582: O corpo humano produz 3,8 milhões de células por segundo

 

 

SAÚDE/BIOLOGIA

qimono / Pixabay / Wikimedia

Um novo estudo mostra que o nosso corpo produz cerca de 330 mil milhões de células por dia. Este ritmo significa que mais de 3,8 milhões de novas células são produzidas a cada segundo.

Numa escala celular, o corpo humano está em constante estado de actividade para nos manter vivos. Entre esses processos está a renovação de células, no qual as células mortas são substituídas por novas. Agora, um novo cálculo revela o quão intenso é este processo.

Segundo o site Science Alert, os biólogos Ron Sender e Ron Milo, do Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, basearam os seus cálculos numa pessoa de referência padrão: um homem saudável, com uma idade entre os 20 e os 30 anos, que pesa 70 quilos e mede 1,70 metros.

De seguida, para a sua estimativa das taxas de renovação celular, os cientistas incluíram todos os tipos de células que constituem mais de 0,1% da população total de células.

A expectativa de vida das células foi recolhida a partir de uma pesquisa bibliográfica, usando apenas os trabalhos que fizeram medições directas da expectativa de vida de células humanas. Depois, os investigadores derivaram a massa celular total para cada tipo, com base na massa celular média.

Com base nestas informações, Sender e Milo chegaram à conclusão que este homem padrão teria uma taxa de renovação celular de cerca de 80 gramas por dia, ou seja, 330 mil milhões de células.

Deste volume, 86% seriam células sanguíneas, principalmente glóbulos vermelhos (o tipo de célula mais abundante no corpo humano) e neutrófilos (o tipo mais abundante de glóbulos brancos). Outros 12% seriam células epiteliais gastro-intestinais, com pequenas quantidades de células relativas à pele (1,1%), células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos e células pulmonares (0,1% cada).

Embora as células sanguíneas constituam a maior parte da renovação celular em termos de quantidade de células individuais, relativamente à massa que representam, a história é outra, revela o mesmo site.

Apenas 48,6% da massa são células sanguíneas, de todos os tipos. As células gastro-intestinais constituem outros 41%. As células da pele perfazem 4%, enquanto as células adiposas (relativas à gordura), que mal se registam no número de células, perfazem outros 4%.

É importante destacar que estes números provavelmente variam de pessoa para pessoa, dependendo de factores como a idade, a saúde, o tamanho e o sexo. Porém, esta investigação, cujo estudo foi publicado a 11 de Janeiro na revista científica Nature Medicine, fornece uma linha de base a partir da qual é possível entender melhor como funciona a renovação celular.

ZAP //

Por ZAP
28 Janeiro, 2021

 

 

 

265: O café faz bem aos olhos

 

jilleatsapples / Flickr

Dois ou três cafés por dia protegem as células da retina. Esta é a conclusão de um estudo realizado por investigadores das universidades de Coimbra e de Bona, na Alemanha.

Numa nota enviada esta segunda-feira à agência Lusa, a Universidade de Coimbra refere que esta investigação abre caminho para o desenvolvimento de “novas abordagens terapêuticas para o tratamento de doenças da visão associadas a episódios isquémicos, como a retinopatia diabética e glaucoma”.

Estas são duas das principais causas de cegueira a nível mundial. Na mesma nota, a Universidade de Coimbra indica que a isquemia da retina é uma complicação que está associada às doenças degenerativas da retina, que contribui para a perda de visão e cegueira.

isquemia da retina “ocorre por oclusão de vasos sanguíneos, maioritariamente da artéria central da retina, de um ramo da artéria da retina ou por oclusão venosa”.

O estudo, liderado por Ana Raquel Santiago, investigadora no laboratório Retinal Dysfunction and Neuroinflammation da Faculdade Medicina da Universidade de Coimbra, foi realizado em modelos animais (ratos) e desenvolvido em duas fases, tendo sido publicado na Cell Death and Disease.

No início, foram avaliados os efeitos da cafeína nas células da microglia – “células imunitárias que funcionam como os macrófagos da retina, mas que em situação de isquemia libertam substâncias nocivas que contribuem para o processo degenerativo”, explica a Universidade.

Os ratos começaram por consumir cafeína durante duas semanas ininterruptamente, tendo sido posteriormente sujeitos a um período transitório de isquemia ocular. Após a recuperação, voltaram a beber cafeína.

As análises revelaram que “a cafeína controla a reactividade das células da microglia de forma a conferir protecção à retina, quando comparado com animais que bebiam água”, acrescenta a Universidade de Coimbra.

“Nas primeiras 24 horas assistiu-se a uma activação exacerbada das células da microglia, indicando que, de alguma forma, a cafeína estava a promover um ambiente pró-inflamatório para depois garantir protecção e travar a progressão da doença”, refere a coordenadora do estudo.

Sabendo que a cafeína é um antagonista dos receptores de adenosina (envolvidos na comunicação do sistema nervoso central) e perante os primeiros resultados, a segunda fase do estudo centrou-se em testar o potencial terapêutico de um fármaco, a istradefilina, no controlo do ambiente inflamatório após um episódio isquémico da retina.

Este é um fármaco capaz de bloquear a ação dos recetores A2A de adenosina e que tem sido avaliado noutras doenças neurodegenerativas.

“Neste grupo de experiências, observou-se que a administração de istradefilina diminui a reactividade das células da microglia, atenuando o ambiente pró-inflamatório e o dano causado pela isquemia transiente”, descreve Ana Raquel Santiago. Este fármaco foi testado pela primeira vez na retina, tendo sido administrado após o insulto isquémico da retina.

Estes resultados podem abrir portas à identificação de novos fármacos que possam tratar ou atenuar as alterações visuais inerentes a estas doenças. “Os receptores A2A de adenosina podem vir a ser um alvo interessante para travar a perda de visão causada por doenças como o glaucoma ou a retinopatia diabética”, acrescenta a investigadora.

Actualmente, não há cura para estas doenças e os tratamentos disponíveis não são eficazes. Desenvolvido ao longo de três anos, o estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pela empresa Manuel Rui Azinhais Nabeiro.

ZAP // Lusa

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252: A canela queima células de gordura e ajuda na perda de peso

 

A canela pode ser o segredo para perder peso, de acordo com investigadores da Universidade de Michigan que estudaram a forma como a especiaria interage com as células de gordura.

Segundo um novo estudo, o cinamaldeído, composto orgânico que dá à canela o seu sabor, faz com que as células de gordura queimem calorias para criar calor, um processo conhecido como termogénese. Esta capacidade de transformar a gordura em energia faz com que a substância ganhe importância na luta contra a obesidade.

O estudo, publicado na revista Metabolism, recorda que o cinamaldeído já mostrou ter um efeito anti-obesidade em ratos, inclusivamente na prevenção de hiperglicemia, que é um nível alto de açúcar no sangue. A nova pesquisa analisou agora com detalhe o mecanismo por trás dessa qualidade protectora na canela.

A equipa de investigadores tratou células de ratos e de gordura humana com cinamaldeído e descobriu que o composto fez com que as células de ambas as espécies apresentem genes e enzimas ligados à actividade metabólica.

O tecido humano analisado foi retirado de múltiplos dadores, com diferentes etnias e idades, e com uma variedade de IMC, índice de massa corporal.

Segundo uma nota da Universidade de Michigan, os antepassados dos humanos não tinham disponíveis muitos alimentos ricos em gordura, pelo que o seu organismo guardava gordura, que era armazenada para ser usada quando estava frio. Em muitos casos, hoje, no entanto, esse armazenamento de gordura tornou-se excessivo e desnecessário.

O novo estudo fornece “uma explicação para os efeitos anti-obesidade do cinamaldeído e os seus benefícios metabólicos em seres humanos”, diz o professor Jun Wu, investigador do Instituto de Ciências da Vida da Universidade de Michigan e autor do estudo.

“Dado o amplo uso da canela na indústria alimentar, a noção de que este popular aditivo alimentar pode activar a termogénese em vez de uma qualquer droga, pode conduzir a novas abordagens terapêuticas contra a obesidade – que sejam muito mais adoptadas pelos participantes”, acrescenta o cientista.

“A canela tem feito parte da nossa dieta há milhares de anos, e as pessoas geralmente gostam dela”, explica Jun Wu. “Então, se pode ajudar-nos a proteger contra a obesidade, também pode tornar mais fácil que os pacientes a adoptem”.

São ainda necessários adicionais para entender melhor os efeitos do cinamaldeído no corpo, incluindo possíveis efeitos negativos da ingestão excessiva, e para descobrir a melhor forma de o usar na luta contra a obesidade. Até lá, sempre com moderação, não dispense uns pozinhos de canela no seu arroz doce ou pastel de natas.

ZAP // Ciberia / Science Daily

Por CC
27 Novembro, 2017

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