“Uma vacina que não seja segura e eficaz não deve sequer ser contemplada”

 

SAÚDE/COVID-19/VACINAS

No Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, Miguel Castanho dirige o Laboratório de Bioquímica de Desenvolvimento de Fármacos e Alvos Terapêuticos, onde estuda moléculas capazes de inactivar o SARS-CoV-2. Ao DN fala das incógnitas que persistem sobre a covid-19, da preocupação que lhe inspiram vacinas feitas à pressa e de como isso pode vir a impulsionar os movimentos anti-vacinação.

O investigador Miguel Castanho
© Filipa Bernardo/ Global Imagens

Em entrevista ao DN, o cientista Miguel Castanho fala das incógnitas que ainda persistem sobre o novo coronavírus e a covid-19. Uma delas é a da duração da imunidade. Casos confirmados de reinfecção, embora em número muito reduzido e sem impacto na saúde pública, mostram que ainda não passou o tempo suficiente para haver certezas sobre isso. O investigador, que está a estudar moléculas que possam inactivar o SARS-CoV-2 , acompanha com preocupação a corrida às vacinas e alerta para a necessidade de não se queimarem etapas no seu desenvolvimento. O que vê, diz, é que os políticos falam numa vacina para o novo coronavírus como a salvação, num momento em que ainda há muitas incertezas no ar. “Vejo com alguma preocupação o alastrar da ideia de que a ciência pode ser abreviada para dar essa resposta urgente”, diz.

Passado pouco mais de meio ano do início da pandemia, que incógnitas persistem sobre o novo coronavírus e a covid-19?
Sobretudo os seus efeitos de médio e longo prazo, que são ainda desconhecidos. Não passou ainda tempo suficiente. E isso é ainda mais notório na duração da imunidade ao vírus, que é uma grande interrogação, e está agora de novo em foco por causa dos recentes casos confirmados de reinfecção. Antes eram casos muito duvidosos, porque poderiam ser falsos positivos. Mas agora foi feita a sequenciação dos vírus da primeira e da segunda infecções e verificou-se que não eram exactamente o mesmo vírus. Apesar de tudo, o número de pessoas com reinfecção confirmada é muito baixo em relação ao total de casos de covid-19, portanto não tem expressão na saúde pública. Mas devem ser analisados porque nos podem dizer alguma coisa sobre os mecanismos do vírus.

Esses casos poderão aumentar?
É uma incógnita. Não sabemos se mais à frente, daqui a meses, um ano, ou dois, começamos a ter isto numa escala maior. Isso pode fazer parte de uma sazonalidade do vírus que, a acontecer, dará maior dimensão ao problema e tem implicações nas vacinas. Se as vacinas funcionarem, e esse é um ponto de interrogação muito grande, não se sabe quanto tempo durará a imunidade. Mas há outras incógnitas.

Quais são?
Por exemplo, as diferenças na resposta ao vírus, que não sabemos porque acontecem. Há pessoas que têm uma resposta imunitária muito exacerbada que desencadeia uma desregulação completa do organismo, e as pessoas morrem mais por causa disso do que por uma acção muito agressiva do vírus. Não se sabe exactamente qual é aí o factor-chave. Era extremamente importante percebê-lo, porque se pudéssemos identificar em cada pessoa se esse elemento está presente ou não, poderíamos saber quem está em alto risco, e desenvolver estratégias terapêuticas. Por outro lado, houve coisas que não se confirmaram, como a da transmissão através das superfícies. Isto é importante porque derramaram-se toneladas de desinfectantes no planeta, sem que isso tivesse impacto na evolução da situação. Devemos aprender qualquer coisa com o facto de não termos conseguido fazer uma leitura correta de alguns estudos científicos feitos em laboratório, que não têm automaticamente uma tradução para a nossa vida do dia-a-dia.

Com uma pandemia a acontecer em directo, isso não era um pouco inevitável?
Essa é uma discussão interessante e importante. Para a ciência, esta pandemia não é a primeira nem será a última. A ciência tem uma imagem pública de uma actividade muito ponderada, linear e consensual, mas isso não corresponde à ciência tal como ela se faz. Temos uma pandemia em directo e toda a gente está a olhar para a ciência e espera uma solução rápida e eficaz. E, de repente, as pessoas descobrem com alguma perplexidade que a ciência não é um mundo linear, está cheio de avanços e recuos, nem sempre os cientistas concordam uns com os outros, e há muita discussão. Nada é consensual até que várias fontes independentes, várias técnicas e vários laboratórios cheguem a um mesmo resultado. Seja em tempo de pandemia ou não, a ciência é feita da mesma maneira, e tem de ser assim. Não é admissível atropelar o método científico porque está toda a gente à espera de uma solução rápida. Vejo com alguma preocupação alastrar a ideia de que a ciência pode ser abreviada para dar essa resposta urgente.

Onde é que isso está a acontecer?
No debate sobre as vacinas, que tem sido enviesado, com base na ideia de que é preciso queimar etapas porque a vacina é muito necessária. Há uma obsessão pela vacina, como se não houvesse mais nada para fazer, o que é extremamente perigoso porque faz divergir atenção, e consequentemente os recursos, da investigação nos medicamentos. As terapêuticas de anticorpos, por exemplo, podem vir a dar mais resultados contra o SARS-CoV-2. Isto está a começar a ser explorado, nomeadamente pela Universidade de Oxford, mas se se deslocarem todos os recursos para a vacina, isso poderá prejudicar o desenvolvimento deste campo. Outra coisa que a obsessão da vacina pode levar a que não seja desenvolvida tão rapidamente como seria desejável é a área de diagnóstico e detecção. Se conseguíssemos ter testes mais fiáveis, mais baratos e mais rápidos do que os actuais, o mundo mudava. Se em cada aeroporto pudesse haver esse teste rápido, as ligações aéreas poderiam ser retomadas. Ir atrás da vacina de forma obsessiva retira a atenção de outras áreas, e quando isso acontece caem os recursos disponíveis para outras questões, que poderiam ter um impacto muito grande na pandemia. De alguma maneira, o discurso político sobrepôs-se ao discurso científico, e a questão política afunilou para a vacina, com os chefes de Estado a falar dela como quem fala da salvação.

Tornou-se uma obsessão negativa, a vacina?

Sim. Não digo obviamente que não se deve fazer, mas não devíamos esgotar tudo na vacina.

A corrida às vacinas para a SARS-CoV-2 tornou-se frenética, como nunca se viu. A Rússia até já aprovou uma, o que levantou um coro de preocupações. Quais são os potenciais problemas de uma vacina desenvolvida à pressa?
A vacina russa usa o mesmo princípio de acção da vacina de Oxford, mas os primeiros resultados da vacina russa não foram publicados, e isso faz toda a diferença. A Rússia aprovou a vacina, mas não está mais à frente no seu desenvolvimento, embora dê essa aparência. Foi uma decisão política, uma jogada de antecipação. Chamam-lhe Sputnik V, com um sentido político e uma carga histórica, como nunca tinha acontecido antes com uma vacina. Mas há várias vacinas e fornecedores, e convinha saber que critérios ditam a escolha de uma ou de outra. Isso tem sido comunicado de forma muito confusa.

Nesta altura, as vacinas ainda não estão terminadas.
Pois, mas já estão a ser feitos acordos. Ainda não se sabe o que vai sair dali, mas não sabemos com que critérios estão a ser feitos esses acordos, para se ter a garantia de que se vai comprar algo eficaz e seguro. Nunca se comunicou com grande clareza qual é o princípio desses acordos. E quando se fez uma micro-discussão pública sobre se a vacina vai ser universal e gratuita, quando do primeiro acordo, continuámos todos sem perceber em que circunstâncias a vacina será universal e gratuita. Houve até declarações, não só confusas mas um pouco preocupantes, de que se a vacina for eficaz e segura, a vacinação será universal e gratuita. Mas se não for, não devemos sequer contemplar a hipótese de estar disponível. Por outro lado, se queremos apostar na vacinação para controlar a pandemia, não vejo como isso pode ser feito sem vacinação universal. Se metade das pessoas não se quiser vacinar, então não atingimos a imunidade de grupo, a menos que ela seja muito menor do que estamos à espera.

São demasiados ses?
Para conseguirmos uma vacinação eficaz, é necessário que as pessoas estejam convencidas de que a vacinação é eficaz e segura e de que ela é necessária para todos. Mas para isso é preciso apresentar factos e ter uma comunicação baseada na clareza. Faria parte dessa estratégia conseguir explicar hoje quais são os critérios para aceitar, ou não, tomar uma determinada vacina destas todas que estão em desenvolvimento. Vemos os políticos a apresentar as vacinas de forma muito linear, como se elas fossem uma certeza que vai fazer a grande diferença.

Mesmo em situação de pandemia, o que é que não devia acontecer?
Mesmo no meio de uma pandemia, devia ser seguido todo o procedimento normal para o desenvolvimento de uma vacina. Há muito que se persegue uma vacina para a dengue. Vivemos numa permanente epidemia de dengue em África, na Ásia e na América Latina, e a doença começa agora a surgir na Europa e nos Estados Unidos, mas nunca passou pela cabeça de ninguém atalhar o caminho para se ter uma vacina para a dengue, ou para a sida. Neste último caso, houve candidatas que chumbaram na última fase de testes, porque se descobriu nos ensaios clínicos de larga escala que afinal não conferiam protecção adicional ou, nalguns casos, tinham problemas de segurança para determinados grupos. Uma das críticas aos testes que estão a ser feitos para estas candidatas a vacinas, embora as pessoas tendam a desvalorizar as críticas porque querem a vacina, é que eles não contemplam a diversidade étnica, geográfica e populacional, que normalmente é necessária no desenvolvimento de medicamentos e vacinas, e que poderia haver problemas com esses grupos sub-representados. Tudo o que se conhece são testes de fase 1, que são preliminares e feitos em indivíduos saudáveis para avaliar se há efeitos adversos graves. Sabe-se que houve uma resposta imunitária, mas não se sabe se ela é do tipo e da intensidade suficiente para conseguir combater uma potencial infecção. Isso só se saberá com os testes que estão agora a ser feitos. Os resultados dos testes de fase 1 foram anunciados com muitos adjectivos, mas, olhando para o que foi publicado, veem-se alguns efeitos adversos que, não sendo muito graves, são os que normalmente precisam de ser trabalhados mais à frente no desenvolvimento da vacina, como febres, desmaios, indisposições ou dores de cabeça. Neste caso, não sabemos se serão trabalhados, porque já tivemos notícia de que não vai haver atraso na produção e distribuição das vacinas.

Isto pode ter consequências adversas, nomeadamente no fortalecimento da corrente anti-vacinas?
O que o mundo científico arrisca é a credibilidade. As pessoas são levadas a ter uma fé quase cega na vacina e a ciência não se coaduna com isso, ainda que toda a expectativa tenha sido criada mais pelo mundo político. Mas foi exportada para o mundo científico, e este não conseguiu comunicar com clareza que o que lhe estava a ser imputado não era da sua essência. Caso exista algum problema com as vacinas, isso impulsionará as correntes anti-vacinação, que estavam muito activas antes da pandemia e agora estão em silêncio. Pode ser que corra tudo muito bem, mas estamos um pouco a brincar com o fogo.

Há muitas candidatas a vacinas contra o SARS-CoV-2. Apesar disso, poderemos chegar a não ter uma vacina?
Se a questão da vacina não tivesse sido politizada, eu diria que sim. Vimos isso acontecer muitas vezes, por exemplo no caso do VIH. Mas neste momento, para o mundo político, já não é comportável que não haja pelo menos qualquer coisa, que pode ser uma vacina imperfeita. Estou convencido de que alguma coisa vai ser apresentada.

A Organização Mundial da Saúde já admitiu que esta pandemia pode durar cerca de dois anos, talvez um pouco menos, numa perspectiva optimista. Como vê esse prazo?
Se estamos a falar de uma situação em que a pandemia desaparece na sua configuração actual, diminui o seu impacto e entra numa espécie de estado estacionário a um nível bastante mais baixo do que temos hoje, tornando-se endémico e persistente, mas como um problema relativamente menor, acho que sim. Mas, menos do que isso, não me parece plausível.

Tem estudado os eventuais efeitos de algumas moléculas sobre o SARS-CoV-2. Já tem resultados?
Estudamos antivirais há muito tempo, para vírus como o VIH, a dengue e o zika. Para nós, o SARS-CoV-2 era só uma questão de transposição do que já estávamos a fazer, porque os vírus têm semelhanças estruturais. Temos um projecto europeu para desenvolver formas de levar fármacos até ao cérebro, para protecção dos efeitos neurológicos do zika, e incluímos o SARS-CoV-2 no projecto, porque se confirmou que este coronavírus em muitos casos tem efeitos no sistema nervoso central. Descobriu-se que as pessoas com uma forma moderada de covid-19 podem desenvolver sequelas ao nível do sistema nervoso. A inclusão do SARS-CoV-2 no projecto foi acordada com a Comissão Europeia. Neste momento, já demonstrámos que se consegue levar até ao cérebro as moléculas que estamos a usar. Por outro lado, demonstrámos também que as que lhes agregamos para obter uma atividade antiviral, as porfirinas, inactivam o vírus in vitro. Falta-nos conjugar as duas coisas e demonstrar que isso acontece em modelo animal. Ou seja, que essas moléculas conjugadas chegam ao cérebro e conseguem inactivar o SARS-CoV-2 se aí o encontrarem.

Quando vão avançar para essa fase do estudo?
Para o zika tencionamos ter o modelo animal pronto para ser usado até final do ano. Para o SARS-CoV-2, pensamos já estar em condições de iniciar os testes em modelo animal no princípio do próximo ano.

Este artigo faz parte de uma série dedicada aos investigadores portugueses e é apoiada por Abbvie.

Diário de Notícias
30 AGO 2020

 

Ricardo Mexia: “Estamos todos um pouco apreensivos com o que vai acontecer agora”

 

 

SAÚDE/COVID-19

O aumento do número de casos diários de covid-19 nos países mais próximos, como Espanha e França, cria uma certa expectativa sobre o percurso epidemiológico de Portugal, que também viu as infecções a subir nos últimos dois dias. “Não podemos baixar a guarda”, alerta o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública.

Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública.
© Orlando Almeida/Global Imagens

Na quarta-feira foram confirmados mais 362 casos de infecção pelo novo coronavírus em Portugal. Nesta quinta, o mesmo indicador subiu aos 399. O crescimento dos casos diários, nos últimos dois dias, pode não passar de um acerto estatístico, lembrou ontem (dia 26) a ministra da Saúde, mas não deixa de ser um alerta para “a fragilidade das nossas conquistas”, referiu ainda Marta Temido.

Numa altura em que o número de novas infecções tem aumentado de forma significativa em Espanha, em França ou no Reino Unido, por exemplo, o governo português anunciou, nesta quinta-feira, mais medidas de prevenção. Já o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública lembra que a pandemia não desapareceu e que Setembro trará novos desafios (como o regresso às aulas presenciais), que podem repercutir-se no número de casos de covid. “Estamos todos um pouco apreensivos com o que vai acontecer agora”, diz, ao DN, Ricardo Mexia.

“Não podemos baixar a guarda, principalmente neste período de retomas, do fim das férias, do início da actividade lectiva. Tudo isso terá um impacto importante, principalmente se começarmos esse período com um número de casos desta índole”, aponta o especialista em saúde pública do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Desde segunda-feira que a Direcção-Geral da Saúde confirmou mais 1076 casos de covid-19, ainda que, nos dois primeiros dias da semana, as infecções diárias não tenham chegado a atingir a barreira dos 200. Nesta quinta-feira, os 399 casos são o maior número de registos em 24 horas desde o dia 10 de Junho (quando foram notificados 402). A região de Lisboa e Vale do Tejo, onde residiam as duas vítimas mortais do último dia, é a que regista mais infecções (186), seguida pelo norte (161).

São mais 37 novos casos do que no dia anterior, quando a ministra da Saúde, em conferência de imprensa, falava na possibilidade de os números do início da semana estarem “artificialmente mais baixos do que na realidade”. “Esperemos que sejam números que se esbatam nos próximos dias. O que só com o passar do tempo poderemos confirmar”, continuou Marta Temido.

O aumento dos casos nas últimas 48 horas, que não se reflete no número de óbitos ou de internamentos, pode ser ainda interpretado, segundo a ministra, como exemplo da “fragilidade das nossas conquistas” na luta contra a pandemia de covid-19. “Temos tido uma situação epidemiológica que tem sido acomodável sob o ponto de vista da resposta do sistema de saúde português, e concretamente do Serviço Nacional de Saúde”, mas a qualquer momento a situação pode inverter-se.

O médico Ricardo Mexia fala na mesma volatilidade. “Nós tivemos dificuldade em baixar os números. Depois, finalmente, conseguimos colocá-los próximo dos cem e agora voltámos outra vez à fasquia acima dos 300. Tenho sempre muita dificuldade em interpretar estes números, porque são variáveis e não têm só que ver com o comportamento da doença, mas não podemos deixar de estar preocupados, com os países aqui ao lado, Espanha e França, já com um crescimento importante”, aponta o especialista.

Casos aumentam em Espanha e França

No último mês, a possibilidade de uma segunda vaga pandémica voltou a dominar as conversas nos países estrangeiros mais próximos de Portugal.

Em Espanha, as mais de 140 mil infecções registadas em dois meses justificam a designação de uma segunda onda, apontam especialistas ouvidos pelo jornal El País, que criticam a velocidade com que os espanhóis desconfinaram. Nas últimas 24 horas, o país registou mais 3781 novos casos de covid-19, sem contar com a comunidade valenciana. No total, desde que a pandemia começou, Espanha registou 429 507 casos e 28 996 mortes.

Grande parte dos novos surtos no país vizinho estão relacionados com festas, ajuntamentos de jovens, principalmente em espaços de diversão nocturna. E, por isso, o contágio acelerou entre os mais jovens.

Em Espanha deixou de ser permitido sair à rua sem máscara posta. E mesmo as crianças com mais de 6 anos terão de utilizar este equipamento de protecção individual no regresso às aulas, anunciou o ministro da Saúde espanhol, Salvador Illa, nesta quinta-feira.

No mesmo dia, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, revelou que o uso da máscara vai tornar-se obrigatório em todo o lado em Paris.

Algumas cidades como Toulouse ou Marselha já tinham alargado o uso de máscara ao exterior em toda a cidade, mas faltava conhecer o plano parisiense, onde apenas era obrigatório em algumas ruas e nos espaços fechados.

Nas últimas 24 horas, foram registados mais de 6111 novos casos de covid-19, o número mais alto desde o fim do confinamento, segundo as autoridades francesas. A maioria das infecções aconteceu na região de Paris e no sudoeste do país. Desde o início da pandemia, França confirmou 259 698 infecções e 30 576 vítimas mortais.

Portugal entra em estado de contingência a 15 de Setembro

“O que temos visto um pouco por toda a Europa é um aumento dos números nos últimos dias e o governo não pode ficar indiferente a esse aumento e não pode deixar de se preparar”, disse, nesta quinta-feira, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, na sequência de uma reunião do Conselho de Ministros, onde ficou decidido que o país vai entrar em estado de contingência a partir de 15 de Setembro.

“Os números do último dia e aquilo que sabemos dos números de hoje mostram um aumento da quantidade de casos e, por isso, apesar desta tendência decrescente na região de Lisboa e Vale do Tejo e da tendência relativamente constante ao longo da última quinzena, o governo considera que aquilo que deve fazer é continuar exactamente com as mesmas medidas que existiam até aqui na próxima quinzena”, continuou a governante.

O executivo está a preparar um endurecimento das medidas de protecção sanitária para daqui a duas semanas, passando todo o país de “situação de alerta” para “situação de contingência”, o segundo mais grave dos três previstos na Lei de Bases de Protecção Civil.

As novas medidas, que ficaram por detalhar, serão muito focadas na reabertura das escolas e incluirão a aplicação StayAway Covid, que deverá estar a funcionar na próxima semana.

Para Ricardo Mexia, esta preocupação é “fundamental”, apesar de realçar as “experiências heterogéneas” com a aplicação de rastreio de contactos da covid-19, uma vez que esta se revelou “mal sucedida” nuns países e um “bom contributo noutros”.

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública refere também a importância destas medidas envolverem uma antecipação da vacina da gripe neste ano, tal como a directora-geral da Saúde abordou em conferência de imprensa, e de existir um reforço de profissionais de saúde nesta altura, nomeadamente de especialistas em saúde pública. “O que os meus colegas da região de Lisboa e Vale do Tejo me dizem é que de facto houve algum reforço, mas que entretanto esse reforço já foi desmobilizado”, aponta Ricardo Mexia.

Diário de Notícias
28 AGO 2020

 

379: País em estado contingência a partir de 15 de Setembro

 

SAÚDE/COVID-19

Lisboa manter-se-á em estado de contingência por mais 15 dias, todo o país entrará neste regime a partir de 15 de Setembro, anunciou esta quinta-feira a ministra de Estado e da Presidência Mariana Vieira da Silva.

“Vamos trabalhar começar a trabalhar essas medidas”, acrescentou lembrando que o páis estará a funcionar de outra forma “de enfrentar este novo momento”.

O que temos visto é um “aumento dos números por toda a Europa”, disse, acrescentando que “nesta quinzena funcionam as mesmas regras e preparemos a quinzena seguinte”.

O governo já aprovou as regras para as escolas “numa situação de estabilidade como a que vivemos”, afirmou a ministra. No entanto, “precisamos de preparar o aparecimento de casos em contexto escolar”.

No dia 7 de Setembro voltam as reuniões do Infarmed – entre responsáveis políticos e especialistas.

Diário de Notícias
27 ago 14:00

 

378: Mais 399 casos de covid e 2 mortes em Portugal nas últimas 24 horas

 

SAÚDE/COVID-19

O boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde de hoje revela que o total de casos no país é agora de 56.673, com 1809 mortes registadas.

© André Luís Alves/Global Imagens

Morreram mais duas pessoas e foram confirmados mais 399 casos de covid-19 em Portugal, nas últimas 24 horas. É um número de novas infecções superior ao verificado na quarta-feira (362), com uma subida de 37 casos, e é o maior contabilizado desde 10 de Julho (402). Os dois óbitos foram registados na região de Lisboa.

O total de casos no país é agora de 56.673, com 1809 mortes contabilizadas desde Março. Nos casos, houve 31209 mulheres e 25464 homens infectados. Nas mortes, há mais vítimas masculinas, 912, do que femininas, 897.

De acordo com o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde desta quinta-feira, dia 27 de agosto, há 317 pessoas internadas em hospitais (mais 6), com 35 (-3) nos Cuidados Intensivos.

O número de recuperados aumentou, com mais 173 pessoas livres do vírus. No total já recuperaram 41.357 pessoas.

Segundo os dados da DGS, há mais 224 casos activos no país, num total de 13.507.

As regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Norte são as que registam mais novos casos. Dos 399, 182 são na área de Lisboa e 161 na zona Norte. No Centro há mais 26 infecções, no Alentejo 8, no Algarve também 8, Madeira 7 e Açores 3.

Mais de 23,4 milhões de infectados no mundo

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 809 mil mortos e infectou mais de 23,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em vários países começam a surgir surtos preocupantes. Na Ásia, as infecções têm subido. A Coreia do Sul registou 441 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, anunciaram as autoridades, o pior balanço diário desde 7 de Março, quando o país contabilizou 483 infecções. Também a Índia contabilizou 75.760 casos de covid-19 nas últimas 24 horas, segundo dados do Ministério da Saúde indiano, um valor que representa um novo recorde diário no país.

Em África, nas últimas 24 horas, foram registadas mais 9.094 pessoas infectadas, de acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), que reúne os dados mais recentes dos relatórios oficiais dos 55 países-membros da organização. O número de mortes por covid-19 em África é de 28.596, num universo de 1.212.012 infectados no continente, cujas regiões Austral e do Norte são as mais afectadas, segundo dados oficiais.

Na Europa, vários países como França, Itália e Alemanha têm assistido a um novo crescimento do número de infecções. Mas o caso mais alarmante é Espanha, com um número de casos por milhão de habitantes muito alto, sendo o pior país europeu. Regista 419 849 infectados desde o início da pandemia e quase 29 mil mortes.

Paris com uso obrigatório de máscara

Em França, o uso de máscara vai passar a ser obrigatório em toda a cidade de Paris e em todas as universidades francesas para conter a pandemia de covid-19, que “está a aumentar novamente em França”, anunciou esta quinta-feira o primeiro-ministro, Jean Castex. Algumas cidades como Toulouse ou Marselha já tinham alargado o uso de máscara ao exterior.

Na América do Sul, a covid-19 continua a fazer vítimas. O Peru tornou-se o país com a maior mortalidade do mundo por covid-19, depois de a Bélgica ter corrigido o número de mortes ao subtrair 121 óbitos ao balanço pandémico. No país sul-americano o surto está longe de ser controlado e centenas de mortes diariamente naquele que é já o sexto país do mundo com mais casos confirmados, acumulando mais de 607 mil infectados.

Diário de Notícias
DN
27 Agosto 2020 — 14:35

 

377: Sem cura e sem vacina, eis os tratamentos mais promissores contra a covid-19

 

SAÚDE/COVID-19/TRATAMENTOS

Há terapêuticas que já deram provas de alguma eficácia na luta contra a covid-19. Uma ajuda no combate à doença, não uma resposta definitiva.

Comunidade científica continua à procura de tratamentos eficazes contra a covid-19.
© EPA/RDIF

Ainda sem cura nem vacina contra a covid-19, vão sendo ensaiados tratamentos, um pouco por todo o mundo, para tratar os doentes que chegam aos hospitais com uma infecção por SARS-Cov-2 e que desenvolvem quadros clínicos mais agudos. Sem respostas milagrosas, a comunidade científica já identificou algumas terapêuticas que combatem o novo coronavírus. O jornal britânico The Guardian elencou exemplos dos tratamentos que estão a ser mais utilizados.

Dexametasona, um fármaco de fácil acesso

A dexametasona é um fármaco da família dos glicocorticoides que, ao actuar como anti-inflamatório e imunossupressor, resulta numa diminuição da actividade do sistema imunológico. Não actua contra o vírus, o que faz é controlar a resposta inflamatória do sistema imunitário, sobretudo no caso de alguns pacientes que sobrereagem à presença do vírus atacando os próprios órgãos afectados.

A dexametasona foi um dos fármacos testados num ensaio desenvolvido por investigadores da Universidade de Oxford com o objectivo de testar se vários tratamentos já existentes seriam eficazes no tratamento da covid-19. O ensaio, segundo as conclusões que foram tornadas públicas, concluiu que o medicamento reduz em um terço a probabilidade de morte dos doentes com covid-19 que necessitaram de ser ligados a ventiladores. É neste quadro, em que os doentes precisam de ventilação, que a dexametasona tem demonstrado resultados mais promissores – esta substância não deve, aliás, ser utilizada em quadros clínicos menos graves, dado que nesse contexto pode até inibir a resposta do sistema imunitário à doença.

A dexametasona tem uma outra vantagem relativamente a outros fármacos que têm demonstrado alguma eficácia no tratamento dos quadros clínicos mais severos associados à covid – o seu baixo custo.

Tratamento com plasma de doentes curados

Foi um dos primeiros tratamentos para a covid-19 a ser considerado e está a ser desenvolvido em vários países, Portugal incluído. No domingo, os Estados Unidos emitiram uma autorização de emergência para usar plasma sanguíneo de pacientes recuperados da covid-19 como tratamento contra a doença.

A traços largos, esta terapêutica consiste na transfusão de plasma sanguíneo de pessoas que já recuperaram da infecção por SARS-Cov-2 e que terão, por isso, desenvolvido defesas contra o novo coronavírus – que podem ajudar os doentes graves que não tiveram tempo para desenvolver esses anticorpos e combater a doença.

Embora alguns estudos (ainda sujeitos a revisão dos pares, ou seja, numa fase preliminar) apontem para resultados promissores no tratamento precoce da covid-19, o nível de eficácia deste tratamento está, no entanto, ainda por demonstrar de forma precisa.

A imunização passiva (por oposição à imunização activa, que seria dada pela vacina) já foi utilizada há cem anos, na pandemia da gripe pneumónica que matou mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Mas é ainda mais antiga: foi desenvolvida em 1890 como tratamento contra a difteria por Emil von Behring, um imunologista alemão que viria a ganhar o Prémio Nobel da Medicina em 1901.

Remdesivir, o antiviral que falhou com a hepatite e o ébola

O remdesivir é um antiviral desenvolvido pela biofarmacêutica norte-americana Gilead Sciences e foi o primeiro medicamento a ser autorizado (no início de maio) nos Estados Unidos para tratamento da covid-19.

Já testado na hepatite C e no vírus ébola, o remdesivir mostrou-se ineficaz contra qualquer uma daquelas doenças, pelo que nunca tinha sido comercializado. Mas um ensaio clínico realizado nos EUA mostrou uma redução do tempo de recuperação de pacientes graves (mas sem incidência na mortalidade), o que foi o bastante para a Food and Drug Administration autorizar provisoriamente o uso deste antiviral.

Também a Agência Europeia do Medicamento veio aconselhar o recurso ao remdesivir para o tratamento da covid-19. No final de Junho, a directora-geral da Saúde adiantava que em Portugal há “um programa de acesso precoce para doentes graves, que tem sido aplicado, nomeadamente na área pediátrica”. “A informação que temos é que correu bem”, dizia então Graça Freitas.

O remdesivir tem, no entanto, a dificuldade de ser um fármaco particularmente caro.

Tocilizumab contra a “tempestade inflamatória” nos doentes graves

O tocilizumab é um anticorpo normalmente usado para tratar a artrite reumatóide e é administrado por injecção para bloquear uma proteína que desempenha um papel importante no processo inflamatório. É usado para quadros clínicos severos.

Segundo um estudo francês, o tratamento com tocilizumab reduziu significativamente a mortalidade no conjunto de pacientes estudados, por comparação com um tratamento comum.

Este é um dos fármacos testados no âmbito do ensaio britânico Recovery.

Comprimidos para a tensão arterial?

De acordo com o The Guardian, uma investigação da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, revelou que medicamentos para a hipertensão arterial podem melhorar as taxas de sobrevivência à covid-19 e reduzir a gravidade da infecção. O que não significa que o mesmo seja válido para doentes com covid-19 que não sofram de tensão arterial elevada.

Diário de Notícias

DN

376: Portugueses estão a desenvolver teste de saliva para a covid-19

 

SAÚDE/COVID-19

Resultados da equipa liderada por Nuno Rosa, da Universidade Católica Portuguesa, mostram que a ideia funciona. Os investigadores estão agora à procura de parcerias para produzir o futuro teste que, se tudo correr bem, poderá estar disponível em meados do próximo ano.

O investigador Nuno Rosa
© Miguel Pereira da Silva / GLOBAL IMAGENS

E se bastasse uma pequena gota de saliva para verificar se alguém está, ou já esteve, infectado com o novo coronavírus? Pode parecer futurista, mas em Portugal um grupo de médicos e investigadores liderados por Nuno Rosa, professor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e investigador de um dos seus laboratórios, o Saliva Tec, sediado no campus de Viseu da UCP, está a trabalhar no desenvolvimento de um teste desse tipo. E os resultados não podiam ser mais promissores.

“Estamos ainda a recolher os últimos dados, mas os nossos resultados mostram que a ideia funciona, a prova de conceito está feita”, garante Nuno Rosa, sublinhando que o grupo está agora “na fase de encontrar parceiros para desenvolver e criar um teste miniaturizado para aplicação em larga escala”.

O caminho até lá é complexo, mas o objectivo é ter o teste disponível, “talvez, em meados do próximo ano, se tudo correr bem”.

A ideia de criar um método para detectar, não só a presença de partículas do SARS-CoV-2, mas também de anticorpos contra ele, usando apenas uma amostra de saliva, surgiu de forma natural entre os investigadores do Saliva Tec. Afinal o que ali fazem é isso mesmo: investigação sobre este fluido biológico, que é muito rico em informação, para aplicação ao diagnóstico em saúde.

“Trabalhamos nesta área há anos, e em 2014 ganhámos um financiamento do Portugal 2020 para montar este laboratório, o único no país especificamente criado para a investigação fundamental nesta área”, diz Nuno Rosa. E explica: “Usamos a saliva como fluido informativo sobre a saúde e a partir daí desenvolvemos estratégias de diagnóstico para diferentes patologias, nomeadamente a diabetes, para a qual já temos vários estudos publicados.”

Ao contrário do que acontece com as análises sanguíneas que são hoje rotina no diagnóstico em saúde, a saliva, apesar de ter muita informação biológica – contém mais de quatro mil moléculas diferentes e outros tantos microrganismos que, no seu conjunto, são o microbioma oral -, está muito pouco explorada nesse sentido. “É necessário fazer essa investigação fundamental, estudar e estabelecer os parâmetros que para cada molécula definem a diferença entre a saúde e a doença, para se poder operacionalizar ferramentas de diagnóstico a partir da saliva. É isso que fazemos no Saliva Tec “, explica Nuno Rosa.

Entretanto, surgiu a pandemia. Com todas as suas vítimas, os pesados problemas económicos e as muitas restrições sociais que gerou, a covid-19 acabou por ser também uma oportunidade de desenvolver investigação inovadora, que poderá agora ter um impacto positivo na saúde da comunidade, num momento difícil e cheio de incertezas.

“Quando surgiu a pandemia pensámos logo em fazer este estudo”, conta Nuno Rosa. A criação de um programa especial de apoio financeiro à investigação em covid-19 por parte da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), logo em Abril, foi a oportunidade certa para avançar.

Nuno Rosa reuniu uma equipa entre o seu próprio grupo no Saliva Tec, o Instituto Politécnico de Viseu e o centro hospitalar da cidade, concorreu ao programa da FCT e ganhou um financiamento de 30 mil euros para o projecto.

A primeira fase do trabalho, que implicou acompanhar a evolução de mais de 20 doentes de covid-19 no centro hospitalar de Viseu, avaliar a par e passo a sua carga viral e os seus níveis de anticorpos, determinar todos esses parâmetros e padrões em amostras de saliva de todos os doentes, e estabelecer as comparações, está praticamente concluída – e com bons resultados.

“Estamos muito satisfeitos, as nossas expectativas confirmaram-se, é possível fazer um teste deste tipo, e agora podemos ir melhorando o método, nomeadamente para obter um teste rápido”, explica o investigador.

A técnica desenvolvida pela equipa permite determinar com exactidão os níveis virais e os anticorpos presentes em amostras de saliva dos doentes. E essa dupla capacidade é justamente uma das mais-valias do futuro produto que, assim, poderá servir não só para o diagnóstico da doença, mas também para verificar quem já esteve infectado e ficou imunizado – pelo menos temporariamente, uma vez que não se sabe ainda qual é a duração dessa imunidade.

“Além das partículas do vírus, com o nosso método detectamos dois anticorpos, o IGM e o IGG, que nos mostram fases distintas da infecção”, explica Nuno Rosa.

O primeiro desses anticorpos, o IGM, é produzido pelo sistema imunitário logo na fase inicial da infecção, e o segundo (IGG) permanece no organismo por mais tempo, após a recuperação, e confere a tal imunidade duradoura. A possibilidade que a breve prazo se abre de detectar esses anticorpos num simples teste de saliva poderá tornar-se um contributo importante na gestão de futuras vagas da pandemia.

Mas esta não é a única vantagem de um teste de saliva para a infecção pelo coronavírus. Outra é a sua fácil aplicação, que é simples, indolor e não invasiva, ao contrário do que acontece com actuais testes de diagnóstico que são feitos com recurso a uma zaragatoa, introduzida no interior das fossas nasais

“Os testes de zaragatoa são muito desagradáveis, e há doentes que têm de os repetir muitas vezes”, explica o líder do projecto.

De resto, a ideia de usar a saliva para testes de diagnóstico da covid-19 não é um exclusivo dos investigadores do Saliva Tec. “Há outros grupos no mundo a trabalhar”, afirma Nuno Rosa.

Nos Estados Unidos acaba, aliás, de ser aprovado um primeiro teste de saliva para a covid-19. O SalivaDirect, como se chama, foi desenvolvido por investigadores da Universidade de Yale e já testado com sucesso em jogadores de basquetebol da NBA, a National Basketball Association.

Concebido como um teste rápido e barato, que pode usar diferentes reagentes, ele poderá sobretudo agilizar o diagnóstico, alargando o número de pessoas testadas de forma a identificar mais doentes assintomáticos, que são uma fonte silenciosa de contágio, como explicaram os cientistas que o desenvolveram.

Já o teste que a equipa de Nuno Rosa pretende criar tem as duas valências: a de diagnóstico e a serológica. Trabalhar para chegar a um produto final é agora o que se segue. Mas no caminho feito há algo mais que já se consolidou: a plataforma de trabalho entre todas as instituições da zona de Viseu que integram o projecto. “Isto fica para o futuro e tornará mais fácil a resposta a outras situações de emergência em saúde”, garante Nuno Rosa.

Este artigo faz parte de uma série dedicada aos investigadores portugueses e é apoiada por Abbvie.

Diário de Notícias
23 AGO 2020

 

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