198: Causas cancro: «Má sorte» pesa mais do que estilo de vida ou genes

 

tsf02012015A ocorrência da maior parte dos tipos de cancro pode ser atribuída mais à «má sorte» do que a factores de risco conhecidos, como o hábito de fumar, segundo um estudo norte-americano.

A investigação que chegou a essa conclusão tem o objectivo de explicar a razão de alguns tecidos do corpo serem mais vulneráveis ao cancro do que outros.

Os resultados, publicados no jornal científico Science, mostraram que dois terços de todos os tipos de cancro analisados são originados de forma aleatória por mutações genéticas, independentemente do estilo de vida levado pelo paciente.

Mas a organização Cancer Research UK afirmou que um estilo de vida saudável ainda aumenta muito as probabilidades de não desenvolver a doença.

Nos Estados Unidos, 6,9% da população desenvolve cancro de pulmão, 0,6% tem cancro cerebral e 0,00072% sofre de tumores na laringe em algum momento das suas vidas. As toxinas do cigarro podem explicar porque é que o cancro do pulmão é mais comum.

Mas, apesar do sistema digestivo estar mais exposto a toxinas do ambiente do que o cérebro, os tumores cerebrais são três vezes mais comuns que os do intestino.

O estudo foi realizado por investigadores da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Saúde Pública Bloomberg. Afirmam acreditar que a explicação para esse factor aleatório está na forma como os tecidos do corpo se regeneram.

Células velhas e desgastadas do corpo são constantemente substituídas através de células-tronco, que se dividem para formar novas células.

Mas em cada divisão há o risco de que ocorra uma mutação perigosa, que aumenta as probabilidades de a célula-tronco se tornar cancerígena. O ritmo dessa renovação celular varia de acordo com a parte do corpo, sendo mais rápida no intestino e mais lenta no cérebro, por exemplo.

Os pesquisadores compararam o número de vezes que essas células se dividem em 31 tecidos do corpo durante a vida de um indivíduo com os dados de incidência de cancro nessas partes do corpo. Concluíram que dois terços dos tipos de carcinoma eram «provocados pelo azar» de células-tronco em processo de divisão sofrerem mutações imprevisíveis. Esses tipos de cancro incluem: cancro no cérebro, no intestino delgado e no pâncreas.

Segundo Cristian Tomasetti, professor assistente de oncologia e um dos investigadores, as ações de prevenção não são suficientes para impedir a ocorrência desses tipos de carcinoma.

«Se dois terços da incidência de cancro nos tecidos é explicada por mutações de DNA aleatórias que ocorrem na divisão das células-tronco, mudar o estilo de vida e os hábitos é uma grande ajuda para prevenir certos tipos de cancro, mas não é efectivo em relação a uma grande variedade de outros tipos», afirmou.

«Temos que concentrar os nossos esforços em encontrar formas de detectar esses cancros mais cedo, em fases em que ainda sejam curáveis”.

In TSF online
Publicado 02/01/2015 às 09:13

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