403: FOTOVID: Terapia inovadora portuguesa elimina o vírus em segundos

 

 

SAÚDE/COVID-19

O combate à COVID-19 precisa urgentemente de soluções. Pelo mundo as equipas de investigadores desdobram-se em análises e estudos, mas até ao momento, ainda não existe nenhuma solução eficaz.

Da Universidade de Coimbra, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e duas empresas chega-nos agora a informação de uma terapia inovadora com objectivo a eliminar o vírus em segundos.

FOTOVID: O objectivo é eliminar o vírus logo na “porta de entrada” no organismo….

Denominado de FOTOVID, o projecto pretende eliminar o vírus SARS-CoV-2, responsável pela doença de COVID-19, “logo na principal ‘porta de entrada’ no organismo, isto é, nas fossas nasais, usando a terapia foto-dinâmica”, afirma a Universidade de Coimbra (UC), numa nota enviada hoje à agência Lusa.

De acordo com os responsáveis pelo consórcio, o FOTOVID assenta no “conhecimento recente de que o SARS-CoV-2 se associa a uma proteína preferencialmente presente nas cavidades nasais, onde se cria um reservatório de vírus responsável pela transmissão da doença e generalização da infecção. A inactivação dos vírus presentes nas cavidades nasais nas fases iniciais da doença COVID-19 poderá acelerar o tratamento, permitir que apenas se manifestem as formas mais benignas da doença e contribuir para impedir a propagação da pandemia”.

Esta terapia inovadora capaz de matar o vírus, tem como base uma tecnologia de desinfecção nasal criada pela empresa canadiana parceira no projecto, que já é utilizada em todo o mundo para eliminar bactérias multi-resistentes.

Luís Arnaut da Universidade de Coimbra, um dos cientistas envolvidos na investigação, refere que…

Esta é a inovação do projecto, pois a tecnologia nunca foi aplicada na inactivação de vírus.

Estamos a propor um procedimento já com elevado grau de sofisticação, que já demonstrou ser eficaz na desinfecção de fossas nasais, mesmo para bactérias multi-resistentes onde as alternativas terapêuticas existentes falham sempre, ou seja, tem sido possível fazer a inactivação de bactérias multi-resistentes com a terapia foto-dinâmica

Este elevado grau de sofisticação faz prever o maior sucesso da terapia para combater a COVID-19

A terapia foto-dinâmica é um tratamento não invasivo, rápido (pode durar apenas alguns segundos) e de baixo custo. Os responsáveis do projecto defendem que esta tecnologia tem como objectivo ser a primeira opção terapêutica, eliminando o vírus numa fase muito inicial e impedindo, deste modo, a evolução da doença para fases mais graves.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
23 Set 2020

 

402: COVID-19: Veja no Google Maps por onde anda esta doença

 

 

SAÚDE/COVID-19/GOOGLE MAPS

A COVID-19 parece não estar a abrandar nem a dar a tréguas. A cada dia surgem novos casos e novas áreas do nosso país onde esta doença se está a propagar e a fazer as suas vítimas. Para ajudar ainda mais os seus utilizadores, a Google tem agora uma novidade.

Conforme tem sido visto, a gigante das pesquisas tem certamente procurado usar os seus serviços para propagar os utilizadores. Agora, e para ajudar ainda mais, o Maps passou a mostrar informação sobre a COVID-19 directamente nas áreas do mapa onde o utilizador está ou vai visitar.

Google Maps tem informação sobre a COVID-19

O Google Maps tem sido um dos locais onde a gigante das pesquisas mais tem concentrado a informação que disponibiliza sobre a COVID-19. Os exemplos a que podemos hoje ter acesso revelam sobretudo os locais dos testes e até o acesso aos profissionais de saúde. Há também igualmente informação sobre restaurantes e os seus novos horários.

Agora, e para dar ainda mais informação, a tecnológica resolveu criar uma nova camada de informação. Esta vai revelar os dados sobre as áreas do mapa e o estado da disseminação da COVID-19. Usando um esquema de cores, revela se é ou não uma zona problemática.

Informação útil para os utilizadores

Para dar essa informação aos utilizadores, a Google deu mais uma camada ao Maps. Assim, basta carregar no ícone para adicionar uma camada e vão encontrar a novidade. Chama-se COVID-19 e vai estar na área de detalhes do mapa. Desta forma pode ser chamado apenas quando for necessário.

Ao ser activado, vai de imediato mostrar dados sobre as áreas presentes no mapa. Esta vai ser representada por cores, do vermelho para o verde, das zonas mais problemáticas para as menos críticas.

Dados das áreas mais problemáticas

Há igualmente informação sobre o número de casos activos que essa zona tem presente, numa média dos últimos 7 dias. Para ajudar os utilizadores, revela ainda a fonte da informação que está a ser mostrada.

Esta informação está aparentemente já disponível para os utilizadores, mas a Google revela que irá alargar o acesso nas próximas semanas. Esta será igualmente uma novidade que estará disponível para Android e para iOS desde o primeiro momento. Usem esta informação e protejam-se, ao saber principalmente para onde vão e como está a presença da COVID-19 na área.

Google Maps vai adicionar dados sobre novos casos de COVID-19

A informação é meio caminho andado para que uma pandemia como esta possa ser melhor controlada. Segundo as informações, uma nova ferramenta no Google Maps vai exibir a quantidade de novos casos de COVID-19 … Continue a ler Google Maps vai adicionar dados sobre novos casos de COVID-19

Autor: Pedro Simões
23 Set 2020

 

401: Mais 802 novos casos e três mortes nas últimas 24 horas. Portugal tem 285 casos activos, 45% a norte

 

 

SAÚDE/COVID-19/PANDEMIA

O boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde indica que o número de internamentos continua a aumentar. Há agora 571 pessoas hospitalizadas (mais 25 do que na terça-feira), das quais 77 em unidades de cuidados intensivos.

© JOSÉ COELHO/LUSA

Há mais 802 novos casos confirmados de covid-19 (um crescimento de 1,15%) e três mortes em Portugal nas últimas 24 horas, de acordo com os dados do boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS), divulgado esta quarta-feira (23 de Setembro). No total, desde que a pandemia começou, o país registou 70.465 diagnósticos de covid-19 e 1.928 óbitos.

Há mais 25 pessoas internadas, o que eleva para 571 o número total de doentes hospitalizados, sendo que 77 estão em unidades de cuidados intensivos (mais sete face a terça-feira).

Os dados da DGS indicam que há mais 316 pessoas recuperadas da doença, num total de 46.290.

À data de hoje, Portugal tem 22.247 casos activos de covid-19, mais 483 do que na terça-feira.

Lisboa e Vale do Tejo tem mais de metade das novas infecções, com 437 novos casos reportados no boletim epidemiológico da autoridade da saúde, o que representa 54,5% do total nacional.

O Norte apresenta mais 240 diagnósticos de covid-19, o Centro regista mais 73 casos, o Alentejo mais 19 e no Algarve há mais 28 novas infecções. Há ainda mais dois casos na Madeira e três nos Açores.

285 surtos activos em Portugal

Existem 285 surtos activos no país, informou a ministra da Saúde, Marta Temido, durante a conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia em Portugal. Há 129 surtos no Norte (o que representa 45% do total) , 27 no Centro, 90 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 15 no Alentejo e 24 no Algarve.

O RT (índice de transmissibilidade) para o período de 14 a 18 de Setembro situa-se nos 1.11, sendo que a média diária de novos casos nos últimos dias é de 725, disse ainda Marta Temido.

Os três óbitos reportados nas últimas 24 horas ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo. As vítimas mortais tinham mais de 80 anos.

A taxa de letalidade global é de 2,7%, afirmou a ministra da Saúde, Marta Temido.

O relatório da DGS indica também que há 40.765 pessoas em vigilância pelas autoridades de saúde, mais 347 face ao dia anterior.

Arruda dos Vinhos recomenda utilização de máscara na rua

Devido ao “aumento gradual de novos casos de contágio da doença nas últimas semanas” e ao início do ano letivo, A Câmara de Arruda dos Vinhos, no distrito de Lisboa, recomendou o uso de máscara na rua para prevenir o risco de contágio da covid-19 e encerrou parques infantis e campos de jogos no concelho.

Em comunicado, a autarquia recomendou “o uso de máscara na via pública e em espaços ao ar livre, em locais movimentados com base na aplicação do princípio da prevenção em saúde pública e como medida adicional de protecção individual e colectiva”.

O município determinou ainda o encerramento de parques infantis, campos de jogos e pavilhões desportivos.

Entre as recomendações está também a não concentração de pessoas na via pública e a sua dispersão quando forem mais de 10, salvo se pertencerem ao mesmo agregado familiar.

Desde o início da pandemia, Arruda dos Vinhos contabiliza 88 casos de infecção, dos quais 46 estão activos, registando-se ainda dois mortos, de acordo com o último boletim epidemiológico da Comunidade Inter-municipal do Oeste.

Mais de 31 milhões de infectados em todo o mundo

A pandemia do novo coronavírus já infectou mais de 31,6 milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo mais de cinco milhões na Europa, segundo um balanço da agência AFP baseado em dados oficiais.

De acordo com o balanço da agência francesa de notícias, esta quarta-feira às 11:00 TMG (12.00 em Lisboa), a pandemia de covid-19 matou pelo menos 971.677 pessoas em todo o mundo desde que surgiu em Dezembro de 2019 na China. Pelo menos 21.641.500 pessoas foram consideradas curadas.

Na Europa, há 5.000.421 casos e 227.130 mortes, dos quais mais de metade são na Rússia (1.122.241 infecções, 19.799 mortes), Espanha (682.267 casos, 30.904 mortes), França (502.541 casos, 31.416 óbitos) e Reino Unido (403.551 casos, 41.825 óbitos)

Com Lusa.
Diário de Notícias
Susete Henriques
23 Setembro 2020 — 14:41

– Enquanto não existirem 🍅🍅🍅🍅 para colocarem esta gajada na ordem, a Pandemia vai continuar a aumentar diariamente, com INFECTADOS e MORTOS. Reparem na imagem seguinte e a rebaldaria da não utilização de máscara, além do não cumprimento do DISTANCIAMENTO SOCIAL.

E não me refiro apenas aos jovens mas à velhada intelectualóide, que continua a fazer a sua vidinha “social” sem que sejam interceptados pelas autoridades competentes e ainda se gabam de publicar as façanhas no Facebook. Portugal é um verdadeiro país do deixa-andar, habitado por gentinha sem carácter, sem vergonha, imbecil, hipócrita, cínica, que apenas pensa no seu bem estar e os outros que se lixem…

 

400: Cientistas desenvolvem adesivo para verificar (sem dor) níveis de glicose

 

 

SAÚDE/DIABETES

(dr) Institute of Industrial Science / University of Tokyo

Cientistas desenvolveram um sensor que dizem poder penetrar a pele, sem dor associada, para conduzir testes de diagnóstico para condições de saúde como pré-diabetes.

De acordo com o site Science Alert, a equipa de cientistas investigou como fazer uma matriz de micro-agulhas que pudesse analisar rápida e facilmente o fluido intersticial (ISF) na epiderme.

“Desenvolvemos uma forma de combinar micro-agulhas porosas com sensores baseados em papel. O resultado final é barato, descartável e não requer instrumentos adicionais”, declarou Beomjoon Kim, líder do estudo e investigador da Universidade de Tóquio, no Japão.

Para fazer este sensor, os investigadores derramaram uma mistura derretida de um polímero bio-degradável e sal em cavidades em forma de cone. Depois de solidificadas, as micro-agulhas foram tratadas com uma solução que as deixou porosas, removendo o conteúdo de sal. De seguida, foram fixadas num pequeno pedaço de papel preso a um sensor de glicose – algo que a equipa afirma nunca ter sido feito antes.

Segundo o mesmo site, a ideia é que, quando as minúsculas pontas porosas são injectadas na epiderme, os seus poros abertos absorvam o líquido do fluido intersticial, que contém muitos bio-marcadores.

Na configuração experimental da equipa, o bio-marcador previsto é a glicose, que teoricamente fluiria das micro-agulhas porosas para o papel e, de seguida, para o sensor de glicose.

Até agora, este instrumento só foi testado em laboratório num gel feito de agarose, mas as micro-agulhas funcionaram conforme o esperado, com o sensor a detectar os níveis de glicose na amostra do gel. Os cientistas pretendem, em breve, conduzir experimentos com participantes humanos.

As conclusões do estudo foram publicadas, no mês de Agosto, na revista científica Medical Devices & Sensors.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2020

 

399: Fátima. A única unidade de cuidados continuados do país para pessoas com demência

 

SAÚDE/ALZHEIMER

Tem o nome de Bento XVI e é a única unidade de cuidados continuados vocacionada para doentes com demência, onde se destaca a doença de Alzheimer. São cerca de 120 vagas que estão sempre lotadas. A maioria dos doentes chega da Grande Lisboa e quando termina o programa de reabilitação, não tem para onde voltar. Manuel Caldas de Almeida, director clínico e responsável da União das Misericórdias pela unidade, sonha agora com um Lar ou Residência que dê continuidade ao trabalho iniciado há sete anos.

É um edifício triangular, amplo, pensado para que quem o habita (mesmo que temporariamente) possa deambular livremente, e sentir que não está preso. A Unidade de Cuidados Continuados (UCC) Bento XVI é a única do país preparada para receber pessoas com demência, sendo que se destaca a doença de Alzheimer.

Manuel Caldas de Almeida, médico e vice-presidente do secretariado nacional da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), proprietária do espaço, em Fátima, chama-lhe “a cereja no topo do bolo” de um projecto mais alargado – o projecto Vidas. “A certa altura nós começámos a perceber que havia muitas pessoas com demência não só na população em geral – são hoje à volta de 200 mil, com tendência a crescer bastante – como também nos nosso lares, nos nossos centros de dia, e até nos apoios domiciliários tínhamos cada vez mais população nesse registo. E não tínhamos respostas organizadas para isso. Porque os lares, na sua maioria, não foram feitos para ter pessoas com demência. E o nosso pessoal não tinha formação”.

Ao princípio, a UMP necessitava de um diagnóstico mais preciso. Com o apoio de duas universidades, estudou a realidade de 25 lares que fossem representativos de todo o território nacional. Um conjunto de psicólogos fez um inquérito que respondesse às dúvidas, auxiliado por dois neurologistas. Desse trabalho foi possível retirar conclusões importantes: a maioria da população dos lares tem mais de 80 anos e cada um dos utentes sofre de duas ou mais doenças crónicas, e cerca de 85% tem dependência física, necessitando de terceiros para fazer a sua higiene ou alimentar-se, por exemplo.

“Isto permite-nos concluir que a população dos lares, hoje, não tem nada a ver com aquela para a qual os lares foram feitos”, diz ao DN o responsável da UCC, onde actualmente, por razões de ordem sanitária, estão vedadas as visitas de elementos externos.

Mas nesse estudo, houve um outro dado preocupante: 78% da população dos lares manifestava um défice cognitivo. E desses, 50% tinha demência.

“Esses resultados estiveram na origem de várias exposições aos Ministérios da Saúde e da Segurança Social, a quem nunca ligou nenhuma”, lembra Caldas de Almeida, enquanto sublinha que essa realidade veio agora “revelar-se dramática, em tempo de pandemia”. “Há anos que vínhamos a alertar para a situação dos lares, para necessidade de terem médico, serviços vários a quem nunca ninguém ligou”.

O caminho da formação

Recuando a 2013. Ainda antes de inaugurar a UCC, a 7 de Dezembro, num investimento superior a quatro milhões de euros, era preciso formar todo o pessoal dos lares. Este responsável acredita que hoje o panorama é consideravelmente diferente, depois de levado a cabo o programa Largo – que privilegiou a formação para dirigentes, técnicos e ajudantes de Lar. No caso dos últimos – que se revelam tantas vezes os primeiros, no grau de importância relacional – recorda que está provado internacionalmente que uma boa relação com a pessoa mais próxima “evita, sem farmacologia, as reacções secundárias da doença: agitação, agressividade e ansiedade”. Foi assim que nasceu a Unidade Bento XVI, respondendo ao apelo antigo das Misericórdias que ansiavam por um lugar “onde tratar os casos mais complicados, e também onde dar formação ao pessoal”.

Nos últimos sete anos o caminho faz-se com outro auxílio, no que toca às demências. A UMP sabia que o espaço tinha de ser cuidadosamente cuidado, desde a arquitectura ao design, passando pela decoração. E por isso constituiu uma equipa multidisciplinar, que envolveu uma arquitecta, uma terapeuta ocupacional, uma neuro-psicóloga, entre outras, e daí resultou um espécie de modelo-base que se aconselha como o mínimo, num espaço/lar para pessoas com demência. “A boa notícia é que a maioria dos lares, construídos nos últimos anos, consegue fazer uma adaptação mínima às necessidades das pessoas com demência”. De resto, o médico geriatra lembra que é preciso “separar as pessoas com das pessoas sem demência, na fase final”. Muitas acabam por ser recebidas na UCC Bento XVI.

Maioria dos doentes vem da Grande Lisboa

A maioria dos utentes chega da região de Lisboa e Vale do Tejo, uma vez que a unidade está sediada em Fátima, concelho de Ourém, e o distrito de Santarém integra essa administração regional de saúde. Existem 30 vagas para doentes em média duração, e outras 30 em longa duração. Caldas de Almeida explica que têm objectivos diferentes: “a média duração tem um objectivo mais reabilitativo, de neuro-estimulação, de optimizar (do ponto de vista da capacidade funcional e cognitiva) e permitir que as pessoas voltem para casa, para os centros de dia ou apoio domiciliário. Já os de longa duração são, muitas vezes, pessoas com demência muito avançada, que carecem de um programa que inclua a manutenção, conforto.

Manuel Caldas de Almeida confirma que a lotação está quase sempre esgotada, embora sublinhe que “na unidade de média duração temos uma rotação muito agradável: as pessoas entram, fazem o programa de reabilitação, e lá conseguimos que voltem às suas origens”. O problema reside, sobretudo, na ocupação da longa duração. “Temos um problema social muito grave. Nós recebemos sobretudo pessoas da Grande Lisboa, e muitas daquelas que os hospitais nos mandam são pessoas com demência, mas também, com isolamento social total. Muitos vivem em quartos alugados, não têm família, e quando lhes acontece partir uma perna ou ter um AVC, os hospitais mandam para nós. Só que depois, quando cumprimos o nosso programa, as pessoas não têm para onde ir”. E por isso, o sonho da direcção passa agora por “construir um Lar, ou uma unidade residencial, vocacionado para acolher essas pessoas com demência”.

Ainda assim, Caldas de Almeida acredita que a maioria dos lares pertencentes às Misericórdias portuguesas já fizeram esse processo de adaptação nos espaços, e uma grande percentagem dos trabalhadores já tem formação na área. “Mas estamos ainda longe do desejável, que é ter toda a gente com formação”.

Vocacionada para as demências, a Unidade de Cuidados Continuados Bento XVI destina-se a receber pessoas que, independentemente da idade, se encontrem em situação de dependência e necessitem de cuidados de saúde especializados.

Integrada na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), a Unidade é dotada de competências ambientais, profissionais, clínicas e terapêuticas próprias tendo como finalidade ser “um modelo de referência na área de cuidados continuados para utentes com defeito cognitivo ou demência”. Conta dois médicos (incluindo Caldas de Almeida como director clínico), sendo um deles neurologista. A direcção técnica está a cargo de Catarina Cerqueira, que coordena todo o trabalho em Fátima.

“A Unidade Bento XVI aposta numa política de qualidade centrada no utente, considerando as suas necessidades pessoais, físicas, psíquicas e morais, numa abordagem multidisciplinar e de proximidade, com vista à promoção do bem-estar e da autonomia, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da pessoa com defeito cognitivo ou demência e sua família”, destaca a carta de princípios.

Lar do futuro, o próximo passo

A União das Misericórdias tem neste momento em mãos um projecto que conta por na rua até final do ano. Chama-se “lar do futuro – envelhecer em Portugal”. “A ideia é, perante tudo isto que aconteceu com a pandemia, sabermos o que deve ser o Lar, para dar resposta a todas essas necessidades. Se já sabemos que os lares não estão desenhados para quem lá está, vamos ver então quem lá está e como devem ser os lares”, enfatiza o vice-presidente da UMP.

As Misericórdias conseguiram entretanto um novo financiamento, para o ano de 2020/21, para novo pacote de formação – mas a pandemia veio atrasar esse processo.

“Se pensarmos além disso que aos 65 anos 5% da população tem demência e que aos 85 isso acontece com quase 30%. Tendo aumentado muito o número de pessoas com mais de 80 anos, aumenta muito o número de pessoas com demência”. E para esses, há apenas uma única unidade de cuidados continuados diferenciada, em todo o universo nacional.

Diário de Notícias
Paula Sofia Luz
21 Setembro 2020 — 15:49

 

“Cada vez surgem pessoas mais novas com demência”

 

 

SAÚDE/ALZHEIMER

No Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer, fica o alerta da associação que, em Portugal, dá apoio directo a cerca de sete mil pessoas. Quase uma gota no oceano se tivermos em conta que o país regista cerca de 200 mil pessoas com demência – número que poderá triplicar até 2050. Enquanto a investigação e os fármacos não avançam na cura, a Alzheimer Portugal aposta na sensibilização, através de uma campanha nacional com a colaboração de figuras públicas

© Adelino Meireles/Global Imagens

Estima-se que em Portugal existam cerca de 200 mil pessoas com demência, e que esse número irá triplicar até 2050, chegando a mais de meio milhão de pessoas em Portugal e a cerca de 135 milhões em todo o mundo.

A demência é causada por doenças do cérebro, sendo a de Alzheimer a forma mais comum de demência, constituindo cerca de 60% a 70% de todos os casos. A medicina utiliza a palavra demência para descrever um grupo alargado de sintomas – que podem incluir a perda de memória, dificuldades de raciocínio e de resolução de problemas, assim como alterações da linguagem, do humor ou do comportamento. “Estas mudanças são pequenas ao início, mas com o tempo tornam-se suficientemente graves para afectar o dia-a-dia da pessoa com demência”, explica ao DN a psicóloga Ana Margarida Cavaleiro, que é também responsável pela formação da Alzheimer Portugal. Nesta segunda-feira a associação (que está sediada em Lisboa e conta com delegações no norte e centro) lança uma campanha solidária que conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República. Pretende com isso “apresentar-se como um ‘recomeço’ com que as pessoas podem contar, após conhecerem o seu diagnóstico, ou do seu familiar, e dar a conhecer os seus serviços, ao mesmo tempo que chama a atenção para os sinais de alerta e a importância do diagnóstico precoce, tendo sempre presente o objectivo de conseguir uma sociedade mais amiga das pessoas com demência”.

Ivo Canelas, Mariama Barbosa, Rita Brutt, Sandra Santos, Sara Norte e Vítor Norte são as caras desta campanha que será lançada a partir de hoje, “onde surgem imagens que parecem ser de despedida, mas que acabam por se transformar em recomeços, indicando que a Alzheimer Portugal está disponível para ajudar no recomeço após o diagnóstico”. Ana Bola e o DJ e produtor Branko participam também, com voz e música, respectivamente.

A ideia é dizer ao país que “quanto mais cedo forem detectados sinais, mas cedo se pode obter o diagnóstico e mais facilmente se pode contribuir para retardar os seus sintomas. Pessoas mais novas também podem desenvolver demência e podem continuar a viver bem durante vários anos, quando a demência é detectada em fases iniciais”.

A pandemia que atravessamos obrigou os mais velhos a um maior isolamento. Até que ponto se terá traduzido num acelerar das demências, nomeadamente da doença de Alzheimer?
Uma das grandes consequências desta pandemia, foi o facto de terem sido decretadas medidas de confinamento, protecção e segurança, que levaram à restrição de algumas das actividades realizadas pelas Instituições, nomeadamente o encerramento dos centros de dia. E se a reabertura dos mesmos já é possível em várias zonas do país, existem outras áreas em que isso ainda não acontece, não existindo ainda data para a sua abertura. A frequência dos centros de dia e de outros serviços de estimulação cognitiva é essencial para a manutenção da qualidade de vida das pessoas com demência. Com o confinamento a que a pandemia obrigou, as pessoas com demência veem as suas rotinas subitamente alteradas, ficando sujeitas a efeitos negativos com forte impacto a nível cognitivo, funcional, comportamental e de mobilidade.

Até nos cuidadores…
Sim, também os cuidadores ficaram sujeitos a uma maior pressão ao nível da prestação de cuidados, aumentando a sua sobrecarga emocional e física, o que pode dar origem a situações complicadas na prestação de cuidados.
É fundamental que a pessoa com demência e os seus cuidadores consigam manter rotinas em casa e que continuem a realizar actividade de estimulação. A Alzheimer Portugal disponibiliza no seu site vários cadernos de estimulação e outros documentos de apoio aos cuidadores, para que possam organizar o seu dia-a-dia de forma o mais adequada possível à manutenção das capacidades da pessoa com demência e ao bem-estar de ambos.

Quantos doentes existem em Portugal, neste momento? O apoio que existe (centros de dia, terapia ocupacional) é suficiente para esse universo ou, pelo contrário, estamos muito longe de conseguir prestar a atenção devida ao problema da doença?
Estima-se que actualmente existam mais de 200 mil pessoas com demência em Portugal (OCDE, 2017). Perante estes números poderemos referir que ainda não existe em Portugal um número suficiente de equipamentos especificamente pensados para pessoas com demência. Cientes desta realidade, a Alzheimer Portugal procura através dos seus equipamentos e serviços reunir um leque de boas práticas, que nos permitam através da formação e de outros projectos transmitir conhecimentos especializados na área das demências. Pretende-se que outras instituições possam replicar estas boas práticas que assentam num novo paradigma de prestação de cuidados humanizados, baseado na abordagem centrada na pessoa com demência e no respeito pela sua autodeterminação.

O que faz, em concreto, a Alzheimer Portugal e em que zonas do país?
Nos últimos 32 anos, com o objectivo de promover a qualidade de vida das pessoas com demência e dos seus familiares e cuidadores, a Alzheimer Portugal, única organização de âmbito nacional nesta área, tem-se especializado na prestação de serviços, sendo pioneira na criação de centros de dia, lares e serviços de apoio domiciliário especialmente concebidos para pessoas com demência. Desta forma, conta com uma estrutura residencial para pessoas com demência (Casa do Alecrim – Alapraia), quatro centros de dia (Lisboa, Alapraia, Lavra, Pombal), dois serviços de apoio domiciliário (Lisboa e Alapraia), e vários gabinetes de apoio na demência por todo o país. No entanto, a associação aposta ainda na realização de outros serviços e actividades para pessoas com demência e para os seus cuidadores, como seja a realização de consultas de especialidade, apoio psicológico, grupos de memória, avaliações neuropsicológicas, estimulação cognitiva, sessões de fisioterapia, entre outros serviços clínicos, que se realizam na sede (em Lisboa), nas suas delegações (norte, centro, região autónoma da Madeira) e Núcleos (Ribatejo e Algarve).A nível nacional, realiza também sessões do Café Memória (agora via Zoom), destinadas a pessoas com problemas de memória ou demência, aos seus familiares, amigos e cuidadores, para partilha de experiências e suporte mútuo. Acrescem ainda actividades de consciencialização da sociedade, através da campanha para uma mudança social Amigos na Demência e do projecto Memo e Kelembra nas Escolas que visa sensibilizar e consciencializar os mais jovens, do 1.º ao 12.º ano de escolaridade. Ainda nesta linha, a associação faz uma forte aposta na comunicação, estando activamente presente nas redes sociais (Facebook, Instagram e LinkedIn) e através do seu website. Através da Linha de Apoio na Demência, procura dar resposta, com carácter imediato, aos pedidos de informação de todos os que a contactem. Por fim, aposta na formação, como veículo de conhecimentos, boas práticas e literacia, sendo entidade formadora certificada pela DGERT desde 2006.

Como é que se financia?
A sustentabilidade da Alzheimer Portugal advém de acordos de cooperação e outros apoios estatais/municipais, apoio do Instituto Nacional para a Reabilitação, apoios de mecenas, quotização, mensalidades de utentes e pagamento de alguns serviços e projectos financiados por candidaturas.

A campanha que entretanto estará na rua conta com a participação de várias caras conhecidas. Considera que só uma maior mediatização da doença pode contribuir para a colocar na agenda, destapando o que por vezes parece ser preconceito?
Ainda existe muito estigma e preconceito na área das demências. No entanto, acreditamos que ao longo dos últimos anos a associação, através dos seus projectos, tem conseguido transmitir à sociedade uma nova perspectiva das demências, combatendo a visão menos positiva que as pessoas têm. A campanha Recomeços, lançada para assinalar o Mês Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer, pretende apresentar a associação como um recomeço com que as pessoas podem contar perante um diagnóstico de demência. O facto de contar com caras conhecidas, a voz da Ana Bola e a música de um artista como o Branko, está a ser muito importante para chegar a mais pessoas. Acreditamos que só falando mais sobre este tema podemos aumentar o nível de conhecimento da sociedade na área das demências, e no futuro conseguirmos diagnósticos mais atempados e uma melhor qualidade de vida tanto para as pessoas com demência, como para os cuidadores.

A psicóloga Ana Rita Cavaleiro sublinha o papel da sensibilização. Porque “ainda há muito estigma”.

Qual é o grande objectivo desta campanha?
Esta campanha está em linha com o nosso grande objectivo de tornar a sociedade mais amiga das pessoas com demência, pelo que convidamos todos a tornarem-se amigos na demência através do site www.amigosnademencia.org. Ao longo dos anos a associação tem procurado estar na linha da frente no combate ao estigma e à discriminação das pessoas com demência, procurando ainda actuar junto dos decisores políticos, estando actualmente integrada em projectos governamentais que visam melhorar a qualidade de vida das pessoas com demência e dos seus cuidadores.

De quando em vez aparecem notícias da área da investigação que prometem a cura ou o retardamento dos sintomas. Com o que é que podemos, efectivamente, contar para o tratamento, actualmente?
Muito embora a quase totalidade dos estudos que vão sendo divulgados ainda estejam em fases iniciais das respectivas investigações científicas, o que implica que os resultados apenas sejam conhecidos a longo prazo, existem já alguns tratamentos farmacológicos disponíveis, com vista ao retardamento da sintomatologia. A par destes, é fundamental o recurso a tratamentos não farmacológicos, como estimulação cognitiva, terapia das reminiscências, musico-terapia, terapia ocupacional, entre outros, que se mostram imprescindíveis no controlo da sintomatologia, manutenção das capacidades cognitivas e promoção do bem-estar e da qualidade de vida das pessoas com demência, e consequentemente, também dos seus cuidadores.

O que vos dizem os últimos estudos sobre a doença: aparece cada vez mais cedo ou mais tarde?
Sabemos que Portugal é um dos países mais envelhecidos do mundo, estimando-se que possa vir a transformar-se no país mais envelhecido da Europa nos próximos 30 anos. O nosso país apresenta uma percentagem de população com mais de 60 anos a rondar os 29,4%, estimando-se que em 2050 esse número possa chegar aos 40,8% (United Nations, 2019). Este aumento acontece mesmo quando é previsto um ligeiro declínio da população portuguesa neste período, uma vez que se prevê uma duplicação no número de pessoas com mais de 70 anos, entre 2018 e 2050. Por outro lado, sabemos que a idade é o principal factor de risco não modificável para o desenvolvimento de demência, pelo que não é de estranhar que a maior parte das pessoas com demência apresentem uma idade mais avançada. Não obstante estes factores, a verdade é que cada vez mais surgem pessoas com demência com menos idade, o que nos vem trazer um novo paradigma. Os factores de risco associados à demência são a pouca actividade física, níveis baixos de educação, poucos contactos sociais, hipertensão, tabagismo, perda de audição, obesidade, depressão, diabetes, consumo de álcool em excesso, traumatismos cranianos e poluição atmosférica (Lancet, 2020), pelo que é possível perceber que actualmente vivemos expostos a muitos factores que se torna necessário combater com vista a tentarmos prevenir o aparecimento de demência ou promover o seu surgimento o mais tarde possível. Actualmente vivemos numa sociedade que se debate ainda com sedentarismo, stress, hábitos tabágicos, entre outros, o que urge mudar.

O diagnóstico continua a ser difícil. Porquê?
Apesar de todas as conquistas que temos alcançado, de a sociedade se encontrar com níveis de literacia na área das demências mais elevados, e de os meios complementares de diagnóstico serem mais precisos, debatemo-nos ainda com a dificuldade de as pessoas não recorrerem a um especialista atempadamente. Muitas vezes, só quando os sinais de que algo não está bem são muito evidentes e recorrentes é que as pessoas procuram um especialista, o que vem dificultar a realização de diagnósticos precoces. Existe ainda a ideia de que o prognóstico de um diagnóstico de demência é “somente negativo” e não se consideram os aspectos positivos de um diagnóstico precoce. Para além de ser fundamental que a pessoa perceba o que se passa consigo o mais precocemente possível para se poder informar sobre os tratamentos disponíveis, como se pode proteger legalmente e quais são os seus direitos, é imprescindível que possa perspectivar “o que é que pode fazer por si por forma a estar segura e a retardar o desenvolvimento da patologia”. A Alzheimer Portugal disponibiliza a Linha de Apoio na Demência (213 610 465), que visa responder a dúvidas, prestar informações, esclarecimentos e apoio emocional e psicológico a todos os que a ela recorram. Uma sociedade esclarecida é uma sociedade mais preparada para lidar com as demências.

Diário de Notícias
21 SET 2020

 

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