248: Como um remédio da diabetes pode combater a malária

 

Sara Matos / Global Imagens

Equipa de Maria Mota, no Instituto de Medicina Molecular, descobriu “interruptor” que dita virulência do parasita. E fármaco que o afecta

O combate ao Plasmodium, parasita causador da malária, é um dos principais desafios do planeta em termos de saúde pública. Apesar dos progressos alcançados neste milénio, com quebras significativas no número de casos e de mortes, o balanço desta doença continua a ser assustador: em 2012, mais de 200 milhões pessoas tinham a doença e cerca de 627 mil morreram. Sobretudo na África subsariana e no Sul da Ásia e entre as crianças com menos de 5 anos. Não existe outro ser vivo no planeta – à excepção do próprio ser humano – tão eficaz a matar a nossa espécie.

Para alguns, a guerra contra este minúsculo inimigo, transmitido por mosquitos, tem de ser combatida sem quartel e até às últimas consequências. É o caso da Fundação Bill & Melinda Gates, que já assumiu compromissos da ordem dos dois mil milhões de euros para o combate direto à doença, acrescidos de cerca de 1,5 mil milhões para a luta combinada contra o HIV, tuberculose e malária.

O multimilionário casal de norte-americanos, donos da Microsoft, – responsável por cerca de 50% de todo o investimento nesta área -, só aceita um desfecho: um mundo livre da malária.

Mas também há quem tenha dúvidas de que uma doença espalhada por cerca de cem países, que tem relevado grande resiliência após décadas de combate, possa simplesmente ser erradicada da face da terra. Maria Mota, diretora-executiva do Instituto de Medicina Molecular (IMM) e uma das maiores especialistas mundiais nesta doença, está entre os cientistas que acreditam que as hipóteses de sucesso estão mais em tentar dominar o parasita do que em conseguir exterminá-lo.

No laboratório que lidera, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, investigadores portugueses e estrangeiros, alunos recém-licenciados e bolseiros de pós-doutoramento, trabalham unidos pelo objetivo de procurar fragilidades no Plasmodium que possam ser utilizadas para o enfraquecer e controlar.

“Tudo o que trabalhamos aqui é só malária e o nosso objetivo nunca foi desenhar uma vacina ou um fármaco contra a malária, porque o nosso projeto não é nesse sentido”, explica Maria Mota. “O nosso objetivo é, no fundo, perceber melhor o inimigo, compreendê-lo melhor.”

A frase poderia ser uma citação de A Arte da Guerra, de Sun Tzu, e a investigadora não tem problemas em assumir a analogia militar. “Se temos um exército que queremos atacar, se o entendermos, o ataque pode ser feito de forma mais funcional”.

No caso concreto, explica, “o objetivo é compreender como é que o parasita da malária vive dentro de nós, e como é que vive tão bem, o que é que ele usa de nós – porque é um parasita. Se percebermos o que é que lhe fornecemos, simplesmente podemos tratar isso”.

A dieta e o remédio da diabetes

Maria Mota não fala em abstrato. Muitas das descobertas que a sua equipa tem feito ao longo dos anos baseiam-se nesta abordagem. E uma das mais recentes, ainda em fase de investigação, poderá conter a chave para que a doença venha finalmente a ser dominada.

“Compreendemos que um parasita como a malária tem a capacidade de perceber o seu ambiente, nomeadamente o estado do hospedeiro”, conta.

Os diferentes regimes alimentares das populações afetadas e a forma como estes se relacionam com a intensidade dos casos de malária são um dos principais focos da investigação. “Ele [parasita] adapta a sua replicação e a sua virulência de acordo com o que o hospedeiro come”, conta.

Esta é uma conclusão que tem motivado alguma polémica. ” Recebi um e-mail de uma pessoa a dizer: como é que é possível estar a propor que as pessoas em África passem fome”, conta a investigadora. “Obviamente” não é isso que pretendem os investigadores. “O objetivo é perceber qual é o interruptor que permite que o parasita passe a replicar-se menos”, explica. “Se o manipularmos, conseguimos fazer que o parasita seja menos virulento e passe a ser mais atenuado”.

Unir remédios para ter sucesso

Associada a esta descoberta está outra, que deu origem a um projeto de investigação autónomo, intitulado “Reuse4malaria”, que foi recentemente apoiado com uma bolsa avançada do Conselho Europeu de Investigação. A equipa de Maria Mota já descobriu uma forma de interferir com esse interruptor. E a boa notícia é que os meios para o fazer já existem, em larga escala. “O mais engraçado é que este interruptor ou esta molécula no parasita – chamemos-lhe assim – é afetada por uma droga que já é utilizada para a diabetes, que é a metformina.” O objetivo do projeto de investigação não é usar este fármaco para eliminar a malária e sim descobrir a melhor forma de o utilizar de modo a que o parasita “se replique menos” e que, “provavelmente associado a outras terapias, acabe por matá-lo mais rapidamente”.

A ideia de não matar diretamente o parasita poderá não ser tão popular como outras abordagens mais radicais. Mas, do ponto de vista da investigadora, tem melhores hipóteses de sucesso: “O parasita provavelmente nem vai criar resistência, não vai por ali para tentar “fugir” a isto. Simplesmente vai sentir que está num ambiente diferente e vai viver de uma forma diferente, o que para nós é mais agradável.”

No entanto, a expectativa é que esta abordagem, combinada com outras terapias, possa mesmo ser um passo decisivo para eliminar a doença. “No fundo, vamos precisar das várias ferramentas que estamos a desenvolver”, diz Maria Mota ao DN. Se para a Fundação Gates o objetivo é encontrar a magic bullet que extermine o parasita de uma vez, no laboratório do Instituto de Medicina Molecular procura-se um ataque em várias frentes.

“Sabemos que este fármaco em si não vai matar o parasita. Terão de ser dadas combinações. Este fármaco com outros que matem o parasita”, assume. “Este baixa o número, não cria resistência e temos outro a seguir. Essa provavelmente poderia ser uma fórmula vencedora”, considera, ressalvando estarmos “só ainda na hipótese teórica”. O certo é que a equipa de Maria Mota já está a testar combinações, nalguns casos utilizando fármacos da mesma linha do que combate a diabetes e, noutros, recorrendo a medicamentos já existentes no mercado para combater a doença. O desafio é encontrar “a combinação perfeita”.

Diário de Notícias
investigação
07 DE AGOSTO DE 2017 | 00:01
Pedro Sousa Tavares

 

232: Alzheimer. Vem aí a primeira droga que trava a doença?

 
Credit TauRx Therapeutics

Credit TauRx Therapeutics

Um novo composto que levou 30 anos a desenvolver foi anunciado como o mais eficaz de sempre. Mas há quem esteja céptico

A LMTX, uma nova droga contra o Alzheimer para a qual já estão a decorrer ensaios clínicos em fase final, foi apresentada esta quarta–feira como “promissora” na conferência internacional da Alzheimer Association, em Toronto. “Os nossos resultados não têm precedentes, comparados com quaisquer outros”, afirmou o investigador Claude Wishik da Universidade de Aberdeen, na Escócia, e co-fundador da farmacêutica TauRx, que desenvolveu a LMTX.

Os dados são ainda preliminares, mas de acordo com Claude Wishik os doentes que foram tratados exclusivamente com aquela droga ao longo de 15 meses evidenciaram uma “redução significativa da progressão da doença”, com “retardamento do declínio cognitivo” e com resultados compatíveis nas imagens de ressonância magnética, que mostraram “uma redução entre 33% e 38% da progressão da atrofia cerebral nestes doentes”. As boas notícias, porém, acabam aqui. Tomada em combinação com outras drogas, a LMTX não mostrou qualquer efeito, o que levou muitos a olhar com alguma reserva para os dados.

“Tenho de confessar que os resultados que nos foram apresentados são sobretudo um desapontamento”, afirmou o neurologista David Knopman, da Mayo Clinic, citado no New York Times.

Os dados apresentados em Toronto por Claude Wishik foram tratados de forma oposta na imprensa britânica e americana. No Reino Unido, onde a droga foi desenvolvida nas últimas três décadas, a LMTX foi apresentada como a mais eficaz até hoje contra o Alzheimer. Nos Estados Unidos, a visão dominante foi a do desapontamento. No press release divulgado pela própria farmacêutica está escrito que “o estudo falha uma das suas metas, uma vez que a LMTX, enquanto coterapia, não mostra quaisquer benefícios”.

Mecanismos misteriosos

O ensaio clínico de fase III cujos resultados foram agora apresentados envolveu um total de 891 doentes com sintomas entre ligeiros e moderados. Durante 15 meses, o grupo maior de doentes fez uma terapia combinada com LMTX e outras drogas, um outro grupo de apenas 15 por cento dos doentes fez uma terapia só com a nova droga e um terceiro grupo tomou um placebo.

A droga só mostrou os efeitos positivos descritos por Claude Wishik no grupo de 15% dos doentes que foram exclusivamente tratados com a nova droga. Em todos os outros a doença progrediu sem retardamento visível dos sintomas.

Doença neuro-degenerativa progressiva e sem tratamento, o Alzheimer continua a ser uma doença misteriosa e, apesar das muitas drogas e progressos tantas vezes anunciados para novas terapias, até hoje nunca foi possível desenvolver um medicamento eficaz, capaz de anular as causas e os mecanismos da doença.

“Até agora só tem sido possível agir sobre os sintomas”, explica o neurologista Lopes Lima, da Universidade do Porto, sublinhando que “as drogas que existem neste momento só conseguem atrasar a perda de memória e manter mais tempo os doentes autónomos, porque a evolução da doença continua”. Em média, com esses medicamentos, há um prolongamento em 20% a 30% do período em que os doentes mantêm a qualidade de vida, o que tem que ver com o retardamento dos sintomas.

Na prática, não se conhece exactamente o mecanismo que desencadeia a doença. Os estudos mostram que há dois processos envolvidos: um deles tem que ver com a formação no cérebro de placas de uma proteína chamada beta-amilóide que destroem os neurónios; o outro envolve outra proteína, a tau, que também se acumula no cérebro com um efeito destrutivo similar. Nas últimas décadas, a busca de compostos capazes de evitar as placas da primeira das duas proteínas pareceu muitas vezes ter conseguido resultados promissores, mas eles nunca se cumpriram.

Já a farmacêutica britânica TauRx, como outras, decidiu investir na busca de um composto capaz de contrariar a acumulação das proteínas tau no cérebro. Os resultados mais recentes dessa busca foram agora divulgados. Claude Wishik diz não saber por que motivo a coterapia com a LMTX não funcionou e diz que os ensaios vão prosseguir e que haverá novos resultados no final do ano.

O neurologista Lopes Lima concorda que estes “não são ainda resultados para grandes entusiasmos”. Considera que “é importante”o facto de a ressonância magnética mostrar nos doentes tratados apenas com a LMTX “uma atrofia menos marcada” , mas mostra-se prudente: “Estamos a falar de morfologia, pode não ter um significado directo.”

Diário de Notícias
29 DE JULHO DE 2016
01:28
Filomena Naves

208: Medicamento usado para combater o colesterol aumenta risco de diabetes

 

As estatinas, que são as drogas mais utilizadas contra o colesterol, impedindo a ocorrência de doenças cardiovasculares, como a angina, enfartes ou AVC, trazem um risco: provocar diabetes.

dd12032015A conclusão é de um estudo que acompanhou 8.749 participantes ao longo de seis anos, todos homens finlandeses com idades entre os 45 e 73 anos e inicialmente não diabéticos. Foi publicado na revista científica Diabetologia, da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes.

Um pouco mais de 2.000 participantes começaram a usar estatinas, como a sinvastatina (como o Zocor), a atorvastatina (Lipitor), ou a rosuvastatina (restor).

Enquanto 11% dos pacientes que tomavam estatinas adquiriram diabetes, 5,8% dos que não tomavam (6.607) foram diagnosticados com a doença. Ou seja, as probabilidades de desenvolver diabetes é quase o dobro em quem usa Estatinas em comparação com aqueles que não as usam. Outros factores também contribuem para a diabetes, como a obesidade, histórico familiar da doença, tabaco e uso de diuréticos e betabloqueadores (que combatem a taquicardia).

Mesmo quando descontados os efeitos destas variáveis, o risco de desenvolver diabetes era 46% maior entre os que usavam Estatinas. Os investigadores ainda desconhecem por que ou como isso acontece.

In Jornal Diário Digital online
12/03/2015 | 14:21

192: Astronómico aumento de preço nos medicamentos

 

Hoje, deparei-me com uma anormalidade de tal ordem, que apenas serviu para confirmar o que já há muito vinha pensando sobre a “saúde” em Portugal: A SAÚDE É UM AUTÊNTICO NEGÓCIO! As pessoas não contam, são apenas números para estatísticas. Quem possui disponibilidade financeira, trata-se; quem não a tem, deixa-se morrer!

Vem esta minha revolta a propósito de um medicamento que hoje adquiri numa farmácia, que foi receitado pelo neurologista a minha esposa, demente de Alzheimer e com outras patologias clínicas graves e incuráveis: MEMANTINA 20mg (genérico).

A Memantina, segundo o folheto informativo que acompanha o medicamento, é um fármaco pertencente ao grupo de medicamentos anti-demência. A perda de memória associada à doença de Alzheimer, deve-se a uma perturbação dos sinais mensageiros no cérebro. O cérebro contém receptores do N-metil-D-aspartato (NDMA) envolvidos na transmissão de sinais nervosos importantes na aprendizagem e memória. Memantina pertence a um grupo de medicamentos denominados antagonistas dos receptores NDMA e actua nestes receptores, melhorando a transmissão dos sinais nervosos e a memória e é utilizada no tratamento de doentes com doença de Alzheimer moderada e grave.

Feita a apresentação deste medicamento, segue o tal NEGÓCIO DA SAÚDE que acima mencionei, ou seja, no passado dia 29 de Setembro de 2014, adquiri este fármaco ao preço de € 14,99 (€ 22,63 sem comparticipação). Um mês depois (hoje), a 30 de Outubro de 2014, o mesmo medicamento, do mesmo laboratório, foi adquirido ao preço de € 27,64 (€ 35,25 sem comparticipação).

Ou seja, no espaço de UM MÊS, um medicamento que é utilizado numa doença incurável (Alzheimer) que leva à morte prematura do paciente (não é nenhum creme de beleza, verniz ou unhas de gel), aumentou 55,77% (€ 22,63~€ 35,25) no preço de venda e 84,39% (€ 14,99~€ 27,64) (quase o dobro) no preço com comparticipação que o utente tem de pagar!

É ou não é um EXCELENTE NEGÓCIO, esta coisa de fármacos & associados??? E atenção que uma caixa de Memantina possui apenas 28 comprimidos com toma de uma unidade diária. Aqui fica a prova do que afirmei, com os recibos das farmácias.

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126: Cientistas podem ter chegado a novo medicamento para emagrecer e controlar a diabetes

 

Um grupo de investigadores alemães, norte-americanos e suecos obteve resultados significativos num estudo que empregou uma molécula sintética que imita a hormona incretina

visao31102013As incretinas naturais encontram-se no intestino e servem para estimular a produção de insulina pelo pâncreas, depois da ingestão de alimentos. No centro das conclusões apresentadas agora pelos cientistas está uma molécula artificial que imita a acção das duas principais incretinas produzidas pelo corpo humano.

Uma equipa do Centro Helmholtz de Munique, juntamente com investigadores dos EUA e Suécia, conseguiu obter bons resultados na redução de peso e controlo da diabetes, num estudo que envolveu 53 pessoas e que foi agora publicado na Science Translational Medicine, uma publicação da prestigiada Science dedicada às investigações com provável ou imediata aplicação clínica.

Para Brian Finan, que liderou o estudo, a necessidade de emagrecer vai muito além das razões estéticas, uma vez que a obesidade se apresenta cada vez mais como causa de muitas outras (e graves) doenças: Além de ser causa directa de desequilíbrios do metabolismo e da diabetes, é apontada também como factor de risco para enfartes, vários tipo de cancro e doenças degenerativas.

In Visão online
15:27 Quinta feira, 31 de Outubro de 2013

123: Nova esperança no tratamento de Alzheimer

 

Investigação

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Fármaco testado em animais pode travar Alzheimer

Cientistas britânicos conseguiram avanços significativos na prevenção e avanço de doenças degenerativas do cérebro.

Um novo fármaco, desenvolvido e testado em ratos de laboratório, foi capaz de prevenir o avanço de doenças degenerativas do cérebro. O estudo, que promete revolucionar o tratamento da doença de Alzheimer, foi publicado na revista norte-americana ‘Science Translational Medicine’.

Nos resultados divulgados por um grupo de cientistas britânico da Unidade Toxicológica do Medical Research Council’s, na Universidade de Leicester, os ratos tratados sete semanas depois de terem sido infectados não registaram qualquer perda de memória, enquanto os que foram tratados passadas nove semanas tiveram perda de memória.

cm11102013“Ficámos muitos entusiasmados quando vimos que o tratamento era capaz de travar o avanço da doença e proteger as células do cérebro, restaurando alguns comportamentos normais e prevenindo a perda de memória nos ratos”, disse Giovanna Mallucci, uma das cientistas do projeto.

In Correio da Manhã online
10/10/2013 | 18h54
Por:Tiago Viçoso

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