635: AstraZeneca anuncia novos atrasos na entrega da vacina à União Europeia

 

 

SAÚDE/VACINAS/ASTRAZENECA

wuestenigel / Flickr

O Grupo AstraZeneca anunciou novos atrasos na entrega da sua vacina contra a covid-19 à União Europeia, invocando restrições à exportação.

Perante as dificuldades de produção, o grupo AstraZeneca decidiu utilizar as suas unidades de produção fora da União Europeia, mas “infelizmente, as restrições à exportação vão reduzir as entregas no primeiro trimestre” e “provavelmente” no segundo, segundo um porta-voz do grupo citado pela agência France Presse.

Em 29 de Janeiro, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) deu ‘luz verde’ à utilização da vacina da farmacêutica AstraZeneca contra a covid-19 na União Europeia.

Foi a terceira vacina a ser aprovada pelo regulador europeu.

A presidente da Comissão Europeia avisou na passada segunda-feira que outros países poderão seguir o exemplo de Itália e bloquear as exportações de vacinas contra a covid-19 e disse esperar um reforço na entrega no segundo semestre.

Numa entrevista a um jornal alemão, a presidente da Comissão Europeia salientou esperar que quase 100 milhões de doses por mês da vacina da covid-19 sejam entregues no segundo trimestre na UE, onde os programas de imunização estão a decorrer a um ritmo muito lento. “Esperamos uma média de quase 100 milhões de doses por mês no segundo trimestre e um total de 300 milhões até ao final de Junho”, sublinhou.

Segundo Ursula von der Leyen, a AstraZeneca continua a falhar na entrega de vacinas à UE e, até agora, entregou “menos de 10%” do volume previsto até final de Março, tal como estava no contrato assinado entre a farmacêutica e o executivo comunitário.

AstraZeneca só entregou 10% das vacinas. Depois de Itália, França e Alemanha também admitem bloquear exportações

A presidente da Comissão Europeia avisou esta segunda-feira que outros países poderão seguir o exemplo de Itália e bloquear as…

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Primeiro-ministro francês critica laboratórios por atrasos

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, criticou este sábado os laboratórios pelos atrasos na entrega de vacinas contra a covid-19, enquanto hospitais da populosa região de Paris começaram a transferir pacientes para outras zonas do país.

As declarações de Castex foram proferidas durante uma visita ao centro de vacinação em Saint-Maixent-L’Ecole (noroeste de França), numa altura em que se especula sobre um confinamento na região parisiense da Ile de France, para reduzir a disseminação do vírus e diminuir a pressão sobre as unidades de saúde.

“Temos o objectivo de ultrapassar os 10 milhões de vacinados em 15 de Abril”, sublinhou o primeiro-ministro, acrescentando que “é melhor ser cauteloso, porque os laboratórios sofreram alguns atrasos no seu prazo de entrega”.

As declarações de Castex coincidem com o anúncio de novos atrasos na entrega da vacina AstraZeneca com que o Governo francês contava para acelerar a campanha de vacinação, actualmente com cerca de cinco milhões de pessoas imunizadas, aproximadamente metade com a segunda dose.

A França ultrapassou na sexta-feira as quatro milhões de infecções pelo novo coronavírus e mantém-se o sexto país do mundo com maior número de contágios. Pela primeira vez desde Novembro, o país ultrapassou os 4.000 pacientes internados nos cuidados intensivos.

A situação dos hospitais na região parisiense, onde vivem 12 milhões de pessoas, quase 20% de toda a população francesa, continua muito crítica, com uma taxa de ocupação de quase 96% nos cuidados intensivos.O aumento do número de doentes graves levou a que começassem a ser transferidos de helicóptero pacientes para outros hospitais do país.

Os hospitais da região da capital iniciaram a suspensão de 40% das operações não urgentes, para poderem tratar os novos pacientes com covid-19.

ZAP ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Março, 2021

 

 

 

416: Segunda vaga impede mais de 12 milhões de consultas e cirurgias

 

 

SAÚDE/COVID-19

(CC0/PD) Martha Dominguez / unsplash

O cenário de uma segunda vaga em Portugal é bastante provável e prevê-se que mais de 12 milhões de consultas e cirurgias fiquem por fazer. No melhor dos cenários, serão 10 milhões.

Um estudo da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e da Ordem dos Médicos sobre o impacto da covid-19 no Serviço Nacional de Saúde (SNS) prevê que, até ao fim do ano, se a evolução da pandemia continuar assim, cerca de 12,5 milhões de consultas e cirurgias vão ficar por fazer em Portugal.

A previsão é que o acompanhamento nos centros de saúde seja o mais atingido, escreve o semanário Expresso. No melhor dos cenários, dez milhões de atendimentos e cirurgias não serão realizados. Contudo, os especialistas acreditam que é improvável que Portugal consiga resistir a uma segunda vaga.

Face à pandemia de covid-19, prestação assistencial tem diminuído drasticamente. No cenário mais optimista, as mais de 20 milhões de consultas presenciais de enfermagem ou de medicina geral e familiar realizadas em 2019 deverão cair este ano para apenas 12 milhões. Na eventualidade de uma segunda vaga, a queda será para metade.

“Devíamos ter maximizado a capacidade do SNS entre maio e Setembro para compensar a paragem de Março a Abril. Houve algum aumento na actividade mas, ainda assim, não chegou sequer perto dos valores de 2019″, critica o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço.

“Atendendo ao cenário de pandemia, que deverá agravar-se, devíamos ter feito, pelo menos, o mesmo que fizemos o ano passado, mas estivemos sempre com défice”, acrescenta.

A psicologia é a área mais atingida, seguida pela pneumologia, imuno-alergologia e otorrino. Os rastreios a cancros também vão continuar a diminuir. Ainda esta sexta-feira, António Lacerda Sales disse que o Ministério da Saúde está a “acelerar o processo” dos rastreios aos diferentes cancros.

“Para nós é uma situação muito preocupante. Se não parámos e conseguimos manter fora deste processo [Covid] os IPO [Instituto Português de Oncologia] — embora com algum decréscimo —, a nossa preocupação na área da oncologia vai exactamente para os rastreios do cancro da mama, do cancro do colo do útero e do cancro colorectal”, disse Lacerda Sales.

Devido à gripe que se avizinha durante o inverno, os próximos meses não são animadores.

“Sabemos que, em breve, vamos ter de desacelerar ou até de voltar a parar a actividade programada porque vai ser necessário cuidar de mais infectados. Ou até porque as pessoas podem voltar a temer ir aos serviços de saúde. Perdemos a janela de oportunidade que tivemos nos meses de verão e daqui para a frente vai ser muito difícil”, alerta Alexandre Lourenço.

ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2020