477: Cientistas descobrem anticorpo poderoso que combate o vírus

 

SAÚDE/COVID-19/ANTICORPOS

Designado CV30, este anticorpo em forma de Y é 530 vezes mais potente no combate à covid-19 do que os até agora identificados. Cientistas já conseguiram mapear a sua estrutura molecular.

© Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

Cientistas do Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle, nos EUA, descobriram que um potente anticorpo, encontrado no sangue de um recuperado de covid-19, interfere numa característica importante na superfície dos espinhos do novo coronavírus induzindo partes críticas desses espinhos a quebrarem-se e impedindo a infecção.

O anticorpo – uma minúscula proteína em forma de Y que é uma das principais armas do corpo contra patógenos, incluindo vírus – foi isolado pela equipa do Fred Hutch a partir de uma amostra de sangue recebida de um doente do estado de Washington que ficou infectado logo nos primeiros dias da pandemia.

A equipa liderada por Leo Stamatatos, Andrew McGuire e Marie Pancera, reportou que, entre dezenas de diferentes anticorpos gerados naturalmente pelo doente, este – apelidado de CV30 – era 530 vezes mais potente do que qualquer um dos seus concorrentes.

Com recurso a ferramentas utilizadas na área da física de alta energia, os investigadores já conseguiram mapear a estrutura molecular do CV30. Os resultados da investigação foram publicados na terça-feira na revista Nature Communications.

Proteína encontrada usa dois mecanismos para neutralizar o vírus

Os resultados da investigação estão num conjunto de imagens 3D geradas por computador que mostram as formas precisas das proteínas que compreendem as estruturas superficiais críticas dos anticorpos, o pico do coronavírus e o local de ligação do pico nas células humanas. Os modelos mostram como essas estruturas podem encaixar-se como peças de um quebra-cabeça 3D.

“O nosso estudo mostra que esse anticorpo neutraliza o vírus através de dois mecanismos: sobrepõe-se ao alvo do vírus nas células humanas, e induz a libertação ou dissociação de parte do pico [do coronavírus]”, explicou uma das cientistas, Marie Pancera.

O trabalho da equipa do Fred Hutch com o CV30 baseia-se na de outros biólogos estruturais que estão a estudar uma família crescente de anticorpos neutralizantes potentes contra o novo coronavírus.

O objectivo da maioria das potenciais vacinas contra a covid-19 é estimular e treinar o sistema imunológico para produzir anticorpos neutralizantes semelhantes, que podem reconhecer o vírus como um invasor e interromper a infecção antes que esta se instale no organismo.

Diário de Notícias
DN
29 Outubro 2020 — 08:37

 

 

471: Cientistas revertem a doença de Parkinson em ratos

 

 

CIÊNCIA/SAÚDE/PARKISON

GerryShaw / Wikimedia

Uma equipa de cientistas conseguiu reverter totalmente a doença de Parkinson em ratos. Os animais deixaram de apresentar sintomas e recuperaram neurónios.

A doença de Parkinson resulta da redução dos níveis de uma substância que funciona como um mensageiro químico cerebral nos centros que comandam os movimentos. Essa substância é a dopamina. Quando os seus níveis se reduzem, dá-se a morte das células cerebrais que a produzem.

Os actuais tratamentos contra a doença apenas aliviam temporariamente os sintomas, uma vez que não conseguem evitar a perda de neurónios. Um estudo publicado na revista científica Nature demonstra que é possível reverter a perda de neurónios ao converter astrócitos em neurónios.

Os astrócitos são um dos tipos de células mais numerosos do cérebro e são importantíssimos na comunicação entre várias regiões do cérebro que são relevantes para a cognição.

Os investigadores chegaram a esta conclusão após injectarem em ratos um vírus que suprime a produção de uma proteína chamada PTB, que bloqueia a produção de proteínas neuronais pelos astrócitos. De acordo com o site Massive Science, com níveis mais baixos de PTB, os astrócitos podiam produzir proteínas neuronais e tornar-se cada vez mais semelhantes aos neurónios.

Não só os investigadores verificaram uma restauração dos níveis de dopamina como também uma correcção total dos sintomas em ratos.

Estima-se que cerca de 20 mil portugueses sofram desta doença. À escala mundial, estima-se que existam 7 a 10 milhões de indivíduos com Parkinson. A sua prevalência aumenta com a idade, sendo rara antes dos 50 anos, e é mais comum nos homens do que nas mulheres. Contudo, em 5% dos casos, surge antes dos 40 anos.

Esta descoberta pode ser um passo importante para curar totalmente a doença de Parkinson em humanos, embora os cientistas ainda estejam um pouco longe disso.

ZAP //

Por ZAP
22 Outubro, 2020

 

 

425: Qual é a maneira mais provável de apanhar covid-19? A Ciência oferece resposta

 

 

CIÊNCIA/SAÚDE/COVID-19

olgierd-cc / Flickr

Transmissão por contacto com superfícies ou transmissão via aérea através de partículas? Cientistas sugerem qual é a forma mais provável de ser infectado com o novo coronavírus.

Em Março, ainda nos estágios iniciais da pandemia de covid-19, o médico norte-americano Jeffrey VanWingen divulgou um vídeo no YouTube, no qual aconselhava as pessoas deixar as compras de supermercado ao ar livre durante três dias, borrifar desinfectante em cada produto e mergulhar frutas em água com sabão. O objectivo de todo este processo era desinfectar os produtos que potencialmente poderiam carregar o novo coronavírus.

Agora que temos mais conhecimento sobre a doença, sabemos que alguma das dicas de VanWingen são desnecessárias e até mesmo perigosas. De momento, os cientistas dizem que o maior risco de infecção vem da inalação do que outra pessoa infectada está a exalar. Usar uma máscara parece a solução mais prática e segura.

A teoria de que o novo coronavírus se podia espalhar ao entrar em contacto com objectos que carregam o vírus não é descabida. Afinal de contas, é assim que cientistas e epidemiologistas acreditam que a maioria das doenças respiratórias se espalha, escreve o portal Elemental. É por isso que devemos lavar as mãos antes de comer ou preparar comida, por exemplo.

Novos estudos sugeriram que o Sars-COV-2 sobrevivia 24 horas em cartão e 72 horas em plástico. Como tal, recomendou-se a lavagem e higienização das mãos como a primeira linha de defesa.

O professor de microbiologia e bioquímica da Universidade Rutgers, Emanuel Goldman, diz que as recomendações foram feitas com base nas experiências erradas.

“Eles começaram com uma quantidade enorme e totalmente irreal de vírus no início da experiência, e então, com certeza, encontraram o vírus no final. Mas eles começaram com muito mais do que você jamais encontraria na vida real”, explica Goldman.

“Você teria que ter 100 pessoas a tossir e espirrar numa pequena área da superfície para obter a quantidade de vírus que foi usada nos estudos que relataram a sobrevivência do vírus nas superfícies”, acrescenta.

Um outro estudo sugere que o vírus vai morrendo aos poucos, em que a cada seis horas, 50% do vírus enfraquece e torna-se inactivo ou não infeccioso.

Em maio, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças adiantou que a infecção através do contacto com superfícies não era significativo. Em contrapartida, o contacto com partículas de mucosa e saliva no ar era a principal causa.

Quando expelimos ar, seja a respirar, tossir ou até a respirar, pequenos pedaços de saliva são expelidos. Enquanto as partículas mais pesadas caem rapidamente ao chão, as mais leves ficam no ar durante mais tempo. Estar em contacto próximo com alguém aumenta o risco de ficar exposto às pequenas partículas que estão a ser expelidas.

Muitos cientistas pensam que é assim que a maioria das pessoas é infectada com o coronavírus.

“Não é que [a disseminação através da superfície] não possa acontecer, é apenas que a probabilidade é menor do que se alguém estivesse realmente à sua frente, a respirar o vírus vivo nas gotículas em você”, diz Nahid Bhadelia, médica de doenças infecciosas e professora da Escola de Medicina da Universidade de Boston. “Este é um inoculo muito maior, é muito mais provável que haja muito mais vírus vivo nele, por isso é um risco maior”.

ZAP //

Por ZAP
27 Setembro, 2020

 

 

422: Duas mutações genéticas associadas a maior risco de mortalidade por covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/MUTAÇÕES

Populações europeias têm maior prevalência das mutações. Cientistas que fizeram a descoberta defendem rastreios generalizados e protecção dos portadores.

Cientistas propõem rastreios às populações
© CHANDAN KHANNA / AFP

Duas mutações genéticas responsáveis pela baixa produção, e consequente deficiência, de uma proteína chamada Alfa 1 antitripsina (AAT ou A1AT), que tem uma acção protectora dos pulmões e do fígado em processos inflamatórios, poderão estar associadas a um maior risco de doença severa e mortalidade por covid-19.

O alerta é de um grupo de investigadores israelitas, da Universidade de Telavive, liderado por David Gurwitz, Noam Shomron e Guy Shapira, que acaba de publicar os resultados da sua investigação na revista científica FASEB Journal, da Federação das Sociedades Americanas de Biologia Experimental.

“A nossa análise revela uma correlação forte entre estas mutações e doença grave e maior mortalidade por covid-19”, afirmam os investigadores citados num comunicado da sua universidade.

A confirmar-se em definitivo essa relação de causa-efeito, mediante a realização de estudos clínicos, os investigadores da Universidade de Telavive acreditam que isso abre a porta a uma nova estratégia contra a pandemia: a que passa pela testagem generalizada das populações para as mutações em causa e a protecção em especial das pessoas identificadas como estando em risco, por serem portadoras das mutações.

Estudo abrangeu quase 70 países

A equipa recolheu os dados de 67 países para a prevalência das duas mutações genéticas, designadas PiZ e PiS, que ocorrem no gene SERPINA 1, que codifica a proteína AAT. E depois comparou essa informação com os dados da mortalidade pelo coronavírus nos mesmos 67 países, descobrindo que, mesmo ponderadas as diferenças nas medidas sanitárias tomadas e outros factores como a idade, existe uma forte correlação entre a maior prevalência das duas mutações e uma mortalidade acrescida por covid-19.

Isso é muito claro, por exemplo, para os Estados Unidos, o Reino Unido, a Bélgica, a Espanha ou Itália, entre outros, como sublinham os autores.

Ao invés, a equipa verificou igualmente que em muitos países de África ou do sudoeste asiático, onde a prevalência daquelas duas mutações é muito baixa, as taxas de mortalidade por covid-19 têm sido igualmente mais baixas – pelo menos até à data.

Testar a população e proteger quem precisa

Outros estudos, nomeadamente em Itália, já tinham mostrado que a deficiência na proteína AAT estava associada a casos mais graves e a uma maior taxa de mortalidade por covid-19. Por isso, os investigadores da Universidade de Telavive decidiram seguir aquela pista.

Os dados que recolheram mostram uma tendência clara. Por exemplo, na Bélgica, onde 17 em cada mil pessoas têm a mutação PiZ (a mais frequente das duas avaliadas no estudo), a mortalidade é de 860 por milhão de habitantes. E em Espanha, onde há as mesmas 17 pessoas em cada mil com a mesma mutação, os números da mortalidade por covid-19 não andam longe: 640 por milhão de habitantes.

A tendência repete-se nos diferentes países. Nos Estados Unidos, onde 15 em cada mil habitantes são portadores da mutação, a mortalidade devida ao coronavírus é de 590 por milhão; no Reino Unido a taxa da mutação é de 14 em cada mil, e a mortalidade por covid-19 é de 617 por milhão. E por aí fora. Na Itália os números são respectivamente 13 e 620, e na Suécia 13 e 570.

Portugal, também avaliado no estudo, e com uma prevalência daquela mutação idêntica à de Espanha, tem no entanto um número de mortos por milhão inferior (190), situação que não é especificamente abordada pelo estudo.

A explicação pode estar relacionada com outros factores, como o da disparidade das medidas tomadas pelos países, que é referida de forma geral pelos investigadores. No caso de Portugal, as medidas tomadas logo no início da pandemia, com o confinamento rápido e generalizado, poderão ter sido o elemento-chave para evitar um número maior de contágios e, consequentemente, de uma mortalidade mais pesada ao momento.

A corroborar o padrão, os resultados do estudo mostram que em países como o Japão, onde a mortalidade não excede 12 por milhão, a prevalência daquelas mutações é considerada negligenciável – e o mesmo para outros países, como a Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia, Vietname ou a própria China.

Face a estes resultados, os autores propõem que sejam agora realizados estudos aprofundados sobre a questão e que, a ser confirmada esta relação se avance para medidas concretas.

“Apelamos à comunidade científica para que teste a nossa hipótese, estudando os dados clínicos, e aos decisores políticos de cada país para que ponham em marcha rastreios populacionais para identificar as pessoas portadoras das mutações”, escrevem os investigadores.

“Essas pessoas devem ser prioritárias para a administração de vacinas contra a covid-19 quando elas estiverem aprovadas e, até lá, devem ser informadas de que são de alto risco e aconselhadas a manter-se em isolamento social”, concluem os investigadores.

Diário de Notícias
Filomena Naves
26 Setembro 2020 — 16:31

 

 

413: Nanocorpo de alpaca é capaz de bloquear infecção por covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19

(CC0/PD) NickyPe / Pixabay

Cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, identificaram um pequeno anticorpo neutralizante – nanocorpo – que consegue bloquear a entrada do Sars-CoV-2 nas células humanas.

Uma equipa de investigadores suecos, do Instituto Karolinska, descobriu que um nanocorpo consegue bloquear a entrada do novo coronavírus  nas células humanas. O novo artigo científico foi publicado na Nature Communications no início de Setembro.

Os nanocorpos são restos de anticorpos presentes na família de animais dos camelídeos (como alpacas ou lamas) e podem ser adaptados e usados nos seres humanos. Esta equipa de cientistas decidiu então injectar a proteína spike, usada pelo novo coronavírus para invadir as células saudáveis , numa alpaca.

Depois de 60 dias, as amostras de sangue recolhidas do animal revelaram uma forte reacção imunológica. “Esperamos que as nossas descobertas possam contribuir para a melhoria da pandemia de covid-19, encorajando um exame mais aprofundado deste nanocorpo como um candidato terapêutico contra a infecção viral”, disse Gerald McInerney, em comunicado.

De acordo com o Raw Story, dos nanocorpos, o Ty1 – baptizado em homenagem à alpaca Tyson -, foi o que revelou uma maior capacidade de neutralizar o SARS-CoV-2.

Os cientistas explicaram que o Ty1 associa-se à parte da proteína spike que se conecta ao receptor celular ACE2, usado pelo novo coronavírus para infectar as células. Desta forma, como o espaço passa a estar “ocupado” pelo nonocorpo, o patógeno não consegue entrar na célula e infectá-la.

“Os nossos resultados mostram que o Ty1 se pode ligar potentemente à proteína spike do SARS-CoV-2 e neutralizar o vírus, sem actividade fora do alvo detectável. Estamos agora a embarcar em estudos pré-clínicos em animais para investigar a actividade neutralizante e o potencial terapêutico de Ty1 in vivo“, adiantou o cientista Ben Murrell.

ZAP //

Por ZAP
25 Setembro, 2020

 

 

412: Reportado o primeiro caso de parkinsonismo após infecção de covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-10/PARKINSON

DedMityay / Canva

Um homem de 45 anos de Israel revelou sintomas da doença de Parkinson (parkinsonismo) logo depois de ter sido infectado com a covid-19.

Tal como frisa o portal IFL Science, os vírus foram já muitas vezes associados ao desenvolvimento da doença de Parkinson, mas este é o primeiro caso reportado que poderá dar sinais sobre uma eventual ligação entre o novo coronavírus e doença.

O paciente, cujo caso foi recentemente publicado na revista médica The Lancet Neurology, foi internado no Hospital Universitário Samson Assuta Ashdod, em Israel, com sintomas comuns da covid-19, incluindo perda de olfacto, tosse seca e dores musculares.

Após testar positivo para o novo coronavírus, ficou hospitalizado três dias antes de ficar isolado durante três semana num espaço covid-19. Ao fim deste período, voltou a fazer o teste, testou negativo e voltou para casa.

Ao longo do processo, o homem de Israel começou a sentir tremores nas mãos e um declínio na qualidade da sua caligrafia. Foi admitido no Departamento de Neurologia do Hospital e, após vários exames, concluiu-se que a sua actividade cognitiva estava normal.

Apesar dos resultados, continuar a apresentar sintomas relacionados ao Parkinson.

Foi depois diagnosticado com parkinsonismo – qualquer condição que causa anormalidades de movimento semelhantes ao Parkinson. Desde então, a sua caligrafia tornou-se ainda mais ilegível, tem tremores extremos no lado direito e expressão facial reduzia, condição conhecida como hipomimia.

Não é possível, a partir deste caso, afirmar que o novo coronavírus causou directamente a doença mas, uma vez que o homem não tem histórica familiar de Parkinson ou outro factor de risco evidente, os autores do estudo suspeitam que a covid-19 pode ter desempenhado um papel significativo no aparecimento destes sintomas.

O portal Science Alert, que ouviu vários especialistas, escreve também que os cientistas estão atentos a esta situação, frisando, contudo, que não é possível estabelecer para já uma relação directa a partir do caso deste homem.

Os cientistas sabem já que a covid-19 está associada a danos cerebrais, sintomas neurológicos e perda de memória. O que não se sabe ainda é como e com que extensão é que a infecção por covid-19 pode causar estes sintomas.

“Embora os cientistas estejam ainda a aprender sobre a forma como é que o vírus SARS-CoV-2 é capaz de invadir o cérebro e o sistema nervoso central, o facto é que está a acontecer”, disse ao portal o neuro-cientista Kevin Barnham do Florey Institute of Neuroscience & Mental Health, na Austrália.

“O nosso melhor entendimento é que o vírus pode causar ‘insultos’ às células cerebrais, com potencial para a neuro-degeneração a partir daí”, continuou.

A grande questão passa agora por medir este potencial.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2020

 

 

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