565: Festivais de música? Só com o boletim de vacinas em dia

 

 

SAÚDE/COVID-19/FESTIVAIS DE MÚSICA

Vacinas e testes rápidos poderão funcionar como uma espécie de via verde para entrar nos festivais de música, que esperam retomar a actividade neste ano, mesmo que ainda não em pleno.

Além de filas para entrar, no próximo ano os festivais podem ter filas para fazer testes rápidos
© Álvaro Isidoro/Global Imagens

Além das filas para entrar ou trocar bilhetes por pulseiras, em 2021 também poderá haver para fazer testes rápidos à entrada dos festivais. Depois de um ano a seco, devido à pandemia de covid-19, esta poderá ser a solução, aliada à vacinação em massa, para os festivais de música voltarem a abrir portas. “Estou com muita esperança na vacina, mas também na implementação de testes rápidos, a exemplo do que irá ser feito pela NBA, nos Estados Unidos”, afirma Luís Montez, da Música no Coração, a empresa responsável, entre outros, pelos festivais Super Bock Super Rock e Meo Sudoeste, com início marcado, respectivamente, para 15 de Julho e 3 de Agosto (ver abaixo).

“Já há testes, com preços à volta dos cinco euros, à espera de aprovação, o que é uma questão importante, porque trata-se de uma logística com alguns custos, que inclusivamente implica a contratação de pessoal especializado”, lembra. “Se calhar ainda vamos acabar por ser úteis ao Estado, com quem até poderemos vir a trabalhar em conjunto, no sentido de incentivar as faixas etárias mais novas a vacinarem-se, para que estas funcionem como uma espécie de via verde de acesso aos espectáculos, sejam eles concertos ou futebol”, defende Montez.

Um primeiro teste a esta nova realidade poderá já acontecer nos dias 9 e 10 de Abril, no Centro de Congressos do Estoril, com a realização do primeiro festival do ano, o ID no Limits, um evento de música electrónica, inicialmente marcado para Abril e depois para Novembro, que acabou, como tantos outros, por não se realizar em 2020.

“A maior esperança era a vacina e essa já começou a chegar. Primeiro começou a ser dada em Inglaterra e o mundo está atento, para ver que soluções poderão surgir no maior mercado europeu da música ao vivo. Há cerca de um mês já foi aprovado um teste rápido para eventos e a própria Ticket Master, uma das maiores empresas mundiais de venda de bilhetes, já anunciou que vai passar a exigir a apresentação de vacina ou de um teste válido para a data em questão. A própria plataforma já está preparada para que o cliente faça o upload do comprovativo”, sublinha Karla Campos, da Live Experiences, que além do ID no Limits também organiza o Cascais Cool Jazz Fest, cujos cabeças-de-cartaz transitaram do ano passado para a edição de 2021, a acontecer em Julho. “Estamos confiantes que em Abril já possa haver esse mix entre vacinas e testes rápidos, até porque alguns artistas internacionais já confirmaram as presenças”, confessa.

A incerteza, porém, ainda é a única certeza, como salienta João Carvalho, das empresas Pic-Nic e Ritmos, responsáveis, respectivamente, pela organização do Primavera Sound, no Porto, e do Festival Paredes de Coura. “Cada dia surge um pensamento diferente. Às vezes sinto-me muito confiante nesse regresso à normalidade, noutros que continuará a haver algumas limitações, com as quais teremos de aprender a lidar, e noutros ainda em que me parece impossível a realização de festivais”, afirma, reconhecendo estar neste momento “numa fase mais confiante”.

As vacinas e os testes poderão ser uma solução, mas assinala que “são necessários testes mais rápidos e mais baratos”, porque “podemos ter cerca de 25 mil pessoas a querer fazer testes num curto período de tempo, só para poderem assistir a um festival”. Neste momento, “a maior preocupação é não saber ainda como vai ser”, até porque, num ano normal, “a época do Natal seria a de maior receita”, o que também faz falta para contratar bandas. E a desconfiança do público não se deve apenas a razões sanitárias, pois “ninguém quer voltar a comprar um bilhete para um evento que poderá voltar a ser cancelado, como aconteceu neste ano”.

Mesmo assim, logo com o início da vacinação em Inglaterra, parece ter começado a mexer o mercado, como relata Luís Montez: “Já recebi diversas propostas de artistas ingleses. E como nos EUA também já começaram a vacinar, estou com muita fé.” Uma realidade confirmada também por João Carvalho, embora com mais reservas: “Começa a haver muitos contactos, mas há de tudo. Alguns agentes ainda não se querem comprometer, enquanto outros já querem fechar e somos nós que temos de colocar algum travão, porque também ainda estamos cautelosos com o futuro.”

O que aí vem

ABRIL
ID no Limits
Centro de Congressos do Estoril, 9 e 10 de Abril (com Reggie Snow, Ezra Collective, Coucou-Chloe, Shaka Lion)

JUNHO
Primavera Sound
Parque da Cidade, Porto. 10 a 12 de Junho (Tyler, The Creator, Beck, Tame Impala, Pavement, Gorillaz, Bad Bunny)

Rock in Rio Parque da Bela Vista, Lisboa. 19 e 20 e 26 e 27 de Junho (Foo Fighters, The National, Black Eyed Peas, Duran Duran, Xutos&Pontapés, Post Malone)

JULHO
Summer Fest Ericeira Camping. 2 e 3 de Julho (Burna Boy, SAINt JHN, Piruka, Eixo Norte-Sul)

Cool Jazz Fest Hipódromo Manuel Possolo, Cascais. 2 a 31 de Julho (John Legend, Yann Tiersen, Miguel Araújo c/ Rui Veloso, Lionel Richie, Neneh Cherry, Herbie Hancock, Jorge Ben Jor)

Alive Passeio Marítimo de Algés, Oeiras. 7 a 10 de Julho (Black Pumas, Fontaines D.C., Red Hot Chilli Peppers, Alt-J, Angel Olsen, Da Weasel, The Strokes, Faith no More)

Super Rock Herdade do cabeço da Flauta, Sesimbra. 15 a 17 de Julho (A$AP Rocky, Jungle, Hot Chip, Slow J, Foals)

Marés Vivas Antiga Seca do Bacalhau, Gaia. 16 a 18 de Julho (Anitta, Liam Payne, Jassie J)

FMM Sines Porto Covo e Sines. 23 a 31 de Julho (Ava Rocha, Cimafunk, Dead Combo & Mark Lanegan, Guiss Guiss Bou Bess)

AGOSTO
Sudoeste
Herdade da Casa Branca, Odemira. 3 a7 de Agosto (Prof Jam, Major Lazer, Deejay Tellio, Ozuna, Melim, Bispo)

O Sol da Caparica Pq Urbano Costa da Caparica, Almada. 12 a 15 de Agosto (Mão Morta, António Zambujo, Moonspell, Anselmo Ralph, Plutónio, Diogo Piçarra, Clã, HMB, Sam the Kid e Orquestra, Orelha Negra)

Paredes de Coura Praia Fluvial do Taboão, Paredes de Coura. 18 a 21 de Agosto (Mac DeMarco, Mão Morta, Pixies, Jarvis Cocker, IDLES, BadBadNotGood)

Vilar de Mouros Vilar de Mouros, Caminha. 26 a 28 de Agosto (Placebo, Limp Bizkit, Iggy Pop, Suede, The Legendary Tigerman)

Diário de Notícias
Miguel Judas
06 Janeiro 2021 — 07:00