306: Agência francesa adverte: troque ibuprofeno por paracetamol

 

Laura Iniesta / Flickr

A agência francesa do medicamento ANSM fez uma advertência a médicos e pacientes sobre riscos decorrentes do uso do ibuprofeno e do cetoprofeno, que podem agravar infecções em tratamento, e pediu uma investigação a nível europeu.

Um porta-voz da ANSM, Agência Nacional de Segurança do Medicamento e dos Produtos de Saúde, explicou esta sexta-feira, citado pela agência espanhola EFE, que “o pedido francês” será analisado pelos seus homólogos europeus.

O responsável recordou que as autorizações dos medicamentos são feitas para toda a Europa, e não apenas para França, e que é a essa escala que é necessário fazer-se uma reavaliação da relação risco-benefício do ibuprofeno e do cetoprofeno.

O ibuprofeno é o segundo antálgico (fármaco para aliviar a dor) mais usado em França, depois do paracetamol.

A ANSM, que em Junho do ano passado tinha lançado uma investigação farmacológica encomendada aos seus centros de Tours e Marselha, emitiu na quinta-feira um conjunto de recomendações.

Em primeiro lugar, a agência recomendou privilegiar o paracetamol, em vez do ibuprofeno, e do cetoprofeno em caso de dor ou febre, sobretudo em casos de infecção como anginas, rinofaringites, otites, tosse, infecção pulmonar, assim como lesões cutâneas ou varicela.

A entidade também indicou algumas regras para a boa utilização dos anti-inflamatórios, nomeadamente usar “a dose mínima eficaz, durante o menor tempo possível”, interrompendo o tratamento assim que os sintomas desapareçam e não prolongando o tratamento por mais de três dias em caso de febre, nem mais de cinco dias em caso de dor.

As recomendações decorrem do estudo que tinha sido encomendado em Junho de 2018 aos centros regionais da ANSM de Tours e Marsella, que concluiu que há uma série de infecções que poderiam ser agravadas com a toma destes medicamentos.

Essas complicações foram observadas após períodos muito curtos de tratamento (dois a três dias) quando o ibuprofeno ou cetoprofeno tinham sido prescritos (ou utilizado em auto-medicação) para a febre, inflamações cutâneas benignas, problemas respiratórios ou do sistema otorrinolaringológico.

Os investigadores franceses analisaram 337 casos de complicações infecciosas graves com ibuprofeno e 49 com cetoprofeno e que estiveram na origem de hospitalizações, sequelas e até mesmo a morte. Os casos foram estudados ao longo de um período prolongado com início no ano 2000.

ZAP // Lusa

Por Lusa
19 Abril, 2019

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301: Antidepressivo associado a morte súbita e paragens cardíacas é vendido em Portugal

 

massdistraction / Flickr

Um antidepressivo vendido em Portugal está a ser associado a problemas cardíacos e mortes súbitas. Chama-se Sertralina e já terão sido relatados pelo menos 14 casos no Reino Unido associado ao medicamento.

No ano passado, de acordo com o jornal britânico The Sun, um jovem de 24 anos, Liam Batten, sofreu um ataque cardíaco depois de tomar este fármaco, que lhe foi receitado para aliviar sintomas de ansiedade e a agorafobia – uma perturbação caracterizada por ataques de pânico quando as pessoas que sofrem desta condição se encontram em espaços abertos ou com muita gente e sintam que não conseguem fugir.

O jovem morreu nove dias mais tarde, depois de o medico lhe ter aumentado a dose do medicamento – cuja toma ainda se encontrava dentro dos níveis recomendados. A autópsia terá revelado níveis “elevados” da presença de sertralina no organismo, que terão motivado uma paragem cardíaca repentina.

Também Sadie Stock, de 28 anos, se encontrava a tomar este medicamento para tratar uma depressão pós-parto quando caiu inanimada na rua. Na autópsia foi confirmado que a paragem cardíaca foi devido à toma da Sertralina.

A Agência Reguladora dos Medicamentos do Reino Unido (MHRA) emitiu um comunicado afirmando que 164 pessoas morreram desde 1990 depois de tomarem este fármaco, sendo que 14 dessas mortes foram relacionadas a problemas cardíacos.

Em comunicado, o porta-voz da MHRA referiu que “os pacientes são aconselhados a divulgarem ao seu médico se sofrem de algum problema do coração ou se sofrem de doenças coronárias, se têm um historial familiar de insuficiência cardíaca ou níveis baixos de potássio, ritmo cardíaco fraco ou se estão a tomar algum outro tipo de medicação que possa afectar o coração”.

A Instituição de Caridade Risco Cardíaco nos Jovens aconselhou os jovens com condições coronárias a não tomarem Sertralina. A Sertralina pertence a um grupo de fármacos denominados de inibidores selectivos da recaptação da serotonina (SSRI) e é utilizado para tratar a ansiedade e a depressão.

Profissionais de saúde e activistas estão agora a questionar se a droga em questão está associada a problemas cardíacos potencialmente fatais, sobretudo entre aqueles que têm um historial genético.

Mary Sheppard disse: “Concordo que existe uma ligação entre a Sertralina e a SIDS mas não existem ainda provas suficientemente seguras. Ainda assim, não podemos ignorar estes casos”.

ZAP //

Por ZAP
20 Março, 2019

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300: Perda de peso pode reverter diabetes tipo 2

 

v1ctor Casale / Flickr

Segundo um estudo recente, um terço das pessoas que seguiram uma dieta baixa em calorias para perder quantidades substanciais de peso reverteram a diabetes tipo 2.

À medida que a epidemia da obesidade assola todo o mundo, o número de pessoas com diabetes tipo 2 cresce substancialmente. Mas há esperança: um estudo recente mostra que esta condição não é uma sentença de prisão perpétua, segundo o The Guardian.

O estudo, publicado na The Lancet: Diabetes & Endocrinology, aponta que seguir uma dieta baixa em calorias pode reverter quadros de diabetes tipo 2. A mudança alimentar conseguiu reverter a doença em 46% dos participantes do estudo no primeiro ano após o início da investigação. Além disso, 64% dos indivíduos que perderam mais de 10 quilos mantiveram os resultados de reversão dois anos depois do fim da pesquisa.

“Agora entendemos a natureza biológica desta condição reversível. No entanto, os doentes em remissão precisam de saber que a diabetes tipo 2 pode retornar se recuperarem o peso perdido”, adiantou Roy Taylor, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido.

O estudo envolveu 300 pessoas, com idades compreendidas entre os 20 e os 65 anos, diagnosticadas com diabetes tipo 2 e índice de massa corporal (IMC) entre os 27 e os 45 quilos por metro quadrado (kg/m2).

Segundo o The Guardian, os participantes foram divididos em dois grupos: o primeiro recebeu o tratamento padrão e o segundo participou num programa de controlo de preso, no qual tinham de seguir uma dieta líquida com uma duração de 12 a 20 semanas.

Este tipo de dieta consiste em ingerir refeições de baixo teor calórico, geralmente líquidas. A ingestão diária não deveria ultrapassar as 850 calorias diárias, distribuídas em quatro refeições ao longo do dia.

Mesmo depois do fim da dieta líquida, os investigadores continuaram a acompanhar os participantes nos dois anos que se seguiram, e notaram o reflexo da perda de peso no que diz respeito à diabetes tipo 2: um ano depois, 46% dos participantes reverteram o quadro diabético.

Como esperado, entre o primeiro e o segundo ano, os participantes recuperaram algum peso. No entanto, 64% dos indivíduos que perderam mais de 10 quilos mantiveram os resultados de reversão dois anos depois do fim da pesquisa.

Mike Lean, da Universidade de Glasgow,afirmou que a principal prioridade da comunidade científica (e dos próprios doentes) era esclarecer se a diabetes tipo 2 podia ser revertida ou curada.

“Com base neste estudo, podemos agora dizer que sim. Devemos preocupar-nos em ajudar os pacientes a manter a perda de peso e, assim, permanecer em remissão toda a vida”, rematou o investigador.

ZAP //

Por ZAP
13 Março, 2019

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299: Terapia revolucionária pode tratar uma das causas mais comuns de cegueira

 

NIHR Oxford BRC / Twitter

Pela primeira vez no mundo, uma equipa de cirurgiões do Hospital John Radcliffe, no Reino Unido, recorreu a uma terapia genética para tratar a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), uma das doenças mais associada à cegueira.

A equipa, liderada pelo professor de oftalmologia da Universidade e de Oxford, Robert McLaren, injectou num paciente de 80 anos um vírus que continha um gene sintético para reverter a doença, tal como relata o Hospital Universitário de Oxford em comunicado.

De acordo com a mesma nota, o vírus injectado ataca a as células epiteliais pigmentares da retina (EPR), corrigindo o defeito genético e faz com que as células produzam proteínas hiperactivas que atacam as células da retina como se fossem bactérias, em vez das proteínas necessárias ao sistema imunológico. Por sua vez, o ADN que contém o vírus injectado estimula a produção das proteínas corretas, recuperando a visão do paciente.

Simplificando: o vírus injectado infecta as células da retina e libera o gene, permitindo que o olho produza uma proteína que visa impedir que as células morram, mantendo assim a mácula saudável.

Esta foi a primeira vez que uma terapia genética foi utilizada para tratar este tipo de patologia que leva à cegueira. Até então, este método era utilizado para curar algumas doenças hereditárias menos frequentes como a choroideremia ou a amaurose de Leber congénita, doenças degenerativas que afectam também a visão.

Método utilizado pela equipa de Oxford

“Um tratamento genético precoce para preservar a visão em pacientes que, sem intervenção cirúrgica perderiam a visão, seria um enorme avanço na oftalmologia e, certamente, é algo que espero num futuro próximo”, afirmou MacLaren citado pela BBC.

O DMRI é, até então, considerado um transtorno irreversível, podendo mudar caso este caso clínico seja bem sucedido. Caso se comprove a efectividade do tratamento, explicaram os cientistas, o procedimento só poderá ser aplicado uma vez em toda a vida.

Estima-se que em 2020 haverá 196 milhões de pessoas no mundo afectadas por esta doença, número este que deverá aumentar para 288 milhões em 2040. Em Portugal, estima-se que 12% da população com mais de 65 anos sofra de DMRI.

ZAP //

Por ZAP
26 Fevereiro, 2019

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298: Vem aí uma pandemia global de Parkinson

 

yanivg / Flickr

A doença de Parkinson passou de uma doença rara a uma potencial pandemia global em algumas décadas, sendo actualmente “o distúrbio neurológico que mais cresce no mundo”. E nos próximos 20 anos, o número de doentes de Parkinson pode triplicar.

Um artigo científico no Journal of Parkinson’s Disease (O Jornal da Doença de Parkinson) debruça-se sobre como é que o mal de Parkinson passou de uma doença rara para se tornar no “distúrbio neurológico que mais cresce no mundo“, apontando que devido a factores demográficos e às consequências da industrialização, pode mesmo tornar-se numa pandemia global.

“Em 2040, poderemos falar de uma pandemia que resultará no aumento do sofrimento humano, além de disparar os custos sociais e médicos“, alerta o editor-chefe do Journal of Parkinson’s Disease (JPD), Patrik Brundin, um dos autores do artigo científico, citado pelo Sciencealert.com.

Cada vez mais pessoas serão afectadas por este mal nas próximas décadas e o número de doentes pode triplicar nos 20 anos que aí vêm, muito devido ao aumento da esperança média de vida global que contribui também para incrementar os casos de outras doenças neurológicas.

A doença de Parkinson foi identificada em 1817 pelo cirurgião britânico James Parkinson e em 2016, afectava 6,1 milhões de pessoas em todo o mundo, mais do dobro dos doentes que havia em 1990.

Daqui a 20 anos, esse número pode subir para 12 milhões de pessoas. Mas num cenário ainda mais trágico, o número pode chegar aos 17 milhões, nomeadamente se considerarmos o declínio no consumo do tabaco, fruto de campanhas de prevenção levadas a cabo nos últimos anos. É que o risco de sofrer de Parkinson desce em 40% no caso dos fumadores de longo termo, segundo investigações realizadas há várias décadas.

A crescente industrialização, designadamente devido à exposição a pesticidas, solventes e metais pesados que já foi associada com um aumento do risco de Parkinson, também vai contribuir para a inflação do número de pacientes com esta doença progressiva que afecta, gradualmente, a capacidade de mobilidade, o controlo muscular e o equilíbrio.

“A vaga da doença de Parkinson está a aumentar e a espalhar-se“, nota o neurologista Ray Dorsey do Centro Médico da Universidade de Rochester, nos EUA, um dos autores do artigo citado num comunicado.

Dorsey repara que a doença “exige um enorme custo humano para aqueles que têm a doença e para os que os rodeiam”, realçando a “tensão” gerada em quem exerce o papel de cuidador, além dos elevados “custos económicos” do Parkinson que tendem a crescer nas próximas décadas.

A boa notícia é que ainda podemos agir para tentar evitar a pandemia, como sustenta Dorsey.

“No Século passado, a sociedade confrontou com sucesso pandemias de polio, cancro da mama e VIH a vários níveis”, refere o neurologista, destacando que “central para o sucesso desses esforços foi o activismo desenfreado“.

Assim, fica o convite à comunidade de investigadores e pacientes de Parkinson, bem como de pessoas em risco de sofrerem a doença, para fazerem campanha pela prevenção e pela recolha de fundos para financiar as pesquisas nesta área.

“Esperamos que este artigo aumente a consciencialização para o desafio e forme a base para uma resposta gerada pela comunidade para enfrentar um dos grandes desafios da saúde do nosso tempo”, destaca o co-autor do artigo Bastiaan R. Bloem, do Departamento de Neurologia do Centro Médico da Universidade Radboud, na Holanda.

SV, ZAP //

Por SV
15 Fevereiro, 2019

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282: A obesidade não causa risco maior de morte

 

(CC0/PD) Tirachard Kumtanom / pexels

Acreditamos normalmente que a obesidade está ligada a problemas de saúde, mas aparentemente isso pode não ser exactamente verdade.

Segundo um novo estudo, publicado esta quinta-feira na revista Clinical Obesity, ser obeso por si só não significa necessariamente ser doente.

Investigadores da Faculdade de Saúde da Universidade de York, nos EUA, descobriram que pacientes obesos, mas sem nenhum outro factor de risco metabólico, como diabetes, hipertensão ou alto nível de colesterol, não têm um aumento na taxa de mortalidade.

O estudo, liderado por Jennifer Kuk, professora da Escola de Cinesiologia e Ciências da Saúde da Universidade de York, mostrou que, ao contrário de condições como hipertensão ou diabetes, que por si só estão relacionadas com um alto risco de mortalidade, esse não é o caso da obesidade, quando considerada isoladamente.

O estudo acompanhou mais de 54 mil homens e mulheres que participaram em outros cinco estudos. Os sujeitos foram colocados em três grupos: os que tinham apenas obesidade, aqueles com algum factor metabólico isolado, seja glicose, pressão arterial ou lípidos elevados, e os obesos e com outro factor metabólico agindo em conjunto.

Os investigadores observaram quantas pessoas dentro de cada grupo morreram, em comparação com a população de peso normal e sem factores de risco metabólicos, e descobriram que 1 em cada 20 indivíduos obesos não apresentava outras anomalias metabólicas.

“Mostramos que os indivíduos com obesidade metabolicamente saudável não têm uma taxa de mortalidade elevada. Descobrimos que uma pessoa com peso normal e sem outros factores de risco metabólicos tem a mesma probabilidade de morrer que a pessoa com obesidade e sem outros factores de risco”, assegura Kuk.

“Isso significa que centenas de milhares de pessoas com obesidade metabolicamente saudável estão a ser orientadas a perder peso quando é questionável o benefício que realmente terão”, alerta.

Segundo Kuk, os resultados deste estudo podem afectar a forma como pensamos sobre a obesidade e a saúde. “Isto contrasta com a maior parte da literatura”, diz Jennifer Kuk.

Segundo a investigadora, a maioria dos estudos definiu a obesidade saudável como tendo um factor de risco metabólico.  “É provável que a maioria dos estudos tenha relatado que a obesidade saudável ainda está relacionada com maior risco de mortalidade”, diz.

E isso é um problema, já que condições como açúcar elevado no sangue e colesterol mau aumentam o risco de mortalidade de qualquer pessoa, magra ou gorda.

Por HS
16 Julho, 2018

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