421: Segunda vaga pode matar menos (mesmo com novos casos a disparar)

 

 

SAÚDE/COVID-19/SEGUNDA VAGA

Mário Cruz / Lusa

Os especialistas acreditam que a segunda vaga de covid-19 em Portugal vai ser menos letal, embora o número de novos casos diários possa vir a ser “muito elevado”. Isto porque temos a lição mais bem estudada e porque os novos infectados são mais jovens.

“A letalidade será inferior, em consequência das idades das pessoas infectadas e do que os médicos aprenderam sobre a doença e os tratamentos”, considera no Expresso o professor de Epidemiologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Manuel Carmo Gomes.

Este especialista repara que “a maior lentidão no avanço deste ressurgimento deve-se ao facto de grande parte da população já ter interiorizado a utilização de recomendações de higiene, distanciamento e uso de máscaras, e também por haver uma pequena fracção de pessoas que já contactou com o vírus e terá desenvolvido imunidade“.

A média de novos casos diários anda, agora, entre os 600 e os 800, valores muito próximos dos de Março. Contudo, agora, os internamentos e as mortes estão mais baixos.

Proporcionalmente teremos menos mortos“, repara também no Expresso o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia.

A taxa de letalidade é de momento de 2,7% quando em Junho rondava os 4,4%, situando-se abaixo da verificada em países como Espanha (4,5%), França (6,7%) e Alemanha (3,6%).

“A principal explicação para a redução da mortalidade é termos menos doentes com mais idade, doença crónica cardíaca, obesidade ou diabetes”, explica ao Expresso a infecciologista do Hospital de São João, no Porto, Margarida Tavares.

“Temos mais experiência, conseguimos actuar mais cedo e conhecemos melhor a doença, as complicações cardíacas, o aumento da coagulação do sangue e do risco de enfarte cerebral, cardíaco ou de outros órgãos”, acrescenta a infecciologista.

“Este Inverno vai ser difícil”

O especialista em Saúde Pública Internacional no Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) Tiago Correia também nota, no mesmo semanário, que “temos mais respostas sobre o vírus, mais camas e ventiladores, além de um maior conhecimento dos medicamentos para controlar as vertentes mais agudas da doença”.

Estamos mais bem preparados para garantir que os internamentos não resultam em mortes”, afiança ainda Tiago Correia que diz que não está “muito preocupado com o SNS [Serviço Nacional de Saúde] nem com os casos graves de doença”.

Todavia, “haverá um número de infecções muito elevado, que exigirá enorme intervenção dos decisores políticos”, acredita o especialista em Saúde Pública.

Também Ricardo Mexia é da mesma opinião. “Este Inverno vai ser difícil. Receio que seja uma questão de tempo até a situação se degradar, em parte porque vamos deixar de conseguir proteger os mais vulneráveis como até agora”, aponta.

Há uma preocupação também por causa da gripe, pelo facto de este vírus circular em simultâneo com o vírus da covid-19. Na época de gripe 2018/2019, morreram cerca de 3 mil pessoas em Portugal por complicações relacionadas com esta doença.

Contudo, também há quem acredite que as medidas de distanciamento e de higienização implementadas por causa da covid-19 podem ajudar a reduzir a propagação da gripe.

Manuel Carmo Gomes acredita que se deve considerar o pico de 1200 internamentos verificado em Abril como uma linha vermelha do SNS que não pode ser ultrapassada.

“É possível irmos além disso sem o sistema colapsar, mas esse nível sabemos que aguentamos”, atira o professor de Epidemiologia, reparando que “a situação é mais séria” se “80% dos internamentos estiverem concentrados numa região”.

A Direcção Geral de Saúde (DGS) já anunciou que está a definir linhas vermelhas locais, com a realização de mapas regionais com o risco da infecção. Estes mapas terão em conta o número de casos nos últimos 14 dias, o Rt (o número médio de pessoas que cada infectado contagia), a capacidade hospitalar local e o tipo de surtos, como explica ao Expresso Carmo Gomes.

ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2020

 

 

416: Segunda vaga impede mais de 12 milhões de consultas e cirurgias

 

 

SAÚDE/COVID-19

(CC0/PD) Martha Dominguez / unsplash

O cenário de uma segunda vaga em Portugal é bastante provável e prevê-se que mais de 12 milhões de consultas e cirurgias fiquem por fazer. No melhor dos cenários, serão 10 milhões.

Um estudo da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e da Ordem dos Médicos sobre o impacto da covid-19 no Serviço Nacional de Saúde (SNS) prevê que, até ao fim do ano, se a evolução da pandemia continuar assim, cerca de 12,5 milhões de consultas e cirurgias vão ficar por fazer em Portugal.

A previsão é que o acompanhamento nos centros de saúde seja o mais atingido, escreve o semanário Expresso. No melhor dos cenários, dez milhões de atendimentos e cirurgias não serão realizados. Contudo, os especialistas acreditam que é improvável que Portugal consiga resistir a uma segunda vaga.

Face à pandemia de covid-19, prestação assistencial tem diminuído drasticamente. No cenário mais optimista, as mais de 20 milhões de consultas presenciais de enfermagem ou de medicina geral e familiar realizadas em 2019 deverão cair este ano para apenas 12 milhões. Na eventualidade de uma segunda vaga, a queda será para metade.

“Devíamos ter maximizado a capacidade do SNS entre maio e Setembro para compensar a paragem de Março a Abril. Houve algum aumento na actividade mas, ainda assim, não chegou sequer perto dos valores de 2019″, critica o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço.

“Atendendo ao cenário de pandemia, que deverá agravar-se, devíamos ter feito, pelo menos, o mesmo que fizemos o ano passado, mas estivemos sempre com défice”, acrescenta.

A psicologia é a área mais atingida, seguida pela pneumologia, imuno-alergologia e otorrino. Os rastreios a cancros também vão continuar a diminuir. Ainda esta sexta-feira, António Lacerda Sales disse que o Ministério da Saúde está a “acelerar o processo” dos rastreios aos diferentes cancros.

“Para nós é uma situação muito preocupante. Se não parámos e conseguimos manter fora deste processo [Covid] os IPO [Instituto Português de Oncologia] — embora com algum decréscimo —, a nossa preocupação na área da oncologia vai exactamente para os rastreios do cancro da mama, do cancro do colo do útero e do cancro colorectal”, disse Lacerda Sales.

Devido à gripe que se avizinha durante o inverno, os próximos meses não são animadores.

“Sabemos que, em breve, vamos ter de desacelerar ou até de voltar a parar a actividade programada porque vai ser necessário cuidar de mais infectados. Ou até porque as pessoas podem voltar a temer ir aos serviços de saúde. Perdemos a janela de oportunidade que tivemos nos meses de verão e daqui para a frente vai ser muito difícil”, alerta Alexandre Lourenço.

ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2020

 

 

 

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