612: Variante do Reino Unido já representa 48% dos casos em Portugal

 

 

SAÚDE/COVID-19/VARIANTE REINO UNIDO

Até 16 de Fevereiro, o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge estima que a variante britânica represente quase metade dos casos de covid-19 no nosso país. Em relação à variante sul-africana, foram identificados quatro casos.

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A variante do vírus SARS-CoV-2 detectada no Reino Unido já é responsável por quase metade dos casos de covid-19 em Portugal, quando no início de janeiro representava 8% das infecções, adiantou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).

“À data de 16 de Fevereiro [terça-feira], estimamos que esta variante represente cerca de 48% de todos os casos covid-19 em Portugal”, disse à Lusa João Paulo Gomes, investigador do INSA e coordenador do estudo sobre a diversidade genética do novo coronavírus em Portugal.

Segundo os dados do INSA, a incidência no país desta variante do vírus que provoca a covid-19, considerada mais contagiosa, tem vindo a crescer desde o início do ano, registando-se um aumento constante ao longo de várias semanas, no período em que foi registado o maior número de infecções em Portugal.

João Paulo Gomes estima que a variante originária do Reino Unido representou cerca de 8% dos casos da doença covid-19 na primeira semana do ano, aumentando para os 13,4% na segunda semana de Janeiro e para os 24,7% na terceira.

Segundo o especialista, esta crescente incidência da variante “certamente contribuiu” para o surgimento da chamada `terceira vaga´ que se verificou em Janeiro com o aumento exponencial de casos de covid-19 em todo o país, apesar de não ter sido o “factor que mais pesou”.

“Na contribuição que teve, pesou não só o elevado número de introduções desta variante que terão ocorrido durante a segunda quinzena de Dezembro – regresso de imigrantes portugueses para o Natal e turistas do Reino Unido -, como também a sua elevada transmissibilidade”, explicou o especialista.

Identificados quatro casos da variante sul-africana

Relativamente à variante originária da África do Sul, o INSA apenas identificou quatro casos em Portugal, não tendo sido registado, até quinta-feira, qualquer caso da variante do SARS-CoV-2 descoberta inicialmente em Manaus, no Brasil.

Baltazar Nunes, responsável pela Unidade de Investigação Epidemiológica do INSA, adiantou à Lusa que a “evolução da pandemia em cada continente, país e região tem sido diversa, com diferentes fases e momentos de crescimento e decréscimo da incidência”.

Perante isso, a designação “terceira vaga deve ser contextualizada”, referiu Baltazar Nunes, para quem “numerar as fases de crescimento da epidemia é uma forma muito simplista de analisar a sua evolução”.

“Na realidade, temos observado diferentes fases de crescimento e decréscimo do número de casos, que têm sido determinadas pela introdução do vírus na população, por novas variantes mais transmissíveis, pela implementação ou levantamento de medidas não farmacológicas, por comportamentos populacionais (festividades e períodos de férias), pelas estações do ano ou pela implementação de programas de vacinação”, adiantou Baltazar Nunes.

A incidência de covid-19 é elevada em praticamente todos os países europeus

De acordo com o especialista, por estas razões a variação da incidência ao “nível local, regional, nacional e global é muito difícil de prever”, principalmente num contexto de restrições e de padrões de viagem que foram alterados com a pandemia.

Segundo afirmou, a incidência de covid-19 é elevada em praticamente todos os países europeus, tendo como critério uma prevalência superior a 60 novos casos por 100.000 pessoas nos 14 dias anteriores, com algumas excepções como a Islândia, onde se verificam 10 novos casos de infecção por 100.000 habitantes.

“Existe a possibilidade do aumento da incidência que agora se verifica em alguns países europeus possa vir a verificar-se em outros países, mas o gradiente de Ocidente para Oriente já não existe”, adiantou Baltazar Nunes, exemplificando com os casos da Grécia e da Finlândia que, em latitudes europeias diferentes, coincidem na tendência crescente de casos que apresentam.

“A distribuição espacial dependerá da efectividade que as medidas de controlo implementadas tenham em cada país e da rapidez e do efeito que a vacinação tenha nesses mesmos países”, sublinhou o especialista.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.441.926 mortos no mundo, resultantes de mais de 110,2 milhões de casos de infecção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Diário de Notícias

Lusa
19 Fevereiro 2021 — 14:07

 

 

 

611: Mutação em proteína do SARS-Cov-2 torna-o até oito vezes mais infeccioso

 

 

SAÚDE/INFECÇÕES/COVID-19/MUTAÇÕES

Investigação revela que a mutação D614G, existente nas variantes britânica, sul-africana e brasileira, torna o novo coronavírus até oito vezes mais infeccioso nas células humanas, em comparação com o que surgiu na China.

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Uma mutação na proteína Spike do SARS-Cov-2, existente nas variantes britânica, sul-africana e brasileira, torna o novo coronavírus até oito vezes mais infeccioso em células humanas do que o que surgiu inicialmente na China, revela um estudo científico.

A investigação, publicada na revista eLife, liderada por especialistas da Universidade de Nova Iorque (UNY), do Centro do Genoma de Nova Iorque e do Hospital Mount Sinai, “confirma as descobertas de que a mutação D614G torna o SARS-CoV-2 mais transmissível”.

Estas descobertas acrescentam “um consenso cada vez maior” entre os cientistas de que esta mutação é mais infecciosa, mas ainda não é claro se a sua rápida propagação “tem um impacto clínico na progressão da doença”, já que vários estudos sugerem que esta mutação “não está associada a uma doença mais grave ou à hospitalização”, indicou a UNY em comunicado.

Mutação “atingiu uma prevalência quase universal”

Um dos autores do estudo, Neville Sanjana, daquela universidade, assinalou que nos meses que se seguiram ao início da investigação, a D614G “atingiu uma prevalência quase universal” e está incluída em todas as variantes relevantes atualmente.

“Confirmar que a mutação conduz a uma maior transmissibilidade pode ajudar a explicar, em parte, por que o vírus se propagou tão rapidamente no último ano”, acrescentou.

Esta mutação, que está localizada na proteína Spike (a que o vírus utiliza para entrar nas células), surgiu provavelmente no início de 2020 e é agora a forma mais prevalecente e dominante em muitos países do mundo.

Para o estudo, os cientistas introduziram um vírus com a mutação D614G em células humanas do pulmão, fígado e cólon. Paralelamente introduziram uma versão do mesmo vírus sem a mutação nos mesmos tipos de células, e compararam os resultados, concluindo que a variante D614G aumentava a transmissibilidade do vírus “até oito vezes em comparação com o vírus original”, além de o tornar mais resistente.

Descobertas “podem influenciar” o desenvolvimento da vacina contra a covid-19

A equipa destacou que estas descobertas “podem influenciar” o desenvolvimento da vacina contra a covid-19, nomeadamente, incluindo nas futuras vacinas de reforço “diversas formas da proteína Spike, das diferentes variantes em circulação”.

As vacinas licenciadas e as vacinas em desenvolvimento foram criadas utilizando a sequência original da proteína Spike, e estão agora em curso estudos para avaliar a sua eficácia contra as variantes que surgiram no Reino Unido, África do Sul e Brasil, todas elas contendo a mutação D614G, recorda o estudo.

Trabalhos recentes sugerem que as vacinas com a forma inicial de D614 podem proteger contra a forma mais recente, embora seja necessário mais trabalho para compreender como as múltiplas mutações podem interagir umas com as outras e afectar a resposta imunitária.

Diário de Notícias
Lusa
19 Fevereiro 2021 — 08:11