110 mil sofrem com Alzheimer

 

Demência: Mulheres são as que mais sofrem com a doença

Doentes necessitam de atenção permanentemente

Doentes necessitam de atenção permanentemente

Esquecer a idade, o aniversário ou alguém muito querido, arrumar e desarrumar vezes sem conta e repetir o que já se disse são situações partilhadas por doentes de Alzheimer. A memória é roubada no somar dos dias e os sinais da doença são, muitas vezes, confundidos com o envelhecimento.

Em Portugal, estima-se que a doença de Alzheimer afete cerca de 110 mil pessoas, de acordo com a associação Alzheimer Portugal (AP). Em todo o Mundo, são 19 milhões de doentes.

As mulheres são as que mais sofrem com este tipo de demência. A genética, a idade e patologias como hipertensão arterial e diabetes são alguns dos fatores de risco da doença neuro-degenerativa.

“O principal impacto é a perda de autonomia e segurança. Os doentes vivem sem referências de tempo e espaço e sem lembranças do presente e do passado”, explica ao CM Olívia Robusto, médica psiquiatra, que lamenta a inexistência de cura da doença. “Tratamos a doença de uma forma ainda muito insuficiente. Não podemos fazer prevenção sem saber a causa ou causas do Alzheimer”. Olívia Robusto recomenda um “pacote terapêutico” para retardar e prevenir o agravamento da doença: “Socialização, estimulação cognitiva e uma dieta adequada”.

No Serviço Nacional de Saúde não há tratamento especializado para os doentes, explica Carneiro da Silva, presidente da AP. “O Governo tem muito a fazer. Faltam unidades de saúde de cuidados nesta doença e especialização nas já existentes”, afirma o especialista. n

“HÁ O RISCO DE O DOENTE SE PERDER”

DISCURSO DIRETO: Carneiro da Silva, Pres. Alzheimer Portugal

Correio da Manhã – Como devem ser acompanhados os doentes?
Carneiro da Silva – O doente deve ter espaços amplos para circular e atenção permanente de dia e de noite, pois há o risco de se perderem. Os centros de dia são uma boa opção para os familiares que não podem ser cuidadores.

– Os familiares conseguem suportar o custo de um lar?
– Há pessoas que já nem suportam pagar 80 euros num centro de dia. Num lar, o custo médio é de 2500 euros. É insustentável.

– Não há alternativas?
– Muitos dos lares tradicionais não têm especialidade nestes cuidados continuados. A Segurança Social devia apoiar mais. Nos apoios existentes, os valores são inferiores aos custos reais.

“MUDANÇA AFETOU A FAMÍLIA TODA”

“A minha mãe arrumava e desarrumava a carteira vezes sem conta. Quando ia ao cabeleireiro tinha dificuldade em encontrar o lugar onde tinha estacionado o carro e os caminhos começaram a ser lugares desconhecidos”. A descrição é de Rita de Vasconcellos, de 56 anos, residente no Estoril, que explica como surgiu o Alzheimer na vida da mãe, Maria Augusta.

“A minha mãe teve os primeiros sintomas aos 60 anos e esta mudança afetou a família toda. Quando deu conta de que estava a perder faculdades, agarrou-se à repetição de dados em cadernos e folhas de papel para não esquecer”, conta Rita, arquiteta. Maria Augusta, hoje com 73 anos, dedicou a vida a ensinar Yoga e é acompanhada pelos três filhos, que lhe prestam toda a atenção possível.

In Correio da Manhã online
10/02/2013 | 01h00
Por:Débora Carvalho

95: Descoberta ajuda o corpo a destruir o cancro

 
Ampliação de uma linfócito (glóbulo branco) que combate as doenças Fotografia © Wikimedia Commons

Ampliação de uma linfócito (glóbulo branco) que combate as doenças
Fotografia © Wikimedia Commons

Investigadores norte-americanos identificaram uma molécula, designada TIC10, que é capaz de ativar uma proteína no corpo humano que combate as células cancerígenas. A esperança é conseguir tratamentos contra o cancro sem recurso a químio- ou radioterapia.

A proteína em causa, designada TRAIL, tem características anti-cancerígenas conhecidas – ‘ordena’ ao sistema imunológico do corpo que ataque células com mutações malignas. No entanto, a sua utilização em tratamentos tem-se revelado difícil. A proteína tem um tempo de vida curto em cultura, torna-se rapidamente instável e a sua administração no tratamento de cancros no cérebro é pouco eficaz.

Estes problemas podem ser ultrapassados com a descoberta de que a molécula TIC10 é capaz de activar a TRAIL já existente no corpo do paciente, que deixa de funcionar eficazmente com o progredir da doença.

Segundo investigadores da Universidade da Pensilvânia, num estudo publicado no Science Translational Medicine, o TIC10 é potencialmente administrável por via oral e pode originar tratamentos sem recursos a químicos ‘estranhos’ ao organismo.

Esta molécula tem ainda a vantagem de, dado o seu minúsculo tamanho, ser capaz de transpor a barreira que separa o cérebro do sistema circulatório central, pelo que se revela potencialmente eficaz no combate a tumores cerebrais.

“Não estávamos à espera que esta molécula pudesse ser utilizada para tratar tumores no cérebro. Foi uma agradável surpresa”, admitiu o oncologista da Universidade da Pensilvânia Wafik El-Deiry, citado pelo jornal britânico Daily Mail.

Os testes até agora foram limitados a ratinhos de laboratório, mas os investigadores estão nitidamente excitados com as possibilidades que esta molécula lhes abre. “Utilizar uma minúscula molécula para ‘dar um empurrão’ à TRAIL e ultrapassar as suas limitações parece ser uma forma promissora de tratar o cancro utilizando um mecanismo seguro que já existe no sistema imunológico normal”, afirmou El-Deiry.

In Diário de Notícias online
09/02/2013
por Ricardo Simões Ferreira

94: Vacina da gripe A está sob suspeita

 

Saúde: Há 795 casos de narcolepsia na União Europeia

Adolescente adormece em qualquer lado e tem alucinações. Anda sempre acompanhada pela avó

Adolescente adormece em qualquer lado e tem alucinações. Anda sempre acompanhada pela avó

A família de uma adolescente de 16 anos reportou à Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) a sonolência diurna excessiva (narcolepsia), paralisia no sono, fraqueza muscular e alucinações, sintomas que a rapariga passou a ter depois de ser vacinada com a Pandemrix contra a gripe A, em 2009. Há mais dois casos de narcolepsia em Portugal, cuja ligação à vacina também está a ser investigada pelo Infarmed. Noutros países europeus registaram-se 795 casos, 200 dos quais na Suécia, mas há também na Finlândia, Noruega, Irlanda e França.

Esta doença, que provoca uma sonolência extrema e súbita, não tem cura. A especialista em doenças do sono, a neurologista Teresa Paiva, afirmou ao CM que acredita haver mais casos em Portugal. “Acho muito estranho que não haja mais casos da doença, porque muitas crianças e adolescentes foram vacinados. Eu própria notifiquei um caso ao Infarmed, de uma criança, em 2009”, afirmou Teresa Paiva.

A especialista sublinhou que “há uma relação entre a vacina Pandemrix e a narcolepsia e isso está actualmente provado através de vários estudos internacionais”.

Segundo Teresa Paiva, haverá uma “predisposição genética” das pessoas vacinadas para desenvolver a doença do sono, que é “muito grave” e manifesta-se pouco tempo depois da vacinação.

A adolescente, que pediu ao CM para não ser identificada, sofre com a doença. “Adormeço nas aulas, no autocarro e por isso tenho de andar acompanhada pela minha avó”, conta a rapariga.

O Infarmed afirma ao CM que recebeu três notificações de narcolepsia associada à vacina, uma das quais já em 2013, e que está a ser “investigada”. Os restantes dois casos foram reportados em 2010 e 2011. O CM contactou a direcção do laboratório GlaxoSmithKline, que comercializou a vacina Pandemrix, mas recusou prestar esclarecimentos.

ADOLESCENTE SUECA TOMA ESTIMULANTES

A sueca Emelie Olsson é uma das adolescentes que desenvolveu narcolepsia, após ter sido imunizada com a vacina Pandemrix. Contou que precisa de tomar estimulantes para controlar o problema. O especialista na doença, Emmanuel Mignot, da Universidade de Stanford, EUA, acredita que as evidências científicas mostram a relação entre a vacina e a doença. Porém, Norman Begg, médico da divisão de vacinas do laboratório diz não existirem provas suficientes.

In Correio da Manhã online
03/02/2013
Por:Cristina Serra

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