544: Comer um abacate por dia melhora a saúde intestinal

 

 

SAÚDE/ALIMENTAÇÃO

Tom Eversley / Canva

Comer um abacate por dia pode ajudar a melhorar a saúde intestinal, concluiu um estudo levado a cabo por cientistas da Universidade de Illinois, nos EUA.

O abacate (Persea americana) é um alimento saudável, rico em fibras dietéticas e gordura mono-insaturada. Agora, uma equipa de cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, descobriu como é que este alimento afecta os micróbios no sistema gastro-intestinal.

Em comunicado, a investigadora Sharon Thompson explicou que os cientistas já sabiam que o abacate ajuda “as pessoas a sentirem-se saciadas e a reduzir a concentração de colesterol no sangue, mas não sabíamos de que forma é que isso influencia os micróbios intestinais e os metabólitos que os microrganismos produzem”.

A equipa analisou 163 adultos saudáveis, com idades compreendidas entre os 25 e os 45 anos e com sobrepeso ou obesidade. Durante 12 semanas, cada participante teve de substituir uma das refeições por um prato preparado pelos especialistas: uns receberam refeições com um abacate, enquanto outros tiveram de comer um prato semelhante, mas sem a fruta.

Durante o período de 12 semanas, os participantes do estudo tiveram de informar a equipa sobre a sua dieta e disponibilizar amostras de sangue, urina e fezes.

Segundo o Sci-News, os resultados do estudo indicaram que quem consumiu abacates também ingeriu mais calorias. Além disso, as fezes dos participantes que ingeriram a fruta uma vez por dia apresentava mais gordura.

“Uma maior excreção de gordura significa que os participantes estavam a absorver menos energia dos alimentos que comiam. Provavelmente, tal ocorreu devido às reduções nos ácidos biliares, moléculas que nos permitem absorver gordura”, explicou Hannah Holscher, co-autora do artigo científico, publicado no Journal of Nutrition.

“Descobrimos que a quantidade de ácidos biliares nas fezes foi menor e a quantidade de gordura nas fezes foi maior no grupo que ingeriu abacate”, resumiu.

A equipa descobriu, assim, que o grupo que ingeriu abacate todos os dias tinha uma maior abundância de micróbios intestinais que quebram as fibras e produzem metabólitos que ajudam na saúde intestinal. Além disso, tinham também uma maior diversidade microbiana.

A equipa realçou ainda que o conteúdo de fibra solúvel é muito importante, já que um abacate médio fornece cerca de 12 gramas de fibra, o que ajuda a atingir a quantidade recomendada de 28 a 34 gramas de fibra por dia.

“Quando consumimos fibra, é uma vitória para os micróbios intestinais e para nós. Assim como pensamos em refeições saudáveis ​​para o coração, também precisamos de pensar em refeições saudáveis ​​para o intestino e como alimentar a microbiota”, rematou Holscher.

Por Liliana Malainho
27 Dezembro, 2020

 

 

 

532: Vinho e queijo podem ajudar a prevenir a demência (e a lutar contra a covid-19)

 

 

CIÊNCIA/SAÚDE/ALZHEIMER

vanessa lollipop / Flickr

As pessoas que comem mais queijo e consumem mais vinho, ainda que de forma moderada, podem apresentar uma maior protecção contra doenças cognitivas, como é o caso da demência ou do Alzheimer, mas também contra a covid-19.

A conclusão é de uma nova investigação da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, que analisou dados de 1.787 adultos britânicos, todos com idades compreendidas entre os 46 e os 77 anos em 2016, precisa o portal IFL Science.

Todos os participantes realizaram um Teste de Inteligência de Fluidos (FIT), que avalia as habilidades de aprendizagem e memória, entre 2006 e 2010.

Os testes de acompanhamento foram realizados de 2012 a 2013 e novamente entre 2015 e 2016, permitindo aos cientistas rastrear as mudanças nas capacidades cognitivas dos participantes ao longo de um período de dez anos.

Ao longo deste período, os participantes também responderam a questões sobre a sua alimentação, fornecendo informações sobre a ingestão diária de 49 alimentos integrais diferente, incluindo frutas, verduras, peixes, carnes e lacticínios, bem como bebidas alcoólicas como vinho, cerveja e cidra.

Em comunicado, o autor principal do estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializado Journal of Alzheimer’s Disease, disse ter ficado agradavelmente surpreso com os resultados.

“Fiquei agradavelmente surpresos pelos nosso resultados sugerirem que comer queijo com responsabilidade e beber vinho tinto diariamente não são bons apenas para nos ajudar a lidar com a actual pandemia de covid-19, mas também para lidar com um mundo cada vez mais complexo”, explicou, citado na mesma nota.

Apesar dos resultados, o especialista enfatiza que são necessários mais estudos.

“Embora tenhamos levado em conta se estes resultados se relacionavam apenas com aquilo que pessoas mais ricas comem e bebem, são necessários mais ensaios clínicos para determinar se mudanças fáceis na nossa dieta podem ajudar os nossos cérebros de forma significativa”, continuou, acrescentando: “Dependendo dos factores genéticos que carregam, alguns indivíduos parecem estar mais protegidos dos efeitos do Alzheimer, enquanto outros parecem estar em maior risco”.

Por isso, concluiu, é crucial continuar com a investigação neste campo para apurar o papel das dieta alimentar no declínio cognitivo e nas doenças que provocam.

“Dito isto, acredito que as escolhas alimentares certas podem prevenir a doença e o declínio cognitivo como um todo. Talvez a solução definitiva que estamos a procurar seja a forma como comemos. Descobrir o que isso acarreta contribuiu para uma melhor compreensão do Alzheimer e coloca a doença numa trajectória reversa”.

ZAP //

Por ZAP
17 Dezembro, 2020

 

 

531: Nova dieta mediterrânica pode ser melhor do que a original

 

 

CIÊNCIA/SAÚDE/DIETA MEDITERRÂNICA

mealmakeovermoms / Flickr
Dieta mediterrânica à moda antiga

Os resultados de um novo estudo sugerem que uma nova versão da dieta mediterrânica pode ter ainda mais benefícios para a saúde do que a original.

Classificada como Património Mundial e Imaterial da Humanidade pela UNESCO, a dieta mediterrânica é considerada um dos padrões alimentares mais saudáveis do mundo e conta com um conjunto de conhecimentos, práticas e tradições partilhadas por muitos países do Mediterrâneo.

Os benefícios desta dieta para a saúde são bem conhecidos. Agora, um novo estudo sugere que a restrição adicional de carne e um aumento paralelo do consumo de vegetais ricos em proteínas pode beneficiar ainda mais o estado cardio-metabólico e reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

“A dieta mediterrânica, baseada no maior consumo de alimentos vegetais, provou ser melhor do que a dieta com baixo teor de gordura amplamente recomendada para a redução do risco cardio-metabólico e prevenção de doenças cardiovasculares”, disse Gal Tsaban, investigador na Universidade Ben-Gurion.

Os cientistas procuraram descobrir se uma versão mais ‘verde’ da dieta mediterrânica, com mais nozes e chá verde, e com menos carnes, poderia ser ainda melhor para a saúde, escreve o portal Sci-News.

Os voluntários foram divididos em três grupos: o primeiro recebeu orientações sobre como aumentar a actividade física e orientações básicas para alcançar uma alimentação saudável; o segundo recebeu ainda conselhos sobre como seguir uma dieta mediterrânica tradicional com restrição calórica; e o terceiro recebeu aconselhamento sobre como seguir uma versão ‘verde’ com restrição calórica semelhante da dieta mediterrânica.

Os resultados foram esclarecedores. Os voluntários que estavam em ambos os tipos de dieta mediterrânica perderam mais peso. A dieta saudável fez perder, em média, 1,5 kg; a dieta mediterrânica clássica fez perder 5,4 kg; e a dieta mediterrânica ‘verde’ fez perder 6,2 kg.

O grupo da dieta mediterrânica ‘verde’ alcançou perdas maiores no chamado colesterol “mau”, chegando aos 6,1 mg/dl, uma redução de quase 4%.

Os investigadores constataram ainda melhorias em factores de risco cardiovascular e metabólico dos voluntários que seguiram a nova versão da dieta mediterrânica. Verificou-se uma diminuição da tensão arterial, resistência à insulina e um importante marcador de inflamação, a proteína C reactiva. Além disso, a proporção de colesterol “bom” para colesterol “mau” também aumentou.

“As nossas descobertas sugerem que a restrição adicional da ingestão de carne com um aumento paralelo de alimentos ricos em proteínas à base de plantas pode beneficiar ainda mais o estado cardio-metabólico e reduzir o risco cardiovascular, além dos efeitos benéficos conhecidos da dieta mediterrânea tradicional”, escrevem os autores.

Os resultados do estudo foram publicados, este mês, na revista científica Heart.

ZAP //

Por ZAP
16 Dezembro, 2020

 

 

525: Alimentos como uvas, chocolate negro ou chá verde podem bloquear a principal enzima do SARS-CoV-2

 

 

SAÚDE/ALIMENTAÇÃO

JillWellington / Pixabay

De acordo com um novo estudo, compostos químicos presentes em alimentos ou bebidas como chá verde, uvas e chocolate negro, podem ligar-se e bloquear a função de uma enzima específica, ou protease, do vírus SARS-CoV-2.

De acordo com De-Yu Xie, autor do estudo publicado no Frontiers in Plant Science, as proteases são importantes para a saúde e a viabilidade das células e vírus. Se estas forem inibidas, as células não podem realizar muitas das suas funções importantes – como a replicação, por exemplo.

“Um dos focos da nossa pesquisa é encontrar nutracêuticos em alimentos ou plantas medicinais que inibam a forma como o vírus se liga às células humanas, ou a propagação do vírus em células humanas”, refere Xie.

Para o estudo, os investigadores realizaram simulações de computador e estudos de laboratório. Assim, a equipa mostrou como a chamada “protease principal” (Mpro) no vírus SARS-CoV-2 reagiu, quando foi confrontada com uma série de diferentes compostos químicos vegetais já conhecidos pelo seu poder anti-inflamatório e anti-oxidante.

“O Mpro no SARS-CoV-2 é necessário para que o vírus se replique e se reúna. Se pudermos inibir ou desactivar essa protease, o vírus irá morrer“, explica o autor do estudo.

As simulações de computador mostraram que os compostos químicos presentes em chá verde, em duas variedades de uvas muscadine, e em cacau em pó e chocolate negro, podem ligar-se a diferentes porções do Mpro.

“O Mpro tem uma parte que é como uma “bolsa” que foi “preenchida” pelos compostos químicos”, explica Xie, acrescentando que, durante o processo de análise, “quando esta bolsa foi preenchida, a protease perdeu a sua importante função”.

As experiências de laboratório mostraram resultados semelhantes, pois os compostos químicos presentes no chá verde e nas uvas inibiram a função do Mpro.

No caso dos compostos químicos do cacau em pó e do chocolate amargo, estes reduziram a actividade do Mpro a mais de metade, refere o Futurity.

ZAP //

Por ZAP
9 Dezembro, 2020

 

 

493: Comer alimentos picantes reduz risco de morte prematura em 25%

 

 

SAÚDE/ALIMENTAÇÃO

Hans / Pixabay

Os indivíduos que consomem alimentos picantes, sobretudo malagueta, podem viver mais e ter um risco significativamente reduzido de morrer de doenças cardiovasculares ou cancro, de acordo com uma pesquisa que será apresentada nas American Heart Association’s Scientific Sessions 2020.

De acordo com uma pesquisa levada a cabo por investigadores norte-americanos, divulgada no Science Daily, a ingestão abundante do ingrediente picante pode reduzir o risco de morte precoce em 25%.

A investigação revela que os consumidores frequentes apresentam uma predisposição entre 26 a 23% menor de morrerem vítimas de doenças cardiovasculares ou de cancro, respectivamente.

Para analisar os efeitos da malagueta na mortalidade, os cientistas analisaram 4.729 estudos de cinco bancos de dados de saúde globais (Ovid, Cochrane, Medline, Embase e Scopus). Os registos de saúde e dieta de mais de 570.000 indivíduos nos Estados Unidos, Itália, China e Irão foram usados para comparar os resultados daqueles que consumiram malagueta com aqueles que raramente ou nunca comeram.

O estudo descobriu que as pessoas que comiam malagueta tinham uma redução relativa de 26% na mortalidade cardiovascular; de 23% na mortalidade por cancro; e de 25% na mortalidade por todas as causas.

“Ficamos surpreendidos ao descobrir que, nestes estudos já publicados, o consumo regular de malagueta foi associado a uma redução geral do risco de morte por todas as causas, doenças cardiovasculares e cancro”, reagiu o autor Bo Xu, cardiologista da Cleveland Clinic’s Heart, Vascular & Thoracic Institute em Cleveland, Ohio.

As razões e os mecanismos que explicam esta descoberta são, no entanto, desconhecidos.

ZAP //

Por ZAP
14 Novembro, 2020

 

 

478: Prevenir uma futura pandemia pode estar dependente de apenas três medidas (e podem ser aplicadas já)

 

SAÚDE/PANDEMIAS/PREVENÇÃO

Stolz, Gary M./ Wikimedia

Até 70% das doenças infecciosas que surgiram nos humanos nos últimos 30 anos tiveram origem em animais e foram causadas por patogénicos originados em animais domésticos ou selvagens. Agora, um relatório lança aos princípios básicos para prevenir uma pandemia futura.

Apesar dos números alarmantes, as pandemias não ocorrem com frequência, até pelo contrário, são raras. Contudo, em plena pandemia de covid-19 é importante que a população tenha noção destes perigos e pare de ignorar a potencial ameaça de doenças que se propagam da vida selvagem para os humanos.

Como já mostraram os surtos de doenças como a covid-19, Ébola ou VIH, os custos de lidar com os riscos são menores em comparação com o impacto que as pandemias podem ter nas vidas humanas e na economia mundial. À medida que as pessoas prejudicam os habitats naturais e intensificam a produção e o comércio de gado, o planeta corre cada vez mais o risco de surgimento de mais surtos.

Segundo Julia E. Fa, professora de biodiversidade e desenvolvimento humano na Manchester Metropolitan University, é possível prevenir, detectar e responder a futuras pandemias. O principal campo de batalha é o comércio de carne selvagem.

Num novo relatório apresentado durante a Conferência da Paisagem Global, foram analisados os conhecimentos mais recentes, e os investigadores presentes deixaram algumas recomendações sobre como a população estar um passo à frente da próxima pandemia. Para estes especialistas, um princípio básico de combate a possíveis pandemias passa por reduzir a venda de carnes provenientes de animais selvagens.

De acordo com o documento apresentado, quando a população urbana tem acesso carne selvagem, não são só as populações de animais que tendem a esgotar-se, é também provável que pelo menos uma pessoa que as consome seja infectada por um patogénico de origem selvagem, acabando depois por transmitir a doença ao resto da população.

Contudo, para reduzir a procura de carne selvagem nas cidades é preciso convencer as pessoas de que a carne selvagem é perigosa, e explicar-lhes que existem outras fontes alternativas de proteína, como frango e outras carnes domésticas.

Na opinião dos especialistas, nas regiões onde este comércio é legal, deveriam ser impostas proibições na venda de animais selvagens vivos. As proibições deviam ter como alvo animais que apresentam maior risco: morcegos, roedores e primatas.

Outra forma de diminuir as possibilidades da população mundial voltar a passar por uma pandemia seria dar ouvidos a especialistas em vida selvagem. Como se sabe a saúde humana, animal e ambiental estão intimamente conectadas. Médicos e veterinários discutem como prevenir os surtos e trabalham em conjunto para arranjar soluções.

No entanto, o relatório apresentado defende que é importante ter a colaboração de biólogos e pessoas que trabalham nos sectores de silvicultura, vida selvagem e meio ambiente, como é o caso dos guardas florestais.

Actualmente, os sistemas de rastreamento de patogénicos emergentes no comércio de carne selvagem são quase inexistentes. “Apenas analisando de forma sustentável os habitats, avaliando-os quanto aos riscos de doenças de vários ângulos e controlando o comércio de vida selvagem, se pode esperar um progresso nas questões de saúde pública”, afirma Julia E. Fa.

Por fim, outra medida eficaz seria melhorar a legislação. Segundo o documento, isto significa regulamentar a prática na vida selvagem e, ao mesmo tempo, garantir que milhões de pessoas que dependem da carne selvagem para sobreviver tenham alternativas às quais recorrer.

No relatório também é realçada a importância de introduzir uma legislação, caso o comércio permaneça, que torne esta actividade o mais higiénica possível.

De acordo com o The Conversation, o mundo está a enfrentar uma situação de mudança que exige que cada país se adapte e se prepare para futuras pandemias. Estas medidas globais podem ajudar a população a entender melhor porque é que as doenças infecciosas surgem, e como detê-las.

ZAP //

Por ZAP
30 Outubro, 2020

 

 

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