327: Cientistas podem ter encontrado a causa da doença das vacas loucas

 

CIÊNCIA/SAÚDE

Dirk Ingo Franke / Wikimedia

Um grupo de cientistas acredita ter encontrado a possível origem da doença das vacas loucas. Os investigadores sublinham a necessidade de manter medidas de precaução para evitar um possível ressurgimento da doença.

Foram várias as hipóteses apresentadas para explicar a causa da Encefalopatia Espongiforme Transmissível dos Bovinos (EEB), a doença neuro-degenerativa comummente conhecida como “doença das vacas loucas“, que apareceu pela primeira vez na década de 1980, no Reino Unido. No entanto, até agora, numa das hipóteses foi validada.

Esta doença pertence a uma família de doenças que envolvem proteínas que se dobram, conhecidas como priões (um agente infeccioso que, ao contrário de todos os outros conhecidos, parece ser constituído exclusivamente por proteína). Tratam-se de doenças neuro-degenerativas que afectam várias espécies, incluindo o ser humano.

Os priões estão presentes em doenças como o tremor epizoótico, que afecta ovelhas, ou na doença de doença de Creutzfeldt-Jakob, que afecta o ser humano.

Nesta investigação, cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa Agronómica, em França, injectaram uma variante de tremor epizoótico em ratos de laboratório que passaram a produzir o prião de origem bovina. Esta experiência permitiu aos investigadores provar que a doença tem a capacidade de “saltar” de uma espécie para outra. Além disso, segundo o artigo científico publicado na PNAS, os roedores transgénicos desenvolveram a doença das vacas loucas.

Os ratos geneticamente modificados são “um exemplo muito bom para saber o que aconteceria caso as vacas estivessem expostas a este tipo de priões”, explicou à AFP o líder da investigação, Olivier Andreoletti. Estes resultados são explicados pela “presença de quantidades clássicas de doença das vacas loucas” que, por sua vez, estão presentes nos priões injectados.

Segundo o Phys.org, a EEB expandiu-se por toda a “Europa, América do Norte e em muitos outros países”, num processo auxiliado pelo consumo de alimentos, incluindo cereais e carcaças de animais afectados com a doença. O contacto com produtos do gado infectado fez com que o Homem contraísse a doença, uma variante de Creutzfeldt-Jakob.

A partir da década de 1990, a Europa introduziu uma série de medidas para combater a propagação da doença, incluindo a proibição de farinhas de origem animal e a destruição dos tecidos com maior risco de contágio. “Estas medidas ainda estão em vigor – mas são muito caras”, aponta Andreoletti, defendendo a necessidade de manter medidas de precaução para evitar um possível ressurgimento da doença.

ZAP //

Por ZAP
23 Dezembro, 2019

 

326: Comer malagueta pode reduzir risco de ataque cardíaco e AVC

 

Hans / Pixabay

Um novo estudo sugere que comer regularmente malaguetas pode ser o segredo para reduzir o risco de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC).

Uma boa alimentação é fundamental para preservar a nossa saúde e, aos poucos, a ciência vai desvendando novas propriedades nos alimentos que nos podem ser favoráveis. Uma equipa de investigadores sugere que o consumo regular de malagueta pode reduzir significativamente o risco de ataque cardíaco e AVC.

Num estudo levado a cabo com 23 mil italianos, durante oito anos, os cientistas identificaram um padrão interessante. Aqueles que comiam malagueta pelo menos quatro vezes por semana tinham um risco 40% menor de morte por ataque cardíaco. Além disso, tinham um risco 50% menor de morrer por AVC.

O estudo, citado WebMD, será publicado dia 25 de Dezembro na revista científica Journal of the American College of Cardiology.

“Um facto interessante é que a protecção contra o risco de mortalidade era independente do tipo de dieta que as pessoas seguiam”, disse à CNN a autora do estudo, Marialaura Bonaccio. “Por outras palavras, alguém pode seguir a saudável dieta mediterrânica, ou alguém pode comer de maneira menos saudável, mas para todos eles a pimenta tem um efeito protector“.

Este efeito protector já tinha sido verificado nos Estados Unidos e na China e verificava-se independentemente da maneira que era consumida. No entanto, a equipa de investigadores quer estudar melhor quais os mecanismos bioquímicos que tornam as malaguetas tão saudáveis para a nossa saúde.

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24 Dezembro, 2019

 

325: Os seus genes não são o único factor que determina o risco de Alzheimer

 

SAÚDE/DOENÇAS

Elisa Paolini / Flickr

O desenvolvimento da doença de Alzheimer não está exclusivamente ligado à genética, sugere um artigo científico publicado recentemente.

No primeiro estudo publicado sobre a doença de Alzheimer em trigémeos idênticos, os cientistas descobriram que, apesar de partilharem o mesmo ADN, só dois dos irmãos desenvolveram Alzheimer.

“Estas descobertas mostram que o seu código genético não determina se tem o desenvolvimento da doença de Alzheimer”, explicou Morris Freedman, autor do artigo científico publicado recentemente na revista Brain.

Há esperança para as pessoas que têm um forte histórico familiar de demência, uma vez que existem outros factores – ambiente ou estilo de vida – que podem proteger ou acelerar a demência”, acrescentou, citado pelo EurekAlert.

Os três irmãos, de 85 anos, tinham hipertensão, mas só os que sofriam de Alzheimer tinham um comportamento obsessivo-compulsivo de longa data.

A equipa de cientistas analisou a sequência genética e a idade biológica das células a partir de amostras de sangue de cada um dos trigémeos, assim como de cada um dos filhos dos irmãos com Alzheimer. Um das filhos desenvolveu Alzheimer de início precoce, aos 50 anos, enquanto que o outro não relatou qualquer sinal de demência.

Os cientistas sugerem que o início tardio da doença entre os trigémeos está, provavelmente, relacionado com um gene específico ligado a um risco maior de doença de Alzheimer – a apolipoproteína E4 (também conhecida como APOE4). Ainda assim a equipa não conseguiu explicar o início precoce da doença de Alzheimer no filho de um dos trigémeos.

A equipa também descobriu que, apesar de os trigémeos serem octogenários na altura do estudo, a idade biológica das células era seis a dez anos mais nova do que a idade cronológica. Por outro lado, um dos filhos do trigémeo, que desenvolveu Alzheimer de início precoce, tinha uma idade biológica nove anos mais velha que a idade cronológica. O outro filho do mesmo trigémeo, que não tinha demência, apresentou uma idade biológica muito próxima à idade real.

“O ADN com o qual morremos não é necessariamente o que temos quando somos bebés, o que pode estar relacionado ao motivo pelo qual dois dos trigémeos desenvolveram a doença e o outro não”, esclareceu Ekaterina Rogaeva, outra autora do artigo. “À medida que envelhecemos, o nosso ADN envelhece connosco e, como consequência, algumas células podem sofrer mutações.”

Além disso, existem outros factores químicos ou ambientais que, apesar de não alterarem os genes, afectam a maneira como são expressos.

ZAP //

Por ZAP
16 Dezembro, 2019

 

324: ONU chama a atenção para consumo de tramadol (erradamente considerado menos letal que fentanil)

 

SAÚDE/MEDICAMENTOS

frankieleon / Flickr

A crise derivada do consumo excessivo de opióides e as mortes daí decorrentes já levaram empresas norte-americanas que os produzem a receber milhares de acções judiciais. Contudo, a Organização das Nações Unidas (ONU) chama a atenção para “a outra crise dos opióides” – uma epidemia menos divulgada nos EUA, mas que tem crescido exponencialmente em países mais vulneráveis.

Essa crise, revelou a Time, é causada pelo tramadol, um medicamento utilizado para tratar a dor, considerado mais seguro que a oxicodona e o fentanil, opióides que causaram tanta devastação nos EUA. Mas o tramadol é agora a raiz de uma epidemia que tem afectado países mais vulneráveis, desde a Índia ao Médio Oriente.

O abuso em massa do tramadol opióide está a criar um caos internacional que alguns especialistas atribuem a uma brecha na regulamentação de narcóticos e a um erro de cálculo relativo ao perigo do medicamento.

O opióide sintético foi apontado como uma maneira de aliviar a dor, com pouco risco de abuso. Ao contrário de outros opióides, o tramadol fluía livremente, sem controlo internacional como existe para drogas mais perigosas. Mas o seu abuso é actualmente tão desenfreado que alguns países estão a pedir às autoridades que intervenham.

A Grunenthal, empresa alemã que originalmente produziu o medicamento, argumenta que o problema são as pílulas falsificadas. Segundo a empresa, os reguladores internacionais dificultam a entrada de entorpecentes em países com sistemas de saúde desorganizados e, adicionar tramadol a essa lista, priva os pacientes com dor de aceder a qualquer opióide.

“Este é um enorme dilema de saúde pública”, disse o Gilles Forte, secretário do comité da Organização Mundial da Saúde (OMS), entidade que recomenda como os medicamentos devem ser regulamentados. O tramadol está disponível em zonas de guerra e nações empobrecidas porque não é regulamentado. Mas o seu consumo é excessivo por esse mesmo motivo. “É realmente um equilíbrio muito complicado de encontrar”, referiu.

Embora o tramadol não seja tão mortal como outros opióides, organismos que vão desde os EUA ao Egipto e à Ucrânia perceberam que os perigos da droga são maiores do que se pensava e estão a trabalhar para controlar a sua comercialização.

No estado indiano de Punjab – centro da epidemia de opióides na Índia – as pílulas circulavam por toda a parte, podendo ser adquiridas nas farmácias, como medicamentos legítimo, mas também falsificações obtidas nos vendedores ambulantes.

Este ano, as autoridades apreenderam centenas de milhares de comprimidos, proibiram a maioria das vendas nas farmácias e fecharam fábricas de comprimidos, elevando ainda o preço das embalagens.

禁书 网 / Flickr

O governo abriu também uma rede de centros de tratamento, temendo que os viciados em opióides começassem a consumir à heroína, por desespero. Milhares de pessoas recorreram a esses locais, buscando ajuda para gerir o desmame da medicação, visto que, para alguns, o tramadol tornou-se tão essencial quanto a comida.

Jeffery Bawa, membro do Gabinete das Nações Unidas para Drogas e Crime, percebeu o que estava a acontecer em 2016, quando viajou para o Mali, em África, um dos países mais pobres do mundo, dominado pela guerra civil e pelo terrorismo. Quando questionou a população sobre as suas maiores preocupações, a maioria não referiu a fome ou a violência, mas sim o tramadol.

De acordo com um dos relatos, as crianças andavam pelas ruas a tropeçar, devido aos opióides que os pais adicionavam ao chá para aliviar a dor da fome. Dados das autoridades nigerianas mostram que o número de pessoas que vivem com dependência é agora muito maior do que o número de pessoas com SIDA ou VIH.

Nos Camarões, o tramadol está tão difundido que os cientistas acreditaram ter descoberto, há alguns anos, uma versão natural com raízes de árvores. Mas não se tratava de algo natural: os agricultores compravam pílulas e alimentavam o gado para afastar os efeitos do calor. O seu lixo contaminava o solo e o produto químico acabava por penetrar nas árvores.

A polícia começou a encontrar pílulas de tramadol com terroristas, que as traficavam para financiar as suas redes e as tomavam para reforçar sua capacidade de violência, disse Jeffery Bawa. A maior parte provinha da Índia, onde a ampla indústria farmacêutica é alimentada por genéricos baratos. As fábricas de comprimidos produzem imitações e vendem-nas para o mercado mundial, em doses que excedem os limites médicos.

Em 2017, a polícia informou que 75 milhões de dólares (aproximadamente 67 milhões de euros) em tramadol, provenientes da Índia, foram confiscados quando estavam a ser transportados para o grupo terrorista Estado Islâmico.

As autoridades interceptaram também 600 mil comprimidos dirigidos ao Boko Haram. Outros três milhões foram encontrados num camião com destino ao Níger, em caixas disfarçadas com o símbolo da ONU. A agência alertou que o tramadol estava a desempenhar “um papel directo na desestabilização da região”.

Mas alguns países ricos preocupados com o aumento do abuso também estão a tentar conter o uso da droga, com o Reino Unido e os EUA a regulamentarem o tramadol em 2014. Na Dinamarca, o medicamento não era controlado até 2017, altura em que jornalistas pediram a médicos para revisar estudos que apoiavam o baixo risco de dependência associado ao consumo deste medicamento.

Segundo Karsten Juhl Jorgensen, director interino do Nordic Cochrane Center e um dos médicos que analisou os materiais, todos os clínicos concordaram que os documentos não provavam que o tramadol era mais seguro que outros opióides.

Nic Bothma / EPA

“Sabemos que os opióides são das drogas mais viciantes, portanto a alegação de que não se desenvolve dependência é uma alegação extraordinária, e alegações extraordinárias exigem evidências. E essas simplesmente não estavam lá”, referiu Karsten Juhl Jorgensen. “Todos fomos enganados e as pessoas estão zangadas”.

Karsten Juhl Jorgensen compara as alegações de que o tramadol é de baixo risco com outras feitas por empresas norte-americanas que agora enfrentam milhares de acções judiciais, devido a campanhas enganosas nas quais defendiam a segurança dos opióides, cujo consumo desencadeou a epidemia de dependência dos EUA.

Stefano Berterame, chefe do Conselho Internacional de Controle de Narcóticos, indicou que há uma diferença crítica: esta crise com o tramadol não é tão mortal quanto a norte-americana, que começou com opióides prescritos por médicos e passou para heroína e para o fentanil. O tramadol não causa depressão respiratória, que leva à morte por overdose.

Contudo, na maioria das vezes, afecta nações pobres, onde as estatísticas de overdose são erráticas, portanto o verdadeiro número de mortes causadas por tramadol é desconhecido.

A ONU estabeleceu o Conselho Internacional de Controle de Narcóticos em 1961, para poupar ao mundo o “mal grave” do vício. Desde então, rastreou a maioria dos opióides.

A isenção do tramadol significa que não é necessária autorização quando o medicamento se move através das fronteiras. A sua fácil disponibilidade também leva à confusão sobre o que realmente é. Em muitos países, acredita-se que seja algo que melhora o humor ou que serve para tratar a depressão e o stress pós-traumático. Alguns tomam para melhorar a resistência sexual ou suportar o trabalho cansativo.

A Grunenthal desenvolveu o tramadol na década de 1960, quando se envolveu num escândalo com a comercialização da talidomida, que causou defeitos congénitos extremos em milhares de bebés cujas mães o tomaram.

Inicialmente, acreditava-se que o tramadol apresentava baixo risco de abuso, porque os estudos iniciais estudaram o injectável, a via mais potente para a maioria dos opióides. Mais tarde, porém, os pesquisadores descobriram que o tramadol liberta uma dose muito mais potente quando tomado por via oral, devido à maneira como é metabolizado pelo fígado.

O mercado mundial do tramadol expandiu-se rapidamente nos anos 90. Em 2000, a OMS observou relatos de dependência. Desde então, um comité analisou o medicamento várias vezes, recomendando que permanecesse sob vigilância, mas recusando a adicioná-lo à regulamentação internacional.

D. Sinclair Terrasidius / Flickr

E, como notou a Time, não há alternativa ao tramadol. Este é o único opióide disponível em alguns lugares do mundo e as organizações de socorro confiam nesses medicamentos em zonas de guerra e desastres naturais. É usado extensivamente, não porque é um medicamento particularmente bom, mas porque é mais eficaz que a morfina. Contudo, esta última é estritamente controlada.

O tramadol legítimo continua a ser um negócio lucrativo e a Grunenthal há muito tempo perdeu a sua protecção de patente. Agora, o medicamento é produzido por muitas empresas e vendido por cerca de 500 marcas. A Grunenthal comercializa-o como Tramal e Zaldiar, uma versão combinada com paracetamol. Em 2018, esses produtos renderam 191 milhões de dólares (174 milhões de euros), de acordo com o relatório anual da empresa.

O porta-voz da empresa, Stepan Kracala, disse que a regulamentação não reduziria o comércio ilícito: alguns pacientes com dor aguda recorrem ao mercado negro se não tiverem opções legais. A luta do Egipto com o abuso de tramadol é um exemplo. O país promulgou uma regulamentação estrita em 2012, mas uma pesquisa posterior constatou que algumas pessoas sofrem de cancro devido ao uso de tramadol falsificado.

Stepan Kracala também apontou decisões regulatórias como prova da segurança do tramadol: em 2014, os EUA adicionaram o tramadol à sua lista de substâncias controladas, mas incluíram-no numa categoria inferior a dos opióides como oxicodona ou morfina, sinalizando assim que o seu consumo é menos arriscado.

O artigo da Time indica que os reguladores indianos sabiam que enormes quantidades fabricadas no país estavam a espalhar-se e inúmeros indianos eram viciados. O país regulamentou o tramadol em Abril de 2018, fazendo com que as exportações para o exterior e os abusos em casa caíssem.

Porém, a vastidão da indústria farmacêutica e a ingenuidade dos traficantes tornam praticamente impossível restringir os abusos e as exportações ilegais, fazendo com que o tramadol ainda seja fácil de encontrar.

A repressão ao tramadol coincidiu com a abertura de dezenas de clínicas de dependência química, que administram remédios e aconselhamento a mais de 30 mil pessoas por dia. Mas os esforços dos países para controlar o tramadol por conta própria geralmente fracassam, principalmente em lugares onde o vício se instalou, de acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

A Índia contabiliza o dobro da média global do consumo ilícito de ópióides. Os investigadores estimam que quatro milhões de indianos usam heroína ou outros opióides, e um quarto desses vive em Punjab, na fronteira com o Paquistão.

TP, ZAP //

Por ZAP
14 Dezembro, 2019

 

323: As pessoas estão a ser envenenadas por óleos essenciais (e pode ser fatal)

 

SAÚDE

Óleos essenciais cheiram bem, mas, se ingeridos oralmente, podem causar muitos problemas, incluindo toxicidade severa, pondo a vida em risco. 

Estudos recentes mostraram que envenenamentos com óleos essenciais têm sido cada vez mais comuns e mais graves na Europa e nos Estados Unidos. Os últimos números divulgados, referentes à Austrália, revelam uma tendência semelhante.

De acordo com o artigo publicado em Novembro na revista científica The Medical Journal of Australia, o novo estudo analisou dados do NSW Poisons Information Centre de Nova Gales do Sul, que lida com cerca de metade de todas as chamadas para os Centros de Informações sobre Intoxicações em todo o país.

Entre Julho de 2014 e Junho de 2018, a entidade registou 4.412 casos de envenenamento com óleos essenciais, sendo que cerca de dois terços deles envolviam crianças com menos de 15 anos. O número de chamadas aumentou de 1.011 em 2014 e 2015 para 1.177 em 2017 e 2018, representando um aumento considerável de 16%.

Os óleos essenciais são, de acordo com o IFLScience, compostos químicos voláteis – que evaporam a baixas temperaturas – que são extraídos do material vegetal através de um processo de destilação que, normalmente, envolve vapor. O seu nome refere-se ao facto de conterem a essência da fragrância da planta e, como tal, são conhecidos pelo seu aroma agradável.

Usado em perfumes, sabonetes, queimadores de incenso e auxiliares de aromaterapia, diz-se que os óleos essenciais beneficiam a saúde geral, relaxando o sistema nervoso. No entanto, alguns fornecedores também sugerem a aplicação tópica dos óleos ou a ingestão oral, algo para qual os autores do estudo alertam fortemente.

Entre os que entraram em contacto com o NSWPIC, cerca de 80% ingeriram acidentalmente óleos essenciais depois de confundir a garrafa com outra coisa – como xarope para tosse – ou por um erro terapêutico (13%). No entanto, 105 pessoas – 2,4% do total – tomaram deliberadamente os óleos, devido à desinformação sobre a segurança e eficácia de fazê-lo.

De acordo com os investigadores, os óleos essenciais podem “causar toxicidade severa quando ingeridos e o risco depende do óleo usado. O início da toxicidade pode ser rápido e pequenas quantidades (tão pequenas como cinco mililitros) podem causar toxicidade com risco de vida em crianças”, explicaram. “Os efeitos clínicos incluem vómitos, depressão ou excitação do sistema nervoso central e pneumonia por aspiração”.

Por outro lado, alguns óleos podem interferir no equilíbrio hormonal do corpo. Alguns estudos mostraram que o óleo de lavanda e o de melaleuca contêm compostos que imitam o estrogénio e inibem a testosterona.

Isto levou a um pequeno número de casos de ginecomastia pré-puberal, em que os meninos desenvolveram seios aumentados depois de aplicar repetidamente os óleos na pele. Os sintomas desapareceram quando os meninos pararam de usar os óleos.

ZAP //

Por ZAP
12 Dezembro, 2019

 

322: Conhecido medicamento para diabetes pode conter um carcinógeno

 

SAÚDE

mary_smn / Canva

A Food and Drug Administration, agência federal e reguladora do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, está a testar amostras de metformina, um medicamento para diabetes que pode conter o carcinógeno N-Nitrosodimetilamina (NDMA).

De acordo com a Mayo Clinic, a metformina é, geralmente, a primeira medicação prescrita a pacientes com diabetes tipo 2. A droga reduz a produção de glicose no fígado e aumenta a sensibilidade do corpo à insulina, para que a use com mais eficácia.

De acordo com o WebMd, mais de 30 milhões de pessoas nos Estados Unidos têm diabetes – e entre 90 a 95% são do tipo 2. A metformina é o quarto medicamento mais prescrito nos Estados Unidos.

O anúncio da Food and Drug Administration acontece após a o anulamento de três versões da metformina em Singapura e a solicitação da Agência Europeia de Medicamentos para que os fabricantes a testem em busca de NDMA, de acordo com a Bloomberg News.

“A agência está nos estágios iniciais do teste da metformina. No entanto, a agência não confirmou se o NDMA em metformina está acima do limite aceitável de ingestão diária (ADI) de 96 nanogramas nos Estados Unidos”, disse Jeremy Kahn, porta-voz da FDA. “Não se espera que uma pessoa que esteja a tomar um medicamento que contenha NDMA diariamente no ou abaixo do limite aceitável de ingestão diária durante 70 anos tenha um risco aumentado de cancro”.

A Valisure, uma farmácia online norte-americana que testa todos os lotes de medicamentos vendidos antes de distribuí-los, rejeitou 60% da sua metformina desde que iniciou os testes em busca de NDMA em Março. “O público deveria preocupar-se com a crescente descoberta de substâncias cancerígenas em medicamentos, especialmente naqueles que são tomados diariamente, onde até pequenas contaminações podem aumentar com o tempo”, afirmou David Light, CEO da Valisure.

Enquanto a FDA investiga, as autoridades apelaram aos pacientes com diabetes para que não parem de tomar metformina. “Esta é uma condição séria e os pacientes não devem parar de tomar a metformina sem antes conversar com o seu médico”.

A contaminação de drogas com esta mesma substância já levou à anulação de medicamentos para pressão arterial e azia nos últimos dois anos.

ZAP //

Por ZAP
8 Dezembro, 2019

 

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