618: Novo estudo indica que coronavírus pode sobreviver na roupa até 72 horas

 

 

SAÚDE/CORONAVÍRUS/ROUPAS

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De acordo com um estudo britânico, o novo coronavírus pode sobreviver na roupa ao longo de até 72 horas. Os especialistas alertam que pode ainda ser transferido da roupa para outras superfícies.

Um estudo da universidade britânica De Montfort University (DMU), indica que o vírus que provoca a covid-19, à semelhança de outros coronavírus, pode sobreviver na roupa ao longo de até 72 horas e assim transferir-se para outras superfícies.

É mais um de vários estudos feitos nos últimos meses que tenta compreender o risco que as superfícies podem ter na transmissão do vírus. Meses antes, já tinham sido divulgadas pesquisas que davam conta do perigo de objectos como dinheiro (notas e moedas) e ecrãs (como os dos smartphones).

O estudo da DMU sugere que o tipo de tecido onde o coronavírus consegue manter-se activo durante mais tempo é o poliéster, um material onde o vírus consegue permanecer vivo ao longo de três dias.

Para além disso, pode também ser transferido daquela superfície para outra e continuar activo. Nos tecidos de 100% algodão o vírus mostrou durar 24 horas, ao passo que noutros tecidos sintéticos sobrevive apenas seis horas.

Conduzido por uma equipa de virulogistas e microbiologistas daquela universidade britânica, o estudo foi realizado através da disseminação de gotículas contendo um “modelo” de vírus semelhante ao Sars-CoV-2.

Agora, a equipa de investigadores recomenda que os hospitais lavem com processos industriais todos os uniformes e equipamentos de protecção individual reutilizáveis, diz o Observador.

“Quando a pandemia começou, havia um entendimento muito escasso sobre o tempo que o coronavírus poderia sobreviver nos têxteis”, afirmou Katie Laird, microbiologista que trabalhou neste estudo e que avisa que “se os enfermeiros e profissionais de saúde levarem as batas e uniformes para casa, poderão deixar rastos do vírus noutras superfícies”.

Ainda assim, a DMU alerta que mesmo lavando os têxteis a temperaturas elevadas “isso não elimina o vírus e não elimina o risco de que a roupa contaminada deixe rastos do coronavírus noutras superfícies em casa ou nos carros”.

ZAP ZAP //

Por ZAP
24 Fevereiro, 2021

 

 

 

617: Infecção de covid-19 pode ser transmitida por assintomáticos durante a fala

 

 

SAÚDE/COVID-19/INFECÇÕES

Cientistas japoneses usaram fumo e luz laser para investigar o fluxo de ar expelido perto e ao redor de duas pessoas, enquanto conversam.

A infecção de covid-19 pode ser transmitida por pessoas infectadas assintomáticas durante a fala, revelaram investigadores, que recomendam o uso de máscara e viseira em situações de proximidade como a ida a uma consulta ou ao cabeleireiro.

A maioria dos estudos foca-se no fluxo do ar exalado através da tosse ou do espirro, que podem enviar aerossóis a longas distâncias. Contudo, falar perto um do outro também é um risco, uma vez que o vírus pode ser transmitido através da fala.

Em comunicado, o American Institute of Physics, relativo ao estudo publicado no boletim científico Physics of Fluids, cientistas japoneses usaram fumo e luz laser para investigar o fluxo de ar expelido perto e ao redor de duas pessoas, enquanto conversam em vários contextos comuns, como salões de cabeleireiros, clínicas médicas ou unidades de cuidados prolongados.

Nessa investigação, os cigarros electrónicos foram usados para produzir fumo artificial, contendo gotículas de cerca de um décimo de diâmetro, semelhante ao tamanho de uma partícula do vírus.

O líquido usado nestes dispositivos de vaporização, uma mistura de glicerina e propilenoglicol, produz uma nuvem de minúsculas gotículas que espalham a luz de um laser, permitindo visualizar os padrões do fluxo do ar. “Analisamos as características da difusão da expiração do ar com e sem máscara quando a pessoa estava em pé, sentada, de bruços ou deitada com a face para cima”, disse a autora Keiko Ishii.

Para estudar o efeito da fala na expiração, a palavra “onegaishimasu”, uma saudação típica japonesa em ambientes de negócios, foi pronunciada repetidamente durante a filmagem da nuvem de vapor resultante.

As experiências foram realizadas num salão de cabeleireiro, em Tóquio, com posturas escolhidas para simular cenários típicos de atendimento ao cliente, incluindo a lavagem em que o cliente está deitado e o técnico em pé e inclinado sobre o cliente.

“Contactos face a face semelhantes ocorreriam não apenas naquele contexto, mas também em cuidados médicos e de longo prazo”, disse Ishii.

As demonstrações revelaram que o ar exalado por uma pessoa sem máscara quando está a falar tende a movimentar-se para baixo sob a influência da gravidade, motivo pelo qual se um cliente ou um doente estiver deitado pode ser infectado.

Quando uma máscara é usada num contexto em que a pessoa está em pé ou sentada, a nuvem de vapor tende a prender-se ao corpo da pessoa, que é mais quente do que o ar ao seu redor e movimenta-se para cima ao longo do corpo, motivo pelo qual se o profissional estiver inclinado, o aerossol tende a desprender-se do corpo da pessoa e cair sobre o cliente ou doente.

Os investigadores também fizeram experiências com protectores faciais e descobriram que estes podem impedir que os aerossóis que saem da máscara cheguem ao cliente ou ao doente.

Aquela investigadora concluiu que “é mais eficaz usar máscara e protector facial ao fornecer serviços a clientes”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
23 Fevereiro 2021 — 16:31

 

 

 

616: Perda de olfacto e paladar pode durar até cinco meses, diz estudo

 

 

SAÚDE/COVID-19/SEQUELAS

Participaram 813 trabalhadores sanitários que deram positivo à covid-19 nesta investigação. Cinco meses depois do diagnóstico, 297 participantes (51%) disseram que ainda não tinham recuperado o sentido do olfacto.

A perda de olfacto e de paladar são alguns dos sintomas da infecção causada pelo novo coronavírus
© Paulo Spranger/Global Imagens

A perda dos sentidos do olfacto e do paladar pode durar até cinco meses depois da infecção por covid-19, segundo um estudo preliminar dado esta terça-feira a conhecer, sendo os resultados definitivos apresentados em Abril.

Johannes Frasnelli, da Universidade do Quebec em Trois-Rivieres, no Canadá, e um dos autores do estudo, recordou que, ainda que a covid-19 seja uma doença nova, investigações anteriores já haviam constatado que muitas das pessoas contagiadas perdem o sentido do olfacto e do paladar nas primeiras etapas.

Os resultados do trabalho serão apresentados na reunião anual da Academia Americana de Neurologia, em Abril próximo.

Segundo explicou o cientista numa nota de imprensa da Academia Americana de Neurologia, o objectivo deste novo trabalho foi ir mais além e observar quanto tempo persiste essa perda de olfacto e paladar, e a sua gravidade,

Para tal, na investigação participaram 813 trabalhadores sanitários que deram positivo à covid-19, cada um completou um questionário e realizou depois uma prova caseira para avaliar o seu sentido de paladar e de olfacto normalmente cinco meses depois do diagnóstico.

Os pacientes qualificaram os seus sentidos de paladar e olfacto numa escala de zero a 10, sendo que zero significada que não tinham nenhum sentido e o 10 significada um forte sentido de paladar e olfacto.

Um total de 580 pessoas perderam o sentido do olfacto durante a doença inicialmente, de este grupo, 297 participantes (51%) disseram que ainda não tinham recuperado o sentido do olfacto cinco meses depois.

Em media, as pessoas qualificaram o seu sentido de olfacto com um sete sobre 10 depois da doença, em comparação com um nove em 10 antes de estar doente.

Resultados mostram que “sentido do olfacto e do paladar deteriorado pode persistir num número de pessoas com covid-19”

Já 527 participantes perderam o sentido do paladar no inicio da doença e, deste grupo, 200 pessoas (38%) asseguraram que ainda não tinham recuperado o sentido do gosto cinco meses depois.

As pessoas qualificaram, na media, o seu sentido do paladar com um oito em 10 depois da doença, em comparação com um nove em 10 antes da doença.

“Os nossos resultados demonstra que um sentido do olfacto e do paladar deteriorado pode persistir num número de pessoas com covid-19”, disse Frasnelli.

Para este investigador, isto sublinha a importância de ser feito um seguimento das pessoas infectadas e a necessidade de se continuar a investigar para descobrir o alcance dos problemas neurológicos associados à doença.

Os investigadores reconhecem algumas limitações deste estudo, entre as quais, a natureza subjectiva das qualificações de odor e sabor.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2 466 453 mortos no mundo, resultantes de mais de 111 milhões de casos de infecção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16 023 pessoas dos 798 074 casos de infecção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direcção-Geral da Saúde.

Diário de Notícias
DN/Lusa
23 Fevereiro 2021 — 08:05

 

 

 

615: Pressão sobre Cuidados Intensivos só permite desconfinamento em Abril

 

 

SAÚDE/COVID-19/DESCONFINAMENTO

Técnicos preveem que o número de internados nos cuidados intensivos só chegará a 200 no final de Março. Este é o nível que o PR exige para dar como terminado o confinamento geral.

A ministra da Saúde, Marta Temido, na reunião desta tarde no Infarmed
© José Sena Goulão/Lusa

Os internamentos em cuidados intensivos só vão descer para o nível exigido pelo Presidente da República para se acabar com o confinamento geral – 200 – no final de Março.

A certeza foi esta tarde avançada, em mais uma (a 16ª) reunião do Infarmed, por um responsável do Instituto Ricardo Jorge.

Baltazar Nunes afirmou que o número de doentes actualmente internados nos Cuidados Intensivos (627) é ainda “muito elevado“. Em meio de Março conta-se que esteja nos 320 e só no final de Março deverá estar em 200, acrescentou – mas não sem, pelo meio, salientou que esta evolução é uma previsão que só se cumprirá se se mantiver o cumprimento das actuais medidas de confinamento.

Em 11 de Fevereiro, a propósito de mais uma renovação do estado de emergência, o Presidente da República apontou como metas até à Páscoa [4 de Abril], que será no início de Abril, reduzir o número de novos casos diários de infecção “para menos de dois mil”, de modo a que “os internamentos e os cuidados intensivos desçam dos mais de cinco mil e mais de oitocentos agora para perto de um quarto desses valores”.

Numa declaração a partir do Palácio de Belém, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa pediu que se procure uma estabilização “duradoura, sustentada, sem altos e baixos”, colocando a propagação do vírus em “números europeus”.

“Temos de manter o estado de emergência e o confinamento, como os actuais, por mais quinze dias, e, apontar para prosseguir Março fora no mesmo caminho, para não dar sinais errados para a Páscoa”, defendeu Marcelo Rebelo de Sousa.

Baltazar Nunes disse ainda que o Índice de Transmissibilidade (“R”) do vírus Sars-Cov-2 actual, 0,67, é o valor mais baixo desde o início da pandemia, disse na reunião do Infarmed Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Actualmente, prosseguiu, Portugal tem o valor do R “mais baixo da Europa”. Em todas as regiões esse valor é abaixo de 1.

Segundo acrescentou, deu-se no valor do R “uma descida muito acentuada” desde meados de Janeiro, estando agora o valor estabilizado em torno de 0,66-0,68.

O mesmo técnico afirmou também que afirma que o covid é responsável por 64% do excesso de mortalidade que actualmente se verifica. Depois, 19% desse excesso de mortalidade é atribuível ao frio e em 7% “não se conseguiu localizar nenhum factor”.

Em números absolutos, haverá cerca de 8900 mortos em excesso atribuíveis à pandemia e 2200 devido a temperaturas extremas.

Na mesma reunião, um outro especialista do Instituto Ricardo Jorge, João Paulo Gomes, avisou que a incidência da variante britânica do covid-19 terá tendência a “crescer exponencialmente” quando o país voltar a desconfinar.

Segundo afirmou, de 1 de Dezembro até hoje a variante britânica já terá infectado em Portugal cerca de 150 mil pessoas. Do número total actual de infectados (80 642) cerca de metade (48%) será com esta variante do Sars-Cov-2.

O médico salientou contudo que essa variante cresce actualmente muito menos do que no princípio – justificando isso com as medidas de confinamento. No princípio de Dezembro, antes do confinamento, o número de infectados com a variante britânica duplicava todas as semanas. Actualmente já só cresce a valores entre 4% e 10%.

Já o vice-almirante Gouveia e Melo, coordenador da task force da vacinação, afirmou na mesma reunião que a imunidade de grupo pode chegar no início de Agosto.

Segundo disse, “desde o dia 19 de Fevereiro, a redução no primeiro trimestre continuou a confirmar-se apesar de ser menor”. “No entanto, isso continua a fazer com que a primeira fase [de vacinação] ultrapasse o primeiro trimestre”, disse, destacando, ainda assim, que há uma “expectativa mais positiva” em relação ao segundo, terceiro e quatro trimestres do ano.

“Se estas expectativas se mantiverem e se materializarem no futuro próximo, o período em que se poderá atingir os 70% de imunidade de grupo pode eventualmente reduzir-se e passar para meados do Verão, à volta de Agosto ou inícios de Agosto”, afirmou.

O vice-almirante salientou porém que “isto são expectativas que ainda têm de se confirmar”.

Afirmou, por outro lado, que o aumento da vacinação previsível no segundo trimestre exige “modelos alternativos” aos centros de saúde como locais exclusivos onde a vacina pode ser ministrada, “para que o processo decorra sem problemas na administração de vacina”.

Implicitamente, o militar volta assim a sugerir que o processo deixe de ser um exclusivo do SNS, alargando-se, nomeadamente, às farmácias – e essa opinião parece ter o apoio do Presidente da República.

Segundo afirmou, 4,5% da população já recebeu uma dose da vacina e 2,7% as duas doses. Esta semana, acrescentou, 230 mil pessoas foram vacinadas. No segundo trimestre (Abril, Maio e Junho), com as vacinas a chegarem em maior dose a Portugal, o objectivo é vacinar 100 mil pessoas por dia.

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
22 Fevereiro 2021 — 17:58

 

 

 

614: Duas variantes do SARS-CoV-2 fundiram-se num híbrido mutante

 

 

SAÚDE/COVID-19/VARIANTES

yusamoilov / Flickr

As variantes britânica e californiana do SARS-CoV-2, o vírus causador da covid-19, aparentam ter-se fundido num híbrido altamente mutante.

A combinação dos dois genomas foi encontrada na Califórnia, nos Estados Unidos, por Bette Korber, do Laboratório Nacional de Los Alamos.

Segundo a New Scientist, o híbrido é resultado da variante B.1.1.7, descoberta no Reino Unido, e da variante B.1.429, descoberta precisamente na Califórnia. A confirmar-se, esta será a primeira fusão de duas variantes a ser detectada nesta pandemia. Os investigadores não se mostram surpreendidos, já que isto é comum nos coronavírus.

A recombinação pode ser de grande importância evolutiva, de acordo com François Balloux, da University College London. É considerada por muitos como a origem do SARS-CoV-2. No pior dos casos, pode levar ao surgimento de novas e ainda mais perigosas variantes.

Korber apenas encontrou um caso desta recombinação e não sabe se o vírus está a ser transmitido de humano para humano. “Este tipo de evento pode permitir que o coronavírus tenha acoplado um vírus mais infeccioso a um vírus mais resistente”, disse a cientista.

O recente surgimento de múltiplas variantes do novo coronavírus pode ter criado a matéria-prima para a recombinação, porque as pessoas podem ser infectadas com duas variantes diferentes ao mesmo tempo.

“Podemos estar a chegar ao ponto em que isto está a acontecer a um ritmo considerável”, diz Sergei Pond, da Temple University, na Pensilvânia, em declarações à New Scientist. “Todos os coronavírus se recombinam, por isso é uma questão de quando, não se”.

Por Daniel Costa
22 Fevereiro, 2021

 

 

 

613: Como as novas variantes ameaçam o regresso à normalidade

 

 

SAÚDE/COVID-19/AMEAÇAS/VARIANTES

Após as primeiras vagas da covid-19, autoridades de saúde, governos e cientistas viram agora as suas atenções para as variantes do vírus SARS-CoV-2, consideradas uma nova “ameaça” ao ambicionado regresso à normalidade.

© JUSTIN TALLIS / AFP

A Comissão Europeia já propôs um novo plano de preparação de bio-defesa contra a covid-19 destinado a “preparar a Europa para a crescente ameaça das variantes” do coronavírus, duas das quais já detectadas em Portugal.

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) estima que a variante detectada no Reino Unido represente cerca de 48% de todos os casos covid-19 em Portugal, quando na primeira semana de Janeiro foi responsável por apenas 8% dos casos da doença registados.

Relativamente à variante originária da África do Sul, o INSA apenas identificou quatro casos em Portugal, não tendo sido registado, até quinta-feira, qualquer caso da variante do SARS-CoV-2 descoberta inicialmente em Manaus, no Brasil.

O surgimento de novas variantes do vírus, que os especialistas admitem ter uma maior capacidade de transmissão, tem levantado questões como a eficácia das vacinas já existentes e a possibilidade de gerarem casos mais graves da doença, novas “ameaças” que têm centrado a atenção dos especialistas.

Como surgem as variantes de um vírus

Quando um vírus faz cópias de si mesmo, essas alterações são consideradas mutações. Um vírus com uma ou várias novas mutações é considerado como uma variante do original.

Algumas mutações podem levar a alterações nas características de um vírus, como a sua maior ou menor capacidade de transmissão e o nível ou gravidade de uma doença que pode provocar.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o SARS-CoV-2, que causa a covid-19, tende a alterar-se mais lentamente do que outros vírus já conhecidos, como o Influenza que causa a gripe.

Até agora, centenas de variações do SARS-CoV-2 foram identificadas em várias partes do mundo, com a grande maioria a ter um reduzido impacto nas propriedades do coronavírus original.

Concertação mundial para compreender as variantes do SARS-CoV-2

Desde o início da pandemia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) está a trabalhar com uma rede global de laboratórios especializados em investigação e na realização de testes para melhor compreender o comportamento do SARS-CoV-2.

Estes grupos de pesquisa sequenciam o SARS-CoV-2 e compartilham os resultados em bancos de dados públicos, incluindo o GISAID, uma organização de pesquisa reconhecida pela Comissão Europeia e parceira do PREDEMICS, um projecto sobre a previsão e prevenção de vírus zoonóticos (com capacidade de serem transmitidos por animais aos humanos) com potencial pandémico.

Esta colaboração global permite aos cientistas de várias partes do mundo rastrear o vírus e as suas mutações de forma mais eficaz e rápida.

A rede global de laboratórios da OMS inclui ainda um grupo de trabalho sobre a evolução do SARS-CoV-2 dedicado especificamente a detectar novas mutações e a avaliar o seu previsível impacto.

A OMS tem reiterado a recomendação para que todos os países aumentem o esforço de sequenciamento do vírus e que compartilhem estes dados internacionalmente, num esforço global de monitorização e resposta à evolução da pandemia.

Como é feito este acompanhamento em Portugal

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) é a entidade coordenadora nacional da vigilância laboratorial genética e antigénica do vírus SARS-CoV-2.

Esta vigilância laboratorial compreende a detecção, caracterização genética e antigénica do vírus em território nacional e é desenvolvida com base em redes sentinela (cuidados de saúde primários e hospitais), complementada com outras redes laboratoriais.

A sequenciação do genoma de vírus SARS-CoV-2 permite entender o percurso da transmissão e o tempo em que as diversas variantes genéticas do vírus estão presentes em determinada região ou país.

Ao desvendar o percurso do coronavírus, as autoridades de saúde pública, profissionais de saúde e investigadores podem adoptar as medidas adequadas para tentar conter a sua disseminação e apoiar o desenvolvimento de estratégias de prevenção e de combate contra a covid-19.

A rede de laboratórios nacional deve, obrigatoriamente, proceder ao envio periódico para o INSA de amostras positivas de SARS-CoV-2. Na selecção de amostras para a vigilância laboratorial é privilegiada a representatividade geográfica, cobertura de todas as faixas etárias, apresentação de doença ligeira a grave e surtos locais.

A ameaça das variantes na retoma europeia

O Banco Central Europeu (BCE) considera que as novas estirpes do novo coronavírus representam um risco para a recuperação da economia da Zona Euro.

Na ata da reunião de política monetária de Janeiro, publicada recentemente, o BCE nota que “persiste uma grande incerteza, especialmente no que respeita à dinâmica da pandemia e à implementação atempada das campanhas de vacinação”.

© Jorge Bernal / AFP

Nova estratégia europeia para enfrentar uma nova ameaça

A Comissão Europeia já propôs um novo plano de preparação de bio-defesa contra a covid-19, face à ameaça das variantes do coronavírus, assente numa melhor detecção das estirpes, maior rapidez na aprovação de vacinas e aumento da sua produção.

Denominada “Incubadora HERA” – a sigla da futura Autoridade Europeia de Preparação e Resposta a Emergências de Saúde -, a nova estratégia é justificada pelo executivo comunitário com a necessidade de “preparar a Europa para a crescente ameaça das variantes” do coronavírus.

De acordo com o Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC), a variante B.1.1.7, reportada pela primeira vez na Grã-Bretanha, parece estar em vias de se tornar dominante sobre as estirpes anteriores na UE, aponta a Comissão, advertindo que “outras estirpes e mutações poderão emergir no futuro”.

Para preparar a Europa para este cenário, a Comissão Europeia propõe então uma estratégia que envolve investigadores, empresas biotecnológicas, fabricantes, reguladores e autoridades públicas, para monitorizar variantes, trocar dados e cooperar na adaptação de vacinas.

De acordo com Bruxelas, o plano irá focar-se em três grandes pilares: a detecção, análise e adaptação a variantes de vírus; aceleração da aprovação de vacinas adaptadas às novas estirpes e um aumento da produção em massa de vacinas contra a covid-19, novas ou adaptadas.

Autoridades de saúde britânicas investigam nova variante

As autoridades de Saúde britânicas identificaram uma nova variante em Inglaterra do coronavírus da covid-19, que designaram por B1525, com a mesma mutação E484K encontrada noutras variantes mais infecciosas, revelou quarta-feira a Direcção-Geral de Saúde inglesa.

Além da variante B117, que já se alastrou a dezenas de países incluindo Portugal, e da nova B1525, as autoridades de saúde estão a investigar mais duas variantes primeiro identificadas em Inglaterra por também apresentarem a mutação E484K, que é comum noutras variantes detectadas no Brasil e África do Sul.

O Reino Unido tem estado a sequenciar o genoma do vírus de milhares de testes para tentar encontrar mutações e potenciais novas variantes para potencialmente ajudar os cientistas a desenvolver novas vacinas mais eficazes.

ECDC: Variantes são motivo de preocupação na Europa

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) considera, no relatório de avaliação de risco, que os países da União Europeia (UE) e do Espaço Económico Europeu (EEE) têm “observado um aumento substancial no número e proporção de casos” da mutação detectada no Reino Unido, tendo ainda “notificado cada vez mais” casos da estirpe da África do Sul.

Já a variante identificada no Brasil “está a ser notificada a níveis mais baixos, possivelmente porque está principalmente ligada ao intercâmbio de viagens com o Brasil”, observa o organismo, numa alusão à interrupção de viagens decretada por alguns países europeus.

Segundo o ECDC, a variante originária do Reino Unido tem de momento um risco “elevado a muito elevado para a população em geral e muito elevado para indivíduos vulneráveis”, isto porque “parece ser mais transmissível do que as estirpes em circulação anteriormente predominantes e pode causar infecções mais graves”.

Por seu lado, a mutação detectada na África do Sul “está também associada a uma maior transmissibilidade” e poderá levar a uma “potencial de redução da eficácia de algumas das vacinas” já aprovadas contra a covid-19.

Dada esta situação, e com o aumento da circulação destas variantes mais transmissíveis, o ECDC aconselha os Estados-membros (já que a saúde é uma competência nacional) a apostar em “intervenções de saúde pública imediatas, fortes e decisivas são essenciais para controlar a transmissão e salvaguardar a capacidade de cuidados de saúde”.

“A menos que as intervenções não-farmacêuticas [medidas restritivas] se mantenham ou sejam reforçadas em termos de conformidade durante os próximos meses, é de prever um aumento significativo dos casos e mortes relacionados com a covid-19 na UE/EEE”, avisa o centro europeu.

Capacidade de sequenciação na UE abaixo do definido

Na maioria dos Estados-Membros, a capacidade de sequenciação para identificação de variantes do SARS-CoV-2 está abaixo da recomendação definida pela Comissão Europeia para sequenciar 5%-10% das amostras positivas para SARS-CoV-2, alerta o ECDC.

Embora a maioria dos países da UE / EEE esteja investigando activamente o surgimento de variantes da SARS-CoV-2, três países não o estão fazendo.

Muitos países estão a aumentar ou a planear aumentar a sua capacidade de sequenciação, mas indicaram a necessidade de apoio do ECDC.

As necessidades específicas incluem suporte com capacidades de sequenciamento e protocolos e com bio-informática em particular.

Para muitos países, o tempo de resposta para os resultados da pré-triagem PCR compartilhados com as autoridades de saúde pública é superior a 48 horas.

A resposta das vacinas contra as variantes

A UE pretende acelerar os procedimentos de autorização de vacinas melhoradas para responder às diferentes variantes do novo coronavírus, indicou recentemente a comissária da Saúde dos 27.

“Analisamos com a Agência Europeia do Medicamento os procedimentos e decidimos que, doravante, se houver uma vacina melhorada por um fabricante para lutar contras as novas variantes com base numa vacina já existente” e certificada “não haverá a necessidade de passar por todas as etapas da autorização”, disse a comissária Stella Kyriakides.

A Comissão Europeia tem sido criticada pela lentidão ligada ao início das campanhas de vacinação contra a covid-19 nos Estados membros, por causa dos procedimentos de certificação das primeiras vacinas, considerados muito longos em comparação com o Reino Unido ou com os Estados Unidos, mas também no que diz respeito aos pedidos de vacinas.

Um vírus que compete com ele próprio

O vírus que provoca a covid-19 está a “competir com ele próprio neste momento”, gerando novas variantes que vão predominar em qualquer parte do mundo em função da eficácia de disseminação que apresentarem, afirmou o virologista Pedro Simas.

Segundo o especialista do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa, enquanto o SARS-CoV-2 apresentar características pandémicas, ou seja, provocar um elevado e generalizado número de infecções diárias, as variantes que surgirem com uma maior capacidade de disseminação “vão-se espalhar por todo o mundo” e não apenas numa determinada área geográfica.

“As variantes que forem mais eficientes a disseminar serão as que vão predominar em qualquer parte do mundo. Há tantas infecções nos vários continentes que as mutações aparecem de forma aleatória. Como há tanta infecção, há uma grande possibilidade dessas mutações aparecerem”, explicou Pedro Simas.

Diário de Notícias
DN com Lusa
20 Fevereiro 2021 — 16:07