519: Segunda vaga da pandemia em Portugal: perda de olfacto e paladar são agora mais comuns

 

 

SAÚDE/COVID-19/SINTOMAS

Além da febre e da tosse – que eram os sintomas mais característicos no covid-19 – a perda de olfacto e paladar estão a afectar cada vez mais doentes. Os médicos referem um quadro “cada vez mais inespecífico”, que inclui por vezes dor de garganta, dores musculares, mas também queixas gastro-intestinais. Quem esteve doente nesta segunda vaga e perdeu o olfacto demora a recuperá-lo.

© Leonel de Castro/Global Imagens

A perda de paladar e olfacto – que os médicos descrevem como anosmia e ageusia – são os sintomas mais comuns nesta segunda vaga da covid-19. Depois do estudo que foi tornado público por investigadores britânicos, o DN recolheu vários testemunhos junto de doentes infectados actualmente ou recentemente, que apontam para um cenário idêntico em Portugal.

“Notamos sobretudo uma instalação rápida dos sintomas, diria mesmo muito rápida, e agravamento progressivo de todos eles. Mas o cheiro e o paladar, que não eram assim tão frequentes, estão a ser muito reportados”, confirmou ao DN Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. A questão da perda de paladar já era apontada nas infecções respiratórias banais, mas não com a mesma intensidade nem frequência com que agora é notada.

Há pessoas que estão a fazer teste por sua iniciativa porque perdem o paladar, apenas”, sublinha Válter Alves dos Santos, médico no Centro de Saúde de Pombal e na urgência do Centro Hospitalar de Leiria, que diariamente está a lidar com doentes em diversas fases, através da plataforma Trace Covid ou noutro registo.

“A sensação que tenho é que esta segunda vaga trouxe sintomas mais inespecíficos, e que também incomodam mais as pessoas”, conta ao DN, referindo-se aos que são mais frequentes: o cansaço geral, as mialgias e a sensação de fraqueza generalizada. Mas existem doentes também apenas com sintomas gastro-intestinais e não tanto respiratórios, como era expectável. Reportam dores musculares, articulares, aquelas sensações dolorosas inespecíficas, e que são difíceis de controlar ou tratar”. Por outro lado, o médico – que tem por comparação a primeira vaga da doença – verifica outro fenómeno: “dentro de um mesmo seio familiar, por alguma razão, temos doentes positivos e outros negativos, mesmo quando todos estiveram em contacto”.

Foi o caso de Raul Testa, 35 anos, adjunto da presidente da Câmara da Marinha Grande. A menos de um mês de se tornar pai, testou positivo para a covid-19 ao mesmo tempo que a mulher, grávida, testava negativo, depois dos primeiros sintomas. No final de Outubro, inesperadamente acordou com febre, o que nele é raro. “Também estava congestionado, mas isso já era normal nesta altura, por causa da rinite alérgica e da sinusite”, conta ao DN. Ligou ao médico de família, que lhe prescreveu o teste. Começava aí um périplo de sintomas que durariam cerca de duas semanas. A seguir veio a tosse, a perda de olfacto (de que ainda não recuperou totalmente, um mês depois) e até a falta de ar. “Fiz um esforço por não recorrer ao hospital, porque sabia que seria mais um a entupir os serviços, que poderiam ser precisos para quem estivesse pior.” Raul – que ainda hoje não desconfia qual foi a cadeia de transmissão que o apanhou – teve febre durante 11 dias consecutivos.

Ana Cristina, 29 anos, agora já com teste negativo, teve na perda de paladar e olfacto os primeiros sintomas. Juntaram-se a febre, “dores extremas no corpo, perda de apetite, e consequente perda de peso”. Ao contrário da mãe, com quem mora e que esteve primeiro infectada, não teve tosse, apenas febre – o único sintoma comum. “Ainda sinto algum cansaço… e já passaram 15 dias desde que tive alta e um teste negativo”, conta ao DN.

Dor de garganta dificulta diagnóstico

O médico Válter Alves dos Santos também tem observado que um dos sintomas descritos é a dor de garganta. Nenhum dos doentes ouvidos pelo DN a reporta, mas nos relatos apanhados nos rastreios é também cada vez mais frequente, a par da obstrução nasal.

Já o presidente da APMGF lembra que “a febre e a tosse continuam a ser os sintomas mais reportados, também porque são dos mais fáceis de identificar, e até relacionados com situações mais graves”, sublinha o médico. “A tosse é muito frequente e de agravamento súbito e progressivo, nesta segunda vaga“, acrescenta Rui Nogueira.

Mas a dor de garganta é preocupante, por outra razão: “Muitas dores de garganta estão relacionadas com amigdalites purulentas, que necessitam de antibiótico. E isso leva-nos a ter de observar o doente.” Rui Nogueira não consegue dizer com exactidão se essa é uma característica desta segunda vaga. Ou se, por outro lado, “agora estamos a aprender mais”. O médico sublinha que “temos muito mais casos, quatro vezes mais do que tínhamos na primeira vaga. É uma casuística maior, vamos encontrar mais características em cada doente”, conclui, perante a incerteza – que afinal é característica deste novo vírus: “Não sei se na primeira vaga também seria assim e nós não demos assim tanta conta.”

Inês Gonçalves, que já morou em vários países, vive agora em Bruxelas. Faz parte dos primeiros portugueses infectados com covid-19. Chegou a Portugal em Março, vinda da Holanda, e por isso foi considerada “um caso importado”. A jovem de 26 anos começou a sentir-se doente e percebeu que, por lá, “só estavam a tratar doentes graves”. Numa altura em que se sabia muito pouco sobre a doença e apenas alguns sintomas eram conhecidos, comprou uma máscara, um bilhete de avião e voltou rapidamente para Portugal. Ficou em isolamento desde que chegou, até conseguir falar com a linha SNS 24, e finalmente fazer teste, que daria positivo. Aliás, só ao fim do terceiro teste deu negativo, mais de um mês depois.

A doença, para ela, durou cerca de 15 dias. “Durante esse tempo tive febre, também dificuldade em respirar e até subir as escadas me cansava. Estive uns cinco dias assim, dormia de noite e de dia. Depois dessa primeira semana, tive tosse durante mais uma semana. Mas tudo começou com cansaço extremo, dor de cabeça e febre.” Nunca teve perda de olfacto, de paladar ou dor de garganta. Um mês depois sentia-se bem, como dantes, sem qualquer sequela. No final do verão mudou-se para a Bélgica.

DGS acrescenta sintomas

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) refere que “os sinais e sintomas da covid-19 variam em gravidade, desde a ausência de sintomas (sendo assintomáticos) até febre (temperatura igual ou superior 38º C), tosse, dor de garganta, cansaço e dores musculares”. Nos casos mais graves, a DGS indica “pneumonia grave, síndrome respiratória aguda grave, septicemia, choque séptico e eventual morte”.

A autoridade de saúde nacional afirma que mais recentemente foi “verificada anosmia [perda do olfacto] e em alguns casos a perda do paladar, como sintoma da covid-19”. “Existem evidências da Coreia do Sul, da China e de Itália de que doentes com covid-19 desenvolveram perda parcial ou total do olfacto, em alguns casos na ausência de outros sintomas”, lê-se no site da DGS.

A investigação sobre o novo coronavírus prossegue, uma vez que permanece a incógnita sobre muitos os efeitos da doença nas pessoas, quais as sequelas, bem como as formas de transmissão do vírus.

Diário de Notícias

Paula Sofia Luz

 

 

515: Há duas razões que podem explicar como algumas pessoas transmitem covid-19 mais facilmente

 

 

SAÚDE/COVID-19/CONTAMINAÇÃO

Os “super-espalhadores” são um dos grandes problemas da expansão da pandemia de covid-19. Vários estudos mostraram que a maioria das pessoas com o vírus não transmite a infecção a muitas pessoas, mas em casos extremos, um único infectado pode espalhar o vírus por dezenas de pessoas.

Num novo estudo, investigadores da University of Central Florida identificaram algumas características que parecem tornar as pessoas mais propensas a ser um “super-espalhador” de infecções virais, como é o caso da covid-19.

Conforme é relatado no estudo publicado em Novembro na revista Physics of Fluids, a equipa usou um processo de modelagem 3D e simulações de computador para mostrar que os espirros de pessoas que têm o nariz obstruído e uma dentição completa viajam cerca de 60% para mais longe do que aqueles que não têm.

(a) passagem nasal aberta com dentes, (b) passagem nasal aberta sem dentes, (c) passagem nasal bloqueada sem dentes e (d) passagem nasal bloqueada com dentes

Os especialistas explicam que esta hipótese sugere que algumas pessoas parecem transmitir infecções respiratórias mais rapidamente do que outras.

“O corpo humano tem influenciadores, como um sistema associado ao fluxo nasal que interrompe o jacto da boca e impede que este se espalhe por longas distâncias”, explica em comunicado, Michael Kinzel, co-autor do estudo.

Segundo o cientista, também “os dentes criam um efeito de estreitamento no jacto o que o torna mais forte e turbulento. Os dentes parecem conduzir a transmissão, por isso se estivermos perante alguém sem dentes, podemos esperar um jacto mais fraco do espirro deles”.

De acordo com o novo estudo, estes dois factores parece ser cruciais no momento de espalhar o vírus em reuniões onde estão presentes várias pessoas.

Contudo, avança o ISL Science, outras pesquisas – algumas realizadas antes do surgimento da covid-19 – reflectiram sobre o que torna certas pessoas mais infecciosas do que outras.

No início de 2019, um estudo publicado na Scientific Reports sugeriu que falar alto pode ser um factor. As experiências da pesquisa mostraram que quanto mais alto uma pessoa fala, mais saliva, muco e aerossóis são expelidos da boca. No entanto, os estudos também descobriram que algumas pessoas produzem mais aerossóis do que outras, mesmo quando falam no mesmo volume.

Uma outra pesquisa indica que algumas pessoas infectadas podem ter uma carga viral mais alta nos seus corpos e por isso libertam mais o vírus. Isto significa que a saliva e os aerossóis provavelmente contêm uma concentração maior de partículas virais, tornando essa pessoa mais infecciosa.

O ambiente circundante também é um factor importante na criação de um momento que o vírus é espalhado por várias pessoas. O estudo indica que uma sala abafada e mal ventilada é um local mais perigoso do que um lugar ao ar livre onde todos mantêm uma distância de pelo menos 2 metros e usam máscara facial.

Ambientes com luz ultravioleta mais forte, temperaturas mais elevadas e níveis mais altos de humidade também são conhecidos por reduzir a taxa de sobrevivência do vírus covid-19 no ar e nas superfícies, reduzindo o risco de disseminação da infecção.

ZAP //

Por ZAP
28 Novembro, 2020

 

 

514: “Contágio entre gerações.” Infecções de covid-19 em idosos quase triplicaram entre a primeira e a segunda vaga

 

 

SAÚDE/COVID-19/IDOSOS

Sebastião Moreira / Lusa

Tal como todos os outros grupos etários, também os idosos com mais de 80 anos foram atingidos com maior intensidade nesta segunda vaga, em comparação com Abril.

De acordo com o semanário Expresso, enquanto que na primeira onda se atingiu um máximo de 279 novas infecções por 100 mil pessoas com mais de 80 anos, agora rondam os 800 novos casos em duas semanas, quase três vezes mais, mostram os dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Ainda assim, esta população está agora mais protegida do que na primeira vaga, altura em que este grupo etário foi aquele que registou maior número de casos diagnosticados por 100 mil pessoas. Esta tendência pode ser explicada pelo facto de os idosos terem maior risco de desenvolver doença e, por isso, terem sido testados e diagnosticados em maior número.

Em relação à taxa de letalidade, os idosos com mais de 80 anos registam a taxa mais elevada (13,4%), bastante acima da média nacional (1,5%).

Óscar Felgueiras, matemático e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, disse ao matutino que “a incidência entre as pessoas com mais de 80 anos subiu muito na região Norte”. “É das que têm aumentado mais. E também resulta de um contágio entre gerações.”

“Se a diminuição de casos não chegar aos idosos, o problema não fica resolvido porque a procura dos serviços de saúde não vai baixar”, avisou o especialista.

Já os idosos que têm entre 60 e 79 anos conseguiram proteger-se melhor do vírus. A par das crianças com menos de nove anos, foram o grupo que registou o menor número de casos por 100 mil habitantes nesta segunda onda. Os especialistas consideram que isso se deve à maior capacidade que esta população tem para se defender e proteger.

Pelo contrário, o grupo mais exposto durante a segunda vaga foi o dos jovens dos 20 aos 29 anos. A taxa de letalidade é de 0,009% e chegaram a ter 1.137 novos casos por 100 mil habitantes em Novembro, mais de dez vezes acima dos casos identificados nestes jovens em Abril.

ZAP //

Por ZAP
28 Novembro, 2020

 

 

512: Cuba anuncia mais duas vacinas e já conta com quatro possíveis fármacos contra a covid-19

 

 

SAÚDE/VACINAS/COVID-19/CUBA

Tatyana Nekrasova / Canva

Cuba anunciou esta quinta-feira que vai começar os ensaios clínicos de dois projectos de vacinas contra a covid-19, que aumentam para quatro o número de possíveis fármacos deste tipo desenvolvidos na ilha para combater a pandemia.

A Mambisa (de administração intra-nasal) e Abdala (intra-muscular), criadas no Centro de Engenharia Genética e de Biotecnologia de Cuba, são as mais recentes candidatas para mitigar a propagação da pandemia e passarão por duas fases de testes para comprovar a eficácia, dá conta a Cubavisión, sem avançar quando será o início dos ensaios clínicos.

Cuba dispõe de quatro candidatos vacinais em fase de ensaios clínicos, uma parecia da indústria biotecnológica e farmacêutica” do país, escreveu no Twitter o Grupo Empresarial das Indústrias Biotecnológicas e Farmacêutica de Cuba (BioCubaFarma).

Os ensaios da Soberana 01, o primeiro projecto vacinal contra o novo coronavírus, começaram no final de Agosto. O processo está a avançar ainda sem incidentes registados e conta com a participação de mais de 700 voluntários.

Ao contrário de outras vacinas internacionais cujos ensaios clínicos estão mais avançados e que estão a ser produzidas a partir de vectores adenovirais ou vírus inactivos, este fármaco cubano é baseado numa proteína recombinante.

Já a Soberana 02 é uma vacina conjugada, na qual é combinado um antígeno do vírus e de um toxóide tetânico, que está a ser testada desde 19 de Outubro.

Cuba, que acumulou 8.075 contágios desde o início da pandemia e 133 mortes, tem uma das indústrias biotecnológicas e farmacêuticas de maior reconhecimento internacional e produz actualmente oito vacinas contra várias doenças, como, por exemplo, a meningite, o cancro do pulmão e de tumores sólidos, entre outros.

Vacina da AstraZeneca e Oxford

Nesta corrida, em que ninguém quer ficar para trás, a Universidade de Oxford e a AstraZeneca anunciaram, esta segunda-feira, os resultados preliminares da fase três do estudo clínico.

A AstraZeneca vai realizar um “estudo adicional” para validar os resultados da eficácia da sua vacina contra o novo coronavírus, depois de ter revelado que houve mudanças imprevistas na dosagem no primeiro ensaio.

Porém, o presidente da empresa, Pascal Soriot, disse, em entrevista à Bloomberg, não ser de esperar que estes novos testes atrasem a aprovação da vacina por parte das entidades reguladoras da saúde do Reino Unido e da União Europeia.

Um grupo de voluntários recebeu a dose completa da vacina, com um resultado de 62% de eficácia, enquanto outro tomou meia dose, seguida de uma completa um mês depois, um método que demonstrou ter 90% de eficácia.

Oxford admitiu esta quinta-feira que não estava inicialmente previsto inocular meia dosagem da vacina a qualquer voluntário, mas que isso foi fruto de um erro no processo de fabrico do produto.

Assim que foi detectada que a primeira vacina tinha começado a ser inoculada com uma concentração abaixo da planeada foi decidido alterar o protocolo do estudo, de acordo com o “órgão regulador” de saúde, informou a universidade numa nota.

“Agora que descobrimos o que parece ser a fórmula mais eficaz, precisamos de a validar através de um estudo adicional”, afirmou Soriot.

O responsável da AstraZeneca explicou também que, provavelmente, será feito um novo “estudo internacional”, embora tenha garantido que “pode ser mais rápido” que os anteriores, dado que os investigadores já sabem que a eficácia da vacina é “elevada” e precisam de “um número reduzido de pacientes”.

Soriot ressalvou que a autorização para iniciar a vacinação em alguns países continua prevista para antes do final do ano, embora nos Estados Unidos o processo seja mais demorado, já que os testes foram realizados fora daquele país.

Os criadores da vacina Sputnik V contra a covid-19 afirmaram, esta quinta-feira, que a AstraZeneca deveria tentar combinar a sua vacina experimental com a russa para aumentar a eficácia.

A Rússia anunciou que a sua vacina Sputnik V é 95% eficaz na protecção das pessoas contra a covid-19, de acordo com resultados de ensaios provisórios.

“Sugerimos que experimentem um regime de combinação da vacina AZ com a vacina #SputnikV contra o vector adenoviral humano para aumentar a eficácia”, disseram os criadores da vacina russa na sua conta do Twitter. “A combinação de vacinas pode revelar-se importante para as revacinações.”

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Novembro, 2020

 

 

511: Manter o ar de casa limpo pode reduzir a probabilidade de propagar covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/SEGURANÇA

Tama66 / Pixabay

Além das precauções actualmente recomendadas, garantir que o ar em espaços interiores esteja o mais limpo possível também pode ajudar a reduzir a probabilidade de propagar o novo coronavírus.

A grande maioria da transmissão do SARS-CoV-2 ocorre em ambientes fechados, principalmente pela inalação de partículas transportadas pelo ar que contêm o coronavírus. Mas, apesar dos riscos óbvios de estar dentro de casa, de acordo com o Centro para Controlo e Prevenção de Doenças, pequenas reuniões familiares estão a causar grande parte do aumento recente de casos.

A melhor maneira de evitar que o vírus se espalhe numa casa seria simplesmente manter afastadas as pessoas infectadas. Mas isso é difícil de fazer quando cerca de 40% dos casos são assintomáticos e as pessoas assintomáticas podem transmitir o coronavírus para outras pessoas.

Existem algumas coisas que se pode fazer para reduzir o risco de propagação do novo coronavírus.

Primeiro – e mais importante – use sempre máscara, certifique-se de que todos estão a pelo menos dois metros de distância de outras pessoas e não passe muito tempo entre quatro paredes. Mas, além dessas precauções, garantir que o ar em espaços interiores esteja o mais limpo possível também pode ajudar.

Usar uma maior ventilação ou usar um purificador de ar ou filtro de tamanho apropriado pode adicionar uma camada extra de protecção. Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista científica Environment International.

As casas são normalmente ventiladas através de portas ou janelas abertas ou do ar que entra por aberturas não intencionais no próprio edifício. Uma taxa de troca de ar típica para uma casa é de cerca de 0,5 trocas de ar por hora. Por causa da forma complicada como o ar se move, isso significa que é preciso cerca de duas horas para substituir dois terços do ar dentro de uma casa e cerca de seis horas para repor tudo.

Essa troca de ar lenta não é algo bom quando se quer limitar a propagação de um vírus transportado pelo ar. Quanto mais alta a taxa de ventilação, melhor – então, quanto ar fresco é ideal?

Enquanto a taxa de câmbio exacta depende do tamanho de uma sala, por exemplo, uma sala de 3×3 metros com três a quatro pessoas dentro deve ter pelo menos três trocas de ar por hora. Em pandemia, isto deve ser maior, e a Organização Mundial da Saúde recomendou recentemente seis trocas de ar por hora.

Por ZAP
26 Novembro, 2020

 

 

509: Como é que o novo coronavírus sobrevive em portas e dispositivos?

 

 

CIÊNCIA/SAÚDE/COVID-19

O novo coronavírus sobrevive nas superfícies? Dois físicos indianos dizem que sim e comparam-no a lagartos e salamandras

Estudo de dois físicos indianos defende que novo coronavírus pode viver até 150 horas em superfícies de plástico
© AFP

O novo coronavírus sobrevive nas superfícies? A pergunta tem sido feita por cientistas de todo o mundo e um novo estudo vem reforçar a tese de que o SARS-CoV-2, responsável pela covid-19, pode manter-se activo durante horas ou mesmo dias. Como?

Desde a Índia, dois físicos do Instituto de Tecnologia de Bombaim, citados pelo jornal ABC, investigaram como o vírus continua contagioso quando as gotas que expelimos quando tossimos, espirramos, ou até quando falamos, tocam as mais variadas superfícies. A resposta pode estar nas finas películas líquidas que ficam quando as gotas da respiram evaporam, dizem num artigo publicado no Physics of Fluids.

“A película líquida, com espessura da ordem dos nanómetros, adere À superfície”, diz o físico Rajneesh Bhardwaj ao ABC. O cientista e o colega, Amit Agrawal, concluíram que depois de quase todo o fluido respiratório evaporar o que fica é uma película ultra-fina que adere à superfície graças às forças Van der Waals – as mesmas que explicam como os lagartos e salamandras aderem às paredes. Dependendo do material, o SARS-Cov-2 pode viver mais ou menos tempo. De poucas horas a vários dias, dizem.

Por exemplo, metal seca mais rápido mas foi sobre plásticos que as películas ultra-finas mostraram viver mais tempo, dizem os modelos criados pelos físicos para a sua teoria.

Sobre cobre o novo coronavírus pode viver entre 10 a 15 horas. Mais, umas 40 a 60 horas, sobre aço inoxidável. No vidro pode chegar às 60 ou 80 horas, mas é sobre plástico que mostra mais resistência: até 150 horas.

“A nossa maior surpresa foi que aguentasse horas”, diz o Bhardwaj. “A película nano-métrica proporciona o meio adequado para a sobrevivência do novo coronavírus. Ainda que não a possamos ver, pode durar vários dias”, defende.

A conclusão não podia, pois, ser outra: desinfectar as superfícies que se tocam com frequência, como portas ou dispositivos portáteis, dentro de hospitais e outras áreas propensas a surtos”.

Aquecer os materiais é outra recomendação dos físicos, “porque as altas temperaturas, mesmo por pouco tempo, podem ajudar a evaporar a película nano-métrica e destruir o vírus”.

Diário de Notícias
DN
25 Novembro 2020 — 13:31

 

 

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