485: Vacina da Pfizer tem mais de 90% de eficácia (e pode ir além do combate à covid-19)

 

SAÚDE/VACINAS/COVID-19

ZAP / Rawpixel

Ao contrário das vacinas tradicionais, a vacina da Pfizer é baseada em material genético mRNA e faz com que o corpo produza anticorpos que protegem contra a infecção. Caso os resultados preliminares se verifiquem, “será a primeira vacina a ser bem sucedida com este princípio”.

A Pfizer e a BioNTech anunciaram esta segunda-feira que a sua vacina é mais de 90% eficaz na prevenção de infecção por covid-19, sete dias após a toma da segunda de duas doses. Como estas são espaçadas por três semanas, a equipa responsável explica que a protecção será alcançada 28 dias após o início da vacinação.

Além disso, segundo avança o The Guardian, não foram encontradas preocupações com a segurança e a protecção contra a infecção foi testada em pacientes de uma ampla variedade de origens étnicas – uma consideração importante, dado que grupos de minorias étnicas e negras parecem estar em maior risco de contrair o vírus.

Notícia é animadora, mas deve ter-se cautela

Num momento em que os casos do novo coronavírus não param de crescer, a maioria dos especialistas concorda que os resultados do estudo Pfizer/BioNTech são uma notícia animadora e excelente, mas o optimismo deve vir com uma nota de cautela: os resultados são preliminares e os testes ainda não foram concluídos.

Até agora, entre os 43 538 participantes na terceira fase de testes foram identificados 94 casos de covid-19 positivos, uma percentagem de eficácia superior a 90%.

Ainda há, no entanto, muitas dúvidas. Não se sabe por quanto tempo irá durar a protecção, se irá funcionar em quem já esteve infectado e se impedirá as pessoas de apanhar o vírus e de o transmitir ou se apenas reduzirá a gravidade dos sintomas.

Por outro lado, existem desafios logísticos, visto que a vacina precisa de ser armazenada a -80ºC, o que significa que mesmo em países desenvolvidos pode haver dificuldades na sua distribuição.

“Esperamos ansiosos por partilhar dados adicionais acerca da eficácia e segurança gerados por milhares de participantes nas próximas semanas”, disse Bourla.

“Os dados até agora apontam para uma eficácia de 90%. É um bom número, de facto, sobretudo porque outras vacinas, alternativas, apontam para níveis de eficácia bastante mais baixos, da ordem dos 60%. Mas estamos a falar de um anúncio baseado em dados não finais”, disse Miguel Castanho, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular, ao Diário de Notícias.

Mas afinal como funciona a vacina?

Tradicionalmente, as vacinas usam o vírus enfraquecido ou inactivado para desencadear uma reacção imunitária (uma opção que também está a ser seguida, por exemplo, no caso da vacina chinesa).

Já no caso da vacina desenvolvida pela farmacêutica norte-americana o princípio de acção é diferente – esta é baseada em material genético mRNA, que é introduzido no corpo humano, fazendo com que as células produzam a proteína e, consequentemente, com que o corpo produza anticorpos que protegem contra a infecção.

“Aquilo que se utiliza é uma parte do genoma do vírus, uma parte do código genético do vírus, que está codificado em RNA (e não como está nas células, em DNA). Essa molécula de RNA vai levar a que algumas células do nosso organismo produzam uma proteína que é típica do vírus e que vai ser reconhecida pelo sistema imunitário como sendo uma proteína estranha”, explica Miguel Castanho.

“Essa presença da proteína acaba por educar o sistema imunitário para reconhecê-la como algo de estranho, que deve ser eliminado. Se o sistema imunitário voltar a entrar em contacto com a proteína, desta vez porque ela está agarrada ao vírus, é desencadeada uma resposta imunitária”, conclui.

A tentativa de desenvolver vacinas deste tipo já aconteceu antes, mas se se confirmarem os resultados preliminares agora avançados, esta será a “primeira vacina a ser bem sucedida com este princípio”.

Além disso, há “outras a ser desenvolvidas que utilizam o mesmo modo de acção, portanto é legítimo esperar que outras que usam o mesmo modo de acção também o serão“, disse Miguel Castanho, referindo-se à possibilidade de outras vacinas terem também a possibilidade de ser bem-sucedidas.

“O primeiro conjunto de resultados dos testes realizados na fase 3 fornece evidência inicial acerca da capacidade da nossa vacina a prevenir a covid-19“, disse o presidente e CEO da Pfizer, Albert Bourla, em comunicado.

“Estamos um passo significativo mais perto de fornecer às pessoas em todo o mundo um avanço muito necessário para ajudar a pôr fim a esta crise de saúde global”, acrescentou.

O investigador principal do Instituto de Medicina Molecular, por outro lado, considera que “há bons indícios, mas ainda não há provas” – a eficácia da vacina da Pfizer é uma boa notícia (e até pode ir mais além do combate ao Sars-CoV-2), mas é preciso esperar pelos resultados finais dos testes para tirar conclusões.

“A prova dos nove ainda vai a meio”, adverte. “Primeiro, porque não são resultados finais, segundo porque a vacinação vai demorar um tempo considerável a atingir uma dimensão que consiga ter impacto concreto sobre a pandemia”.

“Estamos a falar de 700 milhões de pessoas na Europa, 300 milhões nos Estados Unidos, sete mil milhões de pessoas em todo o mundo. A tarefa de dar duas doses da vacina vai demorar muito tempo“, explica Miguel Castanho.

A Pfizer e a BioNTech fecharam um contrato com a União Europeia em Setembro que prevê a venda de 200 milhões de doses da vacina, ampliável em mais 100 milhões de doses, a distribuir proporcionalmente entre os vários países da UE. Considerando o número total de 300 milhões, caberá a Portugal uma percentagem de 2,3% – 6,9 milhões de vacinas.

Além da Pfizer a União Europeia também já fechou acordos com a AstraZeneca/Oxford (também para 300 milhões de doses), o consórcio Sanofi/GSK (igualmente 300 milhões) ou a alemã Curevac (225 milhões, sendo que esta é uma vacina que assenta no mesmo princípio de acção da da Pfizer), além de outras três vacinas actualmente em testes.

No total, a União Europeia firmou contratos para 1200 milhões de doses de vacinas (acordos que estão dependentes do êxito das vacinas).

ZAP //

Por ZAP
10 Novembro, 2020

 

484: Gripe e covid-19. Contrair as duas doenças pode gerar uma “tempestade perfeita”

 

SAÚDE/GRIPE/COVID-19

Uma onda de covid-19, juntamente com uma subida do número dos casos de gripe pode ter muitos riscos, e estes não se ficam pela dificuldade em distinguir os sintomas das duas doenças, ou pela pressão para os serviços de saúde.

Um grande perigo destas duas doenças, pode surgir quando um individuo tem gripe primeiro e covid-19 depois.

Segundo António Morais, o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, “há dados que sugerem que indivíduos que tiveram um quadro clínico de infecção gripal e a seguir são infectados com este novo coronavírus tiveram uma doença mais grave, parecendo haver uma espécie de sinergia no sentido em que se gera uma segunda infecção de maior gravidade”, disse à TSF.

O especialista explica que “há um conceito de tempestade perfeita no sentido individual, pois quem tem uma infecção gripal pode, se for posteriormente infectado com o coronavírus e ter uma infecção mais grave”. Esta junção das duas doenças é classificada em vários artigos científicos como “potencial tempestade perfeita“.

O representante da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, sublinha que “aquilo que pode acontecer é que uma infecção gripal possa gerar uma resposta inflamatória que depois crie uma condição em que alguém que depois contraia o coronavírus esteja mais sensível para uma evolução mais grave da covid-19”, explica, recordando os casos relatados na literatura científica daquilo que aconteceu noutros países.

Um dos estudos mais citados quando se fala do cruzamento da gripe com a covid-19 analisou mais de 300 doentes em Wuhan. As conclusões referem que a co-infecção com os dois vírus (gripe e SARS-CoV-2) gerou, nos casos estudados, piores resultados para a saúde.

O último Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, revela que a gripe já chegou a Portugal nas últimas semanas, com alguns e raros diagnósticos, mas os casos ainda são poucos e a actividade é considerada praticamente inexistente.

ZAP //

Por ZAP
10 Novembro, 2020

 

 

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