528: Sistema criado no Porto identifica infecção pelo novo coronavírus através de raio-X ao tórax

 

 

SAÚDE/COVID-19

Através do algoritmo desenvolvido, o sistema aprende “automaticamente as características mais relevantes da imagem para o diagnóstico” da covid-19.

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© NIKOLAY DOYCHINOV / AFP

Investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) desenvolveram, em colaboração com o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, um sistema que identifica automaticamente as características radiológicas da covid-19, foi esta quinta-feira anunciado.

Em comunicado, o instituto do Porto explica que o sistema ajuda a definir a estratégia de tratamento do doente infectado com o novo coronavírus, funcionando como uma “segunda opinião” para os radiologistas e outros clínicos não especialistas na análise de imagens de raio-x torácico.

O sistema foi desenvolvido no âmbito do projecto CXR_AI4COVID-19 e em colaboração com o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNGE) e a Administração Regional de Saúde do Norte, ao abrigo da linha ‘Research4Covid-19’ da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Citado no comunicado, o investigador do INESC TEC Aurélio Campilho afirma que as manifestações da covid-19 podem ser “detectadas com precisão quando presentes, o que motiva o uso deste tipo de ferramentas para avaliar a evolução da doença”.

“A covid-19 pode causar tosse, febre e fadiga, podendo, em alguns casos, evoluir para uma infecção severa das vias respiratórias. A radiografia convencional do tórax ajuda a aferir o grau de desenvolvimento das vias respiratórias e, consequentemente, a determinar a estratégia de acompanhamento e tratamento do paciente”, acrescenta o investigador e docente na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Através do algoritmo desenvolvido, o sistema aprende “automaticamente as características mais relevantes da imagem para o diagnóstico”, sendo que, para isso, é analisada uma grande quantidade de imagens das diferentes manifestações da covid-19.

Segundo Aurélio Campilho, a validação da aplicabilidade do sistema num ambiente de simulação clínica permitiu concluir que o mesmo “consegue aprender directamente com os radiologistas, melhorando a detecção de manifestações da covid-19”.

“Potencial de criar uma ferramenta de diagnóstico útil e poderosa na prática clínica”

Também citado no comunicado, Pedro Sousa, médico radiologista do CHVNGE, afirma que o projecto colocou “a medicina e a engenharia a caminhar lado a lado”.

“Este projecto tem o potencial de criar uma ferramenta de diagnóstico útil e poderosa na prática clínica”, refere o médico, acrescentando que neste momento está a ser avaliada a possibilidade de o sistema ser testado no CHVNG, “onde poderá contribuir como uma segunda opinião de fácil interpretação” e ajudar no combate à pandemia.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.557.814 mortos resultantes de mais de 68,2 milhões de casos de infecção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Dezembro 2020 — 13:59