489: O ruído a que somos expostos no dia-a-dia pode aumentar a probabilidade de ter Alzheimer

 

 

SAÚDE/RUÍDO/ALZHEIMER

CooperB333 / Flickr

Um estudo recente publicado na Associação de Alzheimer revelou que a probabilidade de desenvolver a doença aumenta em 36% quando estamos sujeitos a níveis de ruído diário dez decibéis mais elevados do que a média utilizada na investigação.

A doença de Alzheimer e outras formas de demência afectam milhões de adultos em todo o mundo e investigações realizadas anteriormente já identificaram factores de risco, como a genética, a educação e a poluição do ar. Agora, vários estudos apontam o ruído como outra influência no risco de demência.

“Continuamos nos estágios iniciais de investigação da relação entre o ruído e a demência, mas até agora os sinais sugerem que devemos prestar mais atenção à possibilidade de o ruído afectar o risco cognitivo à medida que envelhecemos”, diz Jennifer Weuve, uma das autoras do estudo, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston, nos EUA.

“Se se provar que isso é verdade, podemos usar políticas e outras intervenções para reduzir os níveis de ruído referenciados por milhões de pessoas”, explicou.

Há mais de quatro décadas, a Agência de Protecção Ambiental dos EUA definiu directrizes do nível de ruído na comunidade, mas “essas directrizes foram definidas para proteger as pessoas contra a perda auditiva. Muitos de nossos participantes foram expostos a níveis muito mais baixos” e isso afectou a capacidade cognitiva de qualquer forma, disse Weuve.

O estudo publicado no fim de outubro incluiu 5.227 idosos que participaram no Chicago Health and Aging Project – iniciativa que acompanhou 10.802 indivíduos com 65 anos ou mais do South Side de Chicago desde a década de 1990.

Os participantes foram entrevistados e a sua função cognitiva testada em ciclos de três anos, tendo em conta a média dos níveis de ruído da vizinhança – a qual foi calculada através de um estudo da área de Chicago que reuniu amostras de ruído A-weighted (as frequências que são importantes para a audição humana) em 136 locais durante o dia.

No novo estudo, foi analisada a relação entre a função cognitiva dos participantes e os níveis de ruído do sítio onde viveram durante 10 anos. Além disso, tiveram em conta a data de nascimento, sexo, raça, nível de educação, renda familiar, consumo de álcool, tabagismo, actividade física e condição sócio-económica da zona residencial.

De acordo com a Futurity, a investigação descobriu que as pessoas que viviam em locais com 10 decibéis a mais de ruído durante o dia tinham 36% mais probabilidade de ter algum problema cognitivo leve e 30% mais probabilidade de ter Alzheimer.

O único outro factor que terá afectado a relação entre o nível de ruído e os problemas cognitivos foi o nível socioeconómico do bairro – os residentes de locais com baixo nível socioeconómico mostravam uma associação mais forte entre eles.

“Estas descobertas sugerem que nas comunidades urbanas típicas dos EUA, os níveis mais elevados de ruído podem afectar o cérebro de adultos mais velhos e dificultar o seu funcionamento sem assistência”, disse Sara D. Adar, autora do estudo e professora associada de epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan.

Adar considera ainda que esta será uma descoberta importante, já que milhões de pessoas são afectadas por elevados níveis de ruído.

“Embora os níveis de ruído não tenham recebido muita atenção nos Estados Unidos até agora, há uma oportunidade de saúde pública aqui, visto que há intervenções que podem reduzir a exposição tanto a nível individual quanto populacional”, disse.

ZAP //

Por ZAP
13 Novembro, 2020


Descoberto gene ‘misterioso’ do novo coronavírus

 

SAÚDE/COVID-19

Equipa de investigadores do Museu Americano de História Natural identificou um dos cerca de 15 genes do vírus SARS-CoV-2. Os especialistas indicam que este gene “demonstrou uma forte resposta de anticorpos” nos doentes com covid-19. A sua função é ainda desconhecida, mas a sua descoberta poderá ajudar no combate à doença.

Descoberto gene ‘misterioso’ do novo coronavírus

O SARS-CoV-2 representa um desafio para a comunidade científica que tem desenvolvido vários estudos para conhecer melhor o vírus responsável pela pandemia de covid-19 e, assim, fornecer mais ferramentas para o combater. Num desses trabalhos de investigação, uma equipa do Museu Americano de História Natural descobriu um gene ‘oculto’ do novo coronavírus, que poderá ter um papel importante para explicar a pandemia.

No estudo publicado na revista eLife, é referido que o gene, denominado ORF3d, que permanecia ‘escondido’ no genoma do vírus, “demonstrou uma forte resposta de anticorpos em pacientes com covid-19″.

Trata-se de um “gene sobreposto”, ou seja está dentro de outro gene, e poderá explicar a razão da propagação do vírus, mas ainda não há certezas quanto à sua função.

A sobreposição de genes pode ser uma das maneiras pelas quais os coronavírus evoluíram para se replicar com eficiência, impedir a imunidade do hospedeiro ou se transmitirem“, indica Chase Nelson, responsável pela investigação, citado pelo site Science Daily.

Este gene sobreposto do SARS-CoV-2 tem o potencial de codificar uma proteína que é mais longa do que se esperava, refere o estudo liderado pelo investigador doutorado da Academia Sinica em Taiwan e um dos cientistas convidados do Museu Americano de História Natural.

Saber que genes sobrepostos existem e como eles funcionam pode revelar novos caminhos para o controlo do coronavírus”, afirmou o bio-informático, dando como exemplo a possibilidade de se usar fármacos antivirais no combate à infecção.

“Em termos de tamanho do genoma”, refere o investigador, “o SARS-CoV-2 e seus parentes estão entre os mais longos vírus de RNA [SARS-CoV-2 é um vírus de ácido ribonucleico] que existem. Portanto, são talvez mais propensos a ‘truques genómicos’ do que outros vírus semelhantes”.

O estudo indica que o ORF3d demonstrou produzir uma forte resposta de anticorpos em doentes e que a proteína do novo gene é fabricada durante a infecção humana. “Ainda não sabemos sua função ou se há significado clínico”, admitiu Chase Nelson. “Mas prevemos que é relativamente improvável que este gene seja detectado por uma resposta de células T, em contraste com a resposta de anticorpos. E talvez isso esteja relacionado com a sua origem”, refere o especialista.

Apesar de ser ainda misterioso para os cientistas, a descoberta deste gene representa um avanço significativo no conhecimento do SARS-CoV-2 e no combate à pandemia. Para Nelson “não detectar genes sobrepostos” pode “colocar-nos em risco de perder aspectos importantes da biologia do vírus”.

Um gene que já tinha detectado, mas numa variante do novo coronavírus que afecta os pangolins na China.

Diário de Notícias
DN
12 Novembro 2020 — 14:22

 

 

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