275: Cientistas mais perto da cura para a diabetes tipo 1

 

v1ctor Casale / Flickr

Uma equipa de cientistas desenvolveu o primeiro medicamento com potencial para curar a diabetes tipo 1, abrindo a porta para a cura desta doença.

A equipa internacional de cientistas liderada pelos investigadores do Centro Andaluz de Biologia Molecular e Medicina Regenerativa (Cabimer), em Sevilha, conseguiu descobrir o primeiro medicamento que pode ser capaz de reverter os sintomas da diabetes tipo 1.

Foram necessários vários anos de investigação para desenvolver a molécula ou receptor molecular que é capaz de regenerar as células produtoras de insulina. Os resultados foram comprovados com êxito em ratos e em culturas de células humanas e publicados recentemente na Nature Communications.

Segundo o El País, a diabetes tipo 1 é uma condição auto-imune que geralmente aparece na infância. Nas cerca de 21 milhões de pessoas que sofrem desta condição, os linfócitos destroem as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção, armazenamento e secreção de insulina, criando assim a dependência vitalícia da injecção.

Este novo medicamento faz as duas coisas: reduz o ataque auto-imune e repõe a população de células beta destruídas. Até agora, os tratamentos disponíveis – a imunossupressão ou terapias celulares – só podiam cumprir uma função ou outra, respectivamente.

“Se forem capazes de transferir isto para os seres humanos, o medicamento pode ser uma solução não apenas na prevenção, como também no tratamento, abrindo uma porta para a cura do diabetes tipo 1”, disse o investigador Ramón Gomis, professor da Universidade de Barcelona, que não participa do estudo.

Bernat Soria, do Departamento de Regeneração e Terapias Avançadas, refere que, para curar a diabetes há que fazer das coisas distintas: “fabricar células que substituam as que não funcionam e detectar a causa”.

Em cima, o fármaco reduz a infiltração de células imunes. Em baixo, aumenta a produção de insulina.

O novo composto químico, BL001, permite “activar um receptor molecular localizado na superfície de algumas células do sistema imunológico e células do pâncreas”, explica a primeira autora do estudo, Nadia Cobo-Vuilleumier. Esta interacção reduz a resposta inflamatória e protege as células beta.

O novo medicamento provoca a transformação de células alfa em células beta, fenómeno conhecido como transdiferenciação, que resolve um problema fundamental enfrentado pelas terapias celulares, o de regenerar a população de células beta de uma amostra inexistente ou muito danificada.

“A ideia é muito nova, mas finalmente a equipa tem resultados que convenceram“, comenta Ramón Gomis. Depois de ter patenteado a fórmula, a equipa de cientistas está agora a definir a composição do medicamento laboratorial, tentando perceber os limites da toxicidade e de eficácia, e decidindo se será em forma de injeção ou comprimido.

Ainda assim, os cientistas querem algo ainda mais ambicioso. Não pretendem apenas um tratamento, mas uma cura para a diabetes tipo 1. “As empresas farmacêuticas preferiam que os pacientes tivessem que tomar um comprimido para o resto da vida, mas o meu desejo é que consigamos reeducar o sistema imunológico”, afirmou Benoit Gauthier.

“Desenvolver um medicamento do laboratório até ao paciente custa cerca de 20 milhõesde euros. Já gastámos três milhões. Se me der 17 milhões amanhã, daqui a alguns anos, se tudo correr bem, já estará no mercado”, continua o principal investigador do Cabimer, afirmando que não se sabe quando é que o medicamento estará disponível no mercado.

Esta investigação recebeu financiamento público espanhol e apoios de associações como a Juvenile Diabetes Research Foundation, de Nova Iorque, nos EUA, e da DiabetesCERO, de Espanha.

ZAP //

Por ZAP
19 Abril, 2018

 

274: Está explicado porque temos sempre uma narina mais entupida do que outra

 

foshydog / Flickr

Quando estamos constipados, há sempre uma narina que fica mais entupida do que a outra. E, muitas vezes, ao longo do dia, esse entupimento vai alternando entre uma narina e outra. Não é uma mera coincidência! É um processo fisiológico que assegura a saúde do nariz.

A explicação está no chamado Sistema Nervoso Autónomo que controla funções como a digestão e a frequência cardíaca, que se realizam sem que estejamos a pensar nelas.

No caso do nariz, o Sistema Nervoso Autónomo assegura o que se chama de “ciclo nasal”, ou seja, o “ritmo natural de congestão e descongestão das cavidades nasais nos seres humanos”, como se explica no site Infoescola.com.

Assim, quando uma narina está entupida há “um congestionamento fisiológico da concha nasal”, devido à activação selectiva de uma metade do Sistema Nervoso Autónomo pelo hipotálamo”, acrescenta-se na mesma publicação.

O processo passa por um “crescimento do fluxo sanguíneo” que provoca “a congestão numa narina, durante cerca de três a seis horas, antes de mudar para o outro lado”, segundo nota a médica Jennifer Shu, num consultório médico da CNN.

Mas mesmo sem estarmos constipados, as narinas vão alternando o esforço exigido pelo ciclo nasal. Isto significa que, a cada duas a quatro horas, uma delas vai “trabalhando” mais, deixando passar mais ar, do que a outra, mesmo sem que nos apercebamos disso.

Este funcionamento alternado das duas fosses nasais impede “uma secagem excessiva, crostas e infecções, que são resultados da passagem que está aberta ao fluxo de ar constante, especialmente em regiões do deserto”, explica ainda o Infoescola.com.

Deste modo, o processo mantém o nariz a funcionar na sua plenitude para desempenhar funções importantes como filtrar as partículas que se encontram no ar inalado, para que este chegue aos pulmões mais limpo, e ajustar a temperatura corporal.

Todavia, esta alternância do esforço entre narinas será também uma forma de refinar o nosso sentido do cheiro. “Alguns cheiros são mais fáceis de identificar nas correntes de ar mais rápidas na narina “aberta”, enquanto outros são melhor detectados nas correntes de ar mais lentas da narina “constrita””, refere o investigador Anthony Warren, CEO da empresa BreatheSimple que fornece um programa de treino personalizado de saúde respiratória, através de um software para telemóvel.

Da próxima vez que tiver o nariz entupido, vai certamente pensar na situação de uma outra forma, à luz destes dados, mesmo que este conhecimento não alivie o incómodo.

ZAP

Por ZAP
15 Abril, 2018 //

 

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