610: COVID-19: Mapa de Portugal continua a vermelho “escuro”

 

 

SAÚDE/COVID-19/MAPA EUROPEU

O Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC) disponibiliza aos cidadãos mapas sobre a COVID-19 no território europeu. Este foi um pedido do Conselho da União Europeia, tendo em conta o agravamento da situação epidemiológica em vários países.

Recentemente o semáforo COVID-19 Europeu foi atualizado e Portugal continua a vermelho “escuro”.

https://www.ecdc.europa.eu/en/covid-19/situation-updates/weekly-maps-coordinated-restriction-free-movement

O que representam as cores no semáforo COVID unificado?

O Centro Europeu de Controlo de Doenças indica que…

  • A VERDE estão as regiões onde a taxa de notificação de novos casos nos 14 dias anteriores é inferior a 25 casos por 100 mil habitantes e a taxa de testes positivos fica abaixo dos 4%.
  • A LARANJA é utilizada nas zonas em que, no espaço de duas semanas, há menos de 50 novos casos de infeção por 100 mil habitantes, mas a taxa de testes positivos é igual ou maior a 4% ou, no caso de esta ficar abaixo do limiar dos 4%, a taxa de notificação se encontrar entre os 25 e 150 casos por 100 mil habitantes.
  • A CINZENTO estão as zonas para as quais não há informação suficiente ou a taxa de testes é inferior a 300 casos por 100 mil habitantes
  • A VERMELHO as regiões em que a taxa de notificação a 14 dias é igual ou superior a 50 por 100 mil habitantes e a taxa de testes positivos é igual ou maior a 4%, bem como as regiões onde a taxa de notificação a 14 dias é igual ou superior a 150 infeções por 100 mil habitantes mesmo que a taxa de testes positivos seja inferior aos 4%

Portugal ainda é um dos piores países da Europa

Os mapas são publicados semanalmente e atualizados todas as quintas-feiras. Os critérios foram recomendados pelo Conselho da UE, e através de gráficos de simples interpretação podemos perceber como está a COVID-19 ao nível da Europa. O objetivo é informar e aumentar a transparência e previsibilidade para os cidadãos e empresas. A cada 15 dias, às quinta-feiras, os mapas são atualizados.

É verdade que Portugal tem vindo a baixar o número de novos casos, mas o mapa do ECDC mostra que o nosso país ainda se encontra a vermelho escuro, ou seja, no pior nível.

Pelo mapa partilhado podemos ver que algumas zonas de Espanha já saíram do nível mais elevado, mas mesmo assim a situação ainda continua crítica. Na verdade, em toda a Europa, os números relevam que pandemia continua bastante forte.

Portugal está melhor no que diz respeito a testagem por 100 mil habitantes. O nosso país encontra-se na faixa dos 1000 a 2499 por cada 100 mil habitantes.

Relativamente à taxa de positividade, Portugal regista um valor igual ou superior a 4%, o que é não é propriamente uma boa notícia. Tal estado é idêntico para vários países da Europa.

Pplware
18 FEV 2021

 

 

 

609: O tratamento israelita que promete revolucionar o combate à covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/TRATAMENTOS

Nem só de vacinas se faz o progresso na luta contra o novo coronavírus. Medicamento de administração nasal criado no hospital Ichilov, em Telavive, conseguiu reverter os sintomas de doentes graves.

Médicos do hospital Ichilov, em Telavive, onde está a ser aplicado o novo medicamento em doentes covid
© AFP

Nadir Arber vai avisando, durante a conversa, que “é preciso manter alguma humildade” enquanto se esperam ensaios clínicos adicionais, mas o entusiasmo é indisfarçável perante os primeiros resultados demonstrados pelo tratamento inovador criado pela equipa deste professor e médico israelita do hospital Ichilov, em Telavive.

Não se trata de “uma cura para a covid-19” nem de um substituto das “imprescindíveis vacinas”, mas pode ser um passo essencial para “virar o jogo” nesta luta contra o vírus e baixar drasticamente a mortalidade nos casos mais graves da doença.

O entusiasmo com que a descoberta foi anunciada ao mundo baseia-se em números: até agora, na primeira fase de ensaios clínicos, 35 doentes (entre os 37 e os 77 anos) com sintomas moderados a graves de covid-19 foram tratados com o EXO-CD24, o medicamento criado pela equipa liderada por Nadir Arber. E “quase todos recuperaram entre três e cinco dias após o início do tratamento – excepto um, que recuperou mais tarde”, refere o investigador israelita, numa conversa promovida por videoconferência com alguns órgãos de comunicação social de todo o mundo, entre os quais o DN.

O EXO-CD24 combina dois elementos com que a equipa já estava habituada a trabalhar há vários anos, no âmbito da investigação em cancro: a proteína CD24, que “permite regular a resposta do sistema imunitário”; e os exossomas, “nano-vesículas excretadas pelas células e que vão estabelecer comunicação intercelular”, diz Arber.

O que o EXO-CD24 faz é carregar esses exossomas com proteínas CD24 e encaminhá-los por via nasal (inalação de um spray, uma vez por dia, durante alguns minutos, ao longo de cinco dias) “directamente ao centro da tempestade: os pulmões”, explica Nadir Arber. Ali, essas proteínas vão poder combater aquela que está identificada como “a principal causa daqueles 5% a 7% de casos de covid-19 que evoluem para formas graves da doença”. Ou seja, a chamada “tempestade de citoquinas, que ocorre quando o nosso sistema imunitário tem uma resposta excessiva e descontrolada, começando a atacar as células saudáveis”.

Sónia Melo, investigadora em cancro no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, conhece bem o papel e as potencialidades dos dois elementos combinados neste composto israelita. “A CD24 é uma molécula muito importante porque consegue controlar a resposta do sistema imunitário. Mas a grande inovação apresentada aqui é a forma como ela é administrada”, refere ao DN, sobre o método de administração localizada criado pela equipa israelita.

E explica: “Uma coisa é a administração sistémica, por via intravenosa, ou oral, que pode espalhar-se por vários órgãos e provocar vários efeitos colaterais indesejados; outra coisa é uma administração in loco, que é o que acontece aqui. É quase uma aplicação tópica, é uma entrega direccionada ao local, neste caso os pulmões, através desses exossomas dados por via nasal.” Assim, os exossomas são “uma espécie de estafetas” que vão entregar as proteínas CD24 directamente “nos tecidos pulmonares atacados pela infecção, permitindo diminuir em muito a inflamação e a gravidade da reacção”.

Um complemento às vacinas

Numa altura em que o mundo acompanha com grande expectativa a aplicação dos planos de vacinação, o desenvolvimento de medicamentos que possam tratar de forma eficaz os sintomas é uma outra via que “não deve ser descurada” no plano de combate à covid-19. “São um complemento importante às vacinas”, nota Sónia Melo.

“A vacina ataca a fonte do problema; o tratamento ataca os sintomas. Não vai eliminar o vírus nem diminuir a sua capacidade replicativa, mas pode ser uma solução muito eficaz no tratamento da sintomatologia, no controlo da doença.”

Nadir Arber também sublinha que a resposta ao novo coronavírus deve ser uma resposta integrada. Em Israel, o país do mundo mais avançado no plano de vacinação, as taxas de internamento e mortalidade têm decaído consideravelmente e a abertura da economia já tem horizonte próximo. “Temos cerca de metade da população já imunizada. As vacinas funcionam”, diz.

Rui Frias
18 Fevereiro 2021 — 00:30

 

 

 

608: Mais de metade dos doentes hospitalizados com covid-19 grave apresentam lesões no coração após alta

 

 

SAÚDE/COVID-19/CORAÇÃO

O estudo da Sociedade Europeia de Cardiologia envolveu 148 doentes de seis hospitais de Londres, dos quais 54% apresentavam cicatrizes ou lesões no músculo cardíaco (incluindo miocardite, enfarte do miocárdio e isquemia), que foram detectadas um a dois meses após alta.

© NUNO VEIGA/LUSA

Um estudo divulgado esta quinta-feira revela que mais de metade das pessoas hospitalizadas com covid-19 grave, e com níveis elevados da proteína troponina no sangue, apresentam lesões no coração que foram detectadas um a dois meses após alta clínica.

O estudo, divulgado na publicação European Heart Journal, da Sociedade Europeia de Cardiologia, envolveu 148 doentes de seis hospitais de Londres, capital do Reino Unido, dos quais 80 (54%) apresentavam cicatrizes ou lesões no músculo cardíaco (incluindo miocardite, enfarte do miocárdio e isquemia).

As lesões foram detectadas em exames de ressonância magnética feitos aos pacientes um a dois meses depois de terem alta hospitalar.

Todos os 148 doentes tinham níveis elevados da proteína troponina no sangue, indicador de uma inflamação no coração. Os dados da amostra foram comparados com os de um grupo de controlo de doentes que não tinham covid-19 e com 40 voluntários saudáveis.

“Algumas das lesões” no músculo cardíaco “eram novas e provavelmente causadas por covid-19”

Muitos dos doentes hospitalizados com covid-19 costumam ter concentrações elevadas da proteína troponina no sangue durante a fase crítica da doença, quando o corpo desencadeia uma resposta imunitária exagerada à infecção respiratória causada pelo coronavírus SARS-CoV-2.

Segundo uma das coordenadoras do estudo, Marianna Fontana, professora de cardiologia na University College London, no Reino Unido, o coração “pode ser directamente afectado” pelas manifestações graves da covid-19.

Ao identificar “diferentes padrões de lesão” no coração, a ressonância magnética permitirá, de acordo com a especialista, citada em comunicado pela Sociedade Europeia de Cardiologia, “fazer diagnósticos mais precisos e direccionar os tratamentos mais eficazes” aos doentes.

Marianna Fontana adiantou que os exames mostraram que “algumas das lesões” no músculo cardíaco “eram novas e provavelmente causadas por covid-19”.

Mais de 109,4 milhões casos de infecção em todo o mundo

“Vimos lesões que estavam presentes mesmo quando a função de bombeamento do coração não foi prejudicada”, disse, assinalando a preocupação de, nos casos mais graves, estas lesões poderem eventualmente aumentar o risco de insuficiência cardíaca.

A pandemia da covid-19 provocou, pelo menos, mais de 2,4 milhões de mortos, resultantes de mais de 109,4 milhões de casos de infecção, segundo um balanço feito pela agência noticiosa francesa AFP.

A covid-19 é uma doença respiratória provocada por um novo coronavírus (tipo de vírus) detectado no final de Dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China, e que se disseminou rapidamente pelo mundo.

Diário de Notícias

DN/Lusa