492: Primeira vacina da gripe derivada de planta do tabaco arrasou nos ensaios clínicos

 

 

SAÚDE/GRIPE/VACINAS

J. Tregoning, The Lancet, 2020
Nicotiana benthamiana, a parente australiana da planta do tabaco

Uma nova vacina da gripe derivada de uma parente australiana da planta do tabaco foi posta à prova em dois ensaios clínicos de grande escala. E os resultados foram promissores.

Actualmente, a maioria das vacinas da gripe é feita com partículas de vírus cultivadas e colhidas de ovos de galinha ou células cultivadas em laboratório, o que demora meses. As plantas, por sua vez, podem ser projectadas para produzir proteínas seleccionadas e cultivadas em grande escala, o que pode ajudar a aumentar a capacidade de produção.

De acordo com o site Science Alert, os dois ensaios clínicos combinados envolveram quase 23 mil pessoas e os resultados sugerem que esta vacina não é apenas segura, como também pode ser comparada às vacinas da gripe actuais.

Os investigadores usaram uma parente australiana da planta do tabaco – Nicotiana benthamiana – e fizeram-na produzir apenas a camada externa dos vírus da gripe. Então, essas partículas semelhantes a vírus foram extraídas e purificadas sob condições estritas para produzir uma vacina.

“O campo das vacinas derivadas de plantas cresceu muito nos últimos 28 anos, desde que foi demonstrado pela primeira vez [em 1992] que as proteínas virais podiam ser expressas em plantas”, explicou John Tregoning, investigador de doenças infecciosas da Imperial College London, em Inglaterra.

Esta é a primeira vez que uma vacina derivada de uma planta foi testada num ensaio clínico [humano]. É um marco para esta tecnologia e espalha as sementes para outras vacinas e terapêuticas à base de plantas”, acrescentou.

No artigo publicado, no dia 7 de Novembro, na revista científica The Lancet, os cientistas afirmam que o seu sistema pode produzir as primeiras doses de uma vacina recém-desenvolvida em dois meses, depois de ser identificada uma estirpe emergente da gripe.

No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer, uma vez que esta vacina ainda precisa de obter as aprovações dos reguladores. E, caso o consiga, também é preciso ter em conta que os seus fabricantes têm de ser capazes de produzir milhões de doses todos os anos.

ZAP //

Por ZAP
15 Novembro, 2020

 

 

491: Gripe ou covid? Alguns sintomas (e a sua ordem) podem ajudar a distinguir

 

 

SAÚDE/GRIPE/COVID-19

Investigadores norte-americanos estabeleceram uma lista cronológica do aparecimento dos sintomas em caso de contaminação com o coronavírus, o que pode ajudar os médicos a diagnosticar de forma mais correta antes dos testes.

Depois de o mundo científico se ter dedicado a perceber quais os sintomas associados ao novo coronavírus que provoca as infecções de covid-19, ganha importância também a ordem pela qual aparecem esses sintomas, o que pode ser particularmente útil para os médicos avaliarem de forma mais precoce e eficaz a diferença entre casos de covid e meras gripes comuns.

Segundo o jornal belga LaLibre, investigadores da Universidade da Califórnia do Sul (USC) estudaram os casos de 55 924 pacientes chineses afectados por covid-19 e fizeram uma lista cronológica dos sintomas observados em cada paciente.

O objectivo do estudo passava por estabelecer se a sequência inicial dos sintomas era ou não semelhante em muitos deles. E os resultados, publicados na revista científica Frontiers in Public Health, tendem a provar que realmente existe um padrão semelhante no aparecimento dos sintomas.

Baseado nesse estudo, os investigadores foram, então, capazes de elaborar uma lista dos sintomas de infecção por coronavírus em ordem cronológica:

1) febre
2) tosse
3) dor de cabeça, garganta ou dores musculares
3) náusea e/ou vómito
4) diarreia

Uma ordem que, refere o La Libre, difere daquela que é mais comum em casos de gripe:
1) tosse ou dor muscular
2) dor de cabeça
3) dor de garganta
4) febre
5) náusea e/ou vómito e diarreia

O reconhecimento dessa sequência de sintomas pode ser de particular interesse para os médicos, já que doentes com influenza (gripe sazonal) ou covid-19 são difíceis de distinguir, devido a apresentarem sinais semelhantes (tosse forte, febre).

“Saber essa ordem é especialmente importante quando enfrentamos ciclos de doenças como a gripe que coincidem com a pandemia actual”, disse Peter Kuhn, professor de Medicina e Engenharia Biomédica da USC.

Os sintomas habituais na constipação, na gripe e na covid

Ainda assim, o site do Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, compila a informação actual disponível sobre as semelhanças e diferenças entre a gripe sazonal e a covid-19., que pode ver de forma resumida no gráfico que se segue, que inclui também a simples constipação.

© Infografia DN

De acordo com a informação disponível no CDC, tanto a covid-19 quanto a gripe podem ter vários graus de sinais e sintomas, desde nenhum sintoma (assintomático) até sintomas graves. Os sintomas comuns que a ambas as doenças compartilham incluem:

– Febre ou sensação de febre / calafrios
– Tosse
– Falta de ar ou dificuldade para respirar
– Fadiga (cansaço)
– Dor de garganta
– Nariz pingão ou entupido
– Dores musculares ou dores no corpo
– Dor de cabeça
– Algumas pessoas podem ter vómitos e diarreia, embora isso seja mais comum em crianças do que em adultos

A gripe e a covid são tão semelhantes que mesmo para os médicos de família será muito difícil distinguir uma da outra. A única maneira segura é usar um teste de diagnóstico.

Ambos têm ou podem ter tosse seca, ambos têm febre alta e mal-estar geral. A única diferença importante entre as duas doenças é que na covid-19 a ausência de olfacto, anosmia, é muito comum. Mesmo muitos pacientes moderados com covid-19 têm essa perda de olfacto como o único sintoma. Na covid-19, a sensação de cansaço também é muito mais frequente, o que é relatado por muitos pacientes, lembra a epidemiologista María Elisa Calle, no jornal El País.

Outra diferença pode ser o facto de a gripe ter um início mais súbito, enquanto o covid tende a aparecer mais lentamente. Na covid-19, uma pessoa está infectada e num dia está um pouco ruim, no dia seguinte um pouco pior, no próximo pior, e então é quando aparecem a febre alta e a sensação de cansaço significativo, geralmente acompanhados pela perda do olfacto. Na gripe é tudo muito mais abrupto, você acorda um dia e diz para si mesmo: “Estou tão mal, dói-me tudo!”, acrescenta a especialista espanhola.

No caso de aparecimento de alguns desses sintomas, o procedimento recomendado é ligar para a linha SNS 24 (808 24 24 24).

© EPA/FEHIM DEMIR

Sinais de emergência

De acordo com as recomendações do CDC norte-americano, há sinais de emergência identificados relativamente à covid-19. Se sentir algum ou vários dos sintomas seguintes, deve procurar rapidamente assistência médica:

– Problemas respiratórios
– Dor persistente ou pressão no peito
– Estado de confusão
– Incapacidade para acordar ou ficar acordado
– Lábios ou rosto azulados

Diário de Notícias
DN
14 Novembro 2020 — 22:18

 

 

490: Vacina contra a gripe pode prevenir sintomas graves de covid-19

 

SAÚDE/VACINAS/GRIPE/COVID-19

Retha Ferguson / Pexels

Apesar de a covid-19 e a gripe serem duas doenças provocadas por vírus completamente diferentes, um novo estudo sugere que quem toma a vacina contra a gripe enfrenta um risco consideravelmente menor de ser hospitalizado, caso seja infectado pelo novo coronavírus.

De acordo com um estudo publicado no Journal of the American Board of Family Medicine, a vacina contra a gripe parece reduzir significativamente os sintomas de um paciente com covid-19 e, consequentemente, a probabilidade de este precisar de internamento.

A descoberta surge da análise de registos electrónicos de dois mil pacientes que foram infectados com o novo coronavírus entre Março e Agosto, sendo que pouco mais de 10% já haviam sido vacinados contra a gripe.

“A gripe e a covid-19 são, de facto, diferentes doenças causadas ​​por diferentes vírus“, enfatizou Ming-Jim Yang, autor principal do estudo. “Embora alguns dos sintomas se possam sobrepor entre as duas doenças, estes poderão ter diferentes consequências a curto e a longo prazo”, explicou.

Além disso, a covid-19 “tem ainda uma taxa de mortalidade muito maior“, observou Yang, acrescentando que os problemas pulmonares, cardíacos e cerebrais de longo prazo observados entre os pacientes de covid-19 “não parecem acontecer com a gripe”.

No entanto, “a nossa equipa analisou pacientes que testaram positivo à covid-19 e viu que os pacientes que receberam a vacina contra a gripe no último ano tinham menos probabilidade de serem hospitalizados e admitidos em unidades de cuidados intensivos”, disse o autor do estudo.

Pacientes com covid-19 que não tomaram a vacina contra a gripe no último ano mostraram 2,4 vezes mais probabilidades de ser hospitalizados e 3,3 vezes mais probabilidades de precisarem de cuidados intensivos”, disse.

Mas porque é que isso acontece?

“Infelizmente, não sabemos porque é que a vacina contra a gripe teria este efeito secundário benéfico”, disse Yang, acrescentando que o objectivo do estudo não era entender esse aspecto.

No entanto, “se olharmos para os estudos científicos disponíveis, podemos supor que a vacina contra a gripe aumenta a actividade das células assassinas naturais, um tipo de célula imunológica que ataca cancro e células infectadas por vírus”, explicou.

Além disso, estimula o sistema imunológico, o que pode ajudar a combater a covid-19 mais rápida e rigorosamente, diz o estudo.

Michael Niederman, director clínico de cuidados pulmonares e intensivos em Nova Iorque, nos Estados Unidos, acrescentou: “As vacinas contra a gripe podem estimular a imunidade antiviral específica [para a gripe]” e a imunidade inata não específica – que pode conferir “protecção adicional contra os sintomas mais graves de covid-19“.

Só o facto de conseguir evitar apanhar gripe, através da toma da vacina, pode ajudar a preservar a prontidão do sistema imunológico do paciente, disse também Chunhuei Chi, director do Centro de Saúde Global da Universidade do Oregon, nos EUA.

“Uma coisa que sabemos é que as vacinas contra a gripe são eficazes na prevenção da gripe”, disse Chi. “E quando uma pessoa tem gripe, o seu sistema imunológico fica enfraquecido. Nessas condições, a pessoa fica mais vulnerável à infecção pelo novo coronavírus e, se infectada, [os resultados] tendem a ser mais graves”, justificou.

Por outro lado, quem toma a vacina contra a gripe tende a ser mais cauteloso em relação à sua própria saúde. O que, na opinião de Chi, significa que tem uma maior probabilidade de adoptar um “nível mais elevado de práticas de segurança e higiene durante a pandemia”, estando menos exposto ao novo coronavírus.

As pessoas que tomam a vacina contra a gripe “são as mesmas que provavelmente seguem outros conselhos de cuidados preventivos, como usar máscara e manter o distanciamento. E é isso que previne a covid-19, não é a vacina contra a gripe“, disse Niederman.

Serão necessários mais estudos para verificar qual é o mecanismo por trás dos efeitos da vacina da gripe em relação à covid-19. Mas a verdade é que “os benefícios parecem existir”, disse Yang.

ZAP //

Por ZAP
13 Novembro, 2020


484: Gripe e covid-19. Contrair as duas doenças pode gerar uma “tempestade perfeita”

 

SAÚDE/GRIPE/COVID-19

Uma onda de covid-19, juntamente com uma subida do número dos casos de gripe pode ter muitos riscos, e estes não se ficam pela dificuldade em distinguir os sintomas das duas doenças, ou pela pressão para os serviços de saúde.

Um grande perigo destas duas doenças, pode surgir quando um individuo tem gripe primeiro e covid-19 depois.

Segundo António Morais, o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, “há dados que sugerem que indivíduos que tiveram um quadro clínico de infecção gripal e a seguir são infectados com este novo coronavírus tiveram uma doença mais grave, parecendo haver uma espécie de sinergia no sentido em que se gera uma segunda infecção de maior gravidade”, disse à TSF.

O especialista explica que “há um conceito de tempestade perfeita no sentido individual, pois quem tem uma infecção gripal pode, se for posteriormente infectado com o coronavírus e ter uma infecção mais grave”. Esta junção das duas doenças é classificada em vários artigos científicos como “potencial tempestade perfeita“.

O representante da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, sublinha que “aquilo que pode acontecer é que uma infecção gripal possa gerar uma resposta inflamatória que depois crie uma condição em que alguém que depois contraia o coronavírus esteja mais sensível para uma evolução mais grave da covid-19”, explica, recordando os casos relatados na literatura científica daquilo que aconteceu noutros países.

Um dos estudos mais citados quando se fala do cruzamento da gripe com a covid-19 analisou mais de 300 doentes em Wuhan. As conclusões referem que a co-infecção com os dois vírus (gripe e SARS-CoV-2) gerou, nos casos estudados, piores resultados para a saúde.

O último Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, revela que a gripe já chegou a Portugal nas últimas semanas, com alguns e raros diagnósticos, mas os casos ainda são poucos e a actividade é considerada praticamente inexistente.

ZAP //

Por ZAP
10 Novembro, 2020

 

 

460: Corrida à vacina da gripe. Farmácias temem não ter stock para tanta procura

 

 

SAÚDE/VACINAS/GRIPE SAZONAL

Esta segunda-feira, os mais velhos (65 anos ou mais) e doentes crónicos começam a ser vacinados contra a gripe, mas a corrida às vacinas começou em Agosto. A procura aumentou este ano e teme-se que o stock de 2 milhões do SNS e 500 mil das farmácias não chegue para as encomendas.

Utente do Lar da Casa do Artista vacinada contra a gripe, na primeira fase da campanha de vacinação de 2020, que incluiu residentes, utentes e profissionais de estabelecimentos de respostas sociais, doentes e profissionais da rede de cuidados continuados integrados, profissionais do SNS e grávidas. Esta segunda-feira inicia-se a segunda fase, dirigida a idosos e pessoas com doença crónica ou grave.
© António Pedro Santos/Lusa

É o maior número de sempre de doses de vacinas da gripe adquiridas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS): dois milhões, a serem administradas até ao final do ano. Mais 500 mil do que na época passada, em que, de acordo com o relatório final do Vacinómetro, foram vacinadas 1 544 781 pessoas com 65 anos ou mais e 279 540 entre os 60 e os 64 anos, tendo sido atingida a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS), com 76 por cento dos maiores de 65 a aderirem à vacinação. Naqueles que têm entre 60 e 64 anos e a quem a vacina é também fortemente recomendada, a cobertura ficou-se pelos 43,2 por cento.

Segundo o mesmo barómetro, que é uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Pneumologia e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, com o apoio da Sanofi Pasteur, realizada desde 2009, a cobertura entre os portadores de doença crónica foi de 72 por cento, de 58,9 por cento entre os profissionais de saúde e de 23,5 por cento entre as grávidas. A principal razão apresentada para fazer a vacina foi a recomendação médica (61,8 por cento). 11,9 por cento vacinaram-se por iniciativa própria e 24,6 por iniciativa da entidade empregadora.

Números que se estima que aumentem este ano, devido à pandemia de covid-19, com mais médicos a prescrever a vacina e mais pessoas a procurá-la por iniciativa própria. As farmácias estão a receber encomendas desde Agosto e algumas temem mesmo que o stock não seja suficiente e por isso não estão a aceitar mais reservas.

Para isso contribuiu um reforço do apelo à vacinação por parte do Ministério da Saúde e da Direcção Geral da Saúde, que iniciaram a campanha de vacinação gratuita duas semanas mais cedo do que o habitual em anos anteriores – a 28 de Setembro -, abrangendo, na primeira fase, residentes, utentes e profissionais de estabelecimentos de respostas sociais, doentes e profissionais da rede de cuidados continuados integrados, profissionais do SNS e grávidas.

A directora-geral da saúde, Graça Freitas, assegurou, no entanto, na última conferência de imprensa da DGS, em que deu conta da estratégia de reforço, no SNS, da vacinação contra a gripe sazonal, que a cobertura e o acesso à vacina estão garantidos.

“Já temos distribuídos 785 mil doses de vacinas e na próxima semana [que se inicia hoje] chegaremos a um milhão e quatrocentas mil doses”, disse a responsável, adiantando que “há vacinas suficientes para dar início à segunda fase”, dirigida às pessoas com 65 anos ou mais e àquelas que têm doenças crónicas ou graves, a partir dos seis meses, a quem as vacinas são administradas gratuitamente.

500 mil nas farmácias

Segundo a Associação Nacional de Farmácias (ANF), além dos dois milhões de doses que serão disponibilizados de forma gratuita pelo SNS, “as farmácias asseguraram o acesso a 500 mil vacinas, para o seu próprio serviço de vacinação, que existe há 12 anos, tendo assim Portugal 2,5 milhões de vacinas disponíveis”.

A operacionalização da vacinação gratuita e a distribuição no terreno é feita pelas ARS e assegurada pelos cuidados de saúde primários, nos centros de saúde, unidade de saúde familiar e unidades locais de saúde, mas este ano os idosos que não queiram ir ao centro de saúde, podem recorrer a uma farmácia

A partir desta segunda-feira, também as farmácias aderentes prestarão este serviço, estando previsto receberem 10 por cento do stock de vacinas do SNS reservadas aos idosos (65 anos ou mais), no âmbito do programa “Vacinação SNS Local”.

O programa, inspirado num projecto-piloto levado a cabo nos últimos dois anos em Loures, resultante de uma parceria daquela autarquia com a ANF para a vacinação da gripe, com resultados muito positivos, tendo aumentado “em 33% a imunização contra a gripe da população maior de 65 anos” naquele concelho, segundo a representante das farmácias, assumiu este ano dimensão nacional, com 2 750 farmácias aderentes, de 37 concelhos, entre os quais Lisboa não figura.

“As farmácias aceitaram o desafio do Ministério da Saúde de vacinarem contra a gripe, e sem custos para o utente, pelo menos 150 mil pessoas maiores de 65 anos”, diz a ANF, esclarecendo que “a operacionalização será feita em regime de parceria com as câmaras municipais que contribuirão para o suporte desta iniciativa, o que deverá fazer subir o número de beneficiários para além deste primeiro contingente”.

Para quem não tem direito à vacinação gratuita, a vacina é dispensada apenas nas farmácias, com comparticipação de 37%, mediante prescrição médica. As receitas médicas nas quais seja prescrita exclusivamente a vacina contra a gripe são válidas até 31 de Dezembro deste ano.

Perguntas & Respostas

Quem deve ser vacinado contra a gripe?

Pessoas consideradas com alto risco de desenvolver complicações pós gripe: com 65 anos ou mais, particularmente se residentes em lares de idosos ou outras instituições; residentes ou internados por períodos prolongados em instituições prestadoras de cuidados de saúde, como por exemplo hospitais; grávidas; doentes com mais de 6 meses de idade e que apresentem doenças crónicas ou imunitárias.

Pessoas com probabilidade acrescida de contrair e transmitir o vírus: que residem com crianças ou que lhes prestem cuidados, cuja idade não permita a vacinação e que tenham risco elevado de complicações; que residem com pessoas consideradas de alto risco de desenvolver complicações pós gripe.

Profissionais dos serviços de saúde (públicos e privados) e de outros serviços prestadores de cuidados; bombeiros; profissionais de infantários, creches e equiparados; profissionais dos estabelecimentos prisionais.

Pessoas incluídas nos seguintes contextos: residentes em instituições, incluindo lares de idosos, lares de apoio, lares residenciais e centros de acolhimento temporário; utentes de serviço de apoio domiciliário; doentes na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados; pessoas apoiadas no domicílio pelos serviços de apoio domiciliário (Segurança Social ou Misericórdias Portuguesas); doentes apoiados no domicílio pelas equipas de enfermagem das unidades funcionais prestadoras de cuidados de saúde ou com apoio domiciliário dos hospitais do SNS; doentes internados em unidades de saúde do SNS e que apresentem doenças crónicas para as quais se recomenda a vacina; reclusos nos estabelecimentos prisionais.

Recomenda-se ainda a vacinação das pessoas com idade entre os 60 e os 64 anos.

Quem tem direito à vacinação gratuita?

Pode vacinar-se gratuitamente nos centros de saúde e nas farmácias comunitárias (aqui apenas para utentes com mais de 65 anos) e sem necessidade de declaração médica:

Pessoas com 65 anos ou mais; grávidas; pessoas com mais de 6 meses de idade com diabetes mellitus; que fazem diálise; que têm trissomia 21; transplantadas; pessoas com mais de 6 meses de idade que estejam nos seguintes contextos: residentes em instituições, incluindo lares de idoso, lares de apoio, lares residenciais e centros de acolhimento temporário; utentes de serviço de apoio domiciliário; doentes na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados; pessoas apoiadas no domicílio pelos serviços de apoio domiciliário (Segurança Social ou Misericórdias Portuguesas); doentes apoiados no domicílio pelas equipas de enfermagem das unidades funcionais prestadoras de cuidados de saúde ou com apoio domiciliário dos hospitais do SNS; doentes internados em unidades de saúde do SNS e que apresentem doenças crónicas para as quais se recomenda a vacina

A vacina contra a gripe é, ainda, gratuita para: profissionais do SNS, incluindo estudantes em estágios clínicos; bombeiros com actividade assistencial; residentes em instituições ou pessoas internadas em unidades do SNS; guardas prisionais e reclusos.

Quem pode fazer a vacina gratuitamente, com necessidade de declaração médica?

Pode vacinar-se gratuitamente nos centros de saúde e nas farmácias comunitárias (aqui apenas para utentes com mais de 65 anos) com necessidade de declaração médica as pessoas que: aguardam transplante de células precursoras hematopoiéticas ou de órgãos sólidos; tenham fibrose quística; tenham défice de alfa-1 antitripsina sob terapêutica de substituição; tenham patologia do interstício pulmonar sob terapêutica imuno-supressora; tenham doença crónica com comprometimento da função respiratória, da eliminação de secreções ou com risco aumentado de aspiração de secreções; tenham doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC); tenham imuno-depressão primária, secundária a doença, secundária a terapêutica (quimioterapia, fármacos biológicos, DMAS ou com corticoides sistémicos).

Onde é que as pessoas podem dirigir-se para fazer a vacina e quem tem direito a vacinação gratuita?

Podem contactar a sua unidade de saúde. Se tiverem 65 ou mais anos e se, no seu concelho, as farmácias vacinarem com a vacina do SNS poderão também ser vacinadas gratuitamente nestas farmácias aderentes.

Há 37 concelhos que já aderiram ao programa Vacinação SNS Local: Águeda; Amadora; Arganil; Azambuja; Batalha; Bombarral; Carrazeda de Ansiães; Castelo Branco; Fafe; Faro; Figueira da Foz; Fornos de Algodres; Guimarães; Ílhavo; Loures; Mafra; Matosinhos; Mealhada; Monção; Mondim de Basto; Moura; Óbidos; Oeiras; Oliveira de Frades; Oliveira do Bairro; Ourém; Penela; Porto; Reguengos de Monsaraz; Sabugal; Salvaterra de Magos; Setúbal; Sintra; Tomar; Torre de Moncorvo; Torres Vedras; Vouzela.

Quando deve ser feita a vacina e o que devem fazer as pessoas para evitar concentrações?

As pessoas podem agendar a sua vacinação, idealmente entre Outubro e Novembro e, de preferência até final do ano.

Há alguém que não deva ser vacinado?

Quem tenha antecedentes de alergia a qualquer dos componentes da vacina, nomeadamente aos excipientes ou às proteínas do ovo e quem tenha antecedentes de Síndroma de Guillain-Barré nas 6 semanas seguintes à administração de uma dose da vacina. A vacinação deverá ser adiada ainda em caso de doença febril, moderada ou grave ou doença aguda.

A vacina disponível este ano protege de que variantes da gripe?

De acordo com a recomendação da OMS, as vacinas tetravalentes contra a gripe na época 2020-2021, no Hemisfério Norte, incluem: A/Guandong-Maonan/SWL 1536/2019; A (H1N1)pdm09 – A/Hong Kong/2671/2019; A(H3N2) – B/Washington/02/2019; B/Victoria – B/Phuket/3073/2013; B/Yamaga

Porque é que é tão importante a vacinação neste ano em particular?

A vacinação dos grupos prioritários é sempre importante nesta época, independentemente de estar em curso a pandemia de covid-19. A vacinação contra a gripe este ano, poderá, no entanto, permitir que se faça um diagnóstico diferencial entre doenças respiratórias, nomeadamente gripe e covid-19.

O que é necessário que saibam aqueles que têm medo de ser vacinados?

É importante saber que uma vacina, como qualquer outro medicamento, tem de ter provada a sua eficácia e segurança. No caso da vacina da gripe, esta é uma realidade conhecida há muitos anos, com benefícios largamente conhecidos, em especial para os grupos prioritários como o dos idosos. A vacinação reduz muito o risco de contrair a infecção. Se for infectada, a pessoa vacinada terá um menor risco de ter complicações.

Quantos portugueses se espera que sejam vacinados em 2020.

Na primeira fase, estimava-se que a população-alvo fosse de cerca de 300 000 pessoas. Tendo em conta as taxas de coberturas de anos anteriores, a expectativa é ultrapassar uma taxa de cobertura de 90% nos lares e os 50% nas grávidas, mas só após a vacinação estar concluída será possível ter taxas consolidadas.

A vacina pode provocar a gripe?

Não. A vacina contra a gripe não contém vírus vivos, pelo que não pode provocar a doença. No entanto, as pessoas vacinadas podem contrair outras infecções respiratórias virais que ocorrem durante a época de gripe e para as quais não há vacina.

A vacina dá protecção a longo prazo?

Não. O vírus muda constantemente, surgindo novos tipos de vírus para os quais as pessoas não têm imunidade e a vacina anterior não confere protecção adequada. Por isso a vacina é diferente em cada ano.

Como foi a época gripal passada?

De acordo com o Instituto Ricardo Jorge, na época 2019/20, a epidemia de gripe teve um início mais precoce do que na maioria dos anos anteriores. O período epidémico de gripe ocorreu entre as semanas 50/2019 (09 a 15 de Dezembro) e 06/2020 (03 a 09 de Fevereiro), sendo que o valor máximo observado da taxa de incidência semanal de síndrome gripal foi de 62,2 casos por 100.000 habitantes na semana 03/2020.

De acordo com o histórico da vigilância da gripe, estes valores indicam uma actividade gripal de intensidade baixa. Neste período, co-circularam vírus do tipo A [em especial, do subtipo A(H1)]e B (em especial, B Victoria).

Sublinha-se que estes valores são estimados a partir de uma amostra de doentes com síndrome gripal que recorreram aos serviços de saúde e que foram identificados nas redes de vigilância da gripe, não correspondendo à totalidade dos casos de gripe ocorridos no país, uma vez que a gripe sazonal não é de notificação obrigatória.

Diário de Notícias

Catarina Pires

 

 

458: Gripe e covid-19 juntas podem ser cocktail perigoso neste inverno

 

 

SAÚDE/COVID-19/GRIPE

Estudos sugerem que infecções sequenciais pelos respectivos vírus podem tornar covid-19 mais grave

Europa enfrenta ressurgimento da pandemia
© EPA/Giuseppe Lami

A debater-se com uma segunda vaga de covid-19 que regressou em força e ameaça entrar em descontrolo, e com uma nova época de gripe à porta, a Europa enfrenta também a incerteza do que a coincidência de ambas as infecções respiratórias pode trazer consigo no inverno.

Conjugar-se-ão elas para causar uma crise sanitária ainda mais grave? Ou poderá a gripe passar mais ou menos despercebida, por haver menos contágios devido às medidas que estão a ser usadas para conter a própria covid-19?

Para tentar antecipar o que aí vem, vários grupos estão a fazer investigações no terreno mas, pelo menos para já, os resultados não são muito animadores: uma gripe seguida de uma infecção pelo SARS-CoV-2 poderá conduzir a formas mais graves de covid-19 e causar maior mortalidade, alertam os cientistas.

É exactamente para aí que apontam os resultados de dois estudos realizados por grupos de investigação britânicos e chineses, respectivamente.

Além desses dois trabalhos, uma outra análise realizada também por investigadores britânicos, que avaliou doentes com covid-19 que tinham tido gripe antes, encontrou um risco seis vezes maior destes doentes desenvolverem sintomas graves da infecção pelo coronavírus.

Neste último estudo, que foi coordenado entre outros pela epidemiologista Julia Stowe, da Public Healht England, e pré-publicado no site MedRxiv, ainda sem revisão científica, os autores levantam também a hipótese de existir uma competição entre os dois vírus, já que entre todas as pessoas que tiveram gripe no grupo avaliado, só uma minoria (32%) sofreu depois também uma infecção de covid-19.

Numa abordagem diferente, a equipa de cientistas britânicos que foi coordenada por James Stweart e Julian Hiscox, da Universidade de Liverpool, testou em ratinhos várias possibilidades: a de uma co-infecção pelos dois vírus, e a de uma infecção sequencial, primeiro pelo vírus da gripe e depois pelo SARS-CoV-2. Os resultados não sossegam.

No primeiro caso, o desfecho é incerto, porque a circulação simultânea dos dois vírus tanto pode conduzir a interacções de competição como de cooperação entre ambos os agentes patogénicos, sendo o desfecho mais grave neste último caso.

Já na infecção sequencial, a resposta inflamatória para o coronavírus revelou-se muito violenta, com uma alta taxa de mortalidade.

Os resultados deste estudo foram publicados noutro site de pré-publicações científicas, o bioRxiv, e está agora em revisão científica.

“O nosso trabalho mostra como podem ser perigosas a co-infecção e a infecção sequencial pelos dois vírus”, afirmou um Julian Hiscox, um dos coordenadores do estudo, citado na Thailand Medical News, sublinhando que, face à incerteza, “é possível pelo menos mitigar o risco da gripe através da vacinação”.

Uma combinação perigosa

O estudo realizado por cientistas chineses do Laboratório Nacional de Virologia e da Universidade de Wuhan sobre este mesmo problema vai exactamente no mesmo sentido dos resultados obtidos pelos cientistas britânicos.

Os resultados que estão igualmente on line no site BiorXiv, e também em processo de revisão científica, mostram que a infecção pelos vírus da gripe A potencia a susceptibilidade à covid-19 e também uma maior severidade desta doença.

De acordo com a equipa de Wuhan, a época de gripe que se avizinha, associada à pandemia de covid-19, pode ter um grande potencial de impacto severo na saúde pública.

Diário de Notícias

 

 

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