362: A Salmonella encontrou uma forma de evitar ser lavada das nossas saladas

 

SAÚDE/MICROBIOLOGIA

Marcia Coimbra / Flickr

Algumas estirpes de bactérias Salmonella encontraram uma forma de fugir às defesas das plantas e de se infiltrar nas suas folhas: uma estratégia que é eficaz o suficiente para protegê-las quando estas são lavadas para consumo.

De acordo com o site Science Alert, esta estratégia acontece através dos estômatos, pequenos orifícios nas folhas das plantas que abrem e fecham naturalmente para permitir que estas arrefeçam e respirem.

A equipa de cientistas responsável pelo estudo, publicado na revista científica Frontiers in Microbiology, passou por um processo minuciosamente detalhado para estudar como os estômatos dos espinafres e da alface respondiam aos patógenos da Salmonella, Listeria e Escherichia coli, os quais podem infectar as plantas sem deixar vestígios.

Foi assim que o método de ataque da Salmonella foi descoberto, e isso tem implicações em como a nossa comida pode ser protegida no futuro – tanto no cultivo como no processamento para venda e alimentação.

“A novidade é como as bactérias não hospedeiras estão a evoluir para contornar a resposta imunitária das plantas. São realmente oportunistas. Quando vemos estas interacções incomuns, é aí que começa a ficar complexo”, declarou o biólogo Harsh Bais, da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos.

“Agora, temos um patógeno humano a tentar fazer o que os patógenos vegetais fazem. E isso é assustador“, acrescenta.

A lavagem e até tratamentos químicos não conseguem limpar as bactérias que já chegaram às folhas de uma planta. Quando se trata de agricultura vertical, as infecções podem espalhar-se facilmente pelos sistemas de água e pelo toque humano.

Porém, há esperança – e se entendermos melhor as ameaças, podemos protegê-las melhor. Controles biológicos e rígidos controles de segurança para sistemas de irrigação e limpeza podem ser adaptados para manter os nossos alimentos em segurança, destaca a equipa.

ZAP //

Por ZAP
22 Julho, 2020

 


 

359: Não é só um coração partido. O cérebro também sofre com o fim de uma relação

 

CIÊNCIA/SAÚDE/DEPRESSÃO/NEUROCIÊNCIA

(CC0/PD) 1388843 / Pexels

Ter um “coração partido” depois do término de uma relação é normal. No entanto, uma nova investigação sugere que o cérebro sofre mais do que pensávamos.

Um estudo recentemente publicado na revista NeuroImage: Clinical concluiu que não é apenas o coração que sofre com o fim de uma relação. Ter o “coração partido” dificulta o pensamento, porque o cérebro perde o controlo devido a padrões anormais de comunicação neural e organização funcional reduzida.

Estes indícios cerebrais são sintomas de pacientes com depressão clínica. “Os estudos de neuro-imagem em repouso identificaram a comunicação anormal de todo o cérebro em pacientes com depressão”, referem os autores do estudo. “No entanto, ainda não está claro se os sintomas depressivos em indivíduos sem diagnóstico clínico têm uma base neural confiável.”

Para descobrir se havia também uma base neural no caso de pacientes que passaram por um recente término de relação, os cientistas decidiram analisar o cérebro de 69 indivíduos sem um diagnóstico clínico depressivo que tinham terminado recentemente um relacionamento.

“Investigamos até que ponto a gravidade dos sintomas depressivos numa amostra não clínica foi associada a desequilíbrios na dinâmica cerebral complexa durante o repouso”, explicaram os investigadores, citados pelo Hipertextual.

Os participantes apresentaram diferentes graus de sintomas depressivos, mas nenhum teve um diagnóstico clínico. No entanto, os cientistas concluíram que a gravidade dos sintomas estava directamente relacionada com os défices na capacidade do cérebro de processar informações.

“Os indivíduos mais tristes mostraram reduções acentuadas na integração global, que se refere à capacidade do cérebro de combinar e processar todas as informações. Esta integração permite-nos entender o mundo e desenvolver respostas cognitivas e comportamentais apropriadas às situações em que nos encontramos”, justificaram.

A equipa de cientistas observou ainda que quanto mais graves os sintomas de depressão, menor a diversidade espacial no cérebro. Se a diversidade cerebral diminui, “a natureza hierárquica da conectividade decompõe-se, resultando num estado mais caótico que reduz a eficiência cognitiva.”

Os cientistas advertiram que a amostra desta investigação é muito pequena. Ainda assim, concluíram que “experiências negativas podem ter um efeito prejudicial na competência operacional do cérebro”. “Podem desencadear uma diminuição na saúde mental, mesmo em pessoas sem diagnóstico clínico.”

ZAP //

Por ZAP
29 Junho, 2020


 

356: Cientistas estão a tentar reverter a diabetes com edição de genes

 

CIÊNCIA/SAÚDE

8385 / Pixabay

Naquele que poderá ser um adeus às injecções de insulina, uma equipa de investigadores está a tentar reverter a diabetes através de uma nova técnica de edição de genoma baseada na CRISPR.

Na diabetes tipo 1, o pâncreas deixa completamente de produzir insulina por destruição completa das células que fabricam esta hormona. Por esta razão,  a única maneira de tratar este tipo de diabetes é administrando insulina.

Nos anos 90, testou-se um tratamento revolucionário para curar a doença. Os pacientes receberam transplantes de tecido que continha células produtoras de insulina. A ideia era que compensassem as células defeituosas dos pacientes com diabetes. O transplante funcionou, mas apenas temporariamente.

Embora que esta terapia não tenha tido o sucesso desejado, os cientistas não desistiram da ideia de tentar encontrar uma cura para a diabetes. É neste sentido que uma equipa de investigadores da Universidade de Washington em St. Louis acredita que a CRISPR pode ser a solução para reverter a doença.

O objectivo dos cientistas é corrigir as células estaminais dos pacientes diabéticos através desta tecnologia de edição de genoma. Com esta eventual alteração, as células passariam a produzir a insulina necessária. O estudo foi publicado, em Abril, na revista científica Science Translational Medicine.

Os autores do estudo explicam que a abordagem poderia eventualmente ser usada para tratar a diabetes tipo 1 e tipo 2. “Conseguimos reverter a diabetes em ratos com cerca de uma semana”, disse ao OneZero Jeffrey Millman, coautor do estudo.

Cientistas curaram a diabetes em ratos com células estaminais humanas

Recorrendo a células estaminais humanas, uma equipa de cientistas nos Estados Unidos conseguiu eliminar os efeitos da diabetes em ratos…

Os investigadores usaram células da pele de um paciente com a doença para gerar um tipo de célula estaminal que pode ser transformada em qualquer tipo de célula do corpo. Através do CRISPR, os cientistas corrigiram a mutação no gene que causa a doença. Depois, transformaram as células estaminais corrigidas em células beta pancreáticas e injectaram-nas em ratos. Apenas uma semana depois, os níveis de açúcar no sangue normalizaram e mantiveram-se estáveis nos seis meses que se seguiram.

A aplicação em humanos ainda não é garantida e, por enquanto, os especialistas estudam qual o melhor local do corpo para infundir as células beta corrigidas. Em testes clínicos anteriores, cientistas tentaram infundir as células debaixo da pele, mas os resultados não foram convincentes.

Além disso, os investigadores estimam que seriam necessárias mil milhões de células para tratar apenas um paciente. Este processo de recolha demoraria vários meses ou até mesmo um ano.

É improvável que as células estaminais editadas geneticamente pela CRISPR substituam a insulina tão cedo. No entanto, é de esperar que brevemente alguns testes em humanos comecem a ser feitos nesse sentido.

ZAP //

Por ZAP
11 Maio, 2020

 

337: Alzheimer: cientistas conseguem reverter a demência. Mais próximos de uma cura

 

CIÊNCIA/ALZHEIMER

Cientistas revelaram que, pela primeira vez, conseguiram reverter a demência em testes realizados com roedores. Uma chance de cura para o Alzheimer está cada vez mais próxima.

Cientistas revelaram que, pela primeira vez, conseguiram reverter a demência em testes realizados com roedores. Uma chance de cura para o Alzheimer está cada vez mais próxima.

A revelação saiu no estudo publicado na Science Translational Medicine, onde sugere que o direccionamento da inflamação no cérebro pode deter a demência.

O cientista Barry Hart conseguiu sintetizou uma molécula, chamada IPW, que bloqueia os receptores que dão início à inflamação. Além de aliviar os sintomas, a droga consegue reparar a parte danificada.

“Quando eliminamos esse ‘nevoeiro’ da inflamação, em questão de dias o cérebro senil rejuvenesceu. É um achado que nos deixa muito optimistas porque mostra a plasticidade do cérebro e sua capacidade de recuperação”, disse a doutora Daniela Kaufer, da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

O IPW, bloqueia um gene conhecido como TGF-β que alimenta a inflamação, desencadeando a albumina das proteínas no sangue.

“Agora temos dois biomarcadores que informam exactamente onde a barreira hematoencefálica está vazando, para que você possa seleccionar pacientes para tratamento e tomar decisões sobre quanto tempo administrará a droga”, afirmou Daniela Kaufer.

“Você pode segui-los e, quando a barreira hematoencefálica estiver curada, você não precisará mais da droga.”

“Quando você remove esse nevoeiro inflamatório, em poucos dias, o cérebro envelhecido age como um cérebro jovem. É uma descoberta muito, muito optimista, em termos da capacidade de plasticidade que existe no cérebro. Nós podemos reverter o envelhecimento cerebral”, disse.

Exames chamados de EEGs (electroencefalogramas) revelaram perturbações semelhantes das ondas cerebrais em humanos com Alzheimer, comprometimento cognitivo leve (MCI) e epilepsia.

Isso significa que barreiras com vazamentos e ritmos cerebrais anormais detectáveis por ressonância magnética e EEG, respectivamente, podem acabar sendo usados para sinalizar pessoas com demência – além de indicar uma óptima oportunidade de intervenção usando uma droga para retardar ou até reverter a doença.

Quando eles deram o medicamento aos ratos, em doses que diminuíram a actividade do gene, seus cérebros ficaram mais jovens. Houve menos inflamação e as ondas cerebrais melhoraram, bem como redução da susceptibilidade convulsiva.

Os ratos também navegaram em um labirinto e aprenderam tarefas espaciais da mesma forma que um rato mais jovem.

Em uma análise do tecido cerebral de humanos, o professor Kaufer encontrou evidências de albumina em cérebros envelhecidos e aumentou a neuro-inflamação e a produção de TGF-β.

O professor Friedman, da Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel, também desenvolveu uma técnica de varredura chamada DCE (Dynamic Contraste Enhanced) – um tipo especial de ressonância magnética. Isso detectou mais vazamentos na barreira hematoencefálica de pessoas com maior declínio cognitivo.

No total, essas evidências apontam para uma disfunção no sistema de filtragem de sangue do cérebro como um dos primeiros factores desencadeantes do envelhecimento neurológico, disse Kaufer.

Sua equipe agora abriu uma empresa para desenvolver um medicamento oficial que cure a barreira hematoencefálica para tratamento clínico e pode, eventualmente, terminar por ajudar os idosos com demência ou doença de Alzheimer que demonstraram vazamento da barreira hematoencefálica.

Uma excelente notícia para a medicina mundial, né?

Com informações do GNN

A Soma de Todos os Afetos
9 de Dezembro de 2019
Fabíola Simões

 

327: Cientistas podem ter encontrado a causa da doença das vacas loucas

 

CIÊNCIA/SAÚDE

Dirk Ingo Franke / Wikimedia

Um grupo de cientistas acredita ter encontrado a possível origem da doença das vacas loucas. Os investigadores sublinham a necessidade de manter medidas de precaução para evitar um possível ressurgimento da doença.

Foram várias as hipóteses apresentadas para explicar a causa da Encefalopatia Espongiforme Transmissível dos Bovinos (EEB), a doença neuro-degenerativa comummente conhecida como “doença das vacas loucas“, que apareceu pela primeira vez na década de 1980, no Reino Unido. No entanto, até agora, numa das hipóteses foi validada.

Esta doença pertence a uma família de doenças que envolvem proteínas que se dobram, conhecidas como priões (um agente infeccioso que, ao contrário de todos os outros conhecidos, parece ser constituído exclusivamente por proteína). Tratam-se de doenças neuro-degenerativas que afectam várias espécies, incluindo o ser humano.

Os priões estão presentes em doenças como o tremor epizoótico, que afecta ovelhas, ou na doença de doença de Creutzfeldt-Jakob, que afecta o ser humano.

Nesta investigação, cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa Agronómica, em França, injectaram uma variante de tremor epizoótico em ratos de laboratório que passaram a produzir o prião de origem bovina. Esta experiência permitiu aos investigadores provar que a doença tem a capacidade de “saltar” de uma espécie para outra. Além disso, segundo o artigo científico publicado na PNAS, os roedores transgénicos desenvolveram a doença das vacas loucas.

Os ratos geneticamente modificados são “um exemplo muito bom para saber o que aconteceria caso as vacas estivessem expostas a este tipo de priões”, explicou à AFP o líder da investigação, Olivier Andreoletti. Estes resultados são explicados pela “presença de quantidades clássicas de doença das vacas loucas” que, por sua vez, estão presentes nos priões injectados.

Segundo o Phys.org, a EEB expandiu-se por toda a “Europa, América do Norte e em muitos outros países”, num processo auxiliado pelo consumo de alimentos, incluindo cereais e carcaças de animais afectados com a doença. O contacto com produtos do gado infectado fez com que o Homem contraísse a doença, uma variante de Creutzfeldt-Jakob.

A partir da década de 1990, a Europa introduziu uma série de medidas para combater a propagação da doença, incluindo a proibição de farinhas de origem animal e a destruição dos tecidos com maior risco de contágio. “Estas medidas ainda estão em vigor – mas são muito caras”, aponta Andreoletti, defendendo a necessidade de manter medidas de precaução para evitar um possível ressurgimento da doença.

ZAP //

Por ZAP
23 Dezembro, 2019

 

305: Ressuscitada a bactéria da cólera que matou um soldado da I Guerra Mundial

 

State Library of South Australia / Flickr

As bactérias que provocaram um quadro grave de diarreia num soldado do Império Britânico na I Guerra Mundial acabam de voltar à vida.

Um grupo de cientistas britânicos ressuscitou-as e cultivou-as. O sequenciamento do seu genoma mostra que as bactérias que fizeram o militar ficar doente é diferente daquelas que causaram as últimas pandemias de cólera. Já tinha resistência aos antibióticos e sofreu uma mutação em todo este tempo em que esteve guardada.

O soldado, de quem não há registos do nome e posição, adoeceu em 1916, estando na frente oriental. Durante a convalescença num hospital militar em Alexandria, no Egipto, recolheram amostras das suas fezes, isolando as bactérias da espécie Vibrio cholerae, a causa da cólera.

Preservadas liofilizadas – desidratados por congelamento -, desde 1920, fazem parte da Colecção Nacional de Culturas de Tipo, um repositório público britânico com 5.100 variedades de bactérias. Esta é uma das mais antigas do género Vibrio.

Agora, conta o El País, microbiólogos do Instituto Wellcome Sanger e da saúde pública britânica recuperaram, descongelaram e cultivaram uma parte das amostras. Os investigadores analisaram, sequenciaram o seu genoma e compararam-no com o de outras 200 linhagens, uma comparação que provocou mais de uma surpresa.

Os resultados, publicados na revista Proceedings of the Royal Society B, mostram que esta antiga cepa, ainda um V. cholerae, está muito longe das duas variedades (sorotipos) que causaram todas as pandemias de cólera desde 1800, incluindo a sexta pandemia, que durante o I Guerra Mundial matou dezenas de milhares de soldados, especialmente as potências centrais.

Embora não possua os genes que codificam a toxina da cólera, possui elementos patogénico isolados, o que poderia ter causado o processo diarreico do soldado.

“Mesmo que esta amostra não cause um surto, é importante estudar tanto aqueles que causam doenças como aqueles que não o fazem”, disse o microbiólogo molecular Nicholas Thomson. “Portanto, esta amostra isolada do meio ambiente representa uma parte importante da história da cólera, uma doença que permanece tão importante hoje como nos séculos anteriores”, acrescenta.

Os autores acreditam que é a amostra viva da bactéria mais antiga da qual há evidências. Chamado NCTC 30, por ocupar essa posição na ordem do arquivo, é a única tirada dos 2.500 soldados britânicos que ficaram doentes com cólera durante toda a guerra, um número menor do que aqueles que afectaram os soldados austríacos, alemães e otomanos.

Além disso, o NCTC 30 é uma raridade. Desenvolve-se sem o flagelo bacteriano característico, um único apêndice que dá a sua motilidade às bactérias. De facto, quando vistas sob o microscópio, as bactérias não se movem.

“Descobrimos uma mutação num gene que é crítico para o desenvolvimento do flagelo, o que poderia explicá-lo”, referiu o investigador Matthew Dorman. As bactérias do soldado tinham o flagelo, por isso deve ter-se perdido desde então.

O NCTC 30 ainda tem uma última surpresa. Obtida em 1916, entre os seus genes existem alguns que codificam para defender-se contra a ampicilina, um antibiótico. Mais de uma década antes de Alexander Fleming encontrar a penicilina, a cepa já tinha desenvolvido resistência aos antibióticos. Esse achado confirma que as bactérias levam a vida inteira defendendo-se de outros microrganismos.

ZAP //

Por ZAP
14 Abril, 2019

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