498: Novos dados indicam que imunidade à covid-19 pode durar anos

 

 

SAÚDE/COVID-19

Amostras de sangue de pacientes recuperados sugerem uma resposta imunológica poderosa e duradoura, relataram os investigadores

© EPA/STR

Mais um sinal de que há luz ao fundo do túnel em relação à pandemia de covid-19. Um novo estudo sugere que a imunidade à covid-19 possa durar anos e talvez até décadas, dando assim a esperança de que a vacina possa colocar termo ao novo coronavírus, avança o New York Times.

Segundo os novos dados, a maioria das pessoas que recuperou da infecção apresenta células imunológicas suficientes para afastar o vírus e prevenir doenças oito meses após a infecção e ao que tudo indica essas células podem persistir no corpo durante muito mais tempo.

A investigação, publicada online, não foi revista por pares nem difundida numa revista científica, mas é o estudo mais abrangente sobre a memória imunológica em relação ao coronavírus feito até hoje.

“Essa quantidade de memória provavelmente evitará que a grande maioria das pessoas contraiam doenças graves durante muitos anos”, disse Shane Crotty, virologista do Instituto de Imunologia La Jolla, dos Estados Unidos, que co-liderou o novo estudo.

As descobertas provavelmente poderão aliviar os especialistas preocupados com a possibilidade de a imunidade ao vírus poder ter vida curta, o que significaria que as vacinas teriam de ser administradas repetidamente para manter a pandemia sob controlo.

Esta investigação foca-se ainda em outra descoberta recente: os sobreviventes da SARS, causada por outro coronavírus, ainda carregam certas células imunológicas importantes 17 anos após a recuperação.

Investigadores da Universidade de Washington, liderados pela imunologista Marion Pepper, já haviam mostrado que certas células de “memória” que foram produzidas após a infecção pelo coronavírus persistem no corpo durante pelo menos três meses. E um estudo publicado na semana passada também chegou à conclusão que as pessoas que recuperaram da Covid-19 têm células imunes que são poderosas e protectoras mesmo quando os anticorpos não são detectáveis.

Estes estudos “estão todos a pintar o mesmo quadro, de que após umas primeiras semanas críticas, a resposta imunológica parece bastante convencional”, disse Deepta Bhattacharya, imunologista da Universidade do Arizona.

Akiko Iwasaki, imunologista da Universidade de Yale, disse que não ficou surpreendida com o fato de o corpo ter uma resposta duradoura porque “é isso que deve acontecer”. Ainda assim, ficou animada com a investigação: “Esta é uma notícia empolgante”.

Um pequeno número de pessoas infectadas no novo estudo não tinha imunidade duradoura após a recuperação, talvez por causa das diferenças nas quantidades de coronavírus a que foram expostas. Mas as vacinas podem superar essa variabilidade individual, disse Jennifer Gommerman, imunologista da Universidade de Toronto. “Isso ajudará a focar a resposta, para que não se obtenha o mesmo tipo de heterogeneidade que se vê numa população infectada”, referiu.

Estes novos dados contrariam a preocupação causada nos últimos tempos pelos relatos de que a diminuição dos níveis de anticorpos pudesse fazer com que a imunidade desaparecesse ao fim de alguns meses, deixando assim as pessoas vulneráveis a uma reinfecção.

No entanto, muitos imunologistas frisam que é natural que os níveis de anticorpos caiam, pois são apenas uma pequena parte do sistema imunológico. E, embora sejam necessários para bloquear o vírus e prevenir uma segunda infecção – algo conhecido como imunidade esterilizante -, as células imunológicas que se “lembram” do vírus com mais frequência são responsáveis ​​pela prevenção de doenças graves.

“A esterilização da imunidade não acontece com muita frequência – essa não é a norma”, disse Alessandro Sette, imunologista do Instituto de Imunologia La Jolla.

O que acontece mais frequentemente nas re-infecções é o sistema imunológico reconhecer o invasor e extinguir rapidamente o vírus, até porque a covid-19 é particularmente lento a causar danos, dando assim ao sistema imunológico tempo suficiente para entrar em acção.

Para este estudo, Alessandro Sette e seus colegas recrutaram 185 homens e mulheres, com idades entre 19 e 81 anos, que se recuperaram da covid-19. A maioria apresentou sintomas leves, que não exigiram uma hospitalização. E a maior parte das pessoas envolvidas no estudo forneceu apenas uma amostra de sangue, enquanto 38 forneceram várias amostras ao longo de muitos meses.

A equipa acompanhou quatro componentes do sistema imunológico: anticorpos, células B que produzem mais anticorpos conforme necessário; e dois tipos de células T que matam outras células infectadas. A ideia era construir uma imagem da resposta imunológica ao longo do tempo, observando os seus constituintes. “Se se olhar apenas para um, podemos estar a perder o quadro completo”, disse Crotty.

O estudo é o primeiro a mapear a resposta imunológica a um vírus em detalhes tão granulares, dizem os especialistas.

Diário de Notícias
DN
18 Novembro 2020 — 09:54

 

 

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