291: Chocolate, café, chá e vinho prolongam a vida (mas com uma condição)

 

anjuli_ayer / Flickr

O consumo de chocolate, café, chá e vinho ajuda a prolongar a esperança média de vida, mas desde que sejam ingeridos com um suplemento de zinco. É a conclusão de um novo estudo internacional.

Uma equipa internacional de investigadores liderada por Ivana Ivanovi-Burmazovi, da Universidade de Erlangen-Nuremberga (FAU na sigla original em Inglês), na Alemanha, apurou que o zinco pode activar uma molécula orgânica no chocolate, no café, no chá e no vinho que ajuda a proteger o organismo do stress oxidativo.

O stress oxidativo está directamente associado ao envelhecimento e a algumas doenças graves.

Já o zinco é um mineral ligado a um melhor rendimento físico, bem como à saúde de cabelos, unhas e pele. Com intervenção ao nível do metabolismo celular, o zinco ajuda a regular enzimas fundamentais para o bom funcionamento do sistema digestivo, por exemplo, contribuindo para a perda de peso, e também neutraliza os efeitos dos chamados radicais livres que estão associados a várias doenças.

E quando combinado com chocolate, café, chá e vinho, o zinco “pode proteger contra o super-óxido responsável pelo stress oxidativo”, explica o comunicado da FAU sobre este estudo internacional.

“O zinco activa os grupos hidroquinona” que se encontram nos polifenóis presentes naqueles quatro produtos, ou seja, no composto orgânico que é responsável pelo cheiro e pelo sabor, notam os investigadores.

Assim, produz “uma protecção natural contra o super-óxido, um sub-produto da respiração celular humana que danifica as próprias bio-moléculas do corpo, por exemplo as proteínas ou lípidos, bem como o genoma humano”, acrescentam.

No artigo científico publicado no jornal Nature Chemistry, salienta-se que a hidroquinona isolada não é capaz de “quebrar o super-óxido”. Mas quando combinada com o zinco, cria-se “um complexo de metal” que “imita a enzima super-óxido dismutase (SOD)” que, por seu lado, protege o corpo “dos processos de degradação causados pela oxidação” e que tem “um efeito anti-oxidante”, apontam os autores do estudo.

Deste modo, “o super-óxido pode ser metabolizado e o dano para o organismo prevenido”, evitando-se o stress oxidativo, afirmam.

Esta descoberta pode dar azo ao desenvolvimento de medicamentos baseados em zinco, mas também abre a porta à opção de acrescentar suplementos com este mineral a comida enriquecida com hidroquinona.

“É, certamente, possível que o vinho, o café, o chá ou o chocolate possam estar disponíveis no futuro com zinco adicionado“, frisa Ivana Ivanovi-Burmazovi. No entanto, o excesso de álcool pode “destruir os efeitos positivos dessa combinação”, alerta a investigadora.

SV, ZAP //

Por SV
7 Novembro, 2018

 

289: As pessoas podem morrer por “desistir da vida”

 

deanaia / Flickr

De acordo com um novo estudo, uma pessoa pode morrer simplesmente por desistir da vida. Uma vez que entre num estado no qual ache que a derrota é inescapável, a morte pode mesmo tornar-se real.

Segundo John Leach, investigador da Universidade de Portsmouth, nos EUA, o novo estudo, publicado na Medical Hypotheses, é o primeiro a descrever os marcadores clínicos da “desistência da vida”, condição conhecida cientificamente como morte psicogénica.

De acordo com o estudo, a força de vontade por si só pode não ser suficiente para vencer uma situação difícil, mas faz muita diferença.

Morte psicogénica

A condição segue-se habitualmente a um trauma do qual uma pessoa pensa que não há escapatória, fazendo com que a morte pareça o único resultado racional. Essa morte ocorre geralmente três semanas após o aparecimento do primeiro estágio do processo.

Não é suicídio e não está ligado à depressão. O acto de desistir da vida é uma condição muito real, muitas vezes ligada a traumas graves”, esclarece Leach.

O investigador descreveu os cinco estágios que levam ao declínio psicológico progressivo e sugere que a desistência da vida pode ter origem numa alteração num circuito frontal-subcortical do cérebro, que governa o nosso comportamento por objectivos.

O candidato provável é o cortex cingulado anterior, responsável pela motivação, que parece estar associada a certas memórias que permitem à mente humana reconhecer as situações em que é necessário alterar o comportamento habitual.

“O trauma grave pode desencadear o mau funcionamento do cortex cingulado em algumas pessoas. A motivação é essencial para lidar com a vida e, se isso falhar, a apatia é quase inevitável”, explica.

A morte não é inevitável, e pode ser revertida por factores diferentes em cada estágio. As intervenções mais comuns são a actividade física e/ou a pessoa ser capaz de ver que uma situação está, pelo menos parcialmente, sob o seu controlo. Ambos os factores desencadeiam a libertação de dopamina, substância química conhecida como o neurotransmissor do prazer, no organismo.

“Reverter o declínio da morte psicogénica tende a acontecer quando um sobrevivente encontra ou recupera o sentido de escolha, de ter algum controlo, e tende a ser acompanhado por uma cura das feridas psicológicas e renovação do interesse pela vida”, concluiu Leach.

Os cinco estágios

Segundo o investigador, o processo de morte psicogénica ocorre em cinco estágios que levam ao declínio psicológico progressivo.

1. Retirada social

O primeiro estágio, de retirada social, ocorre geralmente após um trauma psicológico. As pessoas nesta fase podem mostrar falta de emoção e indiferença, ficando “absorvidas” no seu próprio mundo.

Os prisioneiros de guerra têm sido frequentemente descritos neste estado inicial. “Retiram” da vida social, vegetando ou tornando-se passivos.

De acordo com Leach, a retirada social pode ser uma forma de lidar com uma situação má, ou seja, afastar-se de qualquer envolvimento emocional externo para permitir um realinhamento interno da estabilidade emocional. Mas, se não for controlada, pode evoluir para apatia.

2. Apatia

Uma “morte emocional” simbólica, a profunda apatia é comum em prisioneiros de guerra e sobreviventes de naufrágios e acidentes aéreos. É uma melancolia desmoralizadora, diferente da raiva, da tristeza ou da frustração.

Também já foi descrita como a ausência do esforço para se conservar. As pessoas nesta fase ficam muitas vezes “desgrenhadas”, sem instinto de higiene. Funciona como um grave desânimo, onde até mesmo a menor tarefa parece exigir o maior esforço possível.

3. Abulia

Este estágio corresponde a uma grave falta de motivação associada a uma resposta emocional abafada, falta de iniciativa e incapacidade de tomar decisões. É improvável que as pessoas nesta fase conversem. Frequentemente, desistem de se lavar ou comer.

Geralmente, a pessoa perde a sua motivação intrínseca – a capacidade ou o desejo de começar a agir para se ajudar -, mas ainda pode ser motivada por outras pessoas, através de educação persuasiva, raciocínio, antagonismo e até agressão física.

“Uma coisa interessante sobre a abulia é que parece haver uma mente vazia ou uma consciência desprovida de conteúdo. As pessoas que se recuperaram deste estágio descrevem-no como ter a mente papa, ou não ter nenhum pensamento”, diz Leach.

4. Acinesia psíquica

Nesse estágio, a pessoa está consciente, mas em estado de profunda apatia e insensível a dores extremas. Muitas vezes são incontinentes, e deitam-se em cima das suas próprias excreções.

A falta de resposta à dor foi descrita no estudo de um caso em que uma jovem, diagnosticada posteriormente com acinesia psíquica, sofreu queimaduras de segundo grau ao visitar a praia, porque não saiu do sol.

5. Morte psicogénica

O estágio final é a desintegração de uma pessoa. “É quando alguém desiste. Ela pode estar deitada nos seus próprios excrementos e nada – nenhum aviso, espancamento ou súplica – pode fazê-la querer viver”, diz John Leach.

A passagem do estágio quatro, a acinesia psíquica, para o estágio cinco, a morte psicogénica, geralmente leva de três a quatro dias. Pouco antes da morte, há frequentemente um falso “despertar”, um lampejo de vida, como quando alguém de repente decide desfrutar de um cigarro.

“Parece por algum tempo que o estágio de mente vazia passou e foi substituído pelo que poderia ser descrito como um comportamento direccionado a um objectivo. Mas o paradoxo é que o objectivo em si parece ser perder a vida”, conclui Leach.

ZAP // HypeScience / Medical Xpress

Por HS
29 Outubro, 2018

 

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