258: Medicamento contra a diabetes pode reverter significativamente a perda de memória por Alzheimer

 

lucasfrasca / Flickr

Num novo estudo de colaboração internacional, cientistas descobriram que um medicamento desenvolvido para diabetes tipo 2 pode reduzir e reverter significativamente a perda de memória em ratos com doença de Alzheimer.

O próximo passo da pesquisa será testar a droga em humanos. A melhor notícia é que, como o remédio já foi aprovado para comercialização, caso se prove um sucesso, pode atingir o mercado muito mais rápido do que outras opções experimentais de tratamento para a demência.

O estudo envolveu investigadores da Universidade Shaoyang e da Universidade Médica de Shanxi, na China, e da Universidade Lancaster, no Reino Unido.

Pesquisas anteriores já estabeleceram uma ligação entre as duas condições – a diabetes tipo 2 é um factor de risco para a doença de Alzheimer. Além disso, parece fazer a doença progredir mais rápido.

A explicação pode passar pelaa insulina não chegar às células corretamente. A insulina é um fator de crescimento conhecido por proteger as células cerebrais. A resistência à insulina tem sido observada nos cérebros de pessoas com Alzheimer, bem como é o mecanismo biológico por trás da diabetes tipo 2.

Logo, os cientistas têm investigado se drogas que tratam diabetes tipo 2 podem também melhorar os sintomas de Alzheimer.

Estas abordagens são muito importantes, porque se aproveitam de conhecimentos existentes e substâncias já testadas, tornando muito mais rápido a oferta de novos tratamentos promissores para as pessoas.

O novo tratamento é interessante porque protege as células cerebrais atacadas pela doença de três maneiras diferentes, juntando diversas abordagens.

Alguns estudos tiveram sucesso no passado com uma droga mais antiga para diabetes, conhecida como liraglutida, mas este medicamento parece ser mais eficaz.

O fármaco, referido apenas como “agonista de receptores triplo” (do inglês “triple receptor agonist”) na pesquisa, actua de várias maneiras para evitar a degeneração do cérebro: activando o GIP-1, o GIP e os receptores de glucagon ao mesmo tempo.

Como a sinalização de fatores de crescimento fica prejudicada nos cérebros dos pacientes com Alzheimer, a ideia era que a droga poderia ajudar a reestimular as células cerebrais danificadas e impedir danos futuros.

Os cientistas testaram a droga em ratos que tinham sido geneticamente modificados para ter doença de Alzheimer.

Depois foi analisada a aprendizagem e a formação da memória nos animais, e descobriram que a droga reverteu significativamente o défice de memória e foi capaz de melhorar níveis de um factor de crescimento cerebral que protege o funcionamento das células nervosas, assim como reduzir a quantidade de placas amilóides tóxicas no cérebro. A droga experimental também reduziu a inflamação crónica e o stress oxidativo, assim como retardou a taxa de perda de células nervosas.

“Estes resultados muito promissores demonstram a eficácia de novos fármacos múltiplos que originalmente foram desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, mas têm efeitos neuro-protectores consistentes vistos em vários estudos”, disse o principal autor do estudo, Christian Hölscher, da Universidade Lancaster.

Contudo, ainda é necessário verificar se o mesmo efeito será observado em seres humanos. Comparações diretas com outros medicamentos também deverão ser realizadas para avaliar se este novo tratamento é superior aos anteriores.

ZAP // HypeScience

 

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