652: Há vacinas portuguesas contra a covid-19, mas entraves limitam o seu desenvolvimento

 

 

SAÚDE/COVID-19/VACINAS MADE IN PORTUGAL

asiandevelopmentbank / Flickr

Há duas vacinas contra a covid-19 em desenvolvimento no nosso país. No entanto, há entraves que limitam o seu desenvolvimento.

Em Março, a investigadora Teresa Summavielle estimou que o desenvolvimento de uma vacina portuguesa contra a covid-19 custaria cerca de 45 milhões de euros, sendo necessário investir mais 100 milhões numa infra-estrutura para passar à fase de produção.

“Precisaríamos de cerca de 45 milhões de euros para termos uma vacina que passasse os ensaios clínicos e fosse aprovada. Para uma fase de produção em massa, precisamos de infra-estruturas dedicadas”, adiantou a bioquímica do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3s), num debate promovido pelos eurodeputados do Bloco de Esquerda.

De momento, há pelo menos duas vacinas em desenvolvimento no nosso país, escreve o jornal ECO. A da Immunethep e a da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, em conjunto com a Universidade de Telavive, em Israel. A primeira destaca-se das outras por ser de administração intra-nasal, como alguns medicamentos para a asma.

Os dois fármacos teriam um preço semelhante ao praticado no mercado, isto é, cerca de 10 euros.

A vacina da Immunethep está a acabar a fase pré-clínica, enquanto a vacina da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa terminou agora os estudos pré-clínicos.

Para avançar para a próxima fase, Bruno Santos, CEO da Immunethep, diz que são precisos cerca de 20 milhões de euros. A investigadora da Faculdade de Farmácia, Helena Florindo, diz que para a primeira das três fases dos ensaios clínicos estima precisar de aproximadamente 3 milhões de euros, mas o valor aumenta para as dezenas de milhões nas fases seguintes.

Além disso, há um outro entrave. “Neste momento não existe qualquer capacidade para a produção da vacina em Portugal”, atira Bruno Santos, argumentando que este deve ser um esforço feito.

A Immunethep está em contacto com parceiros estrangeiros para conseguir avançar. A Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa também já iniciou contactos com empresas na Europa e nos Estados Unidos.

Por Daniel Costa
5 Abril, 2021

– Engraçado! Para a banca falida existe disponibilidade de MILHÕE$ de €uros! Para a vacina portuguesa… Portugal pode ser um país pequenino em área (existem outros ainda menores), mas a sua pequenez não se mede pela sua superfície territorial mas pela pequenez das mentalidades que o têm gerido.

 

 

 

650: As interrogações que recaem sobre a vacina da AstraZeneca

 

 

SAÚDE/VACINAS/ASTRA-ZENECA

A vacina da covid-19 da AstraZeneca/Oxford tem vindo a acumular polémicas sobre os eventuais efeitos colaterais que pode provocar. Ao mesmo tempo a vacina é mais barata e fácil de armazenar. Estas são as dúvidas mais proeminentes sobre esta vacina.

Vacina da AstraZeneca

Esta é uma vacina “de vector viral”: tem como base outro vírus (um adenovírus de chimpanzé) que foi debilitado e geneticamente modificado para impedir que o coronavírus se reproduza no organismo humano.A forma como introduz o material genético nas células, ordenando-as a atacar o SARS-CoV-2, foi classificada como “cavalo de Troia”.

A vacina da AstraZeneca/Oxford, que foi desenvolvida pelos investigadores da Universidade de Oxford em colaboração com o laboratório britânico AstraZeneca, tem a vantagem de ser barata, entre 1,70 a 2,55 euros por dose (2 a 3 dólares), com variações de acordo com os custos de produção locais. A AstraZeneca comprometeu-se a vendê-la a preço de custo.

Uma das características diferenciadoras em relação a outras vacinas é a facilidade de armazenagem: pode ser conservada na temperatura de uma geladeira, entre 2ºC e 8ºC, ao contrário das vacinas da Moderna e da Pfizer/BioNTech, que podem ser armazenadas a longo prazo apenas a temperaturas muito baixas (-20°C no primeiro caso, e -70°C, no segundo).
Isso facilita uma vacinação em grande escala.

A eficácia

Segundo o laboratório britânico, a vacina tem uma eficácia média de 70% (contra mais de 90% para Pfizer/BioNTech e Moderna), resultado validado pela revista científica The Lancet.

Nos primeiros resultados publicados, de ensaios clínicos anteriores à sua aprovação, houve variações na eficácia, de acordo com as diferentes doses administradas por engano, o que semeou dúvidas e provocou críticas, levando a empresa a realizar estudos adicionais.

A sua eficácia em pessoas com mais de 65 anos também foi questionada na Europa por falta de dados, até que novas informações, extraídas das campanhas de vacinação dos países mais avançados neste campo, deram garantias a esse respeito.

Vários países, como Alemanha e Itália, finalmente a autorizaram para essa faixa etária, na esperança de acelerar suas campanhas de imunização.

Um estudo realizado por autoridades de saúde da Inglaterra mostrou protecção de 60% a 73% contra as formas sintomáticas da doença em pessoas com mais de 70 anos, com dose única.

Os efeitos colaterais

Suspeita-se de possíveis efeitos colaterais graves, mas raros, após a deteção de casos atípicos de trombose em pacientes vacinados com AstraZeneca,. Foram registados dezenas de casos, alguns dos quais resultaram em mortes.

O Reino Unido registou 30 casos e sete mortes, até ao momento, de um total de 18,1 milhões de doses administradas até 24 de Março.

Nenhuma observação semelhante foi relatada após a aplicação de milhões de doses do imunizante Pfizer/BioNTech.

Segundo a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), “nenhuma relação causal foi comprovada, mas é possível”, e os benefícios do imunizante contra o coronavírus continuam a superar os riscos.

Como precaução, vários países decidiram não administrar esta vacina abaixo de certa idade, como a Alemanha e a Holanda (60 anos), França e Canadá (55 anos), ou Suécia e Finlândia (65 anos). Por sua vez, a AstraZeneca disse em Março que “não há evidências de um risco agravado” de coágulos sanguíneos.

Diário de Notícias
DN
03 Abril 2021 — 17:18

 

 

 

644: Região de Berlim suspende vacina AstraZeneca após nove mortes

 

SAÚDE/COVID-19/VACINAS/ASTRA-ZENECA

As autoridades alemãs detectaram 31 casos de trombose em pessoas que receberam a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca, das quais nove morreram, e o estado alemão de Berlim voltou a suspender o fármaco para maiores de 60 anos.

© EPA/J.J. GUILLEN

O Instituto Paul-Ehrlich, centro de referência em vacinação na Alemanha, constatou que em 19 casos foi detectada uma deficiência de plaquetas no sangue, indicando que dos nove mortos apenas dois eram homens, com 36 e 57 anos, e todos os outros casos de trombose venosa sinusal surgiram em mulheres com idades entre os 20 e os 63 anos, de acordo com a peça da Der Spiegel.

Perante estes dados, o estado alemão de Berlim suspendeu de novo o uso da vacina com o produto da AstraZeneca para maiores de 60 anos, e Dilek Kalayci, principal responsável do departamento de saúde da região, explicou que se tratava de uma medida de precaução, antes de uma reunião de todos os 16 estados da Alemanha onde o tema será discutido.

Relatos de formas pouco comuns de coágulos sanguíneos na cabeça, conhecidos como trombose da veia sinusal, levaram vários países europeus, incluindo Portugal, a suspender temporariamente o uso da vacina da AstraZeneca, no início deste mês.

Após uma revisão do fármaco por parte de especialistas da Agência Europeia de Medicamentos, foi concluído que os benefícios da vacina superavam os riscos, embora tenha sido recomendado que médicos e pacientes deviam ser alertados para possíveis efeitos colaterais raros.

De acordo com o instituto de virologia Robert Koch, na Alemanha, um total de 2,7 milhões de pessoas já receberam doses desse fármaco.

Na Alemanha, 3.877.914 pessoas receberam as duas doses de qualquer vacina contra a covid-19, 4,7% da população, e 9.001.925 (10,8%), pelo menos uma.

Nas últimas 24 horas, 123.170 pessoas na Alemanha receberam a primeira dose da vacina e outras 44.522, a segunda.

Diário de Notícias
DN com Lusa
30 Março 2021 — 14:00

– Não morreram da doença… morreram da “cura”…

 

 

 

625: O vírus veio para ficar? Sim. E as vacinas protegem mesmo? Há uma forte possibilidade

 

 

SAÚDE/SARS-CoV-2/COVID-19

Mais de um ano depois de se começar a ouvir falar da chegada à Europa do novo coronavírus, que tinha sido detectado no final de 2019 na cidade chinesa de Whuan, ainda há muitas dúvidas por esclarecer.

© Diana Quintela / Global Imagens

Desde Março de 2020 que a atenção dos portugueses tem sido focada nas consequências do vírus SARS-CoV-2. Com muitas questões ainda por resolver, o DN colocou a três especialistas algumas dúvidas — as mesmas questões a cada um — que ainda existem na sociedade sobre este vírus, a sua evolução e as vacinas.

Manuel Santos Rosa

Imunologista, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

O SARS-CoV-2 veio para ficar?

Os vírus podem manter-se longo tempo, dependendo da existência de hospedeiros que lhes permitam a replicação e propagação. Os coronavírus têm mostrado aspectos erráticos na sua adaptação ao hospedeiro, mas o SARS-CoV-2 tem, de alguma forma, surpreendido pelo sucesso mutacional, pelo que pode ter vindo para ficar.

O vírus pode enfraquecer e evoluir para uma “gripezinha” ou as novas estirpes podem torná-lo mais perigoso?

Sim, pode acontecer, seria bom que acontecesse, que o vírus pudesse modificar-se por forma a tornar-se menos patogénico e a ter menos capacidade de infecção. Muitas mutações poderão mesmo ser suicidas, ou muito enfraquecedoras da sua capacidade agressora, mas outras (e muitas já foram detectadas) permitem uma melhor adaptação do SARS-CoV-2 ao ser humano, com a consequente facilitação da entrada no nosso organismo e do aumento da patogenicidade.

As vacinas são eficazes para interromper a transmissão comunitária ou apenas para prevenir as formas mais graves da doença e/ou mortes?

Tudo depende da eficácia vacinal, da capacidade de vacinação (percentagem da população vacinada e rapidez de vacinação), do tempo de manutenção da imunização (tempo em que o indivíduo vacinado se mantém protegido), das mutações do vírus e de um conjunto vasto de factores que podem influenciar a relação vírus-hospedeiro. De qualquer forma, parece ser definitivo que haverá uma forte capacidade para prevenir as formas mais graves de doença e/ou as mortes.

E se as vacinas não forem suficientes para atingir a tão desejada imunidade de grupo no tempo que seria desejável? Há algo mais que se possa fazer?

Muito se poderá, se pode, fazer. Por exemplo, se a imunidade de grupo estiver ameaçada pela capacidade mutacional do vírus, novas vacinas direccionadas para essas variantes poderão ajudar significativamente. Por outro lado, estamos longe de esgotar as capacidades de defesa contra o SARS-CoV-2: parece-nos fundamental evoluir no processo vacinal para o estímulo da imunidade inata, especialmente através da capacidade de a treinar a melhor responder face a agressores como o SARS-CoV-2. Também entendemos ser fundamental o desenvolvimento de terapias que possam complementar a profilaxia vacinal. Muitos fármacos têm sido propostos e inclusive alguns na área da imunoterapia, como é o caso do EXO-CD24, que poderão representar uma nova capacidade de impedir a agressividade do vírus e uma resposta imunitária desajustada.

O SARS-CoV-2 pode contribuir para que o sistema imunitário dos humanos reforce as suas defesas para enfrentar futuras pandemias?

Não me parece. Embora os estudos ainda não sejam suficientes, alguns apontam para, depois de infecção pelo SARS-CoV-2, a resposta imunitária ter falhas de coordenação, especialmente entre as vertentes de imunidade por anticorpos e celular, e também entre as formas inatas e adquiridas. Também é factual que distintos patogénicos (vírus ou outros) têm um grau elevado de especialização (quer dos receptores, que lhes permitem a entrada nas nossas células, quer de sinalização imunitária) e por isso não conferem reforço significativo face a outras agressões. Veja-se, por exemplo, a gripe sazonal, que ao longo dos anos em nada melhorou a nossa capacidade de resposta. Por outro lado, sabe-se que estímulos/agressões imunitárias por via respiratória são muito pouco educativos para a nossa imunidade, contrariamente ao que acontece com estímulos/agressões por via digestiva, esses, sim, podem ser fortemente protectores e educativos, reforçando a nossa capacidade de resposta e de resistência.

Margarida Saraiva

Presidente da Sociedade Portuguesa de Imunologia e investigadora do i3s (Porto)

O SARS-CoV-2 veio para ficar?

Muito provavelmente sim, mas associado a formas menos graves de doença. Claro que isto vai depender muito da imunidade atingida, quer por infecção natural quer por vacinação. Os outros quatro coronavírus que causam as constipações são “bem tolerados” pela população, não exigindo confinamentos, distanciamento social, máscaras, etc.

O vírus pode enfraquecer e evoluir para uma “gripezinha” ou as novas estirpes podem torná-lo mais perigoso?

Se conseguirmos atingir um nível de imunidade (por infecção natural e vacinação) que permita uma protecção de manifestações severas da doença, sim, a pandemia pode evoluir para uma situação de vírus endémico, sem causar os problemas actualmente conhecidos. Algumas das mutações que o vírus adquire podem traduzir-se numa vantagem competitiva para o vírus, que normalmente assenta numa maior transmissão e, eventualmente, maior replicação. Isto explica a predominância de algumas estirpes relativamente a outras. No entanto, a relação entre mutação/transmissão e gravidade da doença não é directa.

As vacinas são eficazes para interromper a transmissão comunitária ou apenas para prevenir as formas mais graves da doença e/ou mortes?

Os dados que temos até ao momento permitem concluir uma eficácia na prevenção de formas mais graves da doença, mas ainda não são suficientes para concluir definitivamente sobre a questão da transmissão. Com o aumento e follow up do número de pessoas vacinadas, vamos começar a ter uma melhor ideia do que acontece em termos de transmissão. De qualquer forma, para já pelo menos, é imperativo que as regras e os comportamentos preventivos individuais se mantenham, mesmo para quem já foi vacinado.

E se as vacinas não forem suficientes para atingir a tão desejada imunidade de grupo no tempo que seria desejável? Há algo mais que se possa fazer?

A imunidade de grupo resulta em princípio da vacinação e também da infecção natural. O tempo que demorará a atingir depende obviamente do progresso/taxa de vacinação. O que podemos fazer enquanto sociedade é manter uma atitude colectiva com comportamentos individuais adequados, de forma a contribuir para a manutenção de um baixo número de casos, alívio do SNS e, consequentemente, a mínima disrupção.

O SARS-CoV-2 pode contribuir para que o sistema imunitário dos humanos reforce as suas defesas para enfrentar futuras pandemias?

Há sempre uma co-evolução do sistema imune com os patogénos, no sentido de haver uma certa adaptação mútua. É difícil prever até que ponto esta pandemia poderá ter um impacto no sistema imunitário, sendo certo que dependerá também do tipo de “pandemia futura”.

Luís Graça

Imunologista, professor da Faculdade de Medicina de Lisboa e investigador no iMM

© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

O SARS-CoV-2 veio para ficar?

O SARS-CoV-2 já está disseminado por todo o mundo e é certo que ficará connosco. É muito raro conseguir-se erradicar um vírus com uma disseminação tão grande. Aconteceu uma vez, com o vírus da varíola, e o vírus da poliomielite está perto de ser erradicado. Contudo, mesmo para vírus em que se atinge a imunidade de grupo, como o vírus do sarampo, não é possível a sua erradicação. Deste modo, teremos de viver com o SARS-CoV-2, embora com um novo equilíbrio, menos grave, próximo do que sucede com outros vírus endémicos.

O vírus pode enfraquecer e evoluir para uma “gripezinha” ou as novas estirpes podem torná-lo mais perigoso?

É pouco provável assistirmos a uma mudança muito profunda da biologia do vírus. A mudança que vai fazer que o SARS-CoV-2 cause menos problemas de saúde dependerá, sobretudo, da alteração da nossa resposta imune ao vírus, e não de uma mudança do vírus. Estamos a caminhar, fruto da vacinação, para um estado em que a generalidade da população estará protegida contra doença grave. Com o tempo, a circulação do vírus, mesmo entre pessoas vacinadas, reforçará essas defesas, de um modo semelhante a uma nova dose da vacina. Deste modo, a percepção será que o vírus enfraqueceu, mas na realidade as nossas defesas é que se adaptaram. Isto é o que sucede quando um vírus deixa de ser pandémico. Um bom exemplo deste fenómeno foram as doenças que os navegadores europeus levaram para o Novo Mundo: os vírus eram os mesmos, mas a adaptação do sistema imunitário dos europeus e dos americanos a esses vírus era diferente.

As vacinas são eficazes para interromper a transmissão comunitária ou apenas para prevenir as formas mais graves da doença e/ou mortes?

Já temos uma resposta a esta pergunta baseada em factos. As vacinas conseguem reduzir, mas não eliminar completamente a capacidade de transmissão do SARS-CoV-2. Também é importante lembrar que nenhuma vacina tem eficácia de 100%. Sabe-se, por isso, que haverá pessoas vacinadas, ainda que poucas, que ficarão doentes, embora a probabilidade de desenvolver doença grave seja muito reduzida.

E se as vacinas não forem suficientes para atingir a tão desejada imunidade de grupo no tempo que seria desejável? Há algo mais que se possa fazer?

É mais importante centrar a atenção na protecção de toda a população, e especialmente as pessoas mais vulneráveis, contra as formas mais graves da doença, do que na imunidade de grupo. Desse modo, estando todos protegidos das formas graves da doença, será mais fácil retomar as actividades sociais mesmo que a imunidade de grupo ainda não tenha sido plenamente atingida.

O SARS-CoV-2 pode contribuir para que o sistema imunitário dos humanos reforce as suas defesas para enfrentar futuras pandemias?

Não. A história de infecções passadas não permite ao sistema imunitário adquirir protecção contra infecções futuras (excepto em casos muito especiais de vírus com muitas semelhanças com vírus de infecções passadas).

Diário de Notícias
05 MAR 2021

 

 

 

560: Europa aprova vacina da Moderna. Vacinação a várias velocidades leva a troca de acusações

 

 

SAÚDE/VACINAS/COVID-19/EUROPA

Cj Gunther / EPA

A Agência Europeia do Medicamento (EMA, sigla em inglês) aprovou a vacina experimental contra a covid-19 produzida pela empresa de biotecnologia norte-americana Moderna para uso nos Estados-Membro da União Europeia (UE). Esta é a segunda vacina a ser aprovada pelo regulador.

De acordo com um comunicado publicado no seu site, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) aprovou a vacina experimental da Moderna, dando-lhe “uma autorização de venda condicional” para ser administrada em pessoas com 18 anos ou mais.

A decisão foi feita numa reunião com os especialistas da EMA sobre a vacina experimental contra a covid-19 produzida pela empresa de biotecnologia norte-americana Moderna.

Os peritos reuniram-se na segunda-feira, antecipando-se em dois dias à reunião que já estava marcada, mas decidiram prosseguir as discussões esta quarta-feira. Na terça-feira, o regulador europeu indicou que os especialistas estavam “a trabalhar arduamente para esclarecer questões pendentes com a empresa”.

Esta é a segunda vacina autorizada na União Europeia (UE), depois da do consórcio Pfizer-BioNTech, que começou a ser administrada em 27 de Dezembro em Portugal e em outros países europeus.

Troca de acusações na UE

O processo de vacinação nos vários países da UE está a decorrer a um ritmo mais lento e a várias velocidades, o que tem levado a algumas trocas de acusações na Comissão Europeia.

De acordo com Markus Söder, líder da União Social Cristã da Alemanha, a Comissão Europeia atrapalhou o processo de obtenção de doses de vacina suficientes e de aprovação para uso em todo o bloco.

“Obviamente, o procedimento de compra europeu foi inadequado”, disse Söder, que lidera o estado da Baviera, em declarações ao Bild am Sonntag. “É difícil explicar que uma vacina muito boa é desenvolvida na Alemanha, mas é vacinada mais rapidamente noutros lugares”, acrescentou, referindo-se à vacina da Pfizer/BioNTech.

Mueller / MSC / Wikimedia
Markus Söder, presidente do estado alemão da Baviera

“A Comissão Europeia provavelmente planeou muito burocraticamente: poucos certos foram encomendados e os debates sobre preços prolongaram-se durante muito tempo”, disse Söder sobre os atrasos.

“O factor tempo é crucial”, disse Söder. “Se Israel, os EUA ou o Reino Unido estão muito à frente de nós em vacinação, também beneficiarão economicamente. A questão de como atravessamos o coronavírus economicamente está intimamente relacionada com a rapidez com que terminamos com a vacinação”.

A Comissão Europeia defendeu-se, apontando para a enorme demanda global por uma vacina. “O problema no momento não é o volume de pedidos, mas a escassez mundial de capacidade de produção”, disse a comissária de saúde Stella Kyriakides, em declarações à AFP.

Uğur Şahin, CEO da BioNTech, disse que a sua empresa está a trabalhar para aumentar a produção, mas que “não é tão rápido e simples” trabalhar na Europa como noutros lugares.

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No domingo, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que esperava ter dezenas de milhões de vacinações realizadas nos primeiros meses do ano, enquanto as autoridades em Israel disseram que dois milhões de pessoas deveriam ser vacinados até ao final de Janeiro.

Países Baixos criticados por atraso na vacinação

De acordo com a Associated Press, o Governo dos Países Baixos foi fortemente criticado na terça-feira por causa do plano de vacinação covid-19 que tem as primeiras vacinas programadas para serem administradas esta quarta-feira, tornando-o o último país da UE a iniciar a vacinação.

O primeiro-ministro Mark Rutte admitiu que o Governo se concentrou nos preparativos na vacina da AstraZeneca, que ainda não foi aprovada para uso na UE – e não na vacina produzida pela Pfizer/BioNTech.

“Isto é ultrajante”, afirmou Geert Wilders, líder do maior partido da oposição holandesa. “Não é uma estratégia, mas o caos – o caos total – e os preparativos foram pobres e tardios”, acrescentou, dizendo que a Holanda é “a aldeia idiota da Europa”.

Rutte lamentou a falta de agilidade do Governo em adaptar os preparativos. “Estou muito desapontado por estarmos duas semanas atrasados”, disse.

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As vacinações holandesas começaram esta quarta-feira, com funcionários em lares de idosos, pessoas com deficiência e profissionais de saúde da linha de frente. A enfermeira holandesa Sanna Elkadiri, de 39 anos, que trabalha numa residência onde cuida de pessoas com demência, foi a primeira pessoa a ser vacinada nos Países Baixos. “Este é o princípio do fim desta crise”, disse o ministro da Saúde.

Os Países Baixos entraram num confinamento severo em meados de Dezembro, com restrições que fecharam todas as escolas, bares, restaurantes, teatros e outros locais públicos. As taxas de infecção diminuíram nos últimos dias, mas permanecem entre as mais altas da Europa.

França muda estratégia

Tal como a maioria dos Estados-membros da UE, França começou a vacinar a sua população em 27 de Dezembro. Porém, nos primeiros seis dias da campanha de vacinação, apenas foram inoculadas 516 pessoas.

Segundo a AP, a abordagem cautelosa de França parece ter saído pela culatra, reacendendo a raiva sobre a forma como o Governo está a lidar com a pandemia.

O ministro da saúde prometeu na segunda-feira aumentar o ritmo e fez um apelo público tardio em nome da vacina, dizendo que oferece uma “hipótese” a França e o mundo para vencerem uma pandemia que já matou mais de 1,8 milhão pessoas.

Ludovic Marin / EPA
O Presidente de França, Emmanuel Macron

A lenta implantação da vacina da Pfizer/BioNTech foi atribuída à má gestão, falta de pessoal durante as férias e uma complexa política de consentimento projectada para acomodar o cepticismo incomummente amplo sobre a vacina entre o público francês.

“É um escândalo estatal”, disse Jean Rottner, presidente da região Grand-Est, no leste da França, onde as infecções estão a aumentar e alguns hospitais estão lotados. “Ser vacinado está a tornar-se mais complicado do que comprar um carro”.

OMS recomenda que 2.ª dose seja “atrasada”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou esta terça-feira que a administração da segunda dose da vacina da Pfizer-BioNTech seja “atrasada algumas semanas” em situações excepcionais, para permitir que mais pessoas possam ter acesso à primeira dose.

A recomendação resulta da reunião desta terça-feira do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização (SAGE), que reúne 26 especialistas de várias áreas e diversos países e que, nos últimos meses, tem analisado a informação sobre as vacinas contra a covid-19.

Em conferência de imprensa, o responsável do SAGE, o mexicano Alejandro Cravioto, adiantou que os especialistas recomendaram que, em circunstâncias excepcionais de fornecimento, a vacina da Pfizer-BioNTech seja administrada “entre 21 e 28 dias”. A recomendação de atrasar a segunda dose “em algumas semanas” permitiria “maximizar o número de pessoas que podem beneficiar da primeira dose” desta vacina, referiu Cravioto.

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Também esta terça-feira a Agência Europeia de Medicamentos desaconselhou adiar a segunda dose da vacina Pfizer-BioNTech além dos 42 dias, numa altura em que Alemanha e Bélgica admitem administrar a primeira dose a mais pessoas e adiar a segunda além dos 21 dias prescritos.

O organismo, que trata da avaliação técnica das vacinas na UE, destaca que “os vacinados podem não estar totalmente protegidos até sete dias após a segunda dose“, como indicou a Pfizer após os ensaios clínicos, disse à agência espanhola EFE a porta-voz da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), Sophie Labbe.

No entanto, a EMA não proíbe estender a administração da segunda dose da vacina da Pfizer contra a covid-19 até aos 42 dias.

Por Maria Campos
6 Janeiro, 2021

 

 

 

559: Nem todas as pessoas vacinadas vão ficar imunizadas, avisa DGS

 

 

SAÚDE/VACINAS/IMUNIZAÇÃO/COVID-19

Tiago Petinga / Lusa

A directora-geral da Saúde avisou esta terça-feira que nem todas as pessoas vacinadas contra a covid-19 vão ficar imunizadas, uma vez que a vacina administrada não é 100% eficaz e ainda não há imunidade de grupo.

Graças Freitas falava na habitual conferência de imprensa na Direcção-Geral da Saúde (DGS), em Lisboa, sobre a evolução da pandemia da covid-19 em Portugal.

Vacinar não quer dizer abandonar critérios de protecção“, frisou, advertindo que “nem todas” as pessoas vacinadas “vão ficar imunizadas”. “A vacina não é 100% eficaz e nós não temos ainda imunidade de grupo”, justificou.

Graça Freitas reforçou, por isso, a necessidade de se manterem medidas de protecção até se atingir a imunidade de grupo, como o uso de máscaras, a higienização das mãos, a ventilação de espaços e o distanciamento físico.

A campanha de vacinação contra a covid-19 iniciou-se em Portugal em 27 de Dezembro com a inoculação de profissionais de saúde nos hospitais.

Na segunda-feira, foi alargada aos lares de idosos.

A vacina que está a ser administrada é a do consórcio Pfizer-BioNTech, para cujo uso de emergência foi aprovada em 21 de Dezembro pela Agência Europeia do Medicamento.

Até à data foram dadas em Portugal 32 mil doses.

Em Portugal, morreram 7.286 pessoas dos 436.579 casos de infecção de covid-19 confirmados, de acordo com o boletim mais recente da DGS. O país contabilizou esta terça-feira mais 90 mortes e 4.956 novos casos de infecção pelo novo coronavírus.

Em declarações ao jornal Observador, o especialista Carlos Antunes considerou que Portugal já entrou numa terceira vaga da doença, alertando ainda que as novas infecções registadas diariamente podem “chegar a valores insuportáveis”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
6 Janeiro, 2021