487: Médico anti-máscara do Egas Moniz passa declarações para pacientes não as usarem

 

SAÚDE/INCOMPETÊNCIA/MÁSCARAS

Tumisu / Pixabay

O director do serviço de Neuro-radiologia do Hospital de Egas Moniz, que é contra o uso de máscara como medida preventiva contra a transmissão de covid-19, tem passado declarações médicas para que os pacientes não tenham de usar máscara em locais obrigatórios.

Segundo o Observador, dores de cabeça, falta de ar e ansiedade são alguma das justificações apontadas por Gabriel Branco para adultos e crianças não usarem máscara.

“Tonturas e desorientação espacial. Ataques de pânico. Relaciona com uso de máscaras. Seguido também ORL [Otorrinolaringologia] por obstrução nasal”, lê-se num dos registos associados a uma declaração passada a 2 de Setembro.

De facto, o decreto lei n.º 24-A/2020 prevê que pessoas com determinados problemas de saúde sejam dispensados da obrigação de usar máscara ou viseira. No entanto, segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS), os médicos que estão habilitados a passar declarações são os que seguem o doente “e na especialidade directamente relacionada”.

Gabriel Branco defende-se, argumentado que “99,9%” das declarações que passou descrevem sintomas que estão relacionados a Neurologia. A sua opinião é contrária à do presidente da Sociedade Portuguesa de Neuro-radiologia, que considera que os atestados que passou são “uma prática excessiva a abusiva” das suas competências.

O Observador teve acesso a 13 declarações médicas passadas por Gabriel Branco só no mês de Setembro. Em quase todos os casos, a consulta que dá origem ao atestado é a primeira — e também a última — de cada paciente com o médico do Egas Moniz. O neuro-radiologista garante que “quase” todas as pessoas a quem passou atestados são seus doentes.

Gabriel Branco é um dos médicos fundadores do movimento Médicos Pela Verdade, que desvaloriza a gravidade da covid-19 se mostra contra o uso generalizado de máscaras e de testes de diagnóstico.

O grupo “Médicos pela Verdade” junta médicos de várias especialidades, mas segundo a informação disponível no site do movimento nenhum deles é da área da saúde pública. Entre eles estão dentistas, enfermeiros e psicólogos que aparecem identificados como fazendo parte do movimento.

A Ordem dos Médicos recebeu denúncias e queixas relacionadas com clínicos que integram o movimento e as ideias que difundem. Entre os profissionais de saúde visados está, precisamente, Gabriel Branco.

Gabriel Branco confirmou que alguns dos médicos que pertencem ao movimento, incluindo ele próprio, foram alvo da abertura de um processo disciplinar. “A Ordem dos Médicos não pediu nenhuma informação, não me ouviu e avançou directamente com um processo disciplinar”, afirmou ao Público.

O médico disse ainda que “há uma perseguição a quem quer emitir a sua opinião de forma livre e documentada. Apenas manifestámos a nossa opinião, que discorda do discurso oficial”, reagiu Gabriel Branco sobre as denúncias na Ordem dos Médicos. “Nenhum de nós foi ouvido, nomeadamente pela comunicação social dominante”, acrescentou.

ZAP //

Por ZAP
12 Novembro, 2020

 

 

Como uma “forte ressaca”. Voluntários da vacina Pfizer descrevem efeitos secundários

 

SAÚDE/VACINAS/COVID-19

A maioria diz que sentiu febre, dores de cabeça e musculares. A farmacêutica anunciou na segunda-feira que os testes revelaram uma eficácia de mais de 90% no combate à covid-19.

© AFP

Vários voluntários que participaram nos ensaios clínicos da vacina Pfizer revelaram que sofreram efeitos secundários comparáveis aos da vacina da gripe tradicional (dores de cabeça e nos músculos), com um deles a descrever que se sentiu como se estivesse com uma “forte ressaca”. Todos os voluntários, porém, mostraram-se orgulhosos por terem feito parte do ensaio e terem contribuído para algo de grande relevância para a humanidade.

Glenn Deshields, 44 anos, natural de Austin, nos Texas, EUA, revelou à agência de notícias AP, que sentiu sintomas semelhantes a uma “forte ressaca”, mas que desapareceram rapidamente. Glenn reconheceu ainda que depois de receber as duas injecções, realizou um teste que provou que foi capaz de desenvolver anticorpos contra o coronavírus.

Outro voluntário, Carrie, 45 anos, que reside no Missouri, revelou que após tomar a primeira vacina (em Setembro) sentiu febre, dores de cabeça e ligeiras dores musculares. Por isso comparou os efeitos secundários semelhantes aos da vacina da gripe tradicional. Carrie confessou que estes mesmos efeitos aumentaram significativamente quando tomou a segunda vacina, em Outubro.

“Participar neste ensaio foi uma espécie de dever cívico e acredito que o fim deste vírus estará para breve. Senti-me muito orgulhosa quando na segunda-feira ouvi as boas notícias sobre a eficácia desta vacina”, referiu Carrie.

Bryan, um norte-americano de 42 anos, acredita que recebeu o placebo e não a vacina. Por isso não ficou imune e apanhou covid-19 no mês passado, embora praticamente não tenha sentido sintomas. “Nos últimos dias os EUA receberam boas notícias. A eficácia da vacina da Pfizer e a eleição de Joe Biden. Acho que a partir de agora ninguém vai ignorar este vírus e os conselhos dos cientistas. Nunca mais vamos desvalorizar este vírus nem gozar com as pessoas que usam máscaras”, referiu.

Ensaios da vacina revelaram 90% de eficácia

Na segunda-feira, a Pfizer revelou as primeiras conclusões da fase 3 de testes, que ainda decorre, e que envolve mais de 40 mil participantes, considerando que a vacina mostrou-se mais de 90% eficaz na prevenção das infecções de covid-19 na fase 3 de ensaios clínicos, que ainda está a decorrer.

“A protecção nos doentes foi alcançada sete dias após a segunda de duas doses e 28 dias após a primeira, segundo os dados preliminares”, indicaram.

Entre os 43 538 participantes nesta fase de testes (nem todos receberam a vacina, uns receberam um placebo), a Pfizer identificou 94 casos de covid-19 positivos, numa percentagem de eficácia superior a 90%.

“Os primeiros resultados da Fase 3 de testes da vacina da covid-19 mostram a prova inicial da capacidade da nossa vacina de prevenir a covid-19”, disse o presidente da Pfizer, Albert Bourla.

“Estamos a chegar a este marco crítico no nosso programa de desenvolvimento de uma vacina numa altura em que o mundo mais precisa, com as taxas de infecção a atingir novos recordes, os hospitais no pico da capacidade e as economias a lutar por reabrir. Com as notícias de hoje, estamos um passo significativo mais perto de fornecer às pessoas em todo o mundo com uma inovação necessária para ajudar a pôr fim a esta crise de saúde global”, acrescentou Bourla, citado no comunicado da empresa.

A terceira fase do ensaio clínico da vacina BNT162b2 começou a 27 de Julho e envolveu 43 538 participantes até agora, 38 955 dos quais receberam uma segunda dose da vacina até dia 8 de Novembro. Cerca de 42% dos participantes a nível global e 30% dos participantes nos EUA vinham de grupos raciais e étnicos diversos. Os testes continuam e devem continuar até serem detectados 164 casos de infecção por covid-19 (já foram detectados 94). A terceira fase é a última antes da homologação.

Na segunda-feira, em declarações ao DN, Miguel Castanho, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular (IMM), considerou que o anúncio de que a vacina da Pfizer tem provado uma eficácia de 90% na prevenção das infecções de covid-19 é uma boa notícia – e que até pode ir mais além do combate ao Sars-CoV-2 -, mas disse que é preciso esperar pelos resultados finais dos testes para tirar conclusões. “A prova dos nove ainda vai a meio”, advertiu, sublinhando que estamos perante resultados preliminares, que ainda não foram publicados e escrutinados.

Diário de Notícias
Nuno Fernandes
12 Novembro 2020 — 11:05

 

 

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