288: Inteligência artificial contraria prognósticos de coma e salva pacientes

 

(PPD/C0) geralt / Pixabay

Um sistema de inteligência artificial (IA) desenvolvido na China ajudou a salvar a vida de vários pacientes num estado de coma considerado “sem esperança” por vários médicos. A IA contrariou o prognóstico – e os pacientes acordaram.

Por norma, os neurologistas conduzem uma série de avaliações para determinar o potencial de recuperação de um paciente com lesões cerebrais. No teste conduzido é atribuída uma determinada pontuação. Uma baixa pontuação implica que o doente tem poucas hipóteses de acordar tendo, por isso, a família o direito legal de desligar o suporte básico de vida.

Um dos principais neurologistas da China atribuiu sete dos 23 pontos desta escala a um paciente de 19 anos com síndrome de não-responsividade, um resultado bastante baixo. No entanto, ao ser reexaminado com a ajuda do sistema de inteligência artificial, o resultado aumentou para mais de 20 pontos – muito perto da pontuação total.

Num outro caso, aponta o South China Morning Post, os médicos atribuíram a uma mulher de 41 anos, vítima de derrame cerebral e em estado vegetativo há três meses, uma pontuação potencial de recuperação de seis. O computador atribuiu 20.

O jovem, a mulher e outros cinco pacientes – que os médicos acreditavam que nunca recuperariam a sua consciência – acabaram por acordar até 12 meses após os exames cerebrais, exactamente como previsto pelo modelo computorizado.

Previmos com êxito que um determinado número de pacientes recuperaria a consciência mesmo depois de serem inicialmente apontados como sem esperança”, escreveram os investigadores da Academia Chinesa de Ciências em comunicado.

Contudo, a “máquina” também comete erros: um homem de 36 anos com danos no tronco cerebral recebeu baixas pontuações quer da IA, quer da avaliação dos médicos. Ao contrários dos prognósticos, o homem recuperou totalmente em menos de um ano.

Quase 90% de precisão

Sinteticamente, o sistema recém-criado recorre à IA e, através de imagens médicas, ajuda os médicos a determinar se pacientes diagnosticados com danos cerebrais graves podem ou não recuperar a consciência.

Apesar de ser um diagnóstico, os testes que recorrem ao sistema de inteligência artificial têm uma de quase 90%, de forma a que raramente se cometam erros a atribuir pontuações mais baixa, nota a RT.

Depois de oito anos, os cientistas conseguiram finalizar o projecto, tendo disponibilizados as suas conclusões em pré-publicação no mês passado num artigo no eLife. 

Para o Song Ming, médico e principal autor do estudo, este sistema diferencia-se dos demais sistemas de IA utilizados no diagnóstico de doenças. “A nossa máquina pode ver coisas que são invisíveis ao olho humano“, explicou.

Contudo, sublinha Ming, esta é apenas “uma ferramenta para ajudar médicos e famílias a tomar deciões2, não podendo “nunca substituir os médicos”, reiterou.

ZAP //

Por ZAP
12 Setembro, 2018

287: Descoberto antibiótico que pode combater as bactérias super-resistentes

 

massdistraction / Flickr

Um grupo de cientistas chineses sintetizou um complexo antibiótico que é eficaz contra as bactérias resistentes aos medicamentos actuais e é baseado num grupo de compostos descobertos na União Soviética na década de 40.

De acordo com a revista Chemical & Engineering News, este antibiótico é utilizado com sucesso em tratamentos experimentais contra infecções em humanos.

Os especialistas explicaram que se focaram nas moléculas de albomicina a partir da bactéria Streptomyces griseus, que se encontra no solo e se alimenta de restos de vegetais em decomposição, relata o estudo publicado esta semana na Nature Communications.

As albomicinas penetram no sistema de defesa das bactérias e atravessam a sua dupla membrana fosfolipídica de forma a torná-las inactivas.

Em 1955, o biólogo russo Georgy Gause desenvolveu um sistema também baseado nas albomicinas, que se mostrou eficaz em casos de pneumonia infantil e complicações derivadas da disenteria e sarampo, relata a British Medical Journal.

A sua natureza completamente atóxica foi confirmada quando o antibiótico foi utilizado em humanos durante práticas clínicas.

A nova pesquisa, liderada por Yun He, da Universidade de Chongqing, China, conseguiu sintetizar três albomicinas e uma delas – denominada delta-2 – tem-se mostrado altamente eficaz contra diferentes variedades da bactéria Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus, três das quais eram resistentes à meticilina.

Além disso, a albomicina delta demonstrou ser muito mais potente do que alguns dos antibióticos utilizados frequentemente, como, por exemplo, a penicilina.

Este composto ainda não está disponível para venda, mas proporciona um grande avanço em relação ao combate das bactérias multi-resistentes a antibióticos.

Por SN
9 Setembro, 2018

286: Novo medicamento para doentes com Parkinson chega a Portugal

 

SimonQ / Flickr
Em Portugal existem entre 18 a 20 mil doentes de Parkinson

A farmacêutica portuguesa Bial anunciou nesta quarta-feira estar já disponível no mercado português um novo medicamento para doentes com Parkinson que atrasa os sintomas da progressão da doença.

Em declarações à Lusa, o presidente da Bial, António Portela, explicou que este novo medicamento, cujo princípio activo é a opicapona, “reduz o estado off, que se caracteriza pela lentidão/limitação dos movimentos”.

“Os chamados tempos off são períodos em que o corpo fica rígido e os doentes não se conseguem mexer. O medicamento tem um efeito importante porque reduz em duas horas o tempo off“, sustentou, salientando “a vantagem de ser de toma única diária, o que aumenta a qualidade de vida dos doentes durante o dia, mas também durante o sono”.

O novo medicamento, comercializado com o nome de Ongentys, já está disponível desde 2016 na Alemanha, Inglaterra e Espanha.

Ainda este mês será comercializado em Itália, existindo já acordos com empresas do sector para a sua comercialização nos Estados Unidos da América, Japão, China e Coreia do sul.

“Ainda não submetemos o dossier regulamentar em nenhum destes países, estamos a prepará-los, mas eu conto que, nos próximos seis a nove meses, os nossos parceiros, quer no Japão quer nos Estados Unidos, possam estar a submeter o dossier nesses países”, afirmou António Portela.

O novo medicamento para a doença de Parkinson foi aprovado pela Comissão Europeia em Junho de 2016, tendo sido introduzido em Outubro desse ano na Alemanha e Inglaterra.

“Estes dois países têm processos mais rápidos, ou seja, após a aprovação técnica e científica da Comissão Europeia, o medicamento fica disponível, mesmo com os processos de negociação do preço a da comparticipação a decorrer”, explicou o presidente da Bial.

António Portela referiu ainda que em Portugal o novo medicamento só é disponibilizado após o processo de negociação estar concluído, o que justifica o atraso de 2 anos.

Segundo a Bial, o Ongentys, que resultou de um investimento de cerca de 300 milhões de euros, culmina 11 anos de investigação, “apoiado num vasto e exaustivo programa de desenvolvimento clínico que suportou a aprovação da Comissão Europeia, incluindo 28 estudos de farmacologia humana em mais de 900 pacientes de 30 países”.

Em Portugal existem entre 18 a 20 mil doentes de Parkinson e são identificados todos os anos cerca de dois mil novos casos. Portugal é um dos países (a par com Espanha) com maior prevalência de uma mutação genética, considerada a causa mais frequente de doença de Parkinson.

Trata-se do segundo medicamento na área do sistema nervoso central desenvolvido pela Bial, mas a farmacêutica tem algumas moléculas em desenvolvimento. A que está mais avançada, segundo António Portela, é para o tratamento de “uma doença também rara e difícil, a hipertensão pulmonar arterial, mas nunca estará no mercado antes de 2020”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
5 Setembro, 2018

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