457: Constipações sazonais podem ajudar a prevenir a covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/CONSTIPAÇÕES

tinafranklindg / Flickr

Uma nova investigação sugere que as constipações sazonais passadas podem fornecer alguma protecção contra a covid-19 e até aumentar a duração da imunidade ao vírus que provoca a doença respiratória.

O novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista mBio, é o primeiro a demonstrar que o vírus que causa a covid-19, o SARS-CoV-2, induz células B de memória no organismo do doente. Estas são células imunes de longa vida que detectam patogénicos, criam anticorpos para destruí-los e têm capacidade de os recordar no futuro.

Da próxima vez que o mesmo patogénico tentar entrar no corpo da pessoa, estas células podem entrar em acção de forma ainda mais rápida, visando eliminar a infecções ainda antes de esta proliferar, explica o portal Futurity.

Como este tipo de células pode sobreviver por décadas, estas podem proteger os sobreviventes da covid-19 de infecções posteriores por um longo período, mas são ainda necessárias mais investigações para comprová-lo.

Mas os cientistas descobriram mais: o estudo é também o primeiro a demonstrar que a reactividade cruzada das células células B – isto é, as células que antes atacaram outros coronavírus causadores de constipações, pareciam também reconhecer o SARS-CoV-2.

Esta descoberta leva os cientistas a acreditar que qualquer pessoa que tenha sido causada por um coronavírus comum pode ter algum tipo de imunidade pré-existente contra o vírus que causa a covid-19, que já matou mais de 2.000 pessoas em Portugal.

“Quando analisamos as amostras de sangue de pessoas que estavam a recuperar-se da covid-19, pareciam que muitas delas tinham um pool de células B de memória pré-existente que poderia reconhecer o SARS-CoV-2 e produzir rapidamente anticorpos que poderiam atacá-lo”, disse o autor principal do estudo, Mark Sangster, professor de microbiologia e imunologia na Universidade Médica de Rochester, nos Estados Unidos.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas compararam amostras de sangue de 26 pessoas que estavam a recuperar da covid-19 com manifestações da doença leves e moderadas com 21 doadores saudáveis cujas amostras foram recolhidas há seis ou dez anos – muito antes de serem expostas ao SARS-CoV-2.

O que a investigação não mostra é o nível de protecção dado pelas células B de memória, nem como é que estas afectam os resultados dos pacientes. “Esse é o próximo passo”, disse David Topham, professor de microbiologia e imunologia que dirige o laboratório que conduziu os procedimentos experimentais deste estudo.

E acrescenta: “Agora precisamos de ver se este pool de células B de memória pré-existentes se correlaciona com sintomas mais leves e com uma duração mais curta da doença – ou se ajuda a aumentar a eficácia das vacinas contra a covid-19″.

ZAP //

Por ZAP
9 Outubro, 2020

 

 

456: Vitamina D revela potencial no tratamento da covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/VITAMINA D

Paulo Novais / Lusa

Um novo estudo salienta o potencial da vitamina D no tratamento da covid-19. Praticamente todos os pacientes que receberam medicação com esta vitamina não foram hospitalizados nos cuidados intensivos.

Uma equipa de investigadores do Hospital Universitário Reina Sofía, em Córdoba, Espanha, dividiu em dois grupos 76 pacientes de covid-19. Enquanto um grupo recebeu um habitual cocktail de antibióticos e medicamento imunosupressores, o outro recebeu o mesmo, mas com uma pequena nuance adicional: um medicamento para aumentar os níveis de vitamina D no sangue.

No primeiro grupo, metade dos 26 pacientes acabou internado nos cuidados intensivos, sendo que dois deles acabaram por morrer. Em contrapartida, apenas um dos 50 pacientes do outro grupo foi para os cuidados intensivos. Nenhum morreu, escreve o portal Elemental.

“A vitamina D oferece suporte a uma gama de respostas imunológicas antivirais inatas ao mesmo tempo que diminui as respostas inflamatórias potencialmente prejudiciais”, explica Adrian Martineau, professor infecção respiratória e imunidade na Queen Mary University of London.

Martineau não esteve envolvido no estudo publicado este mês na revista científica The Journal of Steroid Biochemistry and Molecular Biology. No entanto, é autor de vários estudos anteriores que defendem o uso da vitamina D no tratamento de infecções virais.

No início da pandemia, outros estudos já tinham identificado uma associação entre baixos níveis de vitamina D e um maior risco de infecção pelo novo coronavírus.

As razões pelas quais a vitamina D pode ser tão benéfica são numerosas. Petre Cristian Ilie, investigador do Hospital Queen Elizabeth, no Reino Unido, diz que “a deficiência de vitamina D prejudica a capacidade de maturação dos macrófagos”. Além disso, Ilie diz que a vitamina D pode aumentar os níveis de certas enzimas celulares que ajudam a repelir o coronavírus.

“A evidência de que os baixos níveis de vitamina D são um factor de risco para a forma mais grave [de Covid-19] não é definitiva, mas muitas linhas de investigação sugerem que isso é provável”, acrescenta Ilie.

Nem todos estão tão optimistas em relação ao potencial da vitamina D, ou pelo menos, alguns especialistas ainda têm as suas reservas. Isto porque alguns estudos não encontraram associações entre baixos níveis de vitamina D e um maior risco de infecção pelo novo coronavírus.

ZAP //

Por ZAP
9 Outubro, 2020

– Uma dica? Vitamina D3 em Cápsulas -A vitamina do sol — para um bem-estar diário, independentemente do estado do tempo.

https://www.myprotein.pt/sports-nutrition/vitamina-d3-em-capsulas/10530530.html

 

455: Portugal regista mais 734 casos de covid e 13 mortes em 24 horas

 

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

O boletim epidemiológico da DGS de hoje refere ainda que estão hospitalizados 701 doentes (mais 19 do que ontem), 106 destes encontram-se nos cuidados intensivos (mais um).

Unidade de atendimento de doentes com infecções respiratórias do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
© Paulo Spranger/Global Imagens

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais 13 pessoas e foram confirmados mais 734 casos de covid-19. Segundo o boletim epidemiológico da DGS desta segunda-feira (5 de Outubro), no total, desde que a pandemia começou, registaram-se 79 885 infectados, 50 454 recuperados (mais 247) e​ 2 018 vítimas mortais no país.

Há, neste momento, 27 413 doentes portugueses activos a ser acompanhados pelas autoridades de saúde, mais 474 do que ontem.

A maior parte dos casos diagnosticados no último dia encontram-se na região de Lisboa e Vale do Tejo (mais 356 – 48,5% do total diário) e no Norte (mais 298 – 40,6%).

Seguem-se a região do Centro (mais 45 casos), a do Algarve (mais 25), o Alentejo (mais seis), a Madeira (mais três) e os Açores (mais um).

Profile photo, opens profile page on Twitter in a new tab
DGS
@DGSaude
Já se encontra disponível o relatório de situação de hoje, 5 de Outubro, que pode ser consultado integralmente em dgs.pt/em-destaque/re

#UmconselhodaDGS #sejaumagentedesaudepublica #estamoson

Desde Agosto que o número de casos diários de covid-19 tem estado a aumentar, sendo que o fim de semana que passou foi o pior desde que a pandemia chegou a Portugal, em Março: foram diagnosticadas 1867 infecções. Também nunca tinha acontecido haver dois dias seguidos com mais de 900 casos.

Sobre este crescimento “previsível”, o primeiro-ministro alertou, este domingo à noite, que “estamos exclusivamente nas nossas próprias mãos”. António Costa continua a descartar a possibilidade de um novo período de confinamento tal como aconteceu durante o estado de emergência, na primeira fase da pandemia em Portugal. “As famílias e as empresas não aguentariam”. Portanto, “se não cumprirmos [as regras] teremos situações dramáticas”, continuou o governante.

12 das 13 vítimas mortais tinham mais de 80 anos

Quanto aos 13 óbitos registados, estes distribuem-se por Lisboa e Vale do Tejo (sete), pelo Norte (três) e pelo Alentejo (um).

As vítimas mortais são seis homens (cinco com mais de 80 anos e um entre os 70 e os 79) e sete mulheres (todas com mais de 80).

A taxa de letalidade global do país é hoje de 2,53%, subindo aos 13,14% no caso das pessoas com mais de 70 anos – as principais vítimas mortais.

Mais 19 pessoas hospitalizadas

Estão internados 701 doentes, ou seja, mais 19 do que no dia anterior.

Já nos cuidados intensivos há agora 106 pessoas – mais uma do que na véspera.

O boletim da DGS de hoje indica ainda que as autoridades de saúde estão a vigiar 46 272 contactos de pessoas infectadas (menos 76 do que ontem).

Von der Leyen, Marcelo, Ferro e Costa testaram negativo para a covid

Depois de terem estado em contacto com o advogado e comentador político António Lobo Xavier, que está infectado com covid-19, durante uma reunião do Conselho de Estado, no Palácio da Cidadela em Cascais, na passada terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa, deram negativo no teste de rastreio à covid.

Apesar disto, a presidente da Comissão Europeia vai manter-se em isolamento até amanha de manhã.

Os antigos presidentes da República Jorge Sampaio e Aníbal Cavaco Silva, Francisco Pinto Balsemão, Leonor Beleza e Francisco Louçã receberam o mesmo resultado, depois de terem estado no Conselho de Estado de terça-feira.

35,4 milhões de casos em todo o mundo

O novo coronavírus já infectou mais de 35,4 milhões de pessoas no mundo inteiro até esta segunda-feira e provocou 1 042 594 mortes, segundo dados oficiais. Há agora 26,6 milhões de recuperados.

No total, os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (7 637 066) e de mortes (214 615). Em termos de número de infectados acumulados no mundo, seguem-se a Índia (6 626 291), o Brasil (4 915 289) e a Rússia (1 225 889). Portugal surge em 51.º lugar nesta tabela.

Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Brasil é a nação com mais mortes declaradas (146 375). Depois, a Índia (102 746) e o México (79 088).

Diário de Notícias

 

 

453: Depois da dexometasona, nova esperança: raloxifeno pode ajudar doentes assintomáticos

 

 

SAÚDE/COVID-19/MEDICAMENTOS

Consórcio da União Europeia diz que raloxifeno pode tratar doentes ligeiros ou assintomáticos

© EPA/Javier Etxezarreta

O consórcio Exscalate4CoV, apoiado pela União Europeia (UE), anunciou esta quinta-feira que o raloxifeno, medicamento genérico usado para tratar a osteoporose, pode ser eficaz para doentes ligeiros ou assintomáticos de covid-19, estando a testar este potencial.

“O consórcio Exscalate4CoV, financiado pela UE, anunciou hoje [quinta-feira] que o raloxifeno, um medicamento genérico já registado e utilizado no tratamento da osteoporose, poderá ser um tratamento eficaz para doentes com covid-19 sem sintomas ou que apresentem sintomas moderados”, informa o executivo comunitário em comunicado.

Em causa está o Raloxifeno Generis, um medicamento utilizado no tratamento e na prevenção da osteoporose, nomeadamente em mulheres após a menopausa.

A equipa descobriu, então, que “o raloxifeno poderá ser eficaz no bloqueio da replicação do vírus nas células, podendo assim travar a progressão da doença, em especial nos casos de detecção precoce ou assintomáticos”.

“Os investigadores indicaram que as suas vantagens incluem a elevada tolerância nos doentes, a segurança e o perfil toxicológico bem conhecido”, explica o executivo comunitário.

Este consórcio está agora “a utilizar uma plataforma de super-computação apoiada pela UE, uma das mais potentes do mundo, para verificar o eventual impacto de moléculas conhecidas na estrutura genómica do novo coronavírus”, segundo o executivo comunitário.

Ao todo, o Exscalate4CoV já testou cerca de 400 mil moléculas utilizando os seus supercomputadores e, entre estas análises, “o raloxifeno surgiu como a molécula mais promissora”.

O Exscalate4CoV junta 18 parceiros e mais 15 membros associados, tendo financiamento da UE ao abrigo do programa de investigação e inovação da UE Horizonte 2020.

O consórcio junta especialistas em inteligência artificial e computação e do sector farmacêutico, abrangendo centros de inovação em Itália, Espanha e Alemanha, bem como grandes centros de investigação, empresas farmacêuticas e institutos biológicos de toda a Europa.

Antes de avançar para ensaios clínicos, a Agência Europeia de Medicamentos vai avaliar a utilização potencial do raloxifeno e, uma vez aprovado, “o medicamento pode ser rapidamente disponibilizado em grandes quantidades e a baixo custo, ajudando assim a atenuar os efeitos de novas vagas de infecção”, adianta a Comissão Europeia.

Diário de Notícias

DN/Lusa

 

 

452: Doentes assintomáticos e infecções mortais. A diferença pode estar nos genes

 

 

SAÚDE/COVID-19/ASSINTOMÁTICOS

A resposta imunológica aos vírus não é igual para todas as pessoas, e isso está inscrito nos genes de cada um. Um grupo de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência quer identificar essas susceptibilidades para o Sars-cov-2. Este texto foi publicado originalmente no dia 17 de Maio e faz parte de um lote de trabalhos relacionados com a covid-19 que o DN está a republicar.

Os investigadores Carlos Penha Gonçalves e Jocelyne Demengeot coordenam projecto no IGC
© Gerardo Santos / Global Imagens

Tudo começou com os testes de diagnóstico para a Covid-19 há quase dois meses. Com a escalada dos casos em perspectiva, os investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) decidiram juntar-se à rede nacional de diagnóstico para a infecção pelo Sars-cov-2, como aconteceu por todo o país com outros centros de investigação biomédica e para as ciências da vida ligados às universidades e à Fundação Champalimaud.

Esse tem sido, de resto, um importante contributo no controlo da covid-19 em Portugal. A iniciativa nasceu de uma reacção espontânea da comunidade científica, e os investigadores não têm dúvidas de que esse esforço vai continuar enquanto for necessário. Mas, numa casa de ciência como o IGC, o desafio de um novo agente patogénico não tardou a traduzir-se em novas ideias de trabalho, na busca de respostas para o que ainda não se sabe sobre o vírus e a doença que ele provoca.

“Os testes de diagnóstico continuam, fazemos algumas centenas diariamente, mas as coisas acabaram por evoluir também para um estudo mais científico”, conta Carlos Penha Gonçalves, que lidera o grupo de investigação sobre genética das doenças no IGC.

“Queremos perceber quais são os factores genéticos que conduzem a uma doença mais severa ou, pelo contrário, assintomática, tanto na susceptibilidade individual à doença, como na resposta imunológica. E esta é uma oportunidade para estudar essas questões”, sublinha.

Além do novo conhecimento que se espera com esta investigação, a esperança é que ele abra também portas ao desenvolvimento de terapias inovadoras para os diferentes grupos de doentes.

O projecto, que é coordenado por Carlos Penha Gonçalves e pela especialista em imunologia Jocelyne Demengeot, líder no IGC do grupo de fisiologia dos linfócitos (células do sistema imunológico), já está a rolar. Dentro de alguns meses, lá mais para fim do ano, a equipa espera ter dados preliminares para responder a algumas destas questões.

Avaliar os profissionais na linha da frente

Quando os testes para a covid-19 se iniciaram no IGC, percebeu-se logo que uma das questões decisivas ia ser a da monitorização dos profissionais de saúde que estão na linha da frente, nos hospitais, a lidar com estes doentes. E então, naturalmente, surgiu a hipótese de os testar de forma sistemática, englobando médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos.

“Estabelecemos uma parceria com os hospitais Fernando Fonseca Amadora-Sintra e o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, que inclui os hospitais Egas Moniz, Santa Cruz e São Francisco Xavier, e numa primeira fase vamos testar mil profissionais de saúde, mas estamos a contar alargar a participação a três mil, incluindo mais hospitais públicos e privados no estudo”, adianta Jocelyne Demengeot.

A importância desta monitorização é evidente para os próprios hospitais e para o sistema de saúde: esse conhecimento permite uma gestão mais informada e racional das equipas, garantindo ao mesmo tempo maior segurança ao pessoal hospitalar e aos próprios utentes.

Mas a possibilidade de avançar no conhecimento sobre a doença e a forma como ela afecta diversamente as pessoas é a outra vertente do trabalho, que pode vir a ser decisiva também no combate à pandemia.

Os investigadores vão recolher amostras dos profissionais de saúde a cada três semanas, durante um período de pelo menos três meses, mas os coordenadores do projecto estimam que a monitorização se prolongará para lá disso. “Enquanto estivermos em situação de pandemia, e não sabemos ainda quanto tempo ela vai durar, continuaremos a recolha de amostras, embora a regularidade possa ser mais espaçada”, admite Jocelyne Demengeot.

Oeiras, 13/05/2020 – Os investigadores Jocelyne Demengeot e Carlos Penha Gonçalves que coordenam um projecto de investigação em Covid-19 no Instituto Gulbenkian de Ciência.
Jocelyne Demengeot e Carlos Penha Gonçalves
(Gerardo Santos / Global Imagens)

O projecto já se iniciou – “vamos em mais de uma centena de amostras nesta altura”, conta Penha Gonçalves – e, dentro de duas semanas, a equipa espera já ter uma primeira visão obre a taxa de infecção nos profissionais de saúde.
“Queremos perceber se o facto de estas pessoas estarem na linha da frente se traduz numa taxa de infecção mais elevada em relação ao resto da população”, explica o co-coordenador do projecto.

Será feita também uma avaliação da imunidade dos participantes, para se perceber se, não havendo infecção activa, já estiveram infectados e, em caso afirmativo, se isso deu lugar à produção de anticorpos.

“Usaremos o teste serológico desenvolvido pelo consórcio que também integrámos [o Serology4Covid] e vamos estudar os anticorpos para perceber se são neutralizantes e conferem protecção contra o vírus”, adianta Jocelyne Demengeot. Além do IGC, o Serology4Covid integra o Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, da Universidade de Lisboa, o IBET- Instituto de Biologia Celular e Tecnológica, o Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Nova Medical School (CEDOC-NMS) e o ITQB Nova, ambos da Universidade Nova de Lisboa.

A essa informação juntar-se-á depois a análise detalhada de um conjunto de 15 genes potencialmente envolvidos no processo infeccioso pelo Sars-cov-2, bem como na resposta imunitária à sua presença no organismo, para avaliar as susceptibilidades à infecção pelo vírus, e compreender os mecanismos moleculares que as determinam.

Quando a vulnerabilidade está no ADN

Uma larga maioria das pessoas infestadas, cerca de 95%, tem apenas sintomas ligeiros, ou é mesmo assintomática, mas ninguém sabe explicar porquê.

Por outro lado, cinco a 10% dos infectados desenvolvem formas mais graves da doença, que requerem hospitalização, muitas vezes nos cuidados intensivos, com necessidade respiração assistida. E uma parte destes morre.

Estas são em geral pessoas mais velhas, com mais de 70 ou 80 anos, frequentemente com patologias associadas. Mas abaixo dessas faixas etárias, as doenças crónicas, como a diabetes, problemas cardiovasculares e respiratórios, hipertensão e obesidade, são também factores de risco para infecções severas, como a curta história desta pandemia já mostrou.

E depois há pessoas mais jovens e sem doenças crónicas conhecidas que ficam gravemente doentes com este coronavírus, a maioria não tanto devido à infecção, mas por causa da resposta exacerbada do seu próprio sistema imunitário, que danifica o organismo e pode conduzir à morte. Também aqui não há ainda uma explicação satisfatória.

O palpite dos cientistas é que as diferentes reacções do organismo, e nomeadamente esta, que induz a resposta intempestiva do sistema imunitário, são determinadas pelo ADN.

“Estas vulnerabilidades, que estão inscritas nos genes de cada um de nós, só se manifestam nestas alturas, quando o organismo fica perante um agente infeccioso novo, e por isso só nestes momentos é isto pode ser estudado”, sublinha Carlos Penha Gonçalves.

Na mesma linha, Jocelyne Demengeot resume a ideia: “Temos variações genéticas que estão na base destas diferenças e é isso que queremos estudar”.

Campanha de angariação de fundos

Um processo infeccioso é um jogo complexo entre um agente patogénico e o organismo humano. O coronavírus Sars-cov-2, à semelhança de outros, usa uma proteína específica, a proteína S, como chave para entrar nas células humanas e aí iniciar o processo de infecção. Essa proteína liga-se a receptores que existem nas células, chamados ACE2, e é assim que o vírus abre a porta celular.

Por seu lado, o sistema imunitário reconhece a presença dos agentes estranhos e ensaia um contra-ataque, usando células especializadas para o fazer.

Todos estes processos são regulados por genes, que ainda não estão todos identificados.

No Instituto Gulbenkian de Ciência estão a ser feitos diariamente centenas de testes de diagnóstico para covid-19
© Gerardo Santos / Global Imagens

“Vamos estudar os genes que regulam os receptores ACE2 nas células e os que codificam a resposta imunológica. A ideia é identificar as respectivas variantes genéticas que possam estar associadas a uma maior, ou menor, severidade da doença”, explica Penha Gonçalves. E sublinha: “A nossa hipótese é que algumas das moléculas que o sistema imunológico usa para reconhecer o vírus, as citoquinas, podem exacerbar a resposta inflamatória. Vamos procurá-las e verificar se é assim”.

O objectivo é incluir também doentes no projecto, o que permitirá fazer um estudo molecular mais aprofundado, relacionando a informação genética com os dados clínicos dos participantes.

“Estamos em conversações com hospitais públicos e privados para incluir duas a três centenas de doentes no estudo. Os dados clínicos podem sugerir até outros genes para investigarmos”, adianta Penha Gonçalves.

Um dos mecanismos para os quais a equipa do IGC quer olhar em detalhe é o da resposta imunológica inata às infecções virais, que também é regulada geneticamente, e que envolve uma pequena molécula chamada interferão.
Este interferão é produzido pelas células quando elas são infectadas por um vírus e o seu papel é atrasar o processo de infecção.

A potência desta resposta, determinando uma resposta mais severa ou mais moderada do organismo, pode estar igualmente relacionada com a evolução da doença.

“Estes mecanismos são conhecidos, mas não sabemos como estão a funcionar em relação a este vírus, uma vez que eles se comportam de forma diversa face a diferentes vírus. Nós queremos verificar o que acontece neste caso”, adianta Carlos Penha Gonçalves.

Na SARS e na MERS, infecções respiratórias graves causadas por dois coronavírus surgidos em 2003 e 2013, respectivamente, observou-se em muitos doentes este fenómeno das respostas severas do sistema imunitário, e os estudos na altura pareciam indicar que este mecanismo do interferão não era decisivo nesse processo, mas acabou por não ser possível chegar a uma conclusão definitiva. Quando aquelas epidemias ficaram controladas, o financiamento para a investigação sobre elas desapareceu, e os estudos tiveram de parar – muitos deles a meio.

“Não houve investigação suficiente e é uma pena, porque não se conseguiu gerar conhecimento que nesta altura seria muito importante para nós”, lamenta Carlos Penha Gonçalves.

Agora, com o Sars-cov-2, não há outra alternativa senão mergulhar na investigação sobre o vírus e a doença. É o que os investigadores do IGC, e de muitos outros centros de investigação no país, e no mundo, estão precisamente a fazer.

“Já existe também um consórcio internacional, o Covid Human Genetic Effort, que está a fazer estes estudos genéticos relacionados com a covid-19, mas para todo o genoma, e nós também queremos participar nisso”, adianta o investigador.

O grupo coordenado por Jocelyne Demengeot e Carlos Penha Gonçalves conta para já com verbas da Fundação Gulbenkian, mas a ideia é concorrer também a financiamentos nacionais e internacionais.

A par disso, o IGC lançou uma campanha de angariação fundos para reforçar o projecto de avaliação dos profissionais de saúde para a covid-19. Chama-se “TESTAR + SALVAR + Profissionais de com Saúde”, e pode contribuir para fazer a diferença no contexto desta pandemia, que virou as nossas vidas do avesso.

Este artigo faz parte de uma série dedicada aos investigadores portugueses e apoiada por abbvie

Diário de Notícias

 

 

450: Portugal passa a barreira das 2 mil mortes no fim de semana com mais casos de covid

 

 

SAÚDE/COVID-19

O boletim epidemiológico da DGS de hoje indica que morreram mais dez pessoas por causa do novo coronavírus e foram confirmados mais 904 casos. Estão hospitalizados 682 doentes (mais 14 do que ontem), 105 destes encontram-se nos cuidados intensivos (menos um).

© Paulo Spranger/Global Imagens

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais dez pessoas, elevando assim o número total de vítimas mortais, desde o início da pandemia, para 2005. A barreira das duas mil mortes foi transposta este domingo, dia em que foram confirmadas também mais 904 infecções de covid-19 (um crescimento de 1,16% em relação ao dia anterior).

Segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) de hoje (4 de Outubro), no total, registam-se 79 151 infectados e 50 207 recuperados (mais 362).

Feitas as contas ao número de diagnósticos apurados este sábado (963 novos casos) e este domingo, constata-se que este foi o fim de semana com o maior número de infectados desde que a pandemia chegou a Portugal, em Março. No total, registaram-se 1867 infecções nestes dois dias.

Há, neste momento, 26 939 doentes portugueses activos a ser acompanhados pelas autoridades de saúde, mais 532 do que ontem.

Norte e Lisboa e Vale do Tejo com maioria das infecções e mortes

A maior parte dos casos diagnosticados no último dia encontram-se na região do Norte (mais 490 – 54,2% do total diário) e em Lisboa e Vale do Tejo (mais 316 – 34,9%).

Seguem-se a região do Centro (mais 69 casos), a do Algarve (mais 15), o Alentejo (mais 11), os Açores (mais dois) e a Madeira (mais um).

Profile photo, opens profile page on Twitter in a new tab

DGS
@DGSaude
Já se encontra disponível o relatório de situação de hoje, 4 de Outubro, que pode ser consultado integralmente em dgs.pt/…/relatorio-

Image

Quanto aos dez óbitos registados, estes distribuem-se por Lisboa e Vale do Tejo (oito) e pelo Norte (dois).

As vítimas mortais são quatro homens e seis mulheres. Cinco tinham mais 80 anos; dois tinham entre 70 e 79; outros dois entre 60 e 69 e havia um homem entre os 50 e os 59 anos.

A taxa de letalidade global do país é hoje de 2,53%, subindo aos 13,14% no caso das pessoas com mais de 70 anos – as principais vítimas mortais.

Mais 14 pessoas hospitalizadas; menos um doente grave

Estão internados 682 doentes, ou seja, mais 14 do que no dia anterior.

Já nos cuidados intensivos há agora 105 pessoas – menos uma do que na véspera.

O boletim da DGS de hoje indica ainda que as autoridades de saúde estão a vigiar 46 348 contactos de pessoas infectadas (mais 120 do que ontem).

35,1 milhões de casos em todo o mundo

O novo coronavírus já infectou mais de 35,1 milhões de pessoas no mundo inteiro até este domingo e provocou um milhão de mortes, segundo dados oficiais. Há agora 26,1 milhões de recuperados.

No total, os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (7 601 182) e de mortes (214 280). Em termos de número de infectados acumulados no mundo, seguem-se a Índia (6 553 027), o Brasil (4 906 833) e a Rússia (1 215 001). Portugal surge em 51.º lugar nesta tabela.

Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Brasil é a nação com mais mortes declaradas (146 011). Depois, a Índia (101 841) e o México (78 880).

Nas últimas 24 horas, a pandemia fez, pelo menos, 4 862 vítimas mortais e 309 093 novos casos.

Diário de Notícias

 

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...