317: Diabetes tipo 2 pode ser revertida através da perda de peso

 

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Resultados de um novo estudo sugerem que as pessoas que foram recentemente diagnosticadas com diabetes tipo 2 podem reverter a doença com uma perda de 10% do seu peso corporal.

Por todo o mundo, cerca de 400 milhões de pessoas têm diabetes tipo 2. As boas notícias, segundo o Science Alert, é que muitas vezes pode ser evitada através do controlo do peso, do exercício físico regular e de uma dieta equilibrada e, mesmo que esta doença nos seja diagnosticada, isso não significa que é necessariamente para sempre.

Nos últimos anos, pesquisas mostraram que é possível reverter a doença e, agora, um novo estudo demonstra que a recuperação pode ser muito mais fácil do que se pensava.

“Já sabemos há algum tempo que a remissão da diabetes é possível usando medidas bastante drásticas, como programas intensivos de perda de peso e restrição extrema de calorias”, diz o epidemiologista Hajira Dambha-Miller, da Universidade de Cambridge.

Num ensaio clínico de 2017, os pacientes tiveram que adoptar uma “substituição total da dieta”, consumindo batidos de baixas calorias durante até cinco meses, antes de serem lentamente reintroduzidos os alimentos.

Embora esta intervenção seja algo extrema e difícil, a verdade é que obtém resultados, assim como outras abordagens intensivas que envolvem combinações de medicamentos, insulina e ajustes no estilo de vida.

Mas, de acordo com Dambha-Miller, as pessoas com diabetes tipo 2 podem não precisar de ser tão extremistas para aumentar as suas hipóteses de reverter a doença. “Os nossos resultados sugerem que pode ser possível ver-se livre da diabetes, durante pelo menos cinco anos, com uma perda de peso mais modesta de 10%“, diz a cientista.

No novo estudo, publicado em Setembro na revista científica Diabetic Medicine, a equipa examinou um grupo de 867 pessoas, com idades entre os 40 e os 69 anos, que tinham sido recentemente diagnosticadas com diabetes tipo 2.

Todos os participantes eram do leste de Inglaterra e foram monitorizados durante cinco anos, durante o qual algumas pessoas receberam um tratamento de intervenção (com consultas e recursos médicos adicionais) ou um grupo de controlo que recebeu apenas atendimento médico de rotina.

No final dos cinco anos de acompanhamento, 257 dos participantes (cerca de 30% do grupo) estavam em remissão.

Em comparação com as pessoas que mantiveram o mesmo peso ao longo do estudo, as pessoas que perderam 10% do seu peso corporal, ou mais, duplicaram as suas hipóteses de alcançar a remissão e reverter o diagnóstico de diabetes tipo 2.

Os autores do estudo observam que experimentos clínicos anteriores que defendiam uma perda de peso de 15% ou mais podem desincentivar os pacientes que têm dificuldade em atingir física ou emocionalmente esses ambiciosos objectivos.

“Isto pode dar algumas razões para motivar as pessoas com diabetes tipo 2 recém-diagnosticadas a perder peso, em vez de se concentrarem em metas específicas e potencialmente inatingíveis”, explicam os cientistas.

ZAP //

Por ZAP
7 Outubro, 2019

 

316: Uma vacina contra a gripe (mas sem agulha)

 

PAHO / WHO

Os cientistas têm estudado formas de tornar a vacinação menos dolorosa e livre de agulhas. Uma nova tecnologia alcançou eficácia suficiente para que possa agora ser utilizada em massa.

Um artigo científico, recentemente publicado no Journal of Investigative Dermatology, aborda uma invenção que, para aqueles que temem as agulhas, é uma excelente notícia: o potencial de substituir o método actual de vacinação com agulhas por adesivos, que dispensam a aplicação por um profissional da saúde.

Benjamin L. Miller, professor de dermatologia no Centro Médico da Universidade de Rochester no estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos, adianta que o próximo passo é testar estes adesivos em seres humanos.

Segundo os cientistas, desenvolver uma tecnologia capaz de transportar grandes moléculas pela pele é um enorme desafio, uma vez que a derme tem como principal objectivo manter os agentes estranhos fora do corpo, impedindo a sua entrada.

A co-autora do artigo, Lisa Beck, descobriu que a proteína claudin-1 induz a fortificação da barreira e, por outro lado, reduz a permeabilidade da pele.No entanto, apesar da descoberta, era também preciso criar um cenário em que a barreira fosse rompida apenas por tempo suficiente para libertar as proteínas contra a gripe.

Depois de várias experiências conduzidas em ratos de laboratório, a equipa conseguiu criar a versão ideal do adesivo, de modo a que a vacina fosse “injectada” na derme, ao mesmo tempo que a barreira continuava a fazer o seu trabalho de protecção contra agentes indesejados.

“Quando aplicamos o adesivo com o peptídeo (que inibe a claudin-1), a pele do rato tornou-se permeável por um curto período de tempo. Mas assim que o adesivo foi removido, a barreira da pele começou a fechar-se. Após 24 horas, a pele voltou ao normal – o que é uma óptima notícia do ponto de vista de segurança”, explicou outro co-autor do artigo, Matthew Brewer, citado pelo Science Daily.

Embora sejam eficazes, as vacinas implicam que sejam profissionais de saúde especializados a aplicá-las na nossa pele, o que causa muitas barreiras à vacinação, nomeadamente em países em vias de desenvolvimento.

Segundo Lisa Beck, estes países não têm dinheiro nem mão de obra suficiente para vacinar população inteiras. “Além disso, há uma aversão aos cuidados de saúde em muitas dessas comunidades. Uma agulha é dolorosa, é invasiva e dificulta as coisas quando lida com um viés cultural que tem resistências à medicina preventiva.”

Neste contexto, um adesivo contra a gripe seria uma excelente solução – e uma forma não invasiva – de proteger um grande número de pessoas.

Ainda assim, há muito trabalho pela frente. A equipa quer realizar mais estudos em animais, para optimizar a quantidade de tempo que o adesivo deve permanecer em contacto com a pele, de forma a aumentar adequadamente a resposta imune. Além disso, os cientistas querem realizar testes em seres humanos.

Se o adesivo for eficaz em pessoas, poderá tratar qualquer tipo de doença para a qual já existe uma vacina.

ZAP //

Por ZAP
6 Outubro, 2019

 

315: Dormir a sesta pode salvar vidas. A Ciência explica porquê

 

CIÊNCIA

(CC0/PD) Free-Photos / pixabay

Uma nova investigação, conduzida pelo Hospital Universitário de Lausanne, na Suíça, sugere que tirar uma sesta depois do almoço uma ou duas vezes por semana reduz o stress e a possibilidade de vir a ter um AVC.

De acordo com a BBC, que escreve que este hábito pode mesmo salvar vidas, as sestas reduzem até 48% a probabilidade de vir a sofrer um acidente vascular cerebral.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas estudaram 3.462 pessoas com idades compreendidas entre os 35 e os 75 durante cinco anos, tal como explica o novo estudo, conduzido pela cientista Nadine Häusler e publicado na revista científica especializada American Journal of Managed Care (AJMC).

A investigação concluiu que as sestas, quando realizadas entre uma a duas vezes por semana, podem diminuir significativamente o risco de AVC. Contudo, quando este hábito se torna mais frequente – entre 3 a 7 sestas -, os resultados não são tão positivos.

Os participantes que dormiam frequentemente a sesta tinham quase o mesmo risco de AVC do que aqueles que não dormiam. Os voluntários que tiravam entre 3 a 5 sestas semanais tinham apenas menos 12% de probabilidade de sofrer desta mesma patologia, valor que descia para 11% quando as sestas variam entre 6 a 7 semanais.

Tendo em conta os resultados, os cientistas recomendam sestas diurnas de 20 minutos algumas vezes por semana. Tal como observa a emissora britânica, o estudo não foi capaz de obter dados conclusivos em pessoas com mais de 65 anos.

Os especialistas frisam ainda que é ainda prematuro tirar conclusões directas deste estudo sobre as sestas, uma vez que a correlação encontrada não prova a causalidade.

Ainda assim, existem vários estudos que associam o sono insuficiente a doenças do foro cardiovascular. Um artigo publicado em 2007, que estudou o sono de mais de 10.000 funcionários britânicos ao longo de 20 anos, concluiu que os participantes que reduziram o tempo de sono de sete para cinco horas quase dobraram o risco de morte associado a doenças cardiovasculares.

ZAP //

Por ZAP
28 Setembro, 2019

 

314: Perda cognitiva de um ano de Alzheimer revertida em apenas dois meses

 

CIÊNCIA e SAÚDE

Uma das maneiras mais promissoras a serem investigadas para tratar e controlar a doença de Alzheimer, é a de utilização de ondas electromagnéticas capazes de reverter a perda de memória. Um estudo-piloto recorreu a este método e conseguiu alguns resultados entusiasmantes.

O estudo foi realizado em apenas oito exercícios durante dois meses, razão pela qual os resultados ainda não são totalmente conclusivos, mas os investigados observaram um “desempenho cognitivo aprimorado” em sete dos exercícios.

Os pacientes — que sofrem de Alzheimer leve e moderada — receberam uma touca MemorEM, que utiliza emissores criados especialmente para gerar um fluxo específico de ondas electromagnéticas através do crânio. O tratamento foi realizado duas vezes por dia, durante o período de uma hora, e é muito simples de administrar em casa.

O equipamento MemorEM está a ser criado pela NeuroEM Therapeutics, e é importante especificar que dois dos cientistas responsáveis por este estudo são fundadores da empresa — razão pela qual poderá haver interesses comerciais.

No entanto, a investigação gerou um artigo publicado há três meses na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease e revisto por pares, mostrando alguns resultados que certamente deveriam ser investigados mais a fundo.

“Talvez o melhor indicativo de que os dois meses de tratamento tiveram um efeito clinicamente importante nos pacientes com Alzheimer neste estudo seja que nenhum dos pacientes quis devolver o dispositivo ao Instituto da Universidade do Sul da Florida após o estudo ser terminado”, disse o biólogo Gary Arendash, CEO da NeuroEM Therapeutics. De acordo com Arendash, um dos pacientes disse: “Voltei”.

O estudo tem como base investigações anteriores desta mesma equipa que se concentraram em roedores, que demonstraram que a touca electromagnética transcraniana (TEMT) seria capaz de proteger o cérebro contra a perda de memória ou até mesmo reverter perda anterior em ratos mais velhos.

A touca parece capaz de deteriorar as proteínas beta-amilóide tóxicas e também as proteínas tau que têm uma forte relação com o Alzheimer: as ondas parecem ser capazes de desestabilizar as ligações fracas de hidrogénio que mantêm os aminoácidos unidos.

Aparentemente estas proteínas entopem o cérebro destruindo e sufocando os neurónios necessários para a manutenção das memórias, falar a partir de pensamentos, entre outros processos cognitivos fundamentais para o nosso funcionamento.

Através de uma série de testes cognitivos, criados para medir o nível de demência, a influência das ondas electromagnéticas foi vista como “grande e clinicamente importante”. A escala de medida do ADAS-Cog varia entre uma média de cinco pontos para alguém sem Alzheimer, para uma média de 31 pontos para quem sofre da doença.

O estudo observou uma mudança positiva na média superior a quatro pontos em sete dos oito voluntários. Esta mudança corresponde a uma redução cognitiva de mais de um ano em pacientes com Alzheimer — portanto equivaleu a um ano do impacto negativo de Alzheimer revertido num espaço de apenas dois meses.

O estudo também demonstrou que nenhum dos participantes pareceu sofrer efeitos colaterais ou quaisquer danos no cérebro. O próximo passo será um estudo maior, envolvendo mais pacientes. A empresa está planear um estudo a envolver 150 voluntários já para este ano. Caso demonstre que o tratamento TEMT é eficaz e seguro, poderá alcançar a aprovação necessária para a comercialização do equipamento.

“Apesar dos esforços significativos durante quase 20 anos, interromper ou reverter o comprometimento da memória em pessoas com Alzheimer iludiu os investigadores”, disse Amanda Smith, neuro-cientista da Universidade do Sul da Florida.

“Estes resultados fornecem evidências preliminares de que a administração do TEMT avaliada neste pequeno estudo pode ter a capacidade de melhorar o desempenho cognitivo em pacientes com doença leve e moderada”.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
29 Setembro, 2019

313: Mesmo que não beba, o seu fígado pode sofrer danos causados por álcool

 

andrew_bro / Flickr

A lesão hepática é uma das consequências bem conhecidas do consumo excessivo de álcool. Mas nem sempre é preciso beber para sofrer delas.

Algumas bactérias intestinais produzem álcool e podem danificar o nosso fígado sem lhe proporcionar prazeres temporários da bebida.

Cerca de um quarto dos adultos do mundo sofre de doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD), onde a gordura se acumula no fígado, impedindo a sua função, sem beber em excesso. A sua causa é desconhecida, mas um artigo publicado recentemente na revista especializada Cell Metabolism sugere que o nome é um pouco enganador.

ing Yuan, do Instituto de Pediatria da Capital da China, e os seus colegas estudaram um paciente com DHGNA grave que também se embebedava sempre que comia alimentos ricos em açúcar, uma condição conhecida como síndrome da auto-cervejaria (ABS). O ABS normalmente está associado a infecções por leveduras, mas este paciente aparentemente não teve uma – ambas apresentando resultados negativos nos testes e não respondendo a medicamentos anti-leveduras.

Yuan aprofundou o estudo e descobriu que o álcool vinha de bactérias intestinais. “Ficamos surpreendidos que as bactérias pudessem produzir tanto álcool”, disse Yuan num comunicado divulgado pelo EurekAlert. “Quando o corpo está sobrecarregado e não consegue decompor o álcool produzido por essas bactérias, pode-se desenvolver a doença hepática gordurosa mesmo se não beber”.

Os autores estudaram as fezes das pessoas nessa situação para identificar as bactérias específicas responsáveis ​​e descobriram que a culpa era de cepas específicas de Klebsiella pneumonia.

Embora quase todo a gente tenha K. pneumonia no seu sistema digestivo, a maioria produz apenas pequenas quantidades de álcool. As cepas que Yuan encontrou em pessoas com NAFLD produzem quatro a seis vezes mais álcool do que as variedades mais comuns, o equivalente a transformar um único copo de vinho numa garrafa.

Yuan descobriu que 60% de uma amostra de chineses que sofrem de DHGNA têm bactérias intestinais que produzem quantidades consideráveis ​​de álcool, embora raramente suficiente para produzir sinais óbvios de intoxicação.

Assim, uma em cada sete pessoas produz álcool suficiente para prejudicar a sua saúde sem ficar levemente agitada e sem beber nada.

Para confirmar que todo este álcool não-alcoólico é realmente responsável pela DHGNA, Yuan alimentou ratos com estirpes de K. pneumonia de alta fermentação e, num mês, os seus fígados apresentavam acumulação de gordura. Após outro mês, os fígados ficaram com cicatrizes, indicando danos a longo prazo. A remoção da K. pneumonia interrompeu os efeitos.

“O DHGNA é uma doença heterogénea e pode ter muitas causas”, disse Yuan. “O nosso estudo mostra que a K. pneumonia provavelmente é uma delas. Estas bactérias danificam o seu fígado como o álcool”.

O próximo passo é descobrir porque é que as cepas são infecciosas.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2019

 

312: Saiba quais são os quatro medicamentos para a azia retirados pelo Infarmed

 

Autoridade do medicamento ordenou a retirada do mercado de medicamentos para a azia.

Infarmed retirou do mercado quatro medicamentos para a azia.
© Gonçalo Villaverde/Global Imagens

Bloculcer, Ranitidina, Ranitine e Zantac: são estes os medicamentos retirados do mercado pela autoridade do medicamento, segundo a SIC. A presença de uma substância potencialmente cancerígena levou o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) a ordenar a retirada imediata do mercado estes medicamentos de protecção gástrica, que contém o princípio activo ranitidina.

O Infarmed informou que todos os doentes em tratamento com estes medicamentos indicados para a azia, úlcera duodenal ou gástrica e refluxo gastro-esofágico devem interromper a toma de imediato e consultar um médico ou farmacêutico.

“Na sequência da detecção de uma impureza, N-Nitrosodimethylamine (NDMA), na substância activa ranitidina, o Infarmed determina a recolha e suspensão imediata da comercialização dos lotes de medicamentos (…) O motivo desta determinação decorre da presença em alguns lotes da referida impureza, da classe das nitrosaminas, já identificada em 2018 em alguns fármacos anti-hipertensores”, pode ler-se no comunicado do Infarmed.

O Infarmed recorda que as entidades que tenham estes medicamentos em stock devem proceder à sua devolução e que estão proibidas de vendê-las ou dispensá-las.

Diário de Notícias
DN
21 Setembro 2019 — 22:33

 

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