599: Época das alergias cada vez mais prolongada e intensa devido às alterações climáticas

 

 

SAÚDE/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/ALERGIAS

(CC0) Capri23auto / Pixabay

As alergias sazonais são cada vez mais prolongadas e intensas devido às alterações climáticas, revela um estudo da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, divulgado esta segunda-feira.

Os investigadores concluíram que a época de maior concentração de pólen dura actualmente mais 20 dias e tem 21% mais pólen do que em relação a 1990.

Liderados por William Anderegg, da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Utah, os investigadores descobriram que as alterações climáticas causadas pela actividade humana desempenharam um papel significativo no prolongamento da ‘estação do pólen’ e que também têm um efeito no aumento da quantidade de pólen.

“A forte ligação entre o tempo mais quente e as estações do pólen fornece um exemplo cristalino de como as alterações climáticas já estão a afectar a saúde das pessoas em todos os Estados Unidos”, disse William Anderegg a propósito da investigação, publicada esta segunda-feira na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, a publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

A equipa compilou dados medidos entre 1990 e 2018, a partir de 60 estações de medição do pólen nos Estados Unidos e no Canadá. E através desses números concluiu que houve um aumento da quantidade de pólen e que este começa a ser produzido 20 dias mais cedo do que em 1990, o que indica que o aquecimento global está a alterar o calendário interno das plantas (fenologia).

E ao dividir os anos do estudo em dois períodos, 1990-2003 e 2003-2018, os investigadores descobriram ainda que a contribuição das alterações climáticas para o aumento da quantidade de pólen esta a acelerar.

As alergias ao pólen transportado pelo ar podem provocar desde um simples incómodo a infecções nas vias respiratórias.

ZAP ZAP // Lusa

Por ZAP
10 Fevereiro, 2021

 

 

 

594: Bactérias foram apanhadas a mudar de forma para evitar antibióticos

 

 

SAÚDE/BIOFÍSICA

(dr) Shiladitya Banerjee
A forma da bactéria Caulobacter crescentus antes (acima) e depois (abaixo) da exposição ao antibiótico

Cientistas notaram que as bactérias têm uma estratégia extremamente simples (e preocupante) para evitar os antibióticos no corpo humano: mudar de forma.

De acordo com o site Science Alert, em 2019, um grupo de cientistas já tinha chegado a uma conclusão semelhante, notando que as bactérias estavam a perder toda a sua parede celular para se contorcer e escapar aos medicamentos.

Nesta pesquisa mais recente, investigadores da Universidade Carnegie Mellon, da Universidade College London e da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos e em Inglaterra, descobriram que a parede celular permaneceu intacta, mas se esticou dramaticamente para formar uma nova forma de C.

Mas como é que chegaram a esta conclusão? Os investigadores pegaram na bactéria Caulobacter crescentus, geralmente encontrada em lagos de água doce e em riachos, e adicionaram-lhe uma pequena quantidade do antibiótico cloranfenicol para ver a sua reacção.

A quantidade de antibiótico não foi suficiente para matar a maioria das bactérias, mas fez diminuir a sua taxa de crescimento. Porém, após cerca de dez gerações de baixa exposição a antibióticos, a C. crescentus começou a mudar fisicamente: expandindo-se e curvando-se em forma de C. E isto foi suficiente para que a taxa de crescimento bacteriano aumentasse para níveis quase pré-cloranfenicol.

“Demonstrámos que as mudanças na forma das células agem como uma estratégia de feedback para tornar as bactérias mais adaptáveis aos antibióticos. Estas mudanças de forma permitem-lhes superar o stress dos antibióticos e retomar um rápido crescimento”, disse Shiladitya Banerjee, biofísico da Universidade Carnegie Mellon e o autor principal do estudo publicado, a 4 de Janeiro, na revista científica Nature Physics.

Quando o antibiótico foi removido, a bactéria regressou à sua forma original depois de várias gerações. A equipa acredita que o aumento da largura da célula (e, portanto, do seu volume) ajuda a diluir a quantidade de antibióticos dentro da bactéria, enquanto a curva e a largura da célula podem diminuir a relação entre superfície e volume, permitindo que uma menor quantidade de antibiótico atravesse a superfície da célula.

ZAP ZAP //

Por ZAP
5 Fevereiro, 2021

 

 

 

591: Variante britânica sofreu mais uma mutação. Cientistas mostram-se preocupados

 

 

SAÚDE/COVID-19/VARIANTES

A variante britânica do novo coronavírus está a espalhar-se no Reino Unido e não só. Esta poderá ser responsável por 50% das infecções na zona de Lisboa e Vale do Tejo em Portugal e, de acordo com cientistas, aparenta estar a sofrer uma nova mutação.

Vários testes em algumas amostras mostram a mutação – a que foi dado o nome de E484K – já detectada na estirpe da África do Sul e do Brasil. Para já, os especialistas britânicos encontraram apenas alguns casos, cerca de uma dezena.

Os investigadores, que se mostram preocupados com as novas mutações, sugerem que estas alterações podem afectar a eficácia da vacina. Contudo, acreditam que as vacinas que estão a ser usadas actualmente devem funcionar.

No Reino Unido as medidas de controlo já foram apertadas para evitar a transmissão da nova variante e de outras, como a sul-africana, que levou a uma campanha massiva de testagem em alguns bairros de Londres e outras zonas de Inglaterra. Foram ainda introduzidas restrições à entrada no país, medidas que afectam também quem as ligações entre Portugal e o Reino Unido.

Em 214 159 amostras analisadas, os especialistas da Public Health England (instituto de saúde inglês) encontraram 11 casos da variante britânica com a mutação E484K.

Embora estejam preocupados, os cientistas não ficam surpreendidos com estes resultados, uma vez que todos os vírus sofrem mutações.

Porém, é “um desenvolvimento preocupante, embora não totalmente inesperado”, refere Julian Tang, especialista em vírus da Universidade de Leicester, em declarações à BBC.

A epidemiologista defende que é necessário que continuem a ser observadas as medidas sanitárias para travar a disseminação do vírus, de modo a reduzir as mutações.

Tang instou a população a respeitar as restrições vigentes para travar a pandemia, uma vez que “os vírus não apenas se propagam, como também evoluem” para se adaptarem ao meio envolvente.

“Caso contrário, o vírus não só pode continuar a espalhar-se, como também pode evoluir”, alerta Tang.

Segundo a BBC, alguns estudos sugerem que a mutação E484K pode ajudar o vírus a escapar da acção dos anticorpos. A Moderna é uma das farmacêuticas que indicou, no entanto, que os resultados da sua vacina indicam que o fármaco ainda é eficaz contra as variantes com esta mutação.

De acordo com a agência de notícias espanhola (Efe), o académico junta-se a outros especialistas que alertam que a propagação desta mutação dentro da variante detectada no Reino Unido pode ter um efeito negativo sobre a eficácia das vacinas, como acontece com as variantes detectadas no Brasil e na África do Sul, ainda que as actuais vacinas consigam oferecer um certo nível de protecção.

Caso seja necessário, as farmacêuticas podem reajustar o processo de desenvolvimento das vacinas, tendo em conta esta nova realidade.

Várias localidades inglesas começam hoje a fazer análises ao domicílio para detectar e isolar casos positivos da variante com origem na África do Sul, face aos indícios que se está a estender entre a população do Reino Unido.

O governo conservador britânico confirmou na segunda-feira esta iniciativa, depois de se terem detectado em diferentes pontos do país os primeiros casos dessa variante que não estão relacionados directamente com viagens à África do Sul ou a outros casos positivos conhecidos.

Ana Moura Ana Moura, ZAP // Lusa

Por Ana Moura
2 Fevereiro, 2021

 

 

 

582: O corpo humano produz 3,8 milhões de células por segundo

 

 

SAÚDE/BIOLOGIA

qimono / Pixabay / Wikimedia

Um novo estudo mostra que o nosso corpo produz cerca de 330 mil milhões de células por dia. Este ritmo significa que mais de 3,8 milhões de novas células são produzidas a cada segundo.

Numa escala celular, o corpo humano está em constante estado de actividade para nos manter vivos. Entre esses processos está a renovação de células, no qual as células mortas são substituídas por novas. Agora, um novo cálculo revela o quão intenso é este processo.

Segundo o site Science Alert, os biólogos Ron Sender e Ron Milo, do Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, basearam os seus cálculos numa pessoa de referência padrão: um homem saudável, com uma idade entre os 20 e os 30 anos, que pesa 70 quilos e mede 1,70 metros.

De seguida, para a sua estimativa das taxas de renovação celular, os cientistas incluíram todos os tipos de células que constituem mais de 0,1% da população total de células.

A expectativa de vida das células foi recolhida a partir de uma pesquisa bibliográfica, usando apenas os trabalhos que fizeram medições directas da expectativa de vida de células humanas. Depois, os investigadores derivaram a massa celular total para cada tipo, com base na massa celular média.

Com base nestas informações, Sender e Milo chegaram à conclusão que este homem padrão teria uma taxa de renovação celular de cerca de 80 gramas por dia, ou seja, 330 mil milhões de células.

Deste volume, 86% seriam células sanguíneas, principalmente glóbulos vermelhos (o tipo de célula mais abundante no corpo humano) e neutrófilos (o tipo mais abundante de glóbulos brancos). Outros 12% seriam células epiteliais gastro-intestinais, com pequenas quantidades de células relativas à pele (1,1%), células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos e células pulmonares (0,1% cada).

Embora as células sanguíneas constituam a maior parte da renovação celular em termos de quantidade de células individuais, relativamente à massa que representam, a história é outra, revela o mesmo site.

Apenas 48,6% da massa são células sanguíneas, de todos os tipos. As células gastro-intestinais constituem outros 41%. As células da pele perfazem 4%, enquanto as células adiposas (relativas à gordura), que mal se registam no número de células, perfazem outros 4%.

É importante destacar que estes números provavelmente variam de pessoa para pessoa, dependendo de factores como a idade, a saúde, o tamanho e o sexo. Porém, esta investigação, cujo estudo foi publicado a 11 de Janeiro na revista científica Nature Medicine, fornece uma linha de base a partir da qual é possível entender melhor como funciona a renovação celular.

ZAP //

Por ZAP
28 Janeiro, 2021

 

 

 

573: Cientistas descobrem anticorpo que bloqueia o vírus da dengue

 

 

SAÚDE/DENGUE

Sanofi Pasteur / Flickr
Infecção viral com dengue: quando um mosquito morde uma pessoa à procura da sua refeição diária de sangue, liberta saliva que contém o vírus da dengue que entra então na corrente sanguínea do atingido.

Uma equipa de investigadores descobriu um anticorpo que bloqueia a propagação do vírus da dengue dentro do corpo. Pode ainda permitir novos tratamentos para outros flavivírus, como o Zika e o Nilo Ocidental.

A infecção é provocada por um flavivírus e transmite-se através da picada dos mosquitos Aedes Aegypti, infectados com o vírus, não ocorrendo transmissão de pessoa para pessoa.

Não existe um tratamento específico nem uma vacina para esta doença. Entre 50 e 100 milhões de pessoas são infectadas por ano, com os sintomas a variarem entre febre, vómitos e dores musculares. Nos piores casos, pode mesmo levar à morte.

Como há quatro estirpes do vírus, a construção de anticorpos contra uma das estirpes pode deixar as pessoas mais vulneráveis à infecção por outra estirpe.

O anticorpo descoberto pela equipa de investigadores, chamado 2B7, bloqueia fisicamente a proteína NS1 – usada pelo vírus da dengue para se agarrar às células protectoras à volta dos órgãos -, impedindo-a de se ligar às células e retardando a propagação do vírus.

Além disso, como ataca directamente a proteína, é eficaz contra todas as quatro estirpes do vírus, realçam os autores num comunicado citado pela EurekAlert.

O anticorpo mostrou ser eficaz em ratos, evitando a propagação da dengue. Os resultados do estudo foram publicados este mês na revista Science. O artigo sugere que esse mesmo anticorpo pode oferecer novos tratamentos para outros flavivírus, como por exemplo o Zika e o Nilo Ocidental.

Por Daniel Costa
19 Janeiro, 2021

 

 

 

569: Revelado como é que o SARS-CoV-2 pode ter passado de morcegos para humanos

 

 

SAÚDE/CORONAVÍRUS

Uma equipa de cientistas da Universidade de Cambridge e do Instituto Pirbright encontrou alterações genéticas significativas no novo coronavírus, o SARS-CoV-2, que podem ser responsáveis pela transição do vírus de morcegos para seres humanos.

Os investigadores descobriram que as adaptações genéticas eram semelhantes às que levaram à epidemia de SARS em 2002 e 2003. Os resultados do estudo foram publicados, em Dezembro, na revista científica PLOS Biology.

“Este estudo usou uma plataforma não infecciosa e segura para investigar como é que as alterações do peplómero afectam a entrada do vírus nas células de diferentes animais selvagens, de gado e de estimação, algo que precisaremos de continuar a monitorizar de perto à medida que outras variantes de SARS-CoV-2 surgem no próximos meses”, explicou o co-autor Stephen Graham, citado pelo Tech Explorist.

A descoberta sugere a existência de um mecanismo comum pelo qual esta família de vírus sofre a mutação e acaba por passar de animais para humanos.

Os cientistas ainda não sabem a identidade do hospedeiro intermediário do novo coronavírus, apesar de o morcego ser um dos principais suspeitos. Isto porque há a sequência de um coronavírus de morcego chamado RaTG13, que é 96% semelhante ao SARS-CoV-2.

Como tal, os autores deste novo estudo compararam os dois vírus, trocaram partes do peplómero dos mesmos e analisaram o quanto é que essa proteína se ligaria ao receptor humano ACE2. Os investigadores acabaram por verificar que as proteínas do vírus RaTG13 com regiões do SARS-CoV-2 ligaram-se de forma mais eficiente ao ACE2.

“Como vimos com os surtos em quintas de martas dinamarquesas no ano passado, é essencial entender quais animais podem ser infectados pelo SARS-CoV-2 e como é que as mutações no peplómero viral mudam a sua capacidade de infectar diferentes espécies”, disse Graham num comunicado divulgado pela Universidade de Cambridge.

Por Daniel Costa
15 Janeiro, 2021