434: Há mais 425 novos casos de covid-19 e quatro mortes em Portugal nas últimas 24 horas

 

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

O boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde indica que os internamentos continuam a aumentar. Há agora 659 doentes hospitalizados. Lisboa mantém-se como o concelho mais afectado pela pandemia, com 6.517 infectados (um aumento de 467 novos casos nos últimos sete dias).

© PAULO SPRANGER/Global Imagens

Portugal registou, nas últimas 24 horas, mais 425 casos de covid-19 (um aumento de 0,6%) e quatro mortes, segundo indica o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS), divulgado esta segunda-feira (28 de Setembro). No total, desde que a pandemia começou no nosso país, em Março, foram confirmados 74.029 infectados e 1.957 óbitos.

O número de internamentos continua a aumentar. Há agora 659 doentes hospitalizados (mais 24 do que no domingo), dos quais 98 estão em unidades de cuidados intensivos (mais nove).

Há mais 237 pessoas recuperadas, num total de 47.884, e, à data de hoje, Portugal tem 24.188 casos activos da doença (mais 184 face ao dia anterior).

Dos novos casos, 188 foram registados em Lisboa e Vale do Tejo, o que corresponde a 44,24% do total nacional. Há mais 168 infectados pelo novo coronavírus no Norte, mais 43 no Centro, mais sete no Alentejo e mais 19 no Algarve. Não foram reportados novos casos nos Açores e na Madeira.

Lares com 51 surtos activos

A directora-geral da Saúde indicou que há “51 surtos activos em lares” de idosos, dos quais 10 estão localizados no Norte, dois no Centro, 33 em Lisboa e Vale do Tejo, três no Alentejo e três no Algarve, detalhou Graça Freitas durante a conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia em Portugal.

A responsável da DGS indicou ainda que há 12 escolas com surtos activos.

Os quatro óbitos reportados nas últimas 24 horas registaram-se na região Norte (três) e em Lisboa e Vale do Tejo. Três das vítimas mortais tinham mais de 80 anos e uma tinha entre os 70 e 79 anos.

Taxa de letalidade global situa-se nos 2,6% e acima dos 70 anos é de 13,6%, informou o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Sales, na conferência de imprensa.

Covid-19 terá chegado a Portugal a 20 de Fevereiro proveniente de Itália

Aos jornalistas, João Paulo Gomes do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) fez saber que um estudo em desenvolvimento revelou que “a variante genética do vírus em Portugal é proveniente da Lombardia, de Itália” e instalou-se no nosso país “a 20 de Fevereiro na regiões norte e centro, nomeadamente em zonas industriais”.

O estudo, que é “retrospectivo”, indica que a variante genética do coronavírus vindo de Itália ter-se-á disseminado durante cerca de dez dias sem que fosse detectada, pelo que originou cadeias de transmissão que foram crescendo e que a meio de Abril “terão originado cerca de 3800 casos”. “Ou seja, um em cada quatro casos existentes por volta do dia 9/10 de Abril terão sido causados por esta variante genética muito específica”, informou João Paulo Gomes.

Lisboa é o concelho com o maior aumento de novas infecções nos últimos sete dias

O boletim da DGS indica que, no total, o novo coronavírus já infectou em Portugal 33.553 homens e 40.476 mulheres. Do total de vítimas mortais, 985 eram homens e 972 mulheres.

© DGS

A nível municipal, os dados da autoridade da saúde indicam que Lisboa continua a ser o concelho mais afectado pela pandemia, com 6.517 infectados. Logo a seguir surge Sintra, com 5.441, Loures com 3.092 e Amadora com 3.038.

Nos últimos sete dias, Lisboa foi o concelho com o maior aumento de novas infecções (mais 467), seguido de Sintra (mais 339) e Loures (mais 179).

Mais restrições em Espanha

O aumento do contágio pelo novo coronavírus faz-se sentir em vários países na Europa, o que tem levado à aplicação de novas medidas. Em Espanha, por exemplo, a partir desta segunda-feira, mais de um milhão de habitantes na comunidade autónoma de Madrid estão sujeitos a restrições mais apertadas, entre as quais a limitação na mobilidade dos cidadãos. Às 37 zonas já atingidas desde 21 de Setembro por medidas que não permitem entradas ou saídas de pessoas, com algumas excepções, juntaram-se mais oito, que nos últimos 14 dias ultrapassaram a barreira de mil infectadas por cada 100 mil habitantes.

Também a partir desta segunda-feira, em Inglaterra, passa a ser obrigatório por lei o isolamento para qualquer pessoa que tenha testado positivo ou tenha estado em contacto com alguém infectado com covid-19, sendo as infracções penalizadas com multas que podem chegar aos 11.019 euros.

Assim, se uma pessoa apresentar sintomas ou testar positivo, é obrigada por lei a entrar em isolamento (antes era voluntário) durante um período de 10 dias após o início dos sintomas ou após a data do teste, se não tiver sintomas.

Mas o Reino Unido poderá adoptar medidas mais apertadas para travar a disseminação do novo coronavírus.

A secretária de Estado da Saúde britânica admitiu a hipótese de proibir ajuntamentos de pessoas fora dos agregados familiares.

“Não queremos impor novas restrições, mas claro que estamos a manter um olhar atento sobre a taxa de incidência de covid-19”, disse Helen Whately, em declarações proferidas esta segunda-feira à Sky News.

A governante afirmou que o executivo liderado por Boris Johnson está a analisar quais os próximos passos a dar no combate à pandemia. O jornal The Times avança que está em cima da mesa a possibilidade de um “confinamento social total” no norte do Reino Unido e em Londres, com bares, pubs e restaurantes de portas fechadas durante duas semanas.

Mais de um milhão de mortes em todo o mundo

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão de mortos e mais de 33 milhões de casos de infecção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

No total, 1.000.009 mortes foram oficialmente registadas em todo o mundo, para 33.018.877 casos, às 22:30 de domingo.

A AFP refere ainda que 22.640.048 pessoas foram consideradas curadas pelas autoridades.

As regiões mais afectadas, em termos de número de mortes, são América Latina e Caribe (341.032 mortes para 9.190.683 casos), Europa (229.945 mortes para 5.273.943 casos) e Estados Unidos e Canadá (214.031 mortes para 7.258.663 casos).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em Fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (204.499) e também com mais casos de infecção confirmados (mais de sete milhões).

Com Lusa.
Diário de Notícias

Susete Henriques

 

 

433: DGS garante que surtos nos hospitais estão identificados e controlados

 

 

SAÚDE/COVID-19/HOSPITAIS

A directora-geral da Saúde disse que os surtos de covid-19 activos em vários hospitais são sobretudo originários de profissionais de saúde e garantiu que estão a ser investigados e controlados.

© PAULO CUNHA /LUSA

“Há alguns surtos activos recentes em vários hospitais. Estão a ser investigados. São sobretudo em profissionais de saúde, existem algumas ramificações para outros sítios, porque estas pessoas obviamente que se movem”, afirmou Graça Freitas na conferência de imprensa de actualização de informação relativa à infecção pelo novo coronavírus em Portugal.

A directora-geral da Saúde avançou que as autoridades sanitárias “estão a acompanhar de perto” estes surtos e que a situação está, neste momento, “tanto quanto possível, controlada”.

“Os surtos estão identificados e estamos a observar se existem cadeias de transmissão fora dos estabelecimentos onde foram identificados”, precisou.

Na conferência de imprensa deu ainda conta de algumas instituições de saúde que tem actualmente surtos de covid-19, como é o caso de um surto “praticamente terminado” numa instituição de saúde em Guimarães, na Senhora dos Azeites, com oito doentes.

Segundo a DGS, há outro surto numa instituição de saúde em Paredes, que teve início a 17 de Setembro, com quatro casos de infecção, outro numa clínica na Póvoa do Varzim com 85 casos confirmados, sendo que este teve início em Agosto e está em “fase de maior resolução”, e um outro numa clínica de Vila Nova da Galé, com sete casos confirmados e que “teve início há uns dias”.

Há um outro surto no Hospital Sousa Martins, com dez casos e que começou a 15 de Setembro, outro numa ala de medicina do Hospital de Leiria, com oito casos.

Na região de Lisboa e Vale do Tejo, há um “pequeno surto” no serviço de medicina do Hospital Garcia de Orta, com dois casos, um outro numa clínica psiquiátrica do Lumiar, com 14 casos, um surto na clínica São João de Ávila, com 16 casos, e um outro no Hospital Egas Moniz, mas o número de casos não foi detalhado.

Portugal contabiliza hoje mais quatro mortos relacionados com a covid-19 e 425 novos casos de infecção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 1.957 mortes e 74.029 casos de infecção, estando hoje activos 24.188 casos, mais 184 do que no dia anterior.

A DGS indica que das quatro mortes registadas, três ocorreram na região Norte e uma em Lisboa e Vale do Tejo, onde também se verifica o maior número de infecções.

Diário de Notícias
DN/Lusa
28 Setembro 2020 — 16:53

 

 

432: Vitamina D pode evitar complicações graves e a morte em doentes com covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/VITAMINA D

O autor do estudo defende que tendo em conta a deficiência desta vitamina em todo o mundo, especialmente nos meses de inverno, “é prudente que todos tomem um suplemento para reduzir o risco de infecção e complicações”.

© DR

A presença de vitamina D em quantidades suficientes no organismo pode reduzir complicações graves e até a morte em doentes infectados com o novo coronavírus. Esta é a conclusão de um estudo publicado na revista científica Plos On.

A investigação tem por base a constatação de que os pacientes internados e que tinham valores superiores a 30 ng/ml de 25-hidroxivitamina D apresentaram menos consequências graves da doença, como inconsciência, hipoxia (baixa concentração de oxigénio) e até morte.

“Este estudo fornece provas directas de que ter vitamina D suficiente pode reduzir as complicações [da doença], incluindo a libertação de muita proteína no sangue muito rapidamente e, em último caso, a morte por covid-19“, explica o autor, Michael F. Holick, professor de Medicina, Fisiologia e Biofísica e Medicina Molecular na Escola de Medicina da Universidade de Boston, nos EUA.

O estudo partiu da recolha de amostras de sangue de 235 pacientes hospitalizados com a doença em que foi medida a quantidade de vitamina D presente no organismo.

O sangue foi também testado para um marcador inflamatório (proteína C reactiva) e para o número de linfócitos. Os investigadores compararam todos esses parâmetros em doentes com deficiência de vitamina D com aqueles que tinham vitamina D em níveis considerados suficientes.

Nos doentes com mais de 40 anos, os cientistas descobriram que os que tinham vitamina D suficiente apresentavam 51,5% menos probabilidade de morrer da infecção em comparação com doentes que apresentavam défice da vitamina.

Holick, que apresentou um estudo em que defende que uma quantidade suficiente de vitamina D pode reduzir o risco de contrair o coronavírus em 54%, acredita que o facto de a vitamina D ser suficiente também ajuda a combater os efeitos mais graves da covid-19 e de outros vírus que causam doenças do trato respiratório superior, incluindo a gripe.

“Há uma grande preocupação de que a combinação de uma infecção por gripe e uma infecção viral coronária possa aumentar substancialmente as hospitalizações e a morte devido a complicações [resultantes] dessas infecções virais”, diz o médico, citado pelo jornal ABC.

“Como a deficiência e a insuficiência de vitamina D são tão comuns em crianças e adultos nos Estados Unidos e em todo o mundo, especialmente nos meses de inverno, é prudente que todos tomem um suplemento de vitamina D para reduzir o risco de infecção e complicações por covid-19 “, recomenda.

Diário de Notícias
DN
28 Setembro 2020 — 17:57


 

 

431: Ritmo cardíaco, oxigenação, febre. A app que detecta sintomas de covid nos idosos

 

 

SAÚDE/COVID-19/IDOSOS

Se um destes parâmetros estiver alterado, a aplicação emite um alerta. O projeto, que já está em protótipo, chama-se HomeSafe e foi criado por alunos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa, que dizem que agora só falta o financiamento.

Carolina Nascimento, Joana Coutinho e Daniela Martins, do mestrado integrado em Engenharia Biomédica, Pedro Dias, ex-aluno de Engenharia Biomédica (à esquerda), João Corvo, do mestrado integrado em Engenharia Electrotécnica (à direita) e Cláudia Quaresma, professora no Departamento de Física (ao fundo), que é uma das coordenadoras do projeto HomeSafe.
© Gerardo Santos/Global Imagens

É a primeira vez que estão todos juntos presencialmente, desde que, em Abril, se lançaram neste projecto de desenvolver uma aplicação que ajudasse os lares a identificar mais cedo potenciais casos de covid-19.

O país estava em confinamento e as notícias de surtos em lares eram preocupantes. De acordo com os dados da Direcção-Geral da Saúde relativos ao mês de Abril, cerca de 40% das mortes por covid-19 em Portugal foram de idosos residentes em lares e tornou-se claro para um grupo de estudantes de Engenharia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT NOVA) que era urgente desenvolver uma forma mais eficiente de monitorizar os sintomas da doença nesta população de risco: tosse, fadiga, dores de cabeça, aumento da temperatura, diminuição dos níveis de saturação de oxigénio e alteração da frequência cardíaca.

Foi assim que nasceu o projecto HomeSafe, no âmbito da plataforma BeyondCOVID, desenvolvida pela FCT NOVA para encontrar soluções tecnológicas para combater a doença, que contou com o empenho e o trabalho voluntário dos estudantes Carolina Nascimento, Daniela Martins e Joana Coutinho, do Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica, João Corvo e Andrian Moldovan, do mestrado integrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, David Moura, do mestrado integrado em Engenharia Informática, Marie Marechal, do mestrado em Materiais Avançados e Reciclagem Inovadora e Pedro Dias, ex-aluno de Engenharia Biomédica, sob orientação de Cláudia Quaresma, professora no Departamento de Física e Ana Rita Londral, directora do Value for Health CoLAB.

O João, a Daniela, a Joana, a Carolina, o Pedro e a professora Cláudia Quaresma não escondem o orgulho e o entusiasmo de poderem já mostrar (e explicar) o protótipo, em fase final de testes, em que estão a trabalhar desde Abril.

João Corvo é o primeiro a falar, para explicar o dispositivo: “Tem um apoio para o braço ligado a um oxímetro, que mede os batimentos cardíacos e a oxigenação, e a um sensor de temperatura, que mede a febre. A função é medir esses parâmetros, especialmente em pessoas idosas, e, se estiverem alterados, através da nossa aplicação, gerar um sinal de alerta”, diz.

A aplicação é instalada num smartphone ligado por Bluetooth ao dispositivo, em que cada utilizador antes de se registar responde a um questionário e, depois de fazer login, antes de cada utilização, responde a outro.

“Para criarmos o questionário, fizemos vários testes com os nossos avós para perceber se eles conseguiam adaptar-se ou não, e isso foi muito importante para percebermos que as questões tinham de ser o mais simples, objectivas e directas possível”, diz Joana Coutinho.

Uma das coisas que surpreenderam Daniela Martins foi que, estando à disposição dois modos de interacção – escrito e de voz -, a maioria dos avós preferiu o escrito.

“Pusemos dois modos de interacção, um de escrita e outro de voz, para as pessoas que não se sentem à vontade para escrever, e para nossa surpresa a maioria optou pela escrita. No caso de voz, as perguntas são lidas e a resposta é dada através do microfone. Para fazer o login basta pôr o nome e a data de nascimento, porque as pessoas mais velhas por vezes têm dificuldade em memorizar passwords, e nós tivemos isso em consideração. Antes da medição dos parâmetros, o utilizador deve responder a um questionário com perguntas de despisto sobre covid-19″, explica Daniela, adiantando que o grande objectivo do dispositivo é uma permanente monitorização de sintomas, que faz a triagem, evita idas desnecessárias ao hospital e permite uma detecção precoce de casos de covid-19, reduzindo assim o risco de surtos.

A coordenadora Cláudia Quaresma esclarece que a aplicação foi criada a pensar na covid-19 e nos mais velhos, mas pode ser adaptada a outras faixas etárias e outras patologias respiratórias. “A grande utilidade é que o dispositivo, estando ligado à instituição cuidadora do idoso, seja lar seja apoio domiciliário, ao SNS ou à Saúde 24, por exemplo, emite um alerta automático caso os parâmetros se apresentem alterados, sem que a pessoa tenha de fazer nada, e esta é imediatamente sinalizada”.

“Mas também pode ser usado por uma pessoa que já tenha a doença para monitorizar a evolução dos sintomas e dar alerta quando estes sofrerem alterações”, acrescenta Joana, orgulhosa do protótipo em fase final de testes.

“Este é o protótipo que vamos testar em laboratório, mas depois haverá todo o desenvolvimento de design para o tornar mais ergonómico. Agora só falta o financiamento. Mas temos de dizer que contámos com a colaboração de vários parceiros para chegar até aqui: o centro de investigação UNIDEMI, o CHRC, da Nova Medical School, o Hospital Curry Cabral, a empresa PLUX, que disponibilizou os sensores, e a FCT FABLAB, que além do suporte feito através de impressão 3D apoia na fase de testes”, diz a professora Cláudia Quaresma. “Já estamos a imprimir outro suporte, que é uma pulseira”, adianta Pedro Dias.

O que espera este grupo de estudantes da sua invenção? “Que tenhamos financiamento, mas sobretudo que ajude os lares a detectar as pessoas que estão e não estão infectadas, que é uma dificuldade que todos os dias ouvimos nas notícias”, diz João Corvo, em jeito de porta-voz.

Diário de Notícias
Catarina Pires
28 Setembro 2020 — 23:03

 

 

430: Medicamentos para a tensão arterial diminuem mortalidade em doentes com covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/HIPERTENSÃO

McRonny / Pixabay

Um estudo de meta-análise concluiu que medicamentos para a tensão arterial, ao contrário do que se pensava, reduzem a mortalidade em pacientes com covid-19.

No início da pandemia, havia a preocupação de que certos medicamentos para pressão arterial alta pudessem estar associados a consequências negativas para pacientes com covid-19.

Por causa de como as drogas funcionam, temia-se que tornassem mais fácil para o coronavírus entrar nas células do corpo. No entanto, muitas sociedades médicas aconselharam os pacientes a continuar a tomar os medicamentos.

Com o potencial para uma segunda vaga, era essencial investigar se os pacientes poderiam continuar a usar esses medicamentos com segurança. Portanto, uma equipa de investigadores da Universidade de East Anglia decidiu descobrir o efeito que eles têm no progresso da covid-19.

Em vez de colocar os pacientes em risco, os cientistas descobriram que, na verdade, esses medicamentos reduzem o risco de morte e doença grave em pacientes com covid-19.

Os investigadores reuniram dados de 19 estudos relevantes sobre a covid-19 que incluíram pacientes a tomarem dois tipos específicos de medicamentos para a pressão arterial: inibidor da enzima de conversão da angiotensina (IECA) e bloqueadores de receptores da angiotensina (BRAs). Isto permitiu examinar os resultados de mais de 28.000 pacientes com covid-19 para avaliar os efeitos desses medicamentos.

Os resultados da meta-análise foram publicados, em Agosto, na revista científica Current Atherosclerosis Reports.

Os IECA e os BRAs actuam agindo no sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), essencial para regular a tensão arterial. Estes medicamentos também foram idealizados para aumentar potencialmente a expressão de uma proteína encontrada na superfície das células chamada enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2).

Além de ajudar a regular a tensão arterial, a proteína ACE2 também é a que permite que o coronavírus entre nas células do corpo. É por isso que houve preocupações sobre os pacientes que usam estes medicamentos. Se os medicamentos aumentassem a quantidade de ACE2 presente nas células, suspeitava-se que tornariam mais fácil para o vírus infectá-las, piorando a condição do paciente.

Contudo, quando olharam para os resultados dos pacientes que tomam IECA e BRAs em comparação com aqueles que não tomam esses medicamentos, esse não foi o caso.

Os investigadores não encontraram evidências de que esses medicamentos possam aumentar a gravidade da covid-19 ou o risco de morte. Pelo contrário, entre os pacientes com estes medicamentos prescritos para o tratamento da hipertensão, havia na verdade um risco significativamente menor de morte, internamento nos cuidados intensiva ou ventilação. Verificou-se uma redução de um terço desses eventos neste grupo.

Acredita-se então que esses medicamentos realmente tenham uma função protectora – principalmente em pacientes com tensão arterial alta.

O que está por trás deste efeito?

Não é claro por que os pacientes em uso de IECA e BRAs tiveram condições menos graves da doença, mas há alguns pontos a serem considerados.

O primeiro é que, embora teoricamente se pensasse que esses medicamentos aumentavam os níveis de ACE2, não há evidências convincentes de que isso realmente aconteça. Não há nenhum dado clínico sobre os efeitos desses medicamentos na expressão de ACE2 em tecido humano.

Há também uma segunda informação potencialmente relevante. A infecção pelo SARS-CoV-2 também pode levar a uma reacção exagerada da via do SRAA e à inflamação. Acredita-se que esse aumento do processo inflamatório seja o culpado pela lesão pulmonar aguda e pode levar ao agravamento da pneumonia e à síndrome do desconforto respiratório agudo.

Portanto, pode ser que tomar medicamentos que inibem o SRAA evite essa sequência de eventos e melhore os resultados clínicos.

Por ZAP
27 Setembro, 2020

 

 

Nóbeis da Economia propõem confinamento em Dezembro para “salvar Natal”

 

 

SAÚDE/COVID.19/NATAL

Esther Duflo e Abhijit Banerjee, prémios Nobel da Economia de 2019, propõem fechar os franceses de 1 a 20 de Dezembro para que seja possível “festejar o Natal”. Creem que se assim não for será necessário proibir as reuniões na quadra ou fechar o país a seguir. O governo francês já disse que nem pensar.

Imagem do Natal de 2019
© D.R.

“É uma solução com o mérito de pela primeira vez nos anteciparmos ao vírus de forma clara, uniforme e transparente. E poderia ser vista como o preço a pagar por uma recompensa imediata, um esforço colectivo para salvar o Natal.”

É assim que termina o texto de opinião assinado pela franco-americana Esther Duflo e pelo seu marido, Abhijit Banerjee (nascido na Índia e naturalizado americano), publicado este sábado no diário francês Le Monde e no qual o casal, agraciado em 2019, em conjunto com Michael Kremer, com o Nobel da Economia pelo seu trabalho na luta contra a pobreza, aconselha o presidente Emmanuel Macron a decretar um novo confinamento no país de 1 a 20 de Dezembro, de modo a que as famílias possam reunir-se no Natal com menos risco de os mais jovens infectarem os mais velhos.

Esther Duflo
© Jonathan NACKSTRAND / AFP

O ministro da Saúde francês, Olivier Véran, porém, já veio este domingo certificar que não vai haver confinamento “preventivo”. “Não queremos parar a vida económica, social, cultural, desportiva e familiar. Por esse motivo é que estamos a tomar decisões adaptadas e “territorializadas” à seriedade do momento.”

Mas os economistas veem diferente: “Da maneira como estão as coisas, a hipótese de um confinamento generalizado precisamente na altura do fim de ano não pode ser posta de parte. O número de casos novos de Covid está aumentar regularmente desde o início de Agosto, e mais rapidamente em França que nos países vizinhos. É verdade que estão a ser feitos cada vez mais testes, mas a taxa de infecção também está a aumentar. É portanto indesmentível que a epidemia está a progredir – rapidamente.”

A situação tem de facto piorado no país, com 24 de Setembro constituindo até agora o dia com mais novas infecções – 16096 -, tendo sido decretado novo fecho total de restaurantes e bares em Marselha, a mais afectada, e instituídos novos horários em 12 grandes cidades, incluindo Paris. O número de mortes diárias, porém, tem-se mantido geralmente na ordem das dezenas, muito longe dos valores aterrorizadores de Abril, quando chegou a haver mais de mil.

Imagem do Natal de 2019
© D.R

Crendo que a disseminação do contágio entre os mais jovens terá de aumentar, “inelutavelmente”, a possibilidade de contaminação dos mais frágeis – idosos e pessoas com doenças crónicas” -, e que tal, aliado à descida das temperaturas, fará aumentar a frequência dos convívios em sítios fechados, criando as condições para “um aumento cada vez mais rápido dos casos no outono e para um recrudescimento catastrófico da doença, e portanto das hospitalizações e das mortes”, com a consequente “sobrelotação dos hospitais”, o casal conclui que, se nada for feito para tudo isso evitar, será necessário proceder a um reconfinamento generalizado mas já “tarde de mais” – ou, em alternativa, fechar tudo exactamente na altura do Natal.

“Governo navega à vista” e “toma medidas a conta-gotas”

Mas vamos aos custos deste proposto confinamento. Os escolares, afirmam Duflo e Banerjee, seriam “poucos; as duas últimas semanas de aulas antes das férias poderiam ocorrer por Internet e as férias de Todos-os-Santos [período de férias escolares em França que este ano calha de 17 de Outubro a 2 de Novembro] poderiam ser encurtadas numa semana, aumentando-se as do Natal numa semana.” Já a machadada na economia, admitem, “seria relevante, mas menor que a de anular o Natal ou que o de um reconfinamento em circunstâncias muito piores 15 dias mais tarde. As pessoas poderiam ser encorajadas a fazer as compras de Natal durante o mês de Novembro (autorizando-se horários alargados, saldos, etc), e os comércios poderiam manter-se abertos para encomendas durante o confinamento.” Propõem também que até 21 de Dezembro seja levada a cabo “uma grande campanha de oferta de testes gratuitos para que as pessoas os pudessem fazer à saída do confinamento, antes de se reunirem com as suas famílias.”

Pedro Pita Barros
© Carlos Manuel Martins/Global Imagens)

“O plano que eles apresentam tem sentido”, diz ao DN Pedro Pita Barros, professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e especialista na área da saúde. “A principal dúvida que levanta é se vão precisar de fazer lockdown [confinamento] antes disso, dada a evolução que está a ter lugar. Resta também saber se se conseguirá fazer com que as compras de natal tenham lugar em Novembro (de outro modo, o lockdown arrisca-se a não ser suficientemente forte para quebrar os contágios, e há sempre actividades que não param – cadeias logísticas e serviços de saúde por exemplo). E será crítico que consigam ter capacidade de teste para o momento de saída do lockdown. Provavelmente entre 21 e 24 de Dezembro o comércio de natal deveria ficar fechado para evitar aglomerações. E claro que tem de haver um consenso social quanto a ter essa estratégia.”

A verdade é que nas suas declarações deste domingo o ministro da Saúde francês, ao mesmo tempo que negava a hipótese de novo confinamento, admitia restrições de movimento já em Outubro, aquando da referidas férias de Todos-os-Santos: “O que vai suceder no final de Outubro vai depender do que faremos nos próximos dias e semanas. Se a disseminação do vírus aumentar e não se conseguir controlar, se não usarmos todos os meios necessários para achatar a curva, isso porá em perigo o nosso sistema de saúde e o próprio povo francês.”

O governo “navega à vista” e “toma medidas a conta-gotas”, dizem os nobelizados, exemplificando: só mandou fechar os recintos desportivos das grandes cidades, que descrevem como “verdadeiros boiões de cultura do vírus”, depois de “uma degradação forte da situação”.

“A esperança”, criticam, “parece residir em que os comportamentos “responsáveis” de cada um, associados à melhoria da capacidade de testagem dos laboratórios, nos permitam evitar a catástrofe até ao aperfeiçoamento dos tratamentos ou à chegada de uma vacina. Mas os cidadãos responsáveis vão em breve fazer face a dilemas muito difíceis entre os seus diferentes deveres, e não é razoável não os guiar nas suas escolhas.” Isto porque, sublinham, “os encontros familiares, com os seus longos períodos de convívio à volta de uma mesa, são infelizmente muito propícios a contaminações.” E lembram que “nos EUA, os longos fins de semana do Memorial Day, no final de maio, e o 4 de Julho [dia da independência], foram seguidos de picos de infecção.”

Pondo de lado a hipótese de confinar apenas os mais velhos, o que teria de ocorrer durante muito tempo – “e isso não é possível nem humano” -, pensam que acesso fácil a testes baratos poderia ser uma solução, permitindo aos jovens testar-se antes de estar com os mais velhos e auto-isolar-se se infectados, mas não contam que esta esteja disponível já este outono.

Este não é o primeiro texto de opinião de Duflo e Benerjee sobre gestão da pandemia – em maio, publicaram um sobre a forma como os países em desenvolvimento devem reagir, advogando o instituto de um rendimento básico incondicional.

Diário de Notícias
Fernanda Câncio
27 Setembro 2020 — 22:23

 

 

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