204: Guia para enfrentar a gripe

 

Quando meio País está a fungar e o pico da epidemia prestes a ser atingido, saiba o que fazer para passar pela doença sem traumas. A VISÃO dá-lhe as respostas para as perguntas mais frequentes

visao30012015COMO SABER SE TENHO GRIPE?

No adulto, a gripe manifesta-se por início súbito de mal-estar, febre alta, dores musculares e articulares, dores de cabeça e tosse seca. Pode também ocorrer inflamação dos olhos. Nos bebés, a febre e prostração são as manifestações mais comuns. Os sintomas gastrintestinais (náuseas, vómitos, diarreia) e respiratórios (laringite, bronquiolite) são frequentes. A otite média pode ser uma complicação frequente no grupo etário até aos 3 anos. Na criança maior os sintomas são semelhantes aos do adulto.

A GRIPE É MAIS SEVERA ESTE ANO?

Até agora, o vírus que predomina, nas amostras analisadas pelo Instituto Nacional de Saúde, tem sido do tipo B, que causa infecções mais suaves. No entanto, em 32% dos casos a infecção foi causada pelo subtipo A (H3), um vírus associado a taxas de internamento mais elevadas e a maior mortalidade em idosos e crianças com patologias crónicas. Além disso, a maior parte das estirpes A em circulação não estão contempladas na vacina da gripe. O Influenza sofreu mutações e ‘fintou’ as previsões dos especialistas, feitas no final do inverno passado. De qualquer modo, uma pessoa vacinada tem sempre alguma protecção.

QUANDO SERÁ ATINGIDO O PICO?

A epidemia de gripe foi declarada, em Portugal, há três semanas. O pico deverá ser atingido no início de Fevereiro. No último boletim, divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde, a incidência era de 122,4 casos por cem mil habitantes e havia 29 pessoas internadas nos cuidados intensivos por infecção pelo Influenza.

COMO EVITÁ-LA?

De Novembro a Março, no hemisfério norte, é sempre época de gripe. A melhor forma de escapar é: vacinar-se, evitar o contacto com pessoas contaminadas e lavar as mãos com frequência.

QUAL O PERÍODO DE CONTÁGIO?

Um dia antes de surgirem os sintomas e até sete dias depois de terem começado, há risco de contágio. Os vírus espalham-se pela tosse, espirros e material usado pelos engripados, como os lenços de papel, ou superfícies com que tenham estado em contacto.

A VACINA DA GRIPE PROVOCA SINTOMAS DA DOENÇA?

Não. A vacina contém vírus inactivados, que não podem causar a doença. Algumas pessoas manifestam, no entanto, dores musculares e febre ligeira.

POR QUE RAZÃO A VACINA DEVE SER TOMADA TODOS OS ANOS?

No final de Fevereiro, a Organização Mundial de Saúde, em colaboração com especialistas de todo o mundo, estima quais as estirpes que serão dominantes na época de gripe seguinte. A vacina inclui normalmente dois vírus de tipo A e um de tipo B. Todos os anos, as estirpes circulantes mudam. Além disso, a imunidade conferida pela vacina não dura a vida toda, ao contrário da imunidade natural, adquirida quando se tem a doença. Devem ser vacinadas as pessoas com mais de 65 anos e os doentes crónicos, com asma ou diabetes.

DEPOIS DE TER TIDO GRIPE, JÁ NÃO VOLTO A TER ESTE ANO?

Pode voltar a ter. Todos os anos, há várias dezenas de estirpes do vírus em circulação. Só fica protegido contra aquela que lhe causou a doença. Ou seja, pode ser infectado por uma estirpe diferente.

VALE A PENA TOMAR VITAMINA C?

Um estudo feito em 2010 veio clarificar a crença antiga de que a vitamina C ajuda a tratar gripes e constipações. O antioxidante não evita as constipações, no entanto, diminui num dia ou dois a duração das mesmas. De qualquer modo, isto só acontece preventivamente. Começar a tomar vitamina C depois dos primeiros sintomas não faz diferença nenhuma. Só quem pratica desporto muito intenso, como os maratonistas, é que apresenta um benefício claro na toma.

TER FEBRE É MAU?

A subida da temperatura corporal é sinal de que o sistema imunitário está a trabalhar para eliminar a infecção. Havia a ideia de que a febre impede os micróbios de se desenvolverem. Um estudo recente, feito no Instituto americano Roswell Park Cancer, veio clarificar o assunto: A temperatura elevada ajuda o nosso sistema imunitário a trabalhar mais e melhor, aumentando a produção e actividade de um tipo de linfócitos, capaz de destruir células infectadas por vírus e até células tumorais. De qualquer modo, a recomendação continua a ser tomar antipiréticos caso haja um grande desconforto.

A GRIPE TRATA-SE COM ANTIBIÓTICOS?

A gripe é uma infecção viral, causada pelo vírus Influeza, e cabe ao sistema imunitário combatê-lo. Em alguns casos, de pessoas com sistema imunitário mais frágil ou com patologias crónicas, pode ser necessário tratar a gripe com um dos dois anti-virais disponíveis no mercado. Os antibióticos servem exclusivamente para tratar infecções causadas por bactérias. O que acontece, por vezes, é a gripe baixar as defesas do organismo, abrindo a porta à entrada de bactérias que causam otites ou pneumonias – que exigem, de facto, antibiótico.

COMO A DISTINGUIR DE UMA CONSTIPAÇÃO?

Os vírus que causam uma a outra são diferentes. As constipações vão-se instalando aos poucos, com nariz entupido, espirros, olhos húmidos, irritação da garganta e dor de cabeça. Raramente ocorre febre alta ou dores no corpo. A gripe surge de forma repentina e normalmente obriga a ‘ir à cama’ durante dois a três dias. As complicações da gripe podem levar ao internamento hospitalar. O diagnóstico é feito a partir dos sintomas. No entanto, em alguns casos, por questões de saúde pública, para se conhecer as estirpes circulantes, ou em pacientes com complicações, pode ser colhido material biológico, na orofaringe, por exemplo, que permite identificar o vírus mediante testes de laboratório.

COMO ENFRENTAR GRIPES E CONSTIPAÇÕES?

A regra básica é reduzir o desconforto. Fique em repouso, em casa, para limitar o contágio e ajudar o corpo a combater a infecção. Mantenha-se hidratado, bebendo muita água e sumos de fruta. Isto ajuda o sistema imunitário a combater a infecção e a repor os fluidos perdidos pelo nariz e tosse. Evite café, bebidas gaseificadas ou energéticas. O álcool também deve ser evitado já que causa desidratação. Use soluções salinas, como soro fisiológico, não fume e evite locais com fumo. Tome paracetamol e ibuprofeno para reduzir o mal estar, a febre e as dores do corpo. Lave as mãos com frequência e reduza os contactos sociais. Em caso de dúvida, ligue para a Saúde 24 (808 24 24 24). Se os sintomas não melhorarem ao fim de cinco a sete dias, consulte o médico.

QUANTO É QUE SE GASTA EM PORTUGAL PARA TRATAR ESTAS INFECÇÕES?

De acordo com os dados da consultora IMS Health, os portugueses gastaram quase três milhões de euros só no mês de Dezembro em paracetamol -o medicamento mais vendido no segmento designado como produtos para constipações. Logo a seguir vêm os anti-histamínicos, com dois milhões de euros.

QUAL TEM SIDO O IMPACTO DA GRIPE NA LINHA DE SAÚDE 24?

A linha de saúde pública foi reforçada, tendo sido criado um centro de atendimento para síndrome gripal, em Coimbra, a 26 de Janeiro. Em 2015, as queixas mais comuns têm sido: cefaleia, diarreia, dor abdominal, dor torácica, problema nasal, problema no ouvido, problemas da orofaringe, problemas urinários, tosse e vómito. A média diária de chamadas atendidas, em 2014, foi de 1 800. Agora está nos 2 200, e com tendência a subir.

O INFLUENZA PODE MATAR?

Nas primeiras semanas do ano, ocorreram mil mortes acima do esperado, o que a Direcção Geral da Saúde atribui ao frio e à epidemia de gripe. Estes factores levam a que os doentes crónicos, cardíacos ou diabéticos, bem como os idosos, entrem em descompensação. Todos os anos, morrem à volta de 1 500 pessoas por causa da gripe.

Jornal Visão online
14:36 Quinta feira, 29 de Janeiro de 2015
Sara Sá (artigo publicado na VISÃO 1143 de 29 de Janeiro)

O que há na vacina da gripe?

 

Dúvidas sobre a sua eficácia, receios dos efeitos secundários e muitos mitos. Mas o que há, realmente, dentro da seringa, quando é administrada a vacina da gripe?

visao03112014A comunidade médica insiste todos os anos na vacinação contra a gripe sazonal, sobretudo dos grupos considerados de risco. Mas, na população, as opiniões dividem-se e as dúvidas são sempre muitas. A revista Wired resume de que é feita uma vacina da gripe.

O vírus da gripe

Todas as vacinas da gripe partem… dos vírus da gripe. Ou melhor, material genético do vírus, envolvido em proteínas, gorduras e antigénios para forçar o sistema imunitário a entrar em ação. Com milhares de possíveis variantes do vírus da gripe em circulação, a Organização Mundial de Saúde analisa informação proveniente de 141 laboratórios em todo o mundo para determinais quais as variantes que têm maior probabilidade de circular, em cada ano. Uma vez que pode demorar mais de seis meses a fabricar a vacina, a OMS escolhe quatro estirpes de cada vez, nove meses antes da época da gripe: dois da estirpe A e dois da B.

Proteína de ovo

Os cientistas injectam os vírus em ovos de galinha fertilizados, de forma a que estes se repliquem. Depois, o fluído alantóide do ovo com o vírus é submetido a centrifugação, juntamente com soluções de sacarose em diferentes concentrações para separar os vírus mais densos das restantes proteínas do ovo. Por isso é que é possível que a vacina contenha vestígios de ovo.

Formaldeído

Sem formaldeído, a vacina não passaria de uma gripe num frasco. É esta molécula hidrossolúvel que impede que o vírus provoque a doença. Uma vacina pode contar até 100 microgramas de formaldeído.

Octilfenol etoxilado

À medida que se replica, o vírus da gripe retira uma parte da membrana gorda do ovo para unir as suas proteínas e material genético. O octilfenol etoxilado é uma espécia de detergente que retira a gordura como se de uma nódoa se tratasse.

Gelatina

Toda a gelatina é feita de colagénio animal. A versão usada na vacina da gripe, para manter os componentes estáveis durante o armazenamento e transporte, tem origem suína. Quem for alérgico a gomas pode ter uma reacção anafilática ao levar a vacina da gripe – um por um milhão de doses administradas.

Timerosal

Muitas pessoas acreditam que este conservante torna a vacina perigosa. Mas o timerosal mantém os frascos multi-dose, usados em alguns países, seguros, sem bactérias e fungos, mesmo depois de várias inserções das agulhas.

In Visão online
16:58 Segunda feira, 3 de Novembro de 2014

94: Vacina da gripe A está sob suspeita

 

Saúde: Há 795 casos de narcolepsia na União Europeia

Adolescente adormece em qualquer lado e tem alucinações. Anda sempre acompanhada pela avó

Adolescente adormece em qualquer lado e tem alucinações. Anda sempre acompanhada pela avó

A família de uma adolescente de 16 anos reportou à Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) a sonolência diurna excessiva (narcolepsia), paralisia no sono, fraqueza muscular e alucinações, sintomas que a rapariga passou a ter depois de ser vacinada com a Pandemrix contra a gripe A, em 2009. Há mais dois casos de narcolepsia em Portugal, cuja ligação à vacina também está a ser investigada pelo Infarmed. Noutros países europeus registaram-se 795 casos, 200 dos quais na Suécia, mas há também na Finlândia, Noruega, Irlanda e França.

Esta doença, que provoca uma sonolência extrema e súbita, não tem cura. A especialista em doenças do sono, a neurologista Teresa Paiva, afirmou ao CM que acredita haver mais casos em Portugal. “Acho muito estranho que não haja mais casos da doença, porque muitas crianças e adolescentes foram vacinados. Eu própria notifiquei um caso ao Infarmed, de uma criança, em 2009”, afirmou Teresa Paiva.

A especialista sublinhou que “há uma relação entre a vacina Pandemrix e a narcolepsia e isso está actualmente provado através de vários estudos internacionais”.

Segundo Teresa Paiva, haverá uma “predisposição genética” das pessoas vacinadas para desenvolver a doença do sono, que é “muito grave” e manifesta-se pouco tempo depois da vacinação.

A adolescente, que pediu ao CM para não ser identificada, sofre com a doença. “Adormeço nas aulas, no autocarro e por isso tenho de andar acompanhada pela minha avó”, conta a rapariga.

O Infarmed afirma ao CM que recebeu três notificações de narcolepsia associada à vacina, uma das quais já em 2013, e que está a ser “investigada”. Os restantes dois casos foram reportados em 2010 e 2011. O CM contactou a direcção do laboratório GlaxoSmithKline, que comercializou a vacina Pandemrix, mas recusou prestar esclarecimentos.

ADOLESCENTE SUECA TOMA ESTIMULANTES

A sueca Emelie Olsson é uma das adolescentes que desenvolveu narcolepsia, após ter sido imunizada com a vacina Pandemrix. Contou que precisa de tomar estimulantes para controlar o problema. O especialista na doença, Emmanuel Mignot, da Universidade de Stanford, EUA, acredita que as evidências científicas mostram a relação entre a vacina e a doença. Porém, Norman Begg, médico da divisão de vacinas do laboratório diz não existirem provas suficientes.

In Correio da Manhã online
03/02/2013
Por:Cristina Serra

15: Gripe ou constipação?

 

As diferenças entre as duas patologias mais comuns do Outono

Já alguma vez sentiu tosse, o nariz obstruído, cansaço e afirmou ter gripe? Então fique a saber que, apesar de terem um denominador comum – o sentimento de mal-estar generalizado –, estas patologias são distintas.

«A gripe pode desenvolver outras complicações, o que não acontece com a constipação», alerta Cecília Longo, pneumologista. Esclareça as suas dúvidas.

A gripe

Como se transmite?

O vírus influenza transmite-se facilmente pelo ar ou pelo contacto com superfícies contaminadas. Por isso, as medidas do plano de contingência para a Gripe A devem ser mantidas: lavar regularmente as mãos, cobrir a boca ao tossir (com o antebraço) e isolar-se no período de contágio.

Os primeiros sinais

«Uma gripe não complicada começa com cefaleias, febre, tosse, odinofagia (deglutição dolorosa), mialgias com a duração do período de incubação, ou seja, de três a cinco dias», indica Cecília Longo. Se apresentar estes sintomas e mais de 39 graus de febre deve consultar o médico de família, sobretudo «se se sentir demasiado prostrado».

Como prevenir?

A principal medida de prevenção da gripe é a vacinação «que deve ser repetida anualmente sobretudo pelos grupos de risco: crianças, idosos e doentes crónicos», diz a pneumologista, acrescentando que «todas as pessoas com doenças respiratórias têm indicação para fazer a vacina». Mas atenção: durante o período em que está doente, não deverá ser vacinado.

Como tratar?

O tratamento da gripe deve ser individualizado e indicado por um especialista. «Uma gripe pode conduzir a complicações pulmonares (pneumonia), e cardíacas, sobretudo em grupos vulneráveis, como as pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crónica, doenças cardíacas e os diabéticos», diz a pneumologista. Não ignore os sintomas.

A constipação

Como se transmite?

«A constipação é uma doença vírica do aparelho respiratório superior, habitualmente auto-limitada. Vários tipos de vírus podem estar implicados, dependendo do grupo etário e da época do ano», defende Cecília Longo. A transmissão faz-se por gotículas que contêm os vírus e que são libertadas pelo doente ao respirar, tossir ou espirrar.

Os primeiros sinais

Apesar de afectar o nariz e a garganta, ao nível de sintomatologia, as pessoas constipadas não têm febre ne dores no corpo. Estas são as principais diferenças entre as duas patologias.

Como prevenir?

Em geral, «a prevenção das doenças víricas passa pela existência de um sistema imunitário competente – sistema de defesa do organismo – e no caso particular da constipação deve evitar-se o contacto com ar ou lenços contaminados», aconselha.

Como tratar?

A constipação deve ser tratada com um antipirético para alívio dos sintomas. «Quem tem uma constipação vulgar não tem necessariamente de ir ao médico a menos que surja uma complicação, como uma infecção secundária bacteriana (por exemplo: nos seios perinasais, ouvidos)». Nestes casos, «será necessária a realização de um diagnóstico diferencial», conclui.

Texto: Cláudia Pinto com Cecília Longo (pneumologista)

A responsabilidade editorial desta informação é da revista

13: Gripes e constipações

 

As melhores maneiras de as prevenir

Apesar da constipação comum e da gripe serem duas infecções causadas por vírus e provocarem um aumento da mucosidade, lacrimejo, espirros ou tosse, nem todos os seus sintomas coincidem. Os vírus que provocam estas duas infecções respiratórias altas são diferentes.

O processo gripal caracteriza-se por produzir uma temperatura corporal elevada, mal-estar geral e, por vezes, estomacal, dores no corpo e de cabeça, espirros e perda de apetite.

O seu vírus é mais contagioso do que o da constipação. Para além disso, afecta a população em geral, pode ter consequências graves, obrigar à hospitalização e levar à morte. A constipação comum apresenta, sobretudo, manifestações respiratórias como aumento de mucosidade e tosse, congestão e secreção nasal, sensação de picadas e ardor na garganta, mas não produz febre e o mal-estar é mais leve. A constipação afecta mais as crianças, dura menos tempo e as suas complicações são muito menos frequentes.

São ambas causadas por vírus (ainda que vírus diferentes), são muito contagiosas, têm uma alta incidência sobre a população e atacam nas estações frias. Chegam através das vias respiratórias e causam um grande mal-estar. Uma vez contraídas, a única coisa a fazer é aliviar os seus sintomas e reduzir a duração ou a intensidade do processo. Existem medidas eficazes para não as contrair ou para diminuir a sua intensidade. Apenas tem de as pôr em prática.

Estas duas infecções costumam ser confundidas. No entanto, não são a mesma coisa. Coincidem apenas no facto de saturarem as consultas médicas e de ainda estarem envoltas em muito desconhecimento.

De qualquer das formas, apesar da sua incubação, sintomas, evolução e tratamentos apresentarem certas diferenças, as medidas de prevenção são muito semelhantes, com uma excepção, só a gripe pode ser prevenida através da vacinação anual. Apesar destas medidas de protecção não serem eficazes a 100% (nem mesmo a vacina contra a gripe), ajudam a minimizar a possibilidade de contágio.

Se faz parte daquele grupo de pessoas que não prestam atenção aos conselhos médicos ou que, simplesmente, não os seguem, por acharem que se tiverem de adoecer, adoecem mesmo, independentemente daquilo que fizerem (como se fosse uma imposição do destino) está completamente enganado. O primeiro passo consiste em acreditar que a prevenção é eficaz, porque realmente funciona! Eis as 11 medidas higiénicas e naturais que pode adoptar para que os germes o respeitem:

1. Evite as aglomerações em lugares fechados

As mudanças na humidade relativa do ar fazem com que os vírus se multipliquem e penetrem mais facilmente nas mucosas nasais. Os ambientes fechados e lugares com muito fluxo de pessoas, como os centros comerciais, salas de espectáculos ou estádios e transportes públicos, aumentam as possibilidades de contágio, pelo que convém evitá-los.

2. Cuidado com os ambientes extremos ou mutáveis

Apesar do frio favorecer as infecções virais, não é o seu único elemento desencadeante. As mudanças bruscas de temperatura, como as que ocorrem ao passar de zonas climatizadas (no carro ou lugares fechados) para as condições naturais do ar livre, bem como as condições exageradas de secura ou humidade, favorecem a proliferação de vírus no ambiente e uma maior vulnerabilidade das nossas membranas aos seus ataques.

3. Afaste-se dos cigarros. Dos seus e dos alheios!

Os fumadores têm mais possibilidades de contrair uma infecção, tal como as pessoas que convivem habitualmente em ambientes com fumo. Fumar baixa as defesas do aparelho respiratório e da actividade imunológica em geral, favorecendo a entrada dos vírus e o facto de inspirar o fumo, mesmo de forma passiva, irrita os tecidos respiratórios, tornando-os mais vulneráveis.

Apesar de ser impossível viver em condições de isolamento (a única forma de evitar um contágio), pode-se evitar os ambientes com atmosferas carregadas.

4. Mantenha uma boa higiene

Lave as mãos frequentemente e, em especial, depois de estar em contacto ou cumprimentar uma pessoa que possa estar infectada. Tente não tocar nos olhos, nariz ou boca se não tiver antes oportunidade de as limpar convenientemente, já que o vírus pode chegar até si, após tocar em objectos contaminados. Se não tiver água, utilize um desinfectante de mãos (sem enxaguar).

5. Tome precauções perante pessoas infectadas

Quando o inimigo está em casa, limpe e desinfecte com frequência as superfícies onde a pessoa constipada ou engripada tocou, como as maçanetas das portas, os corrimãos das escadas, as mesas ou copos. Evite partilhar toalhas, loiças e utensílios e, sobretudo, não toque nos seus lenços, um autêntico viveiro de vírus. Os beijos, ou partilhar o mesmo alimento também não são recomendáveis porque o contacto é mais directo.

6. Actividade física regular

Caminhar uma hora por dia, treinar no ginásio duas vezes por semana ou andar de bicicleta, bem como a prática de qualquer exercício moderado em geral, reduz de forma significativa o risco de contrair este tipo de doenças. As pessoas com uma vida fisicamente activa têm o seu sistema imunológico mais bem preparado para se defenderem da imensidão de vírus que existem no ambiente e que nos podem atacar a qualquer momento.

7. Conheça as formas de contágio

As gotas de saliva expelidas ao falar, tossir ou espirrar são as principais causas de contágio. São partículas com vírus que chegam aos 20-25 m metros de distância.

Não desaparecem imediatamente, permanecem activas no ar que respiramos, nos objectos que nos rodeiam e na pele, durante bastante tempo.

São mais contagiosas durante os primeiros dias da doença, mas depois o seu poder de infecção decresce.

8. Se as suas defesas baixarem, esteja alerta!

As possibilidades de contágio e de complicações provocadas pela gripe e pela constipação são maiores nas crianças, que têm as suas defesas imaturas, e nos idosos, que as têm debilitadas. Nas pessoas com doenças crónicas, como diabetes, asma, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), doenças cardíacas ou pulmonares, ou que têm as suas defesas diminuídas por qualquer outro motivo, a infecção pode ter complicações bem mais graves. Nestes casos convém levar as precauções ao extremo e consultar o médico.

9. Vírus sob controlo em ambiente humidificado

Manter as vias respiratórias húmidas e uma temperatura ambiental moderada, entre os 18 e os 20 graus, evita que as mucosas fiquem ressequidas e, por conseguinte, com fraca capacidade protectora. O vapor emitido pelo humidificador eléctrico humedece as membranas mucosas do nariz e da garganta, facilitando a captura e a expulsão dos germes. No caso de crianças com menos de dois anos e dos lactentes, é aconselhável fazer-lhes uma limpeza periódica com soro fisiológico e um aspirador nasal. As inalações de eucalipto também são benéficas.

10. Beba líquidos com abundância

A hidratação é o mucolítico mais poderoso, ou seja, faz com que as secreções nasais sejam mais fluídas e capturem e bloqueiem os germes. Beba entre 1,5 e 2 litros de líquidos por dia (água, caldos, sumos de fruta, etc), e deixe de lado os refrescos, as colas e as bebidas com cafeína, e em especial o álcool porque provoca desidratação.

Comer rebuçados de mentol, por exemplo, também é benéfico, pois aumentam a secreção de saliva, amolecendo a dureza da mucosa faríngea, o que reduz a irritação nesta zona.

11. Equinácia e propólis

«Apesar de não existir qualquer evidência científica sobre o carácter preventivo destas duas substâncias, há quem refira resultados positivos com o seu uso», refere Isabel Santos, regente da disciplina de Medicina Geral e Familiar na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa. A equinácia é uma planta medicinal que se considera ser estimulante das defesas naturais, pela sua acção na produção e actividade dos macrófagos, linfócitos, leucócitos e outras células que combatem os vírus, ajudando a impedir que as infecções se desenvolvam. Nesta circunstância, recomenda-se começar o tratamento 15 dias antes do início da época fria, com gotas ou comprimidos.

Outra opção para reforçar a prevenção é o propólis, uma substância elaborada pelas abelhas, que se utiliza como agente preventivo devido às suas propriedades activadoras do sistema imunológico. É considerado por alguns como um antivírico potente, eficaz para proteger das doenças das vias respiratórias superiores e inferiores. Para além disso, é revigorante e contém vitaminas, aminoácidos essenciais e minerais.

Relaxamento e vitamina C para combater o stress

Desportos intensos, trabalhos exigentes, épocas de exames, situações conflituosas, excesso de esforço físico e mental, ritmo de vida vertiginoso, problemas financeiros.

O stress deprime o sistema imunológico, facilitando o contágio das infecções respiratórias. Qualquer técnica de relaxamento, desde a meditação ao yoga, até às respirações profundas e os alongamentos ajudam a contrariar os seus efeitos negativos e a reforçar a barreira defensiva contra o vírus.

Por outro lado, e apesar de alguns estudos descartarem a hipótese da vitamina C ajudar a prevenir as doenças virais na população em geral, os especialistas concordam que as pessoas submetidas a um stress contínuo ou severo podem beneficiar com o seu consumo e reduzir o risco de adoecer.

Apesar do papel protector dos suplementos vitamínicos não ser claro, há um consenso relativamente ao facto da ingestão desta vitamina antioxidante através dos alimentos ajudar a aumentar a resposta do sistema imunológico perante o vírus. Por isso, continua a ser aconselhável reforçar a ingestão de vitamina C, durante os meses de maior risco, através de frutas e dos seus sumos, especialmente citrinos e quivis, e de verduras, como batata-doce, couves, pimentos, espinafres, tomate, batatas cozidas com casca e vegetais verdes no geral.

Vacina contra a gripe

A imunização é a melhor arma para combater a gripe em grupos de pessoas com um risco acrescido. Para saber se deve vacinar-se deve falar com o seu médico.

A imunização está indicada, sobretudo, para pessoas com mais de 65 anos, doentes crónicos (pulmonares, cardiovasculares ou metabólicos), pessoas imuno-deprimidas e grupos expostos a contrair ou a propagar a doença, como profissionais de saúde, professores, assim como pessoas que vivam em lares ou estejam em contacto com pacientes de risco.

Os vírus da doença mudam aos poucos e a vacina é modificada todos os anos, para que seja o mais eficaz possível, razão pela qual o facto de se ter vacinado no ano anterior não confere protecção para o ano em curso. O início da campanha de vacinação determina a época em que o vírus começa a circular. Normalmente ocorre em finais do Outono e princípios do Inverno.

A protecção da vacina antigripal pode durar até um ano e chegar aos 70 a 90%, apesar de depender da idade e saúde da pessoa, e da semelhança entre os vírus circulantes e os da vacina. Em todo o caso, consegue reduzir a gravidade da gripe, no caso de contrair a doença. A vacina, que é administrada numa dose, começa a fazer efeito passadas duas semanas após a sua aplicação, pelo que convém recebê-la quando os vírus começam a circular, se bem que é igualmente útil se for administrada mais tarde.

Algumas pessoas têm uma leve reacção à vacina que surge entre as seis e as 12 horas seguintes e que consiste em febre, mal-estar e outros sintomas que podem ser confundidos com uma infecção gripal. Esta reacção desaparece em 24 ou 48 horas. «A vacina da gripe não confere imunidade para a vulgar coriza (inflamação aguda da mucosa nasal) ou constipação. Por isso não espere que a vacine lhe traga um ano sem constipações. Isso poderá não acontecer», conclui Isabel Santos.

Texto: Madalena Alçada Baptista com Isabel Santos (regente da disciplina de Medicina Geral e Familiar na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa)

A responsabilidade editorial desta informação é da revista

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Visit Us On TwitterVisit Us On Pinterest