552: Médico que descobriu o ébola alerta para o surgimento de novos vírus letais

 

 

SAÚDE/VÍRUS/CONTÁGIOS

Vírus com origem nos animais, que depois são transmitidos aos seres humanos, são “uma ameaça à humanidade”. Mais vão surgir, diz o cientista.

O cientista Jean-Jacques Muyembe Tamfum, professor e uma das pessoas que descobriu o ébola, diz à CNN que a humanidade enfrenta um número novo e potencialmente fatal de vírus saídos da floresta tropical de África. Chama-lhes “uma ameaça para a humanidade” e avisa que mais doenças que passam de animais para humanos vão aparecer

Não são casos raros. A febre amarela, gripe, raiva, brucelose ou a doença de Lyme (febre da carraça) são exemplos de doenças que passam de animais para humanos. Outro caso, é o vírus do HIV, que começou nos chimpanzés, sofreu uma mutação e se espalhou pelo mundo. O vírus aloja-se num animal e é esse animal que o transmite aos humanos. No caso do SARS-Cov-2 acredita-se que tudo terá começado com morcegos, na China.

O cenário traçado por Jean-Jacques Muyembe Tamfum é pessimista. Acredita que outras pandemias podem acontecer num futuro próximo. “Sim, sim, acredito que sim”, diz à CNN.

Novos vírus estão a ser descobertos – três ou quatro por ano, a maioria oriundos de animais. Os números crescentes devem-se sobretudo à destruição dos ecossistemas e ao comércio de animais selvagens.

Os habitats são destruídos, os animais de maior porte desaparecem enquanto ratos, morcegos e insectos crescem e se multiplicam. Convivem com seres humanos e transportam doenças.

Foi, acredita-se, o que aconteceu com o ébola.

Uma história com 44 anos

O ébola foi descoberto em 1976. O professor Jean-Jacques Muyembe Tamfum recolheu as amostras de sangue daqueles doentes que contraíam um vírus que matava 88% dos doentes e 80% dos profissionais de saúde que cuidavam deles. As descobertas resultaram da cooperação entre o que se detectava no hospital do então Zaire e era levado para laboratórios na Bélgica e EUA.

Ainda que não se saiba exactamente como é que o ébola foi transmitido aos seres humanos, os cientistas acreditam que foi a forte intrusão na floresta tropical que levou à disseminação do ébola. Os locais onde eclodiram surtos da doença coincidem com locais alvo de desflorestação um par de anos antes.

Na República Democrática do Congo, Jean-Jacques Muyembe Tamfum continua o seu trabalho no laboratório que abriu as portas em Fevereiro e onde dezenas de amostras de sangue são analisadas, financiados por fundos japoneses, norte-americanos da Organização Mundial de Saúde (OMS). Procuram doenças ainda desconhecidas.

“Se um vírus for detectado cedo haverá oportunidade para se desenvolverem novas estratégias para combater estes patogénicos”, explica o cientista.

É no processo em que os animais são vendidos para serem comidos que os cientistas acreditam que se dá a passagem destes vírus. Essa carne é considerada iguaria e muito apreciada entre os mais ricos. -macacos, crocodilos e outros animais selvagens. No Congo, provêm da floresta tropical e, apesar de ser meio de subsistência de muitos agricultores de pequena e média escala, a solução, dizem os cientistas, é proteger os ecossistemas.

Diário de Notícias
22 Dezembro 2020 — 12:41

 

 

551: Portugal com mais 73 mortes e 3.241 novos casos de covid-19

 

 

COVID-19/ESTATÍSTICAS/DGS

Tiago Petinga / Lusa

Portugal registou, este sábado, mais 73 mortes e 3.241 novos casos de infecção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o último boletim da Direcção-Geral da Saúde, dos 3.241 novos casos, 1418 são na região de Lisboa e Vale do Tejo, no Norte há mais 1104 infectados do que nas últimas 24 horas, no Centro há mais 447, no Algarve há mais 118, no Alentejo há mais 97 e nos Açores e na Madeira há mais 28 e 29 casos, respectivamente.

No total, o número de pessoas infectadas pela doença desde o início da pandemia é agora de 423.870. Há, neste momento, 76.675 casos activos, mais 1686 do que na sexta-feira.

Estão também confirmadas 7.045 mortes devido à covid-19, mais 73 óbitos relativamente às últimas 24 horas. A DGS indica que 28 ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo, 22 na região Norte, 14 na região Centro e nove no Alentejo.

Neste momento, existem 2.858 doentes internados em Portugal (mais 52 do que ontem), dos quais 492 estão nos cuidados intensivos (mais nove do que ontem).

O boletim da DGS também aponta para mais 1.482 doentes recuperados, verificando-se já um total de 340.150 pessoas. Há ainda 91.892 pessoas em vigilância pelas autoridades de saúde, mais 365 em relação ao dia de ontem.

No passado dia 24 de Dezembro, entrou em vigor o sétimo estado de emergência, que se prolonga até às 23h59 do dia 7 de Janeiro, com recolher obrigatório nos concelhos de risco de contágio mais elevado.

O Governo decidiu manter as medidas previstas para o Natal, mas agravou as do período do Ano Novo, com recolher obrigatório a partir das 23h00 de 31 de Dezembro, e a partir das 13h00 nos dias 1, 2 e 3 de Janeiro.

É também proibido circular entre concelhos desde as 00h00 do dia 31 de Dezembro e as 05h00 de 4 de Janeiro. O funcionamento dos restaurantes em todo o território continental é permitido até às 22h30 no último dia do ano, e até às 13h00 nos dias 1, 2 e 3.

A pandemia da covid-19 já matou pelo menos 1.827.565 pessoas de todo o mundo desde que o aparecimento da doença foi registado na China, segundo o balanço de hoje da agência France-Presse.

Filipa Mesquita, ZAP //

Por Filipa Mesquita
2 Janeiro, 2021

 

 

 

550: Há cem anos que não morria tanta gente em Portugal

 

 

COVID-19/MORTES

Daniil Vasiliev / Wikimedia

Desde 1920, ano marcado pela mortalidade da gripe espanhola, que o número de mortos não era tão elevado em Portugal.

É preciso recuar aos anos após a gripe espanhola para se encontrar um número tão elevado de óbitos. De acordo com o Jornal de Notícias, o ano de 2020 fechou com 123 mil mortes e há cem anos que este número não era tão elevado em Portugal.

Com base nos dados do eVM, o sistema de vigilância da mortalidade em tempo real que analisa os certificados de óbito, relativos a 1 de Janeiro, é possível apurar que, no ano passado, morreram em Portugal 123.667 pessoas. O diário avança que mais de metade do total de excesso de mortalidade se deve à covid-19.

Com o aumento de óbitos, o saldo natural torna-se um dos mais negativos de sempre no país.

A subida no número de mortes compara com as 144 mil pessoas que morreram em 1920, ano marcado pela mortalidade da gripe espanhola, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Em 1918, morreram 253 mil pessoas em Portugal, em 1919 foram mais de 154 mil e em 1920 144 mil pessoas.

Até 2020 o pior ano tinha sido 2018, com 113.051 óbitos. Na altura, o número de mortes tinha sido explicado pelo envelhecimento da população e por uma onda de calor.

ZAP //

Por ZAP
2 Janeiro, 2021

 

 

 

 

549: Cientistas testaram as capacidades paranormais de 12 videntes (e correu como se esperava)

 

 

CIÊNCIA/NEUROLOGIA

Enrique Meseguer / Pixabay

Ao longo da história da humanidade, milhares de auto-proclamados mediums e videntes alegaram ser capazes de falar com os mortos e adivinhar o futuro. Esta prática milenar, que chegou até aos nossos dias, foi recentemente posta à prova por cientistas — com um resultado quase nada surpreendente.

Do mítico astrólogo, boticário e profeta francês Nostradamus à famosa vidente búlgara Baba Vanga, que há alguns anos previu que a Europa se desintegraria no fim de 2016, milhares de adivinhos, videntes e profetas ao longo da história alegaram ter capacidades paranormais como prever o futuro da Humanidade, adivinhar o destino de uma determinada pessoa ou falar com os seus entes queridos já partidos.

Estes voyants atraíram invariavelmente a atenção de numerosos crentes e seguidores, ávidos de informação sobre o futuro do planeta ou a sorte que teriam à sua espera — em alguns casos, dispostos a pagar pequenas fortunas para conhecer o destino ou ter uma última conversa com um familiar desaparecido.

Ao mesmo tempo, depararam-se com grande cepticismo e intenso escrutínio à sua arte, com destaque para o mágico e entertainer canadiano James Randi, falecido em Outubro aos 92 anos, que em 1972 ofereceu um prémio de um milhão de dólares a qualquer pessoa que conseguisse demonstrar cientificamente as suas capacidades paranormais.

Em 1995, depois de mais de mil pessoas se terem candidatado ao prémio sem ter conseguido fazer prova científica das suas habilidades, a fundação de James Randi extinguiu o One Million Dollar Paranormal Challenge, mas manteve o prémio para quem conseguisse passar pelo menos testes preliminares em condições científicas.

Recentemente, uma equipa de investigadores da Universidade de San Diego e do Instituto de Ciência Noética, na Califórnia, decidiu colocar à prova as capacidades paranormais de um grupo de mediums — e o resultado não abona a favor da profissão. Os resultados do estudo foram publicados na revista Brain and Cognition no passado dia 20.

No âmbito do estudo, a equipa de investigadores pretendia verificar se um grupo de 12 mediums conseguia efectivamente estabelecer contacto com os mortos, e até que ponto os mediums eram capazes de descobrir a causa da sua morte, comparando os resultados obtidos com os de 12 pessoas normais.

Segundo reporta a IFLS, foram mostradas fotografias de 180 pessoas falecidas aos 24 participantes no estudo, que tinham que adivinhar a causa da morte do retratado. Durante as experiências, o ritmo cardíaco e actividade cerebral dos participantes foram monitorizados.

O estudo pressupunha que, se os mediums tinham efectivamente a capacidade de contactar com os mortos, seriam capazes de identificar a causa da morte mais vezes do que os restantes participantes — que estavam basicamente a tentar adivinhá-la. Mas de forma algo surpreendente, no entanto, os mediums obtiveram na realidade piores resultados.

Quando o grupo de controlo tentou adivinhar a causa da morte, teve melhores resultados do que a mera sorte, com mais 4% de acertos do que os cientistas esperavam se estivessem simplesmente a carregar aleatoriamente em botões com as hipóteses apresentadas.

Em contrapartida, os mediums obtiveram não só piores resultados do que o grupo de controlo, como conseguiram até menos 0.2% de acertos do que a aleatoriedade pura faria prever. Além disso, os mediums demoraram em média mais tempo a responder, em particular nos casos em que falharam a resposta.

A monitorização da actividade cerebral e cardíaca também mostrou algumas diferenças. Ao longo do estudo, os mediums mostraram um ritmo cardíaco 10% mais elevado, em média, o que parece indicar que se encontravam mais pressionados do que os participantes do grupo de controlo.

Os resultados do ECG recolhidos enquanto os participantes olhavam para as fotografias também mostraram diferenças de actividade cerebral entre os dois grupos no que diz respeito às áreas em que focavam a sua atenção.

Neste parâmetro, os participantes do grupo de controlo manifestaram mais actividade cerebral no lobo occipital, a zona do cérebro que processa estímulos visuais, do que os mediums, o que parece sugerir que o grupo de controlo dedicou mais atenção efectiva à aparência das fotografias do que o grupo de mediums. A diferença de actividade cerebral, no entanto, não mostrou qualquer relação com a taxa de acertos.

Como se explica então que o grupo de controlo tenha obtido melhores resultados do que o grupo de mediums? A resposta simples e, para alguns, desoladora, é que afinal talvez não seja possível de todo contactar com os mortos.

No entanto, questionados sobre a sua participação na experiência, alguns dos mediums explicaram que talvez houvesse outra explicação para o seu fraco resultado.

“Alguns dos mediums alegaram que lhes foi difícil encontrar a causa da morte dos retratados, porque sentiram a dor dos falecidos mas não a causa dessa dor“, explica o neuro-cientista Arnaud Delorme, investigador do Instituto de Ciência Noética e um dos autores do estudo.

“Os mediums poderão ter interpretado um dado tipo de dor como um ataque cardíaco, mas a dor poderia ser semelhante à causada por um tiro no peito ou ao trauma associado a um acidente de viação”, acrescentam os investigadores.

Independentemente das explicações dadas pelos mediums, os resultados do estudo parecem indicar que não têm de facto as capacidades paranormais que anunciam.

E se é verdade que este é um campo da ciência particularmente difícil de pesquisar, também é verdade que, dezenas de anos depois, o milhão de dólares que James Randi ofereceu continua por arrecadar.

Por Armando Batista
1 Janeiro, 2021

 

 

 

 

548: Novo tratamento pode travar sintomas da covid-19

 

 

SAÚDE/TRATAMENTOS7COVID-19

Rawpixel

No Reino Unido, uma equipa de cientistas acabou de recrutar os primeiros participantes de um novo estudo de anticorpos de longa acção. Se o tratamento for eficaz, pode dar àqueles que já foram expostos ao SARS-CoV-2 protecção contra o desenvolvimento de sintomas.

O University College London Hospitals (UCLH), no Reino Unido, iniciou dois testes de um medicamento desenvolvido pela farmacêutica AstraZeneca que pode impedir que pacientes infectados desenvolvam os sintomas associados à covid-19.

“Sabemos que esta combinação de anticorpos pode neutralizar o vírus“, explicou a virologista Catherine Houlihan, citada pelo Science Alert. “Esperamos descobrir que administrar este tratamento através de uma injecção pode levar à protecção imediata contra o desenvolvimento de covid-19 em pessoas que foram expostas – quando seria tarde demais para oferecer uma vacina.”

O novo tratamento com anticorpos, chamado AZD7442, foi desenvolvido com a combinação de dois anticorpos monoclonais (AZD8895 e AZD1061), que são produzidos em laboratório a partir de clones de células do sistema imunológico de pessoas infectadas.

Os anticorpos monoclonais são produzidos para agir sobre um determinado alvo, o que significa que as moléculas podem ser direccionadas para neutralizar partes específicas de microorganismos invasores ou conduzir substâncias até às células de uma parte do corpo.

“Ao alvejar a região da proteína spike do vírus, os anticorpos podem bloquear a ligação do vírus às células humanas e, portanto, espera-se que bloqueiem a infecção”, escreveu a equipa no site US ClinicalTrials.gov.

Os investigadores escrevem ainda que foram introduzidas substituições de aminoácidos nos anticorpos “para estender as suas meias-vidas, o que deve prolongar o benefício profilático e diminuir a função efetora, a fim de diminuir o risco potencial de aumento da doença dependente de anticorpos”.

O medicamento não é usado para prevenir a infecção, mas sim para impedir que uma pessoa já infectada ou exposta ao vírus desenvolva sintomas da covid-19. O paciente tornar-se-ia assintomático, como já acontece naturalmente em vários casos.

Em comunicado, Mene Pangalos, vice-presidente executivo de pesquisa e desenvolvimento da AstraZeneca, disse que “esta combinação de anticorpos […] tem o potencial de melhorar a eficácia e durabilidade do uso [do medicamento], além de reduzir a probabilidade de resistência viral”.

Por Liliana Malainho
2 Janeiro, 2021

 

 

 

 

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