287: Descoberto antibiótico que pode combater as bactérias super-resistentes

 

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Um grupo de cientistas chineses sintetizou um complexo antibiótico que é eficaz contra as bactérias resistentes aos medicamentos actuais e é baseado num grupo de compostos descobertos na União Soviética na década de 40.

De acordo com a revista Chemical & Engineering News, este antibiótico é utilizado com sucesso em tratamentos experimentais contra infecções em humanos.

Os especialistas explicaram que se focaram nas moléculas de albomicina a partir da bactéria Streptomyces griseus, que se encontra no solo e se alimenta de restos de vegetais em decomposição, relata o estudo publicado esta semana na Nature Communications.

As albomicinas penetram no sistema de defesa das bactérias e atravessam a sua dupla membrana fosfolipídica de forma a torná-las inactivas.

Em 1955, o biólogo russo Georgy Gause desenvolveu um sistema também baseado nas albomicinas, que se mostrou eficaz em casos de pneumonia infantil e complicações derivadas da disenteria e sarampo, relata a British Medical Journal.

A sua natureza completamente atóxica foi confirmada quando o antibiótico foi utilizado em humanos durante práticas clínicas.

A nova pesquisa, liderada por Yun He, da Universidade de Chongqing, China, conseguiu sintetizar três albomicinas e uma delas – denominada delta-2 – tem-se mostrado altamente eficaz contra diferentes variedades da bactéria Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus, três das quais eram resistentes à meticilina.

Além disso, a albomicina delta demonstrou ser muito mais potente do que alguns dos antibióticos utilizados frequentemente, como, por exemplo, a penicilina.

Este composto ainda não está disponível para venda, mas proporciona um grande avanço em relação ao combate das bactérias multi-resistentes a antibióticos.

Por SN
9 Setembro, 2018

286: Novo medicamento para doentes com Parkinson chega a Portugal

 

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Em Portugal existem entre 18 a 20 mil doentes de Parkinson

A farmacêutica portuguesa Bial anunciou nesta quarta-feira estar já disponível no mercado português um novo medicamento para doentes com Parkinson que atrasa os sintomas da progressão da doença.

Em declarações à Lusa, o presidente da Bial, António Portela, explicou que este novo medicamento, cujo princípio activo é a opicapona, “reduz o estado off, que se caracteriza pela lentidão/limitação dos movimentos”.

“Os chamados tempos off são períodos em que o corpo fica rígido e os doentes não se conseguem mexer. O medicamento tem um efeito importante porque reduz em duas horas o tempo off“, sustentou, salientando “a vantagem de ser de toma única diária, o que aumenta a qualidade de vida dos doentes durante o dia, mas também durante o sono”.

O novo medicamento, comercializado com o nome de Ongentys, já está disponível desde 2016 na Alemanha, Inglaterra e Espanha.

Ainda este mês será comercializado em Itália, existindo já acordos com empresas do sector para a sua comercialização nos Estados Unidos da América, Japão, China e Coreia do sul.

“Ainda não submetemos o dossier regulamentar em nenhum destes países, estamos a prepará-los, mas eu conto que, nos próximos seis a nove meses, os nossos parceiros, quer no Japão quer nos Estados Unidos, possam estar a submeter o dossier nesses países”, afirmou António Portela.

O novo medicamento para a doença de Parkinson foi aprovado pela Comissão Europeia em Junho de 2016, tendo sido introduzido em Outubro desse ano na Alemanha e Inglaterra.

“Estes dois países têm processos mais rápidos, ou seja, após a aprovação técnica e científica da Comissão Europeia, o medicamento fica disponível, mesmo com os processos de negociação do preço a da comparticipação a decorrer”, explicou o presidente da Bial.

António Portela referiu ainda que em Portugal o novo medicamento só é disponibilizado após o processo de negociação estar concluído, o que justifica o atraso de 2 anos.

Segundo a Bial, o Ongentys, que resultou de um investimento de cerca de 300 milhões de euros, culmina 11 anos de investigação, “apoiado num vasto e exaustivo programa de desenvolvimento clínico que suportou a aprovação da Comissão Europeia, incluindo 28 estudos de farmacologia humana em mais de 900 pacientes de 30 países”.

Em Portugal existem entre 18 a 20 mil doentes de Parkinson e são identificados todos os anos cerca de dois mil novos casos. Portugal é um dos países (a par com Espanha) com maior prevalência de uma mutação genética, considerada a causa mais frequente de doença de Parkinson.

Trata-se do segundo medicamento na área do sistema nervoso central desenvolvido pela Bial, mas a farmacêutica tem algumas moléculas em desenvolvimento. A que está mais avançada, segundo António Portela, é para o tratamento de “uma doença também rara e difícil, a hipertensão pulmonar arterial, mas nunca estará no mercado antes de 2020”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
5 Setembro, 2018

285: O óleo de coco é “puro veneno”, alerta professora de Harvard

 

(PPD/P0) moho01/ Pixabay

O óleo de coco – amplamente reconhecido pela sua versatilidade e benefícios para a alimentação e estética – pode ser, na verdade, pouco saudável. Karin Michels, professora da Universidade de Harvard, nos EUA, considerou o produto “puro veneno” e um “dos piores alimentos que se pode comer”.

Foi durante uma palestra na Universidade de Friburgo, na Alemanha, intitulada de “O óleo de coco e outros erros nutricionais” que Karin Michels reiterou, de forma muito explícita, que o óleo de coco não é saudável.

As características do superalimento já tinha sido analisadas no ano passado, depois da American Heart Association (AHA) ter actualizado as suas directrizes, as quais recomendava que as pessoas evitassem ácidos graxos saturados, presentes no óleo de coco.

Michels foi ainda mais longe do que a AHA e durante a palestra – que acabou por se tornar viral no YouTube – afirmou “o óleo de coco é puro veneno”, explicando que é “um dos piores alimentos que se pode comer”.

Não há estudo científicos que demonstrem benefícios significativos do óleo de coco para a saúde. E, segundo a Michels, o óleo de coco é mais perigoso do que a banha de porco porque é composto, quase exclusivamente por ácidos graxos saturados que podem “entupir” as artérias coronárias.

É fácil identificar quais são as gorduras que têm grandes quantidades de ácidos graxos, verificando estes produtos permanecem sólidos à temperatura ambiente – como é o caso da manteiga ou da banha de porco.

Tendo em conta a elevada saturação deste tipo de ácidos, a maioria dos especialista recomenda a utilização de azeite de azeitona ou girassol. E, quando o azeite não for opção, há ainda o óleo de linhaça que é igualmente ricos em ácidos graxos não saturados e ómega 3.

Ao contrário do óleo de coco, todos estes produtos têm ácidos graxos não saturados.

Embora Michels não mencione outro tipo de “super alimentos” – tal como o açai, a chia ou a matcha – como prejudiciais, a professora considera que são ineficazes porque, na maioria dos casos, os nutrientes que estão disponíveis nestes alimentos estão também noutros de mais fácil acesso ao público, como cenouras, cerejas e damascos.

“Estamos bem e suficientemente abastecidos”, reiterou.

Serão as gorduras saturadas prejudiciais?

A maioria dos pesquisadores concorda que o azeite ou o próprio óleo de linhaça são parte importante para uma alimentação saudável. No entanto, a comunidade científica ainda não chegou a um consenso: há quem os considere “super alimentos”, como também há quem os considere extremamente prejudiciais.

Quanto ao óleo de coco em particular, a maioria das orientações dietéticas internacionais recomenda a ingestão de gorduras saturadas de forma moderada. Como diz a sabedoria popular, a dose faz o veneno. O segredo passa pela moderação.

O óleo de coco ganhou popularidade nos últimos anos, sendo amplamente divulgado e aconselhado por marcas e celebridades, que apontam os seus benefícios quer para a saúde quer para a beleza e estética. O óleo pode ser utilizado para cozinhar como alternativa a outras gorduras, como também para hidratar a pele e o cabelo.

Por ZAP
25 Agosto, 2018

 

284: Uma das doenças mais mortais do século XVIII voltou a aparecer nos países ricos

 

jholst / Flickr

O escorbuto, doença associada aos marinheiros dos Descobrimentos, não desapareceu por completo e continua a fazer vítimas em países desenvolvidos como os EUA e a Austrália.

Nos dias que correm, é difícil associar desnutrição a um país rico, desenvolvido e com altos índices de obesidade como os Estados Unidos. No entanto, a verdade é que uma das doenças mais mortais do século XVIII está a regressar a esta nação (que desperdiça um quarto da sua comida por ano).

Estamos a falar do escorbuto, uma doença simples de tratar e que é causada pela falta de uma única vitamina, mais propriamente a vitamina C, que pode ser encontrada em muitos tipos de fruta e legumes.

Esta doença ficou amplamente ligada à época dos Descobrimentos, quando os marinheiros, que passavam meses no mar com uma dieta pouco variada e escassa, começavam a ficar com sintomas como perda de dentes e sangue nas gengivas. Depois, surgiam as dores nas articulações e feridas que não cicatrizavam. Em três meses sem ingerir vitamina C, muitos deles morreram.

A falta desta vitamina aumenta os riscos de hemorragias, infecções e ataques cardíacos. O tratamento para o escorbuto foi descoberto em 1747 e passa simplesmente por ingerir pequenas quantidades de vitamina C todos os dias.

Mas, pelos vistos, esta doença ainda não desapareceu por completo e uma das suas vítimas foi precisamente Sonny Lopez, norte-americano de Springfild, Massachusetts, que foi pedir aconselhamento médico a Eric Churchill quando começou a sentir os mesmos sintomas que os marinheiros do século XV.

Segundo o médico, este não foi o primeiro paciente que apareceu no consultório com esta deficiência vitamínica. “Diagnostiquei o primeiro caso há cerca de cinco ou seis anos. Foi muito dramático porque se tratava de alguém com uma doença mental que só comia pão e queijo”, explicou o especialista, citado pelo Science Alert. “Dessa época até agora,  já diagnosticámos entre 20 a 30 pessoas com escorbuto”, acrescenta.

Churchill e a sua equipa do Baystate High Street Health Centre começaram a questionar os pacientes sobre os seus hábitos alimentares e, actualmente, estão a fazer uma investigação sobre o escorbuto em ambiente urbano.

Lopez, que não tem muitas condições financeiras e passou vários anos a comer apenas uma refeição por dia, optava por comidas mais calóricas para tentar controlar a fome. A receita que recebeu do médico foi “comer uma laranja por dia”.

“Muitas pessoas que passam dificuldades para comprar comida acabam por escolher alimentos ricos em gordura, com muitas calorias e que enchem. São as comidas que nos enchem e nos satisfazem mais do que frutas e verduras”, aponta o médico.

Porém, muitos dos pacientes de Churchill têm peso a mais ou são obesos, mostrando que comer excessivamente não é sinónimo de ingerir todas as vitaminas necessárias.

Além disso, de acordo com o mesmo site, os casos de escorbuto não acontecem apenas nos EUA. Em 2016, um relatório desenvolvido na Austrália indicou que havia uma incidência assustadora de casos entre pacientes diabéticos.

“Quando lhes perguntei sobre a alimentação que faziam, uma pessoa disse que comia pouca ou quase nenhuma quantidade de fruta e legumes, enquanto outros comiam esses alimentos mas estavam a cozinhá-los de forma excessiva. Isso destrói a vitamina C”, explica Jenny Gunton, médica e investigadora do Westmead Institute for Medical Research à ABC.

Churchill concluiu no seu estudo que pessoas mais pobres sofrem mais com a doença. “A pobreza no mundo magoa as pessoas de muitas formas – da exposição à violência à falta de voz e oportunidade, passando pelo acesso limitado à comida saudável e atendimento médico”, diz, considerando que este tipo de doença não deveria existir em países desenvolvidos.

Por HS
22 Agosto, 2018

283: Cientistas “congelam” cancro para que a doença não se espalhe

 

National Cancer Institute / NIH

Recorrendo a uma estratégia inédita, cientistas do Instituto OHSU Knight Cancer, em Oregon, nos Estados Unidos, conseguiram “congelar” células cancerígenas em cobaias. Através de uma nova molécula, travaram o movimento das células, impedido assim que o tumor se alastrasse para o resto do corpo.

A nova pesquisa, publicada o mês passado na revista Nature Communications, explica que esta é uma mudança na perspectiva na longa batalha contra o cancro. Actualmente, os grandes esforços para combater o cancro concentravam-se mais em matar o tumor.

Os novos testes foram realizados em cobaias com a molécula KBU2046, um composto capaz de inibir o movimento de células cancerígenas de mama, próstata, colo, recto e pulmão.

“Estamos a estudar uma maneira completamente diferente de tratar o cancro”, disse em comunicado Raymond Bergan, professor de oncologia médica no instituto.

O cientista explicou que, juntamente com a sua equipa, fizeram diversos estudos químicos para pensar num composto que só inibisse o movimento das células cancerígenas, não causando qualquer dano ou efeitos nas células saudáveis.

Bergan refere ainda que o laboratório de Karl Scheidt – professor de Química e Farmacologia na Universidade de Northwestern – foi o responsável por pensar em novos compostos que pudessem impedir a motilidade dos tumores. O grande desafio passava por encontrar substâncias com poucos efeitos colaterais.

“Começamos com uma substância química que impedia o movimento das células. Depois, sintetizámos o composto várias vezes para que fizesse um trabalho perfeito – mobilizar as células sem causar efeitos colaterais”, explicou Karl Scheidt.

Scheidt explica que a molécula KBU2046 liga-se às proteínas das células de forma específica, garantindo assim que só impede o movimento. Não há outra qualquer acção sobre as estruturas celulares, o que minimiza os efeitos colaterais e a toxicidade. “Levámos anos para a descobrir”, comemora.

Kristyna Wentz-Graff / OHSU
Ryan Gordon e Raymond Bergan com membros de sua equipe

Os investigadores esperam que a molécula possa ser administrada em cancros em fases iniciais, tendo diminuir ao máximo que o tumor se espalhe para o resto do corpo, tornando a doença intratável.

Serão agora necessários, segundo os cientistas, dois anos e cerca de 5 milhões de euros para que os primeiros testes possam ser aplicados em humanos.

Por ZAP
20 Agosto, 2018

 

282: A obesidade não causa risco maior de morte

 

(CC0/PD) Tirachard Kumtanom / pexels

Acreditamos normalmente que a obesidade está ligada a problemas de saúde, mas aparentemente isso pode não ser exactamente verdade.

Segundo um novo estudo, publicado esta quinta-feira na revista Clinical Obesity, ser obeso por si só não significa necessariamente ser doente.

Investigadores da Faculdade de Saúde da Universidade de York, nos EUA, descobriram que pacientes obesos, mas sem nenhum outro factor de risco metabólico, como diabetes, hipertensão ou alto nível de colesterol, não têm um aumento na taxa de mortalidade.

O estudo, liderado por Jennifer Kuk, professora da Escola de Cinesiologia e Ciências da Saúde da Universidade de York, mostrou que, ao contrário de condições como hipertensão ou diabetes, que por si só estão relacionadas com um alto risco de mortalidade, esse não é o caso da obesidade, quando considerada isoladamente.

O estudo acompanhou mais de 54 mil homens e mulheres que participaram em outros cinco estudos. Os sujeitos foram colocados em três grupos: os que tinham apenas obesidade, aqueles com algum factor metabólico isolado, seja glicose, pressão arterial ou lípidos elevados, e os obesos e com outro factor metabólico agindo em conjunto.

Os investigadores observaram quantas pessoas dentro de cada grupo morreram, em comparação com a população de peso normal e sem factores de risco metabólicos, e descobriram que 1 em cada 20 indivíduos obesos não apresentava outras anomalias metabólicas.

“Mostramos que os indivíduos com obesidade metabolicamente saudável não têm uma taxa de mortalidade elevada. Descobrimos que uma pessoa com peso normal e sem outros factores de risco metabólicos tem a mesma probabilidade de morrer que a pessoa com obesidade e sem outros factores de risco”, assegura Kuk.

“Isso significa que centenas de milhares de pessoas com obesidade metabolicamente saudável estão a ser orientadas a perder peso quando é questionável o benefício que realmente terão”, alerta.

Segundo Kuk, os resultados deste estudo podem afectar a forma como pensamos sobre a obesidade e a saúde. “Isto contrasta com a maior parte da literatura”, diz Jennifer Kuk.

Segundo a investigadora, a maioria dos estudos definiu a obesidade saudável como tendo um factor de risco metabólico.  “É provável que a maioria dos estudos tenha relatado que a obesidade saudável ainda está relacionada com maior risco de mortalidade”, diz.

E isso é um problema, já que condições como açúcar elevado no sangue e colesterol mau aumentam o risco de mortalidade de qualquer pessoa, magra ou gorda.

Por HS
16 Julho, 2018

 

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