603: 18 notáveis da enfermagem apresentam queixa disciplinar contra bastonária

 

 

SAÚDE/ORDEM DOS ENFERMEIROS/BASTONÁRIA

São professores, gestores e prestadores de cuidados, mas são também membros da Ordem dos Enfermeiros, que decidiram dizer “basta” ao comportamento da actual bastonária da classe e apresentar queixa ao Conselho Jurisdicional da Ordem. Em causa, as declarações de Ana Rita Cavaco sobre a vacinação da presidente da Câmara Municipal de Portimão e outras publicações na sua página pessoal de Facebook.

© Leonardo Negrão / Global Imagens

As declarações da actual bastonária dos enfermeiros, Ana Rita Cavaco, sobre a presidente da Câmara Municipal de Portimão foi a gota de água para um grupo de representantes da classe de enfermagem decidir agir contra o que considera ser “um comportamento que atenta contra a dignidade e liberdade dos outros”, justificou ao DN Manuel Lopes, enfermeiro de formação, professor na Universidade de Évora e ex-coordenador da Rede Nacional de Cuidados Continuados.

Em causa estão as declarações da bastonária sobre a vacinação da presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes, e outras publicações na sua página pessoal de Facebook.

Este grupo de profissionais, que integra desde elementos da academia, gestão e prestação de cuidados, todos elementos da Ordem, enviou hoje uma participação disciplinar contra a bastonária ao Conselho Jurisdicional da Ordem dos Enfermeiros. Como referiu ao DN Manuel Lopes, que é o primeiro subscritor, “a participação seguiu por e-mail e vai ser enviada ainda hoje por carta registada”.

Manuel Lopes explicou ainda que para se apresentar uma participação à Ordem bastaria apenas uma assinatura, mas em 24 horas outros se juntaram a ele e ao incómodo que diz sentir em relação ao comportamento da bastonária. E, ao final da manhã, afirma: “Este movimento vai num crescendo. Tenho a caixa de e-mail e de mensagens cheias com declarações de pessoas que querem subscrever a participação”.

Um movimento que começou precisamente com Manuel Lopes. “Sinto-me incomodado com um comportamento e declarações com uma linguagem completamente desbragada que têm vindo num crescendo e que são um atentado à dignidade dos outros e à própria classe”, argumenta. Um comportamento, diz, que não pode pautar a actuação de uma pessoa que exerce funções num organismo de representação profissional de muitos milhares. “Este tipo de comportamento não pode acontecer no desempenho de funções oficiais. É o Estado que também está em causa”, sublinha.

Ana Rita Cavaco comentou na sua página de Facebook o facto a justificação da presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes, quando veio a público que teria sido vacinada indevidamente contra a covid-19. Na altura, Isilda Gomes explicou que a vacinação se justificava com o facto de pertencer ao grupo de cidadãos com obesidade e hipertensão o que levou a bastonária dos enfermeiros a colocar em página o seguinte comentário: “A Gorda fura filas. Malvada a hora em que nasci magra”. Depois deste comentário, a bastonária atacou ainda Daniel Oliveira, que a tinha criticado na coluna que escreve no jornal Expresso. “O Daniel Oliveira e outros que como ele não passam de um esterco que fala de mim para ter palco e nunca ganhou eleições na vida”, continuando:“Não existem sobras de vacina, seu esterco. Defensor de fura filas. Aprende a não falares do que não sabes, não é a tua área. A tua área é mais vigarices com graus académicos. Eu sou mestre, tu não, cumprimentos ao teu Pai”. Uma publicação que acabou por ser apagada do Facebook.

Para o grupo que assina a participação, tal é inqualificável. “N​​​​unca numa sociedade com valores, se pode permitir que o exercício do direito à liberdade de expressão, que defendemos intransigentemente, se transforme num constante desrespeito a pessoas e a instituições. A democracia ensina a ouvir as vozes que de nós discordam e a construir, numa base de diálogo e de respeito mútuo, o caminho que consideramos o mais adequado para o bem-estar de pessoas e comunidades. Numa sociedade onde os gritos são mais frequentes que os diálogos, onde a ofensa gratuita é o instrumento de excelência para a instalação e a manutenção de um qualquer status, todos teremos a perder”.

O DN contactou a Ordem dos Enfermeiros para saber se a bastonária teria algum comentário a fazer a esta participação disciplinar por parte de alguns dos seus pares e a resposta que recebeu foi: “Não comenta”. Recorde-se que é a primeira vez na história da Ordem dos Enfermeiros que tal acontece, embora seja também uma situação inédita nas ordens profissionais.

A tomada de posição deste grupo de 18 personalidades surge também depois de a ex-bastonária dos enfermeiros, Maria Augusta Sousa, uma das enfermeiras que encetou a luta pela criação da ordem, juntamente com a primeira bastonária, Mariana Diniz, ter pedido publicamente desculpa à classe e à sociedade portuguesa pelo comportamento da actual bastonária.

Na missiva, o grupo de enfermeiros de marca-se assim publicamente “das atitudes da Enfermeira Ana Rita Cavaco e, no respeito pelos Estatutos da OE, apresentamos participação disciplinar ao Conselho Jurisdicional esperando que este cumpra a sua função, apurando o que houver a apurar e actuando para pôr termo a este constante desrespeito pelo Estatutos, pelos membros da Ordem dos Enfermeiros, e em última análise pela Enfermagem como um todo e pela comunidade que a Ordem dos Enfermeiros, por delegação do Estado, se comprometeu a servir”.

Não se sabe o tempo que o Conselho Jurisdicional poderá levar a avaliar a participação contra Ana Rita Cavaco e a decidir o seu futuro, mas um dos caminhos poderá ser mesmo a expulsão.

O grupo considera que neste tempo de pandemia “os enfermeiros são dos cidadãos mais intensamente expostos aos desafios, e nem sempre com os meios e os recursos necessários para a prática de excelência que o Estatuto da Ordem dos Enfermeiros (EOE) defende”. Assume mesmo que “muitas decisões foram erradamente tomadas. Alguns casos vindos ao conhecimento geral na comunicação social retratam um comportamento que não é aceitável no âmbito de um Estado de direito. Em relação a esses casos, esperamos que as instituições saibam actuar exemplarmente junto dos que prevaricaram. No entanto, o sucedido não justifica o claro e público desrespeito, por qualquer enfermeiro, do seu Código Deontológico em particular, e do Estatuto da Ordem dos Enfermeiros em geral.”

Os 18 elementos argumentam que o momento actual “pede rigor na discussão, elevação na acção, informação baseada na evidência para população e decisores políticos, nunca esquecendo os direitos humanos e as regras de uma sã convivência comunitária tão necessária para um bom nível de saúde e para encontramos os caminhos necessários para vencer os desafios com que nos confrontamos”.

Por isto mesmo, e por considerarem que as afirmações atribuídas à enfermeira Ana Rita Cavaco e veiculadas na comunicação social ferem o acordo estatutário pelo qual todos devem zelar, este grupo solicitou ao Presidente do Conselho Jurisdicional e nos termos da alínea a) do nº 1 do artigo 71º do EOE, a respectiva intervenção urgente, descrita na alínea f) do nº 6 do artigo 32º do EOE. Mais, defendem ainda que, “por muito complexa que seja a situação actual, o desrespeito pelo Estatuto da Ordem dos Enfermeiros não pode ser a solução!”

Diário de Notícias

Ana Mafalda Inácio e David Pereira

 

 

 

602: Grupo de enfermeiros apresenta participação disciplinar contra a bastonária e pede expulsão

 

 

SAÚDE/ORDEM DOS ENFERMEIROS/BASTONÁRIA

Mário Cruz / Lusa
Ana Rita Cavaco, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros

Um grupo de enfermeiros enviou esta quinta-feira uma participação disciplinar contra a bastonária Ana Rita Cavaco ao Conselho Jurisdicional da Ordem dos Enfermeiros, na qual exigem o seu afastamento.

A participação deve-se às declarações da bastonária após a vacinação da presidente da Câmara de Portimão, Isilda Gomes, que esta justificou ao Observador com o facto de ser “obesa” e “hipertensa”. No Facebook, Ana Rita Cavaco comentou: “Presidente da Câmara de Portimão. A gorda fura filas. Malvada a hora que nasci magra”.

“O que está em causa são comportamentos de pessoas que exercem funções numa associação profissional de direito público que tem como principal função a defesa dos cidadãos”, explicou ao Público o primeiro signatário da participação, Manuel Lopes.

“Ninguém exerce funções deste tipo apenas das nove às cinco e jamais se pode exercer recorrendo a argumentos que podem atentar contra a dignidade de seja quem for”, disse.

Na participação, a que o jornal diário teve acesso, é pedida a instauração de procedimento disciplinar com vista à sanção, “pela verificação de fortes indícios de violação dolosa de diversas normas legais enunciadoras de deveres deontológicos dos enfermeiros”.

“A violação de tais deveres deontológicos é de tal forma grave e danosa da imagem e reputação públicas da Ordem e da profissão de enfermeiro, que, no entendimento dos signatários justifica a aplicação da pena disciplinar máxima, isto é, a expulsão”, frisaram.

“A gorda fura filas”. Bastonária dos Enfermeiros justifica comentário sobre autarca de Portimão

Ana Rita Cavaco fez uso do Facebook para denunciar a vacinação antecipada de Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de…

Ler mais

Na mesma participação, os signatários expuseram outros comentários que Ana Rita Cavaco fez Facebook, onde criticava, entre outros, o presidente da Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez, Francisco Rodrigues Araújo, o colunista Daniel Oliveira, e a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem.

“O vernáculo de que a senhora enfermeira Ana Rita Cavaco usa nas suas publicações no Facebook, em página que a identifica como bastonária da OE, é indigna de um dirigente máximo de uma associação pública profissional, degradando gravemente a sua reputação e percepção públicas”, apontaram.

Por Taísa Pagno
11 Fevereiro, 2021

 

 

 

601: Dieta vegana pode ser melhor para a perda de peso do que a mediterrânea

 

 

SAÚDE/ALIMENTAÇÃO

A dieta vegana é mais eficaz para a perda de peso e controlo do colesterol do que a dieta mediterrânea, sugere uma nova investigação conduzida pela Physicians Committee for Responsible Medicine, uma organização norte-americana sem fins lucrativos que promove a medicina preventiva.

A investigação, recentemente publicada na revista científica especializada Journal of the American College of Nutrition, descobriu que uma dieta alimentar vegana com baixo teor de gordura apresenta melhores resultados a nível de perda de peso, composição corporal, sensibilidade à insulina e níveis de colesterol, quando comparada à dieta mediterrânea.

Para chegar a esta conclusão, a equipa levou a cabo um estudo comparativo sobre os dois regimes alimentares, durante o qual vários participantes – acima do peso e sem histórico de diabetes – foram acompanhados durante 16 semanas enquanto seguiam um plano alimentar baseado na dieta vegana ou mediterrânea.

Os resultados mostram que na dieta sem produtos ou derivados de origem animal os participantes perderam em média seis quilogramas, enquanto que na dieta mediterrânea não foi registada qualquer mudança no peso dos voluntários.

A dieta vegana levou também a uma diminuição nos níveis de colesterol total e LDL dos participantes em 18,7 mg / dL e 15,3 mg / dL, respectivamente. Na dieta mediterrânea, não foram observadas mudanças neste parâmetro.

Ambas as dietas fizeram diminuir a pressão arterial, sendo a descida mais acentuada no regime mediterrâneo (6,0 mmHg comparativamente a 3,2 mmHg na dieta vegana).

“Estudos anteriores sugeriam que as dietas mediterrânea e vegana ajudavam a melhorar o peso corporal e os factores de risco cardio-metabólicos mas, até agora, a sua eficácia relativa não tinha sido comprovada num ensaio aleatório“, começou por explicar Hana Kahleova, autora principal do estudo, citada em comunicado.

“Decidimos testar as dietas frente-a-frente e descobrimos que a dieta vegana é mais eficaz para melhorar os marcadores de saúde e maximizar a perda de peso”.

Menos calorias, mais fibras

Os autores do novo estudo observaram ainda que a dieta vegana conduziu à perda de peso porque foi associada a uma redução na ingestão de calorias, aumento na ingestão de fibras e diminuição do consumo de gorduras, incluindo as saturadas.

“Enquanto muitas pessoas pensam na dieta mediterrânea como uma das melhores formas de perder peso, este regime, na verdade, foi ‘desfeito’ quando o colocamos à prova”, acrescentou Neal Barnard, co-autor do novo estudo.

“Num estudo aleatório e controlado, a dieta mediterrânea não causou qualquer perda de peso. O problema parece ser a inclusão de peixes gordurosos, lacticínios e óleos. Em sentido oposto, uma dieta vegana com baixo teor em gordura levou a uma perda de peso significativa e consistente”, sustentou.

Kahleova remata: “Se a sua meta é perder peso ou ficar saudável em 2021, escolher uma dieta baseada em vegetais é uma óptima forma de alcançar esse objectivo”.

Dietas ricas em gordura causam sintomas de depressão

Dietas ricas em gordura podem causar sintomas de pressão. Isto pode explicar o porquê de pessoas obesas ou com excesso…

Ler mais

ZAP ZAP //

Por ZAP
11 Fevereiro, 2021

Não concordo, em absoluto. Classificada como Património Mundial e Imaterial da Humanidade pela UNESCO, a Dieta Mediterrânica é considerada um dos padrões alimentares mais saudáveis do Mundo e conta com um conjunto de conhecimentos, práticas e tradições partilhadas por muitos países do Mediterrâneo que seguem os princípios deste estilo de vida equilibrado e convivial à mesa.

– Frugalidade e cozinha simples que tem na sua base preparados que protegem os nutrientes, como as sopas, os cozidos, os ensopados e as caldeiradas
– Elevado consumo de produtos vegetais em detrimento de alimentos de origem animal, nomeadamente de hortícolas, fruta, pão de qualidade e cereais pouco refinados, leguminosas secas e frescas, frutos secos e oleaginosas
– Consumo de vegetais produzidos localmente, frescos e da época
– Azeite como principal fonte de gordura
– Utilização de ervas aromáticas para temperar em detrimento do sal
– Consumo moderado de lacticínios
– Consumo frequente de pescado e menor de carnes vermelhas
– Água como principal bebida ao longo do dia
– Consumo baixo a moderado de vinho e apenas nas refeições principais.

Um estudo deste tipo tem de levar em consideração que as pessoas NÃO TÊM o mesmo comportamento reaccional em ordem a qualquer mudança, seja ela alimentar ou outra. Enquanto umas resistem e adaptam-se bem a um tipo de alimentação considerada “a melhor” pelos “especialistas”, outras não se adaptam e têm de a abandonar. Por experiência própria, o meu organismo adaptou-se perfeitamente quando há anos atrás optei pela dieta Macrobiótica. Depois, por razões exclusivamente profissionais, tive de regressar à alimentação “normal”. Assim que tive liberdade de escolha, optei pela dieta mediterrânica que vou adaptando às minhas necessidades e hoje faço um mix de dietas mediterrânica e macrobiótica que resultam na perfeição. Deixei as carnes vermelhas há anos e o meu blogue de culinária demonstra bem o meu tipo de dietas que pratico no dia a dia.