509: Como é que o novo coronavírus sobrevive em portas e dispositivos?

 

 

CIÊNCIA/SAÚDE/COVID-19

O novo coronavírus sobrevive nas superfícies? Dois físicos indianos dizem que sim e comparam-no a lagartos e salamandras

Estudo de dois físicos indianos defende que novo coronavírus pode viver até 150 horas em superfícies de plástico
© AFP

O novo coronavírus sobrevive nas superfícies? A pergunta tem sido feita por cientistas de todo o mundo e um novo estudo vem reforçar a tese de que o SARS-CoV-2, responsável pela covid-19, pode manter-se activo durante horas ou mesmo dias. Como?

Desde a Índia, dois físicos do Instituto de Tecnologia de Bombaim, citados pelo jornal ABC, investigaram como o vírus continua contagioso quando as gotas que expelimos quando tossimos, espirramos, ou até quando falamos, tocam as mais variadas superfícies. A resposta pode estar nas finas películas líquidas que ficam quando as gotas da respiram evaporam, dizem num artigo publicado no Physics of Fluids.

“A película líquida, com espessura da ordem dos nanómetros, adere À superfície”, diz o físico Rajneesh Bhardwaj ao ABC. O cientista e o colega, Amit Agrawal, concluíram que depois de quase todo o fluido respiratório evaporar o que fica é uma película ultra-fina que adere à superfície graças às forças Van der Waals – as mesmas que explicam como os lagartos e salamandras aderem às paredes. Dependendo do material, o SARS-Cov-2 pode viver mais ou menos tempo. De poucas horas a vários dias, dizem.

Por exemplo, metal seca mais rápido mas foi sobre plásticos que as películas ultra-finas mostraram viver mais tempo, dizem os modelos criados pelos físicos para a sua teoria.

Sobre cobre o novo coronavírus pode viver entre 10 a 15 horas. Mais, umas 40 a 60 horas, sobre aço inoxidável. No vidro pode chegar às 60 ou 80 horas, mas é sobre plástico que mostra mais resistência: até 150 horas.

“A nossa maior surpresa foi que aguentasse horas”, diz o Bhardwaj. “A película nano-métrica proporciona o meio adequado para a sobrevivência do novo coronavírus. Ainda que não a possamos ver, pode durar vários dias”, defende.

A conclusão não podia, pois, ser outra: desinfectar as superfícies que se tocam com frequência, como portas ou dispositivos portáteis, dentro de hospitais e outras áreas propensas a surtos”.

Aquecer os materiais é outra recomendação dos físicos, “porque as altas temperaturas, mesmo por pouco tempo, podem ajudar a evaporar a película nano-métrica e destruir o vírus”.

Diário de Notícias
DN
25 Novembro 2020 — 13:31

 

 

351: Uso frequente de desinfectante de mãos pode aumentar a resistência antimicrobiana

 

 

SAÚDE/CORONAVÍRUS

agenciasenado / Flickr

Melhores práticas de higiene pessoal são fundamentais para evitar a disseminação do novo coronavírus. No entanto, o uso excessivo de desinfectante para as mãos pode trazer consequências.

Desde o início da pandemia de coronavírus, cientistas e governos têm aconselhado as pessoas sobre as melhores práticas de higiene para se protegerem. Esse conselho levou a um aumento significativo na venda e no uso de produtos de limpeza e desinfectantes para as mãos. Infelizmente, estas instruções raramente vêm com conselhos sobre como usá-los com responsabilidade ou sobre as consequências do uso indevido.

Mas, tal como no uso indevido de antibióticos, o uso excessivo de produtos de limpeza e desinfectantes para as mãos pode levar à resistência anti-microbiana das bactérias.

Há uma preocupação de que o uso repentino e excessivo destes produtos durante a pandemia possa levar a um aumento no número de espécies bacterianas resistentes que encontramos. Isto colocaria uma pressão maior nos nossos sistemas de saúde já em dificuldades, potencialmente levando a mais mortes. Além disso, o problema pode continuar muito depois de a pandemia actual terminar.

Anti-microbianos são importantes para a nossa saúde, já que nos ajudam a combater infecções. No entanto, alguns organismos podem mudar ou sofrer mutações após serem expostos a um anti-microbiano. Isto torna-os capazes de suportar os medicamentos projectados para matá-los.

Os processos que levam à resistência anti-microbiana são muitos e variados. Uma via é através da mutação. Algumas mutações ocorrem após o ADN da bactéria ter sido danificado. Isto pode acontecer naturalmente durante a replicação celular ou após a exposição a produtos químicos tóxicos, que danificam o ADN da célula. Outra via é se a bactéria adquire genes resistentes de outra bactéria.

Geralmente (e correctamente) associamos a resistência anti-microbiana ao uso indevido de medicamentos, como antibióticos. Isto pode aumentar a probabilidade das cepas de bactérias mais resistentes numa população sobreviverem e multiplicarem-se.

Mas as bactérias também podem adquirir resistência após o uso inadequado ou excessivo de certos produtos químicos, incluindo agentes de limpeza. Diluir agentes desinfectantes ou usá-los de forma intermitente e ineficiente pode oferecer uma vantagem de sobrevivência para as cepas mais resistentes. Em última análise, isto leva a uma maior resistência.

Os “especialistas” da Internet e das redes sociais oferecem conselhos sobre como fazer desinfectantes caseiros para as mãos que, segundo eles, podem matar o vírus. Para a maioria destes produtos, não há evidências de que sejam eficazes. Também não há consideração sobre possíveis efeitos adversos do seu uso.

Por ZAP
21 Abril, 2020

 

 

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