568: Maioria dos hospitalizados com covid-19 continua com pelo menos um sintoma seis meses após a infecção

 

 

SAÚDE/COVID-19

Ketut Subiyanto / Pexels

A maioria dos pacientes com covid-19 que foram hospitalizados continuam a manifestar pelo menos um sintoma do novo coronavírus seis meses depois de a infecção ter sido detectada, sugere uma nova investigação.

O novo estudo foi esta semana publicado na revista médica The Lancet e contou com os dados de 1.733 pacientes hospitalizados num hospital de Wuhan, China. Os participantes tinham uma idade média de 57 anos e tiveram alta entre Janeiro e Maio de 2020.

73% dos pacientes afirmaram que continuaram a manifestar sintomas depois de terem superado a covid-19, sendo os mais frequentes a fadiga ou fraqueza muscular (63%), dificuldade para dormir (26%) e ansiedade ou depressão (23%).

“Como a covid-19 é uma doença tão recente, estamos apenas a entender alguns dos seus efeitos a longo prazo nos pacientes. A nossa análise indica que a maioria dos pacientes continua a viver como pelo menos alguns dos efeitos do vírus após a alta hospitalar, evidenciando a necessidade de atendimento médico após a alta, principalmente para quem manifestou infecções graves”, escreveram os autores, citados pelo agência Europa Press.

Os pacientes hospitalizados mais graves apresentavam, seis meses depois do início dos sintomas, uma função pulmonar deteriorada e anomalias no tórax, sintomas que, segundos os cientistas, podem indicar danos nos órgãos.

“O nosso trabalho frisa também a importância de levar a cabo estudos de acompanhamento mais longos em populações maiores para entender todo o espectro de efeitos que a covid-19 pode ter nas pessoas”, remata a equipa.

A covid-19 já matou pelo menos 1.934.693 pessoas no mundo desde o início da pandemia, em Dezembro de 2019, segundo o levantamento realizado esta segunda-feira pela agência de notícias AFP de fontes oficiais às 11:00.

Mais de 90.196.880 casos de infecção foram oficialmente diagnosticados desde o início da pandemia, dos quais pelo menos 55.592.800 pessoas foram consideradas curadas.

Os números baseiam-se nos levantamentos comunicados diariamente pelas autoridades de saúde de cada país e não têm em consideração as revisões efectuadas posteriormente por organismos de estatística, como na Rússia, Espanha e Reino Unido.

Por Sara Silva Alves
12 Janeiro, 2021

 

 

 

567: Parasita encontrado em carne mal passada associado a cancro cerebral raro

 

 

SAÚDE/CANCRO

(CC0/PD) Max Delsid / unsplash

Um novo estudo mostra que um parasita comum, geralmente encontrado na água contaminada e em carne mal cozinhada, pode estar associado a cancros cerebrais raros.

De acordo com o canal televisivo CNN, os investigadores responsáveis pela nova pesquisa encontraram evidências de que pessoas infectadas com o parasita Toxoplasma gondii apresentam um maior risco de desenvolver gliomas raros e altamente fatais.

No estudo publicado, em Dezembro, na revista científica International Journal of Cancer, a equipa explicou que o parasita pode, às vezes, formar quistos no cérebro e a inflamação que lhes é associada pode ser a principal responsável.

Os cientistas analisaram a associação entre anticorpos para o T. gondii em amostras de sangue e o risco de glioma em dois grupos de pessoas. Para isso, recorreram a 111 pessoas inscritas no American Cancer Prevention Study-II Nutrition Cohort e a 646 pacientes listados no Norwegian Cancer Registry.

“Nos dois casos, observámos uma associação positiva sugestiva entre a seropositividade para anticorpos do T. gondii e o risco de glioma”, escreveu a equipa. As associações de glioma foram mais fortes entre as pessoas que tinham níveis mais elevados de anticorpos.

“As nossas descobertas fornecem a primeira evidência prospectiva de uma associação entre a infecção pelo T. gondii e o risco de glioma, resultados que devem ser confirmados em estudos independentes”, acrescentou.

“Isto não significa que o T. gondii causa glioma em todas as situações. Algumas pessoas com glioma não têm anticorpos contra o T. gondii e vice-versa”, disse, em comunicado, o epidemiologista James Hodge, um dos autores do estudo.

Se as descobertas deste estudo forem replicadas, “reduzir a exposição a este patógeno alimentar comum ofereceria a primeira oportunidade tangível para a prevenção deste tumor cerebral altamente agressivo”, concluem os investigadores.

ZAP //

Por ZAP
12 Janeiro, 2021