, num total de 50 milhões de doses adicionais que serão entregues no segundo trimestre, com início em Abril”.

De acordo com von der Leyen, “estas doses serão distribuídas proporcionalmente à população entre todos os Estados-membros, o que ajudará substancialmente a consolidar o desenvolvimento das campanhas de vacinação”.

Esta aquisição foi anunciada no dia em que o jornal La Stampa, que cita uma fonte do ministério da Saúde italiano, a dar conta de um “acordo” com a Comissão Europeia e “líderes de muitos países”, para que não haja renovação dos contratos com a AstraZeneca e a Johnson & Johnson, cujas respectivas vacinas se encontram em análise pelos reguladores da UE e dos EUA, por suspeitas de reacções adversas.

Contactada esta manhã pelo DN para reagir à notícia, o porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, escusou-se a “comentar questões contratuais”, mas não fechou a porta a qualquer das opções. Pelo contrário, afirma que todas as possibilidades “estão em aberto”.

Diário de Notícias
DN
14 Abril 2021 — 14:36

 

 

 

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661: 408 novos casos e 5 mortes por covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas

 

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

O boletim epidemiológico da DGS indica 408 novos casos e cinco mortos nas últimas 24 horas e 459 doentes internados, dos quais 118 em cuidados intensivos.

Há mais 408 novos casos de covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas e mais cinco óbitos, de acordo com o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta terça-feira (13 de Abril). Neste momento, há 459 pessoas internadas, das quais 118 em unidades de cuidados intensivos. No total, menos 20 do que no dia anterior e nos cuidados intensivos apenas menos um.

De acordo com o Boletim diário da DGS, há 25.441 casos activos, menos 343 do que na segunda-feira, e 18.013 em vigilância, menos 207 do que no dia anterior.

Ao todo, Portugal soma 828.173 casos de infecção, 16.923 mortes e 785.809 recuperados.

“Duas semanas a um mês” para atingir os 120 casos por 100 mil habitantes

Esta manhã, decorreu nas instalação do Infarmed, em Lisboa, mais uma reunião com especialistas de várias áreas, o Presidente da República, governo, conselheiros de Estado e representantes dos partidos com assento parlamentar.

Tendo em conta o actual ritmo de evolução da pandemia, Portugal deverá demorar duas semanas a um mês para chegar aos 120 casos por 100 mil habitantes, o limiar de risco definido pelo Governo, como explicou Baltazar Nunes neste encontro. Actualmente, o país tem cerca de 71 casos por 100 mil habitantes, segundo André Peralta Santos, da DGS.

A região de Lisboa e Vale do Tejo não apresenta risco de atingir este valor tão cedo porque “tem taxa de crescimento praticamente nula”.

“Há um efeito significativo” do efeito da vacinação nos maiores de 80 anos, disse o especialista.

Especialista refere que há um aumento “mais expressivo” na população mais jovem.

Regista-se aumento na faixa etária dos 0 aos 9 anos, referiu André Peralta Santos, da DGS. “Todas as faixas etárias têm uma incidência inferior, face a 15 de Março, excepto a dos 0 aos 9 anos”, acrescentou.

“É de realçar a diminuição de casos na faixa etária dos 80 anos, a mais vulnerável à morte”, indicou. Esta foi a faixa etária mais castigada nas primeiras vagas da pandemia e antes da campanha de vacinação tem sido menos afectada. Por outro lado, começa-se a registar um aumento na faixa etária dos “25 aos 55 anos que traduz a população activa”, disse André Peralta Santos.”Houve uma intensificação da testagem da semana 13 para a semana 14 e segue um padrão em que concelhos com maior incidência têm maior testagem”, indica o especialista. Ao mesmo tempo, está a haver uma diminuição da taxa de positividade, inferior a 4% no território nacional, disse.

Gouveia e Melo sobre a vacinação: “A partir de agora vamos fazer uma sequenciação etária pura”

Quando vacinarmos as pessoas com mais de 60 estará vacinada a faixa etária que mais sofreu com a covid-19, explica o coordenador da task force, vice-almirante Gouveia e Melo. Neste momento, 400 mil pessoas entre os 75 e os 80 anos estão já vacinadas, adiantou Gouveia e Melo.

Na sua curta apresentação, o coordenador da task force garantiu ainda que “a partir de agora vamos fazer uma sequenciação etária pura”, explica.

A vacinação continuará a passar pelo agendamento dos centros de saúde, mas será também aberto o auto-agendamento. Juntas de freguesias e bombeiros poderão colaborar neste agendamento, antecipa Gouveia e Melo.

Neste momento, 15% da população recebeu a primeira dose da vacina.

Diário de Notícias
DN
13 Abril 2021 — 14:02

 

 

 

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660: Especialista alerta que uso de máscara aumentou doenças da voz

 

 

SAÚDE/COVID-19/MÁSCARAS/VOZ

Especialista diz ter atendido nos últimos meses cada vez mais pessoas com disfonia por tensão muscular, que se caracteriza pela dificuldade para emitir a voz, rouquidão, falta de volume e projecção.

O uso de máscara de protecção é uma das medidas para travar a propagação da infecção pelo novo coronavírus
© Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens

A otorrinolaringologista Clara Capucho alertou esta terça-feira que o uso de máscaras imposto pela pandemia da covid-19 aumentou o número de patologias da voz, sobretudo nos aparelhos vocais dos portugueses.

O alerta da coordenadora da Unidade de Voz do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (CHLO), que integra os hospitais Egas Moniz, S. Francisco Xavier e Santa Cruz, surge nas vésperas de se assinalar o Dia Mundial da Voz (a 16 de Abril).

“O número de pacientes com disfonia por tensão muscular está a aumentar desde Março de 2020”, afirma em comunicado a especialista, que diz ter atendido nos últimos meses cada vez mais pessoas com este problema que se caracteriza pela dificuldade para emitir a voz, rouquidão, falta de volume e projecção, entre outros.

A especialista reconhece que, “ainda que importantes para travar a propagação do vírus, a utilização de máscaras tem agravado as patologias associadas à voz”.

“O número de pacientes diagnosticados com disfonia por tensão muscular tem aumentado desde Março de 2020, quando as autoridades de saúde recomendaram o uso de máscaras como medida essencial para reduzir os riscos de contágio por covid-19”, salienta.

“O aumento do esforço para a emissão vocal — provocado pelas máscaras, pela ansiedade e pela postura em frente ao computador — conduz a uma tensão muscular na zona cervical, dos ombros e do próprio aparelho vocal, resultando muitas vezes numa disfonia por tensão muscular. Essa tensão é tão intensa que, em certos casos, acarreta graves prejuízos vocais”, salienta.

Inquérito vai avaliar o impacto da covid-19 no desempenho da voz de actores e cantores

Dado que a voz é o principal instrumento de trabalho dos artistas, a Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz a Fundação GDA — Gestão dos Direitos dos Artistas irão lançar um inquérito para avaliar o impacto da covid-19 no desempenho da voz de actores e cantores, uma iniciativa que irá assinalar o Dia Mundial da Voz 2021, este ano sob o lema “Um mundo, muitas vozes”.

O vice-presidente da GDA, Luís Sampaio, afirma que “os artistas estão a ser severamente fustigados com os efeitos causados pela pandemia da covid-19, tais como a limitação das actividades culturais e o cancelamento de espectáculos. Mas, apesar desta paragem, não podem descurar aquele que para muitos é o principal instrumento de trabalho: a voz”.

“É fundamental que os artistas tenham cuidados preventivos de saúde que identifiquem e tratem patologias do aparelho vocal, mantendo-o apto para as exigências que o regresso do seu uso profissional no pós-pandemia irá colocar“, defende Luís Sampaio.

A Fundação GDA irá enviar a todos os cooperadores um inquérito ‘online’ para avaliar os níveis do desconforto vocal dos artistas, cujos dados serão remetidos à Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz, que irá avaliar os sintomas e, posteriormente, reencaminhar os casos graves para consultas ou rastreios.

A equipa de Clara Capucho irá depois utilizar os resultados na elaboração de um estudo científico sobre os efeitos das máscaras anti-covid-19 na voz dos artistas em Portugal.

A Fundação e o CHLO irão promover também, na quarta e quinta-feira, rastreios gratuitos da voz dirigidos à comunidade artística, mas também à população no Hospital Egas Moniz.

Devido à pandemia, os artistas interessados devem inscrever-se previamente, preenchendo um formulário no site da Fundação GDA, e restante população deverá contactar a Unidade da Voz do CHLO.

Diário de Notícias
DN/Lusa
13 Abril 2021 — 08:30

– Não sou “especialista” da voz nem otorrinolaringologista, mas já fui cantor de conjuntos de música para baile, durante mais de 50 anos, e sem mencionar as péssimas condições de trabalho a que fomos submetidos nessas actuações, faltou mencionar, no texto acima, que a voz também se “perde” quando se deixa de ter esta actividade, seja de cantor, actor de teatro ou onde tenha de empregar-se a voz com frequência. As cordas vocais, com a inactividade, começam a perder a elasticidade a que estão sujeitas frequentemente e levam aos sintomas referidos pelo uso das máscaras contra o COVID-19.

 

 

 

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“Governo deve ponderar adiamento da próxima fase de desconfinamento”

 

 

SAÚDE/DESCONFINAMENTO/GOVERNO

O R(t) continua a subir. Não é o valor que é preocupante, mas o ritmo da evolução. Se não se tomarem medidas, a tendência é para piorar. E os dados actuais “ainda não refletem reabertura das esplanadas”, alerta Carlos Antunes. Governo e especialistas reúnem-se esta terça-feira no Infarmed.

Dados que vão ser apresentados hoje no Infarmed ainda não refletem o impacto da segunda fase de desconfinamento.

O R(t) – valor de transmissibilidade da covid-19 – continua a aumentar a um ritmo “significativo e preocupante”, defende ao DN Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências (FCL) da Universidade de Lisboa. “Não é o valor em si que é preocupante, mas o ritmo da sua evolução”, explicou, sustentando que “o R(t) está a subir desde meados de Fevereiro e sempre ao mesmo ritmo, uma centésima por dia, e nós estamos a potenciar ainda mais essa subida com o desconfinamento. Portanto, quem vai ter de decidir nos próximos dias, já deveria estar preocupado, embora não estejamos com 3 mil ou 6 mil casos, nem com 500 camas cheias nas unidades de cuidados intensivos”, argumenta o professor do Departamento de Engenharia Geográfica, Geofísica e Energia da FCL, que desde o início da pandemia integra uma equipa que tem vindo a fazer a modelação da evolução da doença.

“As cautelas têm de ser tomadas agora e quem decide tem de pensar no que vai fazer, porque no dia 19, data para a terceira fase de desconfinamento, o R(t) já deve estar em 1.18”. Ou seja, se não forem tomadas medidas a tempo, num “ápice a multiplicação de casos que agora, de acordo com o nosso método, está a 21 dias passará para os 14 dias. E isto, sim, é preocupante”. Até porque não se perspectiva uma retracção na mobilidade da sociedade, e “a tendência é para piorar”.

O alerta é deixado aos políticos e aos especialistas que hoje voltam a reunir-se no Infarmed para analisar a evolução da doença no país, tendo por base os dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).

De acordo com o boletim diário da DGS desta segunda-feira, nas últimas 24 horas tinham sido registados 271 casos, dois óbitos e 25 mil casos activos. Há um mês, precisamente no dia 13 Março, dois dias antes de se iniciar o desconfinamento, havia 564 casos, 19 mortos e 40 788 casos activos. A maior diferença nos dados está nos internamentos. Ontem, havia 479 pessoas internadas, 119 das quais em cuidados intensivos e a 13 de Março o número total era de 980 internamentos, 253 em intensivos. Quanto à incidência da doença, estava em cerca de 60 casos por 100 mil habitantes e o R(t) abaixo de 1. Agora, está em 70,0 por 100 mil e o R(t) em 1,04.

Segundo refere ao DN Carlos Antunes, é a evolução da doença a este ritmo que deve fazer soar os alarmes. “O R(t) está a subir diariamente. O valor reportado ontem pela DGS já está desactualizado, é de 5 de Abril, portanto de há sete dias, já que a análise do INSA tem um atraso. Nesta segunda-feira já deve estar em 1,11, mas este valor só deve ser reportado pelo INSA no próximo relatório, no dia 17. Ou seja, e mais uma vez, quando chegarmos à próxima segunda-feira, dia 19, e se for tomada a decisão de se manter o calendário de desconfinamento, que prevê a reabertura dos ensinos secundário e universitário e dos restaurantes já teremos um R(t) muito superior (1.18)”.

E isto porque “o R(t) não irá parar de subir. Isso só acontecerá se houver uma alteração da matriz dos contactos e da nossa mobilidade, mas o que se observa agora é precisamente o aumento dessa mobilidade”.

Na opinião do especialista, a reabertura de todas as actividades previstas a 19 vai potenciar ainda mais o aumento do R(t), porque haverá aumento da mobilidade. Argumentando: “Quando digo que evolui a um ritmo preocupante é precisamente porque não há perspectivas de que possa começar a desacelerar. O valor de 1.04 ainda não é preocupante, só o é para quem tem de tomar decisões e tem de pensar para daqui a uma ou duas semanas. Quem tem de decidir tem de pensar como quer que a situação evolua: se no sentido de desanuviar ou no sentido de aumentar a pressão.”

Dados ainda não espelham impacto das esplanadas

Para Carlos Antunes, neste momento devem ser ponderados três cenários por quem tem o poder de decidir. “Se se suspende a terceira fase do desconfinamento por uma ou duas semanas, se se abre todas as actividades ou não e até se se deve regredir nalgumas áreas que abriram.” O professor adianta não saber o que vai ser decidido, nem que visão será levada pelos especialistas à reunião de hoje do Infarmed, mas de uma coisa tem a certeza: “Os dados que hoje vão ser apresentados anda não espelham o impacto da segunda fase do desconfinamento, o impacto da abertura das escolas dos 2.º e 3.º ciclos e das esplanadas. Este só vamos ficar a saber nesta semana e só serão confirmados pelos indicadores na próxima semana.”

Neste momento, os indicadores ainda nos dizem que estamos numa posição confortável e, por isso, pode haver hesitação em tomar medidas, mas isso só vai fazer que os contactos e os contágios aumentem.

Questionado pelo DN se poderemos voltar a ter uma vaga com a intensidade de Janeiro, Carlos Antunes diz que não: “Uma nova vaga sim, mas não com a intensidade do último pico da doença, só se houvesse uma inércia política para tomar decisões, mas acredito que serão tomadas.”

Terão de ser, porque, justifica, “foi referido que a multiplicação de casos pode acontecer daqui a dois meses, mas os dados que recebi nesta segunda-feira do INSA revelam que este valor já está desactualizado. Os valores a que tive acesso indicam, e seguindo o método de cálculo do próprio INSA, que a multiplicação já está a acontecer a 40 dias, porque de acordo com o nosso método de cálculo a multiplicação já está a acontecer a 21 dias, na próxima semana já pode estar a 14 dias. Se agora temos um valor médio de 600 casos dia, daqui a três semanas poderemos estar nos 1200, o que ultrapassa os 120 casos por 100 mil habitantes. E isto é preocupante”.

O país tem linhas vermelhas e estas não podem ser ultrapassadas. “Acredito que haverá uma acção mais precoce e que se calhar o desconfinamento tem de ser feito mais a conta-gotas – os ingleses estão a desconfinar de cinco em cinco semanas, nós em duas -, mas a evolução do vírus não é compatível com a definição de um calendário feito um mês e meio antes.”

anamafaldainacio@dn.pt

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
12 Abril 2021 — 23:14

 

 

 

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658: Incidência da doença sobe para 70,0 casos por 100 mil habitantes e R(t) para 1,04

 

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

O boletim epidemiológico da DGS indica 271 novos casos nas últimas 24 horas, dois mortos e 479 doentes internados, mais 13 do que no dia anterior, 119 em Unidades de Cuidados Intensivos, mais seis em relação a domingo.

Profissional de saúde prepara dose da vacina da AstraZeneca contra a covid-19
© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Há mais 271 novos casos de covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas e mais dois óbitos. De acordo com o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta segunda-feira (12 de Abril), há agora 479 pessoas internadas (mais 13 do que no dia anterior), das quais 119 em unidades de cuidados intensivos (mais seis do que no dia anterior).

Segundo os dados da DGS, Portugal tem actualmente 25.784 casos activos da doença, menos 176 do que no domingo. Ao todo, Portugal já tem 827.765 de infectados e 16.918 óbitos. Há a registar 785.063 recuperados, mais 445 do que no dia anterior, e 18.230 casos em vigilância, mais 488 do que nas 24 horas anteriores.

A ARS do Norte continua à frente no número de casos, 70, mais 10 do que na ARS de Lisboa e Vale do Tejo, que registou 60. Segue-se a ARS do Alentejo com 52 novos casos, a ARS do Algarve com 21 e a ARS do Centro com 18. Os dois óbitos ocorreram no Norte e em Lisboa e Vale do Tejo.

Nesta segunda-feira, segundo o boletim da DGS, há um ligeiro aumento da incidência da doença a nível nacional, que está nos 70,0 casos por 100 mil habitantes, e nos 67,4 casos por 100 mil no Continente. Quanto ao R(t), está agora em 1,04 a nível nacional e a 1,03 no Continente.

Amanhã, decorrerá a habitual ​​ reunião no Infarmed, em Lisboa, entre especialistas de várias áreas, Presidente da República, governo e políticos. Tudo aponta para a renovação de um novo estado de emergência. A confirmar-se, entrará em vigor às 00.00 de dia 16 para terminar às 23.59 de dia 30.

DGS admite que 2.ª dose da AstraZeneca pode ser substituída por outra vacina

Entretanto, a Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19 da DGS admite que quem recebeu a primeira dose da vacina da AstraZeneca abaixo dos 60 anos pode vir a receber uma segunda dose de outra, noticia a TSF.

Citando declarações de um dos membros da comissão técnica, Luís Graça, a rádio TSF explica que esta é uma hipótese que ainda está em estudo e que a DGS ainda aguarda estudos para que seja tomada uma decisão.

Todas as vacinas usam a mesma proteína, pelo que do ponto de vista da imunologia, à partida, será equivalente a resposta imunitária induzida com uma vacina de uma marca diferente”, explica Luís Graça.

Na semana passada, a DGS passou a recomendar que esta vacina fosse administrada apenas a pessoas acima dos 60 anos. Segundo a TSF, cerca de 200 mil portugueses, de várias idades, já foram vacinados com a primeira dose desta vacina.

Lote com 30 mil vacinas da Janssen chega na quarta-feira a Portugal

De referir que Portugal vai receber na quarta-feira um primeiro lote de 30 mil vacinas da Janssen, como noticiou o Público. Com a chegada destes fármacos de dose única, o país fica com 1,9 milhões de doses disponíveis para administrar durante o mês de Abril.

Segundo os dados divulgados na semana passada, perto de 580 mil pessoas têm a vacinação completa contra a covid-19, o que representa 6% da população, das quais cerca de 300 mil idosos com 80 ou mais anos.

Segundo o relatório semanal da DGS, 579.069 portugueses já receberam as duas doses da vacina contra o SARS-CoV-2.

O relatório, com dados até dia 4 de Abril, indicava que tinham sido vacinadas com a primeira dose 1.334.338 pessoas (13% da população).

A nível mundial, os dados mais recentes indicam que a pandemia de covid-19 é responsável por 2,93 milhões de mortes em todo o mundo.

Pelo menos 2.937.355 pessoas morreram devido à doença e mais de 135.952.650 foram infectadas pelo novo coronavírus desde que foi notificado o primeiro caso na China, no final de 2019, segundo o balanço desta segunda-feira da agência AFP.

Diário de Notícias
DN
12 Abril 2021 — 14:06

 

 

 

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657: Desconfinamento já se faz sentir nos internamentos. R(t) já está acima de 1

 

 

SAÚDE/COVID-19/DESCONFINAMENTO

(CC0/PD) Tobias Zils / unsplash

O número de casos está a aumentar e este efeito já se começa a sentir nos internamentos. Esta foi a segunda semana consecutiva com aumento de casos, com uma média de 495 novos casos diários.

De acordo com o jornal digital Observador, na última sexta-feira, a média referente aos novos casos reportados ao longo dos sete dias anteriores era de 452 novos casos de infecção. Verificaram-se ao longo dos últimos sete dias, em média, mais 43 casos diários de infecção, o que significa mais 301 casos durante essa semana.

O chamado R(t), índice médio de transmissibilidade do vírus, está agora a 1,02 em solo continental e em 1,02 na totalidade do país. O primeiro-ministro António Costa tinha apontado o valor de 1 para o R(t) como um limite que, caso fosse ultrapassado, poderia colocar em causa o ritmo de desconfinamento nacional.

Segundo o jornal Público, as previsões dão conta de que vão aumentar os internados com a doença em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), bem como nos outros serviços, nos próximos dias.

“Os dados já apontam para algum aumento de internamentos, mas mesmo assim, não está a capturar as alterações dos últimos dias. A situação tenderá a piorar”, alertou Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

O responsável disse esperar que o cenário mais positivo apresentado na mais recente previsão “não deverá ser cumprido”, uma vez que os números reflectidos já foram atingidos esta quinta-feira, mas o modelo matemático usado nas projecções tem de ser “respeitado”.

Segundo o modelo, o país deve necessitar de ter entre 484 (cenário mais positivo) e 520 (cenário negativo) camas para receber doentes internados com ​covid-19 na próxima semana. Destas, entre 107 e 112 serão para internamentos em UCI.

“Com o aumento do R(t), o número de casos vai aumentar. As medidas de contra balanço a este aumento esperado com o desconfinamento devem ser assimétricas, de acordo com a evolução regional. Os municípios com taxas mais elevadas têm de ter medidas mais duras, nomeadamente de restrição do processo de desconfinamento”, defendeu Alexandre Lourenço.

A previsão de mais internamentos faz com que volte a crescer também o número de profissionais necessários para lidar com a doença. Na próxima semana, deverão ser necessários entre 144 e 153 médicos, 982 e 1050 enfermeiros e entre 399 e 433 técnicos auxiliares de saúde. Já o número de profissionais de saúde público deverá situar-se entre os 477 e 535.

Desconfinamento está a levar o R(t) para perto do limite definido por Costa

Desde o início do desconfinamento, o R(t) aumentou de 0,84 para 0,93 a nível nacional. António Costa tinha definido que…

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Duas escolas fecham em Faro

Um surto de covid-19 em duas escolas básicas do concelho de Faro obrigou esta sexta-feira ao encerramento dos estabelecimentos, que têm no total 300 alunos.

A escola foi hoje fechada. Ontem [quinta-feira] ainda houve aulas, mas as turmas onde foram identificados casos positivos não tiveram aulas e depois, ao fim da tarde, o delegado de saúde decidiu fechar as escolas”, contou João Geraldes, presidente da associação de pais de um dos estabelecimentos, à Lusa.

Segundo fonte da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, “os inquéritos epidemiológicos estão em curso, mas tudo indica que a disseminação do vírus terá ocorrido em festas familiares e sociais, de aniversário, bem como na prática desportiva” num clube local.

Em declarações à Lusa, a mesma fonte referiu que existem “vários agregados familiares com todos os elementos positivos” e que “muitos dos casos positivos contactados, incluindo as crianças, estão sintomáticos”, embora com sintomas ligeiros, o que levou a que as primeiras pessoas diagnosticadas tivessem tido a iniciativa de fazer auto testes.

Os estabelecimentos em causa são a Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância do Montenegro e a Escola Básica do 1º. Ciclo do Montenegro, segundo a autoridade local de saúde “uma pequena escola com duas salas” do mesmo agrupamento.

A mesma fonte adiantou que está em curso um “processo de testagem massiva”, pelo facto de se tratarem “de vários casos, distribuídos por quase todas as salas dessas escolas, e com a perspectiva de aumento”.

Segundo o presidente da Associação de Pais da Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância do Montenegro, o número de infectados aponta para “cerca de 20 pessoas” pelo facto de algumas crianças terem infectado os pais e irmãos.

O contágio não terá sido na escola, estas coisas acontecem quase sempre fora da escola”, frisou João Geraldes, notando que a origem do surto “terá sido numa festa de aniversário onde estiveram meia dúzia de crianças, quase todas das mesmas turmas” e que têm também actividades num clube local.

O presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, considerou que, até agora, não há motivo para “grande preocupação”, mas manifestou-se apreensivo com o efeito que o surto poderá vir a ter nos próximos dias.

Por Maria Campos
10 Abril, 2021

 

 

 

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